Por que o lixo plástico é um material de construção ideal

E se transformássemos os crescentes terrenos baldios de plásticos em desuso em um novo tipo de construção sustentável?

O descarte de plásticos é um problema global altamente visível – das montanhas mais altas às fossas oceânicas mais profundas, os resíduos de plástico parecem inevitáveis. Em condições naturais, os plásticos são quase indestrutíveis e, no entanto, são descartados em grande escala no mundo todo: o mundo produz cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos por ano. O meio ambiente não consegue lidar com o seu descarte em uma velocidade rápida o suficiente para evitar danos aos seres vivos.

Isso levou a um consenso de que os plásticos são um material insustentável. E sim, os plásticos são certamente um problema enorme, mas não necessariamente têm que ser.

A questão principal não é com o plástico como material, mas com nosso modelo econômico linear: os bens são produzidos, consumidos e depois descartados. Este modelo pressupõe um crescimento econômico sem fim e não considera os recursos esgotáveis ​​do planeta.

Mas existem muitas maneiras de definirmos os plásticos em um ciclo de vida diferente – e uma em que venho trabalhando é transformar plásticos em desuso em um material de construção resistente, confiável e sustentável.

A maioria das pessoas acredita que a reciclagem de plásticos é severamente restrita: que apenas alguns tipos podem ser reciclados. Isso não é surpreendente. A proporção de plásticos que são reciclados é mínima. O Reino Unido, por exemplo, usa cinco milhões de toneladas de plástico a cada ano e apenas 370.000 toneladas são recicladas a cada ano: isso é apenas 7%.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis – todas as propriedades essenciais para materiais de construção
Mas todos os polímeros são, tecnologicamente, 100% recicláveis. Alguns deles têm o ciclo de vida perfeito do berço ao berço: eles podem ser usados repetidamente para produzir os mesmos produtos. Alguns plásticos podem ser reutilizados da mesma forma que fragmentam um objeto em flocos, derretendo-o e reutilizando.

Tijolos como esses poderiam ser o protótipo de tijolos de plástico que são fortes e duráveis ​​o suficiente para serem usados ​​na construção (Crédito: Sibele Cestari)

Esses plásticos reciclados podem ter propriedades mecânicas menores em comparação com os plásticos virgens, porque cada vez que você derrete e processa um plástico, as cadeias poliméricas se degradam. Mas essas propriedades podem ser recuperadas misturando-o a aditivos ou plástico virgem. Exemplos de reciclagem industrial bem-sucedida incluem PET ou poli (tereftalato de etileno), que é usado para fazer garrafas de refrigerantes, e poliestireno.

Todo o resto pode ser tecnicamente reprocessado em novos materiais para diferentes aplicações. No caso final, qualquer resíduo de plástico pode ser triturado e usado como enchimento de asfalto, ou ser pirolisado – decomposto por aquecimento – para produzir combustível. A empresa japonesa Blest Corporation já vende uma máquina portátil para converter resíduos plásticos domésticos em combustível de forma simples e acessível.

Trabalhar com os resíduos ‘não recicláveis’ e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir a demanda por recursos do mundo
O problema é que reciclar grande parte desse lixo plástico é atualmente inviável e não rentável. Polímeros como borrachas, elastômeros, termofixos e resíduos plásticos mistos são confortavelmente rotulados como “não recicláveis” pelo setor de reciclagem. Mas a quantidade desses materiais em todo o mundo é assustadoramente grande e continua crescendo. E se esse lixo plástico pudesse ser usado para produzir algo útil para a sociedade?

Itens de plástico que consideramos lixo podem ter uma segunda vida na construção devido às mesmas propriedades que os tornam tão difíceis de descartar (Crédito: Getty Images)

Muitas universidades e empresários estão tentando fazer isso. A maioria das soluções é voltada para resíduos plásticos mistos e sugere aplicações diferentes das originais. Por exemplo, vários grupos desenvolveram materiais de construção feitos de resíduos plásticos.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis ​​- todas as propriedades essenciais para materiais de construção. E daí se todo esse lixo plástico pudesse ser convertido em materiais de construção para populações de baixa renda? As iniciativas existentes são promissoras, mas ainda não reproduzíveis em escala industrial.

Estudo resíduos plásticos com o objetivo específico de encontrar maneiras interessantes de removê-los do meio ambiente. Desde 2009, desenvolvi vários materiais de construção feitos de plásticos pós-consumo misturados com diferentes materiais de fluxo de resíduos. De resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar – um subproduto da indústria açucareira no Brasil – e borra do café, até resíduos de concreto e entulho de construção, compostos com plásticos reciclados, existem várias formas de obter materiais para produzir tijolos, telhas, plásticos madeira serrada e outros elementos úteis para a construção.

Nossa equipe está atualmente tentando desenvolver um bloco de construção viável feito de plásticos reciclados. Preparamos uma série de materiais prospectivos usando uma mistura de plásticos virgens e reciclados – garrafas PET coloridas, polipropileno, polietileno – e outros materiais de resíduos locais, como cânhamo, serragem, resíduos de concreto e lama vermelha.

Existe uma concepção comum de que algum plástico é “não reciclável”, mas com o tratamento correto não precisa ir para aterro (Crédito: Sibele Cestari)

Atualmente, estamos ajustando as propriedades dos materiais para o processo de rotomoldagem, uma tecnologia de moldagem de plásticos ideal para a fabricação de grandes artigos ocos. Queremos usar a quantidade máxima de plásticos reciclados neste bloco. Os blocos feitos de 25% de plástico reciclado tiveram um desempenho extremamente bom em testes mecânicos. Em seguida, vamos tentar 50%, 75% e 100%.

