YouTube quer mais colaboradores para exibir notícias


Com sua capacidade de recolher artigos e vender publicidades vinculadas a buscas que os exibam, o Google já se tornou uma imensa força no mundo dos novos negócios – e com isso no flagelo de muitos jornais. Agora, o YouTube, uma empresa que ele controla, deseja fazer a mesma coisa com a programação local de TV.

O YouTube, que já alardeia ser “a maior plataforma noticiosa do planeta”, criou um recurso de “notícias perto de você” que determina a localização de um usuário e oferece uma mistura de vídeos relevantes. Com o tempo, isso poderia resultar em uma espécie de noticiário instantâneo. A empresa já oferece vídeos locais de dezenas de fontes e quer elevar ainda mais seu número de colaboradores.

O YouTube afirma que está ajudando as estações de TV e outros parceiros ao criar uma nova fonte de receita, ainda que esteja não seja por enquanto significativa em termos de receita.

Mas as companhias de notícias podem ter motivos para cautela. Poucas estações de TV descobriram como reproduzir na Internet os lucros que auferem com seus serviços analógicos, e o YouTube pode facilmente se tornar mais um concorrente.

Assim, por enquanto a maior parte dos vídeos do serviço local do YouTube serão fornecidos por fontes não tradicionais: estações de rádio, jornais, faculdades e, no caso de uma empresa iniciante de San Francisco chamada VidSF, três amigos que detestam a dieta noticiosa das estações locais e sua ênfase em incêndios e homicídios.


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“Isso realmente nivela o campo de jogo”, disse Kieran Farr, fundador da VidSF, que cobre a vida cultural da cidade e sobe vídeos para o YouTube. O recurso de notícias locais, criado no trimestre passado, é apenas parte do esforço do YouTube para penetrar no segmento de notícias em vídeo. Nas últimas semanas, a empresa convidou as mais de 250 mil fontes de notícias que fornecem conteúdo ao serviço Google News para que também passem a fornecer vídeos. O site também está promovendo vídeos da rede de TV ABC e de agências de notícias como a Reuters e Associated Press, bem como de outros veículos.

Este ano, o YouTube começou a oferecer em sua home page vídeos com notícias urgentes – entre os quais conteúdo fornecido por cidadãos iranianos, durante os protestos recentes, com imagens registradas por celulares.

Até agora, os vídeos noticiosos locais não substituíram a mídia impressa ou a cobertura local de TV. No domingo, os usuários de perto de Baltimore recebiam vídeos sobre um programa de assistência a adolescentes; em Chicago, o tema era uma reportagem da WGN-TV sobre artistas de rua; em Los Angeles, uma resenha em vídeo do jornal Los Angeles Times sobre uma motocicleta elétrica. E os produtores afirmam que as audiências muitas vezes são da ordem das centenas, e não milhares, de espectadores.

Até o momento, 200 veículos noticiosos assinaram com o YouTube a fim de oferecer pacotes noticiosos e rachar a receita da publicidade veiculada em companhia deles. Além disso, as buscas no Google agora mostram vídeos do YouTube entre os resultados, em companhia de artigos noticiosos, o que ajuda os vídeos a atingir uma audiência mais ampla.

A imensa amplitude do YouTube – que recebe 100 milhões de visitas de norte-americanos a cada mês – faz dele uma poderosa força de promoção, bem como potencial ameaça para as empresas de mídia estabelecidas. E essas empresas já têm muito com que se preocupar: boa parte do mercado local de mídia desabou, nos últimos anos, com a transferência dos anúncios classificados para a mídia online, os cortes na publicidade das montadoras de automóveis e a proliferação nas opções de notícias e entretenimento.

O YouTube, enquanto isso, ainda não conseguiu sair do vermelho, mais de três anos depois de adquirido pelo Google. Porque questões de direitos autorais impedem a exibição de anúncios em companhia de vídeos produzidos por amadores, a empresa se esforçou por formar alianças com parceiros profissionais a fim de propiciar conteúdo passível de associação a publicidade, no site. As notícias são uma opção evidente, quanto a isso.

“O Google só tem a ganhar ao dividir renda com as pessoas instaladas nos mercados locais de notícias”, disse Terry Heaton, vice-presidente sênior da AR&D, uma empresa que presta consultoria a empresas de mídia com foco local.

O Google anunciou em junho que estava satisfeito com a trajetória do YouTube e indicou que esperava que o site começasse a propiciar lucros em futuro não muito distante, mas sem especificar uma data.

Embora o YouTube tenha a ganhar ao adicionar vídeos locais, resta determinar se as organizações noticiosas estabelecidas poderiam dizer o mesmo. O fato de que o Google veicule manchetes e parágrafos de artigos noticiosos em seus resultados de buscas despertou algumas acusações de que a empresa tem parte da culpa pela crise financeira dos jornais. O presidente-executivo da Dow Jones recentemente definiu o Google como “vampiro digital”, que “suga o sangue” dos jornais ao fornecer seus artigos gratuitamente.

O que o YouTube está fazendo é um tanto diferente. Não envia spiders digitais pela Web a fim de recolher vídeos automaticamente. Em lugar disso, assina acordos com veículos noticiosos a fim de obter parceiros aos quais promete audiência mais ampla ao seu material.

O esforço do YouTube para organizar vídeos noticiosos locais começou a sério no trimestre passado, com a introdução do módulo News Near You notícias perto de você. O módulo usa o endereço de Internet do computador do visitante para determinar sua localização e se existem parceiros em um raio de 150 quilômetros. Caso existam, sete dias de vídeos noticiosos locais são oferecidos para seleção pelo usuário.

Steve Grove, diretor de notícias e política do YouTube, afirma que cerca de 5% dos usuários que recorrem ao módulo de notícias locais assistem a pelo menos um vídeo, o que considera como encorajador. “O fator relevância entra em ação”, diz. “Os vídeos passam a importar porque tratam de seu bairro, do lugar em que vive”.

Fonte: Terra

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