Quando tudo for privatizado, o povo será privado de tudo e o Amapá é prova disso

Esse título parece apenas um impactante slogan visto em cartazes nas mais diversas manifestações pela América Latina.

Antes fosse! A população do Amapá está vivendo, na prática, as consequências de quando o Estado transforma sua responsabilidade em mercadoria e entrega serviços essenciais à Iniciativa privada.

A prática do empresariado brasileiro é rotineira: ao invés de fazer investimentos em tecnologia/modernização e a partir disso consolidar seus negócios, esperam que o Estado construa empresas do zero, desenvolva as técnicas necessárias para execução daquela atividade, forme profissionais e estabeleça um patrimônio, apenas então, se desperta no empresariado o interesse por aquela atividade que durante décadas foi ignorada. Quando se esforçam muito, seus negócios nascem de grandes empréstimos oriundos de bancos estatais. A janela de oportunidade estava lá, não investiram porque é mais fácil esperar que o Estado faça e depois abocanhar o bem público.

Os exemplos são diversos no tempo e no espaço, certamente, o mais famoso é o caso da Petrobrás, que sempre está na mira dos privatistas. Essa empresa pública nasceu em 1953, precisamente pelo interesse do Estado Brasileiro em garantir autonomia na produção de energia para o país. A primeira concessão a particulares para prospecção de petróleo e folhelhos betuminosos no Brasil aconteceu em 1858, quase um século se passou e nenhum avanço significativo para essa atividade nasceu por ações da iniciativa privada. No entanto, desde a criação da Petrobrás e o profundo investimento na área, a empresa despertou a ganância do empresariado parasita brasileiro.

Muito se fala do grande (porém, questionável) avanço da telefonia e atribuem isso à privatização do setor. O que se esconde nesse exemplo, é que o Estado fez um brutal investimento pouco antes da privatização da telefonia, garantindo um ambiente seguro para que empresários extorquissem o povo com tarifas altíssimas e péssimos serviços. No primeiro mês após a privatização, a tarifa de telefone aumentou 17% e hoje, a ampla maioria dos processos em defesa dos direitos do consumidor são contra empresas do setor. Nossa cobertura de internet e sinal de celular é péssima, cara e restrita. Uma das piores do mundo.

A Vale do Rio Doce, além de ser entregue praticamente de graça (com 700 milhões de reais em caixa, diga-se), ainda se tornou uma empresa assassina. O rompimento de duas barragens matou centenas de pessoas e comprometeu a qualidade de vida de outras milhares. Todos esses eventos, obviamente, após a sua privatização em 1998. Além da irrestrita fuga de capitais, a empresa não tem nenhum compromisso com o meio ambiente, com a qualidade de vida das populações diretamente impactadas por suas atividades e não responde judicialmente à altura pelos crimes que cometeu, crimes causados por manipulações de relatórios de inspeções em barragens.

Por fim, temos o apagão elétrico no estado do Amapá. A empresa Isolux, contratada para executar serviços que garantissem o fornecimento de energia elétrica daquela unidade da federação, simplesmente não tinha conhecimento, preparo, nem vontade de cumprir o compromisso firmado. Para piorar, a empresa sequer possuía transformador reserva! A tese de que um raio foi responsável pelo incêndio que destruiu o transformador foi descartada, a polícia civil do Amapá afirma que o fogo começou em uma bucha do transformador.

Não é exagero dizer que seremos privados de tudo! No Amapá, mais de 700 mil pessoas foram privadas de fornecimento de energia elétrica por quase um mês. As famílias vítimas dos crimes da Vale do Rio Doce foram privadas de suas moradias, atividades laborais, e no caso de 291 delas, foram privadas do direito máximo de qualquer ser humano: o direito à vida! O setor privado não tem outro interesse que não o lucro, e para alcançar seus objetivos sacrifica sonhos, esperanças, economias locais, meio ambiente, culturas, futuros e vidas.

Toda corrupção que existe nas estatais está intimamente ligada às pressões econômicas que a iniciativa privada exerce sobre funcionários públicos, que na maior parte das vezes, não são de carreira, mas sim que foram indicados por políticos que tiveram suas campanhas financiadas por grandes empresas. A resposta para evitar tais práticas não é a entrega do bem público para aqueles que já concentram riqueza e deixam o Brasil com a marca de uma das maiores desigualdades sociais do planeta. Ao contrário, é dando maior transparência e garantindo mais participação da sociedade que as pressões do mercado financeiro não serão capazes de corroer a execução dos serviços pela administração pública.

É bom também lembrar, que não queremos apenas a garantia de que empresas públicas permaneçam públicas, não defendemos o capitalismo de Estado. A nossa luta é para garantir que a classe trabalhadora administre coletivamente as atividades produtivas. O controle social das empresas já existe, e é exercido por uma elite econômica que atende exclusivamente seus próprios interesses, por isso é importante que o controle social das empresas públicas seja exercido pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Mesmo com o desastroso histórico da política de privatizações, ou melhor, projeto de entrega das riquezas nacionais para a iniciativa privada, o governo pretende estender as privatizações a empresas essenciais como Correios e Eletrobrás. O resultado será um desastre e a experiência nos permite fazer essa afirmação.

Se a máquina privatista continuar esmagando os direitos do povo brasileiro, o que hoje vive o Amapá será experimentado por todo o Brasil, que na verdade não é bem uma novidade, já que no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso os apagões elétricos eram constantes por todo o território brasileiro. E quem vai pagar essa conta? O povo brasileiro! Podemos fazer uso das célebres palavras de Celso Furtado para definir o modelo de privatizações no Brasil, é um impiedoso sistema de “Privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”.

Sem luz, Macapá tem eleição adiada

Atingida por apagão, cidade ainda não teve fornecimento de energia totalmente restabelecido. Justiça decide adiar votação, por dificuldades em garantir a segurança do pleito.

Incêndio na principal subestação de energia do estado atingiu transformadores, e não havia peças de reposição.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, atendeu na madrugada desta quinta-feira (12/11) um pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) e decidiu pelo adiamento das eleições para prefeito e vereador na capital Macapá. Nos outros municípios do estado, a votação ocorrerá normalmente no próximo domingo. A decisão para Macapá vale para o primeiro e segundo turnos.

