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Waldick Soriano morre aos 75 anos

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Morreu nesta madrugada, o porta voz da dor de cotovelo, Waldick Soriano. Um personagem que já está na história do Brasil, mesmo contra o nariz empoado dos pseudos intelectuais.

Para quem não lembra ou não tem nenhuma MP3 do
Waldick Soriano (quase impossível), abaixo, 3 letras de músicas, das mais conhecidas da lavra do bardo baiano, que em vida gravou mais de uma centena de discos, vários DVDs e foi tema de um documentário, recente, dirigido pela atriz Patricia Pilar.

Paixão De Um Homem

Amigo
Por favor leve essa carta
E entregue à aquela ingrata
E diga como eu estou
Com os olhos rasos d’água
E o coração cheio de mágoa
Estou morrendo de amor


Amigo
Eu queria estar presente
Para ver o que ela sente
Quando alguém fala em meu nome
Eu não sei se ela me ama
Eu só sei que ela maltrata

O coração de um pobre homem


Amigo
Se essa cartinha falasse
Pra dizer àquela ingrata
Como está meu coração
Vou ficar aqui chorando
Pois um homem
Quando chora
Tem no peito uma paixão


Ah! Vou ficar aqui chorando
Pois um homem quando chora
Tem no peito uma paixão

Torturas de Amor

Hoje que a noite está calma
E que minh’alma esperava por ti
Apareceste afinal
Torturando este ser que te adora
Volta fica comigo
Só mais uma noite
Quero viver junto a ti
Volta meu amor
Fica comigo não me desprezes
A noite é nossa
E o meu amor pertence a ti


Hoje eu quero paz
Quero ternura em nossas vidas
Quero viver por toda vida
Pensando em ti

Eu Não Sou Cachorro Não

Eu não sou cachorro não
Pra viver tão humilhado
Eu não sou cachorro não
Para ser tão desprezado


Tu não sabes compreender

Quem te ama
quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E é por isso que eu vou embora


A pior coisa do mundo
É amar sem ser amado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz
Nem tão pouco ser amado


Tu devias compreender
Que por ti, tenho paixão
Pelo nosso amor,
Pelo amor de Deus
Eu não sou cachorro não.

>> Biografia de Waldik Soriano

Do G1
Cláudia Loureiro

Morreu por volta das 5h30 desta quinta-feira (4) o cantor Waldick Soriano. A informação foi confirmada pela esposa dele, Walda Soriano, com quem ele vivia há 38 anos. “Fiquei sozinha. Fica um vazio muito grande. Ele era um ótimo pai e marido”, lamentou a esposa. Segundo ela, o cantor deixa oito filhos registrados.

Ainda não há informação sobre o horário e o local do enterro.

A família conta que o compositor estava internado desde o último domingo (31) no Instituto Nacional do Câncer, no Rio. Aos 75 anos, ele tratava de um câncer na próstata há mais de dois.

A filha do cantor, Valquíria Soriano, informou que o cantor descobriu que estava com a doença muito tarde, quando ela já tinha se espalhado.

Nascido em Caetité, no sertão da Bahia, Waldick tem mais de 40 anos de carreira e entre os seus sucessos, do gênero brega, estão “Eu não sou cachorro, não” e “Tortura de amor”. Antes de se tornar cantor, ele chegou a ser peão, motorista de caminhão e garimpeiro.

No ano passado, o cantor voltou aos holofotes e lançou CD e DVD embalado no documentário dirigido pela atriz Patrícia Pillar, “Waldick, Sempre no Meu Coração”, sobre sua vida.


Os Cafonas do AI 5
Fonte: sambachoro.com.br

Waldick Soriano teve música proibida por causa da palavra ‘tortura’. De tanto ser censurado, Odair José preferiu deixar o país. Benito di Paula quis saber o que fizeram com Vandré. Conheça a face oculta dos bregas. A História como a fase mais dura do governo militar. De 1968 a 1978 vigorou o Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso, cassou mandatos e bloqueou direitos constitucionais.

Naqueles anos, a cultura fez o que pôde para garantir espaço e divulgar idéias. Mas teatros eram invadidos por causa peças tidas como subversivas. O cinema enfrentava tarjas pretas tapando closes imorais.

