Os mercados financeiros ficaram fora de sintonia com a economia.

Uma lacuna perigosa;
O mercado X a economia real

A história do mercado de ações está repleta de drama: o acidente de 1929; Segunda-feira negra de 1987, quando os preços das ações perderam 20% em um dia; a mania das pontocom em 1999. Com esses precedentes, nada deve surpreender, mas as últimas oito semanas foram notáveis, no entanto.

A liquidação estressante das ações foi seguida por uma manifestação delirante na América. Entre 19 de fevereiro e 23 de março, o índice s & p 500 perdeu um terço de seu valor. Com apenas uma pausa, desde então disparou, recuperando mais da metade de sua perda. O catalisador foi a notícia de que o Federal Reserve compraria títulos corporativos, ajudando grandes empresas a financiar suas dívidas. Os investidores passaram do pânico ao otimismo sem perder o ritmo.

Essa visão otimista de Wall Street deve deixá-lo desconfortável (consulte o artigo). Contrasta com os mercados em outros lugares. As ações na Grã-Bretanha e na Europa continental, por exemplo, se recuperaram mais lentamente. E é um mundo longe da vida na Main Street. Mesmo quando o bloqueio diminui nos EUA, o golpe para os empregos tem sido selvagem, com o desemprego subindo de 4% para cerca de 16%, a taxa mais alta desde que os registros começaram em 1948. Enquanto as ações das grandes empresas disparam e recebem ajuda do Fed, pequenas empresas estão lutando para conseguir dinheiro com o tio Sam.


As feridas da crise financeira de 2007-09 estão sendo reabertas. “Esta é a segunda vez que pagamos a fiança”, resmungou Joe Biden, candidato democrata à presidência, no mês passado. A batalha sobre quem paga pelos encargos fiscais da pandemia está apenas começando. Na trajetória atual, é provável que haja uma reação contra as grandes empresas.

Comece com eventos nos mercados. Grande parte do clima melhorado se deve ao Fed, que agiu de forma mais dramática do que outros bancos centrais, comprando ativos em uma escala inimaginável. Ele está comprometido em comprar ainda mais dívidas corporativas, incluindo títulos “lixo” de alto rendimento.

O mercado de novas emissões de títulos corporativos, que congelou em fevereiro, reabriu em estilo espetacular. As empresas emitiram US $ 560 bilhões em títulos nas últimas seis semanas, o dobro do nível normal. Até empresas de cruzeiros encalhadas conseguiram angariar dinheiro, embora a um preço alto. Uma cascata de falências em grandes empresas foi antecipada. O banco central, na verdade, deteve o fluxo de caixa da America Inc. O mercado de ações pegou a dica e subiu.

O Fed tem pouca escolha – uma corrida no mercado de títulos corporativos pioraria uma profunda recessão. Os investidores aplaudiram ao acumular ações. Eles não têm outro lugar bom para colocar seu dinheiro. Os rendimentos dos títulos do governo são pouco positivos nos Estados Unidos. Eles são negativos no Japão e em grande parte da Europa. Você tem a garantia de perder dinheiro mantendo-os até o vencimento e, se a inflação subir, as perdas serão dolorosas.

Portanto, as ações são atraentes. No final de março, os preços haviam caído o suficiente para tentar o tipo mais corajoso. Eles se firmaram com a observação de que grande parte do valor da bolsa de valores está atrelada a lucros que serão obtidos muito tempo depois da queda da covid-19 ter dado lugar à recuperação.

Notavelmente, porém, o recente aumento nos preços das ações tem sido desigual. Mesmo antes da pandemia, o mercado estava desequilibrado e se tornou cada vez mais. Os cursos na Grã-Bretanha e na Europa continental, repletos de indústrias problemáticas, como fabricação de automóveis, bancos e energia, ficaram para trás e há um renovado nervosismo sobre a moeda única (ver artigo).

Nos EUA, os investidores confiam ainda mais em um pequeno grupo de queridinhos da tecnologia – Alphabet, Amazon, Apple, Facebook e Microsoft – que agora representam um quinto do índice s & p 500. Há pouca euforia, apenas um alcance desesperador para um punhado de empresas consideradas sobreviventes a qualquer tempo.

