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Bolsonarismo é o Frankenstein dentro do Grande Acordo Nacional

No fundo, o Grande Acordo Nacional – que nasceu com Jucá e Temer – é a “Grande Beleza” das nossas instituições, a Miami desvairada que atira nas nossas cabeças, nos oferece abacate para apartar a fome e mulheres aos gringos que quiserem nos visitar.

Cinco meses de Bolsonaro no poder. Sem surpresas, desastre atrás de desastre e a exaltação da não política. Se aventam impeachment ou renúncia. Contudo, e mesmo que alguma das duas opções venha a ocorrer, não haverá um reconhecimento do fracasso – a autocrítica é uma exigência que só se faz à esquerda.

A política deste governo lembra uma cena de A Grande Beleza (2013), de Paolo Sorrentino, onde um baile de gente famosa, rica, clerical, numa celebração hedonista que nos afoga na superficialidade brega (e devota) dos que tudo possuem. A diferença, no caso da nossa realidade, é que não estamos em Roma, mas numa Sucupira em conexão Brasil-Miami, com os grandes salões brancos das Ana Hickmann, dos heróis constituídos de papel-moeda e de um morto-vivo como mestre de cerimônias.

Mas, com a licença de Sorrentino, esqueçamos um pouco a festa em si, e nos concentremos nos preparativos, que começaram anos atrás, com o desmantelamento do governo Dilma e o país surpreendido por uma gravação que chocou parte da sociedade. Não nos referimos ao grampo reproduzido num ridículo jogral do Jornal Nacional, uma análise de conjuntura tornada crime político, uma gravação ilegal da presidenta da República feita por um juiz de primeira instância que a entregou qual mordomo à principal mídia do país. A gravação que queremos resgatar é outra, embora também contenha uma análise de conjuntura, além de uma confissão, ao explicar como se orquestra o Estado – às vezes de maneira criminosa, através de suas instituições –, e que, porém, não gerou a indignação daqueles que berram por ética em palestras e programas de tevê. Tratava-se do jogo de poder que culmina na articulação que preparou o Brasil nascido naquele maio de 2016, e cujos desdobramentos continuam em pleno processo de desenvolvimento: o famoso diálogo do Grande Acordo Nacional, entre Romero Jucá (então ministro do Planejamento e senador afastado) e Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras).

Jucá chocou não pelo que disse – não era exatamente uma novidade – e sim pelo incrível didatismo. A Nova República estava nua: juízes, militares, políticos, empresários, todos foram descritos em suas posições de poder e influência na derrubada de um governo que era ruim, porém legítimo. A fala de Jucá era tão pornográfica, neste sentido de mapear todo o aparelhamento do Estado, que é difícil não rir de tamanha sinceridade, ou imaginar o sonho dos antipetistas de que tudo aquilo tivesse saído da boca de um figurão do partido, alguém como José Dirceu, que por qualquer espirro já é preso novamente. De qualquer modo, o Grande Acordo Nacional foi tema restrito às bolhas politizadas, abafado pela imprensa hegemônica e ocultado do grande público. E se chegava aos papos de feira, ou às filas na padaria, era meio clandestino e/ou distorcido. Nesses lugares, o antipetismo berrado pela Jovem Pan, pelos programas femininos das nossas tardes e pelo datenismo cultural vigora até hoje, pleno, forte, violento.

Mas as grandes obras são sempre redescobertas. Eis que o Grande Acordo Nacional volta a nos assombrar, na forma da série O Mecanismo, criada para ressignificar o Acordo, e dar a ele o uso social que as elites queriam, que as hordas protobolsonaristas queriam. Um diretor aclamado (José Padilha), contratado por uma plataforma de streaming americana (Netflix), entregaram o fan service mais ansiado pelo imaginário fascista: botar a fala de Jucá na boca do Lula. Um Lula ficcional, mostrado como um gangster ao estilo Al Capone tupiniquim, uma figura na medida do que esse imaginário queria. O Grande Acordo Nacional, em sua versão Padilha, é A Grande Beleza de Sorrentino, o antipetismo hedonista, do champagne nas manifestações e dos camisas negras dos tempos em que Dilma, para tentar salvar seu governo, tentou fazer de Lula ministro da Casa Civil. As pessoas comentam a série nas ruas, se sentem esclarecidas através de uma escandalosa falsificação histórica. Sentado em seu trono, montado sobre seu ego, Padilha desdenha de quem o contesta, diz ser a única coisa que os petistas apontam como problema de sua série, fazendo ouvidos surdos às distorções históricas e até mesmo à pobreza e extremo simplismo da sua narrativa – que, novamente, está adequada ao público que pretende atingir.

A grande beleza, para Padilha, está nos heróis aventados por uma classe média violenta: é o “bom” policial que usa uma calibre 12 para que seu aprendiz estoure a cara de um traficante que pede para não estragar o enterro, é o juiz-batman que desvenda a origem do mal de um Brasil em crise, que, por fim, se mostra ética. Não importa se Padilha tenta corrigir seus erros e suas culpas não confessadas nas cenas dos capítulos seguintes, ou como tenta fazer nesta segunda temporada de O Mecanismo, com a mesma desfaçatez com a que tentou transformar o fascista Capitão Nascimento do primeiro Tropa de Elite no paladino dos direitos humanos que vimos na parte dois – aliás, se unirmos as duas caras do Capitão Nascimento, encontramos o arquétipo do herói policial que alenta o bolsonarismo. Por mais que negue, o diretor sabe que sua obra é celebrada justamente pelos frequentadores das festas Brasil-Miami, os grã-finos que posam de liberais, mas que no fundo são tão idênticos aos ostentadores chefes milicianos que estes são seus cúmplices e aliados políticos, numa aliança que também agrega o nosso fundamentalismo religioso mais charlatão e os fazendeiros escravocratas.

