Fatos & Fotos – 01/12/2020

Ach so! Um pouco de jazz no idioma de Goethe: Max Raabe e a Palast Orchester e Namika interpretam “Küssen kann man nicht alleine”


Jair Bolsonaro e a Vacina para a Covid
por Miguel Paiva


Tango para encantar el mediodía del martes

 


Pintura de Frank Benson,1895


Na versão moderna do autoritarismo – na qual os governantes não rasgam a Constituições nem dão Golpes de Estado Clássicos -, não é necessário censurar a internet (às claras, mas economicamente).

Nas democracias “liberais” – que incongruência a combinação de democracia com liberalismo – segundo à verborragia caudilhesca do primeiro-ministro Viktor Orbán, basta inundar as redes sociais e os grupos de WhatsApp com a versão dos fatos que se quer emplacar, para que ela se torne verdade – e abafe as outras narrativas, inclusive e sobretudo as reais.
A massa foi engolida pelo Whatsapp e as crenças #religiosas de todos os credos.
Se deixarmos os dois continuarem a definir a pauta sociopolítica, o atoleiro só aumentará.
Só combatendo fakenews com fakenews, golpes baixos com golpes mais baixos ainda, e sendo tão canalhas quanto, poderemos combater em condições iguais. Caso contrário, a tragédia se repetirá em 2022, pois o jogo jogado é sujo. Ou então, que saiamos da luta e nos conformemos de vez com a vassalagem. A métrica da moral e da ética não existe em Southern Banânia.


A Cerâmica de Jeremy Randall



O “Olho do Grande Irmão!” Orwell foi um profeta. Relatório do governo(?) separa em grupos 81 jornalistas e influenciadores.

George Orwell,Literatura1984,Blog do mesquita

Abwehr Stasi DI G2 Gestapo BND SIS Mussolini Pinochet Chávez Maduro Filinto Müller Hitler FidelCastro MaoTseTung Stalin CIA KGB Mossad NSA NRO NGA MI5 MI6 Deuxième Bureau Shin Bet Pinkerton Kroll Control Risks Montax Serasa Experian Equifax Serinews Dun & Bradstreet S.B.I.P. SVR FSB Sfici SNI GSI DGSE GRU SVR não dão nem pro começo com o governo(?) do Furúnculo de South Banânia.

Relatório do governo separa em grupos 81 jornalistas e influenciadores.Produzido por agência contratada pelo governo federal, “mapa” classifica influenciadores como “detratores”, “neutros informativos” e “favoráveis”. E isso é o que se sabe.


As ilustrações luminosas de Tang Yau Hoong


Cockpit do Concorde


Foto do dia
Fotografia de Roberto Pazzi


Não falha nunca.

Sempre antes da bomba estourar, os Bolsonaros jogam aquela cortina de fumaça pra desviar a pauta principal. Agora foi uma treta totalmente aleatória com a China, provavelmente pra desviar dessa notícia que o Queiroz “abriu o bico” sobre os roubos de dinheiro público – peculato, vergonhosamente tratado pela mídia como “rachadinha” – pelo Flávio Bolsonaro.


Racismo não é opinião.

Na Alemanha, homem insulta colega negro com sons de macaco e é demitido. Ele vai à Justiça contra a demissão por entender que está coberto pela liberdade de expressão. Perdeu em todas as instâncias, inclusive na última, o Tribunal Constitucional Federal – o STF alemão.


O Cramunhão psicopata não quer saber do sofrimento alheio, não se compadece com problemas que não sejam seus. Não está nem aí para gente em situação de rua, queimada na Amazônia, tartaruga engasgada com petróleo ou criança que morre de bala perdida.]


Da série:”15 razões para preferir jogar golfe”


A massa foi engolida pelo Whatsapp e as crenças religiosas de todos os credos.
Se deixarmos os dois continuarem a definir a pauta sociopolítica, o atoleiro só aumentará.
Só combatendo fakenews com fake news, golpes baixos com golpes mais baixos ainda, e sendo tão canalhas quanto, poderemos combater em condições iguais. Caso contrário, a tragédia se repetirá em 2022, pois o jogo jogado é sujo. Ou então, que saiamos da luta e nos conformemos de vez com a vassalagem. A métrica da moral e da ética não existe em Southern Banânia.


