Fatos & Fotos – 27/07/2021

A realidade, questão de tempo e lugar, haverá de esgarçar seus sonhos.

David Gaberle. st sd


Na trilha sonora desta noite de terça-feira – Take a Picture of the Moon – Tatiana Eva-Marie & Terry Waldo


Boa noite
Adeus
Judith Teixeira

Sim, vou partir.
E não levo saudade
De ninguém
Nem em ti penso agora!
Julgavas que a tristeza desta hora
Fosse maior que a firme vontade
Que eu pus em destruir
O luminoso fio de ternura
Que me prendia ao teu olhar?
Julgaste mal:
Eu sei amar,
Mas meu amor
O que eu não sei
É ser banal!

Mas por que vim eu escrever-te ainda?
Nem eu sei!
Talvez somente
O hábito cortês da despedida
– e o hábito faz lei!

Choro?! Oh, sim , perdidamente!
Mas sabes tu, por que este pranto
Assim amargo e soluçado vem?
É que na hora da partida
Eu nunca pude sem chorar
Dizer adeus a ninguém!

Arte Digital – José Mesquita


Christine Webb
Memory of YSL Garden Morocco” sd


Arthur Hacker 1858-1919
Portrait of a Girl,1896


Louis Tresseras st sd


Como Copa, Olimpíada e Bolsonaro implodiram imagem do Brasil no exterior

Cerimônia de abertura da Olimpiada do Rio de Janeiro foi muito elogiada e o evento, no geral, foi um ‘sucesso’. Mesmo assim, a ampla publicidade dada ao Brasil atrapalhou a imagem do país, em vez de ajudar

Quando o Rio de Janeiro foi escolhido em 2009 para sediar a Olímpiada de 2016, o clima era de grande entusiasmo. Seria, aparentemente, uma grande oportunidade de divulgar o Brasil, atrair investimentos e turismo internacional.

Imagens do ex-presidente Lula e do ex-jogador de futebol Pelé pulando de alegria e até chorando circularam nos meios de comunicação. Três anos antes, em 2006, o Brasil já havia sido escolhido para ser sede da Copa do Mundo em 2014.

Com esses dois megaeventos internacionais, o país seria notícia no mundo todo. E foi. Mas, contrariamente ao senso comum, essa “ampla divulgação” provocou efeito inverso do esperado: marcou o início da derrocada da imagem do Brasil no exterior.

Pelo menos é o que revelam dados obtidos pela BBC News Brasil da pesquisa Anholt-Ipsos Nation Brands, que mede a percepção das pessoas sobre os países em áreas como governança, exportação, cultura e população.

Anholt, que já atuou como conselheiro de governantes de 56 países, disse à BBC News Brasil que a Olimpíada e a Copa do Mundo serviram de publicidade negativa ao Brasil porque o mundo passou a conhecer mais sobre a pobreza, a desigualdade social, a violência e a corrupção existentes no país.
Por quase dez anos, o Brasil vivenciou “estabilidade” na sua marca externa, ou seja, na forma como era visto pelo mundo. No entanto, justamente nos anos em que o país sediou os dois grandes eventos esportivos internacionais, houve uma piora acentuada na percepção externa em relação ao país, conforme os dados da pesquisa Nation Brands.

Queda ainda maior com o governo Bolsonaro

Desde a última queda acentuada na sua imagem internacional em 2016, o Brasil iniciou uma recuperação. Mas, de 2019 em diante, após o início do governo Jair Bolsonaro, a “marca” ou imagem externa do país parece ter entrado em queda livre, conforme os dados do Nation Brands.
“A derrocada na imagem partir de 2019 é a mais significativamente negativa já registrada pelo Nation Brands Index. Isso tem correlação com o governo Bolsonaro, reação do governo à pandemia e ao furor internacional diante das queimadas na Amazônia”, explica Anholt.
O pior desempenho do Brasil é no quesito governança, que mede a percepção sobre a competência do governo — o Brasil figura em 44º no ranking nesse tópico. O melhor desempenho é em “cultura”, que mede a apreciação do mundo à música, filme, esporte, arte e literatura de um país. Nessa área, o Brasil aparece na décima posição no ranking.


