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Ciência,Redes Sociais,Telecomunicações,Tecnologia,Comportamento,Tecnologia

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’ domingo, 31 de março de 2019

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Imagem em que a companhia anuncia que se esgotaram as unidades do telefone. PUNKT

A ideia era tentadora: experimentar um celular de alta tecnologia que não tivesse Internet — e, portanto, nem redes sociais nem WhatsApp. Um celular como os de antigamente, daqueles que só fazem e recebem ligações. Do jeito que somos bombardeados por notificações, transformar-se em uma espécie de eremita 2.0, ainda que temporariamente, é um desafio que parece muito difícil recusar. A fabricante suíça Punkt trouxe em 2017 para o mercado essa ideia maluca de um celular que ajudasse as pessoas a se desconectar, e agora lançou sua segunda versão, MP 02, que por enquanto está com o aviso de “estoque esgotado” em sua loja online.

É um celular marcante, e isso se nota assim que é retirado da caixa: é como voltar para 1999, quando a gente inseria o SIM em um Nokia 3210 de tela monocromática. E realmente não há grandes diferenças no primeiro impacto: o Punkt oferece a mesma estrutura, com teclado numérico e tela de uma só cor, sem nenhuma concessão para entretenimento ou distrações, porque é disso que se trata. O próprio nome, Punkt, significa “ponto” em alemão — um ponto final nas distrações e a volta a um novo mundo em que a única notificação no celular é a dos telefonemas e mensagens SMS.

Uma desconexão ‘premium’

A segunda geração do Punkt revive a sensação de ter um aparelho que, apesar de suas funcionalidades espartanas, é de alta tecnologia: bem acabado e com um encaixe na mão que já tínhamos esquecido. Como não tem uma tela dedicada ao entretenimento, o Punkt pode ser segurado facilmente e cabe em qualquer bolso. O fato de ser tão austero em benefícios tem uma segunda vantagem, mais interessante: sua bateria dura, teoricamente, 12 dias com uma só carga. Mas sempre há algo que nos lembra de que estamos em 2019: a fabricante alerta para a existência de uma atualização importante do firmware do dispositivo, que chega sem fio (OTA) quando ele se conecta a uma rede WiFi. A porta USB-C também mostra que o aparelho está muito à frente daquele mítico Nokia.

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’

Mas a provocação chega em forma de vertigem no primeiro dia de uma semana não apta para os mais engajados nas redes sociais e no WhatsApp. Quando retiramos o SIM do smartphone e o inserimos neste ousado dispositivo, foi como apagar a luz em um teatro: o silêncio absoluto e a certeza de estar condenado a uma angustiante ou agradável (dependendo do ponto de vista) desconexão. “O mundo de hoje é dominado pela tecnologia e estamos excessivamente distraídos com ela”, afirma o fundador da Punkt, Petter Neby, que destaca o espírito do dispositivo: recuperar o tempo que perdemos por culpa da evolução da tecnologia. E será que podemos alcançar essa desconexão sem “morrer” digitalmente? Porque desaparecer do mundo virtual é simples: basta jogar o smartphone no lixo e reviver algum Nokia antigo que acumula pó em uma gaveta.

Mas não é isso o que a Punkt propõe. A empresa inverte essa abordagem, e é aqui que o assunto fica realmente interessante: se quisermos acessar a Internete ficar conectados de novo, o MP 02 permite, mas para isso devemos usar um segundo dispositivo (PC ou tablet), ao qual ele dará conexão à rede. Sim, o Punkt serve como hot spot 4G que nos dará acesso à Internet a partir do dispositivo portátil se realmente precisarmos, como por exemplo em um aeroporto ou em uma escapada de fim de semana. O Punkt é, na verdade, um celular Android que usa a plataforma segura do BlackBerry, que garante que nossos dados fiquem fora do alcance dos hackers.

Um Android com BlackBerry, conexão 4G e dirigido a um segmento premium… Sim, o Punkt não é exatamente barato se o medirmos nos termos de um celular não inteligente: 379 euros (1.659 reais) pelo aparelho que permite uma desconexão de luxo.

Estar desconectado dá a sensação de estar sempre perdendo algo e de que os entes queridos estão em uma situação de risco enquanto passeamos no parque sem mais distrações do que o canto dos pássaros. Trata-se do temido FOMO (Fear of Missing Out), o medo de estar perdendo algo, um distúrbio do qual, infelizmente, quase ninguém escapa.

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’

Ao conectar o celular ao laptop, foram chegando as mensagens e os alertas de todos os tipos, e sim, nada era realmente importante, pelo menos não o suficiente para ficar com o coração na mão olhando a tela o a todo momento. Ao fechar o laptop, a calma e o silêncio retornam. De repente, percebemos que temos mais tempo para tudo e descobrimos a grande armadilha na qual caímos com tanto prazer: não precisamos realmente nem do Instagram, nem do correio eletrônico, nem do WhatsApp, pelo menos não 24 horas por dia nem em nossos bolsos. Se algo for urgente, vão nos telefonar.

Os dias passaram e a curiosidade inicial do teste se transformou em tédio: certo, não há nenhum problema em se desconectar, mas como é bom receber aquele WhatsApp dos amigos ou passar alguns minutos olhando fotos no Instagram. O Punkt é muito bom como segundo celular ou como dispositivo de luxo. Qual o privilégio maior que não ter que depender do WhatsApp? O aparelho é top e também pode ser um símbolo de status. Mas a experiência fica nisso, uma aventura, e voltar a estar conectado foi simplesmente delicioso. Punkto e vírgula.
JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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