Ode à Melancolia
Yeats

I

Não, não vás ao Letes, nem retorças as raízes
Em feixes do acônito para forjar o vinho venenoso;
Nem deixes tua pálida fronte ser beijada
Pela beladona, uva, rubi de Prosérpina;
Não faças teu rosário com as bagas dos teixos,
Nem deixes o besouro, ou a mariposa da morte
Ser tua lúgubre Psique, nem a coruja de penas macias
Ser parceira dos mistérios da tua dor;
Sombra a sombra letárgica virá,
E afogará a angústia desperta da alma.

II

Mas quando o ataque da melancolia cair
Súbito do céu qual nuvem em pranto,
Que revigora as flores cabisbaixas,
E vela a verde colina na mortalha de Abril;
Farta então a dor na rosa da manhã,
Ou no arco-íris da onda salgada na areia,
Ou na abundância das peônias globulares;
Ou se tua amada demonstrar ira intensa,
Ata-lhe a mão suave, e a deixa delirar,
E nutra-te fundo, fundo nos teus olhos ímpares

III

Ela mora com a Beleza – Beleza que fenecerá;
E com a Alegria, cuja mão nos lábios sempre
Se despede; junto ao doloroso prazer,
Virando Veneno enquanto a boca-abelha sorve.
Sim, e no próprio templo do deleite
A velada melancolia tem seu santuário supremo,
Embora apenas o vislumbre aquele cuja língua audaz
Estala no céu da boca a uva da Alegria;
Sua alma provará a tristeza de teu poder,
E penderá em meio a seus nebulosos trofeus.

Como George Soros se tornou um inimigo da extrema direita

Existem poucos países em que uma teoria da conspiração é razão de Estado. A Hungria é um deles.

George Soros impulsionou a ascensão de Orbán na Hungria.
Corresponsável pela ascensão de Viktor Orbán, o filantropo bilionário passou a ser o “vilão perfeito” a ser construído. Cruzada de difamação contra Soros ultrapassou fronteiras da Hungria e inspira violência terrorista.

 Há cerca de cinco anos o primeiro-ministro Viktor Orbán elegeu o bilionário americano George Soros como inimigo de Estado número um: o filantropo de origem húngara, de 89 anos, seria o mentor de uma conspiração em grande escala, com o suposto fim de derrubar o premiê húngaro, dissolver os Estados nacionais da Europa e substituir suas populações por migrantes.

Entre os supostos “mercenários” e “agentes” de Soros, segundo o governo húngaro, estariam organizações não governamentais, jornalistas e cientistas, mas também a União Europeia (UE) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

No momento a crise do coronavírus alimenta essa campanha de perseguição. Afirma-se que Soros estaria por trás da crítica internacional às medidas autoritárias de Budapeste no contexto da pandemia. Ele seria o “grão-mestre” dos “burocratas de Bruxelas”, declarou Orbán em pessoa, numa edição recente de suas entrevistas semanais à estatal Kossuth Rádió.

Chega a ser irônico Orbán ter declarado guerra justamente ao homem que impulsionou decisivamente sua ascensão. Filho de judeus e sobrevivente do Holocausto na Hungria, George Soros primeiro se exilou em Londres após a tomada de poder pelos comunistas. Em 1956, emigrou para os Estados Unidos, onde fez fortuna com especulações financeiras.

Marcado tanto pelo horror nacionalista e comunista como pela filosofia de Karl Popper da “sociedade aberta”, Soros fundou em 1984 a fundação Open Society. Desde então, ela tem apoiado por todo o mundo a democracia e os direitos de liberdade e humanos, até hoje com mais de 15 bilhões de dólares, segundo seus próprios dados.

Também o jovem Viktor Orbán e seu partido Fidesz (Liga dos Jovens Democratas) se beneficiaram do engajamento filantrópico do bilionário, que patrocinou com somas generosas a legenda originalmente radical-liberal. Soros lhes possibilitou publicar o próprio jornal, financiou cursos de idiomas e escritórios do partido. Mais tarde, numerosos membros do Fidesz receberam dele bolsas para estudar no Ocidente; Orbán foi para Oxford.

Quando, após o fim do regime comunista na Hungria, em 1989, os nacionalistas passaram a difamar Soros por seu apoio às forças liberais, o Fidesz defendeu o engajamento do filantropo contra tais “ataques infames”.

