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Fábulas revisitadas: o camponês, o rei e o burro

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Apesar do brilhantismo da abordagem, o jornalista poderia se informar a respeito dos Direitos Constitucionais de cada cidadão, bem como da legislação processual. Claro que é revoltante saber que os mais poderosos têm advogados competentes, capazes de se utilizarem de todos os recursos previstos em lei, para manterem seus constituintes fora da cadeia.

No Congresso, esta semana, uma história era muito ouvida nos corredores. O rei condenou um camponês à morte por estar caçando em suas reservas. Na hora da execução, o condenado lamentou em voz alta, para o rei ouvir, que morreria amargurado, logo na hora em que havia encontrado uma fórmula para ensinar os burros a falar. O rei interessou-se, suspendeu a sentença e entregou um de seus burros ao camponês, indagando quanto tempo levaria para que o animal começasse a falar. Seis anos, disse o espertalhão, que ao voltar para casa foi interpelado pela mulher se estava maluco. Resposta: “Em seis anos, o burro pode morrer, eu posso morrer e o rei pode morrer. Vale a pena tentar”.

A história se aplica perfeitamente à situação de Daniel Dantas, condenado a dez anos de reclusão, mas livre de ir para a cadeia enquanto seus advogados apresentarem recursos. O próprio procurador encarregado do caso prevê o mínimo de seis anos de protelações. Ora, em seis anos tudo pode acontecer. O rei é o Judiciário, o camponês é Daniel Dantas e o burro? Bem, o burro somos nós…

Não há a menor chance de o banqueiro ser preso. Nova prisão preventiva que fosse decretada pelo juiz Fausto De Sanctis mereceria imediato habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal. Quer dizer: o crime compensa, no caso, de formação de quadrilha, tentativa de suborno, evasão de divisas e sucedâneos. Já o José das Quintas, aquele que roubou uma galinha, nem ao menos conseguiu comer a penosa, indo antes parar na cadeia…

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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