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“Sem saber amar não adianta amar profundamente.”
Shakespeare

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Dalia Morejón Arnaiz – Versos na tarde

Intervalo em Covadonga
Dalia Morejón Arnaiz ¹

chega perto da janela para saber se a luz é ainda suficiente
só o calor que lhe avermelha o braço
rígido entre os marcos
poderia trazer-lhe uma resposta

nada muito estrepitoso
a não ser a queda previsível de uma fruta solar, ali, no fundo

se adentra na vereda para saber se o silêncio é ainda imperceptível
só o pássaro que vive no mangueiral poderia trazer-lhe uma resposta

nada muito revelador
a não ser o instante em que outra fruta se desprende e crepita

a terra
nessa trama da trilha
é totalmente plana
tanto
que, de muito longe, se divisa o resplendor que desvela dois homens a cavalo

“algo devastador contém essa paisagem de erva rala e trilhas solitárias cujo lugar é o tempo”
escreve em seu diário quando o braço
finalmente
se aparta da janela para refugiar-se na sombra

comemora
com isto
um novo dia de obscuridade

Poema  traduzido para o português por Carlos Vogt e Alcir Pécora.

¹ Idalia Morejón Arnaiz
* Havana, Cuba – 1965 d.C

Idalia Morejón Arnaiz (1965) é poeta, ensaísta e crítica literária. Licenciada en língua e literatura francesa pela Universidad de La Habana.
Mestre e doutora em letras pela USP. Autora do caderno de ensaios Cartas a un cazador de pájaros (Letras Cubanas, 2000). Sua produção
crítica foi premiada en 2005 pela Oficina de Cooperación Cultural de la Embajada de España en Cuba, com o ensaio “Eppure si muove: las transformaciones de la norma poética en Cuba” (Madrid, Editorial Verbum, 2006). Correspondente do diário eletrônico Encuentro en la Red (Madrid). Desde 1997 vive em São Paulo.


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“São as coisas em comum que tornam os relacionamentos agradáveis, mas são as pequenas diferenças que os fazem interessantes.”
Todd Ruthman

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Yao Feng – Versos na tarde

Viagem
Yao Feng ¹

Torci a sombra atrás de mim
para fazer uma corda.
Caminho em silêncio
levando a corda à estrada, este cavalo velho.

Todos os dias o pôr-do-sol é um aborto
e o relógio tem em si a suficiência do tempo.
No fundo da noite, não há direção
só o redor, o além.
Um por um, tiro do corpo os fósforos
cuja cabeça encarnada
rompe com o muro escuro.

¹ Yao Feng
Pseudônimo de Yao Jingming
* Pequin, China – 1958 d.C

Doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Fudan, em Shangai.

Actualmente, é Professor Auxiliar no Departamento de Português da Universidade de Macau. Além de ter traduzido para o chinês dezenas de poetas portugueses, já publicou cinco obras de poesia, em chinês e em português: Nas asas do vento cego (1990), Confluência (1997), Viagem por momentos (1999), A noite deita-se comigo (2001) e Canção para longe

(2006). Recebeu vários prémios e coordena a revista Poesia Sino-Ocidental. Em 2006, recebeu a insígnia da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Estado português.


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“Não zombe das bobagens que os outros dizem.”
Winston Churchill

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Yao Feng – Versos na tarde

Silêncio
Yao Feng ¹

Ao cabo
pusemos o silêncio no centro,
como se põe a mesa,
para a qual nada foi servido.

O banquete tinha já acabado
E, nunca mais, a mesa,
deixaremos florir a língua.

Silêncio. Apenas o canto eventual
o desperta.
O que murmuram os pássaros
nos ramos do sonho?
Não sonhamos de novo,
nesta noite menos nossa.
Ainda o silêncio. O vento sopra
a abundância do teu cabelo
o grito, o uivo

¹ Yao Feng
Pseudônimo de Yao Jingming
* Pequin, China – 1958 d.C

Doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Fudan, em Shangai.

Actualmente, é Professor Auxiliar no Departamento de Português da Universidade de Macau. Além de ter traduzido para o chinês dezenas de poetas portugueses, já publicou cinco obras de poesia, em chinês e em português: Nas asas do vento cego (1990), Confluência (1997), Viagem por momentos (1999), A noite deita-se comigo (2001) e Canção para longe

(2006). Recebeu vários prémios e coordena a revista Poesia Sino-Ocidental. Em 2006, recebeu a insígnia da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Estado português.


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“Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos, bebidas alcoólicas, pães, biscoitos e os pulsos.”
Miguel Paiva in Radical Chic

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Versos na tarde – Paul Éluard

Liberdade
Paul Éluard ¹

Liberdade
Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome

Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome

Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome

Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome

Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome

Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome

Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome

Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome

No fruto partido em dois
De meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome

Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome

No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome

Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome

Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome

Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome

Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome

E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E e chamar
Liberdade

Tradução de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira

¹ Eugène-Émile-Paul Grindel
* Saint-Denis, França – 1895 d.C
+ Paris, França – 1952 d.C

->>>biografia


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“A quantidade de boatos que um homem pode levar a sério é inversamente proporcional à sua inteligência”
Arthur Schopenhauer

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Versos na tarde – Elisa Biagini

De uma ranhura
Elisa Biagini ¹

escrevo-me entre as
ranhuras, nos nós
do lenho, com a
sujeira embaixo do tapete:
o escuro, que espera
entrar, gruma-se
de olheiras.

como na folha
enrrugada
que se alisa
resta a
marca
ranhura
que nos colore
a tinta.
(nós nos encharcamos
de infinitas arestas)

só me avistam
em contraluz,
matéria como
clara de ovo,
pátina através dos poros
pelo entalhe:
um alfabeto braille
de ossos sequiosos
por sair.

e o dorso
ranha-se, estojo
de sementes
que empurram,
apartam-se em galhos,
moita de dedos
que nunca toca,
corta o ar a unhaço.

Tradução: Aurora Bernardini e Régis Bonvicino

¹ Elisa Biagini
* Florença, Itália – 1970 a.C

Formada em História da Arte Contemporânea. Mudou-se para os Estados Unidos para estudar e escrever uma tese de doutorado em Literatura Italiana Contemporânea. Trabalhou como professora em universidades norte-americanas, onde viveu por cinco anos. Seus poemas têm sido publicados em revistas literárias italianas importantes. Elisa Biagini publicou dois livros de poemas: Questi nodi (1993) e Uova (1999), este em versão bilíngüe italiano/inglês. Além disso, é tradutora da poesia de Sharon Olds e de Alicia Ostriker.


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“Mire na lua. Mesmo que você erre cairá entre as estrelas.”
Les Brown

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Nietzsche – Reflexões na tarde

“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o”

Friedrich Wilhelm Nietzsche
* Weimar, Alemanha – 15 Outubro 1844 d.C
+ Weimar, Alemanha – 25 Agosto 1900 d.C

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