William De Leftwich Dodge (American,1867-1935)
Dolphin Bay, 1915


O Sax Tenor de Joe Henderson brilha na manhã desta terça-feira – Canyon Lady


Rembrandt
Bethsabée au bain tenant
la lettre de David,1654



Entidades judaicas no Brasil se mostram chocadas com reunião entre presidente da República e Beatrix von Storch e afirmam que a legenda dela, a AfD, é um partido de “extrema direita que minimiza as atrocidades nazistas”

Instituições judaicas no Brasil criticaram nesta segunda-feira (26/07) o encontro do presidente Jair Bolsonaro com a deputada da ultradireita alemã Beatrix von Storch, ocorrido na semana passada.

Von Storch é vice-presidente do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AFD) e foi recebida pelo presidente em Brasília. Ela também se reuniu, separadamente, com os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e Bia Kicis (PSL-DF) e com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes. As fotos do encontro de Von Storch com Pontes foram mais tarde excluídas da conta do ministério na plataforma Flickr.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) lamentou a recepção dada à deputada da AfD em Brasília. “Trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto. O Brasil é um país diverso, pluralista, que tem tradição de acolhimento a imigrantes.”

Outra entidade, o Instituto Brasil Israel (IBI), afirmou que a AfD tem características xenófobas e supremacistas e que a viagem mostra que a AfD apenas busca, de forma desesperada, legitimação internacional.

“O fato de Beatrix von Storch se ausentar da Alemanha quando se contam as vítimas das enchentes e viajar por um país isolado internacionalmente a esta altura, como o Brasil, mostra a irrelevância de seu partido e a busca desesperada por qualquer legitimação internacional. Ao contrário de uma união dos conservadores do mundo para defender os valores cristãos e a família, como sugeriu Bia Kicis, esses encontros estão mais para união de políticos de extrema direita irrelevantes no cenário global: um abraço de náufragos”, afirma a nota assinada pelo coordenador-executivo do IBI, Rafael Kruchin.

Já o grupo Judeus pela Democracia se declarou chocado com o encontro do presidente com a líder de um partido que chamou de “extrema direita, xenófobo e nazista”. “O presidente do Brasil, seu filho e a presidente da CCJ encontrarem uma deputada líder do partido de extrema direita, xenófobo e nazista é algo que nos assusta, não apenas como judeus, mas também como brasileiros.”

“Pela terceira vez em dias a VP do partido de extrema direita alemão aparece com governistas brasileiros: presidente da CCJ, filho do presidente e agora o PRESIDENTE DO BRASIL posam sorrindo e citando semelhanças com o partido xenófobo alemão. Sem rodeios: nazistas”, afirmou o Judeus pela Democracia em sua conta no Twitter.

Já na semana passada o Museu do Holocausto de Curitiba havia expressado preocupação e inquietude com os encontros da parlamentar alemã com autoridades brasileiras. “A Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha) é um partido político alemão de extrema direita, fundado em 2013, com tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração“, afirmou o museu.


Foto do dia – Autor não identificado

Royalty free. A imagem é liberada livre de copyrights Wallhere


Adriaan Van Esveld – sd st


Compra de sistema de espionagem teve confronto entre Carlos Bolsonaro e Santos Cruz

A tentativa de compra do sistema de espionagem israelense Pegasus pela Lava Jato também revelou os bastidores do confronto entre integrantes da ala militar, como o então ministro da Secretaria de Governo, general Carlos dos Santos Cruz, o ministro da Justiça Sergio Moro e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O foco da discórdia foi a montagem de uma licitação, ainda no primeiro ano do mandato do ex-capitão, para a compra do software para o Centro Integrado de Operações de Fronteira, aponta reportagem do jornalista Jamil Chade, no UOL.

Batizado de “Fusion Center”, o modelo integrado de  forças de segurança era inspirado nos moldes adotados pelos Estados Unidos e seria implantado em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira, no Paraná. A instalação, contudo, ainda não foi viabilizada. “A intenção era concluir ambas as licitações, para a criação do centro de controle e para a aquisição de uma ferramenta de inteligência, até 2020, mas diversos atrasos impediram que Moro concluísse o objetivo até a data de sua exoneração em 24 de abril de 2020”, ressalta Chade no texto da reportagem.

A compra do sistema  Pegasus, porém, não era bem vista por membros da ala militar, como o então ministro da Secretaria de Governo. O edital de licitação contou com dois processos distintos, um em 2020 e outro em 2021. O primeiro aconteceu ainda quando Moro chefiava a pasta da Justiça. A empresa fornecedora do Pegasus desistiu de participar do pregão após reportagens revelarem a participação do vereador Carlos Bolsonaro na negociação.


Peder Mørk Mønsted st sd


Angiolo Volpe,Dove l’anima è leggera – sd

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