A fúria censória dos atuais detentores do poder, e seus aliados, vide o “tesoura” Hélio Costa querendo censurar blog, tem origem atávica, e mal, muito mal, intencionada. Os stalinistas do PT esquecem que somente a liberdade de imprensa e a democracia é que permitem a figuras patéticas como Franklin Martins — foi membro do grupo que sequestrou o embaixador americano no Brasil nos anos do regime militar — ter o direito de falar todo tipo de asneira. Esse mesmo ex-global comentarista, e atual ‘ministro da propaganda’ de Lula, tem o desplante e o descaramento de mandar bilhetinhos para a turma do Casseta, “recomendando” o não uso do presidente Lula em piadas nos programas de TV. Imaginem o que virá se dona Dilma, outra stalinista, for eleita.
Contra a censura. Sempre! Antes que Cháves!
O Editor
PS. Hélio Costa e Franklin Martins são ‘ex-poentes’ da TV Globo. Como não acredito em coincidência…


Franklin não se cansa nem descansa: ele quer vingança

Lembram-se do siricutico de Franklin Martins quando o presidenciável José Serra apontou as iniciativas do governo Lula de censurar a imprensa?

Franklin Martins Ministro da Comunicação Social do Governo Lula

Pois é… O tucano fez uma intervenção realmente perfeita no seminário da ANJ (Associação Nacional de Jornais) ao apontar três frentes de ataque à liberdade de expressão: a) tentativa de censura legal; b) tentativa de asfixia econômica; c) patrulha e assédio moral por intermédio de entidades ligadas ao PT. Leiam o que vai na Folha. Volto em seguida:

“Ao lado do presidente, Franklin critica mídia
Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública.

Eles participaram ontem do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A cerimônia reuniu cinco ministros em clima de campanha para a presidenciável Dilma Rousseff (PT), que não compareceu.
Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos “aquários”, jargão que identifica a chefia das redações dos grandes veículos nacionais. “Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando”.
O diretor do sindicato, Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: “Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos”.
O sindicato é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT.
A TVT estréia com uma hora e meia de produção própria no canal 46 UHF na Grande SP, em outros dez Estados e na internet.
Em discurso lido, Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores “continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão”. “O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos”, disse.

Comento

A única boa notícia relativa a esse assunto, que não vai no texto, é esta: eles — petistas e governo — são incompetentes demais para fazer uma televisão que preste. Vejam a TV Brasil. Com uma estrutura infinitamente maior do que a do sindicato, só produziu mistificações. Como costumo dizer, fez-se uma televisão com a cara de Tereza Cruvinel e a alma de… Franklin Martins! Resultado: torrou-se uma montanha fabulosa de dinheiro e não se conseguiu sair do traço. É o que vai acontecer também com a tal TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O mais fascinante no discurso dos três valentes é a “aparente” suposição de que a TV sindical não teria viés nenhum. Escrevo que a suposição é só aparente porque idiotas eles não são. Sabem que o veículo será um mero braço do sindicato e, pois, do PT. Dinheiro não vai faltar. Afinal, o sindicato tem garantida a bufunfa do Imposto Sindical, que surrupia até mesmo dos trabalhadores não-sindicalizados. E pode gastar sem prestar contas a nenhum órgão público. Para esses bravos, o Estado tem legitimidade para bater o porrete na mesa e obrigar todo mundo a pagar o imposto, mas não a tem para verificar onde o dinheiro está sendo gasto.

A fala de Franklin é a evidência do acerto do discurso de Serra. Eis aí o terceiro item apontado pelo candidato tucano: assédio moral e patrulha, exercidos por intermédio de entidades ligadas ao PT. Nunca um partido e um governo contaram com tantas emissoras, jornais e revistas servis. Não em fase democrática ao menos. Mas Franklin ainda acha pouco. Os petistas precisam exercer permanentemente esse discurso da vítima para que possam fazer a “denúncia da manipulação”, na esperança de que os alvos da patrulha tentem provar que seus críticos estão errados — ao fazê-lo, atendem, então, à pauta do PT.

A gente sabe que Franklin é determinado no confronto com o “inimigo”. Quando lutava para implantar uma ditadura comunista no Brasil, seqüestrou um embaixador e ameaçou matá-lo caso algumas exigências não fossem atendidas. A ameaça está na carta que ele redigiu, de que tanto se orgulha. Tem em comum com Dilma o indisfarçável orgulho de ter pertencido a um grupo terrorista. Sua guerrilha, agora, é outra: quer minar o poder da “mídia”, dos “aquários”, com o apoio aos meios “independentes” de divulgação da notícia. O interessante é que essa “independência” é financiada com dinheiro público e é sempre favorável ao governo. O “sistema” aluga até blogueiros…

Dado o ânimo, caso Dilma vença a eleição, podem esperar uma penca de procedimentos oblíquos para minar a credibilidade dos grandes veículos de comunicação — não de todos; só daqueles que “atrapalharem” e insistirem em fazer jornalismo.

Nota final – A fala de Franklin acontece dois dias depois de o PT ter liderado, no Foro de São Paulo, uma verdadeira cruzada contra a imprensa livre.

blog Reinaldo Azevedo

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Parece que o Zé — marqueteiros estão tentando ‘pregar’ esse prosaico Zé em um candidato que a vida toda foi conhecido como José Serra, e associado à elite paulistana. Além do que, o tucano pode ser confundido com outro Zé, o Dirceu, que ficou famoso através do mensaleiro Roberto Jefferson que cunhou o famoso ‘sai daí Zé’! — está disposto a empunhar a mesma giratória borduna do Índio, seu vice, para atacar tudo que lembrar PT.
O Editor


Serra diz que PT usa dinheiro público para manipular imprensa.

Candidato do PSDB participou de congresso de jornais no Rio.

Governo não comenta. Dirigente do PT diz que Serra não tem credibilidade.

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, fez críticas ao governo e ao PT nesta quinta (19) ao participar do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Convidado para falar sobre liberdade de imprensa, ele afirmou que o atual governo utiliza dinheiro publico para manipular a imprensa e a sociedade.

Consultada, a assessoria da Presidência da República informou que não irá se manifestar. O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, afirmou que Serra “não tem credibilidade” para fazer essas declarações porque, segundo ele, o governo de São Paulo tem “uma TV chapa branca” [leia mais ao final deste texto].

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, era aguardada no Congresso Brasileiro de Jornais.