A música marcou presença na resistência à ditadura com através das letras de Geraldo Vandré, Chico Buarque, Gonzaguinha e, aqui vem o espantoso, cantores cafonas como Benito di Paula, Odair José e Waldick Soriano.

A partir de uma série de reportagens que tem como base o livro Eu não sou cachorro, não (música popular cafona e ditadura militar), do
historiador Paulo César de Araújo, lançado pela editora Record e nas lojas a partir desta semana. Em 480 páginas, o autor percorre os principais
fatos e personagens dos anos 70, valendo-se da obra de cantores e compositores que na época foram e até hoje são identificados à cafonice.

O livro defende que aquela geração de cantores românticos não era tão alienada quanto parecia. Nelson Ned, Claudio Fontana, Benito di Paula,
Fernando Mendes e Lindomar Castilho também fizeram canções de protesto futucar temas sociais e políticos.

Comumente esquecidos ou menosprezados, eles também refletiam, em suas letras, a confusão ideológica e o clima dos anos de chumbo. O livro reproduz em suas páginas documentos inéditos que revelam a censura sofrida por esses cantores. Um dos campeões de veto Odair José – na maioria das vezes, calado por questões de ordem moral.

A proibição podia ter motivos esdrúxulos. Waldick Soriano teve um bolero romântico censurado em 1974 só por causa do título: era Tortura de amor, que ele havia composto em 1962 e deu de regravar logo no período mais fechado de um regime que produziu grande número de desaparecidos.

Eu não sou cachorro, não vai além da cafonália e, num movimento inverso, recupera histórias de adesão da elite da MPB ao regime dos generais, flagrando em momentos suspeitos artistas ligados à tradição, à nobreza e à intelectualidade da música brasileira. sambista Leci Brandão, hoje engajada em movimentos contra a discriminação de minorias, fez em 1972 um samba em que dizia “nada sei de preconceito”, falando numa perfeita integração racial saudando o “amigo branco da rua”.

Jorge Ben, que sempre cobrado por ter composto País tropical, um discurso exaltativo demais para aquele 1969, foi até mais fundo: no ano seguinte, assinou letra música de Brasil, eu fico, resposta de carneirinho ao slogan Brasil, ame-o ou deixe-o”, bordão do governo Médici.

Quando reflete sobre essa espécie de inversão de valores, Paulo César de Araújo questiona a produção historiográfica relativa à música brasileira e acaba apontando erros cometidos pelos memorialistas. Segundo o autor, este limbo da História onde os cafonas acabaram parando foi provocado por uma junção de preconceito e pesquisas mal-feitas.

Nos últimos dez dias, o JB enviou provas de prelo do livro a historiadores, professores de História, jornalistas e pesquisadores musicais citados no seu texto, como Ricardo Cravo Albin, Heloísa Buarque de Hollanda, Marcelo Fróes e Chico Alencar.

Todos leram pelo menos alguns capítulos do livro, poucos fizeram reparos ou observações, a maioria adotou um discurso na base do desculpe-a-nossa-falha.

“Meus próximos livros terão que ser revistos”, diz Chico Alencar, professor de História da UFRJ e deputado estadual pelo PT.
Compositores como Caetano Veloso e Chico Buarque também puderam ter acesso ao livro, através do JB (amanhã e depois, o leitor verá as críticas à obra ou o mea culpa de cantores e historiadores questionados no texto).

Eu não sou cachorro,não,que surgiu como tese de mestrado na UNI-Rio em 1997, pode ser enquadrado dentro de uma corrente relativamente nova no estudo acadêmico, que ganhou força no Brasil a partir do fim dos anos 80 e mais recentemente com o lançamento por aqui de coleções como História da vida privada, da Companhia das Letras.

É a escola de franceses como Georges Duby, Jacques Le Goff e Michelle Perrot (esta, especialista em setores subalternos da sociedade). São autores que defendem a investigação dos vácuos de memória, realizada a partir da pesquisa não dos heróis ou dos grandes fatos, mas dos pequenos feitos, que ganham assim nova dimensão histórica.

“O lançamento deste livro é um grande acontecimento”, diz o cantor e compositor Caetano Veloso, classificando-o como “genial, uma das melhores obras sobre música dos últimos tempos”. A euforia de Caetano é explicável. Mais do que ninguém em sua área, ele é ferrenho questionador dos “significados perversos” que a sigla MPB costuma carregar, afastando os artistas mais populares da turma que faz sucesso junto à classe média e à elite. Já o compositor Chico Buarque desconfia que o livro não seja sério.

Lembre que geração foi essa

O livro foca a sua narrativa nas histórias de um determinado núcleo de cantores classificados pelo autor como a “segunda geração de cafonas”. É a geração que fez sucesso entre 1968 e 1978. Suas figuras mais importantes são Odair José, Waldick Soriano, Nelson Ned e Paulo Sérgio.

Houve um primeiro grupo de cantores românticos identificados à cafonice, no fim dos anos 50, como Anísio Silva e Orlando Dias. E ainda um terceiro movimento, com apogeu no fim dos anos 70, incluídos aí Sidney Magal, Giliard e a dupla Jane & Herondy. A seguir, um breve perfil dos cafonas do AI-5.

ODAIR JOSÉ – Autor de Pare de tomar a pílula, Vou tirar você desse lugar (narrando a paixão por uma prostituta) e Deixe essa vergonha de lado (para domésticas). Odair era o “terror das empregadas”.

WALDICK SORIANO – Entre os cafonas, talvez seja o mais cafona. Estava sempre de chapéu e óculos escuros. É autor do bolero Tortura de amor
(“Hoje que a noite está calma/ e que minh’alma esperava por ti”) e da canção que dá título ao livro de Paulo César de Araújo, Eu não sou
cachorro, não.

NELSON NED – O primeiro LP do mineiro Nelson Ned tentava explorar o seu nanismo, com o título Um show de 90 centímetros. O livro conta uma história pouco conhecida: antes de gravar o LP, Ned havia tentado se enturmar com os compositores do Clube da Esquina, freqüentando a casa de Lô Borges. Foi bem aceito mas nenhuma parceria se concretizou. Seu maior sucesso é a balada Tudo passará. Ned tem uma importante carreira no exterior. Em 1993, entrou para a igreja evangélica.

PAULO SÉRGIO – Iniciou a carreira em 1967, imitando Roberto Carlos. Tinha voz e visual parecidos com os do Rei. Entre suas gravações mais conhecidas está A última canção. O livro enxerga Paulo Sérgio como o deflagrador de um estilo, espécie de pioneiro da geração cafona dos tempos do AI-5. Morreu em 1980. Seu túmulo no Caju até hoje é muito visitado no Dia de Finados.

AGNALDO TIMÓTEO – É provavelmente o mais famoso dos cafonas, até porque também fez carreira política. No livro, aparece com destaque um grupo de canções de Timóteo que abordam a temática homossexual. Participou recentemente do reality-show Casa dos artistas.

BENITO DI PAULA – Vestido como cigano, de brinco e calça de boca larga, Benito escreveu Charlie Brown, Retalhos de cetim e Tudo está no seu lugar. O tipo de música que faz costuma ser tachado de sambão jóia, termo que o afasta dos autores de samba de raiz.

OUTROS – A dupla Dom & Ravel, da marcha Eu te amo, meu Brasil, Luiz Ayrão, Lindomar Castilho, Fernando Mendes, Cláudio Fontana, Cláudia Barroso, Reginaldo Rossi, Carmen Silva e o Wando de antes da fase obsessivamente obscena.

Algumas letras proibidas e a razão de cada veto

Tal como Geraldo Vandré ou Gonzaguinha, os cantores populares românticos tiveram dezenas de canções proibidas. Os motivos eram os mais diversos: enxergavam-se nas letras temas políticos perigosos, havia um clima de forte repressão moral e em alguns casos a censura não passava de pura perseguição.

O livro Eu não sou cachorro, não conta as histórias destes vetos e apresenta documentos que permaneciam intocados nos arquivos
públicos do Rio e de Brasília, e que revelam como o governo quis calar também os cafonas durante o período do AI-5.

UMA VIDA SÓ – Letra, música e gravação de Odair José (1973)
Trecho
“Todo dia a gente ama/ mas você não quer deixar nascer/ o fruto desse amor/ pare de tomar a pílula/ porque ela não deixa o nosso filho nascer”
Uma pílula perigosa
A balada Uma vida só, mais conhecida pelo verso “pare de tomar a pílula”, teve sua execução proibida nas rádios. Na época, o regime militar
patrocinava uma entidade chamada Bemfam (Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil), desenvolvendo pesada campanha de controle de
natalidade. Seus boletins tinham ensinamentos como “é preciso frear a proliferação da infância abandonada no país, que contribui para a poluição social e sanitária”.

O governo achava que o bolo do PIB devia ser dividido por menos gente. Não tomar pílula e engravidar, portanto, era como participar de um ato contra o regime. Odair foi parar na polícia e sofreu boicote do apresentador Chacrinha. Empresários de laboratórios farmacêuticos o procuraram oferecendo dinheiro para calar a canção.

Uma vida só foi liberada em 1979. A Bemfam virou ONG e existe até hoje, agora doando preservativos. Por ano são vendidas 110 milhões de cartelas de anticoncepcionais no país.

MEU PEQUENO AMIGO – Letra, música e gravação de Fernando Mendes (1974)
Trecho
“Sem querer você se foi/ e hoje choram por você/ até as flores do jardim entristeceram/ digam pra mim onde ele está/ o que fizeram com meu pequeno amigo?”

Seqüestro de duplo sentido
O que seria apenas uma homenagem a Carlos Ramirez Costa, o Carlinhos, garoto seqüestrado no Rio meses antes, pareceu aos olhos dos censores uma canção de cunho político. A sua letra foi apresentada ao Departamento de Censura no início de 1974 e liberada com a recomendação de que fosse impresso no disco o subtítulo Tributo a Carlinhos. Mas as rádios começaram a tocar demais e veio uma repentina ordem de proibição.

Segundo relatórios do projeto Brasil: nunca mais, é justamente no período de 1973/1974 que se registra o maior número de desaparecidos políticos no país. Fernando Mendes, o autor de Meu pequeno amigo (e também do hit Cadeira de rodas), poderia estar lamentando o sumiço de algum companheiro subversivo. Longe disso: a canção era de fato um tributo a Carlinhos. O crime ganhou espaço na mídia, a foto daquele lourinho sorrindo foi amplamente divulgada na TV, mas ele jamais voltou.

TREZE ANOS – Letra, música e gravação de Luiz Ayrão (1977)
Trecho
“Há treze anos eu te aturo e não agüento mais/ não há cristo que suporte e eu não suporto mais/ você vem me sufocando como o próprio gás”

Disfarçando no título
Os censores repararam que a letra de Treze anos era provocativa. Afinal, a música foi lançada em 1977, quando os militares comemoravam os 13 anos da Revolução. O LP de Ayrão foi bloqueado ainda na fábrica. Pressionado pela gravadora a dar um desfecho para o problema, o autor tomou a seguinte decisão: mandou a letra a uma outra divisão da censura, sem alterar uma vírgula sequer, trocando apenas o nome da canção para O divórcio.

Liberaram. Ayrão conta que, tempos depois, o disco chegou às mãos do general Fernando Bethlem, ministro do Exército. Após ouvir O divórcio, o oficial teria esbravejado com os funcionários da Censura: “Esse cara nos sacaneou e vocês deixaram!” O mesmo LP de Luiz Ayrão ainda teria mais um problema antes de ser liberado: O chorinho Amigo Chico permaneceu vetado até que o artista fez ver aos censores que a música inspiradora de sua obra, o choro Meu caro amigo, de Chico Buarque, estava tocando nas rádios e à venda, normalmente, nas lojas.

ANIMAIS IRRACIONAIS – Letra e música de Dom, gravada por Dom & Ravel (1974)
Trecho
“É a luta dos seres humanos, um grande açoitando um pequeno/ terceiros mandando apartar/ na maioria das vezes o grande não quer parar”

Contra a corrente pra frente
O regime militar propagava a idéia da união de todos em prol de um objetivo comum, o que costumava-se chamar de “corrente pra frente”. Por causa da música Animais irracionais, que registrava um quadro social de luta entre opressores e oprimidos, os irmãos Dom e Ravel foram intimados a comparecer na polícia. Dom conhecia um coronel que tinha um parente atuando na área jurídica da Divisão de Censura da PF em Brasília. Só com esse pistolão o compositor pôde defender pessoalmente a música.