Agora estamos cá, com esse imaginário louco, falso e irracional com o qual temos que lidar aqui no andar de baixo: o PT como o grande demônio da corrupção – embora todos digam que “o mecanismo envolve todos os partidos”, sem jamais admitir quem são os outros, algo que a própria série repete, também em sintonia com a ladainha do seu público –, e qualquer um que contesta essa visão sendo taxado de comunista, petista, mortadela, burro, analfabeto, etc. O Grande Acordo Nacional alcançou a arte através da versão de Padilha, para se legitimar no imaginário antipetista, como costumava fazer Stalin, reescrevendo a História para ela caber dentro de um projeto de poder. É uma versão canalha, como a de Reinaldo Azevedo, o sujeito que construiu sua fama abusando do termo “petralha”, de sua autoria, e agora tenta se erguer como inimigo do antipetismo e paladino de uma suposta civilidade política. Ambos são responsáveis diretos pelo nascimento disso que chamamos de bolsonarismo. Hoje, tentam recompor suas posições ideológicas acima da atual ruptura entre os setores governistas, acreditando que a dinâmica do mundo moderno permite ocultar o que antes era soberba, e agora se tornou vergonha. Contudo, sempre haverá os que não esquecem, e os que não perdoam. Um dia, a História que tentam falsificar, os cobrará, e rindo de suas caras, eventualmente.

Agora, maio de 2019, estamos entre os escombros do que já fomos um dia. Vivendo o absurdo político. Ao contrário do que se pensa, as instituições continuam funcionando normalmente. O problema é o que restou de nós. Vivemos um momento inédito, o qual podemos comentar com uma citação, possivelmente mal aplicada, de Game of Thrones, (assistiremos depois do hype, foi mal pessoal), que virou meme e tendência nas redes sociais: “já tivemos reis cruéis, e já tivemos reis idiotas, mas não sei se algum dia fomos amaldiçoados com um rei cruel e idiota”.

Talvez esta fala do personagem Tyrion não esteja exata, mas a direção é essa: o puro caldo do bolsonarismo é a idiotia cruel. A tal carta, compartilhada via Twitter pelo presidente, é reflexo disso. Não há qualquer elaboração ao estilo Jânio Quadros, ou Getúlio Vargas – que, inclusive, escreveram suas próprias cartas. A elaboração está na boca de outros, dos Jucá, dos Padilha, dos Reinaldos, das Mirians, dos Datenas. Não de Bolsonaro, que nada mais é que a personificação de uma elite desvairada, ignorante, que passa a vida lamentando a sorte de ser brasileira, e foge para Miami como quem busca consolo em um bordel (pobres putas). Em nossa festa hedonista, feliz daquele que conquista a dupla nacionalidade europeia, um green card, um prêmio dado em algum salão de festas ianque.

Já que vamos de Roma a Westeros sem maiores cerimônias, lancemos mais uma inspiração ficcional, nosso morto-vivo: Jair, o Frankenstein com o que o antipetismo sempre sonhou no “qualquer coisa é melhor que o Lula e a Dilma”. Seus esquemas de corrupção tão ridiculamente simples e tradicionais, a tão conhecida (e de longa data) ligação com as milícias, suas declarações de bêbado de boteco glorificadas como “a voz da simplicidade do povo”, a conformação de um ministério cheio de personagens tão caricatas, como vilões de histórias em quadrinhos, até mesmo nos nomes pitorescos (Ônix, Damares, Vélez, Abraham), cujas ações são sua imagem e semelhança… É curioso como seu corpo e sua família reproduzem os crimes, as condutas e a psicopatia que nossa tosca elite sempre se esforçou em ver e apontar no PT, incluindo até as lendas dos filhos do ex-presidente.

E assim chegamos a um Brasil em meio a uma situação absolutamente caricata da festa romana de Sorrentino, que no nosso caso mais parece um roteiro para um sketch de Hermes e Renato, onde Frankenstein se tornou presidente e apareceu bebendo champanhe na festa de ano novo no salão da Ana Hickmann, e que começou sendo bem atendido, quando era conveniente aos anfitriões, até que passou a ser mais incômodo do que se esperava.

No fundo, o Grande Acordo Nacional – que nasceu com Jucá e Temer – é a “Grande Beleza” das nossas instituições, a Miami desvairada que atira nas nossas cabeças, nos oferece abacate para apartar a fome e mulheres aos gringos que quiserem nos visitar. O poder político e econômico nas mãos daqueles que odeiam o Brasil, mas que não podem ser tão ricos, cruéis e idiotas sem ele. A psicopatia e a irracionalidade como norma que rege as decisões do país.

No filme de Sorrentino, o protagonista vê um grupo de velhos ricaços fazendo um trenzinho na pista de dança, e diz a uma amiga, em tom de piada pastelão, que aquele é o trem mais belo do mundo, porque não vai a lugar nenhum. Depois, olha de novo para os fanfarrões e diz: “olhe para esta gente… esta é a minha vida, e ela não é nada”.

Pois o trenzinho dos ricaços brasileiros, os que celebram diariamente o banquete do bolsonarismo, talvez não seja tão belo, já que tem um rumo: a nossa comédia que é sempre tragédia. Olhemos para esta gente… isto é o que querem fazer do nosso país, e se tiverem sucesso, em breve, ele não será nada.
MILAGROS CASAS
VICTOR FARINELLI

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A guerra das culturas

Curitiba, apoiadores de Jair Bolsonaro arrancaram uma faixa com os dizeres Em Defesa da Educação da fachada da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Centenas de pessoas aplaudiram.

Ficou evidente que o Brasil vive uma guerra de culturas. As forças do obscurantismo estão atacando o iluminismo. Este mês, duas grandes manifestações levaram milhões de brasileiros às ruas. Elas não poderiam ter sido mais distintas.

Da primeira, participaram sobretudo pessoas jovens, que protestaram pela educação, há duas semanas. Eram negras e brancas e tudo o que há no meio. São o Brasil do futuro. E é por esse futuro que lutam. Porque, se há algo com que se pode solucionar quase todos os outros problemas do Brasil, é a educação.

Através dela, é possível conter as pragas da violência, da desigualdade, da destruição ambiental e da corrupção. Para fazer mudanças no Brasil, seria preciso começar por aí. Os verdadeiros patriotas, portanto, são os estudantes do ensino médio e universitários que vão às ruas contra os cortes do governo.

