Arruda gasta R$ 700 mil em show após mensalão do DEM

Serão R$ 620 mil para músicos, como Zezé di Camargo e Luciano, e R$ 80 mil para fogos

Mergulhado numa crise política sem precedentes no Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido) abriu os cofres para contratar artistas de peso, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, para o show da virada de ano, visando diminuir o desgaste sofrido com a revelação do “mensalão do DEM“. Além do gasto de R$ 620 mil com músicos, o governo terá despesa de R$ 80 mil com fogos.

Zezé di Camargo e Luciano vão receber R$ 300 mil pela apresentação na Esplanada dos Ministérios antes da meia-noite. Mais R$ 260 mil serão pagos à banda Aviões do Forró, além de R$ 20 mil para a sambista brasiliense Dhi Ribeiro e R$ 40 mil à dupla sertaneja Pedro Paulo e Matheus. A bateria da escola de samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro, vai animar o público na madrugada. A escola recebeu R$ 3 milhões do governo Arruda para homenagear os 50 anos de Brasília no carnaval carioca de 2010.

Alvo da Operação Caixa de Pandora, Arruda é apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como “cabeça” do esquema de corrupção no DF. O governador desistiu de passar o réveillon no Rio, como fez no ano passado, e fica em Brasília. Seu vice, Paulo Octávio (DEM), preferiu sair de Brasília e foi passar o Ano Novo em São Paulo. O vice também é suspeito de envolvimento no esquema do “mensalão do DEM”.

Segundo Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e delator das fraudes ao Ministério Público, o governador e o vice participavam da arrecadação de propina.

Leandro Colon/Estadão

Google promove carreira de dupla sertaneja brasileira

Quase me casei por causa da internet’, diz cantora da música do Google.

Dupla sertaneja Ana Elisa e Mariana tem hit com faixa sobre buscador.
‘Não me arrependo de usar a internet, funciona mesmo’, conta Ana Elisa.

Blog do Mesquita - A dupla sertaneja Ana Elisa e MarianaA dupla sertaneja Ana Elisa e Mariana
“Me joga no Google/ Me chama de pesquisa/ E diz que eu sou tudo que você procurava”, cantam Ana Elisa e Mariana, dupla sertaneja na música “Google”, hit na internet e nas festas de peão. Com poucos meses de carreira, as irmãs Michelon já estão com a agenda lotada, em parte graças ao improvável sucesso.

“Gosto muito de internet, meio que sou viciada. E essa frase, ‘me joga no Google e me chama de pesquisa’ já estava circulando. Um dia eu vi e falei, ‘gente, isso dá uma música’. Escrevi a música em cinco minutos”, conta ao G1 Ana Elisa, que há três meses largou o emprego de assessora de imprensa da prefeitura de Bebedouro (interior de São Paulo), cidade onde a família mora, para se dedicar apenas à música.

Mas a ideia inicial era deixar a música de lado, para o disco oficial. No começo do ano, quando resolveram tentar a sorte como dupla, elas gravaram um disco promocional para distribuir para produtores e rádios, então iriam trabalhar inicialmente as músicas mais “antigas”, como “Sou ciumenta”, resposta feminina a “Ciumenta”, de César Menotti e Fabiano.

“Em um show nós resolvemos cantar, para ver se o pessoal curtia, era um show em um domingo, no final da tarde. Chegamos em casa e já haviam vários pedidos pela música na internet. Subimos um vídeo do show e foram milhares de visualizações, e aí caiu no gosto do público”, lembra Ana Elisa.

Casamento pela internet

Ela mesma já usou a internet como plataforma de relacionamento. “Eu quase me casei com um cara que eu conheci na internet”, confessa . “Eu conheci um cara lá de Santa Catarina – meu pai conhecia a família dele e me deu o e-mail dele. Começamos a namorar, noivamos, mas um mês antes do casamento eu desisti, porque não tive coragem de me mudar para Criciúma, era muito longe. Mas eu não me arrependo de ter usado a internet – funciona mesmo, viu?!”.

Divulgando o trabalho no boca a boca e disponibilizando suas músicas para download em seu site oficial, elas seguem com a carreira fazendo shows por todo o país. “Estamos agendando um show em Teresina, no Piauí, já tocamos em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais. Tudo graças à internet”, comemora.

Não é a primeira vez que uma música sertaneja com letra citando a internet vira hit . “Vou te deletar do meu orkut”, de Ewerton Assunção, foi lançada em 2006 e virou sucesso – a foixa foi gravada por artistas como Frank Aguiar, Edson e Hudson e pelo português Élvio Santiago.

‘Mulher no volante’

Além de “Google”, elas apostam em outras músicas, como “Eu viro onça” e a inédita “Mulher no volante, perigo constante”. “A gente fala das c… que a mulherada faz no trânsito, e diz que os homens que estão implicando. A letra diz: ‘Quem é que foi que inventou essa história de mulher no volante, perigo constante/ É coisa de homem despeitado/ Por ter tomado um pé na bunda de uma mulher/ Sabe bem como é que é/ Conversa de homem mal amado”.

Formada em jornalismo, Ana Elisa fala que a conversa de começar a cantar profissionalmente começou na universidade. “A gente cantava na igreja, em grupos de louvor, mas foi na época da faculdade que os amigos começaram a dizer para formamos uma dupla de verdade”.

