• mqt_for@hotmail.com
  • Brasil

Um olhar fora da bolha: Fatos & Fotos 07 de Julho de 2020

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Artes, Comportamento, Cultura, Economia, Esportes, Literatura, Música, Tecnologia, Variedades, Política, Brasil, Mundo, Ópera, Fotografia, Arquitetura, Design, Moda,Opinião

Duesenberg Coupe Simone
Midnight Ghost,1939

*****

A internet é o baú da história.
Hoje vítima de discurso de ódio nas redes, Grotesco desejou “infarte ou câncer” para Dilma em 2015.
Duvida? Pesquise.

*****

Arte – GrafitisArtes Plásticas,Street Art,Grafite,Grafiti,Blog do Mesquita (4)

*****

Contos de Fadas pintados na palma da mão. 
A artista russa Svetlana Kolosova, baseada em Moscou, usa a própria palma da mão como tela para contos de fada.

*****

Para embalar o almoço desta terça-feira com Vivaldi: Concerto per flautino

*****

“Gizuizi!” Planalto tá virando o Forte Apache. “Bolsonaro sonda major Vitor Hugo para Ministério da Educação.”
Será que ele sabe que o Victor Hugo de “Os Miseráveis” é outro?

*****

Não duvido. Grotesco dirá que teve covid-19 e se curou com cloroquina e remédio pra piolho.

*****

Ameba de cocô de rato, seu pai desejou a morte da Dilma publicamente quando era deputado, foi ele quem deu o mau exemplo para o povo.
Cobre dele.

*****

A pandemia e a pena de morte nas prisões brasileiras.
Um processo brutal de desumanização de pessoas negras.

Com a pandemia, o quadro geral de precariedade, exclusão e adoecimento nas prisões tornou-se ainda mais preocupante, não só pelo previsível efeito letal da doença em ambientes insalubres, mas também em razão das decisões governamentais e judiciais que agudizaram o problema e ampliaram os riscos da crise sanitária em curso.

*****

BAe Harrier GR9

*****

A vida na primeira favela da Alemanha

Às margens do rio Spree, no bairro berlinense de Kreuzberg, um terreno baldio, mais ou menos do tamanho de um campo de futebol, chama a atenção no meio de empreendimentos imobiliários modernos e luxuosos. Lá, entre o mato que não para de crescer, na esquina das ruas Cuvry e Schlesische, tendas e barracas se amontoam, formando aquilo que a imprensa local chamou de “a primeira favela da Alemanha”.
Primeira “favela” de Berlim reúne sem-tetos e ativistas contra gentrificação. Moradores rejeitam o termo favela e preferem se referir ao local como acampamento.

*****

Embalando a manhã desta terça feira com “Per un pugno di dollari”, Ennio Morricone.

*****

As três maiores cidades da França têm agora prefeitos apoiados pelo Partido Verde. Macron deu 15 bilhões para a causa dos ambientalistas. Irlanda e Alemanha vivem onda similar. Os verdes podem estar se tornando a social-democracia do século 21.

*****

*****

Fernando Pessoa – Reflexões

Somos Vítimas de uma Prolongada Servidão Coletiva

Produto de dois séculos de falsa educação fradesca e jesuítica, seguidos de um século de pseudo-educação confusa, somos as vítimas individuais de uma prolongada servidão coletiva. Fomos esmagados (…) por liberais para quem a liberdade era a simples palavra de passe de uma seita reacionária, por livres-pensadores para quem o cúmulo do livre-pensamento era impedir uma procissão de sair, de maçons para quem a Maçonaria (longe de a considerarem a depositária da herança sagrada da Gnose) nunca foi mais do que uma Carbonária ritual. Produto assim de educações dadas por criaturas cuja vida era uma perpétua traição àquilo que diziam que eram, e às crenças ou ideias que diziam servir, tínhamos que ser sempre dos arredores.

*****

Raisa Marynivna “Flowers”

*****

O engenheiro civil que deu carteirada no fiscal dirige Uber, porque a Lava Jato acabou com a engenharia civil do Brasil.

*****

Enfrentar a lei é privilégio branco; menosprezar pandemia e direitos também. Isolamento social? Usar Máscara?
Rio de Janeiro – Leblon, 03/07/2020

*****

Aprenda para que não pensem por você.
Somos Vítimas de uma Prolongada Servidão Coletiva
Fernando Pessoa

Produto de dois séculos de falsa educação fradesca e jesuítica, seguidos de um século de pseudo-educação confusa, somos as vítimas individuais de uma prolongada servidão coletiva. Fomos esmagados (…) por liberais para quem a liberdade era a simples palavra de passe de uma seita reacionária, por livres-pensadores para quem o cúmulo do livre-pensamento era impedir uma procissão de sair, de maçons para quem a Maçonaria (longe de a considerarem a depositária da herança sagrada da Gnose) nunca foi mais do que uma Carbonária ritual. Produto assim de educações dadas por criaturas cuja vida era uma perpétua traição àquilo que diziam que eram, e às crenças ou ideias que diziam servir, tínhamos que ser sempre dos arredores.

*****

Máscaras Africanas

*****

Antonie Lodewijk Koster
“Rijnsburg”, 1908

*****

Álcool gel semântico
Só pratica o bem quem zela pela integridade das palavras e seu uso apropriado

Sérgio Augusto, O Estado de S. Paulo

Noite dessas um comentarista sociopolítico da TV criticou, com ênfase doutoral, o emprego de palavras como “genocídio” e “genocida” para qualificar as consequências da desastrosa reação do governo Bolsonaro à pandemia e seu macabro oficiante.

