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Precisamos falar sobre queimadas e incêndios florestais

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“Estar aqui é como participar de um filme de terror"

Documentário mostra como o fogo em nossas florestas tem criado um ciclo negativo entre incêndios mais frequentes e o avanço das mudanças climáticas

“Estar aqui é como participar de um filme de terror. Eu olho em volta e me pergunto como isso pode acontecer? Poderíamos ter evitado isso?”, questiona Solbon Sandgiev, um bombeiro voluntário na floresta boreal da Sibéria. Ele tem suas botas cobertas de cinzas, em meio a quilômetros quadrados de troncos queimados, solo negro e madeira carbonizada. Em algum lugar ao longe, se escuta uma motosserra. A cena faz parte do documentário Fire – “Know, Prevent, Fight” (Fogo – Conheça, Previna, Combata, em inglês), produzido pelos nossos colegas do Greenpeace Rússia, mas poderia ter sido gravada aqui, na nossa floresta amazônica.

Em novembro, os incêndios monumentais, praticamente cinematográficos, que atingiram a Califórnia, nos Estados Unidos, chocaram o mundo por sua devastação. Eles não pouparam nem as mansões milionárias de astros de Hollywood, deixando claro que, apesar de os mais pobres serem mais vulneráveis, ninguém escapa dos impactos do clima. Porém, todos os anos, o fogo também consome enormes pedaços de nossas florestas, como a Amazônia, sem chamar tanta atenção de quem está longe. Para expor essa realidade e sensibilizar mais pessoas, o documentário mostra como as queimadas e os incêndios vêm transformando belíssimas paisagens em fumaça e morte nas florestas da Rússia, da Indonésia e do Brasil, os três países mais florestados do mundo.

Os incêndios florestais contribuem enormemente para as mudanças climáticas, mas alguns países não monitoram adequadamente seus focos e nenhum relata as emissões oriundas do fogo. Estima-se que as emissões brutas de COprovocadas por incêndios florestais podem equivaler a quase 8 Gt de CO2– isso é equivalente a quase 25% das emissões globais anuais de CO2provenientes de combustíveis fósseis.

Na Amazônia, foram registrados 8.856 focos de calor* apenas no último mês. Sim, mais de 8 mil só em novembro! A maioria deles foi no Pará e no Mato Grosso. “Não à toa, são os dois estados que lideram o desmatamento na Amazônia. No Brasil, o fogo, que é uma ferramenta útil e usada com sabedoria pelos povos tradicionais, tem sido usado para encerrar um processo de destruição de grandes áreas da floresta”, afirma Danicley Saraiva de Aguiar, da campanha de Amazônia. Este ano, até o final de novembro, o acumulado registrava mais de 66 mil focos de calor e 36.938 kmde área queimada.

“A mudança climática induzida pelo homem está alimentando incêndios. E os incêndios aceleram as mudanças climáticas. É hora de quebrar esse ciclo vicioso”, afirma Danicley.

Líderes políticos em todo o mundo devem combater com urgência as causas dos incêndios florestais se quisermos parar as mudanças climáticas. Se continuarmos ignorando esses impactos, não chegaremos a um caminho que limite o aumento da temperatura global à meta de 1,5 °C, do Acordo de Paris.

Fumaça sendo emitida pela floresta em chamas

A cada ano, mais a Amazônia vai se transformando em cinzas e destruição, pelo fogo criminoso para limpar grandes áreas da floresta © Daniel Beltrá / Greenpeace

* Você sabe a diferença entre focos de calor, incêndio e queimadas?

Foco de calor: qualquer temperatura registrada acima de 47 oC. Um foco de calor não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.

Queimada: prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. Deve ser autorizada pelo Ibama e feita em condições controladas, que permitam que o fogo se mantenha confinado à área determinada.

Incêndio Florestal: É o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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