Evangélicas, elas estão “na faixa dos vinte anos” – “O nosso empresário orientou a gente a não contar a idade”, explica Ana – e parecem ter orgulho de ser uma das primeiras duplas femininas da nova onda sertaneja. “A gente ouviu Maria Cecília e Rodolfo e pensou ‘já que ela pode, porque nós não montamo suma dupla de garotas?’. Nós temos muitas fãs mulheres, que se identificam com as nossas letras – aliás, no nosso camarim tem muito mais mulher do que homem”, revela a cantora.

Sertanejo universitário

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Ela também não se incomoda muito com o rótulo de “sertanejo universitário”, só acha a expressão um pouco limitada. “Começou com a galera da faculdade, mas já extrapola, temos fãs de diversas idades”. Mas ela também explica a diferença entre os novos artistas e cantores mais consagrados, como Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó.

“Você vai em um show desses artistas para ver um espetáculo, idolatrar esses caras, porque eles são incríveis. Agora, se você for no nosso show, quer dançar, se divertir – é por isso que a gente acelera as nossas músicas e até as nossas covers – tocamos de Jorge e Mateus, em quem a gente se inspira muito, a Roberto Carlos e Jota Quest. Quem quiser entrar nas festas universitárias tem que ser assim, acelerado”, conta.

No futuro elas já têm planos de lançar um DVD. “Ainda é cedo para pensar nisso, mas já tem gente nos cobrando. Estou muito confiante em 2010. Agora estamos divulgando, ano que vem vamos estar nas festas de peão, tocar mais. Quando tivermos esse calor todo, eu acho que é o momento certo para gravar um DVD”.

Amauri Stamboroski Jr./G1

Crônicas da modernidade – O que a mídia não vê.

Há sim, no país, uma revolução silenciosa em curso. Enorme, nunca vista e nunca imaginada.
Por Fernand Alphen –
falphen@fnazca.com.br
Diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S


Deu na ilustrada que saiu dia 21/07: a banda mais popular do Brasil não tem gravadora, não está na lista das mais vendidas oficiais, não é hit das rádios FM e só recentemente apareceu na TV. Ela se chama Banda Calypso.
“Ah sim, claro, eu conheço! É aquele grupo que faz a tal da música Brega, sei sei!”.


Novela das oito, audiência alta, em todas as camadas sociais, regiões e idades. Qual é a música de abertura? Maria Bethânia cantando Copacabana.
“Claro, a grande estrela da música popular brasileira cantando o grande sucesso imortal!”


Não me interessa analisar a música da Calypso ou dos outros que compõem a maior fatia do PIB musical brasileiro (Bruno e Marrone, Zezé di Camargo e Luciano, Calcinha Preta, Aviões do Forró, Roberto Carlos, etc).
Também não me interessa avaliar a cantoria da Bethânia ou de qualquer outro monstro sagrado brasileiro. Mas algumas palavras da segunda interjeição chamam a atenção: “popular” e “sucesso”. Maria Bethânia é popular? Copacabana é sucesso?


Não é o que essa pesquisa diz. Não é o que se vê na real, na rua, nos shows, no gigantesco intercâmbio (já que não se pode propriamente falar de comércio) de música popular brasileira. Maria Bethânia não é popular e tampouco Copacabana é sucesso.


Onde é que a mídia se inspira portanto? Quem é que a mídia atinge? Contradição: a mídia se inspira de sua vetusta discoteca e atinge a população que não compra mais discos da Bethânia há décadas. Nem dela nem de ninguém.


Enquanto isso, nas redações londrinas dos jornais brasileiros, a crítica despreza os fenômenos populares ou os julga com velados preconceitos. Enquanto isso, nos departamentos de marketing americanos das empresas brasileiras, os executivos copiam eventos internacionais e trazem astros para suas “experiências de marca” no Brasil.


Enquanto isso, nas criações holandesas ou argentinas das agências brasileiras, os profissionais escolhem os topos das listas como garotos propaganda ou compõem jingles medievais para martelar o consumidor “tapado, burro e primitivo”.


Enquanto isso, a população segue ouvindo – e adorando – a banda Calypso.
Tem algo de errado. Deve haver alguma coisa muita errada. E agora opinando: errados somos nós, não o povo.


Há sim, no país, uma revolução silenciosa em curso. Enorme, nunca vista e nunca imaginada. Uma revolução que desestabiliza as estruturas, sociais, jurídicas, culturais, econômicas. Uma revolução que é “A” saída para a injustiça social perversa do país.


Uma revolução que traz exemplos brilhantes, ícones sagrados, como o Chimbinha da Banda Calypso, ontem vendedor de peixe na feira no Pará, e que conseguiu romper todas as barreiras, sem mecenas, sem crítica, sem padrinho político, sem propaganda tradicional, sem mídia. Com seu talento, suas intuições, sua inteligência e sua fé.


E como eles, muitos outros, milhares, quem sabe milhões, que trabalham, sobrevivem, têm sucesso, nessa “margem” hoje muito maior e mais produtiva do que o centro alienígena ocupado pela mídia, pelas marcas e agências de propaganda.