William Blake – A resposta da terra

Boa noite.
A resposta da terra
William Blake

A terra levantou sua cabeça
Desde a escuridão pavorosa e triste.
Sua luz voou,
Pétreo terror!
E cobriu seus cabelos com cinzento desespero.
Presa junto a úmida costa,
Ciúmes estrelados guardam meu covil:
Fria e velha,
Chorando,
Escuto ao Pai dos homens antigos.
Egoísta Pai de homens!
Cruel, ciumento, medo egoísta!
Pode o gozo,
Acorrentado na noite,
Dar à luz as virgens da juventude e manhã?
A primavera esconde sua alegria
Quando os casulos e as flores crescem?
O semeador
Semeia pela noite,
Ou o lavrador lavra na escuridão?
Rompe esta pesada corrente
Que rodeia de gelo meus ossos
Egoísta! Inútil!
Eterna praga!
Que ao livre Amor ataste com ataduras.

Fotografia de Talia Chetrit – Hand, 2012

William Blake – Versos na tarde – 26/06/2016

O Preço da experiência
Wlliam Blake¹

Qual é o preço da experiência? Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão.

É fácil triunfar sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça cheia de grão.
É fácil falar de prudência aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem teto,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir diante da ira da natureza
Ouvir o uivo do cão diante da porta no inverno, e o boi a mugir no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo;
Rejubilar-se diante do praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos filhos nos trazem frutas e flores.

Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, bem como o escravo que gira o moinho,
E o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos rompidos deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu não sou assim.

¹William Blake
* Londres, Inglaterra – 28 de Novembro de 1757 d.C
+ Londres, Inglaterra – 12 de Agosto de 1827 d.C

Poeta, pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.


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William Blake – Versos na tarde – 25/03/2016

Conselho
William Blake¹

Veja o mundo num grão de areia,
veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão,
e a eternidade em uma hora de vida!

¹William Blake
* Londres, Inglaterra – 28 de Novembro de 1757 d.C
+ Londres, Inglaterra – 12 de Agosto de 1827 d.C

Poeta, pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.

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William Blake – Versos na tarde – 06/06/2015

Das Canções da Inocência
Introdução
William Blake ¹

Tocando uma flauta no vale selvagem
Tocando canções doces e alegres
Vi uma criança surgir nas nuvens,
E ela me disse a sorrir,
“Toque aquela do cordeiro”;
Então toquei com alegria;
“Toque, por favor, a canção de novo” –
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.
“Largue a flauta, tua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção
Enquanto ela chorou deliciada ao ouvir.
“Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam” –
Então ela desapareceu”.
E eu catei um junco oco,
E fiz uma caneta rústica,
E Mergulhei-a nas águas claras
Para escrever as felizes canções
Que toda criança adora ouvir.

¹ William Blake
* Londres, Inglaterra – 28 de Novembro de 1757 d.C
+ Londres, Inglaterra – 12 de Agosto de 1827 d.C


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William Blake – Versos na tarde – 08/06/2014

A resposta da terra
William Blake ¹

A terra levantou sua cabeça
Desde a escuridão pavorosa e triste.
Sua luz voou,
Pétreo terror!
E cobriu seus cabelos com cinzento desespero.
“Presa junto a úmida costa,
Ciúmes estrelados guardam meu covil:
Fria e velha,
Chorando,
Escuto ao Pai dos homens antigos.
Egoísta Pai de homens!
Cruel, ciumento, medo egoísta!
Pode o gozo,
Acorrentado na noite,
Dar à luz as virgens da juventude e manhã?
A primavera esconde sua alegria
Quando os casulos e as flores crescem?
O semeador
Semeia pela noite,
Ou o lavrador lavra na escuridão?
Rompe esta pesada corrente
Que rodeia de gelo meus ossos
Egoísta! Inútil!
Eterna praga!
Que ao livre Amor ataste com ataduras.”

William Blake ¹
* Londres, Inglaterra – 28 de Novembro de 1757 d.C
+ Londres, Inglaterra – 12 de Agosto de 1827 d.C


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