Olimpíadas – Medalha de ouro para o Rio, diz ‘Economist’

Prefeitura do Rio de Janeiro cai nas graças da revista inglesa, que elogia a condução dos projetos de renovação de espaços urbanos na Cidade Olímpica.

Medalha de ouro para o Rio, diz ‘Economist’
Eduardo Paes, o mais novo queridinho da ‘Economist’ (Foto: Wikipédia)

A revista inglesa Economist desta semana chove elogios na prefeitura do Rio de Janeiro pela sua condução de projetos de renovação urbana ligados aos Jogos Olímpicos.

“O Rio de Janeiro é um oásis em um deserto político e econômico chamado Brasil”, diz a revista, fazendo um contraponto entre a recessão econômica e o escândalo de corrupção que paralisaram Brasília e os esforços do prefeito Eduardo Paes em preparação aos Jogos.

Ao contrário dos atrasos nos preparativos para a Copa de 2014, a revista afirma que as instalações do Parque Olímpico estão praticamente prontas há cinco meses dos Jogos.

Também minimiza o impacto das três maiores preocupações com o evento: a poluição na Baía de Guanabara, os atrasos na nova linha de metro ligando Ipanema à Barra da Tijuca e a epidemia de zika vírus.

“Paes diz que as competições acontecerão na boca da baía, onde a água é limpa, e que dois eventos-teste correram bem”, diz a revista.

Quanto ao metrô, a revista também repete o discurso oficial da prefeitura, que garante que a linha estará pronta em tempo e que 90% do trabalho já foi feito.

A Economist acrescenta que as férias escolares irão coincidir com o evento, aliviando os congestionamentos na cidade.

Epidemia de Zika 

A maior preocupação é o zika vírus, que já infectou cerca de 1,5 milhão de brasileiros desde que foi descoberto pela primeira vez no país no ano passado.

O último boletim do governo confirmou 641 casos de microcefalia e os números não param de crescer.

No Rio, um terço das habitações carece de saneamento básico, e a população não tem a disciplina para monitorar possíveis criadouros semanalmente.

Mesmo diante desse cenário a revista tranquiliza o leitor, lembrando que o evento vai acontecer nos meses frios e secos de agosto e setembro, quando a população do Aedes aegypti tende a cair drasticamente.

“Embora as mulheres grávidas e seus parceiros sexuais terão de consultar um especialista, para a massa dos fãs de esportes o  vírus não deve ser uma preocupação”, diz.

“Há muito a celebrar sobre as Olimpíadas do Rio”, conclui a revista.

“A cidade tem usado os Jogos como um catalisador para uma transformação mais ampla (…) Se a renovação urbana fosse um esporte, o Rio levaria medalha de ouro”.

Fontes:
The Economist – An Olympic Oasis

Zika mata células de cérebros em desenvolvimento, aponta estudo americano

O vírus Zika mata um tipo de tecido essencial para cérebros em desenvolvimento, afirmam pesquisadores.

(Foto: Reuters)Estudo americano é mais uma evidência da relação entre zika e microcefalia
Image copyright Reuters

Em testes de laboratório, o Zika foi capaz de destruir ou impedir o crescimento de células progenitoras neurais, que constroem o cérebro e o sistema nervoso.

A descoberta, anunciada na publicação científica Cell Stem Cell, reforça a crença de que o vírus esteja causando as más-formações nos cérebros de bebês.

Os pesquisadores americanos, alertam, porém, que isso ainda não representa uma relação definitiva entre o Zika e a condição.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde brasileiro, já são 641 confirmações de microcefalia ou outras más-formações em cérebros de bebês. Outros 4,2 mil casos suspeitos estão sob investigação e pouco mais de 1 mil foram descartados.

A epidemia de zika tem sido amplamente apontada como o motivo do aumento dos casos de microcefalia, mas esse elo ainda não foi cientificamente confirmado aos olhos da Organização Mundial da Saúde.

A equipe americana, formado por pesquisadores das universidades Johns Hopkins (Maryland), do Estado da Flórida e Emory (Geórgia), infectou um grupo das células com o Zika por duas horas e analisou essas amostras três dias depois.

(Foto: Fiocruz)Uma das primeiras imagens do vírus Zika, em amostra retirada de um paciente sul-americano

O vírus conseguiu infectar até 90% das progenitoras neurais em uma das amostras, levando à morte de cerca de um terço das células e a sérios danos nas demais. Um efeito similar teria resultados devastadores em um cérebro em desenvolvimento.

Por outro lado, o Zika foi capaz de infectar apenas 10% dos outros tecidos testados, incluindo células cerebrais mais avançadas, renais e tronco.

A professora Guo-li Ming, uma dos cientistas responsáveis pelo estudo, afirmou que as descobertas são significantes e representam um primeiro passo para entender a relação entre zika e microcefalia.

“As células progenitoras neurais são especialmente vulneráveis ao vírus Zika”, afirmou ela ao site da BBC. “Elas dão origem ao córtex – a principal parte (do cérebro) a apresentar volume reduzido na microcefalia.”

“Mas esse estudo não provém uma evidência direta de que o vírus Zika é a causa da microcefalia.”

Segundo a pesquisadora, são necessários mais estudos em cérebros em miniatura, criados em laboratório, e em animais.

(Foto: Reuters)Brasil já registra mais de 600 casos confirmados de microcefalia
Image copyright Reuters

Ainda não está claro o motivo de essas células serem tão vulneráveis – elas aparentemente não criam uma defesa contra a infecção pelo Zika.

