Álvaro Uribe. Mais um de olho num terceiro mandato


Após o rocambolesco resgate de Ingrid Betancourt — aliás, esperemos que a história explique direitinho essa estória. Não impressiona o ar de quem acabou de sair de um spa para quem passou 6 anos prisioneira na selva? — agora, é a vez do presidente colombiano sonhar com um terceiro mandato.

O relativismo da mídia, também espanta. Quando o maluquete das Caraíbas, Hugo Cháves, tentou um terceiro mandato, o mundo democrático desabou sobre o protótipo de ditador. Agora, manifesta a possibilidade de Álvaro Uribe, guindado ao panteão dos heróis andinos, almejar um inconstitucional terceiro mandato, poucos os jornalistas que abordam o assunto. Exceção, até agora, a jornalista Eliane Catanhêde na Folha de S.Paulo.

Los hermanos
De Eliane Cantanhêde:

O venezuelano Hugo Chávez acaba de fazer elogios públicos ao colombiano Álvaro Uribe, a quem chamou de “irmão”. Irmãos eles não são; são frente e verso. Tão diferentes, tão parecidos. Chávez, pró-Cuba, anti-Washington, interlocutor das Farc. Uribe, pró-Washington, anti-Cuba, o presidente que entra para a história por aniquilar as Farc moral, política e militarmente.

Chávez, esfuziante, ocupa as páginas internacionais, enquanto racha a sociedade venezuelana ao meio. Uribe é o oposto: opaco, tem espaços modestos na mídia e isolou-se ao apostar todas as fichas nos EUA e violar o território do Equador contra as Farc. Mas, se Chávez divide, ele uniu a Colômbia como nunca se viu.


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Derrotado por unanimidade na OEA (Organização dos Estados Americanos) pela ousada operação no Equador, Uribe teve uma reação de “bom cabrito não berra”: calmo, conformado. Hoje se sabe por quê: a invasão foi um risco calculado. A perda externa seria fartamente compensada internamente. Como foi. Chegou a mais de 80% de aprovação e, com o resgate de Ingrid Betancourt, pode chegar aos 90%.

O mundo inteiro, e as Américas em particular, rechaçaram a tentativa (afinal malsucedida) de Chávez de se eternizar no poder. Mas já pipocam apoios aos esforços do vizinho Uribe para mudar mais uma vez a Constituição e desfrutar um terceiro mandato.

Chávez não podia, Uribe pode. E os princípios democráticos? A alternância de poder? Apliquem-se a um, deixem o outro em paz?

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