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Aquecimento Global. Antártica registra a temperatura mais alta já registrada, com uma leitura de 18,3 ° C

Um novo recorde estabelecido logo após o recorde anterior de 17,5 ° C em março de 2015 é um sinal de que o aquecimento na Antártica está acontecendo muito mais rápido que a média global.

A base argentina de Esperanza na Antártica – vista em março de 2014 – registrou seu dia mais quente já registrado na quinta-feira. Foto: Vanderlei Almeida / AFP via Getty Images

A Antártica registrou sua temperatura mais alta já registrada, com um termômetro da estação de pesquisa argentina lendo 18,3 ° C, batendo o recorde anterior em 0,8 ° C.

A leitura, realizada em Esperanza, na ponta norte da península do continente, supera o recorde anterior de 17,5 ° C da Antártica, estabelecido em março de 2015.

Um tweet da agência meteorológica argentina na sexta-feira revelou o recorde. Os dados da estação remontam a 1961.


Esta medição da Base Esperanza registra um novo registro histórico (desde 1961) de temperatura, a 18,3 ° C. Este valor supera o registro anterior de 17,5 ° C a 24 de março de 2015.

A península da Antártica – a área que aponta para a América do Sul – é um dos locais de aquecimento mais rápido da Terra, aquecendo quase 3 ° C nos últimos 50 anos, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Quase todas as geleiras da região estão derretendo.

A leitura de Esperanza bate o recorde para o continente antártico. O recorde para a região antártica – ou seja, em todo o sul de 60 graus de latitude – é de 19,8 ° C, registrado na ilha de Signy em janeiro de 1982.

O professor James Renwick, cientista climático da Universidade Victoria de Wellington, era membro de um comitê ad hoc da Organização Meteorológica Mundial que verificou registros anteriores na Antártica.

Provavelmente o comitê seria convocado novamente para verificar o novo recorde de Esperanza.

Ele disse: “É claro que o registro precisa ser verificado, mas, na pendência dessas verificações, é um registro perfeitamente válido e a estação [de temperatura] é bem mantida”.

“A leitura é impressionante, pois faz apenas cinco anos desde que o recorde anterior foi estabelecido e isso é quase um grau centígrado a mais. É um sinal do aquecimento que vem acontecendo lá, muito mais rápido que a média global.

“Ter um novo recorde que rapidamente é surpreendente, mas quem sabe quanto tempo isso vai durar? Possivelmente não muito tempo.

É preciso mobilização mundial para conter crimes ambientais que contribuem para o aquecimento global.Emergência climática. 11 mil cientistas alertam para “sofrimento incalculável”

Ele disse que o recorde de temperatura em Esperanza foi um dos mais antigos em todo o continente.

Renwick disse que as temperaturas mais altas na região tendem a coincidir com os fortes ventos do noroeste descendo as encostas das montanhas – uma característica dos padrões climáticos em torno de Esperanza nos últimos dias.

Ele disse que havia padrões climáticos complexos na área, mas a leitura de Esperanza provavelmente era uma combinação de variabilidade natural e aquecimento de fundo causada pelo aumento dos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera.

Ele disse: “A razão pela qual a península está se aquecendo mais rapidamente do que em outros lugares é uma combinação de variações naturais e sinais de aquecimento”.

A professora Nerilie Abram, cientista climática da Universidade Nacional Australiana, realizou pesquisas na ilha James Ross, no extremo norte da península.

“É uma área que está esquentando muito rapidamente”, disse ela, acrescentando que às vezes pode ser quente o suficiente para vestir uma camiseta.

Pesquisas anteriores de 2012 descobriram que a taxa atual de aquecimento na região era quase sem precedentes nos últimos 2000 anos.

Abram disse: “Mesmo pequenos aumentos no aquecimento podem levar a grandes aumentos na energia que você tem para derreter o gelo. As consequências são o colapso das prateleiras de gelo ao longo da península.”Pemafrost,Degelo,Geleiras,Clima,Mudanças Climáticas,Blog do Mesquita

A água de derretimento pode atravessar rachaduras nas prateleiras de gelo, disse ela. Como as prateleiras de gelo já flutuam no oceano, seu colapso não contribui diretamente para o aumento do nível do mar.

Mas Abram disse que as prateleiras funcionavam como plugues, ajudando a manter as camadas de gelo atrás delas estáveis. O derretimento das camadas de gelo contribui para o aumento do nível do mar porque elas estão ligadas à terra.

O Dr. Steve Rintoul, oceanógrafo líder e especialista em Antártica da CSIRO, disse: “Este é um registro de apenas uma única estação, mas está no contexto do que está acontecendo em outros lugares e é mais uma evidência de que, à medida que o planeta aquece, obtemos registros mais quentes. e menos registros frios. ”

A temperatura mais baixa já registrada na Antártica – e em qualquer lugar da Terra – foi na estação russa de Vostok, quando as temperaturas caíram para -89,2 ° C em 21 de julho de 1983.

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A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO QUER COMPRAR OS JOVENS QUE LUTAM PELO CLIMA

O CEO da BP, Bob Dudley, à esquerda, e o economista-chefe Spencer Dale falam durante uma sessão no One Young World Summit, em Londres, em 23 de outubro de 2019. Imagem: Facundo Arrizabalaga/EPA-EFE/Shutterstock

NO MESMO DIA em que a ativista climática Greta Thunberg, 16 anos, fez um discurso emocionante na Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas em setembro, no qual criticou os representantes por “roubar meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, os arquitetos da crise climática receberam participantes jovens selecionados da cúpula para jantar.

CEOs de empresas de combustíveis fósseis, como a BP, Royal Dutch Shell e Equinor da Noruega estavam participando do encontro anual da Iniciativa Climática de Petróleo e Gás em Nova York, a OGCI, que incluiu líderes do setor que afirmam estar comprometidos em tomar ações “práticas” sobre as mudanças climáticas. Na agenda do almoço estava “explorar opções de engajamento de longo prazo” com jovens nos quais a indústria podia confiar. A Student Energy, uma organização sem fins lucrativos com sede em Alberta, perto da região de extração de areia betuminosa do Canadá, ajudou a organizar o evento, que incluiu tempo para que os estudantes interrogassem os CEOs sobre sua inação na mudança climática.

As perguntas dos estudantes podem ter sido difíceis, mas o evento foi ótimo para a indústria de combustíveis fósseis. Longe estão os dias em que os CEOs questionavam abertamente a existência das mudanças climáticas. Hoje, os líderes do setor estão fingindo uma sensação de urgência climática, enquanto levam adiante propostas de ação que permitirão às empresas continuar colhendo produtos emissores de carbono no futuro. Submeter-se a um grupo de estudantes céticos foi uma oportunidade para os executivos de petróleo e gás aumentarem sua credibilidade em uma época em que muitos jovens ativistas só interagiam com eles se cartazes e piquetes estivessem envolvidos.

Jovens ativistas dizem que estão vendo mais desse uso dos jovens à medida que o movimento climático global da juventude ganha impulso, inclusive na conferência anual da ONU sobre o clima, conhecida como COP 25, realizada em Madri no início de dezembro. Com a “juventude” se tornando sinônimo de ação climática, empresas e políticos estão usando cada vez mais os jovens para mostrarem uma postura séria sobre o clima.

“Existe um perigoso uso simbólico da juventude em benefício de uma imagem pública.”

“O uso da juventude nas campanhas está se tornando cada vez mais evidente”, disse Eilidh Robb, 24 anos, membro da Youth Climate Coalition do Reino Unido, que se envolveu em pressionar a ONU a adotar uma política de conflito de interesses que impeça que representantes da indústria de combustíveis fósseis exerçam influência na COP. “Existe um verdadeiro perigoso uso simbólico da juventude em benefício de uma imagem pública”.

O encontro da OGCI foi um exemplo particularmente flagrante de disso. A OGCI forneceu financiamento à Student Energy, e a diretora de negócios da OGCI, Rhea Hamilton, faz parte do conselho de administração do grupo. Entre os “parceiros” listados no relatório anual de 2018 da Student Energy estão a Royal Dutch Shell e a Suncor, um dos maiores produtores de areia betuminosa do Canadá. As empresas de combustíveis fósseis têm repetidamente financiado a conferência anual da organização.

Embora os líderes da Student Energy muitas vezes ecoem os pontos de discussão de ativistas como Thunberg, os membros do grupo – uma rede que alega incluir 40 mil jovens – são em grande parte pessoas que desejam trabalhar no setor de energia.

A Student Energy está entre os grupos de jovens com status de observador na COP 25, o que significa que seus membros podem ter acesso a espaços de negociação, conversar com as partes envolvidas e participar de eventos. Espera-se que sua presença nas negociações internacionais da ONU sobre o clima cresça. O relatório de 2018 da Student Energy observou que o grupo havia visto um aumento de 73% nos seus comitês filiados em atividade. No próximo ano, a BP se comprometeu a enviar 50 representantes da Student Energy para a COP26. O financiamento dobraria o tamanho da delegação usual do grupo, de acordo com um comunicado da BP. Em um espaço de conferência que serve como um campo de batalha de ideias sobre como lidar com a crise climática, a BP aparentemente vê a presença da Student Energy como benéfica para a corporação.

Mas os financiadores da Student Energy, algumas das empresas com maior responsabilidade na crise climática, não mostram sinais de desaceleração. O portfólio de produção da Suncor, que inclui principalmente a extração de areia betuminosa, é a que mais consome carbono entre as 100 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo, e a empresa pressionou por novos oleodutos que permitiriam continuar aumentando a produção. A Shell, a 11ª maior emissora de gases de efeito estufa do mundo entre as empresas de petróleo e gás, deve aumentar sua produção de combustíveis fósseis em 38% até 2030. A BP, a 14ª maior emissora, aumentará a produção em 20%.

As projeções das empresas são contrárias às medidas que os cientistas afirmam serem necessárias para cumprir a meta da ONU de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030. O objetivo da COP é avançar em direção a esse objetivo.

Adler disse ao Intercept que a Student Energy participou do evento da OGCI para desafiar o setor de petróleo e gás cara a cara. Ela disse que a organização segue princípios rígidos de parceria que impedem os financiadores de exercer influência sobre as atividades do grupo. Uma grande proporção dos membros da organização deseja trabalhar no setor de energias renováveis, não em uma empresa de combustíveis fósseis, acrescentou ela, e no próximo ano eles estarão diversificando significativamente suas fontes de financiamento. Quanto ao financiamento da BP para a COP26, Adler disse que a Student Energy não aceitou oficialmente o dinheiro. “Estamos verificando o que isso é de fato, as implicações disso e se eles são o parceiro certo.”

Para Taylor Billings, porta-voz da organização sem fins lucrativos Corporate Accountability, não é surpresa que o setor esteja buscando um movimento juvenil para colaborar. Como ela disse, “se as zebras estivessem liderando a marcha, as empresas de combustíveis fósseis e os governos do norte do mundo estariam escalando os muros para entrar no zoológico”.

Juventude nas Nações Unidas

A ONU fez pouco para eliminar as oportunidades de uso da juventude como massa de manobra em suas conferências. Desde 2015, o órgão governamental internacional realiza anualmente o Concurso Global de Vídeos Juvenis, no qual os participantes enviam curtas-metragens destacando as ações climáticas. O prêmio deste ano: uma viagem com tudo pago para a COP 25.

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Jovens representantes do SustainUS durante uma ação na COP 25 em 4 de dezembro de 2019. O grupo tem sido uma voz importante dos jovens contra a influência corporativa nas discussões sobre o clima.
Foto: Cortesia de David Tong

Mas, ao lado de várias agências da ONU que patrocinam o projeto, estava a Fundação BNP Paribas, financiada por um banco que gastou mais de 50 bilhões de dólares em investimentos em combustíveis fósseis entre 2016 e 2018. Em resposta, 29 organizações climáticas que trabalham com jovens enviaram uma carta aos organizadores da ONU no projeto.

“Esse tipo de captura corporativa de uma iniciativa de empoderamento dos jovens não é apenas decepcionante, mas também criminosa”, dizia a carta, observando que o BNP Paribas é o quinto maior financiador de combustíveis fósseis da Europa. As organizações pediram à ONU que “imediatamente encerre sua parceria com o BNP Paribas para garantir que o envolvimento dos jovens permaneça livre da influência de grandes poluidores e financiadores”.

“Não sejam responsáveis pela corrupção de nossa coragem e ação”, pediram os autores.

A ONU desconsiderou a carta. “Compartilhamos suas opiniões sobre a necessidade de descarbonizar o mundo e, para esse fim, também descarbonizamos portfólios de investimentos de instituições financeiras o mais rápido possível”, disse Niclas Svenningsen, gerente de Ação Global do Clima da ONU. No entanto, ele acrescentou: “Acreditamos que também é importante abrir o diálogo e ver como as partes interessadas de diferentes setores estão fazendo a transição de seus modelos de negócios.”

Para muitos, foi uma resposta típica. Quando se trata da captura indevida dos jovens, “o maior e mais flagrante exemplo são as Nações Unidas”, disse Jonathan Palash-Mizner, co-coordenador de 17 anos da Extinction Rebellion Youth US, que está na COP 25. Ele disse que os espaços para jovens na ONU costumam parecer uma “mesa das crianças”, com os participantes com pouco poder de decisão.

Enquanto isso, “você entra em qualquer negociação e todo negociador invocará Greta Thunberg”, disse Sarah Dobson, 23 anos, membro da Youth Climate Coalition do Reino Unido. “É vergonhoso porque eles não farão jus a essa visão.”

Youth strikers to stage sit-in at un climate talks during the Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change -COP25 on day 6, in December 6, 2019 in Madrid, Spain. (Photo by Rita Franca/NurPhoto via Getty Images)

Jovens grevistas protestam durante a COP25, em 6 de dezembro de 2019.
Foto: Rita Franca/NurPhoto via Getty Images

Dobson está envolvida em um esforço juvenil de longa data para expulsar conflitos de interesse da COP. O braço oficial da juventude da ONU, a YOUNGO, impede que seus comitês locais façam parcerias com empresas “que estão em conflito com os interesses dos jovens”. O grupo pressionou por anos por uma política que manteria qualquer um que trabalhasse para uma empresa de combustíveis fósseis fora das futuras conferências climáticas e exigiria divulgação de reuniões entre a indústria de combustíveis fósseis e os países em negociação ou funcionários da ONU.

Eles apontam para a Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco, que afirma que as partes “precisam estar alertas a qualquer esforço da indústria do tabaco para minar ou subverter os esforços de controle do tabaco” e devem proteger o acordo de “interesses comerciais e outros na indústria do tabaco”.

A YOUNGO voltou a defender uma política de conflito de interesses em uma reunião da ONU em junho, onde foram discutidas a logística da COP – mas com os EUA, a União Europeia e outros representantes globais do hemisfério norte que rejeitando a ideia, eles perderam.

“Políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma ação real está acontecendo quando, na verdade, quase nada está sendo feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas.”

Assim, quando a COP 25 começou em Madri no início de dezembro, uma série de representantes da indústria de combustíveis fósseis percorreu os corredores ao lado dos negociadores que decidirão o formato do mais importante acordo internacional sobre o clima. Os líderes da BP, Shell, Total e Suncor receberam credenciamento para participar da conferência por meio da International Emissions Trading Association, líder do setor, que tem status de observadora. Outras delegações convidaram representantes da Chevron, Petrobrás e outras empresas de combustíveis fósseis. Enquanto isso, entre os patrocinadores da COP 25 estava a empresa de serviços públicos Endesa, o maior emissor de carbono da Espanha.

A indústria de combustíveis fósseis tentou obstruir um forte acordo climático desde que a ONU começou a negociar a questão nos anos 90. Este ano, as associações comerciais da indústria intervieram mais em uma seção do acordo conhecida como Artigo 6, que inclui regras para esquemas de comércio de emissões. No geral, os sistemas internacionais de comércio de carbono falharam em reduzir significativamente as emissões onde foram implementadas. Ao invés de simplesmente forçar cortes por meio de regulamentações, os mercados permitem que as empresas invistam em projetos de compensação climática que, em muitos casos, mostraram ter pouco impacto climático real.

A forma dos mercados fará uma enorme diferença em quanto a indústria de combustíveis fósseis terá que pagar. Na COP, como Dobson colocou, “as empresas estão literalmente em todo lugar”.

Empresas de combustíveis fósseis #FazemOFuturo

A uso da juventude em causas se proliferou além dos encontros climáticos da ONU.

Robb mencionou a reunião do primeiro-ministro canadense Justin Trudeau com Thunberg em setembro, realizada antes de participar de uma marcha das Sextas-feiras Pelo Futuro liderada por jovens, onde foi criticado pelos canadenses que o rotularam de criminoso climático. Trudeau se esforçou muito para se mostrar sério sobre o clima, mas no ano passado seu governo comprou o oleoduto Trans Mountain proposto por Kinder Morgan, um projeto-chave altamente contestado e intensivo em carbono para manter rentável o setor de areia betuminosa do Canadá.

Canadian Prime Minister Justin Trudeau speaks Swedish environmental activist Greta Thunberg in Montreal on Friday, Sept. 27, 2019. (Ryan Remiorz/The Canadian Press via AP)

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau fala com a ativista ambiental sueca Greta Thunberg em Montreal, em 27 de setembro de 2019.
Foto: Ryan Remiorz/Imprensa canadense via AP

Obviamente, os exemplos mais perturbadores do uso dos jovens como massa de manobra envolvem a indústria de combustíveis fósseis. Este ano, a BP patrocinou a conferência anual One Young World, às vezes chamada de “Davos Jovem”, e pagou para que 30 estudantes focados em questões de energia de baixo carbono pudessem participar do evento. No evento de outubro, o CEO da BP e seu economista-chefe se revezaram no palco. “Mas espere, sou economista-chefe da BP, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo. O que a BP está fazendo aqui? Não somos parte do problema? Na verdade, eu realmente acredito que não somos”, disse o economista Spencer Dale. “Empresas como a BP podem ser, e realmente precisam ser, parte da solução.”

A Shell lançou uma campanha intitulada #MaketheFuture (#FaçaOFuturo), sugerindo que está construindo um futuro melhor em vez de destruí-lo. A campanha promove a Shell como uma impulsionadora da tecnologia de baixa emissão de carbono e apresenta imagens de jovens, bem como publicações nas redes sociais sobre o financiamento da empresa para programas de engenharia e ciências para jovens.

Até a CO2 Coalition da extrema direita, financiada pelo dinheiro dos combustíveis fósseis dos irmãos Koch e liderada por ex-conselheiros de Trump que afirmam que as emissões de CO2 são boas para a Terra, está tentando recrutar jovens. Depois de se esforçar para atrair apoio de jovens funcionários republicanos, o grupo teria procurado estudantes nos campi de faculdades na tentativa de “alcançá-los um pouco mais cedo”.

“Eles têm dinheiro praticamente infinito para gastar e tentar mudar o círculo eleitoral mais resistente à sua agenda”, disse Julian Brave NoiseCat, 26 anos, e vice-presidente do think tank progressista Data for Progress.

Adler disse que, até recentemente, era apenas a indústria de combustíveis fósseis que demonstrava interesse em financiar a programação do grupo. “A realidade é que havia bem poucos tipos de organizações interessadas na juventude até cerca de um ano atrás”, disse.

Quando a COP 25 terminou, com questões-chave não resolvidas, Thunberg foi nomeado Pessoa do Ano da revista Time. Em um discurso na ONU no mesmo dia, ela fez referência à maneira como empresas e políticos cooptaram suas palavras. “Essas frases são tudo em que as pessoas se concentram. Eles não se lembram dos fatos, das próprias razões pelas quais digo essas coisas em primeiro lugar”, disse ela. “Eu ainda acredito que o maior perigo não é a inação – o perigo real é quando políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma ação real está acontecendo quando, de fato, quase nada está sendo feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas”.

O que está em jogo, disse Dobson, é a diluição de um movimento juvenil vigoroso. “As empresas captam nossas imagens, pegam os símbolos de nosso movimento e as usam para validar suas próprias atividades, desrespeitando completamente o esforço que colocamos na construção desse movimento popular”, disse ela. “Isso dá a ilusão de que os jovens venderam seus valores para apoiar as atividades de negócios horríveis”.

Tradução: Maíra Santos

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Por que vítimas de incêndios estão iradas com premiê da Austrália: ‘Não quero apertar sua mão’

Morrison foi criticado na internet por forçar uma mulher a apertar sua mão

“Eu realmente não quero apertar sua mão.”

“Você não vai conseguir nenhum voto aqui, parceiro. Você está fora.”

“E as pessoas que morreram, senhor primeiro-ministro? E aquelas que não têm para onde ir?”

Em visita a uma cidade devastada por incêndios nesta quinta-feira (2), o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, foi duramente questionado pela população local.