Embora não seja definitivo, o estudo se soma às evidências já anunciadas pela comunidade científica – incluindo a descoberta do vírus em cérebros de bebês mortos e em líquido amniótico.

Madeleine Lancaster, que pesquisa o desenvolvimento do cérebro no Laboratório de Biologia Molecular do MRC (Conselho de Pesquisas Médicas britânico, na sigla em inglês), afirmou que o estudo é um “significativo passo adiante”.

“Os efeitos vistos poderiam explicar o surto de microcefalia e abrem alas para muitos estudos futuros sobre como o vírus afeta células-tronco e sua habilidade de produzir neurônios em cérebros em desenvolvimento”, afirmou ela ao site da BBC.

“Eu acho que se trata de uma contribuição muito importante, e num momento extremamente oportuno.”

Mas a cientista concorda com os pesquisadores: é preciso investigar mais. “(Deve-se) testar se o Zika afeta a produção de neurônios e o tamanho do cérebro” e descobrir como ele atravessa a placenta, afirma.

Bruce Aylward, da Organização Mundial de Saúde, diz que as evidências de que o Zika esteja causando microcefalia e outra condição – a síndrome de Guillain-Barré – se acumulam.

“Desde a declaração de emergência internacional, em fevereiro, as evidências de uma relação causal vêm se acumulando.”
BBC/James Gallagher

Uganda: Por que o berço do zika nunca teve nenhum surto?

Apesar de ter sido isolado pela primeira vez por cientistas no final da década de 40, o zika vírus ─ transmitido pelo mosquito Aedes aegypti ─ nunca se tornou uma epidemia em Uganda, onde foi descoberto no sangue de macacos.

(BBC)Segundo virologista Julius Lutwama, tipo de Aedes encontrado no país prefere animais a humanos; mutação pode estar relacionada a desmatamento

Ali, na floresta de Zika, na região central do país, o vírus adquiriu contornos diferentes do que no Brasil, que vive atualmente um surto da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, já são mais de 70 mil notificações em 19 Estados brasileiros. O vírus também vem sendo associado ao aumento do número de casos de microcefalia ─ uma má-formação cerebral em fetos ─ com 508 casos confirmados e outros 3.935 suspeitos sendo investigados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas, em Uganda, tampouco houve registros de má-formações congênitas.

Além disso, entre 1947 a 2007, quando foi registrado o primeiro surto de zika fora da Ásia e da África (nas Ilhas Yap, na Micronésia), foram apenas 14 casos confirmados no mundo.

O que explica então a ausência de um surto de zika no país africano?

Motivos

Segundo Julius Lutwama, principal virologista do Instituto de Uganda de Pesquisa de Vírus (Urvi, na sigla em inglês), o motivo se deve, em grande parte, ao tipo deAedes aegypti encontrado em Uganda.

“Em Uganda, a subespécie de Aedes aegypti que temos ─ o Aedes aegypti formosus ─ é diferente da daquela encontrada na América do Sul, o Aedes aegypti aegypti. O mosquito daqui pica mais animais do que humanos”, explica ele à BBC Brasil.

“Esse mosquito vive na floresta e costuma se alimentar à noite. Mesmo que um ser humano seja picado e venha a desenvolver a doença, a probabilidade de ela se alastrar é baixa, por causa da ausência do vetor nas áreas urbanas. Ou seja, se não há mosquitos para espalhar o vírus, dificilmente haverá uma epidemia”, acrescenta.

Outro fator, destaca Lutwama, envolve características geográficas e climáticas de Uganda.

Segundo ele, diferentemente de outros locais que enfrentaram surtos de zika, o país manteve suas florestas razoavelmente intactas, preservando o habitat natural do mosquito.

(Getty)Já são mais de 70 notificações de zika no Brasil – Image copyright Getty

“Esse mosquito vive predominantemente nas florestas. Com o desmatamento, acreditamos que ele tenha migrado para as zonas urbanas e evoluído, passando a se alimentar do sangue de seres humanos”, diz ele.

Nesse sentido, a forte predominância de chuvas, típicas do clima de Uganda, também teria contribuído para evitar uma epidemia da doença.

“Aqui em Uganda chove muito e, por isso, a população não costuma armazenar água em casa”, argumenta.

“Mas nos países africanos que desmataram suas florestas, como no oeste da África, por exemplo, o mosquito migrou para as áreas urbanas e acabou encontrando um ambiente perfeito, pois precisa de água parada para se reproduzir”.

Lutwama diz acreditar ainda que a população ugandense teria desenvolvido imunidade à doença, devido a “diferentes flavivírus” (vírus transmitidos por carrapatos e mosquitos) encontrados na região, como dengue, chikungunya e O’nyong’nyong, todos transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

“Como temos outras doenças muito semelhantes ao zika, como dengue, chikungunya e O’nyong’nyong, acredito que possa ter havido algum tipo de imunidade cruzada. Dessa forma, quem já contraiu algum desses vírus, teria menor vulnerabilidade a uma nova infecção”, observa.

E devido ao baixo número de casos da doença em Uganda, acrescenta Lutwama, não foi possível estabelecer nenhuma relação entre o vírus e a microcefalia.

“Diferentemente do Brasil, não temos um número suficiente de casos de zika para comprovar qualquer associação entre o vírus e essa má-formação congênita em fetos”, afirma.

