STF abre inquérito contra filho de José Dirceu na Lava Jato

Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu investigação para apurar suspeita de envolvimento do deputado em lavagem de dinheiro. Seu pai, o ex-ministro José Dirceu, está preso por suspeita de envolvimento no petrolão

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Segundo a defesa de Zeca Dirceu, “todas as doações recebidas na campanha de 2010 foram legais”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki aceitou o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e abriu inquérito para investigar o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) no âmbito da Operação Lava Jato.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Zeca é filho de José Dirceu, ex-ministro de Lula e atualmente preso em Curitiba por ordem do juiz Sérgio Moro. O parlamentar é suspeito de praticar lavagem de dinheiro.

O inquérito corre em segredo de Justiça e não foram divulgados detalhes sobre o caso. No ano passado, em delação premiada, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, declarou que doou R$ 100 mil ao deputado nas eleições de 2010, a pedido de José Dirceu.

Em nota, a defesa de Zeca Dirceu afirmou que “não há e nunca houve qualquer tipo de tratativa do parlamentar junto às diretorias da Petrobras e as empresas investigadas na Lava Jato”. Afirmou ainda que o parlamentar está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Leia a íntegra da nota da defesa de Zeca Dirceu:

“O deputado federal Zeca Dirceu reitera que não há e nunca houve qualquer tipo de tratativa do parlamentar junto às diretorias da Petrobras e as empresas investigadas na Lava Jato.

Não existe sequer uma única ligação, e-mail, contato, agenda de reunião, testemunho, delação ou coisa parecida em relação a qualquer atitude do parlamentar.

Diante disso qualquer menção ao nome do deputado se trata de uma tentativa de envolvê-lo nos fatos simplesmente por seu pai, José Dirceu, ser um dos envolvidos na Operação Lava Jato.

Todas as doações recebidas na campanha de 2010 foram legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral sem ressalvas.

Os nomes dos doadores são de conhecimento público há 6 anos, desde 2010, e foram no ano passado e no início deste ano divulgados novamente pelos órgãos de imprensa.

Ou seja, não existe um ÚNICO fato sequer, que justifique este pedido de investigação, que por mais que o deputado não tenha nada a temer, reforça que acredita no Supremo Tribunal Federal e no arquivamento do pedido investigação. Quanto a qualquer decisão do ministro Teori Zavascki, o deputado Zeca Dirceu informa não ter acesso ao seu conteúdo, por estar em segredo de justiça.

O parlamentar deixa claro que sempre está à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento que se faça necessário.”

Quem disse que não compensa?

Na caneta – Dirceu e mensaleiros vão pedir à justiça extinção de penas do mensalão. ‘Cumpanherada’ que roubou o país pode ter as penas extintas

mensaleiros

José Genoino, ao centro, já conseguiu ter sua pena extinta no caso do mensalão.

O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Dirceu, disse que o ex-ministro se encaixa nos pré-requisitos do decreto assinado pela presidente para ficar livre de cumprir o restante da pena sem qualquer tipo de restrição.

Mensalão

A defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, outro condenado pelo STF no mensalão, também esperava a edição do decreto de indulto para avaliar se vai requerer a concessão do benefício. O criminalista Marcelo Bessa, que defende o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR), disse que está em férias e só no seu retorno vai avaliar se o seu cliente pode ser beneficiado.

Os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB), João Paulo Cunha (PT) e Pedro Corrêa (PP), também condenados no mensalão, poderiam se encaixar nas regras do indulto, cujo texto é igual ao editado no ano passado por Dilma. Seus advogados não foram localizados.

Em março deste ano, o ex-presidente do PT José Genoino conseguiu ter a sua pena extinta com base no decreto de 2014.

Em agosto, antes de ser preso na Lava Jato, Dirceu cumpria pena em regime aberto pela sua condenação de sete anos e 11 meses no processo do mensalão. Ele fora detido pelo escândalo anterior em novembro de 2013.

