Pode uma mulher vencer Trump? Um barril de pólvora na campanha democrata

Os candidatos progressistas confrontam versões opostas no sétimo debate do Partido Democrata sobre a polêmica a respeito de se uma mulher pode derrotar Donald Trump

A senadora democrata Elizabeth Warren e o senador Bernie Sanders saúdam-se no debate.
A senadora democrata Elizabeth Warren e o senador Bernie Sanders saúdam-se no debate.

Um dos momentos mais comentados do último debate presidencial democrata, antes do início do processo de primárias de Iowa, foi protagonizado pela agressiva polêmica entre Elizabeth Warren e Bernie Sanders sobre se uma mulher pode derrotar Donald Trump nas eleições de novembro. A senadora por Massachusetts confirmou publicamente na noite de terça-feira que seu concorrente mais próximo nas pesquisas lhe disse em uma reunião privada em 2018 que não acreditava que uma mulher pudesse vencer as eleições presidenciais de novembro. “Eu lhe respondi que não estava de acordo”, disse Warren. Por sua parte, o senador por Vermont reiterou que nunca havia dito isso, deixando claro que um dos dois pré-candidatos da ala mais radical do Partido Democrata está faltando com a verdade sobre o assunto.

“Uma mulher pode vencer Donald Trump? Olhe para os homens neste palco. Coletivamente, perderam 10 eleições. As únicas pessoas neste palco que venceram todas as eleições de que participaram são mulheres. Amy [Klobuchar] e eu”, disse a senadora por Massachusetts em meio a aplausos do público no debate organizado pelo jornal The Des Moines Register e pela CNN em Des Moines, Iowa. Sanders esclareceu que se uma das mulheres presentes no palco ganhar a candidatura democrata “fará todo o possível” para que seja eleita presidenta dos Estados Unidos.

A CNN publicou na segunda-feira de manhã as declarações de Sanders em uma reunião privada realizada pelos dois senadores em 2018 antes de lançarem formalmente suas respectivas candidaturas. Warren confirmou a publicação durante a noite através de um comunicado. “Entre as questões que surgiram estava o que aconteceria se os democratas indicassem uma candidata mulher. Eu pensei que uma mulher poderia ganhar; ele não concordou”, escreveu a pré-candidata presidencial que luta pelo segundo lugar com Sanders na maioria das pesquisas democratas.

Antes de Warren lançar a bomba na véspera do debate em Iowa, um Estado fundamental na corrida pela candidatura democrata, Sanders negou categoricamente a informação: “É triste que semanas antes do caucus [sistema de eleger delegados em dois estados (Iowa e Nevada), na fase das eleições primárias] de Iowa e um ano depois dessa conversa privada, pessoas que nem estavam na sala estejam mentindo sobre o que aconteceu”. Os assessores do senador por Vermont disseram que a polêmica foi uma “jogada desesperada” de Warren, que mostrou um retrocesso nas últimas pesquisas contra um fortalecimento de Sanders, particularmente em Iowa.

O sétimo debate democrata teve apenas seis participantes, todos brancos: Elizabeth Warren, Bernie Sanders, o ex-vice-presidente e favorito das pesquisas Joe Biden, o prefeito de South Bend Pete Buttigieg, senadora por Minnesota Amy Klobuchar e o filantropo Tom Steyer. Dos vinte pré-candidatos que chegaram a estar na corrida, só restam 14. Com as recentes saídas do senador afro-americano Cory Booker e do ex-secretário de Habitação, o latino Julián Castro, a lista de pré-candidatos democratas tem cada vez menos diversidade, uma das características com as quais havia começado quase um ano atrás.

O encontro em Iowa aconteceu às vésperas da votação no Senado sobre o processo de impeachment do presidente Donald Trump. Três dos pré-candidatos presentes ao debate deverão fazer um parêntese em suas campanhas para comparecer ao Congresso e votar. “É minha responsabilidade estar no julgamento político”, disse Warren. A política externa do republicano foi protagonista do início do debate, depois de os primeiros dias de janeiro terem assistido à maior escalada entre os Estados Unidos e o Irã em décadas depois do assassinato do general Qasem Soleimani, comandante da força de elite Al Quds dos Pasdaran iranianos.

Os pré-candidatos criticaram que Trump tenha ordenado o ataque ao Irã sem autorização, mas não aprofundaram suas posições sobre o assunto. A discussão derivou para o restabelecimento do acordo nuclear com o Irã, defendido principalmente por Biden, que fez parte das negociações durante a era Obama, e sobre deixar ou não deixar as tropas militares norte-americanas no Oriente Médio. Nesse ponto, Warren e Sanders novamente aproximaram suas posições, propondo que ordenariam que todos os soldados voltassem para casa, enquanto os moderados Biden, Klobuchar e Buttigieg deixariam apenas alguns.

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A milícia digital Bolsonarista resgatou a máquina de Fake News para atacar universitários

FAZIA MESES QUE o cientista da computação Fabrício Benevenuto não via nada de novo na sua ronda diária por grupos políticos de WhatsApp. Criador de uma ferramenta capaz de elencar os conteúdos mais compartilhados no aplicativo, o WhatsApp Monitor, o professor associado da UFMG via com tédio os mesmos tipos de montagens, áudios, notícias falsas, correntes e vídeos motivacionais percorrerem sua tela, dia após dia nos 350 grupos políticos abertos que acompanha.
Na tarde de 8 de maio, porém, Benevenuto notou algo estranho: quase todas as imagens mais compartilhadas no seu sistema mostravam universitários nus, teses com nomes esdrúxulos e desenhos irônicos sobre estudantes de humanas. Aquilo, percebeu, não era espontâneo.

Checou os altos números e concluiu que se tratava de algo novo, orquestrado. Estava diante de uma nova ofensiva da milícia digital de Bolsonaro, grupo que andava pouco ruidoso após as eleições.

“Soou como ataque, uma tentativa de desconstruir a imagem das universidades públicas com conteúdos antigos ou tirados de contexto, como se todas fossem uma bagunça”, diz Benevenuto. “Como trabalho em uma, fiquei preocupado.”

Os variados tipos de compartilhamentos chamaram sua atenção. Notou que, depois de alguns meses de marasmo, muitos grupos ociosos associados a Bolsonaro espalhavam as mensagens com afinco comparável ao do ano passado, quando operavam em sua capacidade máxima e com fortes indícios de disparo em massa. Era o despertar de uma engrenagem que havia feito grande estrago meses atrás.

Das 30 imagens mais compartilhadas no WhatsApp em maio, 17 são referentes ao que bolsonaristas chamam de depravação nas universidades federais.

O levante das redes bolsonaristas não vinha por acaso. Duas pesquisas divulgadas em maio apontavam para um naufrágio do otimismo com o presidente, Jair Bolsonaro. A primeira, do instituto XP Ipespe, mostrou que, de abril para maio, o percentual de ruim e péssimo na avaliação do Bolsonaro subiu de 26% para 31%; já a segunda, uma análise de sentimentos de redes sociais feita pela startup Arquimedes, apontou que, nas últimas semanas, mais pessoas que se mostravam neutras ao novo presidente passaram a avaliá-lo negativamente. Para as duas empresas, os principais motivos foram o desgaste entre militares e Olavo de Carvalho e o corte na educação anunciado no dia 30 de abril pelo novo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

As táticas de guerrilha soavam similares às das eleições de 2018. Pelo WhatsApp, centenas de grupos de apoiadores de Bolsonaro passaram a espalhar imagens que reforçavam a ideia, endossada pelo próprio Weintraub, de que as universidades públicas se tornaram lugar de “balbúrdia”. Montagens de gosto estético e moral duvidosos foram replicadas sem parar. Eram fotos e vídeos de performances artísticas, capas de monografias sobre sexualidade e paredes com pixações provocadoras. Em cada mídia, havia a legenda com o suposto nome da instituição federal e um texto que dizia: “Veja em que se transformaram nossas Universidades Federais! É UM ABSURDO”.

Surtiu algum barulho. Segundo a ferramenta de Benevenuto, nas duas primeiras semanas de maio, das 30 imagens mais compartilhadas no WhatsApp, 17 são referentes ao que bolsonaristas chamam de depravação nas salas de aula das universidades federais. (De resto, quatro associavam Marielle Franco ao tráfico de drogas a outros crimes, três eram denúncias de militantes petistas infiltrados em grupos, uma era uma defesa para fechar o STF e cinco eram imagens com tarja preta de conteúdo impróprio — provavelmente parte de uma mensagem em texto.)

Benevenuto ressalta que seu software dá apenas uma amostra do turbilhão de montagens fabricadas a todo vapor: os 350 grupos que monitora são uma parte ínfima dos mais de 127 milhões de usuários e dos incontáveis grupos fechados no país. “Damos acesso a jornalistas e agora a pesquisadores para terem uma noção do que é compartilhado lá dentro, mas sabemos que não é um número preciso”, me disse Benevenuto.

Imerso em dezenas de grupos pró-Bolsonaro nos últimos dias, conclui que o grosso das mensagens dos bolsonaristas vem de grupos fechados, em que, em grande parte, apenas administradores podem enviar conteúdos. Vários dos grupos também adotam uma estratégia de renovação, isto é, são encerrados e depois abertos com outro nome e endereço.

“É uma tática comum: eles fecham um grupo, depois mandam o convite para as pessoas que estavam lá entrarem em outro, assim vão renovando”, me disse Sergio Denicoli, diretor da consultoria AP/Exata e pós-doutor em comunicação digital. Isso explica por que vários dos grupos importantes durante a época das eleições não funcionam mais. Eles só mudaram de cara para provavelmente fazer uma faxina em usuários inativos.

Estudioso das redes de Bolsonaro desde 2017, Denicoli também notou atividade incomum nos últimos dias. De primeira, diz, os militantes de direita iniciaram sua tática de testar narrativas. No caso, a de que universidades públicas são lugares repletos de nudez, performances e cursos inúteis. “Eles vão chegando, vão testando narrativa, ensinando como argumentar”, explica Denicoli. “A eleição foi uma guerra retórica. A rede do Bolsonaro foi muito inteligente, impôs os temas que queria, e as pessoas repetiam os argumentos, mas agora não estamos vendo o mesmo sucesso.”

