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Quem é Otávio de Noronha, presidente do STJ que concedeu prisão domiciliar a Queiroz

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, concedeu nesta quinta-feira (9) prisão domiciliar a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro preso preventivamente em junho. O benefício também foi concedido para a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, embora ela esteja foragida da Justiça.

Otávio de Noronha em pé em escritório
O ministro João Otávio de Noronha, do STJ, concedeu prisão domiciliar a Fabrício Queiroz nesta quinta-feira
Direito de imagem STJ/LUCAS PRICKEN

No pedido pela prisão domiciliar, os advogados destacaram que Queiroz está com câncer. Devido a essas “condições pessoais de saúde”, Noronha considerou que o caso de Queiroz se enquadra nas recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para prisão domiciliar durante a pandemia de coronavírus.

“O mesmo vale para sua companheira, Márcia Aguiar, por se presumir que sua presença ao lado dele seja recomendável para lhe dispensar as atenções necessárias, visto que, enquanto estiver sob prisão domiciliar, estará privado do contato de quaisquer outras pessoas (salvo de profissionais da saúde que lhe prestem assistência e de seus advogados)”, informou o STJ, ao divulgar a decisão.

Noronha determinou que ambos sejam monitorados eletronicamente e proibiu o casal de usar telefones, computadores e tablets.

Queiroz e sua mulher tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz Flávio Itabaiana, que entendeu haver indícios suficientes de que o casal estaria tentando atrapalhar as investigações que buscam apurar um esquema de desvio de recursos do antigo gabinete de deputado estadual de Flávio Bolsonaro.

Presidente Bolsonaro: ‘amor à primeira vista’ por Noronha

A análise do recurso coube a Noronha porque, como presidente da Corte, é ele o responsável pelo plantão do STJ durante o recesso de julho do Poder Judiciário.

O presidente do STJ tem boa relação com o presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro.

Queiroz caminha rodeado de policiais, todos de máscaraQueiroz e sua mulher tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz Flávio Itabaiana
Direito de imagem NELSON ALMEIDA/AFP VIA GETTY IMAGES

Noronha é apontado como um dos nomes cotados para ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Bolsonaro. O presidente terá direito a nomear um ministro para a Corte em novembro, quando Celso de Mello se aposenta, e outro em julho de 2021, quando será a vez de Marco Aurélio Mello se aposentar.

No final de abril, a proximidade de Noronha com o presidente ficou pública quando Bolsonaro o cumprimentou, durante a posse de André Mendonça como ministro da Justiça.

“Prezado Noronha, permita-me fazer assim, presidente do STJ. Eu confesso que a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista. Me simpatizei com Vossa Excelência”, disse Bolsonaro na ocasião.

Dias depois, em 8 de maio, o presidente do STJ derrubou decisões judiciais de primeira e segunda instância que obrigavam o presidente a divulgar seus exames de coronavírus para comprovar que os testes haviam dado negativo.

“Não é porque o cidadão se elege presidente ou e ministro que não tem direito a um mínimo de privacidade. A gente não perde a qualidade de ser humano por exercer um cargo de relevância na República”, chegou a defender Noronha, em entrevista, antes da decisão.

O presidente acabou obrigado a divulgar os exames logo depois por determinação do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após apresentar sintomas de covid-19 no último fim de semana, Bolsonaro fez novo exame, que dessa vez deu positivo para a doença.

Outra decisão favorável aos interesses do presidente ocorreu em fevereiro, quando Noronha também derrubou decisões contrárias das instâncias inferiores e autorizou que Sérgio Camargo fosse empossado presidente da Fundação Palmares, órgão cuja missão é “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

A escolha de Camargo para comandar o órgão foi questionada judicialmente devido a suas várias declarações minimizando o racismo no país.

Mineiro, Noronha quer novo TRF em MG

De cima de um parlatório, Noronha fala em auditório, com com faixa de honra atravessando corpo
A criação do TRF-6 é um projeto inteligente e corajoso que vai descongestionar e redistribuir os processos que hoje estão parados’, argumenta Noronha sobre plano de nova corte
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LUCAS PRICKEN/STJ

Noronha foi nomeado ministro do STJ em 2002, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mineiro, ele tem como uma das suas principais bandeiras à frente do STJ a campanha pela criação de um novo Tribunal Regional Federal em Minas Gerais, o TRF-6.

Hoje, o país tem cinco tribunais desse tipo e os processos iniciados na primeira instância da Justiça Federal de Minas Gerais são julgados pelo TRF-1, que abrange ainda mais 12 Estados (AC, AM, AP, BA, DF, GO, MA, MT, PA, RO, RR, TO).

Opositores à criação de um novo TRF argumentam que o país vive uma crise fiscal, não havendo recursos para criar a nova corte.

“Não é a falta de recursos que nos levará à omissão. Ao contrário, é hora de avançarmos nas nossas propostas buscando soluções inovadoras e otimizando recursos. A criação do TRF-6 é um projeto inteligente e corajoso que vai descongestionar e redistribuir os processos que hoje estão parados no Tribunal Regional Federal da 1ª Região”, argumentou Noronha, no início do ano.

Próximos passos das investigações contra Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga um possível esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de deputado estadual de Flávio Bolsonaro, que seria operado por Fabrício Queiroz. A suspeita é que funcionários do gabinete repassavam parte de seus salários de volta a Queiroz e Flávio Bolsonaro, num sistema de desvio de recursos públicos – algo que Flavio nega.

Na semana passada, uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que o caso, que tramitava na primeira instância da Justiça do Rio, passasse para sua jurisdição. Nessa decisão, os desembargadores determinaram que Flávio Bolsonaro, hoje senador, ainda teria direito ao foro especial garantido a deputados estaduais.

O Ministério Público recorreu e a expectativa é que em agosto o STF analise o caso e determine seu retorno à primeira instância. Isso porque o Supremo já tem outras decisões que não reconhecem a continuidade do foro privilegiado após o fim do mandato. Como o crime em investigação não tem relação com o mandato atual de senador de Flávio, a jurisprudência do STF também não lhe dá direito ao foro de parlamentar federal nesse caso.

Após esse julgamento do STF, o Ministério Público deve concluir a investigação e decidir se apresenta ou não denúncia contra Flávio Bolsonaro e os demais investigados.
BBC

Hells Angels: fotografias da vida cotidiana de uma notória gangue de motociclistas na Califórnia na década de 1960

Hells Angels é uma gangue de motocicletas associada ao crime organizado, é famosa por pilotar suas motocicletas Harley-Davidson e usar roupas com as insígnias dos Hells Angels. Em 1965, o fotógrafo do LIFE Bill Ray passou várias semanas no sul da Califórnia, fotografando e viajando com a gangue que logo se tornaria notória por sua arrogância hedonista e sem lei.

Hells Angels, Califórnia, 1965

Hells Angels’ “old ladies,” California, 1965

No clube de San Bernardino dos Hells Angels, 1965

Hells Angels’ “old ladies,” California, 1965

Hells Angel “Hambone” posa durante uma viagem de San Bernardino a Bakersfield, Califórnia, 1965

Hells Angels e moradores do lado de fora do Blackboard Cafe em Bakersfield, Califórnia, 1965

Hells Angels, e suas “Old Ladies” e garotas do lado de fora do Blackboard em Bakersfield, Califórnia, 1965.

Os Hells Angels cruzam o norte de San Bernardino para Bakersfield, 1965.

Hells Angel, California, 1965.

Mulheres – incluindo uma com nariz enfaixado – ficam em um bar enquanto os motociclistas se reúnem em uma sala separada, Califórnia, 1965.

Duas mulheres cavalgando com o Hells Angels saem para um bar em 1965.