Também está claro o motivo pelo qual muitos brasileiros são contra a educação para todos. Esses participaram da outra manifestação outra manifestação, que aconteceu no último domingo (26/05), com o intento de apoiar o presidente Bolsonaro, cujo governo está ameaçado de acabar em fiasco. Mas os fãs dele só veem o que querem ver. Em vez de um homem medíocre, misantropo, intelectualmente e moralmente fraco, eles reconhecem um “mito”. Nos atos, houve até quem dissesse que Bolsonaro foi enviado por Deus. Que Deus cruel.

O ideal do movimento bolsonarista é um país no qual os papéis sociais (e sexuais) são claramente distribuídos. É um país onde há uma nítida definição de quem fica em cima e de quem fica embaixo. São os próprios apoiadores brancos de Bolsonaro que tiram proveito dessa desigualdade. Primeiro, por meio da legião de trabalhadores baratos e sem formação. E segunda, porque a existência dos pobres faz eles se sentirem superiores.

É assim que devem ser interpretadas as fotos sarcásticas tiradas com sem-teto pelos manifestantes. Eles lucram com as estruturas antigas do feudalismo, que ainda existem no Brasil e que só podem ser rompidas com a educação. Por isso, qualquer esforço de criar igualdade de oportunidades é chamado por eles de “socialismo”.

O conflito entre o pensamento esclarecido e o antiesclarecimento fica mais evidente quando se trata de religião e racionalidade. A questão fundamental se debruça sobre o que deve ter mais influência nas decisões políticas. Nas sociedades modernas, a resposta costuma ser: a razão. Os novos direitistas brasileiros acham que isso está errado – desde Olavo de Carvalho, o ideólogo do antiesclarecimento, passando pelos ministros Damares Alves e Ernesto Araújo, até o próprio presidente (“Deus acima de todos”).

Eles confundem sua fé com conhecimento. Por isso, desprezam o conhecimento dos outros e a ciência, que é complexa e cheia de nuances. Assim, pode-se explicar o fato de Bolsonaro acusar o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de disseminar “fake news” – apesar de ele não ser um especialista em estatística. A ministra da Família, Damares Alves, afirma que a Teoria da Evolução é errada – mas não tem noção de biologia. E o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, acha que as mudanças climáticas não estão acontecendo – contra o consenso de pesquisadores no mundo todo.

Enquanto isso, nas ruas, os direitistas pedem “o fim de Paulo Freire”, que nunca leram. Esse desprezo por intelectuais e cientistas é uma característica fundamental de regimes autoritários. É ela, na verdade, que está por trás dos contingenciamentos financeiros na área da educação.

O cenário combina com a notícia de que o Brasil entrou para o grupo de 24 países no mundo que vivem uma “erosão” em suas democracias. A avaliação é do Instituto V-Dem (Varieties of Democracy, ou Variedades da Democracia), da Universidade de Gotemburgo, que tem o maior banco de dados sobre democracias no mundo. O Brasil, segundo os especialistas, está sendo afetado severamente por uma onda de autocratização.

Será que as pessoas que aplaudiram quando a faixa a favor da educação foi arrancada em Curitiba aplaudiriam amanhã, se os livros de Paulo Freire, Jorge Amado e Chico Buarque fossem queimados? Temo que a resposta seja “sim”. Essas pessoas acreditam que sua ignorância vale mais do que o conhecimento dos outros. O Brasil está num caminho escuro e perigoso.

Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

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Janaina Paschoal; Pessoas que cercam Bolsonaro alimentam visão conspiratória que o está afundando,

‘Ele fez um compartilhamento como outro qualquer. Não vislumbro que tivesse atacando o Congresso, ou sinalizando uma renúncia’, disse a deputada.

Para a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), o episódio da carta compartilhada por WhatsApp pelo presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, em que o Brasil é descrito como país “ingovernável” sem “conchavos políticos”, mostra que ele “precisa, urgentemente, trocar seus assessores”.

A advogada e professora de Direito da Universidade de São Paulo (USP) foi uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT). No ano passado, chegou a ser sondada para ser vice na chapa de Bolsonaro, mas recusou. Acabou se lançando candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PSL, a mesma legenda do presidente, e recebeu a maior votação da história para o cargo, com mais de 2 milhões de votos.

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À BBC News Brasil, Janaina comentou sobre a mensagem, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo porta-voz da Presidência, em que Bolsonaro afirma se tratar de “um texto no mínimo interessante” e que “sua leitura seria obrigatória”.

O artigo, escrito pelo servidor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Paulo Portinho, afirma que “descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem sua bênção. Sempre a contragosto.”

O texto defende que o presidente, até o momento, não conseguiu aprovar nada devido à atuação dessas corporações em sentido contrário e que, por isso, seu governo seria desidratado e correria o risco de “morrer de inanição”. O compartilhamento foi visto por alguns como uma sinalização de radicalização do governo e, por outros, como um eventual indicativo de renúncia.

Janaina disse considerar esse entendimento um exagero, assim como a interpretação de que o compartilhamento da carta seria um endosso de um ataque ao Congresso. “Bolsonaro ainda não entendeu que seus atos são considerados importantes”, afirmou, em entrevista feita por WhatsApp a pedido da parlamentar. “Ele precisa, urgentemente, trocar seus assessores diretos. As pessoas que o cercam alimentam a visão conspiratória que o está afundando.”

Confira, a seguir, a entrevista.

BBC News Brasil -Como a senhora avalia a carta divulgada pelo presidente?

Janaina Paschoal – O presidente é muito espontâneo. Ele achou a análise interessante e compartilhou. Não acredito que ele tenha pensado na dimensão que o fato tomaria. Nem mesmo o autor do texto imaginava. Não vejo nada tão grave na situação. Estão conferindo uma dimensão maior do que a real.

BBC News Brasil -Mas repassar uma carta que ataca o Congresso foi algo que deveria ser feito em um momento em o governo tem um desgaste na sua relação com o Legislativo? Isso não é um endosso do presidente às visões ali expostas?

