Virgílio Maia – Versos na tarde – 30/05/2014

Alvenaria
Virgílio Maia ¹

Sobre pedras se eleva este soneto,
em trabalhosa faina alevantado,
as linhas definidas no traçado
da perfeição do prumo e nível reto.

Dentre tantos eleito, põe-se ereto
rima por rima, embora recatado;
ao martelar do metro faz-se alado,
opondo ao som a luz deste quarteto.

Sobre andaime de verso e de ciência
necessário a erguer prova tão dura,
deixa o pedreiro, alçado, o rés-do-chão.

E sobranceiro ao mundo, àquela altura,
Vai concluir, com brava paciência,
A obra em que balança o coração.

¹ Virgílio Maia
* Limoeiro do Norte, CE. – 1954 d.C

>> Biografia de Virgílio Maia


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Virgílio Maia – Versos na tarde – 30/06/2013

Ilumiara
Virgílio Maia ¹

Quem pintou essas pedras no Sertão,
nessa tinta que nunca mais se apaga?
E para quem nosso ancestral pintava
brutas cenas de caça e aquela mão?

Tais secretos mistérios estarão
insondáveis nas cores dessas aras:
candelabros ou onças vermelhadas,
mais figuras que seguem em procissão.

Contou-me um dia uma mulher velhinha
que numa noite escura ela passou
se benzendo de medo pela Pedra.

E viu, jurou que viu, vinha sozinha,
que o enorme Gavião se desgarrou
da pintura, gritando feito a Fera.

¹Virgílio Maia
* Limoeiro do Norte, CE. – 1954 d.C

>> Biografia de Virgílio Maia


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