Em Cobargo, no Estado de New South Wales, a raiva era palpável. Mas mais constrangedores — e, por isso, alvo de maior atenção — foram dois encontros menos barulhentos.

“Eu só vou cumprimentá-lo se você der mais dinheiro ao RFS [o corpo de bombeiros rural]. Tantas pessoas perderam suas casas”, disse ela.

“Eu entendo”, ele respondeu. Enquanto ele se afastava, ela acrescentou: “Precisamos de mais ajuda”.

Depois que um bombeiro também se recusou a apertar sua mão, Morrison disse a seus assessores: “Digam àquele rapaz que eu sinto muito. Tenho certeza de que ele está apenas cansado”. Ele, então, ouviu de uma autoridade local: “Não, não, ele perdeu sua casa”.

As interações, todas filmadas e bastante compartilhadas online, voltaram a colocar Morrison no centro da ira popular pela forma como ele vem lidando com os incêndios florestais sem precedentes que atingem o país.

O primeiro-ministro é acusado de estar sendo negligente perante a crise — passou, inclusive, alguns dias de férias no Havaí — e também tem sido criticado por subestimar os efeitos do aquecimento global nos incidentes.

Incêndios do tamanho de pequenos países

Desde setembro, os incêndios já deixaram 19 mortos, destruíram mais de 1.200 casas e devastaram milhões de hectares. Embora a atenção esteja centrada em New South Wales, o Estado mais atingido, todas as regiões do país foram afetadas.

A fumaça se espalhou por cidades do sudeste, a área mais populosa da Austrália, prejudicando a qualidade do ar para milhares de pessoas. Estima-se que milhões de animais tenham morrido, e que o custo econômico do desastre seja gigantesco.

Bombeiros atravessam túnel de fogo durante incêndio florestal na Austrália

O apoio popular aos bombeiros — em sua maioria voluntários —, que vêm lutando contra chamas em regiões cujo tamanho se assemelha ao de pequenos países, tornou-se unanimidade no país. Três deles morreram em serviço.

Chefes dos corpos de bombeiros locais, como o comissário Shane Fitzsimmons em NSW, tornaram-se os rostos da crise.

Para os críticos do primeiro-ministro, esses agentes são um exemplo de liderança. Nesta sexta (3), um membro destacado do partido de Morrison fez uma crítica pública à sua atuação.

“As únicas duas pessoas que estão oferecendo alguma liderança neste momento são Shane Fitzsimmons e [a governadora de New South Wales] Gladys Berejiklian”, disse Andrew Constance, secretário estadual dos transportes.

Ao comentar as interações do primeiro-ministro com a população, Constance afirmou: “Para ser sincero, ele provavelmente teve a recepção que mereceu”.

O que causou a ira da população?

No início da crise, as críticas se centravam na relutância de Morrison em debater como a mudança climática está piorando os incêndios florestais —uma conexão admitida pelo Serviço de Meteorologia da Austrália.

Embora tenha, desde então, admitido a contribuição do fenômeno, o líder conservador ainda sustenta que não há ligação direta entre o fogo e suas políticas para o clima.

O tema continua causando controvérsia em decorrência da dependência energética da Austrália na mineração de carvão.

Mas, conforme o fogo se espalhava, Morrison passou a ser acusado de “desaparecer” ocasionalmente. No mês passado, tirou férias no Havaí com a família enquanto os incêndios se intensificavam —ele se desculpou, mais tarde, pela “grande ansiedade” causada pela viagem.

Ao falar em um evento de críquete no dia do Ano Novo, Morrison foi considerado insensível ao dizer que os australianos se reuniriam em torno de suas TVs para serem “inspirados pelos grandes feitos de nossos atletas”.

Parte da população pede ainda que o governo direcione mais recursos para os corpos de bombeiros do país, amplamente não-remunerados, citando uma pressão extraordinária sobre os recursos e argumentando que comunidades menores são desfavorecidas.

Um grupo de ex-chefes dos serviços defende que o país precisa de uma nova estratégia de longo prazo contra incêndios, e criticam o primeiro-ministro por se recusar a encontrá-los.

O que diz Morrison?

Depois de dizer inicialmente que os bombeiros estão trabalhando “porque querem”, Morrison prometeu compensar financeiramente os voluntários que faltaram a seus trabalhos para ajudar, e disse que direcionará 11 milhões de dólares australianos (US$ 7,7 milhões) para financiar aviões que combatam o fogo.

Ele tem recusado os novos pedidos de recursos, mas elogia a atuação dos bombeiros com frequência. Para o político, uma seca prolongada é a principal razão da proporção tomada pelos incêndios.

Quando questionado nesta sexta-feira sobre o motivo de estar sendo contestado em público, ele afirmou à rádio 3AW: “As pessoas estão tristes e com raiva. Se estão nervosas comigo ou com a situação, o que importa é que estão sofrendo”.

Ele defende que a Austrália vai cumprir suas metas climáticas — afirmação contestada pelas Nações Unidas e outras entidades —, mas diz que medidas adicionais não podem ocorrer às custas de cortes irresponsáveis de vagas de trabalho na indústria de combustíveis fósseis.

Morrison pediu aos australianos que não cedam ao pânico e já disse repetidamente que cada Estado tem de ser responsável por sua estratégia de emergência — a melhor tática é deixar que cada um faça seu trabalho, disse.

Seus apoiadores dizem que ele não pode ser responsabilizado por esse tipo de desastre natural que sempre atingiu a Austrália, nem consertar o problema com mudanças bruscas e reativas nas políticas públicas.

‘Você será julgado’

Morrison foi reconduzido ao cargo em maio após vitória surpreendente nas urnas, levando-o a ser elogiado por muitos como um político perspicaz e instintivo. Mas, para alguns, sua reação aos incêndios despertou incredulidade.

“Estamos assistindo à destruição de um líder político, e dessa vez pelas suas próprias mãos”, tuítou o comentarista político Barrie Cassidy. O também comentarista Hugh Riminton escreveu: “Nunca vi um primeiro-ministro tão publicamente desprezado durante um desastre nacional”.

Vista aérea de cidades afetadas pelo fogo

Nem todos os comentários, porém, foram tão críticos. O governador de Victoria, Daniel Andrews, um político trabalhista, agradeceu a Morrison pelo auxílio fornecido ao Estado. Liz Innes, prefeita de um condado perto de Cobargo, pediu desculpas ao primeiro-ministro em nome daqueles que o contestaram, segundo a ABC.
BBC

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Meio Ambiente – O minimalismo pode ajudar a salvar o planeta?

Menos é mais, pregam os defensores da mentalidade minimalista. Um espaço livre de excessos materiais pode iluminar a mente, e ter menos bens também pode promover o bem-estar da Terra, argumentam.    

Sala despojada, com poucos móveis“Viver uma vida consciente não diz respeito apenas ao indivíduo”, diz blogueira adepta do minimalismo

De acordo com a organização Global Footprint Network, que calcula as pegadas ecológicas de diferentes atividades humanas, se todos vivessem da mesma forma que um alemão médio, seriam necessários quase três planetas Terra; se vivessem como americanos, quase cinco.

Mas e se as pessoas escolhessem um estilo de vida diferente – menos consumista, com menos coisas ao redor? A blogueira e autora de podcasts minimalista Elisa Stangl não tem sofá, nem mesmo cama em casa. Ela, o marido e a filha de dois anos dormem em tatames japoneses num pequeno apartamento no sul da Alemanha. “Nós não possuímos muito”, confirma à DW.

Stangl adotou o estilo de vida minimalista quando ainda cursava a universidade – por razões financeiras, mais que ambientais. Viajar pelo mundo aumentou seu sentimento de que estaria melhor vivendo com menos. “Aprendi simplesmente que não preciso de nada além das coisas que tenho na minha mochila. Então pensei: por que eu preciso de mais do que isso em casa?”

Agora, ela diz que sua principal motivação é viver com consciência. Ter menos coisas significa que ela e a família podem se concentrar no que lhes é importante. Eles precisam de menos dinheiro, portanto têm mais tempo para hobbies como fazer excursões e explorar a natureza.

Mas a blogueira também acredita que um estilo de vida minimalista anda de mãos dadas com a responsabilidade ambiental. “Viver uma vida consciente não diz respeito apenas ao indivíduo. Se você sabe viver com consciência, então sabe que precisa respeitar a natureza, porque vive com ela, e ela lhe dá algo, e você tem que retribuir.”

Consumo não é igual a felicidade

Para além da onda de desentulho promovida pela especialista japonesa em organização de espaços Marie Kondo, há um interesse crescente em se livrar de coisas, a partir da noção que viver de forma mais minimalista equivale a viver com mais sentido.

Uma navegada pelos inúmeros blogs, vlogs e podcasts minimalistas revela que a maioria ignora os impactos ambientais em favor dos benefícios pessoais de ter menos pertences. Isso se reflete num estudo em andamento da Universidade de Duke nos EUA, sobre estilos de vida minimalistas.

“Normalmente as pessoas adotam o minimalismo visando seu próprio bem-estar psicológico – para reduzir o estresse e cultivar a clareza mental, por exemplo”, explica a pesquisadora-chefe do estudo, Aimee Chabot. “Mas, à medida que sua prática evolui, suas motivações para buscar o minimalismo geralmente se expandem, passando a incluir fontes de motivação mais voltadas para o exterior, como preocupações ambientais ou éticas.”

Até agora, Chabot e equipe avaliaram mais de 800 pessoas, a maioria nos EUA. “Apenas cerca de 10% dos entrevistados disseram que reduzir o impacto ambiental seria sua principal motivação para praticar o minimalismo, embora por volta de 70% afirmem realmente considerar os impactos ambientais como uma das razões para fazê-lo”, revela a pesquisadora.

Mesmo como consequência não intencional, viver com menos coisas certamente é bom para o planeta. Um estudo de 2015 constatou que mais de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa se devem ao consumo das famílias. Isso se aplica principalmente ao transporte e alimentação, mas também a outros bens de consumo que geram emissões de carbono em sua produção.

O consumo familiar é obviamente maior nos países mais ricos. À medida que as economias se desenvolvem em todo o mundo, o consumo também cresce. Quanto mais dinheiro as pessoas têm para gastar, mais elas compram.

Mas isso não torna necessariamente esses consumidores felizes. Estudos mostram que uma renda mais alta e um maior poder aquisitivo só aumentam o bem-estar até certo ponto. E, como indica a tendência do minimalismo, mais e mais seres humanos estão ficando desiludidos com as sociedades materialistas em que vivem.

