As fontes e a liberdade de expressão


Liberdade de Imprensa Blog do MesquitaUma pessoa com experiência em alguns dos mais importantes meios de comunicação do país propõe uma equação que conecte liberdade de expressão e maior responsabilidade na escolha de fontes jornalísticas.

Vejamos por que ela tem razão.

A liberdade de expressão está fora de discussão. A menos que se aceitem restrições à construção de uma sociedade democrática no país. Mas essa liberdade deve ser exercida de modo socialmente responsável por pessoas, instituições e empresas que têm função pública, ainda que seu regime jurídico seja privado. Por exemplo, os meios de comunicação.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Hoje, as fontes das reportagens são, na imensa maioria dos casos, governamentais. Nas três esferas – federal, estadual e municipal. E nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Quando a informação não vem de uma autoridade, ou dirigente de empresa, vem de um assessor de imprensa. As mais poderosas assessorias, que têm contratos com governos, reúnem equipes experimentadas e altamente qualificadas de jornalistas.

A promiscuidade entre interesses governamentais, ou empresariais, ou de grupos de pressão, de um lado, e meios de comunicação, de outro, assumiu no Brasil dimensão alarmante. Essa é talvez uma das razões pelas quais ninguém no país percebeu o grau de insatisfação popular que vinha crescendo e explodiu nas manifestações de rua de junho e julho de 2013.

É preciso saber direitinho de que lado do balcão está cada um dos atores: jornalistas e suas fontes. Os jornalistas, idealmente, estão a serviço da sociedade. São praticamente representantes públicos não eleitos. E precisam sentir o peso dessa responsabilidade em toda a sua atividade. Das grandes coberturas até a mais despretensiosa nota.

Nove mortes esquecidas

Eis um exemplo de como a liberdade de informação precisa ser honrada com uma escolha mais criteriosa de fontes.

Os interesses de setores das polícias civis de São Paulo e Minas Gerais foram inteiramente atendidos no noticiário sobre as mortes de nove pessoas após assalto a banco em Itamonte (MG), no final de fevereiro. A história oficial é que 80 policiais fizeram um cerco aos assaltantes e mataram nove deles.

Um dia depois, constatou-se que um dos fuzilados pela polícia não era bandido, era um professor que havia sido feito refém pelos assaltantes. E nunca mais se falou no assunto.
Por Mauro Malin/Observatório da Imprensa

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