A Política do Absurdo


Blog do Mesquita,Política,Direita,FascismoEntão aqui estamos de novo. O candidato da “intelectualidade conservadora” não está satisfeito em atacar “o comunismo” ou mesmo a esquerda. Ele quer dizer coisas absurdas, factualmente erradas, mas não aquelas nas quais o campo da controvérsia tem um pequeno espaço para respirar.

Ele quer mentir. E não contar qualquer tipo de mentira mas aquela que é facilmente desmentida por dezenas de milhares de especialistas e centenas de milhares de documentos. Aquela que é desmentida por testemunhas oculares, pelos sobreviventes e pelos cadáveres. E quando ele for desmentido por quem dedicou uma vida ao assunto, pela imprensa ou por qualquer pessoa com um mínimo de bom senso ele vai se fazer de vítima. E não apenas vai usar essa posição de vítima mas se apegar a ela para dizer que ele e os seus estão sozinhos contra alguma “conspiração esquerdista”.

“Todos aqueles que discordam de mim defendem ditaduras” dizem seus seguidores, 10 segundos depois de defenderem uma ditadura do passado ou, sem qualquer cerimônia, dizer que desejam implantar uma ditadura no futuro.

A posição de vítima é um componente essencial das Novas Direitas – justo aquelas que tanto denunciam um suposto “vitimismo”. Serve para desenhar um establishment inimigo imaginário (composto por qualquer um que se pronuncie contra seus absurdos), e também para garantir o apoio, tácito ou declarado, de pessoas que foram convencidas de que todo mal vem da esquerda.

A esquerda, nesse caso, é um conceito elástico o suficiente para caber todos os inimigos do líder e seus seguidores. Ela começa com os socialistas mas logo passa a incluir progressistas, liberais, cidadãos preocupados, ou mesmo qualquer um que não declare seu apoio. E os inimigos, como mostrou Umberto Eco, precisam ser retratados como simultaneamente fortes e fracos, onipotentes e débeis, de preferência engajados em alguma conspiração sinistra contra tudo o que os seguidores mais amam: sua família, seu modo de vida.


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E o absurdo é o que os une. Ele torna possível aos “intelectuais conservadores” dizer qualquer coisa sem que haja cobrança em suas próprias hostes. Aquela frase de efeito que Churchill nunca disse, o ensaio onde se defende a segregação racial, a tentativa de reescrever a história através de um revisionismo troll. Entre os imbecis e os cínicos todos concordam.

Não adianta falar que essas pessoas “precisam aprender história” ou “precisar ler livros de história”. Elas leem, assistem documentários ou pagam cursos para qualquer que diga o que elas querem ouvir. Elas precisam das pequenas verdades, algo que espante as dúvidas que se empilham no fundo da cabeça, que confirme que todos os problemas que assistimos no presente seriam fruto da “degeneração promovida por um grande plano levado a cabo por bilionários comunistas.”

A política do absurdo é um projeto. E se estamos na era da política como entretenimento, uma espécie de reality-show distorcido e sádico, eu diria que é um projeto muito bem-sucedido. Não é possível combater isso apenas com informação, contra argumentos e indignação – nesse ponto talvez a sátira e o humor funcionem de forma mais eficaz.

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