Felicidade de baixa emissão

Em seu livro de 2014, Happier people healthier planet (Gente mais feliz, planeta mais saudável), a acadêmica Teresa Belton argumenta que os fatores que impulsionam o bem-estar humano têm realmente muito pouco impacto ambiental.

“O que gera e sustenta o bem-estar são todos os tipos do que eu chamo de ‘ativos não materiais’: boas relações, contato com o mundo natural, ser criativo, ter um senso de pertencimento e comunidade, propósito e significado, estar envolvido ativamente na vida – e coisas assim, que não envolvem nenhum ou muito pouco consumo material.”

Belton entrevistou mais de 100 pessoas no Reino Unido que escolheram um estilo de vida de baixo consumo. Ao contrário dos pesquisadores da Universidade de Duke nos EUA, ela constatou que as preocupações ambientais eram a motivação mais comum.

“Se nós, como indivíduos e sociedades, priorizássemos nosso bem-estar, concentrando-nos nas coisas que realmente o fundamentam, em vez de focar nos lucros e no consumo material que flui para os lucros, então o mundo seria um lugar muito melhor em todos os aspectos”, resume Belton.

Com seu foco numa vida consciente e impulsionada por valores, mesmo minimalistas não interessados em primeira linha em sua pegada de carbono concordariam sem dúvida alguma com essa afirmação. E para quem tem uma vida cheia de entulhos e a consciência pesada de emissões, pode ser bom ver uma vida com menos como um alívio, não como um sacrifício.

Para além do nível individual, os governos ainda precisam ser convencidos a se concentrar no desenvolvimento humano, mais do que no financeiro e no material. Porém acentuar o vínculo entre o bem-estar da humanidade e o do planeta pode ser a chave para afastar nossas economias do consumo e encarar a crise climática.

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O que pode acontecer se o permafrost derreter?

A Rússia tem uma grande área de permafrost – também chamada em português de pergelissolo.

Cerca de dois terços do país, de Taimir até a Tchukotka, têm o solo congelado. A vida nesses locais não é nada fácil, com invernos rigorosos, poucas coisas que podem ser cultivadas no solo local e um preço altíssimo para a construção civil.

Mesmo assim, os moradores de lá fazem o que podem para preservar as áreas de permafrost e os cientistas monitoram constantemente qualquer mudança climática que possa afetá-las.

Nada é permanente, nem mesmo na natureza

O termo permafrost, se levado ao pé da letra, não é muito correto do ponto de vista científico. Em russo, ele significa “permanentemente congelado” e surgiu na década de 1920, mas já por volta dos anos 1950 os cientistas apontaram que não há nada verdadeiramente permanente na natureza e passaram a referir-se às áreas como “congeladas perenemente”, como explica Nikita Tananaev, hidrologista do Instituto Permafrost de Iakutsk.

“É fácil compreender a definição desses locais: é onde o solo permanece congelado por dois ou mais anos.”

Na verdade, as camadas superiores chegam a derreter um pouco no verão, criando paisagens muito interessantes

As fotos abaixo foram tiradas perto da vila de Sirdakh, na Iakútia. O solo de verão do permafrost se parece com chocolate derretido, como se caísse direto para dentro de um lago.

“Vistas de cima, elas parecem uma teia gigante. Por milhares de anos, o solo se congelou, o que o faz diminuir de volume e rachar. Aí vem o verão, enche essas rachaduras de água, criando estreitas linhas de gelo por dezenas de metros solo adentro. Foi desse jeito que a tundra poligonal se formou”, explica Tananaev.

Esses polígonos são relativamente pequenos, têm cerca de 40 metros quadrados, e há centenas deles na Iakútia, em Taimir e em Tchukótka.

Esse fenômeno natural é mais comum nas áreas de montanhas, onde as águas subterrâneas sobem para a superfície por meio das rachaduras e no inverno formam os “aufeis” (espécie de lençóis de gelo em camadas que se formam a partir dos fluxos sucessivos de água para a superfície durante a época de temperaturas congelantes, também chamados em russo de “nalied”) nos rios, que praticamente não derretem.

Geleira de Bolchaia Momskaia.

A maior “nalied” é a de Bolchaia Momskaia, na Iakutia. É um campo de gelo de 26 quilômetros, que pode atingir espessuras de 5 a 6 metros, com água correndo em sua superfície e formando pequenos canais.

A água transforma a cor do gelo em um azul bem claro. No verão, tudo derrete um pouco e logo no inverno um novo gelo se forma. Na Iakutia, há inúmeros “nalied” como esse: a cada ano, mais de 50 quilômetros cúbicos de água congelam nesses locais

Esses rios de gelo também são usados às vezes como fonte de água doce, já que cavar um poço não é a coisa mais simples a se fazer em uma área de permafrost.

Mesmo assim, houve um entusiasta que decidiu cavar um poço no permafrost. Foi no início do século 19 que o diretor da Companhia Russo-Americana, Fiódor Chergin, decidiu procurar água potável por baixo do solo congelado.

Ele parou ao atingir 116 metros sem nunca encontrar a água e a mina de Chergin passou a servir para propósitos científicos. Nos anos 1930, a mina foi aprofundada até 140 metros e doada ao Instituto Permafrost.

Hoje, com o uso de sensores especiais, a mina é usada para estudos de mudanças de temperatura em diferentes camadas do solo.

Instituto Permafrost, em Iakutsk.

Um congelador natural

Os moradores locais há muito tempo aprenderam a usar o frio a seu favor. Na Iakutia, por exemplo, as pessoas constroem porões embaixo das casas e estocam comida para o ano todo, já que a temperatura nesses locais é sempre abaixo de zero.

Mas cavar um porão demora bem mais por lá do que e outras localidades, já que além de uma pá é necessário usar também fogo para derreter o solo antes de começar a escavação.

Na vila de Nôvi Port, em Iamal, fica o maior congelador natural do mundo. Na década de 1950, cerca de 200 cavernas foram cavadas e conectadas por meio de passagens. Elas eram usadas para estocar peixes a uma temperatura que fica entre ou 12 e os 15 graus Celsius negativos durante o ano todo.

O congelador natural de Novi Port.

Uma curiosidade é que em cada região o permafrost pode ter cheiros bastante diferentes.

“Se você anda nos túneis subterrâneos do Instituto Permafrost, em Iakutsk, vai sentir um cheiro forte da matéria orgânica que estava no solo e começa a se decompor. Já no túnel do Museu do Permafrost em Igarka, no território Krasnoiarsk não há um cheiro muito característico, só o de terra revolvida, pois o solo lá é completamente diferente”, diz Tananaev.

O que pode acontecer se a permafrost derreter completamente?

Pesquisadores apontam que nos últimos anos, em muitas partes do mundo, o permafrost têm derretido mais do que antes.

“Até o momento, não há uma perda muito significativa por ano – foram cerca de 10 centímetros ao longo de 20 anos (e não no mundo todo, apenas em algumas regiões de Norilsk ou no sul do território de Transbaikal). E na Iakutia o permafrost tem centenas de metros de profundidade, chegando a 1,5 quilômetro em alguns pontos”, explica Tananaev.

Mas quais seriam as consequências se esse derretimento não cessar?

Iakutsk no inverno.

“Pense em um pacote de ervilhas. Você o coloca no congelador e ele vai ficar lá com a mesma aparência por dez ou até mil anos. O permafrost é o congelador e em vez de ervilhas ela conserva grama, folhas e turfa. Toda essa matéria orgânica descongelada seria decomposta por micro-organismos, que emitem metano e, com influências de outros processos, CO2, os dois maiores gases que causa o efeito estufa. Quanto mais a permafrost derreter, mais altas as temperaturas ficarão e consequentemente ainda mais permafrost derreterá e isso se torna um círculo vicioso”, aponta o hidrologista.

Como resultado, as temperaturas médias no mundo vão subindo também.

Tananaev se lembra que o inverno em Iakutsk dez anos atrás teve uma semana inteira com temperaturas abaixo dos 60 graus Celsius negativos e que, nos anos recentes, não houve dias em que elas tenham caído muito abaixo dos 35 a 45 graus Celsius negativos.

Um dos motivos que causam isso é a urbanização: apesar de as construções ao norte do país serem feitas com palafitas, a radiação térmica dos blocos de apartamentos aquece o ar do mesmo jeito.

O solo também derrete por conta de qualquer pequeno vazamento dos canos de água quente, fazendo com que os edifícios cedam e acabem com rachaduras em suas fachadas, principalmente nas partes onde são colocadas as janelas. Isso resulta em um prédio que não consegue manter o aquecimento (e isso é algo indispensável no norte da Rússia) e com uma fundação menos segura.

“Em Norilsk quase uma rua inteira precisou ser demolida por conta desses vazamentos”, lembra Tananaev.

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19 fatos que marcaram o clima em 2019

A ativista Greta Thunberg com sua placa de “greve escolar pelo clima” (Foto: Cherwell.org).

Aquele que caminha para ser o segundo ou terceiro ano mais quente da história também foi quente para o noticiário ambiental. Em 2019, o mundo despertou para a emergência climática, jovens tomaram as ruas, idosos famosos foram presos em atos pelo clima e governos mostraram que não conseguem responder aos apelos da população.

No Brasil, o governo de Jair Bolsonaro promoveu a agenda ambiental a inimiga, paradoxalmente dando a ela uma visibilidade pública inédita. Atravessamos uma crise ambiental crônica chamada Ricardo Salles, com episódios agudos: recorde de queimadas em agosto, recorde de derramamento de óleo em setembro, recorde de desmatamento em novembro. Em janeiro, o Brasil teve o desastre ambiental mais fatal de sua história, com 270 mortos após o rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho. O governo aparentemente está respondendo à falha de regulação que permitiu esse crime com menos regulação. Em agosto, as queimadas na Amazônia botaram o país no centro de uma crise internacional, reforçada pelo pico no desmatamento confirmado em novembro.

Nesta retrospectiva, selecionamos alguns dos eventos que marcaram a luta contra a mudança do clima e os combustíveis fósseis neste ano.