A defesa do ex-ministro pretende alegar que Dirceu se incluiu nas regras previstas no decreto para receber o perdão da pena. “Entendo que ele tem direito e vou requerer no momento oportuno” disse o advogado José Luís de Oliveira Lima.

O ex-ministro, contudo, pode não garantir direito ao benefício por causa dos desdobramentos da Lava Jato. No mês seguinte à sua prisão, Dirceu virou réu após o Ministério Público Federal tê-lo denunciado à Justiça Federal de Curitiba (PR). Em outubro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a suspensão do direito de Dirceu de cumprir a pena em regime domiciliar pelo mensalão e que voltasse ao regime fechado.

Se Dirceu for condenado pela Lava Jato, o ex-ministro corre o risco de ser questionado uma eventual concessão de indulto.

Regras

Pelo texto do decreto publicado ontem, poderá se enquadrar “um condenado a pena privativa de liberdade não superior a oito anos não substituída por restritivas de direitos ou por multa, e não beneficiadas com a suspensão condicional da pena que, até 25 de dezembro de 2015, tenham cumprido um terço da pena, se não reincidentes, ou metade, se reincidentes”. A pessoa poderá ter direito a perdão da pena mesmo se a condenada responder a outro processo criminal.

Políticos condenados pelo Supremo Tribunal Federal devido a envolvimento no escândalo do mensalão ainda cumprem penas:

José Dirceu: ex-ministro da Casa Civil, filiado ao PT

Crimes: Corrupção ativa e formação de quadrilha

Pena: 7 anos e 11 meses

Valdemar Costa Neto: ex-deputado federal (PR)

Crimes: Corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Pena: 7 anos e 10 meses

Roberto Jefferson: ex-deputado federal (PTB)

Crimes: Corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Pena:7 anos e 14 dias

Delúbio Soares: ex-tesoureiro do PT

Crimes: Corrupção ativa e formação de quadrilha

Pena: 6 anos e 8 meses

João Paulo Cunha: deputado federal (PT)

Crimes: Corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro

Pena: 6 anos e 4 meses
Via Claudio Humberto

Irmão de Dirceu diz que ele recebeu de empreiteiras doações, não propinas

Comunicado às empreiteiras.
Gostaria de comunicar aos dadivosos senhores donos de empreiteiras – todas que, por mera coincidência, preferencialmente estejam envolvidas na Lava-Jato – que eu também passo por necessidades. Preciso trocar meu modesto Ford K 2008, por uma Land Roover Evoque, bem como preciso desestressar por uns seis meses em SPAs em Ibiza, na Espanha, e no Lago de Como, na Itália. Também preciso comprar um duplex de cobertura na Av. Beira Mar para instalar meu ateliê de pintura.

Estou carecendo dessas doações. Se algum empreiteiro quiser me fazer doações estou aceitando de bom grado. De preferência em Euro!

Ps. 1 – Também não sou “dinheirista”.
Ps. 2 – Caso queiram fazer a doação, passarei o número da minha conta bancária por email.
Ps. 3 – Doações, dentro de princípios legais, serão bem vindas. Obrigado!
Ps. 4 – Cards Welcome
José Mesquita


Irmão de José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (6). Disse que, depois que foi condenado e preso no caso do mensalão, Dirceu recebeu de empreiteiras envolvidas na Lava Jato “doações”, não propinas.

Luiz Eduardo Oliveira e Silva (centro), irmão do ex-ministro José Dirceu, detido na operação Lava Jato, chega ao IML de Curitiba (PR) para realizar exame de corpo de delito. Luiz Eduardo é sócio de Dirceu na empresa JD Consultoria, investigada por suposto recebimento de propina em contratos da Petrobras Leia mais Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Roberto Podval, advogado do ex-chefão da Casa Civil de Lula, explicou que seu cliente “passava por necessidades”. Não é um personagem “dinheirista”, mas precisa sobreviver.

De acordo com os dados colecionados pela força-tarefa da Lava Jato, a consultoria de Dirceu amealhou entre 2009 e 2014 R$ 29,3 milhões. Desse total, pelo menos R$ 8,6 milhões vieram de empreiteiras fisgadas na Lava Jato.

