Eleições USA – Trump, Hillary e os Bilderbergs

Os Bilderbergs não querem o Trumputo eleito. Aí através da mídia, que eles controlam, inventaram essa falácia de que ele é racista, homofóbico, xenófobo, machista, sexista, misógino, etc e tal…

Isso tudo é falácia disseminada pela mídia; ele nunca deu nenhuma declaração racista, homofóbica, xenófoba, sexista, etc…[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O que ele disse, por exemplo, é que irá deportar os imigrantes ilegais, e os mexicanos criminosos; ai a mídia diz que ele é xenófobo!? Totalmente falso!

Se a pessoa se der ao trabalho de ver e ouvir os comícios dele, saberá que o que ele tem falado é o apoio às políticas de defesas dos direitos individuais, apoio à soberania nacional, etc… Tudo que ele tem apoiado vai contra o plano dos Bilderbergs e essas políticas neo-liberais.

Mas se a pessoa ficar somente “presa” dentro da bolha da mídia tradicional vai ser manipulada para acreditar numa coisa que não é verdade.

A mídia tradicional morreu. E esse ciclo eleitoral nos US terminou de enterrar. Ninguém acredita mais neles. Ninguém está acessando. Todo mundo migrou para a mídia alternativa que está batendo recordes de audiência e acessos.

Apenas 6% dos americanos confiam na “grande-mídia”, CNN, BBC, Washington Post, Wall Street Journal, Time, The Economist, etc…

Por exemplo; o Financial Time e a The Economist são propriedade dos Rothschild, que são os cabeças dos Bilderbergs.

EUA querem confisco de US$1 bi em investigação de empresas de telecomunicação, diz jornal

Indenização,USA,Blog do MesquitaAutoridades dos Estados Unidos estão pedindo a contrapartes na Europa para confiscar cerca de 1 bilhão de dólares em ativos relativos a uma investigação que envolve três companhias de telecomunicação e intermediárias próximas à filha do presidente do Uzbequistão, publicou o Wall Street Journal nesta sexta-feira.

As Vimpelcom, Mobile TeleSystems (MTS) e TeliaSonera AB estão sob investigação do Departamento de Justiça norte-americano e da Securities and Exchange Comission (SEC), órgão regulador dos mercados dos EUA, assim como por outras autoridades na Europa.

Os promotores norte-americanos estão investigando pagamentos que eles acreditam terem sido feitos a empresas controladas por Gulnara Karimova, filha do presidente Islam Karimov, em um esforço para garantir frequências sem fio seguras e outros negócios no Uzbequistão, noticiou o jornal, citando documentos judiciais e pessoas com conhecimento direto do caso. (on.wsj.com/1NtnfcM)<hr/>[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

A Reuters não conseguiu encontrar Karimova para comentários. Nenhum indivíduo ou companhia foi acusada como parte das investigações

A MTS, maior operadora de telefonia móvel da Rússia, se recusou a comentar o caso. A Vimpelcom, com sede em Amsterdã, com ativos na Rússia, Itália e vários outros mercados emergentes, recusou comentários imediatos. A companhia já havia dito estar cooperando com as autoridades.

Um porta-voz da sueca TeliaSonera disse que a companhia está cooperando com as autoridades e não comentaria a reportagem.

O Departamento de Justiça e a SEC dos Estados Unidos não estavam imediatamente disponíveis para comentários.
Reuters

Brasil: A chantagem da mídia econômica internacional

Economia,Brasil, Blog do MesquitaNa segunda 7 de abril, o jornal O Globo repercutiu um texto do jornal britânico Financial Times (FT) onde esta publicação dá “sentença de morte” para o modelo econômico brasileiro.

Quem acompanha meus artigos neste blog há quase nove anos sabe o quanto sou crítico do governo de coalizão, incluindo o modelo de Bismarckismo Tropical, onde o governo federal se associa aos capitais oligopolistas, favorecendo campeões nacionais e seus pares estrangeiros.

Ressalto que minha crítica por esquerda não tem relação com este mecanismo de chantagem e criação de factóides oriundas do centro do capitalismo e em particular da retro-alimentação do cassino financeiro.

O último ataque contra a economia brasileira tem origem na nota rebaixada da agência de análise de risco Standard & Poor’s (S&Ps), passando o país de BBB para BBB-.