Em seu discurso, Serra disse que o PT se utiliza da criação de conferências pagas com dinheiro de contribuintes para controlar a imprensa e criar projetos de lei. Serra citou as conferências de Comunicação, de Direitos Humanos e de Cultura, todas realizadas no governo Lula.

“Quantas pessoas podem ter participado dessas conferências? Quinze mil, 20 mil? Isso não representa o povo brasileiro. Representa muito mais o partido”, declarou Serra.

“São de frações de partidos, basicamente do PT, que é voltado a isso e elas produzem projetos de lei. Produziram cerca de 600 projetos de lei mais ou menos, que foram enviados para o Congresso e lá permanecem como ameaças”, criticou ele.

Em seguida, ele atacou a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, alegando que ela chegou a autorizar a inclusão dessas questões em seu plano de governo.

“O próprio PT inclui essas questões no seu programa de governo. Isso foi aprovado e não foi por engano. Foi um programa apresentado e registrado, rubricado pela própria candidata. Se leu ou não, é um problema de estilo, de relacionamento entre partido e candidatura.”

O candidato do PSDB também criticou a criação da TV Brasil e disse que o órgão representa o uso da máquina pública para formar opinião.

“Boa parte ou alguns dos blogs sujos mais importantes são mantidos inclusive com recursos desta TV Brasil feita não para ter audiência, mas para criar empregos na área de jornalismo e servir como instrumento de poder em matéria de expressão e de informação para um partido basicamente”, declarou.

Serra citou ainda os programas institucionais de governo que são veiculados na mídia, como sendo instrumentos de manipulação. Após o evento, o tucano falou aos jornalistas, mas só respondeu a uma pergunta sobre liberdade de imprensa.

PT responde

O secretário de Comunicação do PT, André Vargas,afirmou que Serra não tem “credibilidade” para criticar o partido e o governo nessa área.

“Ele não tem credibilidade para falar isso. O próprio governo de São Paulo tem uma TV chapa branca em que não se pode tocar no assunto do Metrô, por exemplo. O Serra tem tradição de pedir cabeça de jornalistas, de ligar nas redações”, declarou Vargas.

Segundo o dirigente petista, “a TV Brasil é uma TV pública. Ela não tem o objetivo de substituir outras televisões”. Para Vargas, as conferências “são colocadas publicamente, onde todo mundo tem espaço, os jornais, sindicatos, jornalistas, a sociedade civil de forma geral.”

Ele negou que o PT e o governo tentem controlar a imprensa porque, segundo afirmou, é o partido que mais se submeteu a críticas. Sobre a alteração no programa de Dilma, ele disse que ela “não tem necessidade de acolher todas as propostas do PT”.

“O PT não defende controle público, nem patrulhamento da imprensa, mas defende a imprensa livre. Vindo dele não tem nenhuma credibilidade. Não tem outro partido que se submeteu tanto à crítica da imprensa desde o seu nascedouro como o PT. Fomos criticados, às vezes até ridicularizados. Diziam que não iríamos a lugar nenhum liderados por um metalúrgico. Diziam que nossa candidata não ia crescer, que era um poste”, declarou Vargas.

O secretãrio petista pediu que Serra mencione os blogs aos quais se referiu.

“Ele tem que citar os nomes dos blogs, parar com esse tipo de conversa. A Sabesp investe na mídia em nível nacional e em blogs também. Se eventualmente eu leio e me informo muito pela internet, tem blog contra ele e a favor dele. Talvez os blogs limpos sejam aqueles que defendam ele e que atacam a Dilma. Fica difícil fechar a conta.”

Carolina Lauriano/G1
Colaborou Maria Angélica Oliveira, do G1, em São Paulo

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Brasil: da série “Acorda Brasil!”
Os petistas, aprendizes de censores teimam em tentar calar a imprensa. Suas (deles) ex-celências se dedicam ao inútil exercício de querer encaixotar fumaça. Agora, trilham caminhos disfarçados em sonoro e pomposo apelido de “Comunicação e Democracia”. Na realidade mais uma tentativa Stalinista de calar quem se lhes opõe.
Sai tirano entra tirano, e nem todo o poder de armas, prisões, repressões e censuras, consegue impedir que as notícias se espalhem pelo mundo. Nenhuma ditadura até hoje se manteve por muito tempo, contra o poder da informação. E aí, justamente que a WEB mostra todo o poder de informar, apesar da censura que os Cháves da vida, tentam impor à grande rede.
Caso me censurem aqui, com um celular via satélite edito meu blog usando qualquer rede disponível, em qualquer lugar desse “mundo vasto mundo”.
Contra a censura. Sempre!
O Editor


Casa de marimbondo

Caso Dilma Rousseff venha a ser eleita, o PT vai insistir num projeto denominado “Comunicação e Democracia“, que tentou e não conseguiu impulsionar durante o governo Lula. O que era uma sugestão para o segundo mandato do primeiro-companheiro vê-se agora transformado em proposta para a suposta sucessora.

Trata-se de proposta já debatida no partido mas ainda não discutida com a candidata. São tantas e tão polêmicas as mudanças sugeridas no sistema de comunicação eletrônica vigente que o mínimo a prever é uma crise dos diabos entre a mídia e o novo governo, caso ele se forme.

Sem análise mais profunda sobre o que o PT propõe, pelo desconhecimento do documento em sua integralidade, vale ressaltar que o texto sugere a elaboração de uma lei que dificulte, primeiro, e proíba, depois, a concentração da propriedade dos meios de comunicação eletrônica. Isso significa que um mesmo grupo ou conglomerado encontrará dificuldades para possuir e para explorar diversas emissoras e canais de televisão e rádio.

Sugestão paralela é de regulamentar o dispositivo constitucional até hoje inócuo, que proíbe a existência de oligopólios nos meios eletrônicos de rádio e televisão.

Outra novidade será a criação de conselhos populares que participariam da decisão hoje entregue ao governo e ao Congresso para a renovação e concessão de canais de rádio e televisão. Mais uma: a criação da Secretaria de Democratização da Comunicação, um miniministério subordinado diretamente à presidência da República.

A regulamentação da publicidade no setor público também faz parte do documento, assim como incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes.

Aqui para nós, se essa proposta progredir e vier a fazer parte das metas e objetivos de Dilma, é bom tomar cuidado, porque o governo estará enfiando não só o braço, mas o corpo inteiro numa imensa casa de marimbondos.