Em um nível, isso faz sentido. Os gerentes de ativos precisam colocar dinheiro para funcionar da melhor maneira possível. Mas há algo errado com a rapidez com que os preços das ações mudaram e para onde voltaram. As ações americanas estão agora mais altas do que em agosto. Isso parece implicar que o comércio e a economia em geral possam voltar aos negócios como de costume. Existem inúmeras ameaças a essa perspectiva, mas três se destacam.

O primeiro é o risco de um tremor secundário. É perfeitamente possível que ocorra uma segunda onda de infecções. E também há as conseqüências de uma forte recessão – o PIB americano deverá cair cerca de 10% no segundo trimestre em comparação com o ano anterior. Muitos chefes individuais esperam que o implacável corte de custos ajude a proteger suas margens e a pagar as dívidas acumuladas durante a licença. Mas, em conjunto, essa austeridade corporativa diminuirá a demanda. O resultado provável é uma economia de 90%, muito abaixo dos níveis normais.

Um segundo risco a ser enfrentado é a fraude. Booms prolongados tendem a encorajar comportamento instável, e a expansão antes do acidente foi a mais longa já registrada. Anos de dinheiro barato e engenharia financeira significam que agora as desvantagens contábeis podem ser reveladas. Já houve dois escândalos notáveis ​​na Ásia nas últimas semanas, no Luckin Coffee, um aspirante a chinês da Starbucks, e Hin Leong, um comerciante de energia de Cingapura que esconde perdas gigantescas (veja o artigo). Uma grande fraude ou colapso corporativo na América pode abalar a confiança dos mercados, assim como o fim da Enron destruiu os nervos dos investidores em 2001 e o Lehman Brothers liderou o mercado de ações em 2008.

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Proibição de viagens na Europa por Trump é confundida com raiva

Grã-Bretanha e Irlanda não foram incluídas na proibição.

Lideres da União Européia condenaram a proibição. A Itália está trancada e o NBA suspendeu sua temporada.

A Europa luta para entender a proibição de viagens nos EUA, à medida que mais países adicionam restrições.

Nos dois lados do Atlântico, na quinta-feira, as consequências da decisão do presidente Trump de proibir a maioria das viagens da Europa começaram a ser sentidas econômica, política e socialmente.

A Comissão Européia, órgão governante da União Européia, emitiu uma declaração contundente condenando a ação.

“O coronavírus é uma crise global, não se limita a qualquer continente e requer cooperação e não ação unilateral”, afirmou. “A União Europeia desaprova o fato de que a decisão dos EUA de impor uma proibição de viagem foi tomada unilateralmente e sem consulta.”

As restrições se aplicam apenas aos 26 países da zona de viagens livres de Shengen do bloco e não parecem estar vinculadas à gravidade dos surtos em países individuais. .

Dezenas de milhares de americanos na Europa se esforçaram para descobrir o que precisavam fazer antes que a proibição de viagem de 30 dias entre em vigor na sexta-feira, muitos pouco claros sobre o escopo da proibição e temiam que seus vôos para casa fossem cancelados. E companhias aéreas, hotéis e dezenas de outras indústrias – muitas das quais já sofreram com as restrições impostas para retardar a propagação do vírus – preparadas para quedas ainda mais acentuadas.

Em todo o continente, as notícias foram recebidas com confusão, raiva e ceticismo, mesmo quando muitas nações européias passaram a restringir suas próprias restrições ao movimento de pessoas dentro e fora de suas fronteiras.

Um terminal quase vazio no Aeroporto Internacional de Los Angeles na quarta-feira (…) Lucy Nicholson / Reuters

A Itália, que já estava confinada, fechou as portas ainda mais e na quinta-feira de manhã, já que praticamente os únicos locais públicos ainda abertos a seus 60 milhões de cidadãos eram supermercados e instalações médicas.

Na União Européia – onde a livre circulação de pessoas entre os estados membros é considerada uma das principais conquistas da ordem pós-Segunda Guerra Mundial – a República Tcheca se juntou na quinta-feira a outras nações ao anunciar novos postos de controle fronteiriços.

Fora da Europa, a luta contra o vírus também ganhou intensidade, com a Índia se juntando à crescente lista de países que impõe limites drásticos de viagem.

Se o vírus parecia uma ameaça distante para muitos americanos, as notícias de que o ator Tom Hanks e sua esposa haviam testado positivo pareciam abalar essa noção. E a batida constante de más notícias de Wall Street apenas aumentou a ansiedade.