‘Os movimentos começam nos grupos e se cristalizam no Twitter, mas isso pode levar dias ou semanas. O laboratório é o WhatsApp.

Na análise de Denicoli, o corte na educação desagradou e mobilizou muita gente, o que fez com que os grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro tentassem mais esforços para reverter a opinião de massa. O tiro, no entanto, saiu pela culatra. “Notamos em nossos dados que o movimento da educação é o mais importante da oposição, tem uma capilaridade e uma autenticidade muito fortes. São muitos pais, alunos e funcionários que fazem parte do sistema educacional, eles sabem que a realidade não é como os memes. Algo parecido ocorreu no Carnaval, quando Bolsonaro tentou generalizar o Carnaval com a polêmica do golden shower. Algumas narrativas não funcionam.”

Baseada em recursos de inteligência artificial e conceitos da psicologia, a análise de Denicoli capta oito tipos de emoções nos textos deixados em redes sociais como Instagram, YouTube e principalmente Twitter. Sua plataforma consegue, pela combinação de palavras dos usuários, saber se uma mensagem possui sensações como indignação, raiva, tristeza, desgosto, alegria ou confiança. Sua conclusão, depois confirmada pelas pesquisas de opinião, é que, ainda que Bolsonaro ainda conte com grande confiança em parte do seu eleitorado, os índices de medo e tristeza subiram bastante.

“A rede de Bolsonaro era o único discurso vigente, era a mais barulhenta, mas agora as redes de esquerda cresceram”, diz Denicoli. “Começou a ter uma mobilização das pessoas pedindo mobilização, as pessoas demonstraram interesse e aí surgiu a ideia de greve dos movimentos sindicais. Foram manifestações espontâneas, principalmente de estudantes, que ganharam adesão.” A referência de Denicoli é à greve e aos protestos que estão marcados por todo o país para esta quarta-feira com milhares de menções nas redes sociais.

Os dados de Denicoli lidam com a parte acessível, mais clara, das redes bolsonaristas. Segundo ele, o Twitter é onde ocorre a segunda etapa da estratégia, a parte final e concreta das pautas do clã de Bolsonaro. Lá é onde se consolidam as narrativas iniciadas na parte escura, mais difícil de mensurar e de rastrear, no WhatsApp. “Os movimentos começam nos grupos e se cristalizam no Twitter, mas isso pode levar dias ou semanas. O laboratório é o WhatsApp.” Isso significa que, daqui pra frente, no Twitter, no Facebook e no YouTube, provavelmente haverá uma enxurrada ainda maior de montagens a fim de desmoralizar as instituições públicas de ensino.

Nas esteiras da fábrica de fake news
O pesquisador Viktor Chagas, da Universidade Federal Fluminense, analisa desde o começo do ano passado como funcionam as redes bolsonaristas no WhatsApp. Com a ajuda de sua equipe, ele monitora mais de 150 grupos de apoio ao político do PSL. Chagas foi o primeiro a expor, no ano passado, a existência de variados tipos de grupo pró-Bolsonaro que integravam uma estratégia maior e calculada.

De acordo com ele, havia ao menos três espécies: o de divulgação (que envia links, panfletos etc.); o de mobilização (que incentiva boicotes ou subidas de hashtags, bem como ações nas ruas); e os de debate (responsáveis pela elaboração das narrativas e trocas de conteúdos). Todos eles, afirma Chagas, seguiam uma hierarquia e eram divididos de acordo com localização. A lógica se mantém viva hoje, ainda que, ao menos até semanas atrás, houvesse uma escala bem menor de mensagens e produção.

“Houve uma latência na transição pro novo governo, em janeiro”, afirma Chagas. “Teve uma baixa de usuários e muitos grupos estavam aguardando sinal para retomar a força de antes. Em meados de janeiro, começaram a voltar os listões públicos e adesão em massa para desmobilizar a oposição.”

‘Há um claro indicativo de que se trata de trabalho profissionalizado, de disparos automatizados.’
Os listões a que Chagas se refere são nomes e endereços de canais pró-Bolsonaro no WhatsApp de acordo com tema e região. Podem ser chats como “Lavatogas ZAP” (que busca uma limpeza no judiciário) e o “Rede Bolsonarista TO” (de militantes de Tocantins).

Eles podem ser acessados em sites e plataformas específicas, como o zapbolsonaro.com e a rede social de extrema-direita Gab, em que moderadores informam quais grupos possuem vagas. A ideia, diz o pesquisador, é manter os grupos funcionando no limite da plataforma, de 256 membros. Também notei que existem espécies de mensageiros individuais que passam a enviar mensagens em separado para todos os integrantes dos grupos. Ao entrar em um grupo pró-Bolsonaro em SP, por exemplo, vários usuários pediram autorização para enviar conteúdos de direita diretamente via celular.

Os disparos em massa, muito falados durante as eleições, também continuam. “É possível reparar em padrões de disparo profissional para os mesmos grupos quatro vezes ao dia, em horários diferentes, pela manhã, à tarde, à noite e de madrugada”, afirma Chagas. “Há uma circulação bastante intensa de imagens e apelo persuasivo das mesmas fontes, reiteradamente acionadas. São vídeos de influenciadores, como Luciano Hang, dono da Havan, e de anônimos em situações cotidianas.”

Definir com precisão quem está no comando das operações não é possível. Hoje, a maior parte dos moderadores usa números internacionais — durante a apuração, quase todos os prefixos com que cruzei eram de cidades dos EUA. Ainda assim, há algumas pistas deixadas na época da eleição.

O número público do celular de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República e deputado federal eleito ano passado, era um dos que mais liderava grupos de WhatsApp em setembro de 2018, segundo Viktor Chagas. Eduardo moderava mais de 30 grupos. Agora o número está desativado. Em seu lugar, entraram números internacionais sem nome ou foto para identificação.

“Há um claro indicativo de que se trata de trabalho profissionalizado, de disparos automatizados, mas isso por si só não é ilegal”, diz Chagas. O problema, claro, é quando essa profissionalização de envio de mensagens em massa se trata de uma fábrica de notícias falsas e informações tiradas de contexto. A Justiça Eleitoral, porém, ainda não encontrou meios de mapear ou rastrear os autores de conteúdos mentirosos e de má fé, como os memes que mentem sobre a questão estudantil.
Guilherme Pavarin/TheIntercept

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Os cabos eleitorais que ‘receberam’ até R$ 20 mil de verba pública, mas não viram a cor do dinheiro

Reportagem da BBC News Brasil falou com oito supostos cabos eleitorais ao longo de um mês – e parte deles admitiu que nunca trabalhou.
Em Lages (SC), Laurindo Alves Vargas ficou surpreso: “R$ 20 mil? Se eu tivesse ganhado um dinheiro desse, eu estava tranquilo. Não trabalhei nas eleições, nem me envolvo em política nenhuma”.

Em Magé (RJ), uma pessoa relatou sob condição de anonimato: “O que me ofereceram foi: ‘você só tem que ir lá, sacar o cheque (de R$ 5 mil), pegar o dinheiro e me entregar; você vai ganhar uma diária de serviço (um pagamento único inferior a R$ 300)”.

E, em Ipirá (BA), Jamil Bastos Souza explicou como usou o dinheiro que recebeu na campanha política: “Não foi só para mim, eram várias pessoas trabalhando. Cada pessoa eu pagava em média R$ 200 por semana”. Neste caso, sem detalhar os gastos à Justiça Eleitoral, o que é irregular.

Em comum, as três pessoas acima aparecem nas prestações de contas das eleições 2018 como contratadas para realizar “atividades de militância e mobilização de eleitores” – função conhecida por cabo eleitoral. Como pagamento, teriam recebido R$ 20 mil, R$ 5 mil e R$ 16,5 mil, respectivamente, pagos com dinheiro público.

Os relatos apontam para possíveis irregularidades no uso do dinheiro: supostos contratados que dizem não ter trabalhado, que alegam ter entregado o pagamento para a campanha ou que afirmam ter remunerado outras pessoas não declaradas na prestação de contas.

Durante um mês, a BBC News Brasil ouviu nove relatos como esses (leia mais abaixo) no pleito de 2018. Os casos foram encontrados a partir da análise da lista dos cabos eleitorais (pessoas físicas) mais bem pagos nas eleições de 2018.

Foram as primeiras eleições gerais (para cargos federais e estaduais) cujas campanhas foram financiadas, sobretudo, com recurso público.

Antes disso, a principal fonte de financiamento eram doações de empresas. Mas, em 2015, elas foram proibidas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – um dos argumentos era que esse tipo de doação possibilitaria o pagamento de propina disfarçado de colaboração para campanha.

Para substituí-las, foi criado em 2017 o Fundo Eleitoral, composto de recurso público. Em 2018, o Fundo distribuiu R$ 1,7 bilhão entre os partidos, que por sua vez repartiram o dinheiro entre seus candidatos. A esse valor se somaram R$ 371 milhões do Fundo Partidário, também dinheiro público.

Assim, contribuintes financiaram um total de R$ 2,1 bilhões das campanhas políticas de 2018 – o que corresponde a 69% das despesas de todos os candidatos. O valor equivale, por exemplo, à metade do orçamento do Ministério do Meio Ambiente.

No entanto, a soma ainda é menor do que as doações de empresas nas eleições de 2014. Assim, a mudança no financiamento fez com que campanhas políticas perdessem recursos – consequentemente, os gastos eleitorais também caíram.

Cabos eleitorais
Já os gastos com cabos eleitorais foram na contramão, crescendo 84% entre 2014 e 2018, já descontada a inflação. É o maior aumento entre todos os tipos de despesa eleitoral.

No total, cabos eleitorais receberam R$ 197 milhões de dinheiro público. Em média, R$ 923 por pessoa. Mas um grupo de 107 pessoas teve ganhos muito superiores: de R$ 20 mil a R$ 79,8 mil, para trabalhar em uma campanha com 52 dias de duração.