O governo Lula tentou três vezes bater de frente com a mídia. Primeiro, ao endossar no Congresso um projeto conhecido como “Lei da Mordaça”, que se aprovado proibiria juízes, promotores e delegados de polícia de prestarem declarações à imprensa sobre processos ainda em andamento. Seria uma agressão à liberdade de divulgação de notícias. Por exemplo: na maioria dos processos por corrupção, ficariam jornais, revistas, rádios e televisões impedidos de noticiar o nome dos acusados e as acusações respectivas, sob pena de ver punidos os agentes do poder público responsáveis pelas informações. Imagine-se o caso dos sanguessugas e dos dois mensalões: nenhum dos ladravazes hoje conhecidos teria tido nome e fotografia expostos pelos meios de comunicação.

Felizmente, o Congresso arquivou a “Lei da Mordaça“, como antidemocrática e lesiva aos interesses da sociedade.

Depois, o governo tentou criar a Agencia Nacional do Audiovisual, que engessaria a produção de cinema e vídeo, subordinando-a aos interesses de quem estivesse no poder. Novo recuo, dado o radicalismo da proposta.

Em seguida veio o projeto do Conselho Federal de Jornalismo, da mesma forma sepultado no Legislativo, mas tão eivado de veneno a ponto de permitir a suspensão do exercício da profissão, quer dizer, do direito de trabalho, de jornalistas que porventura contrariassem a opinião dos dirigentes da entidade. Aliás, nomeados pelo governo.

Agora, mais uma vez, o partido do presidente e talvez da presidente da República tentará enquadrar os meios de comunicação. É evidente que oligopólios são nefastos e que a concentração da propriedade jornalística é um perigo capaz de gerar a uniformidade das notícias e das opiniões, não fosse o detalhe chamado de concorrência.

Quanto aos “conselhos populares”, quem os convocaria e reuniria? Já existe o Conselho de Comunicação Social, mesmo paralítico, mas na teoria funcionando como um apêndice na mesa do Senado, dispondo apenas de funções consultivas. Seria extinto, mesmo tão desimportante?

A criação da Secretaria de Democratização da Comunicação seria apenas mais um cabide de empregos ou teria a seu cargo municiar o presidente da República de queixas e reclamações contra a imprensa? E de sugestões para reprimi-la?

Regular a atividade publicitária no setor público até que parece acertado, mas desde que para impedir o fluxo de dinheiro fácil para os meios de comunicação, de forma a conquistar-lhes as boas graças e a simpatia.

Não dá para entender a última sugestão, de programas de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes. Independentes de que e de quem? Do governo? Das empresas estatais cuja publicidade tão bem se encontra manipulada?

Nas poucas vezes em que a candidata abordou a questão da mídia, não fechou as portas para uma espécie de controle administrativo, mas enfatizou sempre não admitir nada que pusesse em jogo o conteúdo dos meios de comunicação. Vamos ver se, no caso de eleita, cederá a pressões dos companheiros e mudará de opinião.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

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PT e a censura à imprensa



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Para os mais apaixonados, contras e a favor, foi visível o tratamento diferenciado dado a cada um dos candidatos, à presidência da República, entrevistados na bancada do Jornal Nacional. Cada lado acha que o adversário foi beneficiado, e que seu preferido foi maliciosamente prejudicado. Será que o Jornal Nacional é tão decisivo assim? A resposta? A teremos quando as urnas forem abertas.
O Editor
Ps. Passo a reproduzir a partir de hoje, artigos de articulistas, de diversas tendências partidárias, analisando o desempenho de seus (deles) preferidos na campanha eleitoral na TV.


O dia em que Serra perdeu a eleição
Por: Eduardo Guimarães/blog da Cidadania

Na última segunda-feira, após a entrevista de Dilma Rousseff ao principal telejornal da Globo, escrevi sobre “O dilema do Jornal Nacional“. Seria o dilema de como tratar José Serra na entrevista que daria ao programa noticioso depois de o “casal-âncora” Willian Bonner e Fátima Bernardes ter sido rude com a candidata do PT. Escrevi, então, que o JN teria que optar entre duas escolhas.

A primeira escolha seria a de tratar José Serra com suavidade para não prejudicá-lo fazendo questões para as quais qualquer resposta que desse seria ruim, como, por exemplo, perguntá-lo sobre contradição idêntica à que foi apontada contra Dilma, sobre seu partido estar aliado com partidos e caciques políticos que o PT, outrora, só não chamou de santo.

No caso de o JN fazer essa escolha, teria que perguntar a Serra sobre o que há de mais gritante em suas alianças, como o tucano se aliar a Orestes Quércia, pivô da saída de Fernando Henrique Cardoso, de Mário Covas e do próprio Serra do PMDB para fundarem o PSDB. Para fazer uma entrevista honesta, também haveria que perguntá-lo sobre o “mensalão” do DEM e sobre José Roberto Arruda, expoente do partido que indicou o vice de Serra e que chegou a ser preso e depois cassado por corrupção.

A outra escolha possível ao JN seria a de fazer o que efetivamente fez, ou seja, montar um teatrinho com perguntas e respostas obviamente ensaiadas entre o “casal-âncora” e o entrevistado tucano, com Willian Bonner se perdendo em meio a uma torrente de pedidos de “desculpas” ao entrevistado por ameaçar interrompê-lo. O teatrinho visou fazer parecer que Serra fora tratado com dureza igual à que foi usada contra Dilma.

O Jornal Nacional fez a segunda opção. Contudo, mal treinados em atuação teatral, Bonner e Bernardes foram tão óbvios na suavidade das perguntas e na omissão das questões mais espinhosas contra Serra, e tão escancarados ao manter o “mensalão do PT” no ar nas entrevistas com os três principais presidenciáveis, que o assunto partidarismo do telejornal chegou até às páginas da imprensa amiga, como em matérias na Folha de São Paulo levantando a polêmica.

Apesar de a Globo ter achado que a sua encenação seria uma jogada genial, as críticas foram tão vastas e tão variadas que até Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Serra, como retaliação por ter sido usado pelo JN no lugar de Quércia reconheceu que o telejornal favorecera seu candidato a presidente, o que obrigou a emissora a emitir nota oficial desmentindo que tenha favorecido alguém.

A mera leitura da transcrição das entrevistas dos candidatos não permite identificar favorecimentos. O JN perguntou a Dilma e a Serra sobre temas parecidos – sobre suas alianças, por exemplo, apesar de ter escolhido questionar a aliança errada de Serra, pois, como já disse, sua maior contradição é estar aliado ao pivô de sua saída do PMDB para fundar o PSDB.