No início do mês, o estado passou a enfrentar graves problemas no abastecimento de energia após um incêndio numa subestação de Macapá. O apagão atingiu 13 das 16 cidades do estado, afetando mais de 700 mil pessoas. Inicialmente, a região ficou mais de três dias sem energia. Aos poucos, o fornecimento foi sendo restabelecido, mas ainda vigora um rodízio.

Pela decisão de Barroso, o adiamento do pleito em Macapá vai vigorar até que sejam restabelecidas “as condições materiais e técnicas para a realização do pleito, com segurança da população”. A nova data para realização do pleito em Macapá deverá ser fixada em interlocução entre o TRE e o TSE.

Em sua decisão, o presidente do TSE destacou que o relato do presidente do TRE-AP “retrata situação que permite concluir que, na capital, Macapá, não há segurança adequada para a realização das eleições”.

Segundo o ministro, informações de outros órgãos, como Polícia Federal, mostraram “consenso acerca dos riscos da realização das eleições neste domingo”.

“Fatos extraordinários e imprevisíveis tornaram inviável a realização de eleições em Macapá, já que ainda não foi restabelecido o regular fornecimento de eletricidade no município e o efetivo da Polícia Militar não se mostra suficiente para garantir a segurança dos eleitores. Nesse contexto, não é legítimo exigir que a população de Macapá seja submetida ao sacrifício extremo de ser obrigada a comparecer às urnas em situação de calamidade pública, reconhecida por decreto municipal, e, ainda, de risco à segurança”, aponta a decisão.

No pedido apresentado ao TSE no início da noite desta quarta, o presidente do TRE-AP, Rommel Araújo, afirmou que se reuniu com representantes da área de inteligência da Abin, Exército Brasileiro e da Polícia Rodoviária Federal, que relataram, em razão do retorno gradual da energia, “ações de vandalismo, algumas delas dirigidas e coordenadas por membros de facções criminosas”.

Além disso, segundo Barroso, “parte da população, que sofre com o desabastecimento de água e falta de energia elétrica, está sendo incitada à realização de queima de pneus em via pública, bem como a depredarem o patrimônio público”. Ele destacou ainda a previsão de “várias manifestações (…) sendo convocadas para demonstração de desagrado em frente aos locais de votação, o que colocaria em risco os eleitores da Capital”.

O presidente do TRE-AP ainda havia destacado que o efetivo da Policia Militar estava reduzido por conta de policiais que testaram positivo para a Covid-19.

Nas demais cidades do Amapá, apontou Barroso, “a situação de segurança do eleitor poderá ser mantida sob controle, com o aparato de segurança atualmente disponível”.

Na quarta-feira, a Polícia Civil do Amapá descartou que um raio tenha causado o incêndio na subestação de Macapá. Um laudo prelimitar apontou que as chamas começaram após uma peça de um transformadores superaquecer.

JPS/tse/ots

Rio de Janeiro: Megacidade brasileira experimentando descarte de lixo ecologicamente correto

Na periferia norte do Rio de Janeiro, longe das vastas faixas de areia branca da icônica praia de Copacabana, mangas machucadas e douradas, pimentões murchados e um cacho de mandioca se misturam com lascas de madeira.

A transformação da gestão do lixo poderia desempenhar um papel no cumprimento da meta de carbono líquido zero do Rio de Janeiro? A cidade está explorando uma nova forma de processar resíduos de alimentos, com um projeto que é o primeiro do tipo na América Latina.

Estátua no Rio de Janeiro, megacidade no Brasil (picture-alliance / GES / M. Gilliar)

Megacidade brasileira experimentando descarte de lixo ecologicamente correto.

Esses podem não parecer ingredientes especiais, mas um projeto experimental na megacidade brasileira está explorando se queimar esse lixo poderia ser parte de uma receita para atingir sua meta de carbono zero até 2050.

“Caso contrário, todos esses alimentos estariam sendo jogados fora”, diz Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju, que abriga a primeira unidade de “biometanização” da América Latina.

Um forte cheiro ácido preenche o ar do armazém no calor do meio-dia, quando Ferreira acena com uma empilhadeira. “É muito potencial perdido. Precisamos fazer isso em todo o país”, acrescenta.

Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de desperdício de alimentos do mundo, descartando cerca de 30% de todas as frutas e vegetais colhidos. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cerca de 40 mil toneladas de alimentos são jogados fora todos os dias no país, onde se decompõem em aterros sanitários, liberando quantidades significativas de metano.

No entanto, o Rio de Janeiro, uma cidade de cerca de 6,7 milhões, também é uma das mais de 70 cidades em todo o mundo que se comprometeram a se tornar “neutras em carbono” até 2050. As cidades são responsáveis ​​por cerca de 75% das emissões de CO2, de acordo com as Nações Unidas, e mais de dois terços da energia que consumimos.

Gerando energia a partir de resíduos orgânicos

O projeto piloto do Ecoparque, lançado em dezembro de 2018 pela Comlurb, departamento de resíduos municipais do Rio de Janeiro, transforma matéria orgânica – quase totalmente resíduo de alimentos – em biogás por meio de um processo que gera eletricidade, biocombustíveis e composto para serem usados ​​como fertilizante na agricultura e silvicultura, e produz emissões mínimas.

Processando entre 35 e 50 toneladas de resíduos por dia, a fábrica gera energia suficiente para se alimentar, a maior instalação de resíduos no local e a frota da empresa de 19 veículos elétricos. Isso equivale a mais de 1.000 residências com base no consumo médio no Brasil, Ferreira diz.

A fábrica recebe resíduos orgânicos de supermercados e barracas de rua de frutas e verduras do centro da cidade, mas também tratou do lixo doméstico e até descartou hambúrgueres e batatas fritas do festival Rock in Rio de outubro.

Um gasoduto transportando gás para ser transformado em eletricidade

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo

Sete reatores do Ecoparque, todos do tamanho aproximado de contêineres, são usados ​​para processar os resíduos. Em um processo escalonado, cada um recebe lixo orgânico e é lacrado por duas a três semanas, com a introdução de bactérias para decompor a matéria e produzir metano. O gás é então armazenado em um grande recipiente acima da instalação e posteriormente convertido em eletricidade.

“A ideia do Ecoparque é ter um local de experimentação de novas tecnologias que possam, no futuro – e se tiverem demonstrado sua viabilidade econômica, financeira e ambiental – ser adotadas pela Comlurb, fazendo com que cada vez menos resíduos sejam descartados em aterros sanitários ”, afirma José Henrique Monteiro Penido, responsável pela área de sustentabilidade ambiental da Comlurb. “O modelo pode ser replicado nas cidades e ter um impacto positivo para todo o país”.