Esses megapagamentos foram feitos por 17 partidos diferentes, em 17 Estados do país. Os nove relatos colhidos pela BBC News Brasil envolvem PRB, Podemos e PP – as duas primeiras legendas afirmam que é “praticamente impossível” que elas próprias fiscalizem o uso dos recursos distribuídos entre os candidatos.

Segundo a lei eleitoral, a prestação de contas é responsabilidade do administrador financeiro, indicado pelo partido ou pelo próprio candidato, mas o candidato é solidariamente responsável (ou seja, também pode responder se houver irregularidade).

O ato de incluir informações falsas na prestação de contas pode ser enquadrado como crime de falsidade ideológica eleitoral e culminar em até cinco anos de prisão. Além disso, pode levar o candidato a ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível por até oito anos.

‘Me pediram para sacar R$ 5 mil e entregar o dinheiro’
“O que me ofereceram foi: ‘você só tem que ir lá, sacar o cheque, pegar o dinheiro e me entregar. Você vai ganhar uma diária de serviço. Depois a gente te deixa no mesmo local em que te pegou’. Eu perguntei se aquilo ia dar problema para a gente. Disseram que não, que era dinheiro de eleição mesmo, dinheiro de patrocinadores.”

O relato acima é de uma pessoa contratada pela campanha da candidata a deputada estadual Livian Merlino, do PRB do Rio de Janeiro, que teve apenas 612 votos. Segundo informações prestadas à Justiça Eleitoral, essa pessoa teria realizado serviços de cabo eleitoral e recebido R$ 5 mil.

Mas a pessoa, que preferiu não se identificar, diz que não foi cabo eleitoral de Merlino e não recebeu R$ 5 mil. A história verdadeira seria bem diferente: oito moradores de Fragoso, bairro do município fluminense de Magé, teriam sido contratados para uma diária de serviço. A tarefa: ir até um banco e sacar cheques.

Então, em 30 de agosto, o grupo teria sido transportado em dois carros até uma agência da Caixa Econômica, localizada em outro município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Lá, teriam recebido cheques no valor de R$ 5 mil cada um. Usando seus nomes e CPFs, sacaram o dinheiro. Em seguida, teriam entregue os valores para um suposto representante da campanha de Merlino, presente no dia.

Ao final, ainda de acordo com o relato, as pessoas teriam sido levadas de volta ao bairro Fragoso e sido pagas por uma diária de serviço.

Os detalhes do relato feito à BBC coincidem exatamente com o extrato bancário da conta de campanha de Merlino. No dia 30 de agosto, de fato, estão registrados oito saques de cheques no valor de R$ 5 mil cada. Os nomes das pessoas que fizeram os saques, também registrados no extrato bancário, são os mesmos relatados para a reportagem.

Além disso, uma segunda pessoa, que aparece no extrato bancário como tendo sacado o cheque naquele dia, afirmou à reportagem que não prestou serviço para a campanha de Merlino e que nem sequer conhece a candidata: “Em nenhum momento eu fiz campanha política. Em momento algum ouvi falar dessa Livian. É candidata do meu município?”

De acordo com os dados com a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e disponível no sistema do TSE, Merlino recebeu R$ 355 mil de verba pública nas eleições – a maior parte vinda do Fundo Eleitoral. Ao todo, gastou R$ 100 mil com 17 contratações de cabos eleitorais – na média, R$ 5,9 mil por pessoa, bem acima da média fluminense, de R$ 760.

A BBC News Brasil encontrou outra possível irregularidade na campanha de Merlino.

Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, o microempreendedor Thiago Mine Sanches recebeu R$ 45 mil para fazer publicidade por materiais impressos da candidata – de acordo com os dados, foi a única campanha para a qual Sanches foi contratado. Ele, porém, disse que não lembrava o nome do candidato para o qual havia trabalhado.

Depois, consultou um amigo para lembrar: “Eu fiz um trabalho para um político, só que eu não lembrava o nome dele. Foi por meio de um amigo meu. O político estava querendo saber de um designer que fizesse campanha para ele. O nome do político é Livian, eu fiz para o Livian”, declarou Sanches, sempre tratando a candidata no masculino. A reportagem pediu para ver os materiais impressos que teriam sido produzidos, mas não foi atendida.

Procurada pela BBC News Brasil por telefone, Livian Merlino não quis responder às perguntas sobre as possíveis irregularidades.

Já o PRB afirmou, via nota, que “seria humanamente impossível administrar cada candidatura em cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal”. A legenda diz ainda que aprovou uma resolução responsabilizando os candidatos pelo uso do dinheiro.

‘Não trabalhei em campanha e não conheço esse candidato’
“Não trabalhei nas eleições. Nem me envolvo em política nenhuma, porque não gosto. Nunca me envolvi, nem vou me envolver. Pode investigar. E não conheço essa candidata, nunca ouvi falar”, diz Vargas, o catarinense citado no início da reportagem, dono de uma lanchonete em Lages (SC).

Porém, para a Justiça Eleitoral, Vargas recebeu R$ 20 mil de recursos públicos por “atividades de militância e mobilização de rua” nas eleições de 2018.

O serviço teria sido feito para uma das candidatas a deputada federal menos votada em Santa Catarina, com apenas 302 votos: Denise Borges, do partido Podemos.

“Eu sou um pouco careca. Mas o pouco de cabelo que tenho ficou em pé com essa história. Eu quero descobrir o que aconteceu”, diz Vargas.

Cabos eleitorais são figuras antigas das campanhas no Brasil: existem desde antes da urna de lona
O extrato bancário da campanha de Denise Borges mostra que os R$ 20 mil foram depositados em uma conta com numeração idêntica a uma conta de Vargas – segundo ele próprio confirmou à reportagem.

Mas, de acordo com Vargas, trata-se de uma conta bancária que ele não costuma usar. “Eu quero saber como esse dinheiro apareceu (na minha conta), quem pegou e que política é essa que eu não conheço”.

Além de Vargas, Denise Borges afirmou para a Justiça Eleitoral que contratou outras 22 pessoas para realizarem serviços de militância. Os pagamentos somaram, no total, R$ 231 mil – tudo dinheiro público. Na média, R$ 9.100 por pessoa.

O maior pagamento feito pela campanha de Denise Borges a um cabo eleitoral, segundo a prestação de contas da candidata, foi para o empresário André Fernando Schneider, de Nova Itaberaba (SC): R$ 33 mil.

Em um primeiro momento, Schneider disse que não conhecia a candidata. “Não recebi não. Não participei da campanha. Não conheço essa candidata. Vou procurar um advogado para saber de onde está surgindo isso”, disse.

Porém, no dia seguinte, depois da reportagem procurar a campanha de Denise Borges, Schneider mudou de versão. Declarou que havia distribuído panfletos da candidata no Oeste de Santa Catarina.

Ao ser comunicado que o valor de R$ 33 mil havia sido um dos maiores pagos para esse tipo de serviço em todo o Brasil, segundo as prestações de contas declaradas à Justiça Eleitoral, Schneider acrescentou: “Rapaz! É? Na verdade, eu acabei em negativo, para você ter uma ideia”.

A campanha de Denise Borges foi coordenada pelo seu marido, Bruno Borges dos Santos – que recebeu R$ 28,7 mil pelo serviço, pagos com recurso público.

Procurado pela reportagem, Bruno Borges argumenta que não houve irregularidades nas despesas eleitorais da candidata Denise. Em sua defesa, disse que o dinheiro foi de fato depositado nas contas dos cabos eleitorais.

“Eu fico surpreso das pessoas falarem que não fizeram campanha para a Denise. Eu me sinto até enganado, porque a pessoa foi paga para isso. Eu estou tão surpreso quanto você”, declarou Bruno Borges. Disse ainda que iria procurar mais informações e voltaria a falar com a reportagem, o que não ocorreu.

Procurada pela BBC News Brasil para comentar, a deputada federal Renata Abreu (São Paulo), presidente nacional do Podemos, afirmou que não é possível fiscalizar tudo.

“É um problemaço. Uma vez que você repassa (o dinheiro do fundo), é impossível controlar a campanha de cada pessoa, né?”, diz , à BBC News Brasil.

‘Paguei várias pessoas, comprei carneiro’
Em 2018, a campanha de Claudio Cajado, deputado federal reeleito pelo PP da Bahia, foi a que mais contratou cabos eleitorais por valores a partir de R$ 10 mil, segundo as prestações de contas das eleições. Foram 73 pessoas, totalizando quase R$ 1 milhão (R$ 998 mil) em dinheiro público.

Um dos cabos eleitorais do deputado Claudio Cajado (PP-BA) disse não se lembrar de ter trabalhado na campanha
Um desses supostos cabos eleitorais, porém, disse para a BBC News Brasil que não se recordava de ter trabalhado na campanha de 2018. “Eu não estou lembrada, não. Qual foi o candidato?”, disse Aracy Scalzer Lopes Correia, que teria sido contratada para fazer serviços de militância na região de Itanhém (BA) por R$ 5.650.

“Eu tenho que analisar. Eu tenho que ver a situação de um partido, como está”, continuou Aracy, que dirige um centro espírita na cidade.

Jamil Bastos Souza, que aparece na prestação de contas de Cajado como cabo eleitoral em Ipirá (BA), confirma que trabalhou na campanha do deputado, por R$ 16,5 mil. Teria sido chamado por já trabalhar para o presidente da Câmara de Vereadores local – ele próprio também contratado como cabo eleitoral pela campanha de Cajado, pelo mesmo valor, R$ 16,5 mil.

Souza, porém, disse que usou o dinheiro que recebeu para subcontratar outros cabos eleitorais: “Não foi só para mim, eram várias pessoas trabalhando. Eu levava o pessoal nos carros para as zonas rurais. Cada pessoa eu pagava em média R$ 50 por dia, R$ 200 por semana. Chegando lá, tinha que dar comida. Eu comprava um carneiro e fazia um churrasco para o pessoal, entendeu?”.

Souza informou ainda que não tem comprovantes dos pagamentos feitos a essas outras pessoas – o que, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é irregular, pois os pagamentos precisam estar discriminados a cada pessoa.