Só pratica o bem quem zela pela integridade das palavras e seu uso apropriado. Certos vocábulos, de tão usados fora do contexto original, arriscam-se de fato a perder sua força expressiva, a debilitar seu sentido original. Não me parece o caso de genocídio; nem de holocausto, outro frequente objeto de objeções puristas, que o tempo, com ajuda da incorrigível crueldade humana, também se espichou como sinônimo de extermínio de quaisquer pessoas ou povos.

(Para evitar melindres, o holocausto original, que em hebraico é “Shoa”, passou a ser grafado exclusivamente com h em caixa-alta.)

Genocídio, como vocábulo, só nasceu em 1943, inventado por um jurista polonês (e judeu), Raphael Lemkin, que duas décadas antes já estudava o paradigmático massacre dos armênios pelo Império Otomano, entre 1915-1923. Como é praxe há séculos, Lemkin juntou duas palavras gregas: “genos” (família, tribo ou raça) e o sufixo “cídio” (morte), estabelecendo um conceito de suma importância para os novos rumos do direito internacional, no pós-guerra. No Brasil, o genocídio é crime previsto em lei (n.º 2.889) desde outubro de 1956.

Em sua acepção castiça, genocídio é um extermínio intencional, doloso, não um aniquilamento involuntário, culposo. Como não existe uma palavra para definir morticínios motivados apenas ou acima de tudo pela negligência e incompetência de governos e seus líderes, genocídio quebra perfeitamente o galho. De mais a mais, não há por que melar a brincadeira dos internautas que pespegaram no presidente o apelido de “Genocida” e não foram, até agora, processados por calúnia, injúria ou difamação.

Pausa para uma pequena digressão. Nunca, na história deste país, um presidente da República foi tão farta e continuamente achincalhado no exterior, nem, em solo pátrio, com apelidos de variadas sílabas e pejorativas sonoridades – Bozo, Biroliro, Boçalnaro, Capetão, Mijair, Minto, etc. – quanto o atual ocupante do Palácio do Planalto.

Uma marchinha carnavalesca grudou em Artur Bernardes o apelido de “Seu Mé”; Getúlio ganhou um apelido carinhoso, “Gegê”; JK também: “Pé de Valsa”. Já o marechal Castelo Branco, o primeiro mandatário da ditadura militar pós-64, foi apenas o “Sem Pescoço”. Como se vê, nada que se compare ao patrimônio antonomástico do atual presidente.

Getúlio Vargas foi muito caricaturado, sempre de forma benigna, no rádio e no teatro de revista, onde chegou a ter intérpretes fixos como Pedro Dias e Armando Nascimento, e, antes dele, Washington Luís, encarnado pelo ator João de Deus. Oscarito bancou Dutra no teatro e Getúlio no cinema, na comédia Nem Sansão Nem Dalila. Um clone de Juscelino Kubitschek aparecia, sorridente e montado numa lambreta, no meio de um número carnavalesco sobre Brasília cantado por Linda Batista na chanchada Metido a Bacana. Nenhum deles foi achincalhado. E o mesmo se diga de Sarney, Collor e Temer.

O álcool em gel semântico esfregado em “genocídio” e “genocida” já fora utilizado, bem antes da pandemia, em outros dois cognatos: “fascismo” e “fascista”. Com as mesmas explicações de comentaristas políticos e mandarins do mundo acadêmico cujos pruridos linguísticos acabaram paulatinamente desmoralizados pelas ideias e ações do duce formado nas Agulhas Negras. Ideias que, diga-se, o franco Capetão jamais escondeu ou disfarçou em sua carreira parlamentar, e menos ainda na campanha presidencial.

Na véspera ou no dia seguinte à escandalosa censura ao cartum (sem álcool em gel) de Aroeira, surpreendeu-me um artigo publicado no jornal Valor, com o título de “Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”. Nele, Pedro Cafardo, editor executivo do jornal, fazia um apelo a todos os Pilatos da República que, mesmo sabendo o que esperar do candidato, ajudaram a elegê-lo, “quando a disputa democrática oferecia pelo menos seis ou sete candidatos melhores que o eleito”.

Há hoje, no Brasil, uma extensa lista de entidades e pessoas que precisam fazer o mea culpa pela escolha de 2018, prosseguiu Cafardo, enfiando no mesmo saco “as elites brasileiras, do agronegócio à indústria, passando evidentemente pelo setor financeiro”. E detalhou: “Políticos influentes se omitiram na campanha eleitoral e deram um ‘dane-se’ ao País. Oportunistas, muitos deles se elegeram governadores e deputados na sombra do candidato presidencial e agora viraram casaca como se nunca o tivessem apoiado, sem uma palavra de arrependimento e desculpas”.

Não aliviou para ninguém: “Empresários só pensaram no próprio quintal e passaram a aceitar ‘qualquer um’ desde que não fosse do PT. Igrejas se animaram com o tom conservador e as ideias retrógradas. Juízes e procuradores influenciaram o voto sem demonstrar constrangimento. Jornalistas olharam para a economia e acharam que Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, com sua política liberal, poderia consertar o País. Mesmo que o presidente continuasse andando por aí propagando teorias bizarras, feito criança inconsequente”.

Jornalistas, insiste Cafardo, “não podem fugir de suas responsabilidades. Muitos dos que hoje ferozmente expõem as atrocidades presidenciais deveriam reler com distanciamento crítico o que escreveram no passado recente”.

Não precisei reler o que escrevi. Só lavo as mãos por necessidades sanitárias.

*****

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

Gostou? Deixe um comentário