Um após o outro, os países anunciaram na quarta-feira planos para gastar dezenas de bilhões para combater o vírus e as conseqüências econômicas que está causando. Mas as medidas pouco ajudaram a aliviar as preocupações dos investidores, com os mercados asiático e europeu sendo negociados acentuadamente mais baixos na quinta-feira.

O Congresso deve votar um pacote abrangente de ajuda para pessoas afetadas financeiramente pelo coronavírus.

Atrasos nos testes nos Estados Unidos tornaram difícil obter uma noção completa da escala do surto ali. Porém, os estados estão cada vez mais tomando conta das suas próprias mãos, declarando estados de emergência, cancelando as aulas de escolas e universidades, limitando o tamanho das reuniões e ordenando o isolamento de milhares de pessoas com potencial exposição ao vírus.

Embora a Organização Mundial da Saúde tenha declarado a propagação global do vírus uma pandemia, seus líderes instaram os países a não desistir da contenção. Eles alertaram que a disseminação descontrolada do vírus poderia sobrecarregar os sistemas de saúde, mesmo nas sociedades mais ricas, apresentando escolhas desconfortáveis ​​sobre quem tratar primeiro.

Esses perigos estavam sendo levados para casa pela crise em curso na Itália, que registrou mais de 12.000 casos e 827 mortes.

Giorgio Gori, prefeito de Bergamo, uma cidade da Lombardia, escreveu no Twitter que as unidades de terapia intensiva ficaram tão sobrecarregadas que “os pacientes que não podem ser tratados são deixados para morrer”. Ele acrescentou em uma entrevista que os médicos estavam sendo forçados a amortizar aqueles com “menores chances de sobrevivência”.

O presidente Trump diz que é necessário restringir as viagens da Europa.
O presidente, sentado atrás da mesa resoluta com os braços cruzados, finalmente pareceu reconhecer a gravidade do vírus, chamando-o de “infecção horrível” e dizendo que os americanos deveriam reduzir as viagens desnecessárias.

O presidente Trump disse na noite de quarta-feira que estava suspendendo a maioria das viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias, começando na sexta-feira, para conter a propagação do coronavírus. As restrições não se aplicam à Grã-Bretanha, disse ele.

Trump impôs uma proibição de 30 dias a estrangeiros que, nas duas semanas anteriores, estiveram nos 26 países que compõem o espaço Schengen da União Europeia. Os limites, que entrarão em vigor na sexta-feira à meia-noite, isentarão cidadãos americanos e residentes legais permanentes e suas famílias, embora possam ser canalizados para determinados aeroportos para uma triagem aprimorada.

Mais tarde na quarta-feira, o Departamento de Estado emitiu um comunicado dizendo aos americanos para “reconsiderarem as viagens” para todos os países por causa dos efeitos globais do coronavírus. É o segundo conselho mais forte do departamento, por trás de “não viaje”.

Falando do Oval Office, Trump também disse que as empresas de seguros de saúde concordaram em estender a cobertura para cobrir os tratamentos contra o coronavírus e renunciar a pagamentos relacionados.

O presidente disse que em breve anunciará uma ação de emergência para fornecer ajuda financeira aos trabalhadores que adoecem ou precisam ficar em quarentena. Ele disse que pedirá ao Congresso que tome medidas legislativas para estender esse alívio, mas não detalhou o que seria. Ele disse que instruiria o Departamento do Tesouro a “adiar pagamentos de impostos sem juros ou multas para certos indivíduos e empresas impactadas negativamente”.

Isso sinalizou uma quebra da atitude de negócios como de costume que ele tentava projetar na terça-feira, quando instou os americanos a “manter a calma” e disse que o vírus logo desapareceria. Mas Trump continuou a antecipar um fim rápido do surto, mesmo quando especialistas médicos alertaram que a pandemia pioraria.

“Isso não é uma crise financeira”, disse ele. “Este é apenas um momento temporário que venceremos como nação e mundo.”

Esta é uma pandemia global, diz a OMS

Líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) declararam pandemia de surto de coronavírus na quarta-feira. … Fabrice Coffrini / Agence France-Presse – Getty Images

A disseminação do coronavírus em mais de 100 países agora se qualifica como uma pandemia global, disseram autoridades da Organização Mundial da Saúde na quarta-feira, confirmando o que muitos epidemiologistas vêm dizendo há semanas.

Até agora, o OMS evitaram usar o termo, por medo de que as pessoas pensassem que o surto era imparável e os países desistissem de tentar contê-lo.