“Você não pode pagar para um líder de cabos eleitorais para ele ficar repassando dinheiro. A prestação de contas tem que dizer quem recebeu, detalhar com quem gastou”, explica o advogado eleitoral Daniel Falcão.

“Eu, como pessoa física, não posso ser intermediário, subcontratar outras pessoas. Isso é uma irregularidade que precisa ser apurada. Pode configurar tentativa de ocultação do prestador real do serviço”, analisa Tony Chalita, também advogado especializado em direito eleitoral.

Na prestação de contas de Claudio Cajado, a BBC News Brasil identificou ainda pagamentos elevados a funcionários públicos com cargas semanais de 40 horas, para trabalharem como cabos eleitorais. Um desses casos é o da professora Hernilia Pereira Coelho Marques, que recebeu R$ 15 mil para ser cabo eleitoral em Maiquinique (BA) – município a 54 quilômetros de Itapetinga, onde fica a escola e a casa de Marques.

Pela lei, servidores públicos podem atuar em campanhas eleitorais, desde que fora do horário de trabalho e sem se valer do “status” do cargo.

“Eu consegui conciliar (com o trabalho de professora na escola) porque Maiquinique é pertinho, eu ia e voltava. Quando eu tinha dia de folga, final de semana… e eu trabalhava em parceria com meu esposo”, explicou Marques.

Procurado pela reportagem, Claudio Cajado disse por meio de sua assessoria de imprensa que as contas de campanha do então candidato foram aprovadas pelo Tribunal Regional da Bahia. Além disso, declarou que os contratos com cabos eleitorais foram feitos para o período de 2 meses e meio e “incluíram despesas com veículos, alimentação, combustível, hospedagem, material gráfico, manutenção de comitê eleitoral”.

A BBC News Brasil também procurou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (Piauí), mas não obteve resposta.

O Fundo Eleitoral foi criado em 2017 pelo Congresso e sancionado em cima da hora pelo ex-presidente Michel Temer (MDB)
Dificuldade de fiscalização do uso do dinheiro público
Especialistas e autoridades eleitorais explicam que não é fácil fiscalizar a contratação de cabos eleitorais com dinheiro público. Os candidatos podem pagar o quanto quiserem pelo trabalho, sem a necessidade de comprovar que o serviço foi feito. Podem, inclusive, contratar parentes – o que, no âmbito da administração pública, é proibido.

Uma das poucas regras estabelece que o dinheiro público não utilizado pelas campanhas deve ser devolvido ao Tesouro, com correção monetária.

Porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou à BBC News Brasil que ainda não sabe quanto foi devolvido nas eleições 2018. Segundo especialistas, notas fiscais e recibos elevados para pagar cabos eleitorais pode ser uma forma de evitar a devolução do dinheiro.

“À medida que um candidato recebe um bolo de dinheiro muito grande, vindo do Estado, para gastar da forma que quiser, sem requisitos maiores de transparência e sem uma fiscalização pesada, isso facilita o mau uso dos recursos”, diz Bruno Carazza, especialista em financiamento eleitoral no Brasil e autor do livro Dinheiro, Eleições e Poder.

Uma das principais dificuldades para fiscalizar a aplicação do dinheiro é o volume de informações. Em 2018, por exemplo, foram declaradas 1,5 milhão de despesas, com 830 mil fornecedores diferentes. “A Justiça Eleitoral jamais terá condições de fazer uma análise minuciosa de todas as prestações de contas”, diz o advogado eleitoral Daniel Falcão.

“A gente precisa pensar em um sistema eleitoral que demande menos dinheiro. E precisamos investigar o uso do dinheiro público nas eleições, com uma força-tarefa dos órgãos de controle – Justiça Eleitoral, Tribunal de Contas da União, Receita Federal, Ministério Público…”, opina Carazza.

Como funciona a análise das contas eleitorais
Candidatos podem usar o dinheiro do Fundo Eleitoral para fazer campanha como quiserem: com cabos eleitorais, impressão de “santinhos”, impulsionando publicações em redes sociais, alugando carros. Mas a prestação de contas precisa refletir os verdadeiros gastos feitos pelo candidato ou partido.

O TSE é responsável apenas pela análise das contas dos candidatos a presidente. Candidatos a todos os outros cargos são de responsabilidade dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

O advogado eleitoral Daniel Falcão explica que a Justiça Eleitoral costuma priorizar a análise das contas dos candidatos que foram eleitos. “Quem foi eleito precisa ter suas contas julgadas até dezembro daquele ano, para poder tomar posse. Os demais costumam ficar para depois”, diz ele.

Já no caso dos candidatos não eleitos, a análise das contas eleitorais é feita de forma automatizada, apenas para checar inconsistências formais nas prestações de contas – falta de recibos, soma incorreta de valores, etc. Isso torna mais difícil descobrir irregularidades, dizem especialistas.

Segundo o desembargador eleitoral Flavio Britto, do TRE do Distrito Federal, a Justiça Eleitoral não tem ingerência sobre a forma como os partidos e candidatos conduzem suas campanhas – não cabe a ela dizer, por exemplo, se o dinheiro gasto com um cabo eleitoral, um advogado ou um publicitário é excessivo.

“Prestações de contas precisam ser feitas com transparência e seriedade, sob pena de existirem investigações criminais depois”, diz Britto.

Em fevereiro, casos de mau uso de verbas públicas nas eleições, apontados pelo jornal Folha de S.Paulo, foram o pivô da queda do ex-ministro Gustavo Bebbiano do comando da Secretaria-Geral da Presidência.

Após a queda de Bebianno, o senador Major Olímpio (PSL-SP) apresentou um projeto para extinguir o Fundo Eleitoral.

“A lei não tem parâmetro nenhum para distribuição desse dinheiro, o único parâmetro é 30% para mulheres. Aí você tem visto em vários partidos, inclusive no meu, questionamentos e investigações sobre candidaturas laranjas”, declarou Olímpio em entrevista à TV Senado.

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Como os intervencionistas criaram o ‘mito’ Bolsonaro e depois pularam do barco

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NUMA DAS TARDES mais quentes do ano, em uma cafeteria da Asa Norte, em Brasília, Dom Werneck pediu a segunda dose de vodka com muito gelo. Ele é um dos líderes do movimento intervencionista, que quer a volta da ditadura militar no Brasil. Em quase três horas de conversa, ele explicou os motivos que fizeram com que boa parte dos militaristas decidisse apoiar um candidato – Jair Bolsonaro – e depois passasse a conspirar abertamente contra ele.

Em uma incursão a grupos e canais militaristas pela internet, vi que o que ele falava é endossado por outros representantes, e que o grupo intervencionista tem mais poder de fogo do que se supunha quando começou a aparecer, a partir de 2013.

Ele tinha carisma, boa lábia e nenhum pudor em defender o regime militar.

Foi também a partir desse ano que os intervencionistas passaram a ver em Bolsonaro a solução para os seus anseios, uma vez que um golpe militar nos moldes tradicionais, como o de 1964, estava longe de acontecer. A saída seria alçar alguém pelas vias democráticas, e o ex-capitão parecia se encaixar perfeitamente no papel. Ele tinha carisma, boa lábia e nenhum pudor em defender o regime militar.

O agora presidente, inclusive, falava abertamente sobre “acionar o artigo 142″ quando chegasse ao poder. O artigo em questão é sempre evocado por intervencionistas como a prerrogativa constitucional para um golpe militar, ao apontar que caberia às Forças Armadas a garantia da “lei e da ordem” no país.

Werneck tinha isso em mente quando, a partir de 2013, se aproximou do ex-capitão. Ele reivindica a autoria de atos que ajudaram a tornar Bolsonaro conhecido pelo grande público e alega ter sido o autor da ideia de levar militantes para recepcionar o ex-deputado federal no aeroporto de Brasília semanalmente e publicar vídeos de Bolsonaro nos braços do povo – o que se tornou uma das marcas da sua caminhada até o Planalto. Também criou o grupo “Bolsonarianistas” no WhatsApp, que teve mais de 80 subgrupos pelo país – um embrião do que viria a ocorrer na campanha eleitoral.

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“Gosto de quebrar estereótipos”, diz Werneck ao comentar que usa barba comprida e camisa jeans “como um comunista”. Foto: Reprodução/Facebook

Como uma espécie de “assessor informal”, Werneck seguia Bolsonaro pela Câmara dos Deputados, fazendo entrevistas “exclusivas” e transmitindo os discursos do parlamentar em lives em suas páginas – hoje ele tem duas no YouTube, uma com 76 mil assinantes e, a outra, 47 mil; além de 55 mil fãs no Facebook. Em setembro de 2016, ele teria avisado o então deputado sobre uma comissão com Maria do Rosário, pouco após o incidente em que ele disse que “não a estupraria porque ela não merece”. Bolsonaro foi ao local, bateu boca com meio mundo e virou notícia. Werneck registrou ao vivo.

Os intervencionistas se incomodam com a receptividade de Bolsonaro à ideologia liberal e a subserviência a países como EUA e Israel.

A estratégia com as ações era dar visibilidade para o ex-deputado. Até então o ex-capitão reformado era um parlamentar apagado, que nunca relatou projetos relevantes, presidiu comissões ou liderou bancadas, e que somente ganhava a luz dos holofotes por causa das polêmicas em que se envolvia.

Werneck se apresenta em vídeos como um dos organizadores das greves de caminhoneiros, categoria que se aproxima cada vez mais dos intervencionistas. Nos atos, principalmente na paralisação de 2018, não foi raro ver caminhões com faixas pedindo socorro das Forças Armadas e manifestando apoio a Bolsonaro – que chegou a apoiar a greve e depois recuou – como de praxe.

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Fotos: Reprodução/Facebook

Relação esfria

Mesmo agindo como cabo eleitoral, Werneck diz que sempre teve um pé atrás com Bolsonaro. “Todo mundo sabia que ele era um mau militar, e isso pega mal no meio”, afirma. Ele diz que dava “apoio crítico” ao deputado apenas para alçar ao poder uma pessoa minimamente ligada ao militarismo.