1 – Pirralha porreta

Greta Thunberg encara Trump na ONU (Foto: reprodução de TV)

Em dezembro de 2018, uma adolescente loira de tranças aparentando menos que os 15 anos que tinha caminhava incógnita pelos corredores da conferência do clima de Katowice, na Polônia. Um ano depois, Greta Thunberg não conseguiria repetir as aparições discretas na COP de Madri: elevada a status de celebridade global, a ativista sueca, 16, arrasta multidões e fieiras de câmeras aonde quer que vá. Suas greves solitárias às sextas-feiras, quando matava aula para sentar-se diante do Parlamento sueco cobrando mais ação contra a crise climática, se transformaram em 2019 num movimento global, o Fridays For Future. Greta proferiu discursos furiosos sem aliviar para os adultos no Fórum Econômico Mundial, em fevereiro (“Eu não quero a esperança de vocês. Quero que vocês entrem em pânico”) e na Assembleia Geral da ONU, em setembro (“Como ousam?”). Inspirou milhões de jovens a participarem da maior marcha pelo clima da história, em 20 de setembro. Atraiu a ira de néscios, sobretudo da extrema-direita. E tornou-se a pessoa do ano da revista Time por ter capturado como nenhum ativista antes dela a hipocrisia do discurso da esperança e o abismo entre as boas intenções declaradas dos governos e seus atos reais contra os gases de efeito estufa – um dia depois de ser chamada de “pirralha” por Jair Bolsonaro.

O movimento de jovens foi reforçado por diversos movimentos de adultos. Na Europa, o coletivo Extinction Rebellion promoveu atos de desobediência civil que pararam Londres por dias (e terminaram com um monte de gente na cadeia). Nos EUA, celebridades como a atriz Jane Fonda iniciaram em outubro protestos na frente do Congresso. Fonda, 81, disse que sua meta era ser presa uma vez por semana. Até 20 de dezembro, ela já havia sido detida quatro vezes em 11 atos.

2 – Desmatamento em alta

Foto: Reprodução Facebook MCTIC.

A taxa de desmatamento na Amazônia cresceu 29,5% no período medido entre agosto de 2018 e julho de 2019. Trata-se do maior desmatamento em uma década e do terceiro maior incremento na taxa desde que o Inpe começou a fazer as medições do sistema Prodes, em 1988.

A escrita já estava no muro desde agosto do ano passado, quando o candidato Jair Bolsonaro prometia acabar com o Ibama e com as ONGs, estimulando desmatadores na Amazônia – no período eleitoral, o desmatamento cresceu 50%. Após um primeiro quadrimestre chuvoso, o desmate começou a mostrar aceleração forte em maio, batendo recordes sucessivos em junho (98% de aumento em relação a julho anterior), julho (274%) e agosto (223%). O sistema Deter, do Inpe, precisou mudar duas vezes a escala dos gráficos em sua página na internet, para acomodar taxas mensais sem precedentes. O ministro do Meio Ambiente chamou a divulgação dos dados de “sensacionalismo”, depois encomendou a seu fiel escudeiro Evaristo de Miranda um PowerPoint mostrando supostos “furos” no Deter, que justificariam a contratação de um sistema privado para “complementar” as informações do Inpe. Quando o Prodes saiu, mostrando a perda de 9.762 km2 de floresta e confirmando os alertas do Deter, o ministro tentou fugir para a frente e culpar os países ricos por não darem dinheiro para a conservação.

3 – Brasil negacionista

O chanceler Ernesto Araújo, que nega o aquecimento da Terra (Foto: Arthur Max/MRE).

Havia um tempo em que os brasileiros podiam se gabar de não precisarem discutir em praça pública se o aquecimento global é real ou não. Aceitávamos a ciência e dávamos risadinhas arrogantes do mundo anglo-saxão, onde o debate público foi capturado pelo lobby fóssil, o que atrasou em 20 anos a tomada de providências contra a crise do clima.

Isso mudou com a eleição de 2018.

O Brasil de Bolsonaro entrou para o grupo dos países nos quais o negacionismo climático é política de Estado. Por via do escritório de importação ideológica instalado na Virgínia, compramos o pacote fechado dos movimentos obscurantistas dos EUA. O ministro das Relações Exteriores professa a variante xucra do negacionismo, segundo a qual a ciência climática é uma invenção da esquerda para destruir o Ocidente e criminalizar o consumo de carne (e o sexo heterossexual). O ministro do Meio Ambiente é um mais alinhado com o negacionismo “prafrentex”, do século 21: admite que a mudança climática existe, mas questiona se é causada pelos humanos. Os ministros não estão sozinhos: o Senado brasileiro agora convoca negacionistas para audiências públicas e tem um negacionista como presidente da comissão mista de… Mudanças Climáticas. Para além da vergonha alheia, tal disseminação do negacionismo significa que nenhuma ação real no clima deverá ser adotada por este governo.

4 – RIP Fundo Amazônia

Logomarca Fundo Amazônia – Logo Floresta.

O que você faz quando tem uma floresta de 4 milhões de quilômetros quadrados para preservar e países ricos te dão quase R$ 3,5 bilhões para isso? Se você é o ministro Ricardo Salles, a resposta é simples: você chuta tudo para o alto porque tem birrinha de ONG.

Desde fevereiro, Salles tem tentado controlar o Fundo Amazônia, uma iniciativa bem-sucedida de pagamentos por redução de desmatamento (REDD+) em vigor desde 2008 numa parceria entre BNDES e os governos da Noruega e da Alemanha. O objetivo do ministro era cortar todos os recursos repassados à sociedade civil e distribuir o dinheiro a seus amigos do agro. Sugeriu, sem nunca ter provado, que ONGs estariam malversando a verba. Ou que o fundo não tinha critérios. Ou que o BNDES, um banco, não sabia gerenciar dinheiro. Tentou aparelhar os comitês gestores do fundo. Só que os doadores nunca toparam. #Xatiado, Salles extinguiu os comitês e desde então vem declarando que a retomada do fundo está “em negociação”. Na prática, o Fundo Amazônia está morto. Governadores da Amazônia, que juntamente com a União recebiam a maior parte do recurso, já estão atrás de doações diretas.

5 – Galvão não se dobra

Foto: Google.

Em 19 de julho, diante das notícias sobre a explosão do desmatamento na Amazônia em junho, Jair Bolsonaro inventou uma mentira para escapar à responsabilidade. Chamou a imprensa internacional para dizer que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais eram “mentirosos” e que o diretor do Inpe, o físico Ricardo Galvão, 72, devia estar “a serviço de alguma ONG”. O presidente só não contava com a reação de Galvão. No dia seguinte, Galvão declarou ao jornal O Estado de S.Paulo que a atitude de Bolsonaro foi “pusilânime e covarde”. A declaração lhe custou o cargo, mas ajudou a preservar o Inpe, instituição que mede desmatamento na Amazônia por satélite há mais de 30 anos. Os holofotes da opinião pública passaram a ficar tão em cima do instituto que qualquer tentativa do governo de manipular os dados seria imediatamente percebida. A integridade do cientista e sua decisão de peitar o governo tornaram Galvão um herói nacional. Em dezembro, ele abriu a lista da prestigiosa revista Nature das dez pessoas que fizeram a diferença na ciência no mundo em 2019.

6 – O fechamento branco do Ministério do Meio Ambiente

Da esq. para a dir.: José Carlos Carvalho, Sarney Filho, Izabella Teixeira, Rubens Ricupero, Marina Silva, Edson Duarte e Carlos Minc em reunião de ex-ministros (Foto: OC).

Em dezembro de 2018, quando Ricardo Salles foi escolhido para ser ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro, o Observatório do Clima alertou que o movimento visava extinguir na prática o Ministério do Meio Ambiente sem o ônus de fechá-lo formalmente. A nomeação de um ruralista e então réu (ora condenado) por improbidade realizava o desejo de subordinar o MMA à pasta da Agricultura. Gostaríamos de estar errados quanto a isso.

Mas o primeiro ano da gestão Salles foi exatamente o que se esperava: o de desmonte acelerado do ministério, denunciado inclusive por oito dos nove ex-ministros vivos. O desmonte começou na própria estrutura da pasta, que no primeiro dia de governo perdeu a secretaria de Clima e Florestas (responsável por implementar os compromissos do Brasil no Acordo de Paris), a Agência Nacional de Águas e o Serviço Florestal Brasileiro. Aprofundou-se com a militarização do ICMBio, o esvaziamento das chefias do Ibama e dos cargos de chefia do próprio ministério, o aparelhamento do Conama, a mordaça às comunicações e a execução orçamentária pífia, mesmo com dinheiro em caixa e um monte de problemas ambientais para resolver. Até 25 de novembro, o empenho orçamentário da administração direta do MMA havia sido de menos de R$ 3 milhões, contra R$ 35,8 milhões em 2018.

7 – A “foice no Ibama”

Multado em 2012 por pesca ilegal numa unidade de conservação em Angra dos Reis, Jair Bolsonaro passou o primeiro ano de governo usando a Presidência para promover uma vendeta contra o Ibama, que ele chama de “indústria da multa”. Sob a batuta do ministro Ricardo Salles e execução do presidente Eduardo Bim, a autarquia passou a perseguir os próprios fiscais, abandonou estratégias de inteligência contra o crime ambiental, deixou a maioria de suas superintendências nos Estados acéfalas, censurou as comunicações com a imprensa – um elemento importante de dissuasão de crimes ambientais –, divulgou locais de operação na internet, alertando os criminosos, perdeu recursos para áreas estratégicas como combate ao fogo e viu a mais alta figura da República ordenar o fim da destruição de equipamentos apreendidos de bandidos em áreas protegidas federais. Funcionou: o Ibama aplicou em 2019 o menor número de multas em 15 anos, de acordo com dados públicos obtidos pelo OC e publicados no relatório The Worst is Yet to Come (“O Pior Ainda Está por Vir), lançado na COP25. O número de multas por desmatamento na Amazônia (3.445) foi o menor desde 2012, e o desmatamento foi o maior desde 2008.

8 – Indígenas viram alvo

Paulo Paulino Guajajara, guardião indígena assassinado (Foto: Jesus Pérez-chuseto.com).

Terras indígenas na Amazônia estocam o equivalente a 42 bilhões de toneladas de gás carbônico, sendo portanto fundamentais para o equilíbrio climático global. Mas elas também ajudam a manter o ciclo de chuvas no Brasil e conservar a biodiversidade – além, claro, de garantir a sobrevivência de mais de 170 povos.

Apoiado pela ala militar, pelos liberais e pelos evangélicos, Jair Bolsonaro abriu a temporada de caça às terras indígenas, vistas como um entrave ao “desenvolvimento” (que é como eles chamam a exploração de produtos primários vendidos a preço de banana no mercado internacional) e uma ameaça à “soberania”. Bolsonaro tem prometido abrir essas terras ao garimpo, à agropecuária e à extração de madeira. Na ponta, as promessas vêm sendo entendidas como um “liberou geral”. De janeiro a setembro, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) registrou 160 invasões a terras indígenas, contra 111 no ano passado. O desmatamento em TIs subiu 65%. E líderes indígenas vêm sendo assassinados, como o guardião da floresta Paulo Paulino Guajajara, morto numa emboscada em novembro na TI Arariboia, invadida por madeireiros (mais dois guajajaras foram mortos no começo de dezembro na mesma terra). O estímulo às invasões levou Bolsonaro a ser denunciado por genocídio ao Tribunal Penal Internacional.

9 – ONGs viram alvo

Os #4deSantarém deixam a prisão.

Durante a campanha, Jair Bolsonaro prometeu “acabar com todo tipo de ativismo” no Brasil. Em seus discursos, o presidente tem incluído as ONGs na mesma categoria do pessoal que tem de ir para a tal “ponta da praia”. O ministro Ricardo Salles tem tentado cumprir a promessa presidencial sufocando financeiramente as ONGs: primeiro com o ofício (ilegal e do qual teve de recuar) determinando a suspensão de todos os convênios do ministério com organizações do terceiro setor; depois, congelando o Fundo Amazônia. Em abril, um decreto presidencial eliminou centenas de colegiados com participação da sociedade civil em todo o Executivo, limitando o controle social da administração federal. Em seguida, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) foi alterado, mais uma vez para limitar a participação social e aumentar o controle do governo.

A nova fase da eliminação do ativismo parece ser a criminalização. No final de novembro, quatro brigadistas voluntários foram presos e o escritório do Projeto Saúde e Alegria foi invadido pela Polícia Civil de Santarém (PA), sob a acusação surreal de que os ambientalistas estariam por trás dos incêndios feitos por grileiros numa área de proteção em Alter do Chão. Numa omissão inexplicável do governador Helder Barbalho (MDB), os quatro foram indiciados na semana do Natal.

10 – Amazônia em chamas

Incêndio em Alter do Chão em setembro (Foto: Eugênio Scannavino).

Em 10 de agosto, fazendeiros da região de Novo Progresso, no Pará, combinaram por WhatsApp um “Dia do Fogo”, uma espécie de queimadaço coletivo de áreas que eles haviam derrubado. A queima tinha o objetivo declarado de “mostrar serviço” ao presidente Jair Bolsonaro. E iniciou uma crise internacional. Naquele mês, o número de queimadas na Amazônia foi o maior em sete anos – o triplo do registrado no mesmo mês do ano passado. Foi o maior número de focos da queimada registrado num mês de agosto desde o início da queda no desmatamento que não esteve associado a nenhum evento de El Niño ou seca extrema.

O governo reagiu primeiro tentando desqualificar o dado (eram “fogueiras de acampamento”, nas palavras imorredouras do chanceler), depois relativizá-lo e, por fim, quando a realidade tornou-se inescapável, restou culpar as ONGs e os índios pelas queimadas. Mas todos os dados científicos mostravam que as chamas nada mais eram do que a etapa final do desmatamento da floresta, que havia acelerado no segundo semestre, como vinha mostrando o Inpe. Em setembro, Bolsonaro determinou a contragosto que o Exército fosse deslocado para combater o fogo. A presença dos militares, aliada ao retorno das chuvas, fez o número de focos cair em outubro. Mas o desmatamento teve um repique em novembro, tão logo o Exército saiu de campo. Na estação seca, toda essa floresta derrubada queimará novamente.

11 – Califórnia em chamas

Os incêndios florestais devastadores no Estado americano da Califórnia tornaram-se endêmicos, como os cientistas previam há 30 anos. Em outubro de 2019 os californianos assistiram a mais uma temporada grave de fogo, mas menos severa do que nos anos de 2017 e 2018, os piores da história, quando mais de uma centena de pessoas morreram. Neste ano, a estação de fogo veio acompanhada de blecautes maciços (algo comum nas grandes cidades brasileiras, mas inédito nos EUA). A ligação entre a infraestrutura de transmissão de eletricidade e o início dos incêndios fez a distribuidora de energia PG&E decretar falência, tornando-se a primeira falência relacionada à mudança climática no mundo.

12 – Austrália em chamas

Bombeiro resgata coala na Nova Gales do Sul, Austrália.

Do outro lado do Pacífico, a Austrália vive dias de terror desde novembro devido ao fogo, à estiagem e as altíssimas temperaturas. Enquanto esta retrospectiva era escrita, as queimadas mais devastadoras da história arrasavam o continente, cacatuas caíam mortas das árvores pelo calor e aborígenes da região central australiana eram forçados a sair de suas terras – os primeiros refugiados climáticos australianos. Em novembro, centenas de coalas morreram nos incêndios, levando a manchetes exageradas sobre a espécie estar “funcionalmente extinta”. Em 18 de dezembro, o país teve a temperatura mais alta da história: uma média nacional de 41,9oC, o que significa que em algumas localidades os termômetros bateram os 50oC. O serviço de meteorologia australiano mudou até o código de cores de seus mapas de temperatura, usando um marrom para simbolizar as regiões mais quentes – à falta de tons mais escuros de vermelho. Em 10 de novembro, a Austrália registrou, também pela primeira vez em sua história, um dia sem chuvas em parte alguma de seus 7,9 milhões de quilômetros quadrados.

O governo australiano aparentemente acha que se trata de castigo divino ou de uma “variabilidade do sistema”. O premiê australiano, Scott Morrison – eleito numa disputa apertada que tinha como um dos temas principais a crise do clima –, é um negacionista climático que quer manter a lucrativa indústria do carvão mineral. Já a ciência não hesita em classificar os incêndios e o calorão como decorrência direta da mudança do clima. Talvez os eleitores australianos ouçam a ciência da próxima vez.

13 – Fiasco madrileno

Foto: Kiara Worth / IISD.

A COP que não deveria ter sido foi, e o resultado só faz provar que ela não deveria ter sido. Rejeitada pelo Brasil, abraçada pelo Chile e desviada de última hora para a Espanha após a Primavera Chilena, a COP25 tinha duas missões: completar a negociação sobre mercados de carbono, fechando o chamado “livro de regras” do Acordo de Paris, e arrancar dos governos um compromisso forte de aumentar a ambição de suas metas de corte de emissão (NDCs) para 2020. Fracassou fragorosamente em ambas. O chamado artigo 6 do acordo (as regras para os mercados) não fechou e a exortação sobre ambição foi genérica e, digamos, pouco ambiciosa.

O resultado foi em parte responsabilidade da presidência fraca da ministra chilena Carolina Schmidt, mas em grande parte culpa dos grandes países emissores. Um em especial teve um papel particularmente deletério: o Brasil. O ministro Ricardo Salles (aquele mesmo que dizia que COPs eram apenas férias de luxo para funcionários públicos e que tentou impedir a Climate Week, uma espécie de “miniCOP” latino-americana na Bahia, alegando tratar-se de mera oportunidade para turismo gastronômico) passou duas semanas em Madri chefiando a delegação brasileira, algo inédito, já que ministros só participam dos últimos dias de negociação. Entre uma ida às compras e outra, Salles fez bullying em diplomatas brasileiros e tentou chantagear os outros países a dar dinheiro ao Brasil em troca de destravar negociações. De forma inédita, o Brasil vetou menções a direitos humanos e a emergência climática nos textos em negociação – e, na plenária de encerramento, ficou isolado ao tentar retirar a menção a oceanos numa manobra em defesa dos ruralistas. As mudanças de orientação do Brasil acabaram dando palco a países como a Austrália para melar toda a negociação, e o resultado foi um fiasco como não se via desde 2009 numa COP. A atuação deu ao Brasil o antiprêmio Fóssil do Ano, concedido pelas ONGs aos países que mais atrapalham as negociações. Em mais uma profecia autorrealizável e com o decoro que lhe é peculiar, Salles botou a culpa no processo e nos outros por uma derrocada que ele mesmo protagonizou.

14 – Etanol na vala comum

Tereza, Jair e Paulo (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Alguém se lembra do etanol, aquele biocombustível vendido pelo Brasil como sustentável porque não aumentava o desmatamento nem competia por terra com culturas alimentares? Em 6 de novembro ele foi jogado na lama pelo governo Bolsonaro. E justamente pelas mãos de dois ministros considerados “técnicos” e “razoáveis”: Tereza Cristina (Agricultura) e Paulo Guedes (Economia). Numa canetada, os dois e o presidente extinguiram uma proibição em vigor há dez anos do plantio de cana na Amazônia e no Pantanal. Desta vez, tiveram o apoio da Unica, o lobby sucroalcooleiro que um ano atrás se manifestara contra o fim da proibição (um desejo antigo de alguns ruralistas) por achar que isso gerava muito dano de imagem para pouco proveito econômico concreto (achavam certo: as áreas designadas no país como aptas ara a cana equivalem a seis vezes tudo o que o Brasil plantou dessa gramínea em 500 anos, ou seja, não há nenhuma necessidade de plantar na Amazônia e no Pantanal). O decreto de novembro parece ser mais uma demonstração de poder dos ruralistas, que querem eliminar qualquer regulação sobre sua atividade. E traz um sinal para outros setores, como o da soja e o da carne, de que nenhuma restrição, estatal ou voluntária, deverá valer mais para as commodities brasileiras.

15 – Investidores reagem

Queimada em Porto Velho, Rondônia – Foto: Victor Moriyama / Greenpeace.

A política antiambiental de Bolsonaro não passou incólume a dois grupos de pessoas que se informam por outros canais que não os grupos de WhatsApp do Carluxo: os investidores e os mercados internacionais. Em agosto, 18 marcas internacionais, incluindo Vans, Timberland e The North Face reunidas sob a VF Corporation, anunciaram boicote ao couro brasileiro devido à situação da Amazônia. Em setembro foi a vez da H&M, uma das maiores redes varejistas do mundo. Também em agosto, grupos de investidores com US$ 16 trilhões em ativos pediram ao governo providências concretas contra as queimadas na floresta e demandaram às empresas que expliquem como estão lidando com o problema. Em dezembro, 87 grandes corporações, incluindo a Tesco e o Carrefour, escreveram a Bolsonaro pedindo a manutenção da moratória da soja, em vigor há 13 anos, depois que os produtores, reunidos na Aprosoja, prometeram derrubá-la.