“Pandemia não é uma palavra para ser usada de maneira leve ou descuidada”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, em entrevista coletiva em Genebra.

“Não podemos dizer isso em voz alta ou clara o suficiente ou com frequência suficiente”, acrescentou. “Todos os países ainda podem mudar o curso dessa pandemia.”

Há evidências em seis continentes de transmissão sustentada do vírus, que já infectou mais de 120.000 pessoas e matou mais de 4.300. A designação da pandemia é amplamente simbólica, mas as autoridades de saúde pública sabem que o público ouvirá na palavra elementos de perigo e risco.

Bolsas da China sofrem baque com novas preocupações sobre a economia

A Bolsa de Xangai encerrou o pregão desta sexta-feira (15) com uma queda de 3,6%, aos 2.900,97 pontos, chegando ao menor nível em quase cinco meses.

“As oportunidades não têm precedentes, mas os desafios também não”, disse o responsável máximo pelos negócios estrangeiros do gigante asiático nesta quinta-feira
“As oportunidades não têm precedentes, mas os desafios também não”, disse o responsável máximo pelos negócios estrangeiros do gigante asiático nesta quinta-feira

O mercado, com perdas acumuladas de 20,6% desde a máxima de dezembro, entrou no chamado “território baixista”. Em Shenzhen, o índice local caiu 3,4%, a 1.796,13 pontos.

O movimento foi motivado por indicadores de crédito que frustraram o mercado e também com a notícia, do jornal chinês International Finance News, de que bancos do gigante asiático estariam negando ações de empresas como garantia para empréstimos. [ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

De acordo com números do Banco do Povo da China (PBoC, o Banco Central chinês), os bancos do país liberaram 597,8 bilhões de yuans (US$ 90,7 bilhões) em empréstimos em dezembro do ano passado, contra os 708,9 bilhões de yuans de novembro.

Analistas contavam com um resultado bem melhor, em torno dos 700 bilhões de yuans.

Nas bolsas asiáticas, também houve baixas. No Japão, o Nikkei fechou com queda de 0,54%, aos 17.147,11. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,50%, aos 19.520,77 pontos. Em Seul, o índice Kospi se desvalorizou 1,11%, aos 1.878,87 pontos.

Em Sydney, o S&P/ASX 200 teve queda de 0,34%, a 4.892,80 pontos. Em Manila, contudo, o PSEi teve alta de 0,64%, a 6.449,50 pontos.

O conselheiro de Estado da China Yang Jiechi alertou nesta quinta-feira (14) para a possibilidade de uma nova crise financeira global.

“Não é possível descartar por completo a possibilidade de vermos acontecer uma nova crise econômica, e o problema não devia ser negligenciado”, destacou em evento.

>> Conselheiro de Estado da China diz que mundo pode enfrentar nova crise

O índice de Xangai tinha registrado alta de quase 2% nesta quinta-feira, enquanto as bolsas asiáticas tiveram recuo, afetadas pela desvalorização em Wall Street em meio a temores em relação à economia global, e também pelas baixas na cotação do petróleo.

Um dia antes, havia sido registrado um movimento contrário, uma queda superior a 2% nas bolsas chinesas e alta em torno de 1% nas asiáticas.
JB

Obama é o menos pior?

Obama é um fantoche de Wall Street, um homem que descriminalizou a tortura, um assassino que usa drones, alguém que está lançado uma guerra inconstitucional, apoia o sequestro e a detenção sem julgamento e processou mais gente do que todos os presidentes anteriores juntos.

Daniel Ellsberg (do site Common Dreams)

Mas uma administração Romney / Ryan não seria melhor em qualquer aspecto. Seria muito pior, catastroficamente pior em uma série de questões importantes: o Irã, a economia, os direitos reprodutivos das mulheres, a cobertura de saúde pública, a rede de segurança, as mudanças climáticas, o ambiente.

A organização republicana é extremamente perigosa, não só para os EUA, mas para o mundo. Vale a pena gastar algum esforço para impedir a sua ascensão ao poder, sem semear ilusões.

A única maneira dos progressistas e democratas bloquearem Romney é convencer pessoas suficientes em estados decisivos a votar em Obama.