Os intervencionistas também se incomodavam com a receptividade de Bolsonaro à ideologia liberal, com a aproximação com o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, e a frequente subserviência a outros países, principalmente Estados Unidos e Israel. Essas características, segundo Werneck, demonstravam uma aproximação com o “establishment” e conflitavam com o nacionalismo pregado pelo meio militar. Aos poucos, ficou difícil não enxergar o ex-deputado como um “traidor da causa”.

‘A gente não concorda com nada do que a Maria do Rosário prega, mas pelo menos ela é fiel à sua ideologia.’

“Na época, Bolsonaro tinha um discurso mais nacionalista e reconhecia que no atual modelo republicano seria impossível colocar o Brasil nos trilhos. Depois, ele foi para o lado liberal. Isso me irritou profundamente. Eu e muitos intervencionistas rompemos com ele e voltamos nossos esforços para uma insurgência militar”, afirma Ricardo Dex, intervencionista que fez parte de um dos grupos que costumava recepcionar o ex-deputado no aeroporto de São Paulo. Apesar de concordar com Werneck nos motivos que levaram à descrença com Bolsonaro, Dex acredita que a situação não será resolvida com Mourão na presidência, ja que o vice seguiria a mesma linha do presidente. Para ele, a saída seria haver, de fato, um golpe militar.

A falta de coerência no discurso de Bolsonaro é o ponto mais criticado. Nessa lógica, até uma das inimigas do ex-deputado teria mais valor que ele. “A gente não concorda com nada do que a Maria do Rosário prega, mas pelo menos ela é fiel à sua ideologia, e isso a gente respeita”, alfinetou Priscila Azevedo, esposa de Werneck, também youtuber da causa militar.

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Werneck era dono de restaurantes, Azevedo trabalhava em um banco privado. Os dois deixaram os empregos há cerca de seis anos. Hoje, pagam as contas com a venda de produtos militaristas e doações dos seguidores. Foto: Reprodução/Facebook

O fim

Ainda durante a campanha eleitoral, diz Werneck, a estratégia mudou: se distanciar de Bolsonaro e transformar seu vice, general Hamilton Mourão, em candidato a presidente. O general acabou se tornando vice na chapa bolsonarista e tudo foi por água abaixo.

Os militaristas se dividiram. Werneck e Azevedo passaram a fazer campanha pelo boicote às eleições e para pressionar a Mourão a dar um golpe. Outros grupos continuaram apoiando Bolsonaro, contando que a presença de Mourão na chapa era decisiva.

Como as eleições aconteceram, a esperança se tornou a de que “algo” eventualmente impedisse o cabeça de chapa de se manter na Presidência, de modo que o vice assumisse. Na visão deles, Bolsonaro estaria sendo usado pelo grupo militar apenas para vencer a eleição, por ter bons resultados nas pesquisas eleitorais. O grupo militar que encabeça o governo, formado pela maior presença de militares no primeiro escalão desde a redemocratização, é quem estaria dando as cartas de verdade.

“Pode ver todas as vezes que o Bolsonaro teve que recuar em tão poucos dias de governo [a nossa conversa ocorre no dia 15 de janeiro]. Ele fala uma coisa e, se o grupo militar não gostar, é obrigado a voltar atrás”, comentou Priscila. Um dos exemplos foi a permissão para os Estados Unidos abrirem uma base militar no país, que foi defendida por Bolsonaro, sofreu grave resistência dos militares do alto escalão e em seguida foi descartada.

“Não vai ter golpe interno. Não precisa. O próprio Bolsonaro vai se destruir”, comentou Werneck. “Ele [Bolsonaro] sabe que as pessoas da Presidência estão usando ele protocolarmente, institucionalmente, para ser o presidente. Ele era o cara que deu arranque, pegou popularidade. Não tinha como colocar outra pessoa pra disputar. Os militares usaram o que tinham. Usaram ele”, disse.

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Os intervencionistas

Apesar de se apresentar como Dom Werneck na internet, seu nome verdadeiro é Reginaldo Florêncio Verneque. Ele é autor de transmissões ao vivo pelo Facebook e YouTube com centenas de milhares de visualizações, em que defende qualquer coisa relacionada às Forças Armadas. Tem barba comprida e usa camisa jeans, “como um comunista”, segundo o próprio. “Gosto de quebrar estereótipos”, disse. Sua esposa, Priscila, nos acompanhava no café. Vestia camiseta verde-oliva com adereços que imitavam insígnias militares.

Agora o “grupo de malucos” intervencionistas tem trânsito na Esplanada. E tem como maior representante o vice Mourão.

Werneck admite que, há até pouco tempo, os intervencionistas eram tratados como um balaio de malucos, em que alguns poucos gatos pingados protestavam nas ruas e basicamente ninguém dava bola. O movimento cresceu nos últimos anos, amparado pelos escândalos de corrupção e o sentimento de ódio à política tradicional. O ponto alto veio em 2015, durante os atos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em que até 48% das pessoas disseram apoiar um novo golpe militar, segundo pesquisa da Universidade de Vanderbilt, dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Brasília e apoio da Capes.

O casal coleciona milhares de seguidores e haters pela causa que defende. Apesar de serem os intervencionistas mais conhecidos, e talvez os mais influentes, também são alvos de acusações de se apropriarem do dinheiro de viúvas de militares que sonham com a intervenção. Werneck era dono de restaurantes, Azevedo trabalhava em um banco privado. Os dois deixaram os empregos há cerca de seis anos. Hoje, pagam as contas com a venda de produtos militaristas e doações dos seguidores.

Agora o “grupo de malucos” intervencionistas tem trânsito na Esplanada. E tem como maior representante o vice-presidente, general Hamilton Mourão.

Em vídeos de outros intervencionistas, é flagrante o incômodo com o escândalo de corrupção que envolve Flávio Bolsonaro.

Mourão já defendeu a intervenção militar para “salvar o país” da corrupção – ele perdeu um cargo no Exército e se aposentou por causa dessas declarações. Durante a campanha eleitoral, no ano passado, despertou comichões prazerosos nos militaristas quando falou da possibilidade de um “autogolpe” do presidente, junto às Forças Armadas, na hipótese de anarquia. Hoje, seu discurso é bem mais moderado. Ainda assim, é visto como herói por militares e simpatizantes. Intervencionistas juram de pé junto que são próximos a ele. Werneck foi o único civil convidado para a cerimônia interna que homenageou o general quando passou à reserva.

Apesar de o movimento ser heterogêneo, as opiniões do casal parecem ter respaldo no universo militarista. Em vídeos de outros intervencionistas, é flagrante o incômodo com relação ao possível escândalo de corrupção que envolve o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair, e o motorista Fabrício Queiroz.

“Essa história do Queiroz está me cheirando cabide de emprego (…) Eu não boto a minha mão no fogo”, disse Plaucio Pucci, um militarista que poucas semanas antes pedia voto para Bolsonaro. “Meu filho, passa logo um antivirus nessa máquina. Caso contrário ela apagará rapidamente”, ameaçou outro, Alexandre Bellei. “Qual é a diferença de um corrupto de R$ 90 milhões e um de R$ 90 mil? (…) Agora fica esse nhenhenhé. Não tem nhenhenhé, é corrupto igual”, afirmou mais um youtuber, José Márcio.

interven-7-1549035736Após Mourão defender a intervenção militar em uma palestra, Werneck mandou fazer um banner com 10 metros de altura em homenagem ao general.

Mourão entra em cena

Quando Mourão apareceu no noticiário nacional, em setembro de 2017, após dizer em uma palestra que poderia haver intervenção militar no caso de o Judiciário “não solucionar o problema político”, Werneck viu a notícia e foi para uma gráfica do Gama, cidade do Distrito Federal onde mora, mandar fazer um banner com 10 metros de altura com uma foto de Mourão e a frase “Obrigado militares por nos salvar. Obrigado General Mourão”. Levou o banner para a frente do Congresso e o içou.

Passou a acompanhar de perto o general e por isso foi chamado para a despedida dele, que registrou em um vídeo de 25 minutos em seu canal. Por causa dessa proximidade, Werneck foi procurado no começo do ano passado por Levy Fidélix, que queria levar o general para a política, filiando-o ao PRTB.

O intervencionista gravou dois vídeos com Fidélix. Em um deles, o presidente do PRTB aparece comicamente vestido com roupas militares em uma loja de produtos militares dizendo que está “pronto para a guerra” e que é “intervencionista de coração”.

Werneck e Priscila são amigos do general Paulo Assis, que foi comandante de Mourão nas Forças Armadas e já contou ao Intercept como o aconselhou a entrar no mundo da política. O casal estava presente no dia em que o general assinou sua filiação ao partido. Os dois também se filiaram. Depois, tomaram um chope gigante para comemorar.

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O casal é próximo de Mourão e esteve presente no dia em que o general assinou sua filiação ao PRTB. Foto: Reprodução/Facebook

Werneck reclama que Fidélix usou Mourão como ferramenta para garantir ao seu partido a continuidade no mundo político, já que não elegeu nenhum parlamentar este ano – nem ele próprio, que concorreu à Câmara – e, por isso, seria impactado pelas limitações da cláusula de barreira, que impede que partidos sem representantes no Congresso tenham acesso a recursos do fundo partidário e tempo de televisão.

Uma frase que Werneck disse me chamou a atenção. Era que Bolsonaro não sabia lidar com a oposição dos intervencionistas, já que eles não podem ser considerados comunistas ou esquerdistas, como costuma atacar seus inimigos políticos. “Somos de direita, somos conservadores. Somos até mais radicais do que os próprios militares, porque nós queremos que se feche Congresso e Supremo e tenha uma junta militar governando o país”, disse.