Brasil

BBCJulius Lutwama é principal pesquisador do Instituto de Uganda de Pesquisa de Vírus (Urvi, na sigla em inglês)

Principal pesquisador do Uvri, instituto criado em 1936 com financiamento da Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, Lutwama diz que ele e sua equipe vêm realizando um trabalho de prevenção para evitar que a subespécie latino-americana se espalhe em Uganda.

“Coletamos e monitoramos amostras de sangue de pacientes de todo o país. São medidas preventivas importantes”, assinala ele.

Lutwama cita o caso dos Estados Unidos, onde o Aedes aegypti ─ virtualmente inexistente há alguns anos ─ já é encontrado em regiões com temperaturas mais amenas, como o Estado da Flórida.
Luís Barrucho/BBC

CDC inicia estudo sobre zika vírus e microcefalia no Brasil

Pesquisadores americanos farão um estudo em João Pessoa, na Paraíba, para investigar o possível elo entre zika e microcefalia.

CDC inicia estudo sobre zika vírus e microcefalia no BrasilColeta de dados para pesquisa deve durar de três a quatro semanas (Foto: Pixabay)
Um time de 16 virologistas do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC), do governo americano, iniciou nesta segunda-feira, 22, um projeto de pesquisa promissor no Brasil para investigar o possível elo entre os surtos de zika vírus e microcefalia no país.

O Brasil confirmou mais de 500 casos de microcefalia desde o início do surto de zika vírus, no início do ano, e investiga outros 3.900 casos suspeitos.

Os virologistas americanos começaram a treinar dezenas de pesquisadores brasileiros em João Pessoa, na Paraíba, para coletar dados de centenas de mulheres brasileiras e seus bebês.

Para estudar a possível ligação entre zika e microcefalia, os pesquisadores iniciarão o que é chamado de “estudo controlado”, que envolve comparar casos de pessoas com as doenças e outras saudáveis para identificar as causas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nesta segunda-feira, o CDC formou oito times de pesquisadores brasileiros e americanos, que iniciarão, a partir de terça, uma busca por pelo menos 100 mães que tiveram filhos com microcefalia desde o início da epidemia na região.

Os pesquisadores irão coletar amostras de sangue das mães e de bebês para identificar sinais de infecções pelo zika vírus, examinar sintomas de microcefalia nos bebês e coletar informações detalhadas das mães.

Os pesquisadores também irão investigar outros possíveis fatores que podem ter relação com a doença congênita.

Eles farão as mesmas perguntas a centenas de mães com bebês saudáveis a título de comparação.

A esperança é que o estudo traga evidências mais concretas sobre o elo entre zika e microcefalia ou identifique outros fatores que podem ser responsáveis pelas má-formações nos bebês.

“O que realmente queremos fazer é entender melhor a dimensão, o escopo e as causas da microcefalia”, disse a pesquisadora Erin Staples, líder do estudo.

Ela estima que levará três a quatro semanas para coletar os dados, mas não deu uma previsão de publicação dos resultados.

Fontes: NPR – CDC arrives in Brazil to investigate zika outbreak

Zika Vírus: A “midiapondria” e os interesses mercadológicos

Remédios,Negócios,Indústria Farmacêutica,Zika,Blog do MesquitaNo início desse mês, o Google News indicava a ocorrência de cerca de 38 milhões de notícias com a palavra “zika vírus”.

Se considerarmos que há uma gama de produtos midiáticos que não chegam ao buscador, esse número deve ser ainda maior.

Por Armanda Miranda – Publicado originalmente no site Objethos, 15/2/2016, sob o titulo “O sika virus e a mediopondria: três momentos de uma cobertura”

O assunto, considerado de interesse público devido aos constantes alertas emitidos pelo Estado e pelos organismos de saúde, tem ocupado também os programas de entretenimento, como os populares Encontro com a Fátima Bernardes e Domingão do Faustão. A tentativa de analisar como tais produtos desenham o fenômeno é importante por dois motivos: o jornalismo produz conhecimento e, como tal, fomenta o debate sobre o assunto.

Como forma de produção do conhecimento, o jornalismo tem um papel muito relevante nos períodos de incerteza: é ele quem se ocupa de tentar organizar as informações e levá-las ao público com uma linguagem abrangente e sem vícios do campo de origem. Se os cientistas se preocupam, agora, em tentar compreender a dinâmica do vírus, os jornais têm a missão de sintetizar isso de modo que a audiência consiga entender melhor o momento sem que para isso precise de um diploma de biologia ou medicina. Este percurso da “tradução” é tradicional no jornalismo científico e também vem sendo a tônica nos produtos do jornalismo especializado em saúde. Nas palavras de Lopes et al (2012, p.131):[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A comunicação mediática passou a ser entendida como o meio privilegiado para aumentar o conhecimento e a consciência das populações sobre os assuntos de saúde, bem como para influenciar as suas percepções, crenças e atitudes, muito para além do clássico modelo de comunicação médico-paciente.

Como campo relevante para a propagação do debate público, o jornalismo traz em seus produtos questões que podem levar à tomada de posição sobre determinados fatos. É assim, por exemplo, que se tem discutido como os agentes públicos podem orientar a prevenção da proliferação do mosquito ou mesmo como o país precisa de mais investimento em ciência e tecnologia para reagir a momentos de incerteza. Ao ter contato com os argumentos difundidos na esfera midiática, por fontes que muitas vezes revelam posições contrastantes, a audiência se sente parte do que ocorre em dimensões que transcendem sua casa, seu bairro, sua cidade.