E isso tem de incluir liberais desiludidos que estão neste momento inclinados a não votar ou a votar em um candidato de um terceiro partido (porque, como eu, eles não estão apenas decepcionados, mas desgostosos e furiosos com muito do que Obama tem feito nos últimos quatro anos e provavelmente vai continuar fazendo).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Isso não é fácil. O mantra de eleitores do terceiro partido, segundo o qual “não há diferença significativa entre os principais partidos”, equivale a dizer: “Os republicanos não são piores, em geral.” E isso é um absurdo. É loucamente divorciado da realidade do presente.

Alas de direita

É verdade que as diferenças entre os principais partidos não são tão grandes como seus candidatos afirmam, muito menos quanto nós gostaríamos. É mesmo justo usar a metáfora de Gore Vidal de que eles formam duas alas (“duas alas de direita”, como alguns já disseram) do Partido da propriedade, da plutocracia ou da guerra. Ainda assim, a realidade política é que uma é sem dúvida ainda pior que a outra.

Votar em Romney é algo que não serve a ninguém, a não ser aos republicanos, e ao 1%. Não é apenas compreensível, é inteiramente legítimo estar furioso com Barack Obama. Como eu estou. Ele tem agido mal de maneira escandalosa, não apenas timidamente. Se o impeachment pudesse ser decretado pela imaginação, ele teria o dele (como George W. Bush e muitos de seus antecessores). É inteiramente humano querer puni-lo. Mas a raiva não é geralmente propícia ao pensamento claro. E muitas vezes seu efeito pode resultar em votos para Romney.

Punir o mundo inteiro

Punir Obama significa punir a maioria dos pobres e marginais na sociedade, e também os trabalhadores. Não só nos EUA, mas em todo o mundo (eu acredito que os republicanos ainda poderiam converter esta recessão em uma Grande Depressão). Ele poderia muito bem travar uma guerra com o Irã (à qual Obama resistiu, indo contra a pressão de seu próprio partido). A reeleição de Barack Obama, em si, não vai trazer grandes mudanças. Mas eu diria a um progressista que, se sua consciência lhe diz para votar em alguém que não seja Obama, ele precisa de uma segunda opinião. Sua consciência está lhe dando maus conselhos.

Muitas vezes eu cito uma frase de Thoreau que teve grande impacto sobre mim: “Dê seu voto inteiro: não um pedaço de papel apenas, mas toda a sua influência.” Ele estava se referindo, nesse ensaio, à desobediência civil, ou, como ele mesmo definiu, “resistência à autoridade civil”. Isso significa usar todos os meios — redes sociais, emails, o que for — para convencer os cidadãos em dúvida a votar contra uma vitória de Romney, ou seja, na única alternativa real, Barack Obama.

Artigo transcrito do site Diário do Centro do Mundo. 
Daniel Ellsberg era analista militar  quando em 1971 decidiu vazar para o New York Times e outros jornais  os “Papéis do Pentagono”. 
Os documentos deixavam claro que os Estados Unidos não tinham como ganhar a Guerra do Vietnã.

Contra o que todo mundo protesta?

Na primeira fila da passeata, o presidente da Fiesp, embrulhado numa bandeira brasileira, e sindicalistas de todos os matizes.

Cena inimaginável há alguns anos. Mais surpreendente ainda é tantas manifestações estarem ocorrendo em tantas cidades do mundo, ao mesmo tempo: Nova York e mais dezenas de cidades americanas, Roma, Berlim, Atenas.

E se procurarmos um pouco mais, encontraremos algumas dezenas de cidades menores.

Cada uma protesta contra ou reivindica coisas diferentes.

No Chile são os custos do ensino, no Brasil é a corrupção, nos EUA, os bancos, na Europa, os governos.

Analistas tentam encontrar alguma unidade nos movimentos mundo afora. Pelas primeiras impressões, o traço de união são as redes sociais. Mas essa é só parte da verdade. Os protestos não estão ocorrendo por causa das redes sociais, apenas sua simultaneidade pode ser-lhes atribuída. As redes são só o instrumento que torna possível que tanta gente, em tantos lugares diferentes e distantes, se manifeste ao mesmo tempo.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Estamos tendo um 1968 ou o equivalente da queda da Bolsa de Nova York em 1929, só que em tempo real. Em 1968 os protestos se espalharam pelo mundo, mas a velocidade das notícias era muito menor. Na quebra da bolsa em 1929 não só as notícias circulavam mais lentamente, como a própria compreensão das causas do fenômeno demorava muito mais a ocorrer.