A previsão de longo prazo desta agência indica certa “instabilidade”, mas ainda não retira o grau de investimento (investment grade).

Por incrível que pareça, a recomendação desta empresa privada condiciona a compra dos papeis da dívida pública brasileira, porque os grandes fundos globais têm nas suas regras de funcionamento tal avaliação prévia terceirizada.

Se a agência não recomendar a compra, os gerentes de operações e analistas não podem comprar títulos de um país, o que resulta numa rebaixa violenta.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O chamado “efeito de manada” pode começar numa venda combinada – como foi o caso da Grécia – ou então numa nota rebaixada.

Parece piada, mas é farsa. A S&Ps deu nota AAA (máxima) para a fraudulenta Enron (antes da empresa de energia falir) e para os bancos de investimento Lehman Brothers e Bear Stern – co-responsáveis pela bolha financeira – semanas antes da quebradeira de 2008.

Somente este dado já seria o suficiente para colocar em dúvida a lisura destas agências e o mecanismo de análise.

Para piorar, tanto o FT como o The Economist e o Wall Street Journal (do “impoluto” Rupert Murdoch) tomam como fontes autorizadas, a operadores da jogatina global igualmente cúmplices pela bolha e a crise subseqüente de 2008.

Ora, quando uma matéria toma como fato gerador um índice duvidoso e ouve apenas especialistas diretamente interessados no tema, o texto fica no mínimo sob suspeita.

A suspeição se confirma quando aplicam o recurso do sujeito oculto, ouvindo “o mercado” ou consultando “a maioria dos economistas” para confirmar o argumento central.

Isto é uma chantagem, tentando condicionar a decisões soberanas do Brasil diante dos especuladores globais.
¹ Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de ciência política.
(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com)

Internet e Jornais: quem está ganhando a disputa?

O Brasil ganhou a copa do mundo e futebol num domingo e ficamos sabendo na quarta feira.

Esse era o mundo pré internet.

Sempre que um novo meio de comunicação surge, decreta-se o fim dos anteriores.

Um grupo de investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, que defende que a era da Internet apenas contribuiu para acentuar uma tendência que já se vinha desenhando há décadas.

Para a análise, compilaram dados relativos à imprensa escrita no país durante os últimos três séculos, disponibilizando a informação através de um mapa interativo que permite aos internautas observar a evolução do número de publicações nas várias zonas do país.

A história, essa senhora implacável, nos ensina que não é bem assim.
O Editor


Reportagem de Márcia de Chiara, O Estado de São Paulo de quarta-feira, focalizou com nitidez os debates e opiniões que marcaram o Seminário de Circulação promovido pela Federação Nacional dos Jornais na capital paulista.

Reuniram-se Valter Matos Júnior, vice-presidente da FENARJ, proprietário do Grupo Lance, Marcelo Moraes, do Infoglobo, Antonio Teixeira Mendes, da Folha de São Paulo, Eduardo Sirotsky, Zero Hora de Porto Alegre e da TV RBS, e Sílvio Genesini, de O Estado de São Paulo.

Apesar de empolgados com o crescimento das vendas de jornais, da ordem de 5%, no primeiro semestre de 2011, e também com o aumento do número de computadores de 15 para 20% dos domicílios, como informou recentemente o Ibope, não chegaram a nenhuma conclusão.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nem poderiam.

Primeiro colocaram em discussão a hipótese de os jornais cobrarem pelo acesso dos internautas a seus conteúdos.

Um desastre onde tal sistema foi colocado em prática.

Os debatedores concluíram que, depois de navegarem de graça nas páginas do amanhã, os que procuram se antecipar à alvorada dos fatos não têm condições psicológicas de aderirem a um desembolso.

Em segundo lugar, aí a minha opinião, a cobrança não é fácil e implica em vários problemas. Um deles a retração natural pelo uso do cartão de crédito.

Mas não é somente isso.

Foram relatadas experiências em alguns jornais do mundo, negativas, exceto publicações como a do Wall Street Journal, de Murdoch, quando pelas manhãs em Nova Iorque acompanham as oscilações da Bolsa de Valores e do mercado de cambio. Mas neste caso a audiência pessoal é numericamente reduzida e bastante profissional.