Também é pertinente identificarmos o jornalismo como um produto cultural. Assim, se a cobertura segue um rumo alarmista, podemos considerar que os agentes públicos também emitem estes alarmes de forma sistemática. Se ela parece confusa e fragmentada, também compreendemos que é por se tratar de um fenômeno novo, em processo, incerto. Não estamos falando que o jornalismo reflete uma suposta realidade, nem isentando os seus produtos dos erros, mas é importante pensar na cobertura dentro de um contexto de indefinições. Os produtos midiáticos são frutos do seu tempo e estão a ele conectados.

Partindo dessas definições do jornalismo, elencamos três diferentes momentos da cobertura sobre o zika vírus. A perspectiva é cronológica, o que não significa que ela seja assumida como absolutamente linear. Os links foram coletados a partir de alertas do Google News para expressões como “zika vírus”, “microcefalia” e “Ministério da Saúde”.

  1. A incerteza

Consideramos o decreto de situação de emergência por conta da associação do zika vírus à microcefalia como o ponto alto do início da cobertura jornalística. Em 11 de novembro, o portal UOL publicou a notícia, em associação às estatísticas da doença divulgadas pelo estado de Pernambuco.

Trata-se de um momento de total incerteza – tanto dos órgãos públicos, quanto dos produtos jornalísticos. Há, também, a ênfase na busca de dados estatísticos, uma das formas mais recorrentes de objetivação dos fatos em textos jornalísticos. Outra preocupação é a de didatizar o fenômeno e elucidar questões que antes era restritas aos corpos médicos.

Os desencontros de informação são evidentes, algo que parece comum diante de um período de incertezas, mas que exige um movimento de análise permanente dos produtores de conteúdo a fim de identificar erros e problemas de informação. A opção por divulgar casos suspeitos também pode ser questionada, especialmente se as atualizações dos dados forem negligenciadas

Neste momento, os produtos jornalísticos tendem a assumir um tom catastrófico, alarmista e sensacionalista – o que pode eventualmente prejudicar as políticas de contenção formuladas pelos órgãos públicos ou mesmo originar uma epidemia que não existe. A ânsia em sair na frente e em produzir informações sobre algo ainda desconhecido pode resultar em prejuízos para a audiência, que não raramente tem no jornalismo sua principal fonte de informação.

  1. Adesão à ciência

Em um segundo momento da cobertura, percebeu-se a busca contínua de didatização do fenômeno, na tentativa de minimizar as sensações de riscos. Entraram, aí, as notícias que se propunham a derrubar mitos e as que se comunicavam com o leitor no sentido de fazê-lo compreender informações que antes circulavam de modo restrito. A prevenção também passou a ser pauta, com destaque para dicas práticas e utilitárias.

Foi nesta fase, também, que identificamos um movimento interessante a ser estudado: a transformação dos cientistas e pesquisadores brasileiros em definidores primários. Se no primeiro momento da cobertura os agentes públicos e organismos de saúde tinham o peso das fontes oficias, neste segundo momento os próprios cientistas passaram a ser visados pelos jornalistas. Mais do que isso: a imprensa começou a acompanhar o trabalho de centros de referência, como a Fiocruz.

Tradicionalmente, o jornalismo científico é criticado por se ater às descobertas e às certezas (sempre incertas, diga-se) produzidas pela ciência. Neste caso, o movimento pareceu diferente, voltado também aos processos, como no caso do acompanhamento de uma equipe de investigadores da Universidade de São Paulo ou até mesmo na humanização da figura dos cientistas, algo pouco comum em coberturas desse tipo.

O problema, aqui, é partir para um outro extremo: o de fortalecer a fé na ciência, como se a ela nada pudesse escapar. Em períodos de incerteza, é comum que determinadas instituições se fortaleçam. Se o poder público pode ser elevado ao posto de culpado por não conseguir conter uma suposta crise, os cientistas ganham o status de potenciais pontos de fuga dessa mesma crise. Reforça-se, assim, o estereótipo da ineficiência do Estado e da crença segura na ciência.

  1. O caminho do debate público

Identificamos, agora, um terceiro momento da cobertura da epidemia: o fortalecimento dos argumentos que constituem o jornalismo como um espaço de debate público. É o que temos acompanhado, por exemplo, nas discussões acerca da legalização do aborto para gestante com fetos diagnosticados com microcefalia.

O debate promete acirrar argumentos favoráveis e contrários à indicação da interrupção da gravidez, envolvendo o poder público e o judiciário e a religião. A cobertura também busca a humanização da temática, recorrendo a histórias de vida de jovens com microcefalia e abordando a temática social que emerge desta questão.

Trata-se, em suma, de um momento de mobilização de fontes antagônicas, da busca da racionalidade científica de um lado (ou do saber médico, como preferiria o filósofo Michel Foucault) e do apelo à religião e à política de outro. A polêmica, evidentemente, alimenta o debate e também mobiliza a audiência, gerando engajamento, cliques e compartilhamentos.