Foi à capital e jogou uma lorota: falou aos censores que se tratava “de uma música em solidariedade ao povo judeu, tão perseguido em vários momentos da história”. Colou. Ela foi liberada em questão de dias.

“Mas a música era sobre o Brasil mesmo”, afirma Dom no livro. Procurado pelo JB, Ravel enviou um fax à Redação com mais uma análise sobre a letra: “Ela falava da violência dos mais fortes sobre os mais fracos e do desvio dos recursos financeiros pelas mãos de egoístas desregrados.”

Estranho, bizarro, inacreditável
O historiador Paulo César de Araújo reuniu histórias curiosas e situações surpreendentes envolvendo cantores e compositores populares, sempre os relacionando com os principais fatos musicais e políticos da época do AI-5. Eu não sou cachorro, não procura demonstrar que era tênue a linha que separava o universo cafona dos setores mais elitizados e combatentes da MPB. “Os dois ambientes se freqüentavam muito”, diz o autor. As histórias às vezes são tão esdrúxulas que parecem ter sido retiradas de um roteiro do programa Casseta & Planeta.

LINDOMAR NO MPLA
O bolerista Lindomar Castilho lançou em 1974, no Brasil e em alguns países da África, o merengue Eu canto o que o povo quer (“estou com a maioria/ para o que der e vier”). A música chegou a Angola no momento da guerra de independência. Virou uma espécie de hino dos ativistas do MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola. Lindomar era tão benquisto ali que construíram uma estátua em sua homenagem no Departamento Cultural de Luanda. Angola conquistou sua independência de Portugal em 1975.

DOM TROPICALISTA
A dupla Dom & Ravel tem uma história anterior ao sucesso de Eu te amo, meu Brasil. O projeto inicial da gravadora RCA era unir os irmãos ao movimento da Tropicália, colocando- os esteticamente ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil. O primeiro disco da dupla, lançado em 1969, tinha faixas como Desvio mental, uma letra nonsense de Dom cheia de aliterações (“atrás das portas/ moscas mortas”), num arranjo com guitarras e vozes distorcidas ao estilo dos Mutantes.

BENITO BUSCA VANDRÉ
Meio perdida entre as faixas do lado B do disco Benito di Paula ao vivo, de 1974, a música Tributo a um rei esquecido era uma homenagem de Benito di Paula – cigano, cafona e ícone do sambão-jóia – a um dos artistas mais perseguidos pelo regime militar: Geraldo Vandré, autor de Pra não dizer que não falei de flores. Na época circulava um comunicado da Polícia Federal proibindo “qualquer notícia, comentário ou referência” ao nome de Vandré. Benito sabia disso.

Escapou da censura se valendo de imagens contidas na canção Disparada, de Vandré e Théo de Barros, como a referência à palavra “rei” (“boiadeiro, já fui rei”). A canção de Benito parecia se preocupar com o estado depauperado de Vandré, que voltara ao país depois de uma longo exílio: “Ele disse um poema para um poste, me vieram lágrimas/ o que fizeram com ele não sei/ só sei que esse trapo, esse homem, ele um dia foi rei.”

FONTANA NO OPINIÃO
Claudio Fontana é autor de O homem de Nazareth e Doce de coco. Antes disso tudo, em 1965, ensaiou Carcará dias a fio para estrear no show Opinião – um marco artístico importante na resistência ao regime militar. Ele conhecia o compositor José Cândido, parceiro de João do Vale em Carcará, uma das canções do espetáculo. Com a doença da estrela do show, Nara Leão, Fontana foi estimulado por Cândido a se apresentar a João do Vale. Decorou a letra, mas o encontro entre os dois foi um desastre.

“O João do Vale estava bêbado, caindo pelos cantos igual uma porca. Não falou comigo direito”, lembra Fontana. Nara acabou substituída por Suzana de Moraes e mais tarde por Maria Bethânia, que despontaria dali para o sucesso.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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