O site mais acessado do Brasil, o UOL, Folha de São Paulo, 600 mil acessos por dia, entre nós domina este campo de informação.

Restrito aos assinantes do jornal, não cobra pelos toques. Porém a questão não é apenas essa. É que a abertura dos sites acarreta um efeito decisivo: quanto maior for, mais volumosa será a comercialização publicitária.

O New York Times tentou a cobrança, colocou-a em prática, mas não está dando certo. Tanto assim que a receita do jornal vem 40% da circulação (venda nas bancas e assinaturas), 39% da publicidade impressa, 14 da publicidade digital.

E, pelo que se conclui, 7% dos acessos.

Não compensa.

Porque, quanto maior for o número de acessos, mais ampla será também a publicidade no espaço aberto pelas telas.

Portanto forçar o mercado de um lado, para expandir receita, conduz à sua retração de outro.

Encolhe. Todos esses pontos comprovam a inevitável convergência que acentuei no título.

Vejam só: em 2010, a publicidade injetada nos meios de comunicação brasileiros atingiu cerca de 40 bilhões de reais. A televisão absorveu 25 bilhões, os jornais e revistas 9,4 bilhões, as emissoras de rádio 3 bilhões e a publicidade pela Internet 2,6 bilhões de reais. Mas a publicidade comercial, quer dizer os anúncios, não o pagamento pelo acesso.

O volume geral das mensagens pagas em 2010 elevou-se na escala de 10% em relação ao de 2009. No mesmo espaço de tempo, a nossa população avançou apenas 1,2%, segundo o IBGE.

O crescimento do espaço de publicidade evidenciou-se sem a cobrança pela visão dos conteúdos jornalísticos.

Assim, penso, é legítimo concluir que os novos horizontes da comunicação, seja no Brasil, seja no mundo, é a convergência entre os meios.

Quanto às mensagens comerciais também.

Mas relativamente às mensagens livremente informativas e opinativas, não.

Pois se fossem idênticas como a publicidade, estaríamos caminhando para um cenário único. E não é nada disso.

Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Lula deixará ao sucessor moeda mais valorizada do mundo segundo o Wall Street Journal

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Jornais europeus discutem qual será papel de Lula no próximo governo

Uma reportagem publicada neste sábado no site do jornal americano Wall Street Journal afirma que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai herdar a moeda “mais valorizada do mundo”.

“Época de eleições no Brasil costumava ser de preocupações sobre se a moeda nacional, historicamente fraca, iria desabar”, escreve o jornalista John Lyons no site do Wall Street Journal.

“Desta vez, as autoridades estão enfrentando um problema diferente: a moeda está tão forte que eles temem que isso vai prejudicar o boom da economia do país, liderado pelas exportações.”

O jornal americano destaca que desde o final do ano passado o real já se valorizou mais de 30% diante do dólar, o que fez a consultoria Goldman Sachs apelidar a moeda brasileira de “a mais valorizada do mundo”.

O jornal fala dos riscos de “desindustrialização” do país, com o forte impacto da moeda sobre o setor produtivo.

“A valorização [do real] está rapidamente se tornando uma difícil tarefa para o próximo presidente”, afirma o Wall Street Journal.

Futuro de Lula

A eleição brasileira foi tema de reportagem da edição de fim de semana do jornal britânico Financial Times.

Na reportagem, os correspondentes do jornal Jonathan Wheatley e John Paul Rathbone escrevem que o papel de Lula no próximo governo, seja qual for o vencedor nas eleições de domingo, ainda não foi definido, mas que o presidente brasileiro “certamente quer proteger o legado” da sua gestão.

Segundo o jornal, nas últimas semanas, Lula sinalizou que vai indicar ao seu sucessor “os problemas com os quais ele não conseguiu lidar”.

No caso de uma vitória da sua candidata, Dilma Rousseff, “é pouco provável que Lula tente dirigir o país sentado no banco de trás, como Néstor Kirchner fez na Argentina”, escreve o jornal.

“Mas ainda assim ele pode ser uma grande influência [em um eventual governo Dilma].”

O jornal espanhol El País afirma que Dilma Rousseff “voa para a Presidência graças ao carisma de Lula”.