Empresas como a OAS e a UTC continuaram borrifando verbas na caixa registradora do escritório de Dirceu mesmo depois que ele foi condenado e preso, em novembro de 2013.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O inusitado chamou a atenção dos investigadores e do juiz da Lava jato, Sérgio Moro. Na ordem de prisão que expediu contra Dirceu, o magistrado anotou: “…Não é crível que José Dirceu, condenado por corrupção pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, fosse procurado para prestar serviços de consultoria e intermediação de negócios após 17/12/2012 e inclusive após a sua prisão.”

Moro acrescentou: “Em realidade, parece pouco crível que [Dirceu] fosse procurado até mesmo antes, pelo menos a partir do início do julgamento da Ação Penal 470 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em meados de 2012.

Para Moro, esse tipo de pagamento indica que o objetivo não era o de remunerar uma consultoria ou a intermediação de negócios reais. Buscavam-se “acertos de propinas pendentes por contratos das empreiteiras com a Petrobrás, como admitiu, expressamente, Milton Pascowitch em relação aos contratos da Engevix”, anotou o juiz, referindo-se a um dos delatores cujos depoimentos devolveram Dirceu à prisão.

O doutor Podval, que acompanhou o depoimento do irmão de Dirceu, disse que a JD Consultoria teve os contratos rescindidos depois da prisão de Dirceu. Nessa versão, o irmão Luiz Eduardo não tinha dinheiro “nem para fechar” o escritório.

O advogado repisou: “Ele não pediu propina, ele pediu ajuda. Ele estava em uma situação financeira ruim e pediu ajuda para pessoas com quem já tinha trabalhado. Por isso que houve recebimento quando o Zé [Dirceu] não trabalhava.”

Para Podval, Dirceu e o irmão não fizeram nada ilegal. Ele diz que, excetuando-se os casos em que o dinheiro entrou na forma de “doação”, a JD prestou serviços efetivos de consultoria.

Vale a pena ouvir o advogado: “Vocês podem fazer a crítica que quiser, mas o Zé não é dinheirista. Você vê um delator devolvendo R$ 249 milhões, e o Zé está com o irmão pedindo dinheiro para sobreviver. Aí ele é o chefe da quadrilha? Essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi. Se o chefe da quadrilha precisa pedir dinheiro e o subalterno está devolvendo R$ 249 milhões, esse mundo está maluco.”

Dirceu deve ser inquirido pelos federais na semana que vem. A hipótese de tornar-se um delator, disse Podval, é nula. Ele “morre na cadeia antes de fazer uma delação premiada”. O doutor enalteceu seu cliente: “É só conhecer o Zé. Ele não é um homem que busca enriquecer, ele não é um homem que admite, por sua estrutura e história, fazer uma delação.”

Graças à linha de defesa adotada pelo irmão de Dirceu, o Brasil ficou sabendo da existência de um ser fantástico, jamais visto: o empreiteiro generoso. Uma alma benemérita. Do tipo que doa dinheiro para presidiário. Por pura e casta benemerência.
Blog Josias de Souza

Prisão de Dirceu alimenta ofensiva contra PT e complica mês de Dilma

A prisão do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu (PT) sob a acusação de liderar o esquema de corrupção na Petrobras não foi uma surpresa. Seu nome ronda a Operação Lava Jato desde o início das investigações e seu advogado de defesa, Roberto Podval, esperava que ele fosse preso desde abril.

Dilma Rousseff, Blog do Mesquita 05

Mas a detenção do homem-forte do Governo Lula na volta do recesso parlamentar provoca um fato político que esquenta a ofensiva da oposição para fazer o PT sangrar durante um mês que já prometia ser nebuloso.

Na superfície, o acontecimento não causa consequências práticas ao Planalto: Dirceu já não integra o Governo há uma década, e nem a presidenta Dilma Rousseff nem o ex-presidente Lula estão oficialmente na mira do juiz Sérgio Moro.