Neste mesmo momento, a ciência ainda revela suas incertezas, os agentes públicos continuam a se manifestar na tentativa de reduzir danos e de acenar para a prevenção. Por outro lado, os desencontros de informação (aqui e aqui, por exemplo) e a ênfase nas estatísticas também persistem. Ao divulgar os casos suspeitos – com números sempre altos – , o poder público e a imprensa tendem a aumentar a sensação de pânico e de incerteza, o que pode motivar na audiência uma dependência cada vez maior dessas informações, ainda que estas sejam tão duvidosas quanto é o próprio vírus.

O protagonismo do (bom) jornalismo especializado em saúde

Ao tentar  levantar a cronologia da cobertura jornalística sobre o zika vírus, podemos concluir, ao menos no estágio em que estamos hoje, que os produtos midiáticos alimentam o que chamaremos de midiapondria: uma necessidade permanente por parte da audiência de receber informações atualizadas sobre pautas da área.

Mas quem calcula essa necessidade? Como os jornalistas sabem que o leitor realmente está interessado neste volume de pautas? Por um lado, seria um interesse óbvio, considerando que o jornalismo é produto cultural e estamos sintonizados a uma era de cuidados com o corpo e com a mente, uma era da saúde perfeita, como já disse o filósofo Lucien Sfez. Por outro, não se pode desconsiderar que se trata de um interesse dos próprios veículos, de seus financiadores e da estrutura biopolítica à qual estamos integrados. Nas palavras de Kucinsky (2012), esta temática também precisa ser compreendida à luz dos interesses mercadológicos que projeta:

“Revistas como a Veja produzem capas de saúde regularmente, porque são as capas que vendem, na concepção de mercado que eles têm; mesmo quando está caindo um World Trade Center, eles fazem questão de a cada três ou quatro edições dar uma capa de saúde. (…) Então nós vemos que há uma espécie dum turbinamento: a saúde é vendida como mercadoria e, portanto, na mídia ela é mais mercadoria ainda, é dupla-mercadoria porque tem que ser muito mercadológica a forma como é apresentada, a forma como é tratada”.

Em qualquer cenário, o jornalismo especializado em saúde acaba alçado ao papel de protagonista de um tempo de indefinições. Por conta disso, é importante que ele esteja alinhado às estratégias de prevenção, sem apelar para um tom catastrófico e alarmista e buscando organizar os fatos de forma a minimizar dúvidas. Para os midiapondríacos, nenhum remédio é melhor do que a informação de qualidade.

Armanda Miranda é doutoranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do Objethos

Referências:
KUSCINSKY, Bernardo. Jornalismo e Saúde na Era Neoliberal. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v11n1/10.pdf. Acesso em: 10 de outubro de 2013.
LOPES, Felisbela et al. (org). Ebook. A saúde em notícia. Repensando práticas de comunicação. Universidade do Minho. 2013. Disponível em: <http://www.ics.uminho.pt/uploads/eventos/EV_8167/20131217286093508750.pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2013.

Ponto de vista: Zika e esgoto – Por que matamos tantas pessoas na loteria do saneamento?

APFalta de saneamento leva à proliferação de mosquito transmissor da dengue e da zika – Image copyright AP

Nós também deixamos outras tantas, incontáveis, de cama, incapazes, num efeito impossível de mensurar – perdem dias de trabalho, de estudo, de bloquinho de Carnaval, de horas com os filhos e com os pais.

Até agora, esse descaso não tinha rosto. É difícil contar as mortes provocadas pela falta de estrutura. Mas, em 2016, esse descaso ganhou um nome e a face de um bebê com microcefalia. O zika também é fruto da nossa insensatez.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Agora acredita-se que o Aedes aegypti, transmissor da dengue e da zika, possa se adaptar para viver também na água suja, e não apenas em água limpa, segundo pesquisa recente da Universidade Estadual da Paraíba. Na prática, isso significa que todo córrego, até aqueles mais fedorentos, pode ser um criadouro em potencial.

Além disso, nosso desperdício de água potável, entre os reservatórios e as nossas casas, cria grandes fazendas de proliferação de mosquito. Temos fábricas de matar aos poucos.

Na última terça-feira, isso foi confirmado por um diagnóstico do Ministério das Cidades, que apontou que quase metade da população do país não tem acesso a rede de esgoto.

O descaso com infraestrutura, assim como o combate frouxo ao mosquito, é um daqueles absurdos difíceis de explicar. Ninguém acorda de manhã pensando “vou deixar o país sem esgoto” ou “tudo bem se algumas pessoas pegarem dengue”. Mas também pouquíssimas pessoas levantam com a ideia fixa de passar um cano embaixo da terra ou de colocar dinheiro em borrifador contra o mosquito.

ReutersMais de 3.800 casos suspeitos de microcefalia estão sendo investigados
Image copyright Reuters

Até virar tragédia, não é tema, não é prioridade. Enquanto é um grande número, fica invisível. Só ganha urgência quando ganha um rosto. O único legado positivo no caso do zika é nos deixar uma multidão de rostos que sempre vão nos lembrar deste verão.

Porque, na prática, nós só damos valor àquilo que vemos. É mais fácil mobilizar o país para grandes obras sobre a terra, por mais inúteis que sejam, do que para evitar tragédias invisíveis. É uma variação da máxima “o que os olhos não veem o eleitor não sente”. Só que essa cegueira tem graves consequências, ainda mais quando se acumula por gerações.