Um adolescente parece atraído, como uma mariposa por uma chama, pelos Hells Angels e suas máquinas, Califórnia, 1965.

Um Hells Angels é revistado. Os policiais procuravam principalmente seu estoque de maconha e não encontraram nenhum. Estava dentro do assento da motocicleta que ele estava andando.

Um Hells Angels – e sua “Old Lady” segurando firme – fazendo um Weeling no centro de Bakersfield, Califórnia, como seus amigos assistindo, 1965.

“Buzzard” e sua “Old Lady”, Califórnia, 1965.

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Joseph Schumpeter; O homem que previu o fim do capitalismo e que ajuda a entender a economia de hoje

“O capitalismo pode sobreviver?”, se perguntou Joseph Schumpeter. “Não, acho que não”, foi a resposta dele.

Joseph Schumpeter nasceu em 1883 e morreu em 1950.
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A reflexão foi feita em uma de suas principais obras: Capitalismo, Socialismo e Democracia, de 1942.

O influente economista austríaco não acreditava na ditadura do proletariado nem na revolução de Karl Marx. Pelo contrário, ele rejeitava o que entendia como os elementos ideológicos da análise marxista.

Para ele, o que levaria ao fim do capitalismo seria o seu próprio sucesso. “Considero Schumpeter o analista mais aguçado do capitalismo que já existiu. Ele viu coisas que outras pessoas não viram”, disse Thomas K. McCraw, professor emérito da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, ao Working Knowledge, o site da universidade.

Schumpeter “está para o capitalismo assim como Freud está para a psicologia: alguém cujas ideias se tornaram tão onipresentes e arraigadas que não podemos separar seus pensamentos fundamentais dos nossos”, disse o acadêmico.

A tragédia

Schumpeter nasceu em 1883 em uma cidade da República Tcheca, que na época fazia parte do império austro-húngaro.

Schumpeter falava diversos idiomas.
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Ele era filho único e perdeu o pai aos 4 anos de idade. Sua educação ficou a cargo de sua mãe e seu novo marido, que frequentavam a aristocracia local.

Embora estudasse direito, o tema que o atraiu foi a economia — Schumpeter se tornaria um dos melhores alunos da Escola Austríaca de Economia.

“Schumpeter era um excelente aluno, leitor incansável, tinha uma mente viva e curiosa, era um mestre em várias línguas”, escreveu Gabriel Tortella, professor emérito de História e Instituições Econômicas da Universidade de Alcalá, no artigo Um profeta da social-democracia, publicado na revista Book.

Ele tinha uma personalidade carismática, era mulherengo e amava cavalos. Viveu por um tempo na Inglaterra, onde teve um relacionamento com uma mulher 12 anos mais velha que ele.

Sylvia Nasar, em seu livro “Grande Busca: A história do Gênio Econômico, conta que se casou com o economista, mas que, com o tempo, ambos reconheceram que o casamento fora um erro. Em 1913, eles se separaram e anos depois se divorciaram oficialmente.

Schumpeter se casou novamente em 1925, desta vez com uma mulher muitos anos mais nova. Mas, um ano depois, uma tragédia abalaria sua vida: sua esposa morreu enquanto dava à luz seu filho, que também morreu pouco tempo depois. Nesse mesmo ano, ele ainda perderia a mãe.

Entre luxo e academia

Schumpeter morou em Viena após a Primeira Guerra Mundial e a queda do império austro-húngaro.

Schumpeter viveu a Primeira Guerra Mundial, que causou grandes estragos na Europa. Direito de imagem GETTY IMAGES

Schumpeter foi ministro da economia do governo socialista que governou a Áustria em 1919. Depois, morou em sete países, em alguns dos quais foi professor e trabalhou como banqueiro de investimentos, o que lhe permitiu fazer uma fortuna — que depois desapareceria.

Antes de seu segundo casamento, por algum tempo, Schumpeter levou uma vida de muitos luxos e parecia não se importar de ser visto em público com prostitutas, diz Nasar.

“Schumpeter era um acadêmico brilhante que fracassou retumbantemente como ministro das Finanças da Áustria”, escreveu Pearlstein, vencedor do prêmio Pulitzer, em uma resenha do livro de Nasar publicada no jornal americano The Washington Post.

O economista se estabeleceu nos Estados Unidos em 1932, onde lecionou na Universidade de Harvard pelo resto da vida. Em sua nova casa, diz Tortella, Schumpeter se apaixonou e se casou com uma historiadora de economia chamada Elizabeth Boody, 15 anos mais nova que ele.

Foi ela quem compilou e editou os textos dele sobre a história do pensamento econômico, publicados postumamente (ambos morreram antes da publicação do livro em 1954: ele em 1950 e ela em 1953) no monumental History of Economic Analysis (História da Análise Econômica, em inglês).

Schumpeter analisou a Grande Depressão dos anos 1930
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Destruição criativa

Durante a Grande Depressão da década de 1930, disse Thomas K. McCraw, “muitas pessoas inteligentes da época acreditavam que a tecnologia havia atingido seu limite, e que o capitalismo atingira seu auge “.

“Schumpeter acreditava exatamente no oposto e, é claro, estava certo”, afirmou McCraw, foi o autor do livro Profeta da Inovação: Joseph Schumpeter e Destruição Criadora.

O conceito de destruição criativa foi um dos que Schumpeter ajudou a popularizar. E, segundo Fernando López, professor de Pensamento Econômico da Universidade de Granada, essa ideia é uma espécie de darwinismo social.

“É a ideia de que o capitalismo destrói empresas não criativas e não competitivas”. “O processo de acumulação de capital continuamente os leva a competir entre si e a inovar e apenas os mais poderosos sobrevivem”.

Uma ansiedade constante

Essa dinâmica ideal do capitalismo significa que os empreendedores nunca podem relaxar. “Esta é uma lição extremamente difícil de aceitar, principalmente para pessoas de sucesso. Mas os negócios são um processo darwiniano e Schumpeter frequentemente o vincula à evolução”, afirmou McCraw.

Novos produtos aparecem constantemente para substituir os antigos, que se tornam obsoletos.

“É um processo contínuo de aprimoramento, e essa é a característica número um do capitalismo”, segundo Pep Ignasi Aguiló, professor de economia aplicada na Universidade das Ilhas Baleares, na Espanha.

A dinâmica dos negócios leva à “única maneira de sair da competição, que é muito dura, é através de tentativas de redução de custos, o que exige processos de inovação na produção ou através do desenvolvimento de novos produtos preferidos pelos consumidores em relação aos anteriores “, diz o doutor em Economia.

No entanto, as tentativas de redução de custos também podem levar a superexploração de trabalhadores, lobby para regulamentação e práticas nocivas para o ambiente — temas que muitas vezes são “esquecidos” quando se fala do assunto.

O fim do capitalismo e das meias femininas

Schumpeter usava dois exemplos para explicar suas teorias foi o das meias femininas.

Schumpeter explicava suas teorias dando como exemplos produtos como meias femininas – Direito de imagem GETTY IMAGES

No início do século 20, apenas mulheres da classe alta podiam comprá-las. Mas, após a Segunda Guerra Mundial, eles se tornaram mais acessíveis aos consumidores de diferentes grupos sociais.

“Tornar algo acessível a todos leva a mentalidade socialista a entrar gradualmente nos poros do sistema capitalista e desacelerar sua característica essencial, que é a competição entre produtores”, diz o professor.

O raciocínio do austríaco era que, ao “apaziguar a concorrência e acabar gerando igualdade no acesso aos produtos”, o capitalismo chegaria ao fim.

Schumpeter fixou um prazo para isso: o fim do século 20.