Operação recuperou 570 milhões de reais, mas desafia histórico de anulação na Justiça

Sérgio Moro: “Quanto maior o poder, maior a responsabilidade”
Eduardo Cunha cobrou propina de 5 milhões de dólares, diz delator da Lava Jato

Mas na política, muitas vezes, a prática é o de menos. O ex-ministro é um dos nomes mais emblemáticos do PT e seu envolvimento em mais um escândalo (já fora condenado e preso pelo mensalão) é a munição que a oposição – e, em especial, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) – esperavam para retomar as articulações pela abertura de um processo pelo impeachment presidencial e para inflar parte da sociedade civil que, descontente com o Governo, pretende ir às ruas novamente no dia 16, com o apoio do PSDB.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“A prisão de José Dirceu é a faísca. Quem de fato é o alvo agora? Para o Eduardo Cunha e para a ala aecista [ligada ao senador Aécio Neves] do PSDB, o alvo é a Dilma. Para a maior parte da oposição, o alvo é o Lula, que é um nome forte para 2018 e que só agora começa a desmanchar. [A prisão de Dirceu] É um fato político que marca o início de uma ofensiva mais forte sobre o Lula”, avalia o sociólogo e cientista político Rudá Ricci.

O desdobramento disso, porém, também depende de mais um capítulo da Lava Jato: há a expectativa em Brasília de que Cunha seja denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas próximas semanas e, se isso realmente acontecer, seria uma nova reviravolta no cenário, com o enfraquecimento do peemedebista.

Outra infeliz coincidência para o partido governista é a prisão coincidir com a semana em que estreia seu programa institucional em rádio e TV, o que acaba por ofuscar os esforços do partido em recuperar sua imagem e mobilizar sua militância em torno da defesa do Governo Dilma. As acusações do juiz Sergio Moro, da Lava Jato, não só usam adjetivos fortes contra Dirceu como ligam o escândalo atual ao Governo Lula e ao mensalão, a maior crise do partido até então.

Em nota, o PT foi sucinto e nem citou o nome de Dirceu. A sigla negou que “as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção”. Sem mencionar o ex-ministro nem se aprofundar no tema, o texto diz apenas que “todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral”. A defesa pública de Dirceu, um dos maiores nomes da história do PT, também foi tímida. Pela manhã, apenas o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), apareceu para dizer que a prisão dele foi “abuso de poder” da Polícia Federal.

Blindagem do Governo

No Governo, a determinação clara foi fazer contenção de danos e blindar Dilma Rousseff, o que começou a ser posto em prática nas declarações dos ministros que participaram da reunião semanal de coordenação política com a presidenta na manhã desta segunda. “[A prisão de Dirceu] é uma questão de investigação. Todos nós confiamos na presidenta Dilma e em nenhum momento passa por nós nenhuma expectativa que se aproxime dela e de seu Governo”, disse o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.

Coube ao petista Jacques Wagner, da Defesa, tentar separar a crise política da economia, sob ameaça das agências de análise de riscos, que sinalizam que podem retirar a recomendação para investimento no Brasil. “Precisamos ter dois canais paralelos: as investigações seguem e o país também segue com suas empresas funcionando e com a economia funcionando. O ambiente é que a gente tem que tentar melhorar para estimular investidores e a própria economia a crescer”, disse Wagner. Há uma semana, o próprio Planalto estimou que a Lava Jato já provocou um impacto negativo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

A tarefa de evitar que o escândalo respingue na Presidência não é das mais simples. Uma das principais especulações é que Dirceu estaria ressentido por não ter sido defendido publicamente por Lula no auge do caso do mensalão. Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, de junho, o ex-ministro atribuiu à omissão de Lula e Dilma o fato de o PT ter ganhado a pecha de corrupto e disse que estão todos, agora, “no mesmo saco”.