Grandes tragédias, assim como grandes progressos, nunca são fruto de um governo só. Para o bem e para o mal, na alegria e na tristeza, somos o acúmulo das nossas escolhas. Só para ficar nos grandes números, fruto de levantamento do Instituto Trata Brasil, eis o panorama hoje, neste comecinho de 2016:

• 35 milhões de brasileiros não têm água tratada • 39%, isso, apenas 39% do nosso esgoto passa por tratamento

Ainda segundo o Instituto Trata Brasil, seria necessário investir R$ 508 bilhões entre 2014 e 2033 para chegar a 100% em todos os itens. Esse descaso histórico com serviços básicos cria uma forma perversa de desigualdade, causada pelo Estado e ausente dos debates públicos.

AP
Falta de infraestrutura faz pessoas estocarem água – o que pode dar origem a criadouros – Image copyright AP

Ao não passar cano embaixo da terra, nós deixamos a loteria da vida ainda mais cruel. Quem é agraciado por essas fantásticas tecnologias do começo do século 20 tem menos chance de morrer ou de perder dias de trabalho ou de estudo. No caso do zika, quem tem sorte de viver perto de um programa de prevenção não corre riscos de ter filhos com microcefalia. Quem não tem fica exposto à sorte.

Nossa cegueira deixa a vida ainda mais injusta. Esse assunto me deixa particularmente comovido porque, quando eu era criança, cai num rio-esgoto-a-céu-aberto duas vezes, dois anos seguidos. Uma em Pirituba, bairro de São Paulo onde morei até os cinco anos. A outra em Franco da Rocha, cidade da região metropolitana em que vivi por um ano, em 1988.

Eu tinha entre cinco e seis anos nessas quedas. Lembro bem das ratazanas em Pirituba, mas não tenho nenhuma memória de Franco da Rocha. É o contrário da minha mãe, que ainda se lembra bem de uma criança com cabelo de cachinhos molhados sendo levada pela água suja ao logo do córrego cheio até parar num amontoado de plástico, madeira e barro.

Graças à densidade do material, vamos ver por esse lado, hoje estou aqui falando de assuntos fedorentos com você. Se não fosse o acaso (e o plano de saúde dos meus pais), talvez este texto nunca fosse escrito. Mas quantas pessoas, bem melhores do que eu, não tiveram essa chance?

EPA‘Precisamos (…) colocar esgoto em pauta, borrifador na área.’
Image copyright EPA

Por isso, eu decidi fazer uma coisa simples, coisa que nunca tinha pensado até o começo desse ano – apesar do meu pesadelo de infância. Eu sempre votei com base em propostas e grandes programas. Devo confessar que nunca prestei atenção no detalhe – o que é um erro meu. Por isso, decidi por um critério bem simples para 2016 em diante.

Só voto em candidatos que tenham plataformas vida real, Brasil de verdade, longe da marquetagem que mobiliza todos os nossos sentimentos e nenhuma das nossas razões. Gente que realmente tenha história de fazer coisas com impacto, comprometida com o médio e com o longo prazo.

Precisamos mostrar, ao longo dos próximos anos, que valorizamos, sim, políticos que fazem grandes obras que não vemos. Precisamos, nas organizações das quais fazemos parte, colocar esgoto em pauta, borrifador na área. Sim, eles não são bonitos nem rendem grandes fotos, mas têm um efeito fabuloso ao longo do tempo. Já tentei até pensar em como deixar esgoto bonito ou borrifador charmoso, para ver se aceleramos esse processo. Se tiver dicas, é só me falar pelo Twitter ou pelo Facebook.

Enquanto isso, me resta acreditar que, uma hora, vamos levar isso a sério. Há, ao menos, um exemplo no passado. Fizemos o SUS, como eu disse no meu último texto aqui na BBC Brasil. Foi uma bela e grande obra de prevenção. Se nós oferecemos saúde para todo mundo, podemos oferecer prevenção para todo mundo. É raro, mas às vezes a gente consegue colocar dinheiro naquilo que não vemos.
Leandro Beguoci/BBC

Zika na saliva: alarmismo ou o prenúncio de um Carnaval mais pudico?

Na véspera do Carnaval, época do beijo, pesquisadores brasileiros anunciam a presença do zika vírus na saliva e urina de pacientes infectados.

Zika na saliva: alarmismo ou o prenúncio de um Carnaval mais pudico?
Fiocruz recomenda que grávidas evitem beijar pessoas com zika (Foto: Youtube)
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciaram nesta sexta-feira, 5, que conseguiram isolar o zika vírus ativo na saliva e urina de pacientes infectados. Se a notícia tem algum significado importante ninguém sabe ainda.
Mas, em época de epidemia e Carnaval, a informação estampou instantaneamente as manchetes dos principais sites de notícias, gerando ansiedade na população e tirando o foco do mosquito.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Leia também: Não engravidar até quando?
Leia mais: Epidemia de zika vírus seria motivo para cancelar Olimpíadas?

A notícia veio um dia depois de o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) acusar o governo brasileiro e a Fiocruz de sonegarem material genético e informações numéricas importantes sobre o zika vírus no Brasil.

Nesse contexto, a pesquisa parece uma tentativa de “mostrar serviço”, sem trazer nada de concreto para a população a não ser alarmismo. Achar vírus em cultura de célula é uma coisa, saber como ele é transmitido é outra totalmente diferente.

Após o anúncio, a Fiocruz recomendou precaução extra para grávidas: devem evitar beijar pessoas com zika, compartilhar objetos como talheres e grandes aglomerações.