Paschoal – Veja, eu dramatizo menos essas questões. Ele ainda não entendeu que todos os seus atos são interpretados, considerados, enfim, importantes. Ele fez um compartilhamento como outro qualquer. Não vislumbro que tivesse atacando o Congresso, ou sinalizando uma renúncia. Ele precisa, urgentemente, trocar seus assessores diretos. As pessoas que o cercam alimentam a visão conspiratória que o está afundando.

BBC News Brasil – Quem seriam os assessores do presidente que deveriam ser trocados? Quem alimenta nele esta visão conspiratória mencionada pela senhora?

Paschoal – Somente o presidente pode identificar quem o está estimulando em teorias crescentemente conspiratórias. Precisa parar com tanta xaropada e focar no trabalho. Eu não vou abandonar o presidente, vou exigir que ele trabalhe e cumpra suas promessas de campanha.

BBC News Brasil -A senhora é professora de uma universidade pública. Considera os contingenciamentos na área de educação (e sua comunicação) adequados?

Paschoal – Os contingenciamentos são adequados, necessários e já foram feitos em outros governos, inclusive nos do PT. A comunicação poderia ter sido melhor.

BBC News Brasil – Como a senhora avalia as manifestações ocorridas nesta semana por causa dos contingenciamentos?

Paschoal – As manifestações não foram pela educação, foram por Lula Livre e todas as pautas esquerdistas, o contingenciamento foi apenas uma desculpa.

BBC News Brasil – O presidente chamou os manifestantes de idiotas úteis. A senhora concorda com essa avaliação? Ele agiu corretamente ao expressar esta opinião?

Paschoal – Não. Ele segue sendo como sempre foi. Mas o cargo exige que ele se aprimore minimamente. Para tanto, precisa parar de ouvir quem o estimula a manter o estilo de deputado temático.

BBC News Brasil – Nesta semana, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, disse que existe uma tentativa por parte do Legislativo de fazer o governo gastar mais do que deve, o que abriria caminho para um pedido de impeachment. Como a senhora avalia isso? O presidente corre esse risco?

Paschoal – O Presidente não corre risco de impeachment, pois não cometeu nenhum crime de responsabilidade. No entanto, o Congresso precisa compreender que o momento é delicado e que a população sabe que a MP 870 (que reduz o número de ministérios) precisa e pode ser votada, bem como que a reforma da Previdência é uma necessidade.

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Brasil e Alemanha: o casamento acabou?

A mais recente tentativa alemã de renovar um casamento antigo com o Brasil foi praticamente ignorada. E o próprio ministro Maas deixou clara a razão. Durante muito tempo, admitiu, a América Latina saiu do foco de Berlim.

Será que o amor não volta mais? Para mim, a relação estável e de confiança entre Brasil e Alemanha se parece cada vez mais com a de um casal à beira da separação. Ela (Brasil) deu um fora nele, na esperança de que ele se tocasse do perigo de perder o amor de sua vida. Ele (Alemanha) corre atrás. Mas as declarações de amor já não convencem.

A Alemanha e a arte da sedução – parece que esses são dois mundos bem distantes. A tentativa alemã de renovar um casamento antigo foi ignorada pelo Brasil. A viagem mais recente do ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, ao Brasil, no final de abril, foi praticamente ignorada pelas mídias brasileira e alemã.

Foi o próprio ministro Maas que deixou clara a razão pela crescente alienação entre os dois: “Durante muito tempo”, ele admitiu, “a América Latina e o Brasil saíram fora do foco da nossa atenção.”

Falta de atenção – muitos relacionamentos já terminaram por esse motivo. No caso do casamento teuto-brasileiro, é bem provável que, desta vez, a Alemanha vá sentir na pele o que o Brasil estava sentindo durante as duas últimas décadas: negligência e subestimação.

O distanciamento começou com a queda do Muro, 30 anos atrás. A Alemanha investiu pesadamente nos países do Leste europeu. Quando o chanceler da unidade alemã, Helmut Kohl, finalmente visitou o Brasil, em setembro de 1996, teve que admitir que a Alemanha não havia participado da onda de privatizações no país nos anos 1990 e havia deixado o terreno para outros.

Em fevereiro 2002 foi a vez do então chanceler Gerhard Schröder. Como Kohl, ele lançou uma nova iniciativa para a América Latina, desta vez com foco na infraestrutura. Mas a iniciativa não saiu do papel. Schröder deixou de lado a sua própria iniciativa e se concentrou em grandes projetos com Rússia e China.

Falando em China – a potência asiática era e continua sendo a menina dos olhos dos políticos e da indústria alemã. Todos os chanceleres alemães viajaram e viajam regularmente com uma delegação empresarial para lá, tentando se posicionar no mercado chinês.

Finalmente em 2015, depois de Angela Merkel ter ido durante a Copa de 2014 para o Rio, parecia que a ausência dos políticos alemães no Brasil terminaria. A chanceler voltou a visitar o Brasil com o gabinete dela, e o Brasil entrou no clube exclusivo dos poucos países com os quais a Alemanha mantêm consultações oficiais.

Mas, infelizmente, essa tentativa de reanimação no alto nível político também não se concretizou. Por causa da crise politica no Brasil desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, não houve mais consultações oficiais entre os dois países.

E as perspectivas não são nada boas. Segundo fontes bem informadas, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo não vai atender ao convite oficial do ministro Heiko Maas para participar da conferência sobre a América Latina em Berlim no dia 28 de maio junto com outros chanceleres da região.

O sinal é claro: nem o governo nem a indústria brasileira correm mais atrás da Alemanha. Estão mais interessados nos Estados Unidos e na China.

E falando na China: as empresas alemães vão ter que se deparar com a concorrência chinesa no Brasil. Pois a oferta de bens industriais da China no Brasil aumentou. E, como sempre, os preços de produtos “made in China” são bem mais acessíveis que dos produtos “made in Germany”.

Não dá para negar: a crise no casamento teuto-brasileiro é séria. O Brasil parece estar farto de iniciativas lançadas e esquecidas, de um príncipe alemão que nunca se decide e que deixa as oportunidades passar. Chegou a hora de fazer uma autocrítica.

“Os alemães são especialmente céticos com o Brasil”, admitiu Reinhold Festge, CEO da empresa alemã Haver & Boecker que desde 1974 trabalha no Brasil nos ramos de armazenagem e tecnologia de processamento. O presidente da iniciativa para América Latina da indústria alemã às vezes se decepciona com os seus próprios compatriotas: “Aquela maneira alemã de saber tudo melhor é um problema”, acha ele, “pois nem sempre isso é verdade”.

No dia 17 de junho, Festge embarca para o Brasil para participar da 4ª Conferência Brasil-Alemanha de mineração e recursos minerais em Nova Lima, Minas Gerais. “O clima na economia está melhor do que parece, especialmente na mídia”, disse ele, “a demanda existe”.

O casamento teuto-brasileiro não é uma exceção: é um relacionamento com altos e baixos. Se acabar, fica aqui o meu pedido para que se mantenha pelo menos a amizade. Pois amigos verdadeiros são para sempre.

Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.

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A milícia digital Bolsonarista resgatou a máquina de Fake News para atacar universitários

FAZIA MESES QUE o cientista da computação Fabrício Benevenuto não via nada de novo na sua ronda diária por grupos políticos de WhatsApp. Criador de uma ferramenta capaz de elencar os conteúdos mais compartilhados no aplicativo, o WhatsApp Monitor, o professor associado da UFMG via com tédio os mesmos tipos de montagens, áudios, notícias falsas, correntes e vídeos motivacionais percorrerem sua tela, dia após dia nos 350 grupos políticos abertos que acompanha.
Na tarde de 8 de maio, porém, Benevenuto notou algo estranho: quase todas as imagens mais compartilhadas no seu sistema mostravam universitários nus, teses com nomes esdrúxulos e desenhos irônicos sobre estudantes de humanas. Aquilo, percebeu, não era espontâneo.

Checou os altos números e concluiu que se tratava de algo novo, orquestrado. Estava diante de uma nova ofensiva da milícia digital de Bolsonaro, grupo que andava pouco ruidoso após as eleições.

“Soou como ataque, uma tentativa de desconstruir a imagem das universidades públicas com conteúdos antigos ou tirados de contexto, como se todas fossem uma bagunça”, diz Benevenuto. “Como trabalho em uma, fiquei preocupado.”

Os variados tipos de compartilhamentos chamaram sua atenção. Notou que, depois de alguns meses de marasmo, muitos grupos ociosos associados a Bolsonaro espalhavam as mensagens com afinco comparável ao do ano passado, quando operavam em sua capacidade máxima e com fortes indícios de disparo em massa. Era o despertar de uma engrenagem que havia feito grande estrago meses atrás.

Das 30 imagens mais compartilhadas no WhatsApp em maio, 17 são referentes ao que bolsonaristas chamam de depravação nas universidades federais.

O levante das redes bolsonaristas não vinha por acaso. Duas pesquisas divulgadas em maio apontavam para um naufrágio do otimismo com o presidente, Jair Bolsonaro. A primeira, do instituto XP Ipespe, mostrou que, de abril para maio, o percentual de ruim e péssimo na avaliação do Bolsonaro subiu de 26% para 31%; já a segunda, uma análise de sentimentos de redes sociais feita pela startup Arquimedes, apontou que, nas últimas semanas, mais pessoas que se mostravam neutras ao novo presidente passaram a avaliá-lo negativamente. Para as duas empresas, os principais motivos foram o desgaste entre militares e Olavo de Carvalho e o corte na educação anunciado no dia 30 de abril pelo novo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

As táticas de guerrilha soavam similares às das eleições de 2018. Pelo WhatsApp, centenas de grupos de apoiadores de Bolsonaro passaram a espalhar imagens que reforçavam a ideia, endossada pelo próprio Weintraub, de que as universidades públicas se tornaram lugar de “balbúrdia”. Montagens de gosto estético e moral duvidosos foram replicadas sem parar. Eram fotos e vídeos de performances artísticas, capas de monografias sobre sexualidade e paredes com pixações provocadoras. Em cada mídia, havia a legenda com o suposto nome da instituição federal e um texto que dizia: “Veja em que se transformaram nossas Universidades Federais! É UM ABSURDO”.

Surtiu algum barulho. Segundo a ferramenta de Benevenuto, nas duas primeiras semanas de maio, das 30 imagens mais compartilhadas no WhatsApp, 17 são referentes ao que bolsonaristas chamam de depravação nas salas de aula das universidades federais. (De resto, quatro associavam Marielle Franco ao tráfico de drogas a outros crimes, três eram denúncias de militantes petistas infiltrados em grupos, uma era uma defesa para fechar o STF e cinco eram imagens com tarja preta de conteúdo impróprio — provavelmente parte de uma mensagem em texto.)

Benevenuto ressalta que seu software dá apenas uma amostra do turbilhão de montagens fabricadas a todo vapor: os 350 grupos que monitora são uma parte ínfima dos mais de 127 milhões de usuários e dos incontáveis grupos fechados no país. “Damos acesso a jornalistas e agora a pesquisadores para terem uma noção do que é compartilhado lá dentro, mas sabemos que não é um número preciso”, me disse Benevenuto.

Imerso em dezenas de grupos pró-Bolsonaro nos últimos dias, conclui que o grosso das mensagens dos bolsonaristas vem de grupos fechados, em que, em grande parte, apenas administradores podem enviar conteúdos. Vários dos grupos também adotam uma estratégia de renovação, isto é, são encerrados e depois abertos com outro nome e endereço.

“É uma tática comum: eles fecham um grupo, depois mandam o convite para as pessoas que estavam lá entrarem em outro, assim vão renovando”, me disse Sergio Denicoli, diretor da consultoria AP/Exata e pós-doutor em comunicação digital. Isso explica por que vários dos grupos importantes durante a época das eleições não funcionam mais. Eles só mudaram de cara para provavelmente fazer uma faxina em usuários inativos.

Estudioso das redes de Bolsonaro desde 2017, Denicoli também notou atividade incomum nos últimos dias. De primeira, diz, os militantes de direita iniciaram sua tática de testar narrativas. No caso, a de que universidades públicas são lugares repletos de nudez, performances e cursos inúteis. “Eles vão chegando, vão testando narrativa, ensinando como argumentar”, explica Denicoli. “A eleição foi uma guerra retórica. A rede do Bolsonaro foi muito inteligente, impôs os temas que queria, e as pessoas repetiam os argumentos, mas agora não estamos vendo o mesmo sucesso.”

‘Os movimentos começam nos grupos e se cristalizam no Twitter, mas isso pode levar dias ou semanas. O laboratório é o WhatsApp.

Na análise de Denicoli, o corte na educação desagradou e mobilizou muita gente, o que fez com que os grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro tentassem mais esforços para reverter a opinião de massa. O tiro, no entanto, saiu pela culatra. “Notamos em nossos dados que o movimento da educação é o mais importante da oposição, tem uma capilaridade e uma autenticidade muito fortes. São muitos pais, alunos e funcionários que fazem parte do sistema educacional, eles sabem que a realidade não é como os memes. Algo parecido ocorreu no Carnaval, quando Bolsonaro tentou generalizar o Carnaval com a polêmica do golden shower. Algumas narrativas não funcionam.”

Baseada em recursos de inteligência artificial e conceitos da psicologia, a análise de Denicoli capta oito tipos de emoções nos textos deixados em redes sociais como Instagram, YouTube e principalmente Twitter. Sua plataforma consegue, pela combinação de palavras dos usuários, saber se uma mensagem possui sensações como indignação, raiva, tristeza, desgosto, alegria ou confiança. Sua conclusão, depois confirmada pelas pesquisas de opinião, é que, ainda que Bolsonaro ainda conte com grande confiança em parte do seu eleitorado, os índices de medo e tristeza subiram bastante.

“A rede de Bolsonaro era o único discurso vigente, era a mais barulhenta, mas agora as redes de esquerda cresceram”, diz Denicoli. “Começou a ter uma mobilização das pessoas pedindo mobilização, as pessoas demonstraram interesse e aí surgiu a ideia de greve dos movimentos sindicais. Foram manifestações espontâneas, principalmente de estudantes, que ganharam adesão.” A referência de Denicoli é à greve e aos protestos que estão marcados por todo o país para esta quarta-feira com milhares de menções nas redes sociais.

Os dados de Denicoli lidam com a parte acessível, mais clara, das redes bolsonaristas. Segundo ele, o Twitter é onde ocorre a segunda etapa da estratégia, a parte final e concreta das pautas do clã de Bolsonaro. Lá é onde se consolidam as narrativas iniciadas na parte escura, mais difícil de mensurar e de rastrear, no WhatsApp. “Os movimentos começam nos grupos e se cristalizam no Twitter, mas isso pode levar dias ou semanas. O laboratório é o WhatsApp.” Isso significa que, daqui pra frente, no Twitter, no Facebook e no YouTube, provavelmente haverá uma enxurrada ainda maior de montagens a fim de desmoralizar as instituições públicas de ensino.

Nas esteiras da fábrica de fake news
O pesquisador Viktor Chagas, da Universidade Federal Fluminense, analisa desde o começo do ano passado como funcionam as redes bolsonaristas no WhatsApp. Com a ajuda de sua equipe, ele monitora mais de 150 grupos de apoio ao político do PSL. Chagas foi o primeiro a expor, no ano passado, a existência de variados tipos de grupo pró-Bolsonaro que integravam uma estratégia maior e calculada.

De acordo com ele, havia ao menos três espécies: o de divulgação (que envia links, panfletos etc.); o de mobilização (que incentiva boicotes ou subidas de hashtags, bem como ações nas ruas); e os de debate (responsáveis pela elaboração das narrativas e trocas de conteúdos). Todos eles, afirma Chagas, seguiam uma hierarquia e eram divididos de acordo com localização. A lógica se mantém viva hoje, ainda que, ao menos até semanas atrás, houvesse uma escala bem menor de mensagens e produção.

“Houve uma latência na transição pro novo governo, em janeiro”, afirma Chagas. “Teve uma baixa de usuários e muitos grupos estavam aguardando sinal para retomar a força de antes. Em meados de janeiro, começaram a voltar os listões públicos e adesão em massa para desmobilizar a oposição.”

‘Há um claro indicativo de que se trata de trabalho profissionalizado, de disparos automatizados.’
Os listões a que Chagas se refere são nomes e endereços de canais pró-Bolsonaro no WhatsApp de acordo com tema e região. Podem ser chats como “Lavatogas ZAP” (que busca uma limpeza no judiciário) e o “Rede Bolsonarista TO” (de militantes de Tocantins).

Eles podem ser acessados em sites e plataformas específicas, como o zapbolsonaro.com e a rede social de extrema-direita Gab, em que moderadores informam quais grupos possuem vagas. A ideia, diz o pesquisador, é manter os grupos funcionando no limite da plataforma, de 256 membros. Também notei que existem espécies de mensageiros individuais que passam a enviar mensagens em separado para todos os integrantes dos grupos. Ao entrar em um grupo pró-Bolsonaro em SP, por exemplo, vários usuários pediram autorização para enviar conteúdos de direita diretamente via celular.

Os disparos em massa, muito falados durante as eleições, também continuam. “É possível reparar em padrões de disparo profissional para os mesmos grupos quatro vezes ao dia, em horários diferentes, pela manhã, à tarde, à noite e de madrugada”, afirma Chagas. “Há uma circulação bastante intensa de imagens e apelo persuasivo das mesmas fontes, reiteradamente acionadas. São vídeos de influenciadores, como Luciano Hang, dono da Havan, e de anônimos em situações cotidianas.”

Definir com precisão quem está no comando das operações não é possível. Hoje, a maior parte dos moderadores usa números internacionais — durante a apuração, quase todos os prefixos com que cruzei eram de cidades dos EUA. Ainda assim, há algumas pistas deixadas na época da eleição.

