Google e publicidade


Google quer ser o destino das verbas online

Se o Google colocar no ar um sistema operacional gratuito, como um dia fará, não haverá mais restrição à migração das verbas para a internet. Será um novo mundo para os planejamentos de criação e, sobretudo, de mídia.

Por Zeca Martins

Na Grécia antiga, depois de Atenas, Delfos era uma espécie de destino turístico-cultural que tinha um algo-mais que, em interesse público, deixava para trás o resto do mundo grego: o Oráculo.

Pois era lá no historicamente mui famoso Oráculo de Delfos que as Pitonisas – mulheres dotadas de incríveis dons adivinhatórios – recebiam reis, políticos e governantes, para, em momentos de transe hipnótico, revelar o que o destino lhes guardava de bom e de ruim. Curiosamente, sabe-se hoje que os tais transes hipnóticos não eram provocados pela vontade de Zeus nem do resto da divina rapaziada do Olimpo, mas por gases alucinógenos subterrâneos que escapavam por fendas geológicas e atingiam em cheio os narizes das tais Pitonisas, fazendo com que suas palavras adquirissem um tom, digamos, ultra especial. Ou seja, em linguagem moderna e literal podemos dizer que Delfos dava barato.

Seja lá como for, Delfos era sinônimo de fonte de informação, senão segura e verdadeira, ao menos acreditável.

Exatamente como hoje o é o Google, com suas múltiplas tenazes.

E há várias, como você poderá facilmente constatar com uma simples consulta ao site: Google Search, News, Books, Docs, Alerts, Chrome etc. Enfim, é Google para todos os gostos e necessidades.

Mas uma coisa me chama particularmente a atenção no Google: sua estratégia. Devagar e sempre, comendo pelas bordas, engolindo pouco a pouco a internet.

O Google Docs, por exemplo, é um dos meus sonhos de consumo. Pra quê diabos eu, que uso basicamente os programas típicos de um Office (no meu caso, BrOffice), preciso de um HD? Ora, já estou deixando tudo lá, guardado no Google Docs. Aliás, se eu fosse da Microsoft, poria as barbas de molho, pelo simples motivo de que se já temos no Google Docs um pacote Office online, o que impede o pessoal do Google de colocar – atenção para a futurologia! – um sistema operacional completo online? E, ainda por cima, grátis!

Um concorrente online do Windows, do Apple ou do Linux, que você poderá usar tranqüilamente, numa boa, sem gastar um tostão nem se preocupar se sua cópia é pirata ou não. Aliás sem mesmo se preocupar se a configuração da sua máquina é moderninha ou ultrapassada, pois o que realmente vai interessar é se seu acesso à internet tem velocidade suficiente para usufruir tudo o que os caras vão colocar à sua disposição.

Sim, porque, mais dia, menos dia, eles vão colocar na internet um sistema operacional online, grátis e de boa qualidade. Que vai matar friamente os que estão aí, da mesma forma que a telefonia VOIP está matando a convencional.

Tudo isso é só uma questão de tempo e de engenharia – leia-se ampliação da base física de comunicação de dados que venha a ser instalada por empresas e governos mundo afora (satélite, fibras ópticas… sei lá).

Nesta altura dos acontecimentos o leitor e a leitora poderão estar-se perguntando “e eu com isso?”.

Bem, caso você seja publicitário ou ligado ao mundo da publicidade, tem TUDO a ver com isso.

Porque tanto o Google quanto o Yahoo e demais serviços assemelhados simplesmente já acabaram com a publicidade tal qual a conhecemos. Falta o tiro de misericórdia.

Se o Google colocar no ar um sistema operacional gratuito, como eu imagino que um dia fará, não haverá mais qualquer espécie de restrição à migração das verbas para a internet. Será um novo mundo para os planejamentos de criação e, sobretudo, de mídia.

Nota: o calcanhar de Aquiles do Google, na minha modesta opinião, é o desprezo pelo ser humano. Isso mesmo: desprezo. Jogaram todas as fichas na tecnologia, nos computadores e desprezaram solenemente coisas simples como o contato pessoa-a-pessoa. Tente falar com alguém do Google, tente ao menos encontrar um número de telefone, ainda que seja para anunciar com eles. Você não vai conseguir.

Eu simplesmente não entendo uma empresa que não conversa pessoalmente com seus clientes, ou, o que é muito pior, que esnoba o próprio dinheiro do cliente. Eu mesmo já tentei anunciar no Google e fui impedido, porque queria pagar com boleto bancário e o Google simplesmente não aceita, ao contrário do Yahoo (que gera boletos e coloca pessoas simpaticíssimas para falar com o cliente). Bem, os antigos também já diziam que o dinheiro não aceita desaforo… então, se cuida, Google!

Fonte: WebInsider

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