“É a tal da mão amiga e braço forte. Nós somos a mão amiga. Eles são o braço forte”.
TheIntercept

Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção

É Froidi – Picles & Drops

O Poderoso Queiroz! Faltou novamente.
Será qual a cortina de fumaça que vão jogar agora?
Quarta foi a soltura de presos da segunda instância
Esse aprendeu direitinho a tática do atestado médico pra sumir de onde devia estar.
Caberia uma coletiva – “periculum mora” – , do segmento do MP diretamente envolvido, sobre o assunto. Ou não vem ao caso?
Queiroz está esperando o padrinho tomar posse e mexer os pauzinhos ou melhor as laranjinhas.Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção

 


Infelizmente o país não mudará nunca. Enquanto as pessoas confundirem caráter com opção política, aqui não vai pra frente. Mau caráter tem em todos os lados e partidos infelizmente
Sabem o PM que deu 6 tiros no rosto de um trabalhador no Rio de Janeiro numa briga de trânsito?
Caso aconteceu na manhã desta quinta-feira na Avenida Brasil, em Bangu. O soldado Cleiton de Oliveira Guimarães foi preso na UPP Nova Brasília, onde foi trabalhar como se nada tivesse acontecido. Ele já tinha tentado matar outra pessoa no trânsito.
Na cabeça desse povo matar tá liberado porque nossa justiça mostrou que está morta.
Isso é só o fim.

Design – EscadasArquitetura,Escadas,Design,Blog do Mesquita 3


O brasileiro médio, de todas as classes sociais, emburreceu e alienou-se a tal ponto que boa parte agora defende que a solução contra a corrupção é mais corrupção, contra a violência a solução seria mais violência, contra o desemprego seria também mais desemprego. Haja burrice!


Tostão furado,Blog do MesquitaMajor Vaz? PC Farias? Celso Daniel?

Fabrício Queiroz – ou o que restou dele – faltou mais uma vez à convocação para prestar depoimento no MP-RJ.
Ele e o Adélio devem estar muito preocupados com o futuro.
Quando os “nominhos” sumirem do noticiário, as vidas desses dois não valerão um tostão furado.

Sem humor não dá pra agüentar o tranco nesse hospício.
Campanha #PosteUmFilmeComOQueiroz
Meus títulos. Mandem os seus!:
– Queiroz o oitavo passageiro
– A insustentável leveza do Queiroz
– Corra que o Queiroz vem ai
– Corra Queiroz. Corra
– Apertem o cinto o Queiroz sumiu
– Conduzindo Mrs. Micheque
– O poderoso Queiroz
– O Queiroz do Os
– Queiroz no País da Maravilha
– A Lista do Queiroz
– Queiroz da Arábia
– O labirinto de Queiroz
– Cidadão Queiroz
– Queiroz Gump o contador de estorias
– Queiroz o caçador de androides
– Queiroz Poppins
– Os treze Queiroz
– Fabrício Queiroz e a arca perdida
Blog do Mesquita,Língua


E o Queiroz? Hahaha. Simples, bobinhos.
Vai continuar escondido até que o Bolsonaro tome posse e sua equipe use de todos os meios que estiverem ao alcance deles pra abafar o caso.
Os eleitores que se diziam anticorrupção e se calam nesse episódio assinam seu atestado de cumplicidade, o que não é nenhuma surpresa.

A fábrica de biscoitos da Nabisco foi vendida para a Philippe Morris, por U$ 15 bilhões. Ou seja, a Embraer, maior fabricante de aviões do seu setor, foi vendida com toda a sua tecnologia por pouco mais de 1/3 do valor de uma fábrica de biscoitos. E você aí preocupado com a mamadeira erótica.Brasil,Cabeça pra baixo,Blog do Mesquita


Brasil da série “Só dói quando eu rio”Assessor,Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção,Brasil,Humor,Nani,Blog do MesquitaNetflix – “A Livraria”.
Delicado, terno, amorosamente encantador, e surpreendente.
Põe a nu o secular hábito da burguesia em sufocar qualquer tentativa de liberdade por via da cultura. Ela, a lamacenta burguesia, manipula o poder para se manter no topo da pirâmide.

Brasil,Capitalismo,Blog do Mesquita


Durante a noite até há pouco, pesquisei todas as decisões liminares tomadas pelos Presidentes do STF, durante os períodos de recessos, entre 2006 e 2010. Irei pesquisar, agora no período 2007/2018. Em nenhum caso, um presidente modificou a decisão liminar do relator. Todos aguardaram o referendo do Pleno.


Arquitetura,Escadas,Design,Blog do Mesquita AArquitetura – Escadas


Não precisou nem um cabo e um soldado. Bastou um “presidente” que desconhece a CF e a jurisprudência do STF.
Uma juíza de primeira instância questionando a decisão de um ministro do Supremo.
O Brasil não é uma República.
É uma piada.


Jackson PollockAtes Plásticas,Pintura,Blog do Mesquita, Jackson Pollock

Sim, eu sou Chato, Comunista, Petralha e mais adjetivos desqualificativos infindos, mas… cadê a “*orra” do Queiroz?
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro não comparece à depoimento.
O motorista Fabrício Queiroz está há semanas desaparecido.STF,Blog do Mesquita

Arquitetura – Portas e janelasArquitetura,Design,Portas,Janelas,Blog do Mesquita


Sempre existiram idiotas, a tecnologia apenas está dando palco a eles. Temos de usar a tecnologia para tentar mostrar que há mais coisas entre o céu e a terra que a cabeça desse olavo. Com minúscula mesmo.Tragédia, blog do Mesquita,Olavo de Carvalho


– No meu governo combaterei a corrupção e minha equipe só terá gente honesta.

– E fulano?
– Já se arrependeu
– Mas tem sicrano, que tá sendo investigado
– É só investigado
– Beltrano é réu
– Réu? eu também sou. O que não pode é condenado
– Ei, olhe, tem um condenado
– Mas não tá preso

FIM.


Bebê espantado,Blog do Mesquita

É Froidi – Drops & Picles

Da série “Meu ofício é incomodar”
Cadê o Queiroz?
Quem matou Mariele?
Cadê o esfaqueador?
Só chamando o Herculano QuintanilhaBola de Cristal,Blog do Mesquita,O Astro

Imagina você entrando nessa Catedral em Campinas e o padre com uma 12 do lado da Bíblia?
Uma mistura de Gunslinger com Priest!

Armas,Igreja,Blog do Mesquita

Fotografias,Animais,Cavalos,Blog do Mesquita 3


Vamos fazer as contas?
Fernanda Montenegro é atriz desde antes de 1951, e a Lei Rouanet foi criada em 1991.
Em 1991, ela já era um ícone da dramaturgia no país e conhecida mundialmente.
Como ela só ficou famosa por quê “mama” na Lei Rouanet?
A NASA precisa estudar os devotos da “famiglia”.


Chega!
Ela tem um livro: Jesus no pé de goiaba! Dá pra acreditar?
“Eu vi Jesus no pé de goiaba”, diz Damares Alves, futura ministra de Bolsonaro.


Ministra-pastora propõe relativizar o estupro, humanizar o estuprador e punir a mulher tonando o aborto crime hediondo. Uma inacreditável peça de violência contra a mulher em três atosFreira,Terror,Blog do Mesquita


Ontem foi o Dia Mundial do Palhaço, mas aqui no Bananil, o dia durará, no mínimo quatro anos.

Se abrir a porta para maluco, ninguém a fechará mais.
Reunião dessa turma dos parafuso solto. Olhem só o futuro ministro da Ciência e Tecnologia participando das reuniões do Gabinete de Transição do novo(?) governo, vestido de astronauta.Bolsonaro, Astronauta

O mais triste, desesperador, é que ainda tem muito espaço para piorar.
“Vamos tratar meninas como princesas e meninos como príncipes”, diz futura ministra –
A pastora Damares Alves defendeu o que chamou de uma contrarrevolução cultural. Cuma? Hahahaha.


Inacreditável: Alberto Fraga – bancada da bala, não se reelegeu e é “cliente” da Lava Jato – acaba de culpar a Rede Globo pelo atentado ocorrido em Campinas, em que um homem abriu fogo na catedral, matou quatro e cometeu suicídio. “Esse tipo de atitude deve-se à repercussão da Rede Globo de casos isolados dos EUA sendo repercutidos aqui”. “Quiuspa”!Brasil,Política,Humor


A xenofobia, a rejeição da pluralidade, a mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior e a construção de bodes expiatórios se transformaram em tendência mundial. É preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos extremistas. Também é necessário fortalecer a coesão coletiva


Fabrício Queiroz,Motorista,Bolsonaro


O Junior, “parça” do motorista desaparecido, Filhinho disse que ia invadir a Venezuela. Será que ele mantém a promessa? Se só com a Venezuela sozinha já não iria conseguir, imagine agora com a Rússia. Vai que é sua, Bozinho!Aviões,Bombardeiros,Rússia,Venezuela,Bolsonaro


Mais um.
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MP
Procuradoria acusa novo ministro do Ambiente de abuso de poder econômico na eleição
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MPBolsonaro,Brasil,COAF,Corrupção


Mudança no mundo das histórias infantis: sai “João e o Pé de Feijão”, entra “Jesus e o Pé de Goiaba”.
Mas é bom tomar cuidado. Depois de ouvir a versão contada pela tia Damares, a criança fica uma semana sem dormir.



Não escapa ninguém. Só tem ladrão. Tudo com rabo preso apontando o rabo preso dos outros.
PSC, PT e PSOL aparecem em relatório do Coaf.


Tem que ser interditada. Na frente da tia da goiabeira, Paschoal é um modelo de sanidade e equilíbrio emocional.

O garotinho do filme “Sexto Sentido”
– Eu acho que vejo gente morta!
Ministra do Bozó:
– Fica quieto moleque, eu vejo Jesus na goiabeira o tempo e, nem por isso fico dando bandeira, fica quieto senão internam a gente!

Meu pé de Laranja, Laranja.

Alguma notícia de como funciona o Programa Minha Laranja Minha Vida?
PF fazendo buscas nas casas dos envolvidos? Um Plantão da Globo mostrando PowerPoint? Algo?Laranjas,Corrupção,Lavagem de dinheiro,Blog do Mesquita
Eleições,Bolsonaro,Política,Congresso

Bolsonaro e a matemática do Congresso

Eleições,Bolsonaro,Política,CongressoDireito de imagem WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL

Bancadas conservadoras devem garantir governabilidade, mas aprovação de mudanças constitucionais como a reforma da Previdência exigirão acordos políticos, apontam analistas
Jair Bolsonaro foi eleito presidente puxando consigo uma onda conservadora que conquistou dezenas de vagas no Congresso Nacional e lhe atraiu o apoio de três grandes bancadas parlamentares – ruralista, evangélica e da segurança pública, também chamadas de “BBB” (boi, Bíblia e bala).