O número público do celular de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República e deputado federal eleito ano passado, era um dos que mais liderava grupos de WhatsApp em setembro de 2018, segundo Viktor Chagas. Eduardo moderava mais de 30 grupos. Agora o número está desativado. Em seu lugar, entraram números internacionais sem nome ou foto para identificação.

“Há um claro indicativo de que se trata de trabalho profissionalizado, de disparos automatizados, mas isso por si só não é ilegal”, diz Chagas. O problema, claro, é quando essa profissionalização de envio de mensagens em massa se trata de uma fábrica de notícias falsas e informações tiradas de contexto. A Justiça Eleitoral, porém, ainda não encontrou meios de mapear ou rastrear os autores de conteúdos mentirosos e de má fé, como os memes que mentem sobre a questão estudantil.
Guilherme Pavarin/TheIntercept

Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, Onyx, Weintraub e Alcolumbre?

Tá explicado porque somos um país subdesenvolvido. Pleno século XXI e o povo elege malucos, mentirosos, alucinados, investigados, denunciados e mentirosos. Queriam o que afinal de contas? Ser país de primeiro mundo?

Agora começaram trabalhar para usurpar os já minguados recursos do Brasil! Até se reuniram para ver como dividem o restinho do que sobrou entre eles. Uma politicalha maldita! E o ruminante líder, é melhor já ir se acostumando, de agora em diante vai ser assim para pior!E desalentador ver todos os dias, fatos bombásticos e surreais desse governo trapalhão, demagogo e incapaz. É um governo sem rumo determinado, sem perspectivas e sem futuro.

A única proposta apresentada até agora, é essa infame reforma da previdência, imoral e repudiada pela população e pelos congressistas.A Temeridade terminou seu mandato sob 29 ministérios para que processos não fossem abertos contra os hábitos subterrâneos do Morcegão. Malandro Bolsossauro, o despreparado, se apegou a isto e prometeu 15 ministérios, a metade dos da Temeridade, para se eleger.

Uma semana depois de completados quatro meses, o capetão expulso do exército por insanidade e por tentativa de atentado terrorista fez sua caneta BIC trabalhar, e eis que já temos 22 ministérios! Pelo andar da carruagem quando estiver as voltas com seu “impeachment” Bolsossauro, o despreparado, superará a Temeridade “facin, facin”.

Isto se o Brasil sobreviver até lá. Esse governo dá um belo estudo de caso sobre o fanatismo e o extremismo, e sobre o estrago que eles provocam em tudo o que tocam.

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Governo Bolsonaro: quem é Marcelo Álvaro Antônio, ministro na mira do escândalo de ‘laranjas’ do PSL

A aposentada Cleuzenir Barbosa, de 47 anos, foi uma das candidatas mais bem financiadas do Partido Social Liberal (PSL) de Minas Gerais nas eleições de 2018. Ela recebeu da sigla R$ 60 mil para a disputa, mas o desempenho nas urnas foi fraco: apenas 2.097 votos para deputada estadual, total quase dez vezes menor que o necessário para se eleger. Hoje em Portugal, Cleuzenir diz que um assessor do ministro do Turismo e então presidente do PSL em Minas, Marcelo Álvaro Antônio, a ameaçou para obrigá-la a devolver parte do dinheiro.

Nesta quarta-feira (20), a candidata entregou ao Ministério Público Federal uma troca de mensagens com um ex-assessor do ministro. “Preciso que você transfira R$ 30 mil para a conta da gráfica. O resto eu vou pagar do meu bolso”, escreve ele. E reforça: “Nosso Deus sabe de todas as coisas, preciso que você transfira a metade do valor para a conta da gráfica”.

Cleuzenir afirmou ao canal de TV paga GloboNews que, “dos R$ 60 mil, eles queriam que eu passasse R$ 50 mil e ficasse com R$ 10 mil para fazer o que eu quisesse”.

Este é o capítulo mais recente no escândalo do uso de candidatas “laranjas” do PSL, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, a sigla teria lançado candidatas falsas em Pernambuco e em Minas Gerais para fingir que cumpriu a regra de destinar ao menos 30% do dinheiro do Fundo Eleitoral para mulheres. O dinheiro de origem pública seria depois direcionado de volta aos caciques da legenda nesses Estados.

Na segunda-feira (18), o escândalo resultou na queda do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, o advogado Gustavo Bebianno, que presidiu o PSL interinamente, durante as eleições de 2018, e era o responsável formal pela distribuição de verbas públicas aos candidatos do PSL nos Estados na eleição do ano passado.

De deputado do ‘baixo clero’ a ministro de Estado
Mas quem é Marcelo Álvaro Antônio e como ele chegou ao primeiro escalão do governo Bolsonaro?

“Quando o Bolsonaro disse que ia se candidatar (em 2017), e depois migrou para o PSL, o Marcelo identificou que tinha potencial de capitalizar (politicamente, com a candidatura presidencial). Em Minas, era muito forte esse sentimento (pró-Bolsonaro), ainda mais pelo momento ruim que o Estado vivia”, diz um deputado federal de Minas Gerais, sob condição de anonimato.

A aposta de Marcelo Álvaro deu certo. Em 2014, ele teve 60,3 mil votos pelo nanico PRP, e conquistou seu primeiro mandato como deputado federal. Quatro anos e três partidos depois, o mineiro de Belo Horizonte quase quadruplicou seu sufrágio. Fechou o pleito com 230.008 votos, tornando-se o deputado federal mais votado de Minas. Ajudou a eleger mais cinco deputados pelo PSL mineiro.

Para viabilizar a candidatura de Bolsonaro em Minas, Marcelo Álvaro teve que “criar” o PSL mineiro quase do zero. Por exemplo: a seção estadual do partido em Minas não tinha sequer uma página no Facebook até o início da gestão de Marcelo Álvaro, em janeiro de 2018. Foi criada e é administrada até hoje por pessoas ligadas ao agora ministro.