Entre os políticos da base de Rousseff em Brasília, o temor é que algum dos outros presos ligados a Dirceu faça um acordo de colaboração com a Justiça e resolva contar como funcionava o suposto esquema dentro da JD Consultoria e Assessoria, a empresa criada por Dirceu que movimentou quase 40 milhões de reais entre 2006 e 2013. Entre seus clientes estavam empreiteiras investigadas pela Lava Jato. Além do ex-ministro, foram detidos o irmão dele, Luiz Eduardo Oliveira e Silva, sócio na JD, e um ex-assessor chamado Roberto Marques. O cientista político Rudá Ricci, porém, avalia que as chances de que Dirceu revele outros nomes supostamente conectados ao esquema são ínfimas.

Lava-Jato: Ex-companheiros de luta contra ditadura se dividem sobre prisão de Dirceu

Colegas de José Dirceu na luta contra a ditadura militar lamentaram a prisão do petista nesta segunda-feira, em mais uma fase da Operação Lava Jato, mas se dividiram quando o assunto é a confiança na inocência do ex-ministro.

Reproducao
José Dirceu (o segundo em pé, da esquerda para a direita), junto com prisioneiros políticos libertados em troca do embaixador norte-americano em 1969. Vladimir Palmeira está no meio, sentado; sequestro de embaixador teve participação de Venceslau.

Dirceu foi detido preventivamente sob suspeita de usar sua firma de consultoria como meio de obter propinas de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras.

Em 1969, Dirceu estava entre os 15 presos políticos libertados pelo regime militar em troca da liberação do então embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, que havia sido sequestrado por militantes de esquerda.

Um dos participantes do sequestro, o economista Paulo de Tarso Venceslau disse acreditar que o ex-ministro tenha seguido o caminho da corrupção por ambição por poder e enriquecimento.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Para mim, é um momento de profunda tristeza. Fui seu companheiro, temos uma história juntos. Depois rompemos. Ele pegou os caminhos e deu no que deu”, disse Venceslau.

“O poder corrompe. Aquilo tinha uma conotação ideológica, chegar ao poder por meio dos operários, dos movimentos sociais… Com a proximidade do poder em si, as pessoas mudam. Dirceu não resistiu (…) sempre foi ambicioso”, disse.

Já Vladimir Palmeira, ex-líder estudantil que foi libertado junto com Dirceu após o sequestro do embaixador americano, afirmou acreditar que o ex-companheiro de resistência agiu legalmente como consultor, e que sua prisão é um “espetáculo”.

“Recebo a notícia (da prisão) com tristeza porque ele é meu amigo. Em segundo lugar, acho estranho, pois ele já está preso. Prenderam um preso. Sou a favor das investigações da Lava Jato, acho que (o juiz federal Sérgio) Moro está fazendo um trabalho importante, mas me parece que há um certo exagero nas prisões”, criticou Palmeira.

“A prisão preventiva é para (o acusado) não atrapalhar as investigações, mas Dirceu já está preso. Uma coisa é levá-lo para depor em Curitiba, ele é acusado, pode responder. Mas não vejo sentido em decretar nova prisão”, acrescentou.

O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula foi preso após ser condenado em 2012 no julgamento do mensalão. Atualmente cumpre pena em regime domiciliar.

Assim como Dirceu, Palmeira foi líder estudantil durante a ditadura e participou da fundação do PT nos anos 1980. Deixou o partido em 2011 quando a legenda aceitou a refiliação do ex-tesoureiro Delúbio Soares, também considerado culpado no processo do mensalão.

Apesar de reconhecer a existência do esquema de corrupção, Palmeira disse considerar que não há provas do envolvimento do Dirceu no mensalão – e reafirmou a confiança na inocência do ex-ministro em relação às suspeitas da Lava Jato.

“Conversei semana passada com ele e me pareceu tranquilo. Dirceu sempre foi tranquilo nos momentos de adversidade”, observou.

Em entrevista coletiva nesta segunda, Roberto Podval, advogado de Dirceu, afirmou que a prisão do ex-ministro “não tem justificativa jurídica”. Podval disse ainda que a ação foi desnecessária e anunciou que irá recorrer da decisão.