De fato, a estratégia da Globo faz algum sentido porque a quase totalidade dos brasileiros não tem informações como essa que acabo de mencionar e, assim, não captaria diferença de tratamento entre o tucano e a petista.

Ocorre que há um fator subjetivo ao qual a “inteligência” global não deu atenção. Clicando aqui, o leitor será enviado a matéria do portal de internet da Globo contendo o vídeo e a transcrição da entrevista de Dilma ao JN. Clicando aqui, encontrará o mesmo em relação a Serra. Para os menos atentos, vale ler as transcrições das entrevistas e, depois, assistir aos vídeos, porque contêm um dado que aquelas transcrições escondem.

Há uma capacidade que os desprovidos de conhecimento político e até de instrução têm de sobra, ou seja, a capacidade natural das pessoas de notarem aspectos subjetivos como o tom de voz e a linguagem corporal dos entrevistados, quando tais aspectos são gritantes.

Faça um teste, leitor: retire o som dos vídeos das entrevistas de Dilma e de Serra e aprecie o balé subliminar das expressões faciais e dos gestos dos atores. Depois, ouça a entrevista sem ver as suas imagens. O que você captará, se for suficientemente honesto consigo mesmo para se abrir à realidade mesmo que ela contrarie as suas idiossincrasias, será a diferente disposição dos entrevistadores com cada entrevistado.

PSDB e Globo, de um lado, e o PT, de outro, fazem apostas, respectivamente, sobre a incapacidade e a capacidade do público. Por mais que tucanos e mídia assumam uma atitude de quem conseguiu o que pretendia, trata-se de uma aposta da qual estamos longe de saber se realmente foi vencida pela coalizão conservadora.

Em minha opinião, a linguagem subliminar gritante de imagens e sons, a persistência no tema “mensalão do PT” nas três entrevistas de candidatos e a polêmica sobre a diferença de tratamento a Dilma e a Serra provaram que a Globo integra a campanha do tucano.

Embora ainda não se possa dizer quem está certo – se eu ou a Globo –, que fique registrado que considero a série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos Dilma Rousseff, Marina Silva e José Serra como o momento em que o favorito da Globo e da grande mídia efetivamente começou a perder a eleição de forma irreversível, e no qual a emissora sepultou suas aspirações de se posicionar como “isenta”.

11 de agosto de 2010, data da entrevista de Serra ao JN, ainda será considerado o dia em que o tucano efetivamente perdeu a eleição presidencial.

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[...] o que dá pra rir dá pra chorar[..]
Nunca, o verso da música de Billy Blanco foi tão atual.  Diante da fúria censória do legislador derivado e da implacável tesoura do Tribunal Superior Eleitoral – aliás, tal corte eleitoral só existe no Brasil – caberá, em breve, aos candidatos perguntarem, para ficarmos no âmbito das analogias musicais, à moda de Noel Rosa: ” [...] com que roupa eu vou?”
Contra a censura. Sempre!
O Editor


Muito político faz chorar com a mesma matéria-prima que o humor faz rir, diz Danilo Gentili

Danilo Gentil ¹ especial para a Folha de S.Paulo

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) está preocupado, pois entendeu que satirizar um candidato na TV gera desigualdade no processo eleitoral. Ufa!

Agora os indefesos candidatos já podem respirar aliviados e se concentrarem na campanha em que, na mesma TV, durante a propaganda eleitoral gratuita, um terá 10 minutos a mais que o outro para expor suas ideias. Isso sim é democrático, igualitário e… Droga… Aqui caberia uma piada, mas não posso fazê-la.

Agora é contra a lei ridicularizar o candidato. Então, lembre-se: por mais ridículo que ele seja, guarde segredo.

Exemplo: Ainda que Collor ridiculamente ligue pra casa de um jornalista o ameaçando de agressão, por mais tentador que seja não mire sua lupa cômica nisso. Ele é candidato, e candidato aqui não fica exposto, fica blindado. O TSE nao é o feirante japonês que deixa a mercadoria exposta para que possamos apalpar e cheirar antes de levar. Ele é o coreano do Paraguai que a deixa na vitrine. Você não toca, não cheira. Apenas paga. Quando chegar em casa, reze antes de abrir a caixa.

Humorísticos censuram piadas e tiram candidatos do ar para evitar punição

E a discussão se essa censura é ou não constitucional? Tenho fé que em breve teremos uma resposta sensata. Logo após eles chegarem à conclusão de outra discussão que há anos os perturbam: afinal, o fogo é ou não quente?

O humorista pega a verdade e a exagera. Ao contrário do político, a verdade é imprescindivel para o sucesso de seu trabalho.. E esse é o problema. Num país onde culturalmente é bonito lucrar com a mentira, a verdade não diverte. Assusta. Indigna.

Onde já se viu um coronel permitir que manguem de sua cara em sua província? Então censuremos! Por isso, recentemente, tivemos imprensa brasileira censurada, jornalista estrangeiro expulso, repórter agredida e agora, humorista amordaçado. É melhor que o Estado defina o que pode ou não ser passado para o público, assim o público continua passando o que interessa para o Estado.

Aristófanes, pai da comédia antiga, exercia abertamente sua função de fazer o público rir, criticando instituições políticas e seus representantes. Se fosse brasileiro, hoje, Aristófanes não poderia realizar seu ofício. A visão democrática do TSE está mais atrasada que a da Grécia de 400 a.C.

Henri Bergson, filósofo francês, afirmou que “não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Comicidade dirige-se à inteligência pura”. Filosoficamente, o pessoal do TSE não é humano, nem inteligente o bastante para compreender o que foi escrito há quase um século atrás.

Freud, pai da psicanálise, entendeu que “rir estrondosamente, satirizar personagens e acontecimentos fazem parte da nossa experiência cotidiana e é crucial pra nossa condição humana”. Um século depois, temos uma lei que impede a manifestação do cômico num evento tão importante pra sociedade como a eleição. Psicossocialmente falando, a democracia brasileira encontra-se retardada.

Estudos observam que primatas riem de boca aberta para manifestar raiva e hostilidade. A evolução preservou o instinto do riso no ser humano para que fosse a válvula de escape substituta à agressão física. A lei eleitoral quer abafar o instinto compulsivo da piada e do riso (e sabe lá Deus aonde isso vai pode explodir). Biologicamente, eles estão forçando um passo atrás na escala evolutiva.