Em dezembro de 2017, Bolsonaro aparece num vídeo ao lado de Marcelo Álvaro Antônio. Na época, a ida do capitão da reserva do Exército para o PSL ainda nem tinha se concretizado – ele só “fechou” com o partido hoje comandado pelo deputado Luciano Bivar (PSL-PE) em 5 de janeiro de 2018. No dia da gravação, Bolsonaro e Marcelo Álvaro ainda estavam negociando com o Patriotas.

“Alô amigos de Minas Gerais, estou com a Executiva Estadual aqui ao meu lado, representado pelo deputado Marcelo e demais companheiros. É com este time que nós pretendemos formar as Executivas Municipais e partir, juntos, nas Eleições de 2018, para mudar o destino do Brasil”, diz Bolsonaro na gravação.

Em seguida, Marcelo Álvaro apresenta as demais pessoas na sala. Entre elas estão seus ex-assessores Robertinho Soares e Haissander de Paula – os dois estão hoje implicados no escândalo dos laranjas.

Haissander de Paula é o assessor de Marcelo Álvaro Antônio que aparece nas mensagens de tornadas públicas por Cleuzenir – pedindo que ela deposite R$ 30 mil dos R$ 60 mil na conta de uma gráfica. Já Robertinho Soares é irmão de Reginaldo Soares, dono da gráfica para a qual Cleuzenir deveria transferir o dinheiro.

A escolha de Marcelo Álvaro Antônio foi oficializada por Bolsonaro em 28 de novembro passado. Na época, foi vista como um gesto para atender ao PSL e a bancada de Minas, o que ele nega. O partido só tinha um ministro confirmado no novo governo, Gustavo Bebianno.

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Seria também um aceno aos evangélicos – o ministro faz parte da Igreja Cristã Maranata há quase 20 anos.

“Eu considero que a indicação feita do meu nome para o Ministério do Turismo não foi feita em função do PSL, minha indicação foi feita pela frente parlamentar em defesa pelo turismo. Portanto, não contempla nenhum partido e não contempla nenhum Estado”, disse Marcelo Álvaro Antônio à época da indicação.

Deputado nunca apresentou nenhum projeto sobre turismo
Ao longo de seu primeiro mandato como deputado federal, o ministro apresentou 98 proposições legislativas – entre requerimentos, emendas a medidas provisórias, projetos de lei, etc. Nenhum deles foi aprovado – o que não chega a ser incomum para deputados de primeiro mandato.

Chama a atenção também o fato de que nenhuma das proposições do deputado contém as palavras “turismo” ou “turístico”.

Hoje com 45 anos de idade, Marcelo não tem nem Álvaro e nem Antônio em seu nome de registro. Batizado Marcelo Henrique Teixeira Dias, o ministro “herdou” o Álvaro Antônio de seu pai.

Este começou a carreira como vereador em Belo Horizonte pela Arena, o partido de sustentação da ditadura militar, nos anos 1970. Foi depois deputado estadual, vice-prefeito de Belo Horizonte e deputado federal. Morto em 2003, Álvaro Antônio Teixeira Dias é respeitado inclusive por adversários políticos de seu filho no Estado.

Assim como o pai, Marcelo Álvaro Antônio começou na política como vereador, cargo para o qual foi eleito em 2012, ainda pelo PRP. Desde aquela época, o ministro se elege pela região administrativa do Barreiro, uma área de classe média baixa com 282 mil habitantes no sul do município de Belo Horizonte.

Barreiro continuou muito importante na atuação política de Marcelo Álvaro Antônio mesmo durante seu mandato como deputado federal. De 22 intervenções do deputado na tribuna da Câmara em 2017, por exemplo, seis mencionam o local.

A região do Barreiro é tão importante para o ministro que foi mencionada por ele até durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016.

“Senhor presidente, pela minha filha Amanda Dias, a minha filha Ana Clara, a minha esposa Janaína, pela minha mãe (…), quero fazer uma menção especial à minha região do Barreiro, à minha querida Belo Horizonte”, disse ele, na ocasião.

Presidente do PSL durante as eleições do ano passado, Bebianno foi demitido do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Situação ‘tranquila’
O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), é cauteloso ao falar sobre o futuro de Marcelo Álvaro Antônio no cargo de ministro.

“Tá tranquila (a situação do ministro). Vai permanecer. Vamos aguardar. O presidente Bolsonaro estabeleceu critérios. Até hoje (não há provas de que) o ministro cometeu algum crime. Qual crime ele cometeu? Mas se não tivermos essas respostas, e o ministro for acusado de algum crime, com certeza o presidente vai tomar a decisão cabível, como tomou com o Bebianno. Não passamos a mão em cabeça de bandido”, disse Waldir à BBC News Brasil na noite desta quarta-feira.

Desde que o escândalo estourou, Marcelo Álvaro têm negado ter cometido qualquer crime.

“Mais uma vez, a Folha de S.Paulo tenta desestabilizar o nosso Governo com ilações falsas. Hoje, sou o alvo de uma matéria que deturpa os fatos e traz denúncias vazias sobre nossa campanha em Minas Gerais. Reforço que a distribuição do Fundo Partidário do PSL cumpriu rigorosamente o que determina a lei. Todas as contratações da minha campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. É lamentável o desserviço prestado pelo jornal”, escreveu ele em 4 de fevereiro, quando a primeira reportagem sobre o caso foi publicada.

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Herr Abraham Weintraub mentecapto do MEC

Karvalho!Abraham Weintraub,MEC,Educação,Blog do Mesquita,Bolsonaro
Herr Abraham Weintraub mentecapto do MEC – Ministério da Erradicação da Cultura – usa bombons para explicar corte de verbas nas universidades.
O azêmola não sabe distingüir 3% de 30%. Diz que cortou só três chocolatinhos entre 100 bombons. Mas ele cortou 30 chocolates, e não 3.Que vergonha!Bolsonaro diz que a escola tem que “ensinar a fazer conta”. Nem o Ministro dele sabe.
O cara desqualifica humanas, mas não entende nada de exatas.E esse elemento “trabalhou” por mais de 20 anos no mercado financeiro. E todas as empresas nas quais trabalhou foram à falência. É um despreparo misturado com muita dose de loucura.Eles querem destruir a educação por que são burros. Querem aumentar a tropa.