“Acreditar em consultoria é crença em Papai Noel”

Já Venceslau, que também já foi amigo próximo de Dirceu, hoje tem uma visão bem diferente do ex-companheiro.

Após a volta de Dirceu ao Brasil, feita de forma clandestina em 1974, ele chegou a abrigá-lo em sua casa.

Durante o convívio com o companheiro no início dos anos 1980, Venceslau conta que Dirceu costumava relatar o desejo de montar um negócio de consultoria como advogado que lhe rendesse algo como US$ 10 mil por mês, para alcançar autonomia financeira.

Um relatório da Receita Federal produzido por determinação do juiz Sérgio Moro, que julga as denúncias da Lava Jato em primeira instância, revelou que a empresa de Dirceu, a JD Consultoria, recebeu R$ 29,3 milhões entre 2006 e 2013.

Abr
Ex-ministro foi detido sob suspeita de receber propina de empresas envolvidas em esquema de corrupção na Petrobras.

Ao menos quatro empreiteiras sob investigação no esquema de corrupção da Petrobras fizeram pagamentos à empresa do petista – a OAS (R$ 2,99 milhões), a UTC (R$ 2,32 milhão), a Engevix (R$ 1,11 milhão) e a Camargo Corrêa (R$ 900 mil).

“Quem acredita em Papai Noel acredita que ele fez uma consultoria”, ironizou Venceslau.

A defesa do ex-ministro afirma que os serviços de consultoria foram prestados corretamente e que os pagamentos são legais.

“Embrião da corrupção”

O rompimento entre Venceslau e Dirceu ocorreu nos anos 1990, quando o PT foi alvo de denúncias de corrupção em prefeituras no Estado de São Paulo.

Venceslau, que expôs irregularidades que teria detectado quando era secretário de Finanças de São José dos Campos, em 1993, acabou expulso do partido.

Já Palmeira, embora mantenha-se fiel a Dirceu, também afirma que o PT tornou-se corrupto. Após deixar o PT, ele se filiou ao PSB, em 2013.

“Como partido de esquerda o partido (PT) faliu, e terá dificuldade em se manter como um partido qualquer de centro porque está muito envolvido em corrupção. Agora, é um problema geral do sistema político brasileiro. O PT virou um partido igual aos outros”.

PT nega suspeitas

Em nota divulgada nesta segunda, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que o partido “refuta as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção”.

O comunicado diz ainda que “todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral”.
Mariana Schreiber/BBC

Se o juiz Nicolau Lalau ganhou a liberdade, o que Zé Dirceu e o resto da quadrilha estão fazendo na Papuda?

Desta vez, não tem mais como manter os mensaleiros na prisão.Corrupção, Juiz Nicolau,Blog do Mesquita,Ipunidade,Zé Dirceu,Mensalão

Temos de respeitar nossas leis e nos conformar.

O Brasil é assim mesmo, não vai mudar nunca. Se o juiz Nicolau dos Santos Neto já ganhou o alvará de soltura, por haver cumprido 1/6 da pena, ter mais de 60 anos e sofrer de doença grave, o que os mensaleiros estão fazendo na Papuda?

Vamos deixar de lado nossas convicções sobre o que é certo ou errado, vamos aplaudir os corruptos, vamos endeusar Sérgio Cabral, Fernando Henrique Cardoso, Blairo Maggi, Newton Cardoso, José Roberto Arruda, a família Lula com Rosemary e tudo, a família Maluf, a família Perrela, a família Roriz, a família Sarney, a família Jefferson, a família ACM, a família Collor e por aí a fora.

Gente, este país está de cabeça para baixo, Ruy Barbosa era um imbecil e o povo deveria ter eleito Ademar de Barros, aquele do rouba, mas faz.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Até os comunistas são corruptos, o PCdoB é de fazer Marx e Engels se revirarem no túmulo.