Agora, apesar das mudanças, da rapidez das comunicações, o fator comum a todas as manifestações é que todos viram a largura das escadas da ascensão socioeconômica estreitar-se subitamente, em todos os países. O mundo era feliz e risonho e não sabia. Todos seguindo o ritmo normal da vida: todos iríamos melhorar de vida. Teríamos todos mais acesso ao consumo – a grande medida de felicidade do mundo contemporâneo – e os nossos filhos estariam melhor do que nós, como, em boa medida, as gerações de hoje estão muito melhor do que as que nos antecederam.

Tudo eram favas contadas. A humanidade tem boa memória para o bom. Memória tão boa que todas essas coisas viraram, por assim dizer, “naturais”. Não podia ser diferente.

Há 150 anos, mais de 90% da população do mundo jamais viajou além de um raio de 10 ou 20 quilômetros do lugar onde nascera. Um jovem e uma jovem judeus se encontraram no Brasil na década de 1930. Haviam nascido em cidades alemãs que distavam menos de 50 quilômetros uma da outra e não conseguiam se entender em suas línguas nativas. Eles salvaram o seu romance no iídiche, a língua dos judeus alemães ashkenazi, que lhes permitiu se comunicarem, namorarem e virem a se casar.

Quase tudo mudou. Mas quem se comunica pelo alfabeto latino vê na televisão e só tem uma ideia vaga do que dizem os cartazes dos protestos na Grécia, escritos em seu próprio alfabeto, graças à explicação dos apresentadores. A tradução ainda é necessária para saber contra o que os gregos se manifestam.

Hoje essas coisas ocorrem no mundo inteiro ao mesmo tempo. Na China, mesmo com o regime fechado, já começam a pipocar as perspectivas de estreitamento da mobilidade social – e lá são quase três Brasis para entrar na sociedade de consumo.

O temor da democratização é tal que o governo chinês proibiu um programa de calouros na televisão porque os telespectadores podiam “votar” em quem consideravam os melhores. O governo entrou em pânico, com receio de que isso viesse a dar ideias aos chineses de que voto era uma coisa boa e poderia ser repetido em outras esferas, inclusive na política. O caso foi contado na revista inglesa The Economist.

Todos os protestos, díspares, sem nenhuma conexão aparente a não ser a existência de ferramentas eletrônicas que tornam possível a comunicação instantânea, tinham somente um eixo comum: a chance de cada um de melhorar de vida está sensivelmente diminuída em razão dos arranjos que “alguéns” fizeram na economia. Não importa se são os bancos, os governos, as autoridades educacionais, os Parlamentos ou o que seja.

Criada para ser uma rede militar de comunicações descentralizada, de modo que nenhum inimigo pudesse imobilizá-la, a internet expandiu-se para onde os criadores jamais imaginaram. Temos internet para tudo e programas governamentais para torná-la acessível a todas as populações são tão rotineiros e prioritários quanto as políticas de vacinação o foram para acabar com epidemias. Ninguém previa, entretanto, que ela viria a ser o traço de união de tantos descontentamentos díspares em línguas diferentes, espalhados pelo mundo.

Pelo visto, não há nada a fazer. No primeiro semestre deste ano, as potências ocidentais foram rápidas ao batizar, simpaticamente, os protestos no Norte da África e no Oriente Médio de “primavera árabe”, uma expressão gentil e esperançosa. Mas isso foi rapidamente convertido, na Inglaterra, numa mera coordenação de baderneiros perigosos.

Quando chegamos ao outono (do Hemisfério Norte), que está presenciando simultaneamente todos esses protestos, ainda não existe nome, nem simpático nem antipático. O Fundo Monetário Internacional (FMI) corre para dizer que fica o dito pelo não dito e as políticas de austeridade, com as quais tanto se incomodaram os países da América Latina nos anos 80 e 90 do século passado, não valem mais. O que era chamado de imprimir dinheiro para fazer inflação virou respeitavelmente QE (quantitative easing, política de expansão monetária), que nada mais é do que imprimir dinheiro do nada. No fim das contas, é apenas mais do mesmo, só que agora não mais maldito.

Por quanto tempo os governos poderão dormir sossegados com um barulho destes, levando em conta que só houve algumas coisas básicas que não mudaram: a economia continua a ser a ciência da escassez e os desejos humanos seguem ilimitados?