Enquanto o Brasil se orgulha de dialogar com países desenvolvidos o suficiente para que nenhuma forma de comunicação seja restrita, a gente fica aqui rindo das imitações de Silvio Santos, porque é o que se pode fazer no momento. Claro, enquanto o Silvio Santos não for candidato.

Muito político faz chorar. Com a mesma matéria-prima o humorista faz rir. Para o TSE a segunda opção é uma ameaça e precisa ser contida.

A liberdade de expressão aqui tem o mesmo conceito de liberdade do zoológico. Faça e fale o que quiser. Você é livre! Desde que não passe os limites da sua jaula.

Não me multem, por favor. Isso não foi uma piada.

¹ Danilo Gentili é comediante stand-up e repórter do CQC da Band

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Análise de jornalistas de diversos jornais sobre a participação de José Serra em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Foi mais fácil do que para os adversários.
João Bosco Rabello – O Estado de S.Paulo

Foi o candidato que passou menos tensão. Manteve a estratégia de colocar sua principal adversária como fantoche de Lula (“vai na garupa”) e não aceitou a provocação de comparar os governos Lula e FHC. Reconheceu os avanços da gestão do PT, mas tentou afirmar-se como candidato do futuro. Confrontado com as alianças indesejáveis, procurou demonstrar que delas tem o controle. “Todos os que me apoiam conhecem meu estilo contra o fisiologismo.” Serra foi facilitado pelas perguntas. Para além de entender por que o mensalão foi tema para ele e Marina – e não para Dilma -, respondeu à questão das alianças por não negá-las como fator eleitoral indispensável. Teve espaço para desenvolver sua gestão e suas ideias na saúde e foi contemplado pelos apresentadores com o bônus de discorrer sobre as vantagens de um sistema de pedágio que premia os resultados das rodovias estaduais. Não foi pressionado nos temas mais delicados. Foi mais fácil para ele que para seus antecessores os 12 minutos na bancada do Jornal Nacional.

Tucano dá seu recado para o eleitorado
Marcus Figueiredo – O Estado de S.Paulo

José Serra foi bem na entrevista, de maneira geral. Embora pressionado pela situação, porque havia 40 milhões de pessoas olhando, mostrou a segurança de quem tem uma vida pública e parlamentar extensa. Aproveitou boa parte da entrevista para criticar aspectos do governo Lula, o que é papel da oposição. Apresentou dados sobre estradas federais e mostrou que, no setor, o desempenho continua ruim – como sempre foi. Sobre a questão política de fazer alianças passíveis de críticas, o que ele disse não teve diferença nenhuma em relação ao que Dilma afirmou. Nas alianças entra gente que não necessariamente está nas prioridades dos candidatos. Serra, que escondeu Fernando Henrique Cardoso na campanha de 2002, não tinha como não mencionar o ex-presidente no evento. Serra tem como usar como estratégia de comunicação a ideia de que Lula conseguiu fazer o que fez porque FHC preparou o terreno. Em resumo, Serra aproveitou muito bem o tempo da entrevista para dar seu recado ao eleitorado, com exceção da parte final, quando se perdeu e não conseguiu se despedir – o que não é tão importante.

Sem correria, mas com contradições
Carlos Melo – O Estado de S.Paulo

Como era evidente, José Serra seria comparado às adversárias que o antecederam. E assim, calejado pelo tempo, soube conduzir sua participação no JN num ritmo pausado, professoral; distinguindo-se da correria das demais, ora dirigia-se aos entrevistadores, ora ao telespectador. Como se esperava, comunicou-se eficientemente. Já no que tange ao conteúdo propriamente político, viu-se, também, em saias mais ou menos justas e contradições: não briga com a popularidade de Lula. Antes, pretende desde já remeter o presidente ao passado. “Lula não é candidato”, diz quase num apelo. Prefere olhar para frente, mas não se furta em recorrer ao passado que lhe interessa: “FHC fez o Plano Real“. Enfatiza o vice “ficha limpa”, mas releva a participação de aliados incômodos no mensalão; ressalta a qualidade das estradas paulistas, mas desconversa quanto aos pedágios. Realmente, “não tem compromisso com o erro”. O candidato racional e centralizador – o que ele nega – busca a emoção, ainda que contida: recorre à figura dos pais, do menino de origem modesta. De algum modo, precisa se identificar com Lula.

Serra evoca o samba de Noel: “Com que roupa”?
Análise – Folha de São Paulo

A estratégia de campanha de José Serra está escorada numa ilusão. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, o presidenciável tucano deu asas à quimera: “O Lula não é candidato a presidente”, disse.

“Meu foco não é o Lula”, repetiu mais adiante. Revelou-se capaz de tudo, menos de dirigir uma crítica a Lula.

Restou evidenciado que, há uma semana do início da propaganda eleitoral televisiva, Serra ainda não logrou construir um discurso de oposição. Sabe que Lula, não sendo candidato, comanda o baile da sucessão. Sem ele, a candidatura da petista Dilma Rousseff, sua principal antagonista, não existiria.

Quem convida Serra para o samba é Lula, não Dilma. E ele roda em círculos, como se entoasse Noel Rosa: “Esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa? Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”

Dos três presidenciáveis, Serra foi o menos fustigado pelo “casal JN”. Ainda assim, não se livrou de falar sobre o apoio de Roberto Jefferson.

Apresentou-o como “denunciante” do mensalão. Meia verdade. Denunciou depois que os holofotes focaram o esquema que o PTB montara nos Correios.

Como José Dirceu (PT), Jefferson teve o mandato de deputado cassado. E desceu ao banco de réus em que o STF acomodou a “quadrilha”.

Serra disse que não lhe cabe julgar. Afirmou que Jefferson conhece o seu estilo de governar. Se está com ele, é porque se sujeita. Talvez dissesse o mesmo sobre Orestes Quércia (PMDB). Mas não foi inquirido a respeito.

Por que foge da comparação de FHC com Lula? “Não estamos fazendo disputa do passado”, rodeou.

Insinuou que, eleita, Dilma governaria “na garupa”. A questão é que, para seduzir o eleitor que Lula transfere para Dilma, Serra teria de apregoar um sonho novo. Antes, precisa responder à pergunta: “Com que roupa?” 