16 – 408, 7.6, 1.1, 0.6 – os números do ano

Enquanto os políticos falham em responder à altura à crise do clima, a ciência segue contabilizando a catástrofe em relatórios anuais que mostram quão longe a humanidade está de um clima seguro. Neste ano, a Organização Meteorológica Mundial mostrou que a temperatura média do planeta (continentes e oceanos) deve fechar em 1,1ºC, o que tornará 2019 o segundo ou terceiro ano mais quente da história. A OMM também divulgou mais um recorde das concentrações de CO2 na atmosfera: 407,8 partes por milhão em 2018, 47% acima dos níveis pré-industriais. O IPCC, que lançou dois relatórios especiais (um sobre terra e outro sobre oceanos e criosfera) neste ano, mostrou que, sobre os continentes, o aquecimento global já bateu o limite de 1,5oC preconizado pelo Acordo de Paris. E, no fim do ano, o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) publicou a nova edição de seu relatório Emissions Gap, segundo a qual a humanidade precisa cortar emissões em 7,6% por ano todos os anos daqui a 2030 – algo que não está nem próximo do horizonte – se quiser ter uma chance razoável de evitar a ultrapassagem da barreira do 1,5oC. A “boa” notícia ficou por conta do consórcio Global Carbon Project: em 2 de dezembro, eles publicaram sua estimativa anual das emissões globais por combustíveis fósseis, mostrando que em 2019 elas cresceram “apenas” 0,6%, metade do ritmo verificado no ano anterior. Lembrando que deveriam ter caído 7,6%.

17 – Adieu, Paris

No dia 5 de novembro, surpreendendo a um total aproximado de zero pessoa, o presidente dos EUA, Donald Trump, mandou à ONU a carta de denúncia do Acordo de Paris, iniciando formalmente o processo de saída do tratado. A notificação afirma que o acordo climático é “oneroso” para os Estados Unidos, mas deixa em aberto a possibilidade – vista como infâmia pela comunidade internacional – de retornar caso Paris seja “renegociado” nos termos que Trump deseja. De acordo com as regras do pacto, a saída se efetiva um ano após a notificação. Ou seja, os EUA estarão fora em 4 de novembro, um dia após a eleição presidencial que pode apear Trump do poder.

Sem os Estados Unidos, o clima de cooperação internacional visto em 2015 em Paris e fundamental para o sucesso da implementação do acordo não deve se repetir. Países em desenvolvimento, por exemplo, tendem a fazer corpo mole com suas metas de corte de emissão, já que a promessa de financiamento climático dos países ricos fica mais difícil de cumprir sem o aporte do mais rico de todos eles. Por outro lado, as emissões dos EUA já estão em queda devido a mudanças tecnológicas na geração de energia – e isso dificilmente se reverterá, por mais que Trump goste do carvão mineral.

18 – #ÓleonoNordeste

Em 2019, os brasileiros quase tiveram saudades do tempo em que a coisa mais sinistra que aportava misteriosamente nas praias eram latas de maconha. No final de agosto, manchas de óleo começaram a aparecer em algumas praias nordestinas, no que se tornaria o maior desastre ambiental do litoral brasileiro: 4.500 km de praias foram contaminados, do Rio de Janeiro ao Maranhão. Em setembro, grandes quantidades de óleo tomaram praias icônicas, como a Praia dos Carneiros, em Pernambuco, e Itapoã, na Bahia, além de estuários e manguezais. Apesar das declarações do secretário da Pesca, Jorge Seif Jr., sobre a cognição avançada dos peixes, a indústria pesqueira nordestina sofreu um baque que ainda não pôde ser calculado, com a contaminação de pescado por substâncias tóxicas no óleo. O governo levou 41 dias para acionar o plano de contingência contra vazamentos, que o ministro do Meio Ambiente só descobriu que existia no fim de setembro. Os dois comitês que gerenciavam a resposta rápida haviam sido extintos. A limpeza das praias foi feita por voluntários, que colocaram a própria saúde em risco, e por funcionários locais do Ibama. Até hoje não se sabe de onde o óleo veio, nem quando vai parar de chegar às praias. Na dúvida, o ministro Ricardo Salles adorou a estratégia do chefe e culpou o Greenpeace pelo vazamento – e levou um processo. O episódio mostra mais um risco da dependência de combustíveis fósseis e indica quão preparado o Brasil não está para lidar com vazamentos de grandes proporções no pré-sal.

19 – Grile, que o Jair garante

Paulo Lopes/Futura Press.

Em 11 de dezembro, com a COP25 em pleno curso, Jair Bolsonaro deu um presentão de Natal para os criminosos que desmatam a Amazônia: baixou uma Medida Provisória liberando a regularização de terras griladas até 2018, atendendo a seus eleitores que invadiram, devastaram e ocuparam florestas públicas para especular com a terra, apostando na impunidade. A MP repete, ampliando, a anistia à grilagem que já havia sido dada por Michel Temer e que é objeto de uma ação de inconstitucionalidade no STF.

A ocupação de terras públicas é o principal motor do desmatamento na Amazônia – e, portanto, a principal causa individual de emissões de carbono do Brasil: 35% do desmatamento visto em 2019 ocorreu em terras devolutas ou sem informação sobre posse. Diferentemente do que alega o governo, a grilagem é feita em sua esmagadora maioria por quadrilhas bem organizadas e bem financiadas, muitas vezes comandadas desde São Paulo – e não por pequenos agricultores pobres. O limite de 2.500 hectares dado pela MP de Bolsonaro para tornar um imóvel passível de regularização também mostra que são os latifundiários que se beneficiam da medida presidencial.

Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Empresas incorporam mudanças climáticas em estratégias de negócios

Meio Ambiente,Ecologia,Blog do Mesquita 00

Estudo do CEBDS, com apoio do WWF-Brasil e CDP, mostra que, em 2018, companhias com operações no Brasil reportaram oportunidades que representam impactos financeiros positivos de US$ 123,7 bilhões, com um investimento necessário para materializá-las de US$ 17,5 bilhões

As mudanças do clima são hoje um dos principais vetores de riscos e oportunidades para os negócios. A maior parte das grandes empresas com atuação no Brasil já entendeu isso e está atuando para enfrentar o problema. Essa é a principal conclusão do estudo ‘Como as empresas vêm contribuindo para o Acordo de Paris’, que foi lançado 10 de dezembro pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP25), em Madri, na Espanha.

O estudo, realizado com o apoio do WWF-Brasil e CDP (Carbon Disclosure Program) América Latina, baseia-se nas respostas de 61 companhias brasileiras e multinacionais com operações no país, que representam cerca de 90% do capital comercializado em bolsa de valor no Brasil. Em sua segunda edição, a pesquisa mostrou que o entendimento dos impactos climáticos pela lente financeira tem contribuído para que as companhias materializem as oportunidades associadas. Ainda que de maneira estimada, em 2018, elas reportaram oportunidades que representam impactos financeiros positivos de US$ 123,7 bilhões, com um investimento necessário para materializá-las de US$ 17,5 bilhões. Enquanto os riscos apresentaram impactos negativos de US$ 45 bilhões.

“Ou seja, há uma justificativa empresarial clara para investimento em soluções que contribuam para a descarbonização da economia”, disse Marina Grossi, presidente do CEBDS. Muitas empresas já perceberam isso e estão direcionando investimentos em pesquisa e desenvolvimento de soluções de baixo carbono, sendo que o montante total destinado a este fim em 2018 foi de US$ 7,7 bilhões.

“O estudo mostra também um entendimento crescente das empresas de que a crise climática ameaça a estabilidade financeira dos negócios”, observou Alexandre Prado, Diretor de Economia Verde do WWF-Brasil. De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2019, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), a mudança do clima aparece direta ou indiretamente associada a três dos cinco riscos globais mais prováveis e a quatro dos cinco riscos globais com maior impacto negativo. Neste caso, risco global é definido como um evento incerto ou condição que, se ocorrer, poderia impactar negativamente várias indústrias e países nos próximos 10 anos.

“Uma vez que uma gestão eficiente depende necessariamente da capacidade de mensuração, ao estabelecer uma métrica financeira para os riscos climáticos, as empresas conseguem adotar medidas estratégicas na direção da nova economia e ganhar competitividade”, afirmou Lauro Marins, Diretor Executivo do CDP América Latina. O estudo mostra que 32% das empresas brasileiras adotam metas baseadas na ciência e 33% fazem a precificação interna de carbono. Ou seja, estão voluntariamente atribuindo preços para suas emissões como forma de gerir riscos e oportunidades associados ao clima. Outras 21% pretendem fazer a precificação interna nos próximos dois anos.

“Os resultados das empresas revelados neste estudo demonstram que enfrentar a mudança do clima representa mais oportunidades do que riscos para o Brasil. Em resumo, é financeiramente mais vantajoso fazer investimentos para materializar essas oportunidades do que gerir os impactos negativos das mudanças clima”, explicou Marina Grossi. Esse aprendizado das empresas pode ajudar na construção de políticas adequadas visando maior resiliência da economia brasileira diante dos impactos gerados pela mudança do clima. “Este tema poderia ser incorporado como uma das variáveis críticas nas propostas de reformas em discussão no País. Assim, políticas econômicas, tributárias e ambientais, dentre outras, não mais competiriam entre si, mas sim poderiam convergir para fortalecer a competitividade do Brasil nessa nova economia”, disse o Diretor de Economia Verde do WWF-Brasil.

A integração das questões climáticas na construção dessas políticas, inclusive, pode apresentar soluções para endereçar o atual déficit orçamentário por meio de instrumentos financeiros inovadores como títulos verdes e debentures incentivadas. O estudo destaca que há um apetite crescente de investidores por esses produtos financeiros. O mercado global de investimento de impacto, que considera critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), já movimenta US$ 502 bilhões, considerando os ativos de 1.300 investidores de impacto de todo o mundo. Somente na América Latina, foram captados US$ 521 bilhões via títulos verdes no mundo e US$ 7 bilhões.

PRINCIPAIS RESULTADOS DO ESTUDO

  • 83% identificam riscos associados às mudanças climáticas.
  • 85% identificam oportunidades associadas às mudanças climáticas.
  • 93% integram mudança do clima à estratégia de negócios.
  • 68% fazem uso de cenários climáticos.
  • 30% desenvolveram um plano de descarbonização e 10% têm um plano de descarbonização em desenvolvimento a ser finalizado nos próximos 2 anos.
  • 33% utilizam precificação interna de carbono. Outras 21% pretendem fazê-los nos próximos 2 anos.
  • 32% se comprometeram com uma meta baseada na ciência.
  • Empresas analisadas investiram um total de US$ 7,7 bilhões em P&D de baixo carbono.