O guerrilheiro Genoino virou um farsante que se finge de doente, o militante banido Dirceu tem conta das ilhas Cayman, é amigo de Eike e também está milionário, enquanto o sindicalista Lula agora é codinome Barba, colaborador da ditadura, Bolsonaro que ser candidatar à Presidência da República, a guerrilheira Dilma Rousseff se alia a qualquer pilantra que lhe garanta meia dúzia de votos, a ex-ministra corrupta Erenice Guerra tornou-se uma das mais bem sucedidas lobistas de Brasília, é um nunca-acabar de velhas novidades.

Como dizia o filósofo paulista Silvio Brito, parem o mundo que eu quero descer…

Zé Dirceu e a capa da Veja

Sem entrar no mérito do conteúdo da matéria, a capa da revista Veja com Zé Dirceu, só pode ser ilegítima.

Capa Veja Zé Dirceu Papuda 01

Capa Veja Zé Dirceu Papuda 02

1. Não são permitidas presenças de repórteres no interior de unidades prisionais;

2. Não acredito que Zé Dirceu tenha posado voluntariamente para uma foto a um órgão de imprensa que não satisfeito com sua condenação e prisão ainda deseja seu (dele)fígado;

3. Alguém foi subornado para tirar a foto a serviço da revista;

4. Foram violados os direitos constitucionais do direito da privacidade e direito de imagem, pois o preso não está em espaço público;

5. Já estou de capacete para receber as pauladas dos sectários que têm o ódio sobreposto à lógica e a lei.

Ps. Na foto com legenda a qualidade é nitidamente de foto tirada a partir de celular de baixa resolução. O enquadramento é típico de foto tirada com a máquina não sendo segurada no nível do rosto. Na foto da capa o fotografado está olhando para cima. Se fosse uma foto padrão com pose para reportagem, o fotografado estaria olhando para câmera.


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Doadora protocola no STF interpelação a Gilmar Mendes

Servidora pública Conceição Aparecida Pereira Rezende, 59 anos, pede oficialmente ao STF explicação pelas declarações do ministro Gilmar Mendes, que questionou se as arrecadações financeiras para o pagamento das multas dos condenados do PT na Ação Penal 470 não seriam fruto de “lavagem de dinheiro” ou “dinheiro de corrupção”.

Conceição, que fez doações a José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares, diz ter ficado “indignada”; “Ele não pode sair acusando as pessoas, chamando todo mundo de ladrão, corrupto.

Ele ocupa um cargo muito importante, tem que ter consequências”, disse ao 247; o PT já havia entrado com o mesmo pedido, mas o ministro Luiz Fux arquivou o caso, alegando que se houve ofensa, foi contra os doadores, e não contra o PT; Conceição é a primeira a se apresentar.

“Indignada” com as declarações feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que as ‘vaquinhas’ organizadas para pagar as multas impostas aos condenados do PT na Ação Penal 470 seriam “lavagem de dinheiro” ou “dinheiro de corrupção”, Conceição Aparecida Pereira Rezende, de 59 anos, é a primeira doadora a entrar no Supremo com uma interpelação judicial sobre o caso.

A servidora pública de Minas Gerais quer que o ministro explique judicialmente as acusações que fez.

No início de fevereiro, Gilmar Mendes sugeriu ao Ministério Público que investigasse as campanhas de arrecadações dos petistas.

“Será que essa dinheirama, esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes?

Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui?”, questionou o ministro, que também perguntou se a verba não poderia ser “dinheiro de corrupção”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Passei por todo tipo de indignação [durante o julgamento do ‘mensalão’], como milhares de pessoas. Até culminar agora nas prisões. Protestei contra todos esses abusos. Quando o Gilmar falou em lavagem, corrupção, eu fiquei chocada, e pensei que esse negócio podia não tem fim, mas que dessa vez eu poderia fazer alguma coisa”, contou Conceição, em entrevista ao 247.

Ela disse que manifestava nas redes sociais o interesse em entrar com o pedido no STF, mas não tinha assistência jurídica. Até que recebeu a indicação de um advogado.

“Fique muito satisfeita, escrevi tudo o que eu queria e ele transformou em pauta jurídica”. Com a interpelação, ela quer explicações por parte do ministro. “Ele precisa explicar isso, ele não pode sair acusando as pessoas, foram quase 50 mil pessoas! Eu sou uma militante de rede social, fiquei muito indignada com a forma que ele nos tratou”, completou.

Conceição, que é filiada ao PT e diz ter doado R$ 200 para cada um dos condenados que tiveram uma campanha na internet – José Genoino, Delúbio Soares e José Dirceu – conta que se sentiu uma das pessoas que teriam cometido “corrupção”, de acordo com Gilmar.

“Primeiro condenou todo mundo do PT sem provas, nunca mostrou uma prova de nada, não só ele, mas o Joaquim Barbosa também. As provas que tinham a favor [dos réus] eles esconderam, agora chama a gente – eu me senti uma das chamadas – de corrupto e tudo o mais, tem que explicar de onde ele tirou isso. Ele ocupa um cargo muito importante, tem que ter consequências”, protestou.

O mesmo procedimento jurídico já havia sido apresentado pelo presidente do PT, Rui Falcão, que questionou se Gilmar Mendes tinha provas para fazer as acusações que fez. A interpelação judicial tem como objetivo questionar judicialmente se uma declaração foi ou não ofensiva.

O documento apresentado ao Supremo por Rui Falcão, no entanto, foi arquivado pelo ministro Luiz Fux, que alegou que, se houve ofensa, não ocorreu contra o Partido dos Trabalhadores, mas sim contra os doadores. A atitude de Conceição é uma resposta ao argumento de Fux.
Fonte: Brasil 247

Mensalão e as “peninhas”

Corrupção,Justiça,Mensalão,Blog do MesquitaA verdade que está posta: ao contrário do que muitos imaginam o mensalão não ensinou nada à sociedade brasileira, principalmente a que está no topo da pirâmide, notadamente os que lá chegam em complexos voos de helipópteros, ops! Ato falho, helicópteros, e outras asas não muito recomendáveis.

O mensalão tem ensinado de forma didaticamente perversa muito bem quem são os privilegiados “desses podres poderes”.

Essa geleia de amoralidades cozinhada na sarjeta, e mantida artificialmente sólida pelo cimento da corrupção, concretada na conivência e da omissão dos que se curvam ante a perspectiva de colher migalhas dos conchavos, e lamber as beiradas do prato de sopa no qual é servido o caldo do nepotismo.

Os chefões desse mensalão – sim desse, pois, essa indecência vinda desde a primeira república continua e continuará. Ou algum ingênuo pensa que o balcão de negociatas eleitorais foi exterminado pelo STF? – saíram no lucro com “peninhas” encorajadoras para mostrar que o crime compensa.

Já a ralé da corrupção, Marcos Valério, por exemplo, levou no lombo uma pena de 40 e poucos anos. Não esquecer que Valério foi descoberto pelo Eduardo Azeredo – ainda impune e com o processo mensaleiro do PSDB a caminho da prescrição – seu primeiro usuário no “delubiano” uso dos “recursos não contabilizados”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Por muito menos disso, corruptos e corruptores – esses, os corruptores, penso ser entidades etéreas, pois nunca são vistos, e punidos – em países que não têm a política na sarjeta arcam com penas centenárias, na realidade prisões perpétuas. No mínimo.
Enquanto segue o Baile da Ilha Fiscal, Dirceu e Cia. usufruem do suave sistema punitivo de um recreio continuado apelidado de regime semiaberto.

A pantomima do “julgamento do mensalão” passou longe de uma correção de rota, e evidencia o cínico “é preciso que tudo mude para que tudo continue com está”.
Segue o desfile no sanatório geral – Dr. Simão Bacamarte hoje teria muito trabalho – onde a “zelite” sorve o champanhe da sonegação fiscal, e/ou caviar servido pelas engrenagens beneméritas da elisão fiscal. Um helicóptero sem plano de voo e um trem que não sai do túnel.

A nossa “justiça” é a injustiça nossa de cada dia. Contra os pobres.