“Ele estava errado sobre isso. Acreditava que até então as condições de disseminação da produção em massa e de produtos entre toda a população fariam todas a pessoas viverem melhor do que o rei da França do século 18 e, portanto, o clamor pelo socialismo seria grande”.

Vítima de seu próprio sucesso

“A ideia era a de que o capitalismo leva à produção em massa, a produção em massa leva a uma riqueza extraordinária que se espalha por uma parte muito importante da população, o que aumentaria o desejo de igualdade”, explica Aguiló.

O automóvel, por exemplo, deixou de ser um produto que apenas uma elite poderia adquirir e passou a estar disponível para milhões de pessoas. “O preço cai, as quantidades aumentam, e isso acontece repetidas vezes com todos os produtos”, diz o professor.

Essa circulação em massa de produtos significa que os padrões de vida dos consumidores aumentam, que há uma “demanda por mais igualdade” e que isso acaba dificultando a essência do sistema: a concorrência”, explica Aguiló.

Questões como os problemas ambientais se tornaram mais evidente desde a época de Schumpeter
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“Esse grande sucesso da abundância compartilhada, ao alcance de todos, é o que levaria ao fim do capitalismo”.

No entanto, embora a riqueza seja mais bem distribuída em alguns países, o que se viu no mundo desde então foi o contrário: apesar de muitos produtos estarem acessíveis para grande parte da população, o que se vê é uma concentração cada vez maior da riqueza produzida.

Virtude e perigo

Seguindo a lógica de Schumpeter, a concorrência se tornaria, ao mesmo tempo, uma virtude e um problema para as empresas.

Segundo López, Schumpeter acreditava que “o processo de acumulação incessante de capital levaria, em algum momento, ao que Marx chamava de tendência decrescente da taxa de lucro”.

“O capitalismo é um sistema incomparável em termos produtivos, é um sistema que, no nível produtivo, eu uso Marx novamente, é o mais progressista da história, mas tem o problema de que a acumulação incessante de capital o leva a competir também incessantemente.”

“Essa competição força as empresas a estar em uma guerra constante para inovar, obter novos mercados, novos produtos. E aí mora o perigo”.

Harry Landreth e David C. Colander, em seu livro História do Pensamento Econômico, explicam que “enquanto Marx havia previsto que o declínio do capitalismo derivaria de suas contradições, Schumpeter especulou que seu fim seria produto do seu próprio sucesso”.

Sua ideia de uma sociedade socialista

Em seu trabalho Capitalismo, Socialismo e Democracia, Schumpeter imaginou o tipo de sociedade socialista que surgiria depois que o capitalismo perecesse.

Guillermo Rocafort, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Comunicação da Universidade Europeia, inclui o pensador austríaco no grupo de economistas pessimistas ou fatalistas, desiludidos com o capitalismo de sua época.

Enquanto Marx via uma luta de classes entre a burguesia e a classe trabalhadora, Schumpeter percebia uma grande tensão entre um grupo de empreendedores, aqueles que provocam “vendavais capitalistas que levam a um grande crescimento econômico” e outro composto de empreendedores “que implementam um capitalismo não tão pioneiro, mas calculista, mais conservador “, diz Rocafort.

Na sociedade imaginada por Schumpeter, a distribuição da riqueza seria mais justa ainda existiria mercado.

Seria uma sociedade em que o valor da igualdade estaria acima de tudo, segundo Aguiló, “o que levaria a um status quo que desacelera a inovação para e na qual, portanto, o peso do mercado na distribuição dos recursos é menor, e o peso do Estado aumenta.”

Landreth e Colander citam Schumpeter: “Os verdadeiros promotores do socialismo não foram os intelectuais ou agitadores que o pregaram, mas os Vanderbilts, Carnegies e Rockefellers (famílias ricas do início do século 20)”.

Ciclos econômicos

Rocafort explica que Schumpeter reforçou a teoria dos ciclos econômicos como forma de evolução do capitalismo.

“Como se fosse uma montanha-russa, subindo e descendo, (…)Schumpeter refere-se a ciclos econômicos que têm sua origem em inovações tecnológicas e financeiras. Elas causam momentos de grande boom, depois estabilização e depois uma depressão ou recessão”, diz o professor.

O especialista cita como exemplos a quebra da bolsa de 1929 e a crise financeira de 2008.

Schumpeter nos faz ver o capitalismo como “um processo histórico e econômico que não tem crescimento contínuo, o que seria desejável, mas um crescimento bastante volátil, e que, em última análise, tem consequências para a sociedade em termos de, por exemplo, desemprego”.

No século 21

“Vários economistas, incluindo Larry Summers e Brad DeLong, disseram que o século 21 será ‘o século Schumpeter’ e eu concordo”, disse McCraw.

Schumpeter e John Maynard Keynes (na foto) são considerados os principais economistas do século 20
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“O motivo disso é que a inovação e o empreendedorismo estão florescendo em todo o mundo de uma maneira sem precedentes, não apenas nos casos bem conhecidos da China e da Índia, mas em todos os lugares, exceto em áreas que tolamente continuam a rejeitar o capitalismo.”

“A destruição criativa pode acontecer em uma grande empresa inovadora (Toyota, GE, Microsoft), mas é muito mais provável que isso aconteça nas start-ups, especialmente agora que elas têm muito acesso ao capital de risco”, afirmou McCraw.

De fato, segundo o autor, Schumpeter foi um dos primeiros economistas a usar esse termo: ele o fez em um artigo que escreveu em 1943, no qual falava de capital de risco.

Os inovadores

Schumpeter, suas idéias e, acima de tudo, o conceito de destruição criativa ganharam uma importância especial nas últimas duas décadas.

“É essencial para entender nossa economia”, diz Aguiló. Essa competição de negócios nem sempre significa “dominar o mercado com um produto, mas com uma idéia, com um tipo ou modelo de negócios”.

Rocafort destaca que nessa destruição criativa, inovadores e empreendedores são os principais protagonistas.

Um exemplo é como a indústria de tecnologia e seus gigantes como Google e Microsoft ocuparam o espaço de um setor que nas décadas de 20, 30, 40 e 50 era um dos principais: a indústria automotiva.

“Se você observar o preço das ações, as empresas de tecnologia são as mais importantes e são todas americanas”, diz ele.

Hoje, muitos setores da sociedade pedem uma mudança no sistema econômico
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Um alerta

Por outro lado, especialistas como López pedem cautela na aplicação das idéias de Schumpeter para explicar a economia atual. “Não é conveniente usar categorias históricas porque são sociedades diferentes. As velhas teorias não funcionariam para nós “, diz ele.

Schumpeter é o produto de uma época e “seu capitalismo não é o capitalismo de hoje”, alerta.

A acumulação de capital era diferente e não tinha nem o alcance global nem o impacto ecológico de hoje. Segundo o professor, o sistema está atravessando barreiras que antes pareciam impensáveis: se um país se industrializa, o emprego aumenta, mas o meio ambiente se deteriora.

“Isso não estava na mente de Schumpeter, nem John Maynard Keynes. [Na época,] a industrialização era o elemento fundamental do desenvolvimento.”

Mas López reconhece que “aspectos parciais do trabalho de Schumpeter [como destruição criativa] podem nos ajudar a entender o sistema”.

Em transição?

Rocafort também concorda que o trabalho de Schumpeter é sua visão pessoal da realidade em que ele viveu. “Agora temos um contexto macroeconômico que não existia na época: paraísos fiscais, fundos de investimento especulativos, endividamento excessivo das nações”, explica.

No entanto, ele esclarece que dada a situação de incerteza que enfrentamos diante da economia mundial, faz sentido procurar explicações nos grandes clássicos da economia. “É preciso tentar ver o que se aplica de cada teórico, porque não pode haver ortodoxia ou dogmatismo na economia. Nós idolatramos Keynes e o resultado, como vimos nos últimos 15 anos, está sendo um fracasso”, diz Rocafort.