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Liberdade de Imprensa e liberdade de expressão

DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO…
…ao direito à comunicação
Por Venício A. de Lima/Observatório da Imprensa

Texto de referência para exposição no Simpósio “Mídia e Democracia” promovido pela Universidade Católica de Brasília Virtual, Comissão Brasileira Justiça e Paz (CNBB) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, em 2/8/2010. Versão preliminar apareceu no Observatório da Imprensa nº 554, de 12/9/2009. Outra versão foi publicada como Introdução Geral a Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa; Publisher Brasil, 2010
Imagem retirado do site http://primeiralinha.org/home/?p=1476

Apesar de ocupar uma posição de centralidade na “batalha das idéias” que se trava cotidianamente em nossa sociedade, o debate público das questões envolvidas na relação entre liberdade de expressão e liberdade da imprensa, sofre de uma interdição não declarada por parte dos grupos dominantes de mídia. A mera lembrança do tema sempre provoca imediatas rotulações de autoritarismo e de retorno à censura.

Mesmo levando-se em conta o trauma ainda relativamente recente do regime militar (1964-1985), esse é dos muitos paradoxos históricos dos liberais brasileiros que nem sempre praticam o que afirmam defender. É, portanto, necessário e benéfico propor o debate público.

Não me refiro aqui às complexidades do debate jurídico. Restrito ao universo das leis, feito em linguagem excludente e, muitas vezes, ignorando a realidade social concreta na qual a questão se coloca, mesmo assim ele se constitui em referência inescapável. Também não me refiro ao debate externo ao liberalismo, sobretudo àquele fundado na crítica marxista clássica. Refiro-me, apenas, ao debate interno, às premissas liberais consolidadas e praticadas em sociedades que têm servido de referência à nossa democracia, na perspectiva de construção do direito à comunicação centrado no indivíduo (e não em empresas) – razão última e sujeito de todas as liberdades e direitos.

Trata-se, na verdade, de sugerir questões – ainda que de maneira simplificada e breve – que ajudem a compreender se a minha ou a sua, leitor(a), liberdade de expressão pode ser considerada igual, equivalente ou simétrica à liberdade da imprensa controlada por um grande grupo empresarial de mídia.

A diferença entre liberdade de expressão e liberdade da imprensa realmente existe? Houve um período histórico em que essas liberdades foram consideradas equivalentes? Quais as condições necessárias para que a liberdade da imprensa contribua na construção de um debate público democrático?

SPEECH (EXPRESSÃO); PRINT (IMPRIMIR) E THE PRESS (A IMPRENSA)

As diferenças começam com o próprio significado da palavra imprensa. Creio que o herdamos da língua inglesa. Embora em inglês como em português a palavra imprensa (press) possa significar tanto a máquina de imprimir [impressora, tipografia] como qualquer meio de comunicação de massa ou ainda o conjunto deles, a passagem do primeiro para os outros sentidos altera radicalmente o locus do sujeito da liberdade de expressão a eles vinculado. Existe em inglês uma distinção entre speech (expressão, palavra), print (imprimir) e the press (a imprensa) que, na maioria das vezes, não se faz entre nós.

Um exemplo: se formos ao panfleto seiscentista Areopagitica de John Milton (1644), clássico reiteradamente lembrado na defesa da liberdade da imprensa, veremos que ele se refere ao direito natural do indivíduo de expressar (speech) e imprimir (print) suas idéias (no caso em defesa do divórcio), sem restrições externas (liberdade negativa).

Escrito para combater uma Ordenação do Parlamento inglês regulando a impressão de documentos, panfletos e livros (“An Ordinance for the Regulating of Printing”) de 14 de junho de 1643, o seu argumento, eminentemente religioso, gira em torno da capacidade individual de livre-arbítrio (contra a predestinação) e da conseqüente necessidade de cada um se expressar e se expor às diferentes versões sobre um assunto para alcançar a verdade. Tudo isso desde que não se ofenda a Deus. Os católicos estavam excluídos dessa liberdade, porque Milton, reformista puritano, os considerava intolerantes, na medida em que o “papismo pretendia extirpar todas as religiões e supremacias civis” (pág. 177).

O Areopagitica – cujo subtítulo é “um discurso de John Milton pela liberdade de imprimir sem licença dirigido ao Parlamento da Inglaterra” ["A speech of Mr. John Milton for the liberty of unlicenc’d printing to the Parlament (sic) of England"], por óbvio, não poderia estar se referindo à imprensa, no seu significado moderno: primeiro porque, no texto, não há referência a the press, mas sim a printing; e, segundo, porque na Inglaterra do século 17 não existiam “jornais” – e, muito menos, empresas comerciais de mídia (de meios impressos e/ou eletrônicos), no sentido contemporâneo em que (ainda) é empregada a palavra imprensa. [Embora existam evidências históricas de que o licesing prévio para imprimir fazia parte do debate político na Inglaterra dos séculos 17 e 18, é curioso que o Areopagitica de John Milton só tenha tido uma 2ª. edição no século 19, duzentos anos depois da primeira, estimada esta em 1.000 (Thompson) ou, no máximo, 1.500 exemplares (Dallas Smythe). O texto também não é lembrado por autores que trataram do mesmo tema no século 19 (e.g., J. Stuart Mill), nem aparece em estudos políticos contemporâneos referentes ao período de Milton (Eunice Ostrensky). Aparentemente, o Areopagitica só ressurge na defesa da "liberdade de imprensa" ao longo do século 20.]

Note-se, todavia, que tanto na tradução clássica de Hipólito da Costa publicada no Correio Brazilienze, em 1810, quanto na edição contemporânea existente entre nós do Areopagitica (Topbooks Editora, 1999), o subtítulo é “Discurso pela Liberdade de imprensa ao Parlamento da Inglaterra”, enquanto o texto original se refere à liberdade de imprimir sem licença. [As edições do Correio Braziliense de Hipólito José da Costa de números 24 e 25, respectivamente, de maio e junho de 1810, publicaram a primeira edição em português do Areopagitica com o subtítulo de "Falla a favor da Liberdade de imprensa dirigida ao Parlamento da Inglaterra" (sic, maio) e "Falla de Milton sobre a liberdade de Imprensa" (sic, junho).]

Duas liberdades

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Pro dia nascer melhor – 31/07/2010

Entrevista com jogador sincero


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Mais uma vez, parece que o “grande irmão do norte” parece desconhecer a realidade dos outros países do mundo. Principalmente quando são países islâmicos. O “imbroglio” agora, para as forças de combate americanas, é o Afeganistão.

