Eleições 2010: José Serra e o Banco Central

Na semana passada o tucano José Serra já havia respondido de forma atravessada à uma pergunta feita sobre o mensalão do Dem. Serra nitidamente não gostou da pergunta e teve uma atitude destemperada com o repórter que fez o questionamento.

Agora foi a vez do intempestivo candidato do PSDB ser agressivo com a jornalista Míriam Leitão, que não pode ser caracterizada como uma não simpatizante do poleiro tucano.

Serra, sem paz e sem amor, foi impressionantemente agressivo com a jornalista.

O editor


O que Serra pensa do Banco Central

O pré-candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, disse que o Banco Central “não é a Santa Sé”, ou seja, está sujeito a cometer erros. Deu a entender que vai sempre expressar sua opinião a respeito do que considerar erros na condução da política monetária do BC.

Indagado em entrevista à rádio CBN se no caso de ser eleito seria também uma espécie de presidente do Banco Central, reagiu afirmando que “isso é brincadeira”.

Mas o tucano declarou de forma clara ter considerado um equívoco a forma como o BC conduziu a política monetária ao longo da crise financeira de 2008/09 –demorando mais do que os outros países para reduzir a taxa de juros no país.

Para ele, “simplesmente foi um erro” não ter baixado mais e mais rapidamente os juros durante aquele período, pois o Brasil não enfrentava nenhuma pressão inflacionária.

“Se alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo, quando tem quase deflação, é porque tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil. Por outro lado, a mesa da economia brasileira eu ajudei a reerguer (…) Todo mundo sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma”, disse Serra.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O tucano foi então confrontado com uma situação hipotética pela colunista de economia Míriam Leitão. O que faria, se fosse presidente e percebesse que o Banco Central está errando a mão? Serra demonstrou uma certa irritação ao responder:

“Espera um pouquinho. O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra?  Tenha paciência.

Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade e que qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro e ficam nervozinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito. E, a esse propósito, você e o pessoal do sistema financeiro podem ficar absolutamente tranquilos que não vai ter nenhuma virada de mesa”.

A jornalista insistiu para saber como Serra reagiria se for eleito presidente e perceber algum erro do BC. E o tucano:

“Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem.

O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem. Você vê o Banco central errando e fala: ‘não, eu não posso falar porque são sacerdotes…’ Eles têm algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem terem sido eleitos, alguma coisa divina, alguma coisa secreta tal que vc. não pode nem falar ‘ó, pessoal, vocês estão errados’. Ah, tenha paciência”.

Ainda nesse capítulo sobre política econômica, Serra foi perguntado se é a favor dar um mandato com tempo determinado ao presidente do Banco Central, como nos EUA. O tucano disse ser contra.

Do blog de Fernando Rodrigues

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Mais artigos

Siga-me