O economista acredita que Schumpeter e suas ideias como “ciclos econômicos e destruição criativa” podem ajudar a esclarecer alguns pontos do momento que vivemos. “Talvez o modelo econômico atual esteja esgotado e estejamos precisando de novas inovações tecnológicas e financeiras”.

“Ele fala de destruição criativa como aquele novo ciclo causado por um grande desenvolvimento tecnológico. Talvez um ciclo esteja colidindo com outro, como placas tectônicas”, reflete.

A próxima catástrofe

Os políticos ignoram riscos distantes: eles precisam melhorar seu jogo.

Em 1993, os jornais disseram ao mundo para observar o céu. Na época, o conhecimento da humanidade de asteróides que poderiam atingir a Terra era lamentavelmente inadequado

Como guerras nucleares e grandes erupções vulcânicas, os impactos de grandes asteróides podem derrubar sete sinos do clima; se assim devastássemos alguns anos de colheitas em todo o mundo, mataria uma fração considerável da população. Tal eventualidade era reconhecidamente altamente improvável. Mas, dadas as conseqüências, fazia sentido atuarial verificar se havia algum impacto nas cartas e, na época, ninguém se preocupava em olhar.

Os ataques de asteróides foram um exemplo extremo da ignorância voluntária do mundo, talvez – mas não atípica. Eventos de baixa probabilidade e alto impacto são um fato da vida. Os seres humanos individuais procuram proteção deles para os governos e, se puderem pagar, para as seguradoras.

A humanidade, pelo menos como representada pelos governos do mundo, revela uma preferência por ignorá-los até que seja forçada a reagir – mesmo quando o preço da previsão é pequeno. É uma abdicação de responsabilidade e uma traição ao futuro.

Covid-19 oferece um exemplo trágico. Virologistas, epidemiologistas e ecologistas alertam há décadas sobre os perigos de uma doença semelhante à gripe que se espalha de animais selvagens. Mas quando o sars-cov-2 começou a se espalhar, pouquíssimos países tinham a combinação vencedora de planos práticos, o kit que esses planos exigiam e a capacidade burocrática para adotá-los. Aqueles que se beneficiaram muito. Até o momento, Taiwan viu apenas sete mortes secretas por 19; sua economia sofreu correspondentemente menos.

As pandemias são desastres com os quais os governos têm experiência. O que, portanto, de ameaças verdadeiramente novas? A ardente coroa quente que envolve o Sol – com um efeito espetacular durante os eclipses solares – lança intermitentemente vastas folhas de partículas carregadas no espaço. Eles causam as luzes do norte e do sul e podem atrapalhar as redes elétricas e as comunicações.

Mas ao longo do século em que a eletricidade se tornou crucial para grande parte da vida humana, a Terra nunca foi atingida pela maior dessas erupções solares. Se uma ejeção de massa coronal (cme) fosse atingida, todos os tipos de sistemas de satélite necessários para navegação, comunicações e avisos de ataques com mísseis estariam em risco.

Grandes partes do planeta podem enfrentar meses ou até anos sem eletricidade confiável na rede. As chances de um desastre deste século são colocadas por alguns acima de 50:50. Mesmo que não sejam tão altos, ainda são maiores que as chances de um líder nacional saber quem em seu governo é responsável por pensar em tais coisas.

O fato de nenhum governo jamais ter visto um cme realmente grande ou uma erupção vulcânica grande o suficiente para afetar as colheitas em todo o mundo – a mais recente foi Tambora, em 1815 – pode explicar sua falta de premeditação. Não desculpa isso. Manter um olho no futuro faz parte do objetivo dos governos. Os cientistas forneceram a eles as ferramentas para tais esforços, mas poucos acadêmicos realizarão o trabalho de forma espontânea, sem financiamento e desconhecida. As empresas privadas podem tomar algumas medidas quando perceber riscos específicos, mas não elaborarão planos para a sociedade em geral.

É certo que nem os vulcões da Terra nem a coroa do Sol podem ser controlados. Mas os sistemas de alerta precoce são possíveis, assim como a preparação para o pensamento. Vulcões historicamente ativos perto de grandes cidades, como Fuji, Popocatépetl e Vesúvio, são bem monitorados e há pelo menos planos para evacuação, se necessário. Não seria tão difícil estender esse tipo de atendimento a todos os vulcões com potencial de alterar o clima.

Os governos também poderiam garantir que os operadores da rede tenham planos plausíveis para o que fazer se o dscovr, um satélite que paira entre a Terra e o Sol, forneça um aviso de meia hora de que um cme está a caminho, conforme planejado. Garantir que haja backups offline para alguns bits vitais do equipamento da rede seria mais caro que um alarme de vulcão e reduziria, e não eliminaria, o risco. Mas valeria a pena o esforço.

Também não seria tão difícil fornecer um aviso prévio melhor de possíveis pandemias. Interromper toda a transmissão de novos patógenos de animais selvagens é uma tarefa fácil, embora colocar um limite na agricultura mais intensiva e na exploração flagrante de ecossistemas selvagens ajudaria. Mas, novamente, o risco pode ser reduzido.

O monitoramento dos vírus encontrados em animais e pessoas em que essas transferências parecem mais prováveis ​​é eminentemente viável (consulte o artigo). Para os países confiarem um no outro, isso pode ser um desafio; o mesmo ocorreria com o tipo de transparência que tornaria desnecessária essa confiança. Mas se alguma vez houve um momento para tentar, certamente é hoje. Antes do tsunami no Oceano Índico de 2004, havia poucos sistemas de alerta precoce para tsunamis. Agora, felizmente, existem muitos.

Pode parecer quixotesco insistir na preparação esotérica quando houver maiores ameaças que encaram o mundo, incluindo mudanças climáticas catastróficas e guerra nuclear. Mas isso não é um ou / ou. As mudanças estruturais necessárias para reduzir os riscos climáticos – mudanças que muitos países estão adotando agora, se com urgência insuficiente – são de ordem diferente das necessárias em outros itens. Além disso, as abordagens que fazem sentido para ameaças misteriosas também têm implicações para as mais familiares. Pensar na redução de riscos, e não na eliminação, deve incentivar medidas como tirar as armas nucleares de um alerta contínuo e novas abordagens para o controle de armas. Levar o monitoramento ambiental mais a sério pode ajudar a alertar antecipadamente as mudanças repentinas nos padrões de perturbação climática, assim como detectar o magma crescente sob montanhas distantes das quais o mundo pouco sabe.

Analisar o futuro em busca de riscos e tomar nota adequada do que você vê é uma marca de maturidade prudente. É também uma expansão salutar da imaginação. Os governos que levam a sério as maneiras em que o futuro próximo pode ser bem diferente do passado recente podem encontrar novos caminhos a serem explorados e um novo interesse em sustentar suas realizações muito além de algumas voltas do ciclo eleitoral. Esse é exatamente o tipo de atitude que a administração do meio ambiente e a contenção de conflitos armados exigem. Também pode ser um alívio. Quase todos os grandes asteróides que podem se aproximar da Terra já foram encontrados. Nenhuma é uma ameaça de curto prazo. O mundo não é apenas um lugar comprovadamente mais seguro do que parecia. Também é um lugar melhor para ter descoberto.

Uma guerra contra a ciência climática, travada pelo Departamento de Patentes de Washington

Os esforços para minar a ciência da mudança climática no governo federal, uma vez orquestrados em grande parte pelos indicados políticos do presidente Trump, agora são cada vez mais conduzidos por gerentes de nível médio que tentam proteger seus empregos e orçamentos e desconfiam do escrutínio de altos funcionários, segundo entrevistas e relatórios e pesquisas revelados.A sede do Departamento do Interior de Washington
Foto: Victor Victor Blue/The New York Times.