A reportagem de Juan Arias afirma que a candidata deve muito do seu bom desempenho nas pesquisas ao presidente brasileiro, seu “tutor e criador”.

“Isso quer dizer que quem vai continuar governando, ainda que na sombra, será Lula? Esta é a grande incógnita”, escreve o El País.

Caso seja eleita, Dilma “terá que demonstrar que é mais do que uma invenção do líder mais carismático que o Brasil já teve”, afirma o jornal espanhol.

BBC

Internet ultrapassa TV em faturamento publicitário na Inglaterra

No primeiro semestre deste ano, a publicidade na web cresceu 4,6% e alcançou 23,5% de participação no mercado inglês, ante os 21,9% da televisão.

A venda de publicidade na internet no primeiro semestre ultrapassou a de TV pela primeira vez no Reino Unido, de acordo com levantamento da Princiwaterhouse Coopers e da Internet Advertising Bureau, entidade que representa as empresas do setor, informou o Wall Street Journal.

O crescimento na comercialização publicitária para a rede mundial de computadores foi de 4,6% no período, alcançando 1,75 bilhão de libras (2,78 bilhões de dólares), o que representou uma participação de 23,5% no faturamento publicitário inglês.

A publicidade em TV caiu 16,1%, para 1,64 bilhão de libras. O meio ocupa, agora, o segundo lugar em participação no mercado, com 21,9%, na comparação com o ano passado.

IDG Now!

Como salvar os jornais

Com o avanço da internet e principalmente dos blogs, os paquidérmicos jornalões, lerdos na divulgação dos fatos, começam a mostrar que estão ficando superados.

A agilidade necessária para acompanhar um mundo cada vez mais tecnológico, não encontra guarida no lento processo de produção de notícias impressas. A notícia surge em tempo real, na internet e principalmente nos celulares. Afinal, o celular é o único aparelho que passa 24 horas com o usuário.

Ninguém fica o tempo todo diante da TV nem do computador, mas porta o celular dia e noite. Milhares de amadores estão atentos para produzir conteúdo através das câmeras cada vez mais sofisticadas dos celulares. Daí a busca incessante para atingir o leitor através da telinha dos aparelhos que, eventualmente, servem para telefonar.

Alguns estudiosos se aprofundam na análise do problema.

O editor

Como salvar os jornais (e o jornalismo)

Walter Isaacson¹ – Estadão

Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres.

Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi – até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem.

O problema é que um número cada vez menor de leitores está pagando pelo que lê. As organizações jornalísticas estão distribuindo gratuita e alegremente as suas notícias. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew, no ano passado houve uma virada marcante: nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo. Quem pode se espantar com isso? Até mesmo eu, um antigo viciado em publicações impressas, deixei de assinar o New York Times, porque se o jornal não acha justo cobrar pelo acesso ao seu conteúdo, eu me sentiria um tolo pagando por ele.

Esse modelo comercial não faz sentido. Talvez esse sistema tenha dado a impressão de fazer sentido quando a publicidade eletrônica estava prosperando e qualquer editor parcialmente consciente podia fingir fazer parte do clã que “compreendia” as mudanças da época ao entoar o mantra de que “o futuro” estava na publicidade na internet. Mas quando a publicidade eletrônica entrou em declínio no último trimestre de 2008, o futuro do jornalismo parecia ser gratuito assim como um penhasco íngreme é o futuro de um bando de lemingues.

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Judeus, Palestinos e Hitler

A equilibrada e racional reflexão de um historiador e jornalista brasileiro sobre o conflito no Oriente Médio. Marcos Guterman, no artigo reproduzido abaixo, não poupa os radicais de ambos os lados.

A Hitler o que é de Hitler
por Marcos Guterman¹Blog O Estado de São Paulo

Guerras, por definição, sinalizam rupturas. Enquanto a diplomacia oferece portas de saída, o conflito armado só se justifica pela decisão de destruir o inimigo e aquilo que ele representa. E a destruição não pode ser apenas militar ou material; ela tem de se dar também, e sobretudo, no campo moral. O conflito que simboliza melhor esse conceito é a Segunda Guerra Mundial, que passou à história como a luta contra o mal absoluto, resumido no nazismo. Hitler e sua ideologia insana tornaram-se paradigmas daquilo que deve ser combatido sem trégua e sem quartel, em nome da humanidade. Por isso, mesmo passadas seis décadas do fim do conflito, o nazismo continua sendo a referência mais implacável que alguém pode usar quando pretende desqualificar completamente seu inimigo no campo de batalha da opinião pública e da justificativa moral. O caso da presente guerra entre Israel e Hamas mostra justamente os exageros dessa retórica.

Em artigo publicado no Wall Street Journal, o líder da oposição israelense Benjamin Netanyahu comparou os ataques do Hamas no sul de Israel à blitz aérea promovida pela Alemanha de Hitler contra Londres. Já do lado palestino, Mustafa Barghouti escreveu um texto no jornal egípcio Al-Ahram, a respeito da ofensiva israelense, cujo título é “A Guernica dos palestinos”, em referência ao dramático bombardeio nazista contra essa cidade espanhola em 1937.

Trata-se de um óbvio exagero, de ambos os lados, e é um exagero calculado. Ao igualar os palestinos aos nazistas, Netanyahu simplifica grosseiramente o quadro com o objetivo de invocar, no imaginário israelense, o pesadelo da “solução final”. Não é possível, em qualquer sentido, dar pesos semelhantes às forças nazistas e ao limitado poder de fogo do Hamas, ainda que este, a exemplo de Hitler, tenha como objetivo eliminar os judeus. Netanyahu, além disso, se esquece de informar que os palestinos vivem em situação de desespero – que gera grandes ressentimentos – em parte como resultado das ações brutais e dos erros de Israel ao longo de mais de 40 anos de ocupação, com laivos de apartheid.

Barghouti, por sua vez, recorre à velha fórmula anti-semita de comparar os israelenses aos nazistas. É uma fórmula de duplo objetivo, ambos perversos. Primeiro, iguala a vítima ao seu maior algoz, um algoz que reduziu a população judaica na Europa de 9,5 milhões para 3,5 milhões de seres humanos em menos de dez anos. Ele poderia ter comparado os israelenses aos americanos, por exemplo, mas isso não teria o efeito desejado, qual seja, o de ligar os judeus ao mal absoluto. O segundo objetivo da fórmula é diminuir a importância e a singularidade do Holocausto, para então adaptar a impactante imagem do extermínio em massa perpetrado pelos nazistas a qualquer outra circunstância conveniente – por exemplo, a morte de palestinos por israelenses.

A retórica que Netanyahu e Barghouti aplicaram, em lugar de explicar o conflito, obscurece ainda mais o já complicado quadro das tensões no Oriente Médio. Argumentos desse tipo podem até fazer um grande sucesso entre gente oportunista e panfletária – um bom exemplo foi a grosseira nota em que o PT acusou os israelenses de “prática típica do Exército nazista” -, mas eles definitivamente não ajudam a entender a crise nem muito menos a construir pontes para sua superação. Para o bem do debate, deixemos a Hitler o que é de Hitler.

¹Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo

Viva a imprensa livre

Em artigo contundente, o escritor Fernando Veríssimo, com a ironia dos acostumados à dialética, desnuda os subterrâneos da Guerra do Iraque e comenta a posição da imprensa dos Estados Unidos.

Do blog do Noblat
Por Luiz Fernando Veríssimo

A imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McClellan, que foi porta-voz da Presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou – muitas vezes enganado também, diz ele agora – do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu, e cujo custo em vidas humanas continua a subir.

A imprensa americana está comentando menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McLellan tinha dito antes: a sua cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McLellan descreve uma imprensa subserviente que raramente questionava as mentiras do governo e, com poucas exceções, aceitava todas as razões da direita guerreira.

O próprio “New York Times“, besta negra dos conservadores americanos com sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas matérias de primeira página em que sua super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre armas de destruição em massa do Saddam. O “Times” depois pediu desculpas aos seus leitores mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. McLellan chama a atitude da maior parte da imprensa com relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de “reverencial”.

Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por “liberais”, o fato é que – de novo, com exceções – a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reacionários como o “Wall Street Journal” preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.

Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCain com religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleans pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. Double standards é o termo em inglês para dois pesos e duas medidas.

Como diria o Ancelmo Gois, deve ser horrível viver num país em que a imprensa age assim.