Esse resultado deve garantir, ao menos no início do mandato, maioria para aprovar os projetos de interesse do governo, segundo analistas políticos que acompanham de perto o Parlamento brasileiro.

A Câmara é formada por 513 deputados e o Senado, por 81 parlamentares. A maioria das matérias exige maioria simples para aprovação – metade dos votantes mais um, estando presentes ao menos 257 deputados, no caso da Câmara, e 41 senadores, no caso do Senado -, mas alterações na Constituição demandam apoio de três quintos das duas Casas (308 votos e 49 votos, respectivamente). Projetos de lei complementar, por exemplo, exigem maioria absoluta: 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.

Dois fatores, porém, representam riscos para a articulação do novo governo: o aumento da fragmentação do Parlamento, que terá um número recorde de partidos a partir de 2019, e a ampla renovação, que implica um grupo grande de congressistas inexperientes.

O partido, porém, deve receber até 15 deputados de legendas menores que não alcançaram o patamar mínimo de votos para ter direito a fundo partidário, segundo Joice Hasselmann, eleita pelo PSL em São Paulo e cotada para liderar a sigla na Câmara.

“Além da bancada pura do PSL, temos apoio de outras bancadas que já fecharam conosco, como a evangélica e a ruralista. São mais de 300 parlamentares alinhados com Bolsonaro”, afirmou Hasselmann à BBC News Brasil.

O cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice, tem um cálculo um pouco mais conservador que o de Hasselmann. Ele estima que as bancadas formadas por ruralistas, evangélicos e antigos policiais e militares (parte deles eleitos pelo PSL) podem dar mais de 250 votos a Bolsonaro.

“Então, a dificuldade para ter uma maioria simples não deve ser grande. A dificuldade para uma maioria constitucional é um pouco maior. Isso vai ter que ser negociado caso a caso”, acredita.

Na leitura do diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, conhecedor de Congresso, a oposição mais firme ao governo Bolsonaro partirá de PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, Rede e PV. Esses partidos elegeram juntos 140 deputados.

Já partidos como MDB, PSDB, Solidariedade, PPS, Novo, Pros, Avante e mais algumas siglas nanicas tendem a ocupar o centro, prevê ele, negociando cada votação. Isso somaria algo entre 100 e 120 deputados.

“Nas pautas econômicas e de privatização (em que o presidente eleito tem sinalizado para propostas liberais), Bolsonaro não terá problema. O Novo, por exemplo, tende a votar todo com o governo nessas questões, mas nas pautas de valores, não”, acredita o diretor do Diap.

Os demais partidos, ressalta Queiroz, teriam um alinhamento maior com as propostas conservadoras da nova administração e tendem a lhe dar apoio, como PSL, DEM, PP, PR, PTB, PSD, PRB, entre outros, que representarão cerca de metade da Câmara.

Se esse cenário se confirmar, haverá uma situação confortável para o governo tentar aprovar pautas conservadoras que não exigem alteração constitucional, como a revisão do Estatuto do Desarmamento e o Escola Sem Partido – proposta que prevê a fixação de cartazes nas salas de aula com orientações para professores e que é vista por críticos como um forma de tolher a liberdade de ensino.

Já propostas que geram controvérsia na sociedade e exigem alteração da Constituição enfrentarão mais dificuldade para serem aprovadas, avalia o diretor do Diap, como a redução da maioridade penal e a reforma da Previdência.

Eleições,Bolsonaro,Política,CongressoDireito de imagem FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

O PSL, partido de Bolsonaro, até então uma sigla nanica, saiu das urnas com a segunda maior bancada da Câmara Federal, com 52 deputados
“Se a reforma (previdenciária) mexer com policial, militares, vai ter resistência na base de Bolsonaro”, exemplifica.

Na bancada do PSL, 12 deputados vieram das polícias militar e civil ou das Forças Armadas.

Queiroz ressalta que, por mais que o presidente eleito repudie a composição com partidos baseada no “toma lá da cá” (distribuição de cargos), ele terá que, de alguma forma, negociar com as siglas. As urnas elegeram deputados de 30 legendas diferentes, uma fragmentação recorde que dificulta essa missão.

Os próprios aliados de Bolsonaro sabem disso. À BBC News Brasil, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) reconheceu que não será possível negociar apenas com bancadas conservadoras suprapartidárias.

“O Bolsonaro que dará as coordenadas, mas, no meu entendimento, não temos como descartar a conversa com os partidos políticos. Tem um partido que representa 40 deputados, como é que o governo vai conversar com um deputado? Tem que conversar com o partido que representa os 40 deputados”, exemplificou ele.

Fraga também aponta a alta renovação da Câmara (47% dos eleitos são deputados de primeiro mandato) como um empecilho a mais para o andamento de pautas complexas como a reforma da Previdência. Ele descarta a possibilidade de o assunto ser votado ainda neste ano.

“Nós não vamos assumir esse ônus para quem está chegando agora ficar de bonzinho não. (…) Se com os experientes já era difícil andar, imagina com pessoas novas, que seguramente demoram um ou dois anos para entender como a Casa funciona. Vai ter muita dificuldade”, reconheceu.

Fraga, que é coronel reformado da Polícia Militar, esteve na semana passada na casa de Bolsonaro no Rio com 30 deputados da bancada da segurança pública para reafirmar o apoio do grupo a sua eleição.

Feliz com o tamanho da caravana mobilizada por Fraga, o então candidato chegou a dizer publicamente que o queria no Palácio do Planalto, auxiliando na articulação política.

O deputado do DEM, que perdeu a disputa pelo governo do Distrito Federal e estará sem mandato no próximo ano, negou à BBC News Brasil que tenha havido algum convite formal.

Rodrigo Maia presidente?
Apesar da ampla renovação, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta se articular para continuar na liderança da Casa.

Segundo a imprensa brasileira, o demista colocará a revisão do Estatuto do Desarmamento em votação ainda neste ano como aceno a Bolsonaro. Fraga, que é relator da proposta, nega que haja essa negociação, mas confirma que Maia pautará a matéria já em novembro.

Em entrevista ao portal Poder 360, Bolsonaro reconheceu que seu partido pode apoiar um nome de fora da sigla. Além de reconhercer a movimentação de Maia, apontou também como outros interessados no cargo Alceu Moreira (MDB-RS), João Campos (PRB-GO), Fernando Giacobo (PR-PR) e Luciano Bivar, fundador do PSL que abriu a sigla para a candidatura de Bolsonaro ao Planalto.

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Apesar da ampla renovação, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta se articular para continuar na liderança da Casa.

“Nós temos 52 votos lá dentro, na bancada do PSL. Pelo que tudo indica, a bancada está quase toda fechada: devem apoiar algum deputado de outro partido. Não sabemos quem vai ser ainda, pois ainda não fizemos nenhuma reunião de bancada”, afirmou Bolsonaro.

“Geralmente o presidente não se mete nessa questão, senão ele ganha inimigos eternos lá dentro. O que eu tenho falado para a minha bancada é que eu gostaria que nós não lutássemos pela Presidência da Câmara”, complementou Bolsonaro em uma entrevista à TV Record, nesta segunda-feira. O presidente defendeu ainda que os novatos de seu partido não disputem cargos na Mesa Diretora.

Há ainda outros postulantes ao cargo, como Capitão Augusto (PR-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP) – o primeiro será o próximo coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, a bancada da bala, e espera contar com o apoio destes colegas.

Para Queiroz, a estratégia de apoiar um nome experiente de outra sigla para presidir a Câmara “é o mais inteligente”, pois ampliaria a base do governo. Já Joice Hasselmann repudia a continuidade de Maia no comando da Casa e defende que ter um presidente do PSL seria mais estratégico para o governo conseguir controlar a pauta de votação.

“Acho que Maia não prejudica a governabilidade, mas, do ponto de vista de imagem do governo, uma imagem de mudança, manter o mesmo rosto na Presidência da Câmara pode prejudicar”, acredita a deputada eleita.

Um encontro entre os deputados eleitos pelo PSL deve ocorrer nesta semana, segundo disse à reportagem o deputado Delegado Waldir (PSL-GO), reeleito para seu segundo mandato. A atuação no Congresso será um dos temas do encontro.

Indefinição maior no Senado
No Senado, o PSL chegará com menos força, já que elegeu apenas a nona maior bancada, empatado com o PDT (4 senadores cada).

Senadores de outros partidos, porém, saíram surpreendentemente vitoriosos graças ao apoio de Bolsonaro e devem lhe prestar lealdade, como Jorginho Mello (PR-SC) e Arolde de Oliveira (PSD-RJ).

A oposição mais sólida, formada pelos partidos de esquerda, também será pequena, com 17 dos 81 senadores. PSDB com 9 e MDB com 12, por outro lado, seguem sendo os maiores partidos na Casa, ainda que tenham reduzido suas bancadas.

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No Senado, o PSL chegará com menos força do que na Câmara, já que elegeu apenas a nona maior bancada, empatado com o PDT. Lá, está ainda menos claro quem poderá assumir o comando.

Em geral, o partido com maior bancada, no caso o MDB, é quem leva a presidência. Na legenda, um nome que tem sido ventilado é o da senadora do Mato Grosso do Sul Simone Tebet.

Já o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB) se reelegeu com apoio do PT em Alagoas, o que reduz suas chances de chefiar a Casa em um governo Bolsonaro.