¹ Alexandre Barros, cientista político (PH.D., University of Chicago), é sócio da Early Warning Consultoria (Brasília) – O Estado de S.Paulo

Economia: protestos nos EUA entram no 28º dia e se alastra pelo país do liberalismo

A mídia comprometida, como sempre, com o interesse do grande capital, continua escondendo, ou minimizando, os protestos espontâneos que estão acontecendo no coração do capitalismo.

Para o presidente Obama, que não mais pode dizer “Yes We Can“, “os manifestantes de Wall Street “estão dando voz a uma frustração de base mais ampla sobre como funciona o nosso sistema financeiro”.

“Estamos aqui para o longo curso”, disse Patrick Bruner, um manifestante e estudante de Skidmore College, em Nova York, que está entre os acampados num parque privado perto de One World Trade Center.

A polícia do prefeito Bloomberg, tem feito cerca de 100 prisões e usou spray de pimenta, que eles alegam ser uma alternativa melhor do que cassetetes para subjugar os manifestantes.

Wall Street, o grande cassino mundial, torna mais que atual a citação de Einstein:
“A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe atualmente é, em minha opinião, a verdadeira origem do mal.”
O Editor


Os protestos contra Wall Street entraram no 18º dia nesta terça-feira, com manifestantes ao redor dos Estados Unidos mostrando a raiva contra a crise econômica e contra o que eles dizem ser a cobiça das corporações.

Os protestos se alastraram de Nova York para Chicago, St. Louis, Boston e várias cidades.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um bilionário que fez fortuna no mundo corporativo, disse que os manifestantes estão equivocados.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]”Os manifestantes protestam contra pessoas que ganham entre US$ 40 mil e US$ 50 mil por ano e lutam para pagar as contas.

Isso é o fundo do poço.

Essas pessoas trabalham em Wall Street ou no setor bancário”, disse Bloomberg em entrevista a uma rádio.

Em Chicago, os manifestantes bateram tambores perto do setor financeiro da cidade.

Outros manifestantes montaram tendas e gritaram palavras de ordem contra os motoristas dos carros em Boston, St. Louis, Kansas City e Los Angeles.

Alguns manifestantes chegam a se identificar com o movimento ultraconservador Tea Party do Partido Republicano – embora com um viés de esquerda – enquanto outros se dizem inspirados nas revoltas populares que acontecem nos países árabes.

A maioria dos manifestantes são estudantes temerosos com o futuro ingresso em um estagnado mercado de trabalho, ou profissionais da meia idade que perderam os empregos.

“Nós sentimos que o poder em Washington na realidade foi comprometido por Wall Street”, disse Jason Counts, um analista de sistemas de informática e um entre as dezenas de manifestantes que protestaram hoje em Saint Louis, no Missouri.

Em Boston, manifestantes montaram tendas coloridas e centenas fizeram uma passeata até a Statehouse, pedindo o fim da influência corporativa sobre o governo.

“Lutem contra os ricos, não lutem as guerras deles”, gritavam.

“Neste momento, nós não prevemos protestos mais amplos”, disse Tim Flannelly, porta-voz do FBI, polícia federal americana, em Nova York.

“Mas se eles ocorrerem na cidade (NY), tanto nós quanto a Polícia de Nova York enviaremos todas as reservas necessárias para contê-los”, afirmou.

As informações são da Associated Press.

A ocupação de Wall Street e a luta simbólica

Se algo é essencial em qualquer estrutura de domínio, além de forjar o consentimento da maioria silenciosa, é afirmar símbolos comuns.

Os ícones representam mais que a si mesmos, sendo síntese de uma proposta civilizatória.
Por Bruno Lima Rocha

Para o capitalismo praticado em escala global e propagado através dos Estados Unidos, o epicentro do poder está no número 11 de Wall Street, sede da Bolsa de Valores (NYSE).

A ocupação simbólica desse espaço geográfico pode não ter consequências políticas diretas, mas representa um soco no fígado do capital financeiro.

É curioso observar como a ação começa.

Tem momentos em que a vida imita a arte, ou ao menos, as versões mais agitadas desta.

Numa passagem do filme Capitalismo: uma história de amor (2009) de Michael Moore, o diretor enrola a entrada da sede Bolsa de Valores de Nova York com fita de isolamento para cenas de crime, e antes tenta executar uma prisão – como cidadão – da diretoria da empresa de seguros AIG.

Moore é reprimido e chega até a apanhar da segurança privada.

De tão relevante, a ideia permaneceu.

Na edição de 13 de julho, o grupo de ativistas culturais Adbusters.org publica no número 97 de sua revista impressa uma convocatória para que, no dia 17 de setembro, milhares de cidadãos estadunidenses ocupassem a Wall Street, reproduzindo em Nova York um momento como da Praça Tahrir do Egito.

Para espanto dos proponentes e desespero dos entusiastas da especulação financeira, 5000 pessoas marchavam neste dia, atendendo a convocatória despretensiosa.

De lá para cá, o movimento segue ativo, espalhando-se por outras cidades da superpotência e defrontando-se com a espiral do silêncio da mídia corporativa deles e, como era de se esperar, uma escalada repressiva.

A revolta das pessoas com um nível de informação razoável é saber que as máximas: “grande demais para falir” (too big to fail) e “grande demais para ir preso” (too big to jail), são simplesmente reais.

Isto foi demonstrado em reportagens de fôlego por centros de jornalismo cidadão como Propublica.org eIwatchNews.org.

Neste bojo, documentários como Trabalho Interno (Charles Ferguson, 2010) e o predecessor sobre a falência fraudulenta da empresa de energia Enron (Alex Gibney, 2005) sedimentaram um terreno mais que fértil para a revolta cidadã.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Diante dos efeitos nefastos que a “fraude com nome de crise financeira” vem causando, não se pode desconsiderar a acumulação de forças que um ato como a ocupação de Wall Street traz consigo.

Bruno Lima Rocha é cientista político

site->www.estrategiaeanalise.com.br
e-mail-> / blimarocha@gmail.com

 

Cai consumo nos países emergentes

Consumo no Bric cai em nova ameaça para economia global

Andrew Batson, Daria Solovieva e Eric Bellman
The Wall Street Journal, de Pequim, Moscou e Mumbai, Índia

A crise internacional do crédito já começa a atingir um grupo de países que há vários anos vêm levantando economia mundial: as grandes economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados Bric.

Nesta década, o crescimento global foi impulsionado pelos países do Bric e pelos Estados Unidos. Como os EUA saíram do jogo devido à fragilidade do seu sistema financeiro, a esperança era que os países em desenvolvimento assumissem o lugar vago. Em vez disso, porém, aumentam as evidências de que a economia desses quatro está retrocedendo, agora que seus consumidores sentem a dor que emana do mundo desenvolvido.

Na Rússia, o crédito fácil que foi o motor do consumo agora está se contraindo. Na Índia, o mercado de trabalho terceirizado pelas firmas financeiras do Ocidente está encolhendo. No Brasil, o preço das commodities que o país exporta está caindo. Na China, foco das atenções mundiais nos últimos anos, quedas na bolsa e nos preços dos imóveis estão fazendo os consumidores pensarem duas vezes antes de comprar.

O crescimento dessas grandes economias ainda é muito mais acelerado do que nos EUA ou Europa. Mas indicadores sugerem que seus consumidores, agora com mais renda, não vão sustentar o crescimento global sozinhos.

Um dos que estão sentindo o impacto é Yan Jian, empresário de Xangai. Ele diz que sua firma de exportação de roupas e brinquedos já foi atingida pela queda nas encomendas para os EUA. Com isso, Yan teve de adiar a reforma do apartamento que comprou no ano passado, e está mais cauteloso enquanto vê as perspectivas econômicas ficarem mais sombrias. “As coisas podem piorar ainda mais no futuro próximo”, diz ele. “Preciso evitar os gastos, ao máximo possível.”

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A socialização do prejuízo; porque não eu?

Compre meu monte de porcaria, Henry
por Patricia Campos Mello
Do blog Histórias Globais

Muitos americanos estão irritados com o pacote anunciado pelo secretário do Tesouro Henry Paulson. Eles acreditam que o governo vai gastar US$ 700 bilhões para “resgatar banqueiros” que passaram os últimos anos ganhando muito dinheiro em um mercado sem regulamentação. No final de semana, foi lançado o site “Buymyshitpile.com” (em uma tradução livre, Compremeumontedeporcaria.com), onde os internautas devem “inscrever” as porcarias que querem vender ao governo americano.

“Ei, Washington, será que você pode comprar meus maus investimentos também? O que acontece em Wall Street afeta a vida real – compre meu monte de porcaria também, Henry”. Entre os “ativos podres” que os internautas querem vender a Henry Paulson estão a Alitalia, ações de empresa ponto.com falidas, móveis velhos de jardim.