Nação composta por inúmeras etnias, e por isso mesmo, ou por causa disso, um eterno caldeirão de rivalidades, o Afeganistão tem 50% da população constituída pelos patãs, 30% são tradjiques, além de outra parte em que se incluem usbeques, turcomanos e beluques. No quesito religião 90% são muçulmanos sunitas e 9%, xiitas.

Cerca de 140 mil soldados americanos e da Otan participam da ocupação do país, ocupação essa que ao longo de 9 anos e meio mais aparenta ter entrado em um beco sem saída.
O Editor


Imprensa, TV e Internet fazem EUA desabar no Afeganistão

A exemplo do que ocorreu com a guerra do Vietnã, em 75, os jornais, as emissoras de televisão e, agora, a internet, juntos, poderão contribuir para um recuo das forças americanas e da OTAN no Afeganistão, tantos e tão realistas são os documentos secretos que no final da semana o australiano Jules Assange tornou públicos ao mundo.

A dimensão da iniciativa e o risco jornalístico de enveredar por um caminho militar ligado à segurança de estados e de pessoas foram tão grandes que, antes de fazer explodir a comunicação eletrônica, o diretor da ONG Wikileaks antecipou o conteúdo do site ao New York Times, ao inglês The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.

A CNN, no inicio da década de 70, precipitou a retirada dos Estados Unidos do Sudeste Asiático a partir do momento em que colocou no ar militares americanos detonando a cabeça de prisioneiros ou então lançando-os, sem paraquedas, de aviões e helicópteros.

Lembro bem que a atriz Jane Fonda valeu-se da reportagem controlada pelo então seu marido, Ted Turner, para liderar uma imensa passeata em Washington, em torno da Casa Branca, pelo fim imediato da guerra que fora iniciada em 62 pelo presidente Kennedy, atravessou o mandato de Lyndon Johnson, o primeiro de Richard Nixon, também o segundo, e só acabou em 75 na administração Gerald Ford que assumiu depois do escândalo de Watergate.

A sociedade norteamericana ficou perplexa com o que a imprensa e televisão destacavam. A frase a liberdade não é de graça, usada por Truman na guerra da Coréia, perdeu o sentido com o segundo fracasso na Ásia. Mas eis que, na sequência do tempo, vieram a absurda invasão do Iraque, desencadeada por George Walker Bush, e até o momento mantida pelo presidente Barack Obama, apesar de compromisso de terminá-la a curto prazo assumido na campanha eleitoral.

Provavelmente o complexo industrial militar – denunciado em livro pelo general Eisenhower, que presidiu os EUA do início de 53 ao começo de 61, pois foi eleito em 52 e reeleito em 56 – entrou em ação e somou o Afeganistão ao Iraque, adicionando Bagdad a Cabul. No Iraque, uma série de torturas praticadas, morte de milhares de iraquianos, luta de guerrilha e sobotagens, mais de 3 mil americanos mortos. No Afeganistão, a lista de mortos aumenta a cada dia e, de acordo dom o site de Julien Assage, fatos nebulosos vinculando setores das forças invasoras com o Taleban de Bin Laden.

Os diamantes são eternos, escreveu Ian Fleming, criador de James Bond. A cada dia mais se comprova a teoria na prática. A indústria de armas está por atrás, pela frente, pelos lados dos conflitos. Um mercado que proporciona lucros à base da vida e da integridade de centenas de milhares de pessoas. Ritual macabro esse que parte do princípio da defesa da liberdade e termina com o aprisionamento e a ocultação dele próprio.

As excelentes matérias de Gustavo Chacra, Andréa Murta e Fernando Ainchenberg, publicadas respectivamente nas edições de 27 de julho de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e de O Globo, focalizaram nitidamente o panorama extremamente crítico que a divulgação dos quase 100 mil documentos secretos causou.

Por intervenção do New York Times, dezenas de nomes de pessoas não vieram à tona, pelo menos por enquanto, para não colocar em risco suas vidas. O impacto mundial está sendo de tal ordem – acentuam os jornalistas – que em seu conjunto essa página singular da história de hoje pode vir a terminar a guerra do Afeganistão amanhã.

Pedro de Coutto/Tribuna da Imprensa

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Os constituintes de 1988, egressos de um período de forte censura por parte dos governos militares, com medo de que um novo Estado forte pudesse reaparecer, terminaram por fazer uma legislação que se mostra ultrapassada e tão ou mais censória que a carta anterior.
Ao longo dos anos, sempre de afogadilho, um sem número de leis foram aprovadas, sempre as vésperas das eleições. As mudanças das regras eleitorais visam sempre resolver questões pessoais, e são feitas quase sempre por pressão e não por acordos no Congresso. Sem uma ampla reforma política permanecerá a mesma estrutura de poder. Os constituintes derivados parecem não adotarem a máxima de que o Direito modifica a sociedade e a sociedade modifica o Direito.
Contra a censura. Sempre! Antes que Chávez.
O Editor


Ao censurar, lei eleitoral agride Carta (Editorial)

É provável que a explicação esteja no longo período do mais recente apagão institucional na história da República brasileira, ocorrido de 1964 a 1985, pouco mais de duas décadas. Não se sai incólume de tanto tempo de autoritarismo, mal que se entranha em todo o arcabouço jurídico.

Promulgada em 1988 a Constituição da volta à democracia, ainda restaram dispositivos herdados da ditadura militar, o chamado “entulho autoritário”. Talvez o mais daninho tenha sido a Lei de Imprensa, assinada em 1967 por Castello Branco, o primeiro dos presidente militares daquele ciclo, e só extinta no ano passado, por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A mais alta Corte do país aceitou o argumento de que o dispositivo constitucional garantidor da liberdade de imprensa e expressão não requer regulamentação. Logo, aquela lei era inconstitucional. Mas há outros absurdos jurídicos em vigor, como a lei eleitoral, de n 9.504. Sequer ela pode ser enquadrada como “entulho autoritário” legítimo, pois é de 1997.

Aprovada quando o país já transitava em pleno estado de direito democrático, esta legislação, no entanto, padece de séria intoxicação de cultura ditatorial. Um dos seus piores efeitos é, na prática, baixar a censura nos programas humorísticos de TV e rádio, além de engessar a cobertura jornalística dos pleitos.

A proibição de “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato ou coligação” serve de base para a Justiça impedir, por exemplo, o “Casseta & Planeta” (TV Globo), “CQC”(Bandeirantes) ou “Pânico na TV” (Rede TV) de usarem as eleições como fonte de inspiração. No arsenal jurídico, há multas pesadas e até o poder de retirar o infrator do ar.