Não está claro o raciocínio quanto a aglomerações, mas com ou sem epidemia de zika, de um modo geral mulheres grávidas devem tomar precauções maiores para proteger seu bebê.

O importante mesmo é que as pessoas não esqueçam do mosquito ao achar que a doença passa de qualquer jeito, como uma gripe.

Neste momento, o melhor conselho é relevar possíveis mecanismos de transmissão alternativos, seja saliva ou ato sexual, e lembrar o repelente antes de cair na folia.
ViaOpinião&Notícia

‘Sou plena, feliz e existo porque minha mãe não optou pelo aborto’, diz jornalista com microcefalia

Foto: Arquivo PessoalAna se formou em jornalismo para ser ‘porta-voz da microcefalia’
“Quando li a reportagem sobre a ação que pede a liberação do aborto em caso de microcefalia no Supremo Tribunal Federal (STF), levei para o lado pessoal. Me senti ofendida. Me senti atacada.

No dia em que nasci, o médico falou que eu não teria nenhuma chance de sobreviver. Tenho microcefalia, meu crânio é menor que a média. O doutor falou: ‘ela não vai andar, não vai falar e, com o tempo, entrará em um estado vegetativo até morrer’.

Ele – como muita gente hoje – estava errado.

Meu pai conta que comecei a andar de repente. Com um aninho, vi um cachorro passando e levantei para ir atrás dele. Cresci, fui à escola, me formei e entrei na universidade. Hoje eu sou jornalista e escrevo em um blog.

Escolhi este curso para dar voz a pessoas que, como eu, não se sentem representadas. Queria ser uma porta-voz da microcefalia e, como projeto final de curso, escrevi um livro sobre minha vida e a de outras 5 pessoas com esta síndrome (microcefalia não é doença, tá? É síndrome!).

Com a explosão de casos no Brasil, a necessidade de informação é ainda mais importante e tem muita gente precisando superar preconceitos e se informar mais. O ministro da Saúde, por exemplo. Ele disse que o Brasil terá uma ‘geração de sequelados’ por causa da microcefalia.

Arquivo Pessoal
Ana passou por cirurgias e contou com ajuda de toda a família para superar dificuldades

Se estivesse na frente dele, eu diria:
‘Meu filho, mais sequelada que a sua frase não dá para ser, não’.

Porque a microcefalia é uma caixinha de surpresas. Pode haver problemas mais sérios, ou não. Acho que quem opta pelo aborto não dá nem chance de a criança vingar e sobreviver, como aconteceu comigo e com tanta gente que trabalha, estuda, faz coisas normais – e tem microcefalia.

As mães dessas pessoas não optaram pelo aborto. É por isso que nós existimos.

Não é fácil, claro. Tudo na nossa casa foi uma batalha. Somos uma família humilde, meu pai é técnico de laboratório e estava desempregado quando nasci. Minha mãe, assistente de enfermagem, trabalhava num hospital, e graças a isso nós tínhamos plano de saúde.

A gente corta custos, economiza, não gasta com bobeira. Nossa casa teve que esperar para ser terminada: uma parte foi levantada com terra da rua para economizar e até hoje tem lugares onde não dá para pregar um quadro, porque a parede desmancha.

O plano cobriu algumas coisas, como o parto, mas outros exames não eram cobertos e eram muito caros. A família inteira se reuniu – tio, tia, gente de um lado e do outro, e cada um deu o que podia para conseguir o dinheiro e custear testes e cirurgias.

No total, foram cinco operações. A primeira com nove dias de vida, para correção da face, porque eu tinha um afundamento e por causa dele não respirava.

Arquivo Pessoal
Ana afirma levar uma vida normal: ‘hoje sei até tocar violino!’

Durante toda a infância também tive convulsões.

É algo que todo portador de microcefalia vai ter – mas, calma, tem remédios que controlam.

Eu tomava Gardenal e Tegretol até os 12 anos – depois nunca mais precisei (e hoje sei até tocar violino!).

Depois da raiva, lendo a reportagem com mais calma, vi que o projeto que vai ao Supremo não se resume ao aborto. Eles querem que o governo erradique o mosquito, dê mais condições para as mães que têm filhos como eu e que tenha uma política sexual mais ampla – desde distribuição de camisinhas até o aborto.

Isso me acalmou. Eu acredito que o aborto sozinho resolveria só paliativamente o problema e sei que o mais importante é tratamento: acompanhamento psicológico, fisioterapia e neurologia. Tudo desde o nascimento.

Também sei que a microcefalia pode trazer consequências mais graves do que as que eu tive e sei que nem todo mundo vai ter a vida que eu tenho.

Então, o que recomendo às mães que estão vivendo esse momento é calma. Não se desespere, microcefalia é um nome feio, mas não é esse bicho de sete cabeças, não.

Façam o pré-natal direitinho e procurem sobretudo um neurologista, de preferência antes de o bebê nascer. Procurem conhecer outras mães e crianças com microcefalia. No próprio Facebook há dois grupos de mães que têm um, dois, até três filhos assim e trabalham todos os dias tranquilas, sem dificuldade.

Facebook
No Facebook, Ana se manifestou sobre campanha para legalizar o aborto em casos de microcefalia – Image copyrightFacebook

Caso o projeto de aborto seja aprovado, mas houver em paralelo assistência para a mãe e garantia de direitos depois de nascer, tenho certeza que a segunda opção vai vencer.

