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Artiôm Filátov,Arte,Pinturas,Grafites,Artes Plásticas

Artista de rua muda a cara de cidade russa antiga; veja fotos quarta-feira, 20 de março de 2019

Artiôm Filátov,Arte,Pinturas,Grafites,Artes PlásticasO artista de rua Artiôm Filátov
Artiôm Filátov, como o brasileiro Zezão, vai até as áreas mais desprezadas de sua cidade, Níjni Nôvgorod, para enchê-las de arte e ajuda elevar o status da arte de rua em um país que até outro dia a desprezava.

Artiôm Filátov tem 27 anos e deseja salvar sua terra natal, Níjni Nôvgorod, uma grande cidade industrial 600 quilômetros a leste de Moscou. Não, não a Níjni Nôvgorod imaculada e novinha em folha que se viu durante a Copa do Mundo, com suas paisagens de cartão postal que foram desfrutadas por milhares de visitantes estrangeiros.

A Níjni que Filátov quer salvar é o lado abandonado da cidade, aquela que você só vê quando sai da rota turística quando vira uma esquina e cai em um beco assustador. Ali, a poucos passos de toda a agitação turística, escondem-se casinhas de madeira, maldosamente apelidadas de “gniluchki” ou “posipuchki” (geradas a partir das palavras “podre” ou “dilapidado”).

É justamente ali onde Artiôm encontra a verdadeira beleza de Níjni Nôvgorod, como o brasileiro Zezão nos esgotos.

Artiôm Filátov. Da série

Algumas já foram abandonadas ou queimadas, mas muitas ainda podem ser resgatadas. Artiôm queria que as pessoas mudassem seu modo de ver as coisas rústicas, exibissem uma nova curiosidade pelas ruas decadentes e pela arquitetura que emerge assim que uma pessoa vira a esquina. Ele também tem a esperança de repaginar a rústica Níjni e acha que pode ajudar a evitar o chamado “redevelopment”, quando um edifício é adaptado a um novo uso (um assunto que gera debates entre os russos).

Artiôm Filátov. Dente de leão, 2013.

Inicialmente, Artiôm tentou, sozinho, empenhar esforços para mudar a mentalidade das pessoas de Níjni Nôvgorod. Como ele mesmo conta, ele tem pintado casas abandonadas ou incendiadas, que não exigem permissão para trabalhar, desde 2011. Então ele passou a trabalhar sobre edifícios habitados, pedindo permissão aos moradores. Ele sempre buscou soluções exóticas e, no final das contas, chegou à conclusão de que era necessária uma abordagem sociocultural maior. Como em uma jogada do destino, uma oportunidade praticamente caiu sobre sua cabeça.

Artiôm Filátov. Lilás, 2015.

Tudo começou com um festival de arte de rua que Artiôm criou com a ajuda de uma organização sem fins lucrativos para a qual ele trabalhou. Os melhores artistas do país foram a Níjni Nôvgorod para conferir aos antigos edifícios da cidade uma renovação clássica. Para a surpresa de Artiôm, um grande número de moradores de Níjni Nôvgorod respondeu ao chamado. Eles não partilhavam da visão da prefeitura de que os prédios estavam arruinados e, pelo contrário, queriam preservar sua história e, ao mesmo tempo, apresentar as novas criações como marcos alternativos.

Colaboração dos artistas de rua Timofêi Radia, de Ekaterimburgo, e Stas Dôbri, de Moscou, 'Laços da memória', 2015.

Esta é a história de como o festival “Nova Cidade: Antiga” foi criado, entre 2014 e 2016. Os organizadores precisavam se encontrar com os moradores individualmente para obter permissões.

“Quando nasci, em 1943, fui trazida para casa e colocado naquela cama ali. Toda minha vida eu vivi, dormi e amei, para ser sincera, aqui. As vidas dos meus amigos e vizinhos estão, da mesma forma, ligadas a este edifício. Seria impossível nos separarmos dele”, conta a moradora local, Tatiana Rukavichnikova-Novíkova, aos organizadores.

Obra de Aleksêi Luka, artista de rua de Moscou, 2014.

Outro morador, Iúri Kulikóv, disse: “Minha casa é a coisa mais incrível na minha vida. Eu costumava até mesmo a ter pesadelos de que tinha me perdido e não conseguia encontrá-la”.

Obra de Andrêi Oliônev, artista de rua de Níjni Nôvgorod, 2015.

O fato de esses moradores serem muito politicamente ativos ajudou bastante Artiôm a superar os obstáculos burocráticos e garantir que tudo estivesse de acordo com a lei.

O documentário “Warm Walls” conta a história do festival de arte de rua.

De volta para casa

Artiôm decidiu ir além de transformar as casas escolhidas. Ele encontrou uma casa de madeira caindo aos pedaços no centro da cidade que pertenceu ao Museu da Inteliguêntsia de Níjni Nôvgorod e começou a dar uma nova vida a ela. “O edifício estava abandonado, não tinha nem energia”, relembra.

Museu da Inteliguêntsia de Níjni Nôvgorod.

Com muito trabalho pesado, Artiôm conseguiu ligar a linha telefônica e a rede elétrica no prédio, restaurando sua antiga glória. Artiôm era movido pela ideia de que reabrir o antigo museu como um espaço artístico para suas obras, assim como um fórum de discussão pública.

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A exposição, intitulada “De volta para casa”, tratava justamente da questão de dar novos conceitos a espaços urbanos antigos. E foi um enorme sucesso, ganhando até mesmo um grande prêmio de “Inovação” como o melhor projeto regional de 2017.

A exposição 'De volta para casa', no Museu da Inteliguêntsia de Níjni Nôvgorod.

A luta de Artiôm para salvar e reabrir o prédio lhe custou caro. Durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2018, quando a cidade estava sendo renovada, o antigo edifício seria coberto com uma faixa (como era tombado, pintá-lo estava fora de questão e o prédio precisava de um tipo específico de reforma, em conformidade com os regulamentos). Artiôm conseguiu impedir o prédio de ser coberto e manteve seu estilo clássico.

Artiôm Filátov.

Até recentemente, a prefeitura não expressava muito apoio ou reconhecimento para os projetos criativos de Artiôm, nem participava ativamente deles. Mas o novo prefeito e o governador manifestaram recentemente planos para o “redevelopment” de marcos históricos em toda a cidade. Artiôm espera que as promessas sejam cumpridas.

Uma exposição no crematório

No momento, Artiôm está ocupadíssimo com os preparativos para uma exposição futura em um lugar fora do comum: o novo crematório privado da cidade. Para desenvolver a nova exposição, ele preciso pesquisar com seriedade o processo de cremação

“Propus uma exposição que abordasse o assunto da despedida final, como uma pessoa é lembrada e como os resultados de sua vida são vistos. É uma boa chance de abordar este assunto, que frequentemente é um tabu”, diz o visionário Artiôm.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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