Empresa jogaram na bolsa. O que o governo tem a ver com isso?

Até Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza – a angelical criatura acredita até que o Merval Pereira escreve literatura – sabia que o dólar iria subir.
Já as grandes empresas na Taba dos Tupiniquins, cevadas de consultores e assessores, nem imaginavam tal possibilidade. Né?

Não será surpresa se o BNDES, a grande mãe, ou o grande “filho da mãe” irá socorrer esses “desvalidos”, inclusas aí as empreiteiras que estão encalacradas nas tendas do Kadafi.
Existe uma maneira de se ganhar dinheiro honestamente. Chama-se trabalho, e não especulando na jogatina das Bolsas de Valores, e quando o buraco aparecer ir mamar nas tetas, sempre generosas para empresários, do governo.
Esse filme já foi visto.

O Editor


Grandes empresas apostaram errado no mercado futuro.
Por que o governo tem de socorrê-las?
O que o governo tem a ver com isso?

Alguns economistas e jornalistas parecem não ter o que fazer. A grande preocupação deles agora é com as dívidas das megaempresas que fizeram empréstimos no exterior e com as também megaempresas exportadoras que apostaram errado no dólar futuro e tomarão prejuízos com a alta da cotação.

A escalada na cotação do dólar nas últimas semanas realmente foi impressionante.

A moeda americana avançou 14,81% desde 31 de agosto, para R$ 1,829 na sexta-feira passada, após bater R$ 1,963 na máxima de quinta-feira.

Pegou desprevenidos alguns exportadores brasileiros mais expostos ao risco cambial.

Os balanços de oito das maiores exportadoras mostram que o avanço do câmbio para uma faixa de R$1,95 a R$ 2,08 cria um risco de perdas cambiais de R$ 2,15 bilhões para essas companhias.

Este valor considera operações com derivativos cambiais (contratos da moeda no mercado futuro), dívidas em moeda estrangeira e outras exposições.

Num cenário mais dramático, com a moeda cotada entre R$ 2,40 e R$ 2,50 frente ao real, o retrato ficaria mais preocupante, com perdas possíveis de R$ 4,2 bilhões.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Surge aí a inquietante indagação: o que o governo e a equipe econômica têm a ver com isso?

Na verdade, as operações com derivativos cambiais são um jogo como qualquer outro.

Você aposta, por exemplo, se o preço da carne vai subir ou não, se o dólar vai subir ou não, e assim por diante. É exatamente como jogar na Bolsa de Valores.

Na crise financeira de 2008, houve os episódios de Aracruz, Sadia e Votorantim, que, juntas, perderam R$ 5 bilhões e quase quebraram por causa de apostas erradas no mercado de derivativos (câmbio no mercado futuro). Mas quem mandou elas apostarem nesse mercado imponderável?

Por que não preferiram investimentos mais sólidos e garantidos, como os títulos do próprio governo, que pagam hoje 12% ao ano, nada mal?

Além disso, por que o governo tem de se preocupar com essas grandes corporações exportadoras e lutar para fazer descer o dólar, se até o mês passado fazia exatamente o contrário, comprando dólares sem parar, a pretexto de salvar essas mesmas empresas exportadoras.

Quem entende uma política econômica como essa, criada para favorecer as grandes empresas e deixar o povo no esquecimento? É realmente desanimador.

Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Antônio Emírio socializa o prejuízo

Brasil: da série “quem te viu e quem te vê!”

Olhe só as voltas que o mundo dá. O impoluto, liberal e impávido Antônio Ermírio de Moraes, que sempre se achou o último bastião do empreendedorismo e crítico ferrenho, algumas vezes até teatralmente, do Estado, agora dá com as alquebradas contas e com as “quebradas” costas, às portas do papai Lula.

Quem vociferou contra o paternalismo Estatal até em, digamos assim, peças teatrais, quem criticava os bancos destinando-lhes as profundas dos infernos, findou por fundar um banco, o Banco Votorantim, foi um dos que arriscaram bilhões no cassino financeiro das bolsas de valores, pendura-se agora nas generosas têtas do Banco do Brasil.

Agora, você, eu, “nosotros” , prá pagarmos as nossas continhas do dia-a-dia…

Argh!

Votorantim não é mais o mesmo

A crise financeira não deixa de ser reveladora. Depois de perder R$ 2,2 bilhões com operações em derivativos e outros milhões com prejuízos da Aracruz, da qual é um dos sócios, o tradicional grupo paulista bate às portas do Banco do Brasil em busca de ajuda. Se a operação de venda de 49% do capital do Banco Votorantim for concluída, os Ermírio de Moraes conseguirão tapar um bom pedaço desse rombo financeiro.

Curioso, é

O empresário Antônio Ermírio de Morais passou a vida criticando quem faz da Viúva meio de vida. Agora recorre ao BB para salvar seu banco.

coluna Claudio Humberto