Os esforços para bloquear a pesquisa sobre mudança climática não vêm apenas dos indicados políticos de Trump. Os funcionários mais baixos do governo estão seguindo suas pistas e correndo com eles.

Um caso em questão: quando John Crusius, químico de pesquisa do United States Geological Survey, publicou um artigo acadêmico sobre soluções naturais para a mudança climática em abril, sua publicação em documentos governamentais nunca apareceu. Não poderia.

A publicação de seu estudo, após um mês de atraso, foi condicionada por seu empregador ao fato de o Dr. Crusius não associar sua pesquisa ao governo federal.

“Não há dúvida de que meu artigo foi negado pela aprovação do governo porque tinha a ver com os esforços para mitigar as mudanças climáticas”, disse Crusius, deixando claro que ele também estava falando em sua capacidade pessoal porque a agência exigia que ele o fizesse.

“Se eu fosse um sismólogo e tivesse escrito um artigo análogo sobre a redução do risco sísmico, tenho certeza de que o artigo teria passado”.

Especialistas do governo disseram que ficaram surpresos com a velocidade com que os funcionários federais internalizaram o antagonismo do presidente Trump à ciência do clima e consideraram a nova paisagem perigosa.

“Se os administradores de alto nível emitissem uma diretiva pública realmente clara, haveria um alvoroço e uma contração, e seria mais fácil combater”, disse Lauren Kurtz, diretora executiva do Fundo de Defesa Legal da Ciência Climática, que apóia os cientistas. “Isso é muito mais difícil de combater.”

Um relatório do inspetor-geral da Agência de Proteção Ambiental divulgado em maio descobriu que quase 400 funcionários pesquisados ​​em 2018 acreditavam que um gerente havia interferido ou suprimido a liberação de informações científicas, mas eles nunca relataram as violações. Uma pesquisa separada da Union of Concerned Scientists em 2018 com mais de 63.000 funcionários federais em 16 agências identificou o E.P.A. e Departamento do Interior por ter a liderança menos confiável em questões de integridade científica.

As descobertas publicadas na revista PLOS ONE, revisada por pares, em abril, em um subconjunto dessas agências, descobriram que 631 trabalhadores concordaram ou concordaram fortemente que haviam sido solicitados a omitir a frase “mudança climática” de seu trabalho. No mesmo artigo, 703 funcionários disseram que evitaram trabalhar nas mudanças climáticas ou usar a frase.

“Eles estão fazendo isso porque estão assustados”, disse Maria Caffrey, ex-especialista em geografia do Serviço Nacional de Parques, que lutou contra os gerentes enquanto tentavam excluir o papel da humanidade nas mudanças climáticas de um relatório recente sobre a elevação do nível do mar. “Essas são todas as pessoas que compareceram aos comícios da March for Science, mas depois entraram no escritório na segunda-feira e rolaram completamente”.

Exemplos são abundantes, nem todos novos. Mas cada vez mais, os cientistas estão dispostos a se manifestar.

Em 24 de abril de 2017, Noah Diffenbaugh, cientista climático da Universidade de Stanford, publicou um estudo mostrando as ligações entre eventos climáticos extremos e mudanças climáticas. Como a pesquisa foi financiada em parte pelos subsídios do Departamento de Energia da era Obama, que incluíam mais de US $ 1,3 milhão para o projeto de Diffenbaugh, creditei a agência nos agradecimentos do jornal.

Em 25 de abril, mostram os e-mails, os pesquisadores foram informados de que o reconhecimento do apoio do Departamento de Energia exigiria uma revisão adicional.

“Foi alarmante receber esse e-mail porque estava muito longe de nossa prática normal como comunidade científica”, disse Diffenbaugh.

A divulgação completa do financiamento, observou ele, é exigida pela maioria das revistas científicas e pela universidade.

Presidente Trump deixando o Jardim de Rosas da Casa Branca após uma aparição neste mês.
Crédito: Doug Mills / The New York Times

Os e-mails informavam que os gerentes do programa de pesquisa biológica e ambiental do Departamento de Energia, conhecido como BER, sentiam que seu programa estava “sob ataque interno” e estavam preocupados com certos termos, incluindo “atribuição de eventos extremos”, que se refere a quanto um determinado evento climático pode estar ligado ao aquecimento global.

Eles também se preocuparam com referências no trabalho de pesquisa de Diffenbaugh a termos como o Clean Power Plan, um regulamento da era Obama sobre usinas a carvão; o custo social do carbono, um princípio que impõe um preço às emissões de dióxido de carbono causadas pelo aquecimento climático; e o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Citando essas três áreas, um supervisor de pesquisa escreveu ao Dr. Diffenbaugh seis dias após a publicação do estudo: “Estava tentando não escrever muito disso por escrito, mas a preocupação aqui é evitar a impressão de que B.E.R. está apoiando pesquisas diretamente focadas na avaliação de políticas.

Esses foram exatamente os assuntos da pesquisa financiada pelo governo de Diffenbaugh.

Um artigo subsequente examinou como o cumprimento das metas de redução de carbono do Acordo de Paris afetaria eventos climáticos extremos. Quando o Dr. Diffenbaugh a submeteu à aprovação, disseram-lhe que os funcionários do Departamento de Energia sentiram que era “sólido na ciência”, mas continha “palavras de alerta” como o Acordo de Paris, mostram os e-mails.

Sua escolha foi remover essas frases e reconhecer o financiamento da agência, ou mantê-las e não mencionar a concessão.

Dr. Diffenbaugh e Stanford decidiram que a pesquisa não deveria ser alterada e seria publicada com as chamadas palavras de bandeira vermelha e a divulgação de fontes de financiamento. Os funcionários do departamento notificaram posteriormente aos líderes do projeto que o financiamento seria reduzido pela metade. O projeto do Dr. Diffenbaugh foi zerado.

Jess Szymanski, porta-voz do Departamento de Energia, disse em um comunicado: “Não existe uma política do Departamento de Energia que proíba a menção de ‘mudança climática’ ou ‘Acordo de Paris’, nem há orientação do departamento para reter fundos para projetos como este. língua. Alegar é falso.

Depois, há o caso de Marcy Rockman. Até que ela renunciou ao Serviço de Parques em novembro de 2018, a Dra. Rockman atuou por sete anos como coordenadora de adaptação às mudanças climáticas; cinco desses anos foram gastos desenvolvendo uma estratégia para proteger os recursos culturais das mudanças climáticas. Mas quando a estratégia foi lançada no final de janeiro de 2017, seus supervisores decidiram abandonar os planos de enviar cópias para cada parque nacional.

“Não havia apetite para nenhuma das minhas cadeias de administração escrever um memorando que tivesse sua assinatura dizendo: ‘Estou distribuindo a estratégia de mudança climática'”, disse ela.

A Associação Européia de Arqueólogos notou o ocorrido e convidou a Dra. Rockman a apresentar seu trabalho na Holanda. Seu chefe aprovou a viagem e depois se aposentou.

Mas vários meses depois, disse Rockman, ela foi informada de que precisava se inscrever novamente para aprovação. Seus supervisores sugeriram que ela minimizasse as mudanças climáticas. Então a viagem foi negada.

“Fui responsável por tomar e executar decisões que ninguém acima de mim queria tomar”, disse ela.

O Departamento do Interior se recusou a comentar o caso do Dr. Rockman, citando litígios pendentes.

O E.P.A. Sede em Washington. Credito: Victor J. Blue para o New York Times

Patrick Gonzalez, o principal cientista de mudanças climáticas do Serviço Nacional de Parques, solicitou a aprovação de políticas em março de 2018 para publicar um artigo com base na análise de mais de um século de dados climáticos em 417 parques nacionais.

Seu supervisor não conseguiu superar a frase de abertura: “As mudanças climáticas antropogênicas estão alterando os sistemas ecológicos e humanos globalmente”.

“Sem ler mais o manuscrito, ela disse: ‘Vou ter que pedir para você mudar isso'”, lembrou Gonzalez. Ele disse em uma entrevista que estava falando por sua própria capacidade e não em nome do governo federal.

E-mails e outros documentos mostram que Gonzalez procurou John Dennis, o vice-cientista chefe da agência, para protestar. Dr. Dennis incentivou o compromisso.

Os documentos mostram que o Dr. Dennis destacou a frase “antropogênica” ou causada por humanos. “Essa palavra é necessária aqui para a tese científica básica do artigo – que eu interpreto como ‘a mudança climática já revelou ter tido grandes impactos nos parques?'”, Perguntei.

“Do ponto de vista político, pode ser muito forte para uma pessoa do DOI dizer ‘mudança climática antropogênica'” “, escreveu Dennis, sugerindo” mudança climática impulsionada por dióxido de carbono “.

Gonzalez se recusou a fazer a alteração e, após três meses, a agência recuou. O estudo foi publicado na revista Environmental Research Letters, em setembro de 2018, sem alterações.

Conner Swanson, porta-voz do Departamento do Interior, disse que a pesquisa de Gonzalez se refere à “adaptação à mudança climática em vez de causa da mudança climática e, como resultado, a integridade da ciência não exigia a discussão da causa da mudança climática em uma situação em que esse uso pode desviar a atenção das descobertas científicas do artigo. ”

No mesmo verão, o Serviço de Parques tentou excluir todas as menções ao papel da humanidade nas mudanças climáticas em um relatório sobre a elevação do nível do mar. Seu principal autor, Dr. Caffrey, contestou. Foi lançado após mais de um ano de atraso sem as tentativas de edição. Dr. Caffrey, no entanto, disse que ela foi demitida antes de sua posição ser eliminada.

Gonzalez disse que estava correndo o risco de contar sua história. Mas eu disse: “Pretendo servir como um exemplo positivo de defender fortemente a ciência”.

Urbanismo – Impressionantes espaços ao ar livre para todos

Há um boom criativo na arquitetura e design ao ar livre. Dominic Lutyens explora como as áreas públicas recém-concluídas oferecem uma sensação de liberação e relaxamento.

Amplos espaços abertos – praças, jardins, praças e parques – sempre foram oásis atraentes em cidades movimentadas. São lugares para socializar ou para se divertir com leituras e banhos de sol. Agora, mais do que nunca, eles são sinônimos de liberdade, proporcionando uma sensação de libertação e descanso do confinamento doméstico. E com o distanciamento social uma realidade para muitos de nós, gastar tempo em grandes espaços ao ar livre faz bem à saúde de várias maneiras.

Superkelin é um parque urbano de 1 km de comprimento criado pelos arquitetos dinamarqueses BIG e paisagistas Superflex (Crédito: Iwan Baan)

Superkilen, Copenhagen

O mobiliário urbano convencional não tem lugar em Superkilen, um espaço pavimentado extraordinário de 1 km de extensão, classificado como um ‘parque urbano’ em Nørrebro, um bairro povoado por comunidades de mais de 60 países, ao norte do centro da cidade de Copenhague. Combinando instalações esportivas com playgrounds infantis e assentos abundantes, é dividido em áreas codificadas por cores – quadrados chocantes de rosa, vermelho e laranja – indicando diferentes atividades. Os edifícios adjacentes são parcialmente pintados com as mesmas cores, criando a ilusão de que o espaço é maior do que é.

O projeto foi iniciado pela cidade de Copenhague e Realdania, uma associação dinamarquesa privada que financia projetos de arquitetura e foi projetado pelos arquitetos dinamarqueses de alto perfil Bjarke Ingels Group (BIG) em colaboração com os arquitetos paisagistas Topotek1 e o coletivo de artistas Superflex.

O espaço em Superkilen foi colorido em chocantes rosa, vermelho e laranja (Crédito: Torben Eskerod)

De maneira incomum, uma extensa consulta às comunidades locais resultou na inclusão de objetos que eles apreciam particularmente, desde uma fonte marroquina e aparelhos de ginástica como os de Venice Beach, Los Angeles, até letreiros de neon do Catar e da Rússia. Uma placa de metal embutida no chão ao lado de cada objeto o nomeia e explica sua origem.O Marsa Plaza foi projetado pelos arquitetos londrinos Acme e apresenta treliças e coberturas de pedra (Crédito: Francisco Noguera)

Marsa Plaza, Omã

A recente expansão de Mascate, capital de Omã, ao longo da costa, viu a criação de um novo porto, marina e sua Marsa Plaza de múltiplos propósitos. A Acme venceu um concurso internacional para criar o último – um espaço de 5.000 metros quadrados, concluído em 2018. A praça é delimitada por dois lados por edifícios médios e baixos, e tem vista para a marina e o mar. Possui fontes e um anfiteatro usado para shows e noites de cinema, e abriga mercados de alimentos e exposições de arte. “A pegada dos novos edifícios foi restrita para maximizar a área externa”, diz Duarte Lobo Antunes, um dos arquitetos do projeto.

“Omã tem uma cultura muito descontraída e é um popular destino de férias no Oriente Médio”, continua Lobo Antunes. “Em Muscat, as pessoas geralmente se socializam à noite, principalmente de maio a setembro, quando, durante o dia, evitam lugares sem sombra”.

Os edifícios da praça apresentam treliças e dosséis projetados feitos de uma pedra chamada rosa do deserto em tons neutros, do creme ao marrom, que proporcionam graus variados de sombra e vislumbres do mar. Passos levam em direção à marina, aumentando a sensação de espaço ilimitado. As linhas gráficas da praça acenam com os padrões tradicionalmente encontrados nos pisos de Omã. “A praça reflete a informalidade de Mascate. É um lugar onde as pessoas podem andar e se reunir em locais diferentes “, acrescenta Lobo Antunes.Uma área gramada com paisagismo de Dan Pearson oferece um oásis relaxante na cidade (Crédito: John Sturrock)

Gasholder Park, Londres

O Gasholder Park, em King’s Cross, Londres, funde um vestígio da arquitetura industrial do século XIX – um gasômetro vitoriano abandonado – com um novo pavilhão, projetado por Bell Phillips Architects, e paisagismo pastoral, por Dan Pearson. O projeto envolveu desmontar a armação de guia circular de 250 m de altura e 40 m de diâmetro interno da antiga localização (agora espaço público Praça Pancras) e movê-la para um local com vista para o Canal de Regent.O Gasholder Park combina a arquitetura industrial do século XIX com um novo pavilhão da Bell Phillips Architects (Crédito: John Sturrock)

Essa união entre o antigo e o novo não atrapalha, graças à adição de Bell Phillips de uma colunata circular de aço polido com uma cobertura que percorre o perímetro interno da estrutura da guia. Esses círculos concêntricos incluem uma área grande, exuberante e gramada, plantada com alegres flores amarelas e brancas. A luz refletida nas superfícies espelhadas tem o efeito de amolecer e até desmaterializá-las. Todas as noites, a iluminação branca e fresca inspirada em um eclipse solar, criado pelos designers de iluminação Speirs e Major, ilumina a estrutura em ciclos de 20 minutos, intercalados com dramáticos períodos de escuridão de dois minutos.