Para Queiroz, do Diap, o hoje deputado Esperidião Amin (PP-SC), que voltará ao Senado em 2019 e já foi governador do seu Estado, tem experiência e alinhamento com o novo presidente que o credenciam para disputar o comando da Casa. Amin declarou apoio a Bolsonaro já no primeiro turno.
Mariana Schreiber e André Shalders
Da BBC

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Alexandria Ocasio-Cortez, latina e socialista: A deputada mais jovem da história dos EUA

Dez meses depois de deixar seu emprego como garçonete em um restaurante mexicano, a socialista Alexandria Ocasio-Cortez se tornou a congressista mais jovem da história dos EUA
Valentina,USA,Eleições,Congresso Estados Unidos,Socialista,Mulher,NegraFoto: Reprodução/Facebook
Nas eleições de meio de mandato norte-americanas, realizadas no dia 6 de novembro, os bairros do Queens e do Bronx, na cidade de Nova York, escolheram uma mulher latina de 28 anos, socialista e filha de porto-riquenha para representá-los na Congresso. Dez meses depois de deixar seu emprego como garçonete em um restaurante mexicano, Alexandria Ocasio-Cortez derrotou o republicano Anthony Pappas com 78% dos votos e se tornou a mais jovem congressista da história dos EUA.

Formada em economia e relações Internacionais pela Universidade de Boston, Cortez surpreendeu durante as primárias do partido Democrata ao derrotar o experiente congressista Joe Crowley e iniciar uma campanha vitoriosa para o Congresso, onde, a partir de 2019, irá representar o 14º distrito de Nova York.

Filha de mãe porto-riquenha e pai nova-iorquino, Ocasio-Cortez já havia trabalhado como voluntária na campanha presidencial de Barack Obama, em 2008. No ano seguinte, ainda caloura do curso de bioquímica – o qual abandonou depois de um semestre -, trabalhou no gabinete do então senador democrata por Massachusetts Ted Kennedy (1932-2009).

Em 2016, a então ativista se engajou de vez na atividade política quando ajudou a organizar a campanha do democrata socialista Bernie Sanders para as primárias do partido Democrata, durante quais ele disputou com Hillary Clinton a vaga para concorrer à presidência.

De salão de beleza a comitê de campanha

Em um local que costumava ser um salão de beleza, Ocasio-Cortez organizou o comitê de campanha de Sanders no Bronx. Rapidamente, o lugar se tornou um centro ativo de discussão política. Membros de grupos como o Black Lives Matter, líderes comunitários, sindicalistas de diversas categorias, ambientalistas, feministas, ativistas LGBTs e socialistas democratas passaram a se reunir no comitê montado por Ocasio-Cortez..

Clinton saiu vitoriosa nas primárias dos democratas, mas acabou perdendo as eleições para o atual presidente dos EUA, Donald Trump. A movimentação de base do partido Democrata, porém, ficou, cresceu e prosperou em 2018, quando ocorreram as midterms.

O sucesso de Cortez nas primárias confirmou o potencial da candidata democrata
Poucos recursos, diálogo e base

Seguindo o exemplo da campanha de poucos recursos, baseada em diálogo e movimentação de base, apoiadores de Sanders criaram o Brand New Congress, algo como “Congresso Novo em Folha” em inglês, um movimento que adotou esses princípios como estratégia fundamental para lançar candidatos ao Congresso nas eleições de 2018.

Ocasio-Cortez surgiu dentro do movimento como um dos nomes para disputar um assento na Câmara dos Representantes. Ela começou a receber apoio técnico para iniciar sua campanha nas primárias.

À ´época, ela já havia voltado a morar no Bronx e trabalhava em empregos temporários como garçonete e balconista – ocupações que evitavam que ela se afastasse da família: a mãe, Blanca, passava por dificuldades financeiras e trabalhava como faxineira depois da morte do marido.

Com ajuda do Brand New Congress, Ocasio-Cortez deixou de servir mesas em um restaurante mexicano de Nova York e foi fazer campanha – agora, para si própria.

Primárias: campanha na rua

Na disputa pela vaga dentro do partido Democrata, a jovem ativista enfrentou o experiente deputado Joseph Crowley, que vinha de reeleições sucessivas. A campanha modesta de Ocasio-Cortez, sustentada por pequenas doações e forte atividade de base, parecia não representar uma ameaça para o tradicional candidato.

Ocasio-Cortez, então, foi para a rua. A campanha foi marcada por diversas ações diretas para angariar votos, como abordagens em praça pública, parques, estações de metrô, envio de mensagens de texto, telefonemas e, até mesmo, batendo de porta em porta. Voluntários ajudavam a candidata na campanha na rua. Por sua vez, Crowley fazia o que havia garantido sua vitória nos anos anteriores naquele distrito tradicionalmente democrata: apostou em reuniões formais e pouca atividade de base.

Além disso, Ocasio-Cortez recebeu apoio de movimentos que espontaneamente deram suporte à candidatura. À revista New Yorker, Virginia Ramos, uma das coordenadoras da campanha, disse que organizações como Bronx Progressive, Queens Neighborhoods United, Black Lives Matter e, principalmente, os Socialistas Democráticos da América “abriram caminho para a vitória”.

Ocasio-Cortez venceu Crowley com 57,13% dos votos e se credenciou para disputar a eleição geral.

Midterms

O sucesso de Cortez nas primárias confirmou o potencial da candidata democrata perante o rival republicano que enfrentou nas midterms. Anthony Pappas, um professor de economia de 72 anos, filiado ao partido Republicano, baseou sua campanha em um discurso conservador sobre “imunidade judicial”, repetindo que “ninguém está acima da lei” e que estaria em “uma missão”, em uma campanha baseada em postagens simples no Facebook.

Com 78% dos votos, Cortez saiu vitoriosa das eleições de meio de mandato e deu continuidade à hegemonia democrata no 14º distrito de Nova York.

Após eleita, em entrevista ao New York Times, Ocasio-Cortez disse que teme não conseguir bancar um apartamento em Washington e que talvez terá que esperar pelo primeiro salário para se mudar para capital. “Eu tenho três meses sem salário antes de me tornar membro do Congresso. Então, como posso arrumar um apartamento? Essas pequenas coisas são muito reais.”

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Estados Unidos: Número de mulheres eleitas para Congresso bate recorde histórico

Foram eleitas 112 mulheres, sendo que 92 irão ocupar assentos na Câmara dos Representantes, além de 10 no Senado; do total, 99 são democratas.Política Internacional,Estados Unidos,USA,Mulheres,Congresso Americano,Trump,Democratas,Republicanos,Trump

Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar foram duas das eleitas nas midterms de 2018
Foto Reprodução

As eleições de meio de mandato que aconteceram nesta terça-feira (06/11) nos Estados Unidos, conhecida como midterms, registraram um recorde histórico de mulheres eleitas para o Congresso do país. Ao todo, foram escolhidas 112, sendo 92 na Câmara e 10, no Senado.

O resultado reflete uma guinada eleitoral nos EUA, após o republicano Donald Trump sair vitorioso das eleições de 2016 contra a democrata Hillary Clinton. Atualmente, há 107 mulheres exercendo cargo eletivo na Câmara e no Senado.

Neste ano, foram 273 candidaturas femininas ao Congresso, número superior às 184 das últimas midterms. Se comparado com a eleições de 2008, o número de candidatas mulheres ao Congresso quase dobrou, passando de 143 à época para as 273 deste ano. Em relação ao último pleito, foram eleitas cinco mulheres a mais, superando os 107 cargos totais e os 85 na Câmara.

Para o cargo de governadora, foram eleitas nove mulheres pelos estados de Oregon, Novo México, Dakota do Sul, Kansas, Iwoa, Arkansas, Michigan, Alabama e Maine. Ao todo, as candidatas femininas do Partido Democrata venceram em cinco estados, enquanto que os republicanos fizeram quatro governadoras mulheres.

No estado de Oregon, a democrata Kate Brown foi reeleita com 49% dos votos, superando o republicano Knute Buehler, que somou 44%. No Novo México, a advogada democrata Michelle Lujan Grisham venceu o republicano Steve Pearce e atingiu 56,9% dos votos.

Do total de mulheres eleitas para o Congresso norte-americano, 99 são democratas. Entre as eleitas, há negras, muçulmanas e socialistas.

Alexandria Ocasio-Cortez

A democrata Alexandria Ocasio-Cortez se tornou a congressista mais jovem da história dos EUA. Negra, latina e socialista, a candidata de 29 anos saiu vitoriosa com 78% dos votos no 14º distrito de Nova York, tradicionalmente vencido por democratas.

Ocasio-Cortez já havia surpreendido quando desbancou o ex-congressista Joe Crowley nas primárias do partido. Crowley foi representante dos distritos do Bronx e Queens durante 10 mandatos.

Sua agenda progressista, que inclui defesa dos direitos de migrantes, criação de um sistema universal de saúde e controle do porte de armas, rendeu à democrata quantidade superior à necessária para derrotar seu adversário republicano Anthony Pappas, que somou 13% dos votos válidos.

Muçulmanas

Os estados de Michigan e Minnesota também elegeram representantes mulheres à Câmara e proporcionaram dois fatos inéditos na história das midterms. A filha de palestinos Rashida Tlaib, eleita em Minnesota, se tornou a primeira congressista muçulmana dos EUA, ao lado de Ilhan Omar, eleita em Michigan, de origem somali.

No estado do Kansas, a democrata Sharice Davids conquistou o assento do republicano Kevin Yoder na Câmara pelo 3º distrito e se tornou a primeira representante de povos nativos a ganhar uma vaga no Congresso. Ela é membro da etnia Ho-Chunk, tribo que habita os estados de Wisconsin e Nebraska.

No Tennessee, o democrata Phil Bredesen, que havia sido governador do Estado de 2003 a 2011, perdeu a vaga no Senado para a republicana Marsha Blackburn, que se tornou a primeira mulher eleita para o cargo.

A agora senadora é conhecida por suas posições conservadoras sobre aborto, porte de armas e migração. Durante campanha, Blackburn chegou a dizer que é “politicamente incorreta” e que tem “orgulho disso”.

Maioria democrata

O Partido Democrata já garantiu ao menos 219 dos 435 assentos da Câmara, um a mais do que os 218 necessários para formar maioria simples.

No Senado, no entanto, onde estavam em jogo 35 de suas 100 cadeiras, a maioria delas democratas, o Partido Republicano conseguiu segurar sua maioria, que deve ser até ampliada.
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