Seria impensável na mais pujante democracia, nos Estados Unidos. Lá não se impede o humorista de explorar as eleições como matéria prima. Vale relembrar o sucesso dos “Saturday Night Live” inspirados em Hillary Clinton e Sarah Palin. A própria Hillary, com grande fairplay, apareceu em um dos programas da NBC.

Há um evidente excesso no Brasil. O professor de Direito Constitucional da UERJ, Gustavo Binenbojm, em entrevista ao GLOBO, disse entender que o objetivo da lei seja garantir a lisura das eleições, ao impedir candidatos de cometerem excessos na propaganda obrigatória.

Como a lei foi redigida e é interpretada, porém, ela amordaçou os programas humorísticos e manifestações artísticas. E assim derrapou para a inconstitucionalidade, pois a liberdade de expressão não pode ser sobrepujada por outro diploma legal.

A legislação incorre no equívoco de discriminar os meios de comunicação, em prejuízo dos eletrônicos, sob o argumento frágil de que estes dependerem de concessão pública para difundir imagens e som. A concessão, no entanto, se deve a um imperativo técnico — impedir a interferência entre as ondas de transmissão —, e não pode servir de pretexto para a censura de qualquer conteúdo de programas de rádio ou TV.

É tão discriminatória a legislação que os sites na internet dos meios eletrônicos sofrem as mesmas restrições, ao contrário das versões digitais dos meios impressos. Binenbojm fez duas propostas: o Congresso editar nova norma, corrigindo a atual, ou o Tribunal Superior Eleitoral baixar outra interpretação das restrições — este o caminho mais rápido.

Nunca é tarde para se cumprir a Constituição, demonstrou o STF ao revogar a Lei de Imprensa.

O Globo

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Brasil: “da série Acorda Brasil”.
No submundo dos interesses internacionais que espicham o olho grande para a Amazônia, operam, somente na região, 100 mil ONGs. Isso mesmo. 100 mil ONGs! É a ponta de lança da legião estrangeira que pretende se apossar das incontáveis e imensuráveis riquezas que dormitam na maior floresta tropical do planeta. Outras milhares atuam nas mais diversas áreas e regiões da taba dos Tupiniquins. Todas sem qualquer controle operacional e financeiro.
Existe, há, há, há, uma CPI que tenta identificar essas organizações e saber o destino de milhões de reais que são drenados do poder público para as caixas pretas destas medusas. Tal CPI sequer vira pizza, pois não consegue decolar no Congresso Nacional. E bate o bumbo!
O Editor


Aproveitam-se os eternos abutres do Hemisfério Norte para voltar à velha cantilena de constituir-se a Amazônia em patrimônio da Humanidade, devendo ser administrada por um poder internacional, sobreposto aos governos dos países amazônicos. Editorial do New York Times acaba de funcionar como toque de corneta capaz de arregimentar as variadas tropas de assalto.
Vinte anos atrás incrementou-se a blitz institucionalizada por governos dos países ricos, de Al Gore, nos Estados Unidos, para quem o Brasil não detinha a soberania da floresta, a François Mitterand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha, Mikail Gorbachev, da então União Soviética, Margareth Tatcher e John Major, da Inglaterra, entre outros.

Quando de sua primeira campanha, George W. Bush chegou a sugerir que os países com grandes dívidas externas viessem a saldá-las com florestas, coisa equivalente a perdoar os países do Norte da África e do Oriente Médio, que só tem desertos.

Naqueles idos a campanha beirava os limites entre o ridículo e o hilariante, porque para fazer a cabeça da infância e da juventude, preparando-as para integrar as forças invasoras, até o Batman, o Super-Homem, a Mulher Maravilha e outros cretinos fantasiados levavam suas aventuras à Amazônia, onde se tornavam defensores de índios vermelhos e de cientistas lourinhos, combatendo fazendeiros e policiais brasileiras desenhados como se fossem bandidos mexicanos, de vastos bigodes e barrigas avantajadas.

Depois, nos anos noventa, a estratégia mudou. Deixou-se de falar, ainda que não de preparar, corpos de exército americanos especializados em guerra na selva. Preferiram mandar batalhões precursores formados por montes de ONGS com cientistas, religiosos e universitários empenhados em transformar tribus indígenas brasileiras em nações independentes, iniciativa que vem de vento em popa até hoje e que logo redundará num reconhecimento fajuto de reservas indígenas como países “libertados”.

Devemos preparar-nos para uma nova etapa, com a participação da quinta-coluna brasileira, composta por ingênuos e por malandros que dão a impressão de recrudescerem na tentativa de afastar nosso governo da questão. Terá sido por mera coincidência que os Estados Unidos anunciaram a criação da Quarta Esquadra de sua Marinha de Guerra, destinada a patrulhar o Atlântico Sul, reunindo até porta-aviões e submarinos nucleares?

Do nosso lado, bem que fazemos o possível, aparentemente pouco. Não faz muito que uma comissão de coronéis do Exército Nacional, chefiados por dois generais, passaram meses no Viet-Nam, buscando receber lições de como um país pobre pode vencer a superpotência mais bem armada do planeta, quando a guerra se trava na floresta.

Do general Andrada Serpa, no passado, ao ex-ministro Zenildo Lucena, aos generais Lessa, Santa Rosa e Cláudio Figueiredo, até o general Augusto Heleno e o coronel Gélio Fregapani, agora, a filosofia tem sido coerente.

Nossos guerreiros transformam-se em guerrilheiros. Poderão não sustentar por quinze minutos um conflito convencional, com toda a parafernália eletrônica do adversário concentrada nas cidades, mas estarão em condições de repetir a máxima do hoje venerando general Giap: “entrar, eles entram, mas sair, só derrotados”.

Em suma, pode vir coisa por aí, para a qual deveremos estar preparados.

Claro que não através da pueril sugestão de transformar soldados em guarda-caças ou guardas florestais. Os povos da Amazônia rejeitaram, na década de setenta, colaborar com a guerrilha estabelecida em Xambioá, mas, desta vez, numa só voz, formarão o coro capaz de fornecer base para uma ação militar nacional.

Para aqueles que julgam estes comentários meros devaneios paranóicos, é bom alertar: por muito menos transformaram o Afeganistão e o Iraque em campo de batalha, onde, aliás, estão longe de sair vitoriosos, apesar de enfrentarem o deserto e não a selva, mil vezes mais complicada…

Carlos Chagas/Tribuna Da Imprensa

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