“Algumas partes do parque parecem isoladas, outras mais ativas, com corredores e crianças brincando perto dos pais – há uma escola nas proximidades”, diz Hari Phillips, co-diretor da Bell Phillips. “O bloqueio nos fez perceber o quão preciosos são os espaços abertos, particularmente em cidades de alta densidade”.A instalação do StoDistante na Toscana foi criada pelo Caret Studio (Crédito: Giulio Margheri)

StoDistante, Itália

Concluído em maio passado, o StoDistante (‘estou mantendo distância’ em italiano) é uma instalação em Vicchio, perto de Florença. Muitos artistas italianos famosos nasceram perto desta cidade do século XIII, incluindo Giotto, que dá nome à Piazza Giotto, uma de suas praças. Agora, essa nova instalação, criada pelos arquitetos locais Caret Studio, está trazendo a praça firmemente para o século XXI, abordando os regulamentos atuais de distanciamento social da Toscana.O padrão de grade pintado combina com o cenário pitoresco da praça (Crédito: Giulio Margheri)

A intervenção discreta do Caret Studio oferece uma solução elegante para o distanciamento social sem prejudicar o cenário pitoresco da praça: pintou um padrão de grade de quadrados brancos diretamente no chão de paralelepípedos usando tinta removível branca. “As praças criam uma grade para guiar o movimento das pessoas ao redor da praça com segurança”, explica Giulio Margheri, cofundador do Caret Studio em 2014 com Matteo Chelazzi e Federico Cheloni, dois dos quais nascidos em Vicchio. “As pessoas sabem que quando estão em cada quadrado branco, ficam a 1,8 m do centro do próximo.” A esperança é que o espaço seja usado como cinema e academia ao ar livre, pois as restrições às reuniões públicas serão amenizadas em um futuro próximo.

“O município de Vicchio apoiou o projeto desde o início”, lembra Margheri. “Vemos o StoDistante como uma estratégia de design que pode ser implantada em áreas públicas em outras cidades, permitindo que os cidadãos reativem os espaços abertos após o bloqueio”.The Spur é a adição final à High Line e apresenta uma escultura monumental de Simone Leigh (Crédito: Timothy Schenck)

The High Line, Nova Iorque

Quando Ricardo Scofidio, parceiro da prática de arquitetura de Nova York Diller Scofidio + Renfro, se envolveu no projeto High Line em 2003, ele teve uma visão de preservar as qualidades intocadas dessa estrutura elevada que caiu em desuso em 1980. Isso desutilizou A seção de viadutos da linha ferroviária central de Nova York, conhecida como West Side Line, evoluiu ao longo dos anos de uma relíquia pós-industrial para um habitat fértil para plantas que prosperam em diferentes microclimas.

Scofidio, que reformou a linha em um parque em colaboração com James Corner Field Operations e o designer de planta Piet Oudolf, não queria suprimir a natureza: “Não queríamos que as plantas fossem aprisionadas por meio-fio, mas desfocam a linha. entre plantas e hardscape ”, lembra ele. “Incentivamos as plantas a ultrapassar a estrutura, a crescer através das rachaduras.”

Agora, esta grande atração nova-iorquina com vista para o rio Hudson possui bancos feitos de trechos de trilhas, 120 espécies de plantas e bétulas que fornecem sombra.The High Line combina com sucesso natureza e arquitetura (Crédito: Iwan Baan)

A última seção da linha a ser aberta, o Spur, que se estende ao longo da 30th Street, foi projetada pela mesma equipe e aberta no ano passado. No entanto, aqui a cultura assumiu o controle da natureza: nessa conjuntura, a linha incha em uma grande praça onde peças monumentais de arte ocupam o centro do palco; a peça inaugural é a Brick House de Simone Leigh, uma escultura de uma mulher negra cujo tronco se transforma em uma casa de barro. O Spur também é um local de música. A praça também apresenta elementos estilizados, incluindo plantadores gigantescos inclinados. Como James Corner coloca: “Este espaço dramático é ladeado por assentos generosos, com vista e imersão na imensa escala da cidade, abrindo novas vistas”.

Por que alguns russos (e não apenas eles) são obcecados por Ladas?

A queda do regime soviético enfim permitiu que os russos importassem carros. No entanto, quase 30 anos depois, muitos ainda preferem a marca que nasceu na URSS.

Eugene Odinokov/Sputnik

O primeiro Lada foi lançado em 1970 em Togliatti, uma cidade industrial na União Soviética. Os engenheiros soviéticos trabalharam em conjunto com a montadora italiana Fiat para criar o famoso Lada “2101”. O carro foi um grande sucesso para o mercado soviético e até internacional, e vários outros modelos vieram depois.

Quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, o mercado internacional de automóveis se abriu para os russos, e desde então podem escolher entre uma grande variedade de marcas estrangeiras.

No entanto, para muitos russos, aqueles carros velhos e enferrujados fabricados na União Soviética e também os modelos mais novos da mesma marca causam sentimentos contraditórios: alguns pensam ser sinônimo de lixo da União Soviética, enquanto outros acreditavam que esses eram os melhores carros do mundo. Mas, afinal, o que está por trás dessa obsessão dos russos pela famosa marca soviética?

Quem ama um Lada?

A marca soviética de carros (agora considerada “russa”) é um assunto perpétuo de memes na internet, e os russos costumam chamá-los com desprezo de ‘caçambas de ferrugem’. Mesmo assim, segundo dados recentes, a marca Lada vende mais carros novos na Rússia do que qualquer estrangeira presente no país.

Alexander Guschin/Sputnik

Reza o estereótipo popular que os Ladas são especialmente queridinhos dos moradores das repúblicas caucasianas, como a Tchetchênia, o Daguestão e o resto dos distritos federais do sul e do Cáucaso do Norte.

Há um quê de verdade nisso. Quem já esteve no sul da Rússia e no Cáucaso percebeu que os nacionais Ladas são vistos com mais frequência nessa parte da Rússia – sobretudo, o modelo Priora preto, que tornou-se um símbolo implícito da região.

Legion Media

“No Daguestão, as pessoas têm uma abordagem específica para compras: se você gasta uma certa quantia de dinheiro, deve comprar o melhor produto por aquele preço. Um Lada Priora novo custa semelhante a um Hyundai Accent, ou qualquer carroça, se não mais barato. Estar ao volante de um Hyundai mostra a todos que você dirige um carro de fabricação estrangeira, mas é um carro m**** e isso não é legal. Dirigir um Priora, por outro lado, diz a todos que você ainda não está disposto a pagar muito por um carro, mas conseguiu o melhor pelo dinheiro que tinha e dirige um bom carro”, explica Amirkhan Kurbanov, que é natural da região russa.

Outros modelos, porém, parecem mais adequados para motoristas de outras partes do país. O novo Lada Vesta é, por exemplo, um carro comum em Moscou, onde os jovens preferem evitar os antigos modelos soviéticos; e o Lada Niva 4×4 é popular entre caçadores e pescadores que residem em regiões mais remotas do país.

Portanto, seria um eufemismo dizer que os russos adoram Lada – acontece que muitos deles também admiram os carros da marca. Até o presidente Putin é dono de um.

Elegante, acessível e fácil de consertar

O preço é um dos principais fatores pelos quais muitos russos optam pela marca nacional. Um Lada Granta novo custa o equivalente a US$ 5.200 – uma fração do preço que qualquer revendedor estrangeiro cobra por seus modelos. Os carros usados ​​são comercializados por um preço ainda mais baixo. É possível comprar um Lada antigo por apenas algumas centenas de dólares norte-americanos – atraindo iniciantes prematuros ou que acabaram de atingir a idade necessária para dirigir legalmente.

Sergei Vedyashkin/Moskva Agency

“Eu tinha um Playstation, que eu vendi por 30.000 rublos (cerca de US$ 400). Meu pai sugeriu gastar o dinheiro em um par de rodas para perambular no inverno”, conta Serguêi, que comprou o primeiro Lada com seu pai aos 13 anos.