Segundo a Comlurb, esse é o “primeiro passo” para lidar com as 5 mil toneladas de lixo orgânico que o Rio de Janeiro produz a cada dia. Com um empréstimo não reembolsável do Fundo Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico, e desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais, o plano é expandir esse modelo para outras cidades do Brasil e da América Latina.

Equipamento que mede a qualidade do gás sendo produzido

“No geral, é um sinal muito positivo e não tenho dúvidas de que é escalável”, disse Richard Lowes, pesquisador de política energética da Universidade de Exeter. “Parece ser um processo eficiente com controles muito medidos sobre a produção. Quando os resíduos alimentares vão para aterros, podem produzir metano, um poderoso gás de efeito estufa – mas com esse processo você obtém a energia e não as emissões. ”

Alcançando as metas climáticas

O processo de biometanização por si só, no entanto, não será suficiente para reduzir significativamente a pegada ambiental do Brasil, Lowes diz: “Seria melhor se esses resíduos simplesmente não fossem produzidos em primeiro lugar. Se não houvesse resíduos, não haveria a necessidade de processar qualquer coisa. Temos a tendência de ser uma sociedade muito desperdiçadora e devemos nos concentrar em reduzi-la. ”

Ainda assim, o município acredita que pode ajudar a atingir sua meta de reduzir as emissões das mudanças climáticas em 20% entre 2005 e 2020, como parte da iniciativa C40 Cities, uma rede de cidades que impulsiona a ação climática. No âmbito do Programa de Desenvolvimento da Cidade de Baixo Carbono do Rio de Janeiro, a cidade lançou nos últimos anos um projeto de reflorestamento urbano para plantar 12 milhões de árvores e um esquema municipal de compartilhamento de bicicletas, o Bike Rio, enquanto expande a rede de caminhos da cidade.

O projeto marca um raro lampejo de positividade para o país em meio ao desmatamento de uma década na Amazônia e às críticas à falta de compromisso do Brasil com os principais objetivos climáticos na COP25, a recente conferência em Madrid.

No Ecoparque, a equipe busca constantemente a melhoria dos níveis de eficiência, utilizando eletrônicos, sensores e medidores que auxiliam no controle e na otimização da produção de biogás em sua busca pela produção de energia sustentável. A esperança é que uma instalação como esta seja construída para cada 50.000 pessoas no país.

“Há dois caminhos a seguir”, diz o pesquisador Ferreira. “Podemos seguir em frente com o sistema atual de grandes instalações de resíduos que requerem uma quantidade significativa de transporte, ou podemos descentralizar o processo e construir um em cada cidade do Brasil.”

Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Limpar o planeta com dinheiro sujo tem seus limites

Usina termelétrica na Inglaterra. Foto: Carlos Eduardo Young.

A pandemia de Covid-19 traz consequências complexas em áreas muitas vezes inesperadas. Um exemplo são os mercados de créditos transacionáveis de emissões de carbono (cap and trade). Matéria recente do Inside Climate News mostra que produtores de agricultura de baixo carbono (“climate smart”) na Califórnia estão com problemas de financiamento porque recebem recursos de programas de cap and trade que são pagos principalmente por emissões geradas pela queima de combustíveis fósseis. A retração da atividade econômica e no volume de trânsito, consequência do isolamento social, reduziu drasticamente a emissão de carbono no estado. Por isso, as receitas que eram pagas pelos emissores diminuíram porque fizeram o que se deseja na agenda das mudanças climáticas: a queima de combustíveis fósseis despencou nos últimos meses.

Esse tipo de dilema é previsto há muito tempo na literatura de economia do Meio Ambiente. Mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais, como os de emissões de carbono, logística reversa de resíduos sólidos e cotas de reserva ambiental (CRA), têm como premissa o interesse em flexibilizar o cumprimento das normas ambientais. A ideia é que aqueles que não estão cumprindo os requisitos ambientais financiem terceiros que, além de cumprir seus próprios compromissos, “vão além” e têm “superávit” na sua performance ambiental. Ou seja, ao invés de reduz as suas emissões, os emissores (“poluidores”) preferem pagar para que outros o façam (“protetores”) – isso se explica porque os custos de abatimento de emissões não são homogêneos.

Para que os mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais funcionem é preciso que:

(1) O regulador ambiental atue efetivamente, monitorando o desempenho ambiental de cada agente e penalize, de fato, aqueles que desobedecem a norma. É necessário mais que uma autuação, deve-se fazer que o infrator pague efetivamente (“enforcement”).

(2) Deve haver um número suficiente de agentes econômicos que estão em desacordo com as normas ambientais e com custos de atendimento à norma (“compliance“) altos. Por outro lado, é necessário existir aqueles cujo valor necessário para executar ações ambientais positivas seja baixo, para viabilizar financeiramente a compensação do déficit ambiental não atendido pelo infrator.

(3) Os direitos de propriedade devem ser bem estabelecidos, sem insegurança jurídica para que o agente em déficit ambiental (“poluidor”) pague ao que está em superávit (“protetor”), e essa ação seja oficialmente reconhecida pelo regulador como forma de cumprimento da legislação ambiental.

Ou seja, não se trata de um mercado “normal” onde o consumidor demanda um bem porque deriva utilidade de seu consumo. É uma situação especial, que não pode ocorrer em situação de “livre mercado”. Trata-se de uma flexibilização no atendimento de normas legais, cuja demanda só é estabelecida se houver pressão normativa para o cumprimento da lei por parte dos eventuais infratores.

Como essas condições variam no tempo, a demanda de “poluidores” por direitos de emissão também oscila. Portanto, em todos os mercados de direitos transacionáveis, o preço desses direitos é endógeno, ou seja, o valor das cotas de emissões também flutua.

O caso da Califórnia apresentado na matéria se explica por alteração abrupta da condição (2). A demanda de direitos de emissão caiu vertiginosamente em função da retração de fontes de lançamento de gases de efeito estufa. Por isso, reduziu-se o interesse em compensar emissões excedentes porque se aproximaram dos limites inicialmente permitidos. Diga-se de passagem, a razão pela qual esse mercado se estabeleceu na Califórnia foi uma série de avanços institucionais que permitiram o atendimento da legislação ambiental (Condição 1) e definição dos direitos e deveres para agentes privados (Condição 3). Antes da pandemia, havia um número significativo de agentes em desacordo com os limites de emissão recebidos originalmente (Condição 2), mas esse número se reduziu bastante com a retração econômica.

Um fenômeno bastante semelhante ocorreu no mercado europeu de emissões (ETS) após a crise financeira de 2008, que resultou em um colapso nos mercados de emissão em todo mundo. A queda na demanda por combustíveis, junto com o sucesso de programas de baixo carbono, fez com que o volume de emissões europeias ficasse abaixo do esperado. Como o número de emissores em déficit ambiental se reduziu, o preço dos direitos de emissão despencou junto. Somente ao final de 2019 o preço das emissões se aproximou do teto histórico pré-2008 mas, como no caso da California, houve também queda acentuada de valor após a pandemia, mas com recuperação após o seu relativo controle.

Preço dos direitos de emissão de carbono na União Europeia (EUA), 2008-2020

Fonte: EMBER.

Aliás, por causa desse colapso nos mercados de créditos de carbono, não faz sentido a crítica de que projetos de conservação florestal como REDD ou REDD+ teriam “enriquecido os investidores” enquanto “desapropriavam os povos da floresta”. Essa crítica não tem fundamento porque (i) não há “mercado milionário” de REDD, REDD+ e projetos de carbono florestal porque simplesmente não há demanda por isso (onde há alguma negociação, o volume é baixíssimo e os preços são muito inferiores aos praticados no ETS), e (ii) existem condições sociais bastante claras estabelecidas para a titulação de créditos de carbono, e um projeto que resulte em problemas sociais não seria elegível, e existem diversas auditorias e canais de reclamação para vigiar isso.

A análise das condições necessárias para o sucesso de mercados de direitos transacionáveis também explica o porquê da falta de vigor dos mercados de CRA no Brasil. Não há interesse por parte dos governos em penalizar proprietários rurais em déficit de Reserva Legal, conforme estabelecido pela legislação florestal. Por isso, não há porque se preocupar em buscar flexibilizar uma regra de legislação que nunca é exigida, rompendo com a Condição (2). A bagunça fundiária brasileira complica ainda mais a viabilidade do mercado de CRA porque ninguém vai buscar atender regras ambientais de Reserva Legal se os direitos de propriedade não estão bem estabelecidos (Condição 3).

Outro erro comum contra o uso de instrumentos de direitos transacionáveis é supor que direitos valem somente para a propriedade particular, resultando em crítica por uma suposta “privatização da natureza”. Isso também não é correto pois os direitos de propriedades podem ser também públicos ou comunais. O que importa é que o direito de propriedade seja bem estabelecido, não importando a natureza do proprietário. A falha está na tradição histórica de privatização das terras públicas através da concessão de direitos fundiários que, a pretexto de reforma agrária, acabam apenas estimulando a grilagem e agravando a concentração fundiária. Dessa forma, perdemos a possibilidade de conseguir recursos financeiros para a conservação dessas áreas, já que as administrações públicas não conseguem assegurar o controle do desmatamento.

O caso mais grave dessa perda de oportunidade é o das terras indígenas. Comunidades indígenas possuem alta capacidade de controle de desmatamento, maior até do que alguns órgãos ambientais. Por isso, poderiam estar recebendo recursos de REDD+, como mostra a experiência pioneira do Projeto Carbono Florestal Suruí. Mas projetos como esse acabam não tendo viabilidade por falta de segurança jurídica (por exemplo, terras ainda não demarcadas ou consolidadas) e falta de apoio institucional.

Voltando ao caso dos projetos climate smart da Califórnia, o problema está em imaginar ser possível financiar um projeto sustentável de longo prazo a partir de pagamentos gerados por infração ambiental. É algo semelhante ao uso da Compensação Ambiental estabelecida pelo Artigo 36 do SNUC, que financiam unidades de conservação a partir de fatos geradores que causam dano ambiental. No curto prazo, é correto que isso sirva de base de financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável. No longo prazo, contudo, o ideal é que essas infrações diminuam e, portanto, o valor arrecadado por elas. Por isso, esses projetos devem buscar a viabilidade financeira de longo prazo sem a necessidade de recursos oriundos de ações predatórias (emissões de carbono, problemas no licenciamento), que devem ser encarados como recursos que irão se esgotar com o tempo.

Bicicletas elétricas são muito mais legais do que você pensa

Se as bicicletas elétricas ainda não chamaram sua atenção, aqui está uma que pode. A Okapi, uma startup sediada em Boston, está produzindo uma e-bike exclusiva que preenche a lacuna entre motos e motocicletas.

Okapi

A suspensão dupla, o farol e a buzina das bicicletas gritam sujeira, mas os pedais e os pneus magros farão você andar pela ciclovia sem problemas.

Essas bikes não são comuns. Se a aparência futurista não revelar, eis as especificações: as bikes da Okapi têm um alcance totalmente elétrico de até 64 km e uma velocidade máxima de cerca de 50 km / h. Esses números não são grandes, mas são mais do que adequados para uma bicicleta.

A empresa está vendendo suas motos por pouco menos de US $ 3.000. Isso está alinhado com os preços de outras bicicletas eletrônicas, mas a Okapi parece mais sofisticada e refinada do que as outras, que tentam (com graus variados de sucesso) parecer bicicletas normais.

A suspensão total, o armazenamento oculto e o motor de 1.000 watts das bicicletas somam o que parece ser um passeio divertido. Esqueça o deslocamento, as bicicletas elétricas sãodivertidas e são um tumulto total nas trilhas. O design da Okapi parece ser mais robusto e capaz de lidar com os solavancos mais do que muitas outras motos elétricas, algumas das quais parecem ser modeladas com base nos modelos antigos. A principal desvantagem do design da Okapi é a capacidade de peso máximo de 280 libras, o que pode limitar a capacidade de alguns ciclistas de apreciar a bicicleta.

A abordagem de Okapi à e-bike é um pouco menos sutil que outras. Onde tantas empresas tentam esconder seu trem de força elétrico por baixo do corpo magro, Okapi coloca tudo para o mundo ver com uma bateria grande e quadrada. Há quase uma aparência futurista de moto suja para eles, o que é menos estranho do que parece.

As bicicletas elétricas estão ficando mais baratas, quase todos os dias, mas o produto da Okapi tem o preço mais alto do espectro: a bicicleta Starter Edition custa US $ 2.989,98. A boa notícia é que a moto da Okapi parece mais sofisticada e robusta do que muitas ofertas no mercado hoje.

Embora eles não sejam o produto mais popular do mercado, as bicicletas eletrônicas valem a moeda a quase qualquer preço. Se você está pensando em comprar uma bicicleta elétrica, faça-o.

O último filme de Michael Moore teve como alvo ‘renováveis’ e acusou grupos ‘verdes’ de estarem nos bolsos da Big Energy

O Climate Industrial Complex está pedindo a cabeça do cineasta Michael Moore depois que seu último filme distorceu a hipocrisia da indústria de “energia renovável”, expondo o relacionamento acolhedor de seus líderes com os bicho-papões dos combustíveis fósseis.


A polêmica de Moore, ‘Planet of the Humans‘, dirigida por Jeff Gibbs, foi vista mais de quatro milhões de vezes no YouTube em pouco mais de uma semana.

Mas apenas dois dias após o lançamento do filme, marcado para o Dia da Terra, o cineasta Josh Fox liderou a acusação de Moore – que já foi um “herói” dele – deformado por suposta desinformação. Em uma carta sincera, Fox exigiu não apenas uma “retratação e um pedido de desculpas” de Moore, mas também que o filme fosse arrancado inteiramente da distribuição.

Quem é quem, dos figurões ambientalistas, concordou, acusando Moore de ter supostamente imitado “pontos de conversa flagrantemente falsos da indústria de combustíveis fósseis enganosamente enganando sua audiência sobre energia renovável” e atacando “líderes climáticos importantes”, bem como “campanhas climáticas e de combustíveis anti-fósseis. ”

De fato, os críticos pararam de chamar o ambientalista de longa data de “negador da mudança climática”, fazendo o possível para pintá-lo como um agente dos mesmos plutocratas do Big Business, cuja presença silenciosa sob a superfície da indústria de “energia renovável” ele expôs no filme.

O distribuidor de documentários Films for Action na verdade removeu brevemente o filme de sua biblioteca on-line, explicando que não havia visto o “produto final”, mas o havia recolhido com base na reputação de Moore – apenas para reverter o curso mais tarde, apontando que censurar o filme dê “mais poder e mística do que merece”.

Isso chega ao ponto de Moore ter sido escoriado pelas próprias forças que outrora eram seus aliados na esquerda.

O “Planeta dos Humanos” visa diretamente o sonho de que “biocombustíveis”, energia solar e eólica salvarão o mundo da voraz indústria de combustíveis fósseis e, por extensão, a própria mudança climática. Embora grande parte do documentário tenha sido aparentemente filmado anos atrás, suas conclusões permanecem oportunas, especialmente porque os defensores das energias renováveis exigem que a queda induzida pela pandemia se torne um “Ano Zero” no qual construir um novo baseado em energias renováveis.Moore nem por um momento se desvia de sua devoção à ortodoxia das mudanças climáticas. No entanto, ele não evita acusar nomes famosos como Bill McKibben, da 350.org, e o Sierra Club de se desculpar por um setor que, à sua maneira, é tão destrutivo quanto petróleo, carvão e gás natural, em muitos casos. exigindo o uso contínuo desses combustíveis “sujos”, muito difamados, a fim de manter a narrativa de que energia “limpa” pode sustentar a civilização.

O conceito de “biomassa” é especialmente revelado como uma piada cruel, o termo eufemístico que encobre o fato de que as florestas desmatadas são enquadradas como uma fonte de energia “sustentável”, porque as árvores que são alimentadas nos picadores de madeira “voltarão a crescer”.

O filme alega expor a realidade destrutiva das fontes de energia “renováveis”, apontando o fato de que os painéis solares exigem carvão e minerais de terras raras insustentáveis ​​para criar – e que os financiadores desses projetos são frequentemente as mesmas pessoas que fizeram fortuna com petróleo e gás.

Moore observa que os temidos Koch Brothers não apenas constroem usinas solares, mas fabricam um tipo especial de vidro usado para os painéis. Eles estão presentes em todas as etapas do processo de geração de energia solar anunciado como salvador da humanidade por um movimento que difunde seus inimigos como agentes dos mesmos Kochs.

Ao mesmo tempo, gigantes de grandes empresas como Michael Bloomberg (que absorve o gás natural com energia solar e eólica como fonte de energia renovável) e o magnata da madeira Jeremy Grantham são vistos como patrocinadores de projetos aparentemente amigos do ambiente que, em um exame mais aprofundado, meramente envolvem estuprar o planeta de um ângulo ligeiramente diferente.

Os críticos ambientalistas de Moore fazem alguns pontos válidos, principalmente porque grande parte de “Planeta dos Humanos” foi filmada anos atrás. Não está atualizado no limite sangrento da tecnologia renovável, e alguns dos cruzados ambientais cuja hipocrisia brilha tanto no filme desde então alteraram suas opiniões. Bill McKibben escreveu uma refutação detalhada, reclamando que não apóia mais os biocombustíveis, mesmo estando em filme se recusando a condená-los.

Mas os principais problemas com energia eólica e solar não foram resolvidos, e a insistência do cineasta Fox de que as alegações de Moore são invalidadas pela incorporação de compromissos de políticas renováveis ​​- ele na verdade cita o Green New Deal como “o mais importante avanço político em energia verde de todos os tempos ”- é risível.Tecnologia,Energia Eólica,Ciêcia,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Os compromissos “renováveis” de Nova York, como as faculdades e outras instituições apresentadas no filme, consideram os biocombustíveis sustentáveis, e o New New Deal em si não só não foi aprovado, como também oferece o roteiro mais vago em direção à sustentabilidade para alguns EUA futuros dispostos a passar isto.

Talvez o mais revelador seja a exigência dos críticos de que o filme seja retirado da circulação por ser “perigoso”. Mesmo que Moore fosse um “shill Koch Brothers que nega as mudanças climáticas” – o que ele claramente não é -, ele estaria longe de ficar sozinho no mundo do cinema on-line, já que muitos filmes correspondentes a essa descrição estão circulando diariamente sem encontrar tais oposição estridente de rebatedores ambientais.

Mas Moore tem credibilidade nos círculos “verde” e ativista, e sua exposição tem a capacidade de tirar o vento das velas dos movimentos populares que atualmente exercem pressão sobre instituições e governos para se livrarem dos combustíveis fósseis e investirem em “renováveis”. Quem sairia às ruas para exigir o desinvestimento de petróleo e gás, sabendo que o dinheiro investido em “renováveis” só voltará aos bolsos dos mesmos aproveitadores de combustíveis fósseis?

Há outras queixas no filme de Moore, é claro. Muitos apontaram seu foco aparente no que é eufemisticamente chamado de “controle populacional” como a única solução possível para o problema das mudanças climáticas. De fato, existem outras maneiras – como os maiores consumidores de recursos do mundo, o complexo industrial militar, encerrando suas atividades – de controlar o consumo humano.

Mas a maioria dos críticos “verdes” de Moore não discorda da noção malthusiana – e compreensivelmente questionável – de que os problemas da humanidade podem ser resolvidos “apenas” livrando o planeta de todas aquelas pessoas “excessivas”, e nem os oligarcas como Bloomberg e Grantham, cuja hipocrisia é exposta no filme.

De fato, os críticos do documentário e seu criador diferem apenas em sua disposição de perpetuar a ilusão reconfortante de que as mesmas pessoas que criaram a “crise” da mudança climática poderiam confiar para resolvê-la. Portanto, embora esses críticos possam ridicularizar Moore como um eco-fascista, são os assuntos de seu filme que realmente merecem esse apelido.

Quanto a quem é mais perigoso – as empresas que sugerem biomassa, seres vivos como plantas e animais, são um combustível sustentável para alimentar o futuro; ou um cineasta apontando sua hipocrisia – é melhor deixar para o espectador decidir.

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Uma abordagem inovadora para a energia solar

O céu azul no Reino Unido em abril foi uma grande vantagem para a energia solar. Uma das poucas partes da economia do Reino Unido que teve um bom abril foi a energia solar.

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O Met Office diz que provavelmente foi o abril mais ensolarado do mundo e a indústria de energia solar registrou a maior produção de eletricidade de todos os tempos (9,68 GW) no Reino Unido às 12h30 da segunda-feira, 20 de abril.

Com 16 painéis solares em seu telhado, Brian McCallion, da Irlanda do Norte, foi um dos que se beneficiaram com o bom tempo.

“Nós os temos há cerca de cinco anos e economizamos cerca de mil libras por ano”, diz McCallion, que vive em Strabane, perto da fronteira.

“Se eles fossem mais eficientes, poderíamos economizar mais”, diz ele, “e talvez investir em baterias para armazená-lo”.Direitos autorais da imagem Getty Images

Os painéis solares até fazem sentido na Irlanda do Norte nublada
Essa eficiência pode estar chegando. Existe uma corrida mundial, de San Francisco a Shenzhen, para criar uma célula solar mais eficiente.

O painel solar comercial médio de hoje converte 17-19% da energia luminosa que o atinge em eletricidade. Isso representa um aumento de 12% há apenas 10 anos. Mas e se pudéssemos aumentar isso para 30%?

Células solares mais eficientes significam que poderia obter muito mais do que os atuais 2,4% do suprimento global de eletricidade a partir do sol.

Energia Solar já é a tecnologia de energia que mais cresce no mundo. Dez anos atrás, havia apenas 20 gigawatts de capacidade solar instalada globalmente – um gigawatt sendo aproximadamente a produção de uma única grande usina elétrica.Direitos autorais da imagem Getty Images

Esta fazenda solar cobre 200 ha (500 acres) no sul da França
No final do ano passado, a energia solar instalada no mundo havia saltado para cerca de 600 gigawatts.

Mesmo com a interrupção causada pelo Covid-19, provavelmente adicionaremos 105 gigawatts de capacidade solar em todo o mundo este ano, prevê a empresa de pesquisa com sede em Londres IHS Markit.

A maioria das células solares é feita de fatias finas de cristais de silício, 70% das quais são fabricadas na China e em Taiwan.

Mas o silício cristalino está colidindo bem perto de sua máxima eficiência teórica.

O limite de Shockley-Queisser marca a eficiência máxima para uma célula solar feita com apenas um material, e para o silício isso é de cerca de 32%.

No entanto, combinar seis materiais diferentes no que é chamado de célula de múltiplas junções pode aumentar a eficiência em até 47%.

Outra maneira de romper esse limite é usar lentes para aumentar a luz do sol que cai sobre a célula solar, uma abordagem chamada solar concentrada.

Mas essa é uma maneira cara de produzir eletricidade e é principalmente útil em satélites.

“Nada que você veria no telhado de alguém na próxima década”, ri Nancy Haegel, diretora de ciência de materiais do Laboratório Nacional de Energia Renovável em Boulder, Colorado.Direitos autorais da imagem Getty Images

A tecnologia solar que mais cresce é chamada de perovskitas – em homenagem ao conde Lev Alekseevich von Perovski, mineralogista russo do século XIX.

Estes possuem uma estrutura cristalina específica que é boa para absorção solar. Filmes finos, cerca de 300 nanômetros (muito mais finos que um fio de cabelo humano) podem ser fabricados com soluções baratas – permitindo que eles sejam facilmente aplicados como revestimento em prédios, carros ou até em roupas.

Os perovskitas também funcionam melhor que o silício em intensidades de iluminação mais baixas, em dias nublados ou em ambientes fechados.

Você pode imprimi-los usando uma impressora a jato de tinta, diz o Dr. Konrad Wojciechowski, diretor científico da Saule Technologies, com sede em Oxford e Varsóvia. “Pinte em um substrato e você tem um dispositivo fotovoltaico”, diz ele.

Com um material tão barato, flexível e eficiente, você pode aplicá-lo a móveis de rua para abastecer sensores de carregamento de smartphones, wifi públicos e qualidade do ar gratuitamente, explica ele.

Ele está trabalhando com a empresa de construção sueca Skanska para aplicar camadas de perovskita em painéis de construção.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

A Saule Technologies está usando perovskitas em painéis solares
De acordo com Max Hoerantner, co-fundador da Swift Solar, uma empresa iniciante de São Francisco, existem apenas 10 empresas iniciantes no mundo trabalhando com tecnologia de perovskita.

A Oxford PV, uma divisão da universidade, diz que alcançou 28% de eficiência com uma célula solar comercial baseada em perovskita no final de 2018 e terá uma linha de produção anual de 250 megawatts em operação este ano.

Tanto a Oxford PV quanto a Swift Solar produzem células solares em tandem – são painéis de silício que também possuem uma fina camada de filme de perovskita.

Como são feitos de dois materiais, eles conseguem ultrapassar o limite de Shockley-Queisser.

O silício absorve a faixa vermelha do espectro de luz visível e a perovskita a bit azul, dando ao tandem maior eficiência do que qualquer um dos materiais isoladamente.

Um desafio é quando “você trabalha com um material que existe desde 2012, é muito difícil demonstrar que ele durará 25 anos”, diz Hoerantner.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

Os painéis Insolight usam lentes para concentrar a luz.
A Insolight, uma startup suíça, adotou uma abordagem diferente – incorporando uma grade de lentes hexagonais no vidro de proteção de um painel solar, concentrando assim a luz 200 vezes.

Para acompanhar o movimento do sol, o conjunto de células muda horizontalmente alguns milímetros ao longo do dia. É uma tentativa de tornar barato o concentrado solar.

“A arquitetura desses sistemas fotovoltaicos concentrados convencionais é muito cara. O que fizemos foi miniaturizar o mecanismo de rastreamento solar e integrá-lo ao módulo”, diz David Schuppisser, diretor de negócios da Insolight.

“Fizemos isso de uma maneira mais barata [que] você pode implantar em qualquer lugar que possa implantar um painel solar convencional”, diz ele.

O instituto de energia solar da Universidade Politécnica de Madri mediu o modelo atual da Insolight como tendo uma eficiência de 29%. Agora, ele está trabalhando em um módulo que espera atingir 32% de eficiência.

A atual tecnologia de silício ainda não está totalmente morta, e existem abordagens para obter pequenas e rápidas vitórias em eficiência. Uma é adicionar uma camada extra às costas de uma célula para refletir a luz não absorvida de volta através dela uma segunda vez. Isso melhora a eficiência em 1-2%.

Outra é adicionar uma camada externa, o que diminui as perdas que ocorrem onde o silicone toca os contatos de metal. É apenas um “pequeno ajuste”, diz Xiaojing Sun, analista da Wood Mackenzie, analista solar – adicionando 0,5-1% em eficiência -, mas ela diz que essas mudanças significam que os fabricantes precisam fazer pequenas alterações em suas linhas de produção.

Desde pequenos ganhos – ao uso de energia solar concentrada e perovskitas – a tecnologia solar está em uma corrida para aumentar a eficiência e reduzir os custos.

“Abrangendo esse número mágico em 30%, é aqui que a indústria de células solares pode realmente fazer uma diferença muito grande”, diz Max Hoerantner, da Swift Solar.

Coronavírus acelera declínio da indústria de carvão

A mineradora Eagle Butte está localizada em Gillette, Wyoming, USA. Após o fechamento das minas de Blackjewel a indústria do carvão já estava sofrendo antes do coronavírus.

Josh Galemore / The Casper Star-Tribune via AP, arquivo
CHEYENNE, Wyo. (AP

A pandemia tornou as coisas muito piores. A produção diminui junto com a demanda de eletricidade, com as luzes do escritório e da escola apagadas em todo o país. Travis Deti está trabalhando nos telefones para tentar obter apoio do governo para os EUA. indústria de carvão durante a pandemia de coronavírus. Entre ligações recentes, o chefe da Associação Mineira de Wyoming tentou desentupir uma pia em casa.

Mas, diferentemente da pia de Deti, que finalmente começou a fluir novamente com a ajuda de um encanador, a ajuda permanece obstinadamente entupida para uma indústria cujo declínio já rápido está se acelerando devido aos efeitos econômicos do vírus.

“Vamos levar qualquer coisa agora”, disse Deti, cujo grupo representa empresas que produzem cerca de 40% do carvão do país.

A demanda por carvão afundou na última década em meio à competição com gás natural barato e fontes de energia renováveis ​​expandidas. As empresas de carvão enfrentaram um acerto de contas, à medida que o mundo procura combater as mudanças climáticas e se afastar dos combustíveis fósseis, apesar do esforço do presidente Donald Trump em reviver a indústria.

Agora, a pandemia piorou as coisas. Os bloqueios desligaram luzes e computadores em escritórios e escolas, minando a demanda por eletricidade fornecida pelas usinas a carvão. Os americanos presos em casa assistindo a Netflix não estão chegando perto de compensar essa queda na demanda, estimada em 3% para 2020.

A segurança dos trabalhadores é outra questão. Na região de carvão mais produtiva dos EUA – Wyoming e a bacia do rio Powder, em Montana – as empresas estão mudando de maneira impressionante e operando mais ônibus de e para cidades mineiras para criar mais espaço entre os trabalhadores.

As empresas suspenderam temporariamente as operações nas minas da Pensilvânia, Illinois e Virgínia para impedir a propagação do vírus. Alguns mineiros estão trabalhando apenas dois ou três dias por semana.

“Não há consistência entre a minha e a minha, mesmo dentro da mesma empresa”, disse Phil Smith, porta-voz do United Mine Workers of America, um sindicato que representa milhares de mineiros de carvão principalmente no leste dos EUA.

Mesmo antes do vírus, as empresas foram forçadas à falência e os trabalhadores enfrentaram folgas e demissões. Seis dos sete principais EUA as empresas de carvão pediram a falência do capítulo 11 desde 2015 e os analistas esperam mais à medida que a economia mergulha.

Existem pontos brilhantes, no entanto. O declínio mundial no consumo de eletricidade, juntamente com menos combustível sendo queimado para o transporte, significou um céu mais claro. A poluição por partículas caiu quase 19% na Índia e 6% na China desde antes do surto, segundo Fiona Burlig, do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago. A diminuição nos EUA é um modesto 0,5%.

Os EUA espera-se uma queda de 7,5% nas emissões de gases de efeito estufa causadas pelo aquecimento climático, associadas à redução da produção – ou seja, até que as emissões de dióxido de carbono surjam no próximo ano, à medida que a economia se recupera, segundo projeções da Energy Information Administration.

Mas há poucas dúvidas sobre o efeito esmagador das consequências econômicas do vírus no carvão. Em janeiro, antes da pandemia nos EUA, previa-se que a produção de carvão caísse 14% este ano. Com o coronavírus e um inverno ameno que significava menos eletricidade necessária para aquecer residências e empresas, espera-se que essa queda seja de até 25% – caindo para níveis nunca vistos em 55 anos.

“Simplesmente será que as energias renováveis ​​e o gás manterão seu mercado, e o carvão, sendo o combustível mais caro, será empurrado ainda mais do que seria”, disse Seth Feaster, do Instituto de Análise Econômica e Financeira de Energia.

A empresa de carvão de St. Louis, Foresight Energy, que emprega 800 pessoas, pode ser a primeira vítima relacionada ao coronavírus do setor. Ele entrou com pedido de proteção federal à falência em março, citando em parte “uma desaceleração da economia global devido a preocupações com o coronavírus”.

No mês passado, a Associação Nacional de Mineração pediu ao Congresso e à Casa Branca US $ 822 milhões em assistência federal, reduzindo ou eliminando royalties, impostos e taxas.

“Se pudermos continuar operando, isso é importante para nós”, disse Deti, do grupo Wyoming.

Até o momento, o Congresso mostrou pouca vontade de ajudar, e nenhum dos pedidos do setor foi incluído na conta de alívio de US $ 2 trilhões de coronavírus. Os analistas duvidam que qualquer ajuda significativa venha.

“Normalmente, quando você pensa em indústrias que o governo protegeu, são grandes e estrategicamente importantes”, disse Benjamin Nelson, diretor de crédito do Moody’s Investors Service. “Então, em um setor em declínio acentuado e secular, acho que há menos incentivo para se envolver”.

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Governo do Reino Unido suspende novos subsídios para parques eólicos em terra

Decisão chega quatro anos depois que ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

Os planos para renovar o apoio à energia eólica em terra foram delineados para os ativistas verdes pelos assessores de políticas no n ° 10. Fotografia: Murdo MacLeod / The Guardian

O Reino Unido abandonou sua oposição ao subsídio de novos parques eólicos em terra, quatro anos depois que os ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

O governo removerá um bloqueio aos projetos eólicos onshore, permitindo que os esquemas concorram por subsídios, juntamente com os desenvolvimentos de energia solar e os projetos eólicos offshore flutuantes, em um novo esquema de leilão anunciado na segunda-feira.

Apenas um novo parque eólico onshore começou sob as políticas atuais do Reino Unido em 2019

A inversão de marcha segue a promessa do governo de reduzir as emissões para praticamente zero até 2050, um feito que seus consultores oficiais de clima acreditam que exigirá que a capacidade de energia eólica em terra do Reino Unido triplique nos próximos 15 anos.

O leilão será realizado em 2021, permitindo que novos projetos de energias renováveis ​​entrem em funcionamento a partir de meados da década de 2020 se eles conseguirem um contrato que garanta um preço pela eletricidade limpa que geram.

Alok Sharma, secretário de Estado de negócios e energia, diz que acabar com a contribuição do Reino Unido para a crise climática “significa tornar o Reino Unido um líder mundial em energia renovável”.

O governo fará isso “de uma maneira que funcione para todos, ouvindo as comunidades locais e dando-lhes voz efetiva nas decisões que os afetam”, disse Sharma.

Os desenvolvedores de parques eólicos precisarão cumprir novas propostas difíceis, com o consentimento da comunidade, para se qualificar para o processo de leilão. Aqueles que desejam construir um parque eólico na Inglaterra também precisarão do consentimento da comunidade local através dos códigos de planejamento existentes.

Alethea Warrington, ativista da organização de mudanças climáticas possível, disse: “Podemos finalmente comemorar a nova fonte de energia mais barata do Reino Unido – a energia eólica em terra – sendo trazida do frio.

“Como nossa fonte mais barata de energia limpa, o vento onshore é extremamente popular entre as pessoas no Reino Unido, que entendem que precisamos usar todas as ferramentas incluídas na caixa para enfrentar a crise climática”.

As políticas de energia existentes levaram a um declínio acentuado no número de novos parques eólicos em terra desde que o bloqueio contra parques eólicos em terra foi implantado por David Cameron em 2016.

A implantação de novos projetos eólicos em terra caiu para o nível mais baixo desde 2011 no ano passado, alertando que o Reino Unido arriscou perder seus objetivos climáticos.

O executivo-chefe da Scottish Power, Keith Anderson, disse que a decisão de apoiar a energia eólica em terra foi “um dos primeiros sinais claros de que o governo realmente quer dizer negócios” para atingir suas metas climáticas.

“O vento em terra é uma ferramenta crucial para combater as mudanças climáticas – é barato, é limpo e é rápido de construir. Como desenvolvedor responsável, trabalhamos duro para garantir o apoio das comunidades locais.”

O Guardian revelou no final do ano passado que a Scottish Power havia iniciado planos para uma grande expansão de projetos de parques eólicos em terra, totalizando 3GW de nova capacidade em toda a Escócia, em antecipação a uma inversão de marcha do governo no apoio a projetos de energia eólica.

Hugh McNeal, executivo-chefe da Renewable UK, disse que a mudança ajudaria a acelerar a transição do Reino Unido para uma economia líquida zero e proporcionaria um “enorme impulso para empregos e investimentos nas economias locais em todo o Reino Unido”.

“O apoio a fontes renováveis ​​baratas é um exemplo claro da ação prática para combater as mudanças climáticas que o público exige”, afirmou.

Chernobil: incêndios próxios aos reatores que explodiram podem atingir depósitos radiotivos

O fogo está principalmente localizado na zona de exclusão do desastre nuclear na atual Ucrania.

Foto: Reuters

Os incidentes que atingem a zona de exclusão da catástrofe nuclear de Chernobbil podem ser encontrados a 2 km dos depósitos de resíduos radioativos, como informou Yaroslav Emeliánenko, o membro do conselho público da Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão.

“O fogo permitiu que você seguisse os quilômetros de depósitos Pidlisny, onde guardava os resíduos mais radiativos de toda a zona de Chernobbil”, Emeliánenko afirma em rede no Facebook.

Os incendios florestais na zona de exclusão da usina nuclear de Chernóbil, no norte da Ucrânia, começaram no dia 4 de abril.

A Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão, informou no domingo passado, que “é perigoso porque durante a combustão, haverá liberarção na atmosfera de resíduos radioativos que permanecem na vegetação e na cobertura superficial do solo, e são transportados a distancias consideráveis”

Sem embargo, no dia 6 de abril, no epicentro do incidente, é registrado um nível de radioatividade 16 vezes mais alto do que o normal.

As autoridades detectaram na semana passada o lugar em um povoado onde pode ter começado o incendio.