SOBRE O CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Fundado em 1997, reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos. Representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 grupos empresariais que atuam em todos os continentes. Mais informações: https://cebds.org/.

SOBRE O CDP

O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que mede o impacto Ambiental de empresas e governos de todo o mundo, colocando essas informações no centro das decisões de negócios, investimentos e políticas. Em um trabalho conjunto com investidores institucionais com ativos de US $ 87 trilhões, alavancamos o poder do investidor e do comprador para motivar as empresas a divulgar e gerenciar seus impactos ambientais. Mais de 8.400 empresas com mais de 50% da capitalização de mercado global divulgaram dados ambientais por meio do CDP em 2019. Além das mais de 950 cidades, estados e regiões que também divulgaram suas ações de mitigação e adaptação climática, a plataforma do CDP é uma das fontes de informações mais ricas do mundo sobre como empresas e governos estão promovendo mudanças ambientais. Ao impulsionar forças de mercado, incluindo acionistas, clientes e governos, o CDP incentiva milhares de empresas e cidades das maiores economias do mundo a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, preservar recursos hídricos e proteger florestas. O CDP, anteriormente Carbon Disclosure Project, é um membro fundador da We Mean Business Coalition.

Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita

Amazônia está sob ataque

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia cresceu 30%, com quase 10.000 km² desmatados – o equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol, segundo dados do Prodes, medido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A destruição que se intensificou em 2019 é resultado de uma política antiambiental que estimula atividades predatórias, como queimadas, desmatamento e garimpo em áreas protegidas, e aumenta ainda mais a violência contra os povos que vivem e dependem da floresta.

Nosso futuro e a possibilidade de vida no planeta estão sendo destruídos junto com a floresta

A Amazônia é vital para combater a emergência climática que bate à nossa porta. Esta é uma batalha que não podemos nos dar ao luxo de perder.

Enquanto a Amazônia é devastada, o governo não só ignora sua responsabilidade em garantir a proteção da floresta, como também estimula mais destruição.Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03
Elencamos aqui as reais medidas que devem ser tomadas para evitar ainda mais fogo na floresta e salvar a Amazônia da destruição:

  1. Reverter o desmonte das políticas ambientais e garantir a capacidade do Estado brasileiro em combater os crimes ambientais

  2. Implementar políticas de combate e mitigação das mudanças climáticas, de proteção à biodiversidade e de criação e implementação de áreas protegidas
  3. Fortalecer iniciativas que levam à redução do desmatamento, como é o caso da Moratória da Soja na Amazônia e de outros compromissos que visam excluir desmatamento de cadeias produtivas
  4. Retomar a demarcação das Terras Indígenas e garantir o respeito dos direitos constitucionais dos povos indígenas
  5. Fim da grilagem de terras, da exploração ilegal de madeira, da mineração e autorizações de queimadas, especialmente em áreas protegidas e terras indígenas 
  6. Nenhuma nova hidrelétrica e fim da exploração de petróleo na Amazônia 
  7. Garantir um processo de licenciamento ambiental efetivo para todos os projetos de infraestrutura que proteja as pessoas e o meio ambiente
  8. Garantir a transparência das informações produzidas pelas instituições brasileiras para controle social
  9. Restaurar a participação da sociedade nos processos políticos
  10. Garantir um ambiente seguro para ativistas e lideranças comunitárias no Brasil

Amazônia,Desmatamento,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecologia,Fauna,Flora,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita 06

TODOS PELA AMAZÔNIA

Sem floresta, sem vida. Sem floresta, sem água. Sem floresta, sem comida. Sem floresta, sem futuro.

A Amazônia é o coração pulsante do nosso planeta, vital para regular o clima global e garantir o futuro da vida na Terra. A floresta também é lar de milhares de pessoas, incluindo diversos povos indígenas e comunidades tradicionais, além de abrigo para incontáveis espécies de animais e plantas, algumas ainda desconhecidas pela ciência.

A importância da maior floresta tropical do mundo é reconhecida no mundo todo, porém, neste exato momento, ela corre um grave perigo. O desmatamento já destruiu quase 20% da Amazônia e responde por cerca de metade das emissões de gases de efeito estufa pelo Brasil.

Em vez de fortalecer medidas de proteção à floresta e garantir nosso futuro, o governo está liderando um verdadeiro desmonte da política ambiental brasileira, enfraquecendo os órgãos de combate aos crimes contra a natureza e premiando aqueles que destroem o meio ambiente. Como resultado, estamos vendo a floresta virar fumaça com grandes queimadas e os índices de desmatamento dispararam.Amazônia,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita,Alter do Chão,Brasil,Pará

Não há mais tempo a perder. Grandes marcas globais (como Nestlé, Mondellez e Unilever) se comprometeram a tirar o desmatamento de suas cadeias produtivas para salvar o clima, mas dez anos depois, quase nada foi feito. Diante da emergência climática em que nos encontramos, proteger a Amazônia não é mais uma opção, é uma necessidade urgente. Empresas e governos precisam agir para salvar as florestas, nosso clima e nosso futuro. Este é um manifesto e um movimento. Cada assinatura representa mais um elo na corrente. Juntos, formaremos uma rede de proteção à floresta e seus povos.

Precisamos de você e de todo mundo. Agora mais do que nunca.

Faça parte desse movimento. #TodosPelaAmazônia

Fortaleza,Árvores,Blog do Mesquita 2

Fortaleza está virando um deserto

Fortaleza,Árvores,Blog do Mesquita 2Por Sérgio Quixadá – Arquiteto Paisagista e Historiador

Não importa apenas o que o termômetro marca. Importa também a sensação térmica, que pode ter diferença de muitos graus com relação ao termômetro.
Costumo explicar a sensação térmica da seguinte maneira: em um dia de muito calor você coloca duas pessoas sentadas a um metro de distância uma da outra e coloca um ventilador apontado para apenas uma delas. Uma estará confortável enquanto a outra sofre com o calor. Mas se você colocar um termômetro na parede, pouco acima da cabeça de cada uma delas, verá que os termômetros marcam a mesma temperatura, embora a sensação térmica percebida por cada uma seja completamente diferente.

Quando fiz meu MBA em Políticas Públicas Inovadoras, meu trabalho de conclusão de curso teve como título: “Arborização Urbana – Uma questão além da estética”.
Para isso bebi na fonte de vários cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo.
O subtítulo “Uma questão além da estética”, se deve ao fato de durante as minhas pesquisas eu ter descoberto que a arborização não apenas embeleza e faz sombra, mas tem influência na economia de energia, no comércio, no turismo, nas enchentes, nas secas, na biodiversidade, na segurança de trânsito e na saúde física e mental.Fortaleza,Árvores,Blog do Mesquita 3

As pessoas me perguntam: Por que hoje em dia chove em Fortaleza e não refresca?
A resposta é: pelo mesmo motivo que jogar água em uma chapa quente não irá refrescar a cozinha.
O concreto durante a noite, libera de 50 a 55% do calor que recebeu durante o dia. O asfalto de 90 a 95%. É um sol sem luz de baixo para cima. E A brisa, originalmente fresca, corre sobre o asfalto e entre concretos, qual tubulação de aquecedor, tornando-a quente.

Estudos indicam que uma grande árvore influencia a temperatura até mesmo a 50 metros de distância da projeção da sua copa.
O que fazia Fortaleza ficar fresca durante dias após uma boa chuva era um fenômeno chamado EVAPOTRANSPIRAÇÃO, que é a junção da evaporação de parte da água que penetrou no solo livre e permeável com a transpiração das árvores em forma de vapor frio.

Com a pavimentação da cidade, quer seja com asfalto, quer seja com concreto, perdemos os benefícios da EVAPOTRANSPIRAÇÃO.
E assim surgem as ILHAS DE CALOR, que são áreas mais quentes do que o seu entorno rural. Mais quentes do que deveria ser em sua localização geográfica.

O grande paisagista Roberto Burle Marx já dizia: “A sombra de uma árvore sempre será mais fresca que a de uma marquise!”

A falta de áreas verdes e a impermeabilização do solo cria múltiplos problemas. Quando chove o solo não absorve a água, provocando inundações. E os poços ficam secos, pois não recebem a água, que corre toda para o mar. As construções em dunas agravaram a questão hídrica, pois elas são grandes coletoras naturais de águas pluviais.

Estudos nos EUA, Canadá, Austrália e Japão, indicam que cidades com ruas e avenidas arborizadas, onde a população frequenta parques, tem menores índices de depressão, suicídios, homicídios e crimes sexuais.

Fortaleza está em uma posição geográfica privilegiada. Em local alto (reparem que descemos para ir à praia, tanto na Beira-mar quanto na Praia do Futuro). Temos um vento constante e com direção previsível. A barreira de edifícios influencia no clima? Sim, influencia, pois são construídos muito próximos uns dos outros, criando a geometria do cânion urbano. Era preferível terem permitido altura maior mas com grandes recuos por todos os lados.Fortaleza,Árvores,Blog do Mesquita

Algumas árvores chegam a absorver um quilo e meio de micropartículas por dia. A falta de árvores e áreas verdes que absorvem a poeira urbana agrava os problemas alérgicos e respiratórios. Quando chegam os meses de agosto e setembro, os postos de saúde ficam lotados de pessoas de todas as idades, com crises de laringite, faringite, asma, rinite e por aí vai. Dizem que é o pólen do cajueiro. Nada disso! O pólen do cajueiro tem o peso específico alto. Ele não voa. E onde é que tem cajueiros hoje em dia? A questão é que agosto e setembro são meses de ventos fortes. E sem áreas verdes, todo o pó fica em suspensão.
Isso sem contar os altos índices de câncer de pele e catarata pela falta de sombra.

Paro por aqui para lançar o meu protesto: Fortaleza está se transformando em uma pedra ao sol. A avenida Antônio Sales não tem árvores. As árvores da Bezerra de Menezes foram cortadas. A avenida Aguanambi também está sem árvores. Quando foram expandir a av. Washington Soares cortaram as árvores e fizeram uma ciclovia de uns 30 km sem sombras. O calçadão da Praia de Iracema e grande parte da Beira Mar não tem árvores. Os bancos ficam expostos ao sol.
E AGORA cortaram as árvores da S. Dumont em direção às dunas. Como se pode caminhar em uma cidade assim?

Estamos ficando pior que as cidades do Norte da África e Oriente Médio, pois lá é subtropical e tem estações frias.

Fortaleza se transforma em um deserto de concreto e asfalto com suas terríveis ilhas de calor. Um verdadeiro inferno ecológico!