Também estamos pensando na estética dos blocos. As misturas de plásticos reciclados de várias cores geralmente acabam com uma cor cinza ou preta. Para habilitar a cor, estamos preparando misturas de plásticos virgens ou reciclados para cobrir a maior parte do bloco.

Portanto, talvez os plásticos não sejam necessariamente o problema. Eles podem fazer parte de um caminho para uma forma de vida mais sustentável. Usar um recurso natural ou renovável não é necessariamente amigo do ambiente. A pegada ecológica de um material polimérico é menor do que a de materiais naturais, que têm uma demanda considerável por terras aráveis, água limpa, fertilizantes e tempo de regeneração.

De acordo com a Global Footprint Network, antes da pandemia estávamos demandando 1,75 vezes os recursos disponíveis do planeta. Trabalhar com os resíduos “não recicláveis” e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir essa demanda e deixar um planeta mais limpo e sustentável para as próximas gerações.

Construir com resíduos de plástico requer menos recursos do que produtos naturais e, de outra forma, iria para aterros ou para os oceanos (Crédito: Sibele Cestari)

Os materiais de construção feitos de plástico reciclado ainda não são amplamente usados ​​na indústria da construção – os protótipos têm sido usados ​​principalmente para instalações demonstrativas. Será necessária vontade política e ampla conscientização ambiental para incentivar mais investimentos no potencial da reciclagem de plásticos.

Mas, esperançosamente, a maré está começando a mudar, como consequência da crescente pressão da opinião pública sobre a questão da poluição do plástico. Graças ao envolvimento do governo e da indústria com a ideia de uma economia circular, parece que haverá uma abertura no mercado – e na mente das pessoas – para acolher iniciativas de plástico para substituir os materiais de construção convencionais.


Sibele Cestari é uma cientista de materiais poliméricos do Brasil, que atualmente é pesquisadora na Queen’s University Belfast. Este artigo foi publicado originalmente em The Conversation e é republicado sob uma licença Creative Commons. É também por isso que esta história

Fogo já consumiu mais de 10% do Pantanal em 2020

Região sofre com queimadas que já atingiram pelo menos 17 mil quilômetros quadrados. Extensão e velocidade com que as chamas se espalham assusta quem monitora a região. Especialistas já contam com redução de espécies.

Direito de imagem – Getty Images

Desde 1998, quando o monitoramento das queimadas no Pantanal foi iniciado pelo Inpe, nunca houve tantos focos de calor.

Assustador e sem precedentes: é assim que, quem conhece e monitora o Pantanal, descreve a situação da região, continuamente castigada por incêndios. Só em 2020, o fogo já consumiu 17.500 quilômetros quadrados de mata, o equivalente a mais de 10% da área do total de um dos biomas mais importantes do mundo.

Desde 1998, quando o monitoramento das queimadas no Pantanal foi iniciado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), nunca houve tantos focos de calor entre janeiro e agosto como agora: foram 7.727 registrados até 18 de agosto. Um aumento de 211% em relação ao mesmo período do ano passado.

O fogo no Pantanal não tem poupado sequer animais que conseguiam escapar das chamas a tempo: cenas de jacarés, macacos, cobras e antas carbonizadas chocam quem trabalha na região.

“A extensão, a velocidade com que as chamas se espalham é assustadora”, afirma Felipe Dias, diretor executivo do Instituto SOS Pantanal. Os prejuízos materiais e o impacto sobre a vida natural ainda estão sendo levantados. “O problema é que o fogo tem sido recorrente. Ele normalmente não voltava a uma região atingida. O que vemos agora é que os incêndios estão se repetindo nas mesmas regiões”, completa.

Ação humana

“Historicamente, a mobilização dos órgãos oficiais para combater o fogo começa em julho. Mas neste ano já estamos lutando desde fevereiro, tentando evitar com que as chamas cheguem em áreas protegidas e até em escolas”, diz à DW Brasil Angelo Rabelo, que implantou na década de 1980 a Polícia Ambiental em Corumbá, Mato Grosso do Sul, e fundador do Instituto Homem Pantaneiro.

Iniciado, segundo monitores, em mais de 90% dos casos por ação humana, o fogo encontra uma mata seca, esturricada, que funciona como um combustível poderoso.

“Já está tudo muito queimado, e o fogo ainda não acabou. Estamos à espera de uma grande chuva”, lamenta por sua vez Neiva Guedes, pesquisadora e presidente do Instituto Arara Azul, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Os indícios de que essa seria uma temporada severa vieram em fevereiro, época em que o Pantanal deveria estar coberto pela água. A área sofre influência dos rios que drenam a bacia do Alto Paraguai e que, quando transbordam durante a época de chuvas, de novembro a maio, alagam até dois terços da planície.

“Estamos num ano extremamente seco, poucas chuvas e, na maior parte dos rios, não teve inundação. Foram poucas chuvas e pouca inundação, com temperaturas muito altas”, comenta o cenário prévio à catástrofe Danilo Bandini, pesquisador da UFMT, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Refúgio ameaçado

Numa zona pantaneira de difícil acesso em Mato Grosso, o entorno do refúgio das araras azuis ainda está em chamas. O santuário, área repleta de bocaiúvas, um tipo de palmeira, dentro de uma fazenda, abriga 20% da população dessa ave no Pantanal.

“O refúgio é um lugar único”, afirma Neiva Guedes, que estuda as araras azuis há três décadas. “A gente sente como se fosse a nossa própria pele queimando”, diz sobre o choque diante do cenário atual.

A queimada, que teria consumido 70% da fazenda onde fica o refúgio, traz um impacto grande sobre a espécie. “Ninho com ovos e filhotes são perdidos, há mortalidade por fumaça, calor, estresse dos pais, a perda de araras, das cavidades que elas ocupam”, diz Guedes.

As repercussões vão perdurar. “A médio e longo prazