Brasil patina no plano para vacina contra covid-19

Não foi surpresa, mas um constrangimento.

Apenas um dia depois do segundo turno das eleições municipais e dos discursos de Bruno Covas (PSDB) de que a pandemia era estável na cidade, o governador de São Paulo, João Doria, recuou no plano de retomada das atividades econômicas e sociais e determinou que todo o Estado retorne para a fase amarela de contenção contra a covid-19, incluindo a capital. A decisão de impor mais restrições é motivada pela piora nos indicadores do novo coronavírus no Estado, com a elevação de 12% nos óbitos e de 7% nas internações.

Enquanto mais cidades brasileiras se preparam para a segunda onda da covid-19, as esperanças se voltam para a vacina. Nesta segunda, o laboratório Moderna pediu autorização para vender a sua, após anunciar a eficácia de 100% contra a covid-19 grave. O problema é que o Brasil pode perder mais esse bonde. Reportagem de Beatriz Jucá mostra como o país está atrasado na formulação de uma estratégia de imunização nacional. Nesta terça-feira está prevista uma reunião para discutir uma primeira versão de um plano de vacinação para a covid-19. “O Ministério da Saúde está devendo esse planejamento. Espero que estejam planejando e só não tenham comunicado ainda à população. Pensar que não há um plano é desastroso”, afirma a microbiologista Natalia Pasternak.

Um dia após o desfecho nas urnas das eleições municipais, o mundo político faz seu balanço eleitoral de olho em 2022. Ao EL PAÍS o cientista político Fernando Abrucio diz que a pandemia “pegou Jair Bolsonaro de calças curtas” e evidenciou a necessidade de pautas concretas como emprego, saúde e educação, muito além dos discursos sobre costumes, que são a base do bolsonarismo, ou da aposta na polarização política.

“É uma onda muito forte essa. À direita e à esquerda, quem quiser ir bem nas eleições vai ter que modular o discurso e as ações de acordo com essa conjuntura toda que é uma novidade”, disse ele, que se fia na análise de entrevistas em profundidade feitas com eleitores. Também nesta edição, reportagem analisa o encolhimento do PT nas urnas, o pior desempenho desde a democratização.

Em São Paulo, o Beco do Batman, ponto turístico da Vila Madalena famoso por seus grafites coloridos, foi tingido de preto para protestar contra o assassinato do artista NegoVila no último sábado no bairro. O artista negro foi morto a tiros por um policial à paisana, que está preso. Artistas como OsGêmeos e Lino & Guru também prestaram suas homenagens.

Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista

Folha, Globo e Estadão querem te convencer de que os ex-bolsonaristas Moro e Huck são ‘de centro’

Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil; Getty Images

Pelos próximos dois anos, a grande imprensa irá martelar que Moro-Huck e Doria-Mandetta são as únicas opções para unir o Brasil. Não chega a ser um estelionato novo.

Um novo embuste eleitoralestá sendo armado no Brasil. Luciano Huck e Sergio Moro estão articulando uma chapa para concorrer à presidência em 2022. A ideia é formar uma candidatura que seja anti-bolsonarista e anti-petista para vendê-la como uma opção moderada de centro. Moro citou também Mandetta e Doria como nomes de centro que poderiam integrar a frente.

Direitistas se vendendo como centristas não chega a ser um estelionato eleitoral novo, pelo contrário. Até a chegada do bolsonarismo, a direita tinha vergonha de se assumir. Direitistas eram liderados pelo PSDB, um partido de origem centro-esquerdista que migrou para a centro-direita, mas nunca se assumiu como tal. Essa vergonha era algo natural depois que a direita ficou marcada pelos anos de ditadura militar. Bolsonaro, que era voz única na defesa do regime militar, ajudou a resgatar o orgulho direitista. Mas, após a tragédia implantada pelo bolsonarismo no Planalto, parece que a vergonha começa a voltar – para alguns.

A grande imprensa brasileira ajudou a forjar o engodo, comprando exatamente o que Moro disse na ocasião. Noticiou o nascimento de uma terceira via moderada, como se dois dissidentes do bolsonarismo, que até ontem surfavam a onda do radicalismo, pudessem liderar um projeto moderado de centro. Criou-se, assim, um consenso no noticiário de que eles são o que realmente dizem que são. É o jornalismo declaratório e acrítico, que se limita a reproduzir as falas de políticos, mesmo as mais absurdas.

Algumas manchetes mentirosas passaram a circular na praça: “Moro, Huck e o caminho do centro contra Bolsonaro e o PT em 2022” ou “Moro Huck, Doria Mandetta: centro se articula para 22″, entre outras tantas.

Fabio Zanini, da Folha de São Paulo, escreveu que Huck e Moro são “dois dos principais nomes do centro no espectro ideológico na política”.

O que são essas frases senão a mais pura e cristalina definição de fake news? Como é que ex-apoiadores do bolsonarismo podem ser considerados de centro? Moro, Huck, Doria e Mandetta romperam com o bolsonarismo não por questões ideológicas, mas por conflitos de interesses. Entre um professor progressista e um apologista da tortura e da ditadura militar, todos eles, sem exceção, optaram pelo apologista da tortura e da ditadura militar. De repente, toda essa gente virou moderada de centro? Uma ova.

Mas como é possível enganar a população assim de maneira tão descarada? Bom, os jornais gastaram muita tinta nos últimos anos pintando Lula e Bolsonaro como dois radicais, como dois lados de uma mesma moeda. Choveram editoriais equiparando os dois nesses termos. O ex-presidente é notoriamente um homem de centro-esquerda, que liderou por oito anos um governo de coalizão que abrigava até mesmo partidos de direita. Portanto, pintá-lo como o equivalente de Bolsonaro dentro do espectro de esquerda é uma mentira grosseira. Diante desse cenário forjado, artificialmente polarizado por dois extremistas que já estiveram no poder, fica mais fácil vender a ideia de que a única saída é pelo centro. Ainda mais quando esse centro é representado por um apresentador da Globo e um ex-juiz que é o herói da imprensa lavajatista.

A única participação de Moro na política partidária foi integrando um dos principais ministérios de um governo de extrema direita. O tal centrismo de Moro fica ainda mais ridículo quando ele sugere que general Hamilton Mourão, outro defensor da ditadura militar e do torturador Ustra, é também um homem de centro apto a fazer parte da sua articulação.

Sergio Moro não abandonou o bolsonarismo por divergências ideológicas. Não rompeu porque suas ideias centristas colidiram com o radicalismo. Ele pulou fora porque Bolsonaro interveio no seu trabalho, que até então era elogiadíssimo pelos extremistas de direita. Não há nenhuma razão objetiva que justifique enquadrá-lo no centro a não ser os desejos da ala lavajatista da grande imprensa, que ainda é hegemônica. É uma bizarrice conceitual que lembra a pecha de “comunista” que Moro ganhou das redes bolsonaristas após sua saída do governo. É a ciência política aplicada no modo freestyle.

Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista.

Doria e Mandetta até pouco tempo atrás apoiavam o bolsonarismo. São homens de direita que toparam o radicalismo de Bolsonaro sem nenhum problema. São direitistas que estão mais próximos da extrema-direita do que do centro. E Luciano Huck? Bom, a sua trajetória não deixa dúvidas de que é um homem de direita (escrevi a respeito no ano passado). O seu voto em Bolsonaro deixou claro que ele é capaz de apoiar a extrema direita para evitar alguém de centro-esquerda.

A ideia de que Huck poderia ser presidente nasceu na cabeça de Paulo Guedes, o economista que colaborou com o regime sanguinário de Pinochet e que foi — e ainda é — o fiador da extrema direita no Brasil. O apresentador da Globo foi cabo eleitoral do seu amigo Aécio Neves e já exaltou o Bope nas redes sociais. É um histórico incompatível com a aura de centrista moderado que ganhou da grande imprensa.

Apesar de algumas pinceladas progressistas em questões envolvendo o meio ambiente, por exemplo, Huck também está mais próximo da extrema direita do que do centro. A Folha de S. Paulo tem dado enorme contribuição para a consolidação dessa imagem de centrista moderado, já que frequentemente oferece espaço para que este condenado por crime ambiental possa escrever em defesa do….meio ambiente.

O fato é que o centro na política brasileira é uma ficção. Ele é a direita que se pretende moderada, mas que topa apoiar um candidato fascistoide se o seu adversário for um homem com perfil moderado de centro-esquerda. A grande imprensa está tratando esse oportunismo como uma alternativa para o país que chegará em 2022 arrasado pelo bolsonarismo. Durante as últimas eleições, a Folha emitiu um comunicado interno exigindo que seus jornalistas não classificassem Bolsonaro como alguém de extrema direita. Isso significa que a direção do jornal não quis contar a verdade para o eleitor. Tudo indica que esse ilusionismo continuará com a fabricação dessa chapa centrista e moderada formada por legítimos direitistas que suportaram um projeto neofascista.

As chances dessa terceira via fake não vingar são grandes. As pretensões dos envolvidos são grandes demais. Moro, Huck ou Doria aceitariam ser o vice dessa chapa? Difícil, mas a tática direitista de se camuflar de centro deverá ser aplicada, mesmo que com outros personagens.
Blog do João Filho

Trump admitie vitória de Biden, mas segue narrativa de fraudes eleitoral

“Ele [Biden] venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump em sua conta no Twitter neste domingo (15).

“Ele venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump, ao apontar arbitrariedades no processo eleitoral, sem apresentar provas.

O republicano Donald Trump pela primeira vez reconheceu a vitória de Joe Biden, mas segue a narrativa de fraudes que, segundo ele, beneficiou o democrata. Apesar da insistência de Trump, o reúblicano não apresenta provas concretas das ações ilícitas no pleito eleitoral.

Segundo Trump, “todas as ‘falhas’ mecânicas que aconteceram na noite da eleição foram na verdade ELES [democratas] sendo pegos tentando roubar votos”.

Sem luz, Macapá tem eleição adiada

Atingida por apagão, cidade ainda não teve fornecimento de energia totalmente restabelecido. Justiça decide adiar votação, por dificuldades em garantir a segurança do pleito.

Incêndio na principal subestação de energia do estado atingiu transformadores, e não havia peças de reposição.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, atendeu na madrugada desta quinta-feira (12/11) um pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) e decidiu pelo adiamento das eleições para prefeito e vereador na capital Macapá. Nos outros municípios do estado, a votação ocorrerá normalmente no próximo domingo. A decisão para Macapá vale para o primeiro e segundo turnos.

No início do mês, o estado passou a enfrentar graves problemas no abastecimento de energia após um incêndio numa subestação de Macapá. O apagão atingiu 13 das 16 cidades do estado, afetando mais de 700 mil pessoas. Inicialmente, a região ficou mais de três dias sem energia. Aos poucos, o fornecimento foi sendo restabelecido, mas ainda vigora um rodízio.

Pela decisão de Barroso, o adiamento do pleito em Macapá vai vigorar até que sejam restabelecidas “as condições materiais e técnicas para a realização do pleito, com segurança da população”. A nova data para realização do pleito em Macapá deverá ser fixada em interlocução entre o TRE e o TSE.

Em sua decisão, o presidente do TSE destacou que o relato do presidente do TRE-AP “retrata situação que permite concluir que, na capital, Macapá, não há segurança adequada para a realização das eleições”.

Segundo o ministro, informações de outros órgãos, como Polícia Federal, mostraram “consenso acerca dos riscos da realização das eleições neste domingo”.

“Fatos extraordinários e imprevisíveis tornaram inviável a realização de eleições em Macapá, já que ainda não foi restabelecido o regular fornecimento de eletricidade no município e o efetivo da Polícia Militar não se mostra suficiente para garantir a segurança dos eleitores. Nesse contexto, não é legítimo exigir que a população de Macapá seja submetida ao sacrifício extremo de ser obrigada a comparecer às urnas em situação de calamidade pública, reconhecida por decreto municipal, e, ainda, de risco à segurança”, aponta a decisão.

No pedido apresentado ao TSE no início da noite desta quarta, o presidente do TRE-AP, Rommel Araújo, afirmou que se reuniu com representantes da área de inteligência da Abin, Exército Brasileiro e da Polícia Rodoviária Federal, que relataram, em razão do retorno gradual da energia, “ações de vandalismo, algumas delas dirigidas e coordenadas por membros de facções criminosas”.

Além disso, segundo Barroso, “parte da população, que sofre com o desabastecimento de água e falta de energia elétrica, está sendo incitada à realização de queima de pneus em via pública, bem como a depredarem o patrimônio público”. Ele destacou ainda a previsão de “várias manifestações (…) sendo convocadas para demonstração de desagrado em frente aos locais de votação, o que colocaria em risco os eleitores da Capital”.

O presidente do TRE-AP ainda havia destacado que o efetivo da Policia Militar estava reduzido por conta de policiais que testaram positivo para a Covid-19.

Nas demais cidades do Amapá, apontou Barroso, “a situação de segurança do eleitor poderá ser mantida sob controle, com o aparato de segurança atualmente disponível”.

Na quarta-feira, a Polícia Civil do Amapá descartou que um raio tenha causado o incêndio na subestação de Macapá. Um laudo prelimitar apontou que as chamas começaram após uma peça de um transformadores superaquecer.

JPS/tse/ots

Sergio Moro teve almoço secreto com Luciano Huck dias após prender Lula em 2018

Revelação da Folha de S.Paulo diz que o ex-juiz e ex-ministro bolsonarista Sergio Moro e o apresentador global Luciano Huck almoçaram juntos em 30 de outubro passado na varanda do duplex de Moro no Bacacheri, bucólico bairro de classe média de Curitiba

Encontro sigiloso ocorreu a três dias da data final para que apresentador decidisse ser candidato a presidente.

Mas a relação íntima entre ambos é bem mais antiga. Vem, ao menos, desde abril de 2018. Huck e Moro tiveram um outro convescote privado há dois anos e meio, revelou numa breve nota o repórter Roberto José da Silva, o Zé Beto, ex-correspondente da revista Placar (em seus anos áureos) em Curitiba e atualmente titular de um blog sobre política local em Curitiba.

Eu fui atrás de mais detalhes e procurei Moro e Huck. O ex-ministro bolsonarista confirmou o almoço; o global preferiu não fazer comentários, mas não se atreveu a negar o encontro que se deu numa sexta-feira, 27 de abril de 2018. Naquela manhã, o apresentador tinha gravações de um quadro de seu programa de televisão em Colombo, região metropolitana de Curitiba.

Aproveitou para pedir uma conversa privada com Moro. A pedido de Huck, foi agendada mesa numa sala reservada, longe da vista dos demais comensais, no Vindouro, um misto de loja de vinhos finos e bistrô elegante que ocupa uma casa discreta no Juvevê, bairro de classe média alta da capital.

O local não foi escolhido por acaso. O Vindouro tem salas privativas e está localizado a pouco menos de 1,5 quilômetro de distância da sede da Justiça Federal em Curitiba. Àquela época, Moro era juiz da Lava Jato.

A provinciana cidade fervia com a recente chegada do preso mais ilustre de sua história: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 5 de abril, 22 minutos após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região autorizar a execução provisória da pena de Lula, Moro mandou prendê-lo. O petista se entregou na noite de 7 de abril. Vinte dias depois, Huck e Moro estavam frente à frente no Vindouro.

Sobre a mesa, um lombo de bacalhau escoltado por batatas ao murro. A mim, Moro jurou que o almoço foi um pedido de Huck e “encontro meramente social”. Mas, a menos que Huck estivesse curioso para saber quais as favoritas do magistrado na discografia do Capital Inicial ou segredar-lhe os últimos bafos do Projac, é difícil acreditar. Por um motivo: faltavam três dias para que Huck se confrontasse com o Dia D de sua candidatura presidencial.

É claro, portanto, que o prato principal foi a conjuntura político-eleitoral, de que Moro era ator principal. O apresentador ensaiava disputar o Planalto desde o início de 2017. Foi encorajado por figuras como Fernando Henrique Cardoso e o economista Armínio Fraga. Mas, num artigo em que se comparou ao Ulisses, da “Odisséia” de Homero, recuou – os vultosos contratos dele e da esposa, Angélica, com a Globo, falaram mais alto.

Só que a condenação de Lula na segunda instância em fins de janeiro recolocou o nome de Huck na mira de dirigentes partidários. Cabe lembrar que na sentença os juízes não divergiram sequer sobre a duração da pena a ser aplicada, eliminando um possível recurso do petista e, na prática, tirando-o da disputa presidencial devido à lei da ficha limpa. Em fevereiro, o apresentador voltou a negar a disposição de concorrer, mas a decisão estava longe de ser definitiva. Só seria no fim da noite de 30 de abril, última data do calendário eleitoral para que pré-candidatos se filiem às legendas pelas quais pretendem figurar nas urnas.

O almoço no Vindouro se deu no último dia útil antes do 30 de abril. A sexta-feira tornava a data estratégica: seja lá o que ouvisse do (e confidenciasse e prometesse ao) então juiz, Huck teria o fim de semana para ruminar a respeito em casa com a família e, caso assim decidisse, a segunda-feira para se filiar a algum partido e anunciar a candidatura. Tudo a tempo de causar uma reviravolta na eleição que alçou a extrema direita ao poder no Brasil.

Refestelados após o bacalhau e a conversa, Moro e Huck ainda tiveram tempo para ouvir pedidos de fotos de funcionários do restaurante. O juiz, que à época fingia não agir sempre com um olho na política, preferiu se manter oculto, mas o apresentador não se fez de rogado. A foto de uma das funcionárias com Huck (que enverga o mesmo casaco corta-vento e a camiseta clara da selfie que tirou em Colombo) está no site da casa.

Não deixa de ser curioso que Moro tenha se recusado a deixar surgirem provas do “encontro meramente social” com Huck. Há quem ache que Moro merece o benefício da dúvida. A esses, lembro que até os fãs de carteirinha Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon já acharam difícil acreditar no ex-juiz.

Como se sabe, Huck não mudou de ideia sobre concorrer à Presidência em 2018. Moro, se ficou desapontado com o apresentador, não precisou esperar muito para alçar voo rumo a Brasília. Aceitou o convite para ser ministro de Jair Bolsonaro em 1º de novembro, exatos 30 dias após levantar o sigilo da controversa delação de Antonio Palocci às portas do primeiro turno da eleição.

Huck também cerrou fileiras com Bolsonaro. Afirmou ver no ex-militar de extrema direita alguém capaz de ressignificar a política no Brasil. Um dos braços direitos da natimorta campanha do global foi parar no governo – o ministro da Economia Paulo Guedes.

Se Guedes ainda se sustenta no governo mesmo sem entregar nada do que promete, Moro e Huck, traídos pelo capitão, voltaram à mesa em 2020 e, entre uma garfada e outra, tentam se reembalar como centristas. Um centro algo terraplanista, em que há espaço até para o vice-presidente Hamilton Mourão, de verve golpista e fã confesso do torturador condenado Brilhante Ustra. Numa descrição mais precisa, trata-se mesmo de uma extrema direita refinada, que arrota vinhos caros e gosta de exibir à mesa guardanapos de pano presos com elásticos dourados.

Mas o almoço de 2018 não deixa de ser mais uma evidência de que Huck aventou sua candidatura presidencial em 2018 até a última hora – ou seja, de que a decisão de ficar no Caldeirão lhe foi custosa. E de que Moro já fazia política muito antes de despir a toga, curvar a espinha e se tornar cão de guarda de Bolsonaro.

Curiosidade: o Vindouro pertence à esposa de um político tucano que à época já estava na mira da Lava Jato – seria preso ainda em 2018. Na resposta que me enviou, o ex-juiz e ex-ministro afirma que “não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do estabelecimento, que depois foi preso pela Lava Jato por ordem do próprio magistrado”.

Sem prova alguma, Bolsonaro volta a dizer que sistema eleitoral é “passível de fraudes”

O presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar o sistema eleitoral brasileiro em xeque.

Em evento do governo sobre o setor de turismo, o chefe do Executivo disse que o sistema é “passível de fraudes”. Na semana passada, Bolsonaro defendeu a volta do voto impresso em 2022.

“Não temos sistema sólido de votação no Brasil, que é passível de fraude sim, que tudo pode mudar no futuro com fraude. Eu entendo que só me elegi como presidente porque tive muito voto e não gastei nada não. Foram R$ 2 milhões arrecadados por vaquinha”, disse.

PROVAS – Em março deste ano, Bolsonaro chegou a afirmar que tinha provas de que teria vencido as eleições presidenciais no primeiro turno em 2018. Desde então, contudo, não apresentou evidências disso. Nesta terça, em desabafo e sem entrar em detalhes, Bolsonaro afirmou que, durante a pandemia da covid-19, foi impedido de tomar certas decisões que como chefe de Estado eleito deveria ter feito.

“O que faltou para nós não foi um líder, faltou deixar o líder trabalhar, eu fui eleito para isso. Imagina se tivesse o (Fernando) Haddad no meu lugar. Ou tivesse o governador de São Paulo (João Doria) no meu lugar. Como é que estaria o Brasil? Que desgraça estaria esse País, semelhante aqui ao sul na Argentina onde fecharam tudo”, afirmou.

RIVALIDADE – Em referência à situação econômica da Argentina, o presidente disse que cidadãos do país vizinho têm se refugiado no Uruguai e até no Rio Grande do Sul. “Será que o Rio Grande do Sul vai se transformar em uma Roraima? Da Venezuela para Roraima, da Argentina para o Brasil. Nós não queremos isso. Rivalidade com a Argentina apenas futebol, nada mais além disso”, declarou.

Para uma plateia de empreendedores, Bolsonaro também disse no discurso que é preciso buscar solução e ter “coragem” para a retomada. Neste contexto, afirmou que o “parlamento também tem culpa” e reforçou suas críticas à esquerda. “Eu sei como funciona parlamento, ali tem uma corrente forte de esquerda, corrente do atraso, corrente para dividir o que é dos outros e não o deles.”

Jill Biden: De professora a primeira-dama dos EUA

Jill Biden: Joe vai “manter a promessa da América”

Em uma sala de aula vazia onde ensinou inglês na década de 1990, Jill Biden fez um discurso na convenção do Partido Democrata depois que seu marido foi oficialmente nomeado candidato presidencial.

Depois de defender a eleição de Joe Biden, seu marido se juntou a ela, que elogiou suas qualidades como uma potencial primeira-dama.

“Para todos vocês lá fora, em todo o país, basta pensar em seu educador favorito que lhes deu a confiança para acreditar em si mesmos. Esse é o tipo de primeira-dama … Jill Biden será”, disse ele.

Mas o que sabemos sobre a mulher que em breve se juntará ao marido na Casa Branca?

Ela disse que Joe a pediu em casamento cinco vezes antes de ela aceitar.

“Eu não poderia permitir que eles [os filhos de Joe] perdessem outra mãe. Portanto, eu precisava ter 100% de certeza”, explicou ela.

O casal se casou na cidade de Nova York em 1977. A filha deles, Ashley, nasceu em 1981.

A Sra. Biden falou sobre sua família e as dificuldades que eles enfrentaram quando endossou o marido para presidente na convenção.

Beau Biden morreu de câncer no cérebro em maio de 2015, aos 46 anos.

“Eu sei que se confiarmos esta nação a Joe, ele fará por sua família o que fez pela nossa – nos unir e nos tornar inteiros, nos levar adiante em nossos tempos de necessidade, manter a promessa da América para todos nós ,” ela disse.

Carreira docente

A Sra. Biden, 69, passou décadas trabalhando como professora.

Além do bacharelado, ela tem dois mestrados e um doutorado em educação pela University of Delaware em 2007.

Antes de se mudar para Washington, DC, ela lecionou em uma faculdade comunitária, em uma escola pública de ensino médio e em um hospital psiquiátrico para adolescentes – ela deu seu discurso na convenção do Partido Democrata este ano em sua antiga sala de aula na Brandywine High School de Delaware, onde ela ensinou inglês de 1991 a 1993.

Enquanto o marido era vice-presidente, a Sra. Biden era professora de inglês no Northern Virginia Community College.

“Ensinar não é o que eu faço. É quem eu sou”, ela tuitou em agosto.

Política

A Jill Biden já ocupou o título de Segunda-Dama enquanto seu marido atuou como vice-presidente de 2009 a 2017.

Durante esse período, seu trabalho incluiu a promoção de faculdades comunitárias, a defesa de famílias de militares e a conscientização sobre a prevenção do câncer de mama.

Ela também lançou a iniciativa Juntando Forças com a primeira-dama Michelle Obama, que incluiu ajudar veteranos militares e suas famílias a acessar programas de educação e recursos de emprego.

Em 2012, ela publicou um livro infantil chamado Don’t Forget, God Bless Our Troops, baseado na experiência de sua neta em uma família de militares.

Ela tem sido uma apoiadora proeminente de seu marido durante a campanha de 2020, aparecendo ao lado dele e realizando eventos e arrecadação de fundos.

Trump X Biden. Batalha de bananeiros

O resultado, que está nas mãos de Estados como Geórgia, Nevada e Carolina do Norte, já sofre ataques de Trump, que lançou uma ofensiva judicial para deter o democrata, agitando o fantasma de fraude e deslegitimando o sistema eleitoral norte-americano, como conta a correspondente Amanda Mars. Em editorial, o EL PAÍS alerta: “na apuração nos EUA está em jogo não apenas a afirmação de um projeto político, mas a unidade e estabilidade da sociedade“.

O professor da FGV Oliver Stuenkel, diz sobre os primeiros resultados das eleições nos Estados Unidos. “O trumpismo é um fenômeno que vai se manter, inclusive com reflexos no Brasil”, avalia Stuenkel. Nesta quinta, o entrevistado é o cientista político Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group. A conversa, que será transmitida ao vivo a partir das 15h no site, no Facebook e no canal do YouTube do EL PAÍS, tem como tema principal a influência do desfecho das eleições norte-americanas no cenário político-econômico brasileiro.

Mais distante das eleições dos EUA, de Roma, o jornalista Daniel Verdú conta sobre as novas restrições estabelecidas pelo Governo italiano para conter a segunda onda da pandemia de coronavírus que atinge o país. As medidas foram impostas em função da gravidade da situação em cada região, para preservar ao máximo a economia.

Na Argentina, a economia também é motivo de preocupação para a população, que olha para o futuro com poucas esperanças. Mar Centenera e Federico Rivas Molina explicam, diretamente de Buenos Aires, que o país, que já passava por uma severa recessão econômica, registrou um colapso trimestral recorde em seu PIB, com queda de 19,1%, além do aumento de quase cinco pontos percentuais no número de pobres. “A situação e

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Por que Trump não pode se dar ao luxo de perder

O presidente sobreviveu a um impeachment, vinte e seis acusações de má conduta sexual e cerca de quatro mil processos judiciais. Essa corrida de boa sorte pode muito bem terminar, talvez brutalmente, se Joe Biden vencer.

O presidente estava desanimado. Sentindo que o tempo estava se esgotando, ele pediu a seus assessores que elaborassem uma lista de suas opções políticas. Ele não era especialmente religioso, mas, conforme a luz do dia desaparecia do lado de fora da Casa Branca que se esvaziava rapidamente, ele caiu de joelhos e orou em voz alta, soluçando enquanto batia com o punho no tapete. “O que eu fiz?” ele disse. “O que aconteceu?” Quando o presidente observou que os militares poderiam facilitar as coisas para ele, deixando uma pistola na gaveta de uma mesa, o chefe de gabinete chamou os médicos do presidente e ordenou que lhe fossem retirados todos os comprimidos para dormir e tranquilizantes, para garantir que não o faria Não tenho meios para se matar.

A queda de Richard Nixon, no verão de 1974, foi, como Bob Woodward e Carl Bernstein relatam em “The Final Days”, uma das mais dramáticas da história americana. Naquele mês de agosto, o escândalo de Watergate forçou Nixon – que havia sido encurralado por gravações autoincriminatórias da Casa Branca e enfrentou impeachment e destituição do cargo – a renunciar. Vinte e nove indivíduos intimamente ligados à sua administração foram posteriormente indiciados, e vários de seus principais assessores e assessores, incluindo seu procurador-geral, John Mitchell, foram para a prisão. O próprio Nixon, no entanto, escapou da acusação porque seu sucessor, Gerald Ford, concedeu-lhe o perdão, em setembro de 1974.

O presidente estava desanimado. Sentindo que o tempo estava se esgotando, ele pediu a seus assessores que elaborassem uma lista de suas opções políticas. Ele não era especialmente religioso, mas, conforme a luz do dia desaparecia do lado de fora da Casa Branca que se esvaziava rapidamente, ele caiu de joelhos e orou em voz alta, soluçando enquanto batia com o punho no tapete. “O que eu fiz?” ele disse. “O que aconteceu?” Quando o presidente observou que os militares poderiam facilitar as coisas para ele, deixando uma pistola na gaveta de uma mesa, o chefe de gabinete chamou os médicos do presidente e ordenou que lhe fossem retirados todos os comprimidos para dormir e tranquilizantes, para garantir que não o faria Não tenho meios para se matar.

A queda de Richard Nixon, no verão de 1974, foi, como Bob Woodward e Carl Bernstein relatam em “The Final Days”, uma das mais dramáticas da história americana. Naquele mês de agosto, o escândalo de Watergate forçou Nixon – que havia sido encurralado por gravações autoincriminatórias da Casa Branca e enfrentou impeachment e destituição do cargo – a renunciar. Vinte e nove indivíduos intimamente ligados à sua administração foram posteriormente indiciados, e vários de seus principais assessores e assessores, incluindo seu procurador-geral, John Mitchell, foram para a prisão. O próprio Nixon, no entanto, escapou da acusação porque seu sucessor, Gerald Ford, concedeu-lhe o perdão, em setembro de 1974.

Nenhum presidente americano jamais foi acusado de um crime. Mas, enquanto Donald Trump luta para manter a Casa Branca, ele e aqueles ao seu redor certamente sabem que se ele perder – um resultado com o qual ninguém deveria contar – a presunção de imunidade que acompanha a Presidência desaparecerá. Dado que mais de uma dúzia de investigações e processos civis envolvendo Trump estão em andamento, ele pode estar diante de um fim de jogo ainda mais perigoso do que aquele enfrentado por Nixon. O historiador presidencial Michael Beschloss disse de Trump: “Se ele perder, você terá uma situação que não é diferente da de Nixon quando ele renunciou. Nixon falou da porta da cela fechando-se com estrépito. ” Trump sobreviveu a um impeachment, dois divórcios, seis falências, vinte e seis acusações de má conduta sexual e cerca de quatro mil ações judiciais. Poucas pessoas escaparam das consequências com mais astúcia. Essa corrida de boa sorte pode muito bem terminar, talvez brutalmente, se ele perder para Joe Biden. Mesmo se Trump vencer, graves ameaças jurídicas e financeiras surgirão em seu segundo mandato.

Duas das investigações sobre Trump estão sendo conduzidas por poderosos agentes da lei estaduais e municipais em Nova York. Cyrus Vance, Jr., o promotor distrital de Manhattan, e Letitia James, a procuradora-geral de Nova York, estão perseguindo de forma independente possíveis acusações criminais relacionadas às práticas comerciais de Trump antes de ele se tornar presidente. Como suas jurisdições estão fora da esfera federal, quaisquer acusações ou condenações resultantes de suas ações estariam fora do alcance de um perdão presidencial. As despesas legais de Trump por si só são provavelmente assustadoras. (Na época em que Bill Clinton deixou a Casa Branca, ele acumulou mais de dez milhões de dólares em honorários advocatícios.) E as finanças de Trump já estão sob pressão crescente. Durante os próximos quatro anos, de acordo com uma impressionante reportagem recente do Times, Trump – seja ele refletido ou não – deve cumprir prazos de pagamento de mais de trezentos milhões de dólares em empréstimos que ele pessoalmente garantiu; grande parte dessa dívida é devida a credores estrangeiros como o Deutsche Bank. A menos que ele possa refinanciar com os credores, ele estará no gancho. O Financial Times, por sua vez, estima que, ao todo, cerca de novecentos milhões de dólares da dívida imobiliária de Trump vencerá nos próximos quatro anos. Ao mesmo tempo, ele está em uma disputa com a Receita Federal sobre uma dedução que ele reivindicou em seus formulários de imposto de renda; uma decisão adversa poderia custar-lhe cem milhões de dólares adicionais. Para pagar essas dívidas, o presidente, cujo patrimônio líquido é estimado pela Forbes em dois bilhões e meio de dólares, poderia vender alguns de seus ativos imobiliários mais valiosos – ou, como fez no passado, encontrar maneiras de endurecer seus credores. Mas, de acordo com uma análise do Washington Post, as propriedades de Trump – especialmente seus hotéis e resorts – foram duramente atingidas pela pandemia e as consequências de sua carreira política divisionista. “É o gabinete da presidência que o mantém longe da prisão e dos pobres”, disse-me Timothy Snyder, professor de história em Yale que estuda autoritarismo.

A Casa Branca se recusou a responder a perguntas para este artigo, e se Trump fez planos para uma vida pós-presidencial, ele não os compartilhou abertamente. Um amigo de negócios dele de Nova York disse: “Você não pode abordar isso com ele. Ele ficaria furioso com a sugestão de que poderia perder. ” Em tempos melhores, Trump se divertiu em ser presidente. No inverno passado, um secretário do Gabinete me disse que Trump havia confidenciado que não conseguia se imaginar voltando à sua vida anterior como incorporador imobiliário. Como lembrou o secretário do Gabinete, os dois homens estavam deslizando em uma carreata, cercados por uma multidão de simpatizantes, quando Trump comentou: “Não é incrível? Depois disso, eu nunca poderia voltar a encomendar janelas. Seria muito chato. ”

Ao longo da campanha de 2020, os números das pesquisas nacionais de Trump ficaram atrás dos de Biden, e duas fontes que falaram com o presidente no mês passado o descreveram como de mau humor. Ele insistiu com irritação que ganhou os dois debates presidenciais, contrariando até mesmo a avaliação de sua própria família sobre o primeiro. E ele se enfureceu não apenas com as pesquisas e a mídia, mas também com algumas pessoas responsáveis ​​por sua campanha de reeleição, culpando-os por desperdiçar dinheiro e permitindo que a equipe de Biden tivesse uma vantagem financeira significativa. O mau humor de Trump ficou visível em 20 de outubro, quando ele interrompeu uma entrevista de “60 minutos” com Lesley Stahl. Um observador de longa data que passou um tempo com ele recentemente me disse que nunca tinha visto Trump tão zangado.

A sobrinha do presidente, Mary Trump, psicóloga e autora das memórias “Too Much and Never Enough”, disse-me que sua fúria “fala ao seu desespero”, acrescentando: “Ele sabe que se não conseguir permanecer no cargo, ele está com sérios problemas. Acredito que ele será processado, porque parece quase inegável o quão extensa e longa é sua criminalidade. Se não acontece em nível federal, tem que acontecer em nível estadual. ” Ela descreveu o “dano narcísico” que Trump sofrerá se for rejeitado nas urnas. Dentro da família Trump, ela disse, “perder era uma sentença de morte – literal e figurativamente”. Seu pai, Fred Trump Jr., irmão mais velho do presidente, “foi essencialmente destruído” pelo julgamento de seu avô de que Fred não era “um vencedor”. (Fred morreu em 1981, de complicações causadas pelo alcoolismo.) Enquanto a presidente pondera sobre uma possível derrota política, ela acredita que ele é “um garotinho apavorado”.

Barbara Res, cujo novo livro, “Tower of Lies”, se baseia nos dezoito anos que ela passou, intermitentemente, desenvolvendo e gerenciando projetos de construção para Trump, também acha que o presidente não está apenas concorrendo a um segundo mandato – ele está fugindo da lei. “Uma das razões pelas quais ele tem a intenção tão louca de vencer é toda a especulação de que os promotores irão atrás dele”, disse ela. “Seria um espectro muito assustador.” Ela calculou que, se Trump perder, “ele nunca, nunca vai reconhecer isso – ele vai deixar o país.” Res observou que, em um comício recente, Trump refletiu para a multidão sobre a fuga, improvisando: “Você poderia imaginar se eu perder? Eu não vou me sentir tão bem. Talvez eu tenha que deixar o país – eu não sei. ” É questionável o quão realista é essa conversa, mas Res apontou que Trump poderia ir “morar em um de seus edifícios em outro país”, acrescentando: “Ele pode fazer negócios de qualquer lugar”.

Acontece que, em 2016, Trump de fato fez planos para deixar os Estados Unidos logo após a votação. Anthony Scaramucci, o ex-apoiador de Trump que atuou brevemente como diretor de comunicações da Casa Branca, estava com ele horas antes do fechamento das urnas. Scaramucci me disse que Trump e praticamente todos em seu círculo esperavam que Hillary Clinton vencesse. De acordo com Scaramucci, enquanto ele e Trump circulavam pela Trump Tower, Trump perguntou a ele: “O que você vai fazer amanhã?” Quando Scaramucci disse que não tinha planos, Trump confidenciou que havia ordenado que seu avião particular fosse preparado para decolar no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, para que na manhã seguinte pudesse voar para a Escócia, para jogar golfe em seu resort Turnberry. A postura de Trump, Scaramucci me disse, era ignorar a derrota esperada. “Foi, tipo, OK, ele fez isso para a publicidade. E acabou. Ele estava bem. Foi uma perda de tempo e dinheiro, mas siga em frente.
”Scaramucci disse que, se 2016 servir de guia, Trump trataria uma perda para Biden com mais naturalidade do que muitas pessoas esperam: “Ele vai cair mais fácil do que a maioria das pessoas pensa. Nada esmaga esse cara.”

Mary Trump, como Res, suspeita que seu tio está considerando deixar os EUA se perder a eleição (um resultado que ela considera longe de ser garantido). Se Biden ganhar, sugeriu ela, Trump “se descreverá como a melhor coisa que já aconteceu a este país e dirá: ‘Não me merece – vou fazer algo r

Redes Sociais e o fascismo de Trump

Quando o presidente dos Estados Unidos propôs no Twitter a suspensão das eleições de novembro, ele deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de outra forma.

“Com a votação por correspondência universal (não a votação de ausência, o que é bom), 2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história. Será um grande constrangimento para os EUA. Atrase a eleição até que as pessoas possam votar de forma adequada, segura e segura ??? ” Isso é o que o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu em uma mensagem no Twitter em 30 de julho de 2020.

O que significa para o presidente dos Estados Unidos propor a suspensão das eleições de novembro? O tweet de Trump proclama que a próxima eleição será “imprecisa e fraudulenta“. No entanto, na medida em que os americanos têm problemas para votar, eles são culpa do presidente e de seus aliados. Trump está fabricando uma crise: criando um problema, culpando os outros por ele e usando-o para reivindicar o poder.

Metade dos estados americanos aprovou recentemente leis que parecem ter o objetivo de dificultar a votação dos americanos não brancos. Qualquer pessoa que desejasse que os Estados Unidos fosse uma democracia representativa iria reverter isso. Nos últimos meses, mais americanos do que nunca se conscientizaram do racismo que exclui as vozes negras da política. No entanto, longe de buscar uma solução para esse problema, Trump usou os protestos como desculpa para colocar uma nova polícia secreta americana nas ruas.

Quando em 2019 o Congresso aprovou um projeto de lei que teria acabado com esses abusos e facilitado o voto de todos os americanos, ele foi bloqueado pelo Senado, que é controlado pelo partido de Trump, os republicanos.

A maior fonte de imprecisão e fraude na democracia americana é a privação de direitos dos eleitores negros

Uma segunda ameaça às eleições de novembro é a intervenção estrangeira. Aqui, novamente, Trump é a fonte do problema e o tornou pior. Nas eleições de 2016, Trump conscientemente ganhou vantagens com uma campanha russa na Internet destinada a torná-lo eleito. A Rússia divulgou e-mails de seu oponente, Hillary Clinton, e a Rússia influenciou as conversas políticas nas redes sociais. Uma importante cientista política, Kathryn Hall Jamieson, concluiu que eles provavelmente levaram a eleição para Trump. Como sabemos pelo novo livro do historiador David Shimer, Rigged: America, Russia and 100 Years of Covert Electoral Interference, a administração Obama acreditava que a Rússia em 2016 também tinha a capacidade de intervir diretamente na contagem dos votos.

No cargo, Trump negou que nada disso tenha acontecido e puniu aqueles que chamaram a atenção para o curso real dos negócios. Agora sabemos que Trump no cargo continuou a solicitar ajuda de governos estrangeiros para ser reeleito. Ao perdoar seu aliado Roger Stone, que serviu como intermediário entre a campanha de Trump e a Rússia em 2016, Trump enviou um sinal óbvio de que espera se beneficiar da intervenção russa em 2020. O Congresso aprovou um projeto de lei que foi criado para tornar o sistema eleitoral americano mais defensável da Rússia ou qualquer intervenção estrangeira. Isso também foi bloqueado pelo Senado controlado pelos republicanos.

A questão que Trump menciona no tweet, a alta taxa de votação por correspondência, também é resultado de suas próprias ações. É importante notar, entretanto, que não há nada de errado em votar pelo correio. O próprio Trump vota pelo correio, assim como muitos de seus conselheiros mais próximos. Votar em papel é muito mais seguro do que votar digitalmente.

A razão pela qual os americanos desejam votar pelo correio em 2020 é sua própria segurança. O país está no meio de uma pandemia que já matou 150.000 pessoas. A escala do sofrimento, da morte e do medo é resultado das próprias decisões de Trump: contestar a ciência, enviar o sinal de que as pessoas não devem usar máscaras, se opor ao teste sistemático que é uma condição necessária para o tratamento e para impedir a propagação da doença.

Na medida em que o serviço postal dos EUA não pode lidar com a correspondência extra, isso também é claramente culpa de Trump. Ele vem atacando o serviço postal há anos e recentemente nomeou um doador não qualificado como chefe dos correios. O novo postmaster general tomou decisões que parecem destinadas a fazer o serviço postal funcionar mal. Os americanos já notaram que seu correio está atrasado.

Trump deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de alguma outra forma que não seja pela eleição.

Dadas essas contradições, que não são segredo para ninguém, como Trump pretendia que sua mensagem fosse entendida? Trump não é tolo. Ele sabe que tem poucas chances de vencer a eleição em novembro por meios normais. Ao enviar esta mensagem, ele está concedendo a eleição a seu rival democrata Joe Biden e iniciou a busca por outra forma de permanecer no cargo. Seu tweet se destina não àqueles que discordam dele, mas àqueles que estão dispostos a segui-lo para a tirania.

Em seu tweet, Trump deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de alguma outra forma que não seja por eleição. Ele sabe que não tem poder para atrasar as eleições. O que ele busca com este tweet são aliados nos Estados Unidos, ou no exterior, que ajudem a criar uma situação em que uma eleição parece impossível.

O tweet de 30 de julho é, portanto, um ponto de viragem. Antes dessa data, os apoiadores de Trump podiam dizer a si mesmos que estavam envolvidos em uma campanha presidencial normal. Após essa data, os apoiadores de Trump devem enfrentar sua alegação aberta de que a eleição de novembro não contará. Isso levanta a questão de o que significa agora estar do lado do presidente dos Estados Unidos. É claro que significa ser contra a democracia e a favor do autoritarismo.

Qualquer pessoa que apoiar Trump depois de 30 de julho fez uma escolha moral: por uma pessoa e contra a constituição americana. Todos que trabalham para a campanha de Trump, doam dinheiro ou planejam votar nele foram avisados: agora são todos atores de uma charada, mantendo as aparências até novembro, fornecendo cobertura para a ação real, que será em algum lugar outro. Esses três pontos de interrogação no final do tweet são um sinal de que alguém deve encontrar uma maneira não democrática de manter Trump no poder. Há um consenso notável entre os pensadores americanos, desde um importante intelectual público de esquerda a um importante professor de direito de direita, que o tweet de Trump foi “fascista”.

Eu mesmo escrevi nessa linha. Mas isso pode ser profundamente verdadeiro em um sentido que até agora foi esquecido. Como mostrou o historiador inglês Ian Kershaw, o estilo nazista era “trabalhar em direção ao Führer”: entender uma mensagem de um líder não como uma série de proposições lógicas ou observações empíricas, mas como um guia de como o mundo deveria ser, como uma dica de para o que os seguidores devem fazer. Nesse caso, a dica é que as eleições devem ser estragadas: uma dica que pode ser aproveitada pelo postmaster geral de Trump, ou por legislaturas estaduais republicanas, ou por americanos armados.

Qualquer um que tentar cumprir as ordens de Trump e estragar a eleição se arrependerá

É improvável que prevaleçam, entretanto. Demorou um pouco, mas agora muitos americanos, mesmo que não entendam bem o significado mais profundo do estilo de Trump, estão cientes de que precisam estar preparados para uma eleição diferente de qualquer outra. Qualquer um que tentar cumprir as ordens de Trump e estragar a eleição se arrependerá. Esse é o outro significado desses três pontos de interrogação: Trump espera que outra pessoa infrinja a lei para que ele possa permanecer no poder, mas não tem intenção de assumir a responsabilidade pelo que acontecerá a seguir. Ele deixará para outros a tarefa de paralisar a democracia americana para que ele possa viver com conforto. Se a Rússia tentar isso, quase certamente enfrentará toda a ira de um governo Biden. Se os americanos tentarem “trabalhar para o Führer”, seu líder os trairá no final.

Essa é a única maneira pela qual Trump é perfeitamente consistente: tudo se refere a ele e todos devem ser sacrificados a ele. Ao contrário dos fascistas tradicionais, ele não sonha com uma causa grande e terrível. Ele simplesmente espera que outros sofram por ele.

Timothy Snyder é o professor Levin de História na Universidade de Yale e membro permanente do Instituto de Ciências Humanas de Viena. Ele é o autor, mais recentemente, de On Tyranny e The Road to Unfreedom. Seu novo livro, Our Malady, será publicado em setembro.