Além disso, diversos jovens russos apreciam o estilo retrô desses modelos, que podem causar impressão se devidamente personalizado.

Outra vantagem que os Ladas têm sobre carros estrangeiros na Rússia é que eles são fáceis de consertar. É comum que os proprietários de carros importados mais caros enfrentem longo período de espera para que peças de reposição cheguem do exterior.

Pavel Kuzmichev

É exatamente o oposto do que ocorre com um Lada. As peças de reposição são abundantes em todas as lojas especializadas do país. Não há necessidade de esperar nem um dia, e a maioria das peças é extremamente barata. O mais importante é que esses carros não requerem muito conhecimento técnico para o conserto, e a maioria dos proprietários aprendeu a fazê-lo por conta própria..

“Com o passar do tempo, mais modelos começaram a ficar desatualizados, sua qualidade se deteriorou, e isso ficou evidente. Mas, em compensação, você pode comprar peças baratinhas e consertar tudo sozinho”, diz Protas Bardakhanov.

A moscovita Iúlia, que possuía um Lada 2105 branco quando era estudante, afirma também que o carro lhe proporcionou uma experiência de condução inestimável. “Era muito barato consertar. Não ganhava nada na época, mas não tinha problema para manter o carro. Com ele, aprendi a lidar com câmbio manual: um Audi teria morrido rapidamente sob tanta pressão, mas esses carros perdoam erros de novatos”, brinca.

Não apenas na Rússia

A Lada também vendeu inúmeros carros no exterior durante a União Soviética e continua a fazê-lo hoje. Muitas pessoas que vivem na Europa, na África e na América Latina, incluindo o Brasil, também têm boas lembranças desses carros, porque seus pais costumavam possuí-los.

Angola

S. Frolov/TASS
“Meu pai tinha um Niva. Era um carro que eu gostava quando garoto. Durou bastante e em estradas terríveis”, lembra Mohamed Lamin Sesay, de Freetown, em Serra Leoa.

Musa Tamba, da Gâmbia, conta que costumava chamar o Lada de “o carro da África”. “Os modelos Lada [na Gâmbia] eram o 2104, 2105 Combi e Niva 4×4. Nós os chamávamos de ‘carro para todos os terrenos’, por causa do excelente desempenho. O motor é fantástico, e o corpo é quase revestido de blindagem”, diz Musa.

Além disso, o modelo incomum e personalizado de limusine do Lada 2101 é um popular veículo de táxi em Cuba, e o Lada Niva tem fama na França.

Estampas Japonesas (Ukiyo-e)

As estampas japonesas, cujo nome original é ukiyo-e, são uns dos maiores legados culturais do Japão.

Acima, A Grande Onda de Kanagawa, do artista Katsushika Hokusai (1760–1849), é uma das imagens mais conhecidas do mundo.

O pintor holandês Vincent Van Gogh pendurou algumas estampas japonesas em seu quarto em Arles e fez uma versão da obra A ponte sob a chuva, do artista Hiroshige (1797-1858). Suas mais famosas pinturas — como Quarto em Arles e Autorretrato — possuem traços desta arte japonesa (cores chapadas, ondulações, etc).

O ukiyo-e também marcou o movimento impressionista. Claude Monet, fundador do movimento, inspirou-se nas cores das estampas para compor várias de suas obras; também construiu uma ponte japonesa nos jardins de sua propriedade e lhe dedicou seis quadros.

À esquerda, a obra Retrato Emile Zola, de Édouard Manet (1832-1883), exibe uma estampa ukiyo-e na parede. No lado direito, a obra La Japonaise, de Claude Monet (1840-1926): o autor retratou sua esposa em trajes japoneses.

O Japão passou três séculos isolado do ocidente, fato que favoreceu um estilo original de expressão artística. Após a abertura cultural e as exposições internacionais em Londres e Paris (entre 1862 e 1878), a influência cultural do Japão na arte ocidental foi expressiva, principalmente devido ao ukiyo-e. O crítico Jules Claretie criou o termo “japonismo” para se referir a esta influência.

Ukiyo-e: modo de produção

O ukiyo-e é um tipo de xilogravura. Por isso, a produção não se limita ao ilustrador, mas também ao gravurista, que talha a arte na madeira, e ao impressor, que a transfere para o papel ou tecido. A matriz de impressão em madeira permite criar uma linha de produção artesanal.

Ao observar A Grande Onda de Kanagawa – fot no topodo post – pode-se perceber nos traços do desenho a preocupação do ilustrador com o trabalho do gravurista (que fará a matriz de madeira) e do impressor (que irá depositar a tinta e pressionar a matriz no papel ou tecido).

Breve história do ukiyo-e

As origens estéticas do ukiyo-e estão ligadas às tradições da pintura japonesa, que remontam ao Período Heian (794 – 1185). Nessa época, o processo de xilogravura era utilizado apenas de forma religiosa para imprimir selos budistas; o ukiyo-e de fato ainda não existia. Contudo, a partir do século XVI surgiram as primeiras publicações de livros ilustrados com talha de madeira.

Gravura de Okumura Masanobu (1686 – 1764).

Inicialmente Okumura se dedicou à publicação de livros e posteriormente migrou para o ukiyo-e.

A partir do Período Edo (1603-1868), marcado pela prosperidade e surgimento de uma classe mercantil, a demanda por ilustrações impressas popularizou a xilogravura e consolidou o ukiyo-e como gênero artístico. O termo significa, literalmente, “mundo flutuante”, utilizado inicialmente para referir-se ao estilo de vida das classes abastadas da cidade de Edo, antigo nome de Tóquio.

O ukiyo-e se popularizou durante o Período Edo, marcado pela prosperidade e ascensão de uma elite econômica que desejava uma arte que retratasse seu estilo de vida.

Com o aumento da demanda e a exigência de ilustrações coloridas, os artistas passaram a dominar o uso das cores. As estampas coloridas exigiam vários blocos para impressão, entretanto, também permitiram variedade de estilos.

Ainda que o nome ukiyo-e se refira originalmente à forma de vida da elite econômica, posteriormente os artistas se dedicaram a retratar paisagens, batalhas, animais, folclore, cenas urbanas, guerras, beleza feminina e o teatro kabuki.

O trabalho do artista Kobayashi Kiyochika (1847-1915) mostra a evolução da técnica das estampas japonesas.

Durante o Período Meiji (1868-1912), marcado pela modernização e pelo contato com o Ocidente, o ukiyo-e declinou e a xilogravura voltou-se para o jornalismo, além de perder espaço para a fotografia. Assim, passou a ser visto como patrimônio cultural e arte tradicional japonesa.

Contudo, a abertura cultural ocorrida no século XIX permitiu ao Ocidente conhecer as estampas japonesas, que em grande medida foram responsáveis pelo imaginário do país mundo afora, além de influenciar artistas como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Édouard Manet, Claude Monet e o movimento impressionista na França.

Existiram movimentos contemporâneos de ukiyo-e. O movimento Sōsaku-hanga (1912-1989) é um tipo de renascimento, primando pela individualidade da expressão artística, exigindo que o artista domine todas as fases de produção (ilustração, talha em madeira e impressão). O movimento Shin-hanga (1915 – 1942) foi uma revitalização inspirada nos artistas europeus.

Atualmente, o ukiyo-e não é apenas uma das (várias) identidades culturais do Japão: sua estética também marcou a produção dos animes e mangás que atraem jovens do mundo todo. A Viagem de Chihiro, animação ganhadora do Oscar de 2003, é considerado um dos cinquenta melhores filmes animados do mundo, sendo herdeiro da beleza e do imaginário transmitido pelas estampas japonesas.