Se ainda assim houver pais que preferirem abortar, não posso interferir. Acho que a escolha é deles. Só não dá para fazê-la sem o mais importante: informação.

Quanto mais, melhor. Sempre. É o que me levou ao jornalismo, a conseguir este espaço na BBC e a ser tudo o que eu sou hoje: uma mulher plena e feliz.

*Este depoimento é resultado de uma conversa entre o repórter da BBC Brasil Ricardo Senra e Ana Carolina Cáceres. E começou com um comentário da jovem no perfil da BBC Brasil no Facebook.

Image copyright Arquivo pessoal.

O vírus Zika é propriedade da Fundação Rockefeller

Que surpresa, não é verdade? Vendem o vírus Zika a 599 dólares, mas como são tão generosos, o estão inoculando grátis aos mais desafortunados do mundo.

Pode ser comprovado neste link da ATCC.
De acordo com o site, a ATCC se descreve desta  forma:

ATCC é a líder em materiais e recursos biológicos e padrões de organização global cuja missão centra-se sobre a aquisição, a autenticação, a produção, preservação, desenvolvimento e distribuição dos microrganismos padrão de referência, linhas celulares, e outros materiais. Embora mantendo materiais de coleta tradicionais, a ATCC desenvolve produtos de alta qualidade, padrões e serviços de apoio à investigação científica e inovações que melhoram a saúde das populações mundiais.

É claro, a OMS já está com seus dedos longos colocando o medo nas manchetes dos grandes meios com a colaboração dos governos de turno, que para isso estão.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Aliás, para os fãs das casualidades, a zona do Brasil onde apareceu este vírus é a mesma zona onde soltaram os mosquitos genéticamente modificados em 2015.

A prefeitura anunciou nesta segunda-feira (2) um convênio com a empresa britânica Oxitec, fabricante do inseto, para realizar um projeto de pesquisa na cidade.

Após testes em Juazeiro e Jacobina, na Bahia, a empresa obteve aprovação federal de biossegurança para soltar os animais. O aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para comercializar o serviço, porém, ainda não saiu. Por isso o projeto em Piracicaba ocorre como teste, subsidiado pela empresa.

Já sabemos, dos mesmos produtores da fraude da gripe aviária, aos que lhes saiu mal a campanha do Ebola, agora trazem ao mundo inteiro “Zika: Grave Ameaça Mundial”. Aplausos.

Texto e imagens acima de cronsub.com. Tradução: Caminho Alternativo


Estes mosquitos genéticamente modificados pertencem à britânica Oxitec, uma empresa de biotecnologia que foi comprada pela Intrexon, conforme noticiado em agosto de 2015. No Brasil a Oxitec foi contratada pelo governo, para “fornecer um pacote de serviços, que vai desde o treinamento de agentes públicos ao combate de possíveis epidemias de dengue”, uma contratação com a aprovação da Anvisa.

A Anvisa, vale lembrar, é o órgão que demonstrou estar atuando no boicote aos testes clínicos com a fosfoetanolamina sintética, a substância que é apontada como a cura do câncer. Enquanto boicota a fosfoetanolamina por “falta de testes clínicos”, aprova a soltura de mosquitos geneticamente modificados sem prova alguma de sua eficácia e qualquer estudo sobre as consequências futuras, como por exemplo, a mutação genética do mosquito e a potencialização do contágio.

Mas quem está por trás da Intrexon? Basta seguir o rastro do dinheiro, ou seja, quem financia a quem. Esta é a posição acionária da empresa de acordo com o site da NASDAQ:

Na lista estão a Vanguard Group, BlackRock, Morgan Stanley, State Street Corp, Third Security, entre outras. São empresas/fundos de investimento e bancos que pertencem às dinastias de banqueiros Rothschild e Rockefeller. As mesmas empresas que são proprietárias dos grandes laboratórios e que lucram bilhões com a industria do câncer, através dos quimioterápicos e radioterápicos.

Tendo estes dados em mãos, é possível imaginar qual seria o plano. Algo parecido ou pior com o que aconteceu com o H1N1 e o Ebola. Espalhar o vírus, matar milhares de pessoas e em seguida lucrar com a “cura”, ou seja, as vacinas.

O Ebola por sinal, foi patenteado pelo governo dos EUA em 2009(link1 e link2), com a participação do exército dos EUA e o usureiro George Soros, que financia, através de sua Fundação Open Society, os laboratórios militares em Serra Leoa e Libéria.

Outro vírus patenteado com fins de lucro, conforme revelado pelo leitor Fernando, foi o H1N1, cujo detentor dos direitos sobre a medicação e a vacina era Donald Rumsfeld, secretário de defesa dos EUA no governo Bush filho, comprou quase toda a produção de anis estrelado da China, componente indispensável para a fabricação do Tamiflu. Depois que a relação entre ele e o Tamiflu foi descoberta tiveram que abrir a patente dos remédios para a gripe.

Recentemente informaram que o Zika, além de ser responsável pela microcefalia, poderia ser contagioso através de relações sexuais, leite materno e sangue. Sendo assim as mulheres evitarão engravidar e maior será o medo em ter relações sexuais ou trocar fluídos corporais. Uma ferramenta da elite globalista para promover a redução populacional e é claro, lucrar.

Tudo isto é parte de uma satânica agenda para chegar ao Governo Mundial, onde um seleto grupo de bilionários sionistas pretende governar o mundo com seus bancos e multinacionais.
Blog Caminho Alternativo