Orbán e companhia saudaram entusiásticos a fundação da Universidade Centro-Europeia, cofinanciada por Soros, a qual em breve se tornou a mais prestigiosa instituição de ensino superior do país. Cerca de 30 anos mais tarde, o partido de Orbán, agora nacional-conservador e populista de direita, expulsaria justamente essa universidade da Hungria.

De benfeitor a vilão

Depois de uma fragorosa derrota nas eleições de 2002, Orbán foi para a oposição. Somente oito anos mais tarde foi eleito primeiro-ministro pela segunda vez, com sucesso esmagador e um programa totalmente diverso. Contando com uma maioria de dois terços no parlamento, o ex-liberal passou a transformar a Hungria num “Estado não liberal”.

Ele mudou a Constituição, cerceou a liberdade de imprensa e ocupou o Tribunal Constitucional com juízes leais a si. Para assegurar seu poder no longo prazo, porém, Orbán precisava de um inimigo simbólico. No país, ninguém mais era páreo sério para ele: a oposição estava fragmentada, e a maior parte da mídia, alinhada com o Fidesz. Então onde encontrar um bode expiatório?

A inspiração decisiva veio do exterior: em 2008, Orbán conheceu o influente consultor político americano Arthur Finkelstein, que desde a década de 1970 assessorara com sucesso os presidentes republicanos, de Richard Nixon a George W. Bush. Em meados dos anos 1990, ele fizera Benjamin Netanyahu premiê israelense.

Não deixemos Soros rir por último, diz slogan em outdoors na Hungria
“Não deixemos Soros rir por último”, diz slogan da maior campanha de outdoors da história húngara,

Inúmeras campanhas eleitorais haviam ensinado a Finkelstein como era importante dar um rosto ao inimigo. Há muito, o empenho de Soros pelo liberalismo e democracia era uma pedra no sapato da direita internacional.

Os nacionalistas dos Bálcãs também o detestavam por apoiar a oposição democrática; o presidente russo, Vladimir Putin, o abominava pelo engajamento em prol da Ucrânia e Geórgia. E também para os republicanos dos EUA, Soros se tornara uma figura odiada por suas doações ao Partido Democrata, seu empenho pela proteção climática e sua crítica ferrenha à guerra do Iraque.

Soros era o inimigo perfeito para Orbán, pensaram Finkelstein e seu parceiro George Birnbaum: era de origem húngara, mas já vivia há décadas nos EUA, era rico e politicamente engajado em âmbito global. Em meados de 2013, começou a campanha contra o filantropo, que alcançaria o auge dois anos mais tarde, no contexto da crise migratória.

De “ideia genial” a motivação terrorista

Seguiu-se a possivelmente maior e mais custosa campanha de outdoors da história húngara: “Não deixemos Soros rir por último”, incitava o governo seus cidadãos. Pouco mais tarde, era aprovada a “lei Stop Soros”, voltada contra ONGs engajadas pelos direitos de refugiados e migrantes. Por fim, foi expulsa de Budapeste a Universidade Centro-Europeia, cofundada por Soros.

Progressivamente, Orbán adicionou tons antissemitas a sua cruzada contra Soros. “Estamos lutando contra um inimigo que é diferente de nós: não aberto, mas escondido; não direto, mas ardiloso; não honrado, mas ignóbil; não nacional, mas internacional; que não acredita em trabalho, mas sim especula com dinheiro; que não tem sua própria pátria, mas age como se fosse dono de todo o mundo”, disse num discurso em 2018.

De lá para cá, a imagem hostil de George Soros ganhou vida própria: seja o presidente americano, Donald Trump, seu colega turco Recep Tayyip Erdogan, Netanyahu ou Putin, todos adotaram de Orbán o rótulo do “marionetista todo-poderoso”. Nas redes sociais, o filantropo bilionário é apresentado como a vilania em pessoa, partidos populistas de direita da Europa à Austrália incitam contra ele.

Com intensidade crescente, tais campanhas de agitação redundam em violência. Funcionários das fundações Open Society são repetidamente agredidos. Em 2018, um apoiador fanático de Trump enviou uma bomba caseira ao endereço particular de Soros. Da mesma forma, terroristas de extrema direita cada vez mais justificam seus atos como tentativas de impedir uma “troca da população” supostamente planejada pelas elites globais.

Essa teoria de conspiração, em que Soros igualmente desempenha um papel central, fazia parte de “manifesto” racista do terrorista de Christchurch, Nova Zelândia, que custou as vidas de dezenas de muçulmanos. O assassino de Pittsburgh matou judeus por pretextos semelhantes. Também o autor do atentado em Halle, Alemanha, acreditava numa suposta conspiração judaica e afirmou que Soros queria transformar o país num Estado multicultural.

Será que Arthur Finkelstein e George Birnbaum – ambos também judeus – contavam com a dimensão letal de sua invenção supostamente “genial”? Não se pode mais perguntar a Finkelstein, pois ele morreu em 2017. E Birnbaum se recusa a falar a respeito, tendo recusado o pedido de entrevista da

Viktor Orbán,Fascismo,Política internacional,Europa,Hungria

O princípio do fim de Viktor Orbán?

Chamada “lei dos escravos” leva milhares de húngaros às ruas do país. A reação do governo é cada vez mais absurda, e a Hungria pode estar diante de um futuro sombrio, opina Keno Verseck.

Viktor Orbán,Fascismo,Política internacional,Europa,HungriaFoto de protestos em Budapeste em 17 de dezembro de 2018
Húngaros protestam diariamente contra governo Orbán

Consta que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, possui um talento brilhante para farejar assuntos importantes para a população, aliado a um extraordinário instinto de poder. De fato, muitas evidências disso podem ser encontradas nos últimos anos.

A mais conhecida é a instrumentalização da crise de refugiados pelo chefe de governo húngaro. O tratamento que Orbán deu ao assunto lhe garantiu uma votação recorde na Hungria, transformando-o num fator de influência a não ser subestimado na Europa.

Mas dadas as reações do governo húngaro à atual onda de protestos no país, deve-se agora desconfiar do instinto de Orbán. Atualmente, milhares de pessoas protestam diariamente contra a chamada “lei dos escravos”, segundo a qual o número de horas extras permitidas pode aumentar muito, como também contra outras leis e práticas antidemocráticas no país.

Embora o primeiro-ministro húngaro ainda não tenha comentado diretamente as manifestações, seus funcionários e amigos mais próximos, como também a mídia que lhe é favorável, se voltam de forma virulenta contra todos aqueles que atualmente tomam as ruas ou que apoiam de alguma forma os protestos.

Eles afirmam que os protestos são obra de “provocadores”, de “agentes da rede Soros”, de “criminosos estrangeiros”, de uma “minoria agressiva” ou “inimigos do cristianismo e do Natal”. Trata-se de atributos que devem ter sido aprovados por Orbán, pois na Hungria nada acontece sem o seu consentimento. E certamente as pessoas de seu entorno imediato não se expressam sem a certeza de que estão alinhados com o primeiro-ministro.

Até agora, o modo pelo qual o regime Orbán rotulou os críticos só tem ajudado a inflamar ainda mais os protestos. É estapafúrdia a forma como o governo húngaro se supera no absurdo de suas alegações. Mas isso faz simplesmente parte da lógica do sistema de Orbán. E é aí que a situação fica realmente perturbadora.

A retórica de Orbán – isso pode ser acompanhado por um bom observador – está cada vez menos preocupada com uma concorrência democrática voltada para o bem comum e a governança responsável e sustentável. Em vez disso, a suposta luta entre vida e morte, guerra e paz, bem e mal está cada vez mais em primeiro plano.

Assim, a forma tornou-se conteúdo. O primeiro-ministro da Hungria aboliu gradualmente os mecanismos de controle do poder ou, pelo menos, restringiu severamente seu funcionamento.

O filósofo Gáspár Miklós Tamás foi um dos primeiros a prever, muito tempo atrás, que Orbán não iria entregar voluntariamente o poder. Enquanto isso, muitos húngaros acreditam que o primeiro-ministro não é mais tão fácil de derrubar pelo voto, mas que seu regime só pode ser encerrado pela força.

Sinais disso podem ser observados atualmente. Na semana passada, no Parlamento húngaro, foram vistas cenas caóticas que não aconteceram em outro Parlamento na União Europeia em 2018 – assobios, ocupação do palanque do presidente da Casa pelos deputados, deslocamento de forças de manutenção da ordem para o plenário e a oposição retirando-se em protesto. As manifestações também estão se tornando cada vez mais radicais.

Não há praticamente nenhuma esperança de que Orbán detenha seu estilo de governo extremamente agressivo. O que é triste para a Hungria e seu povo: o país que há 30 anos era pioneiro do desenvolvimento democrático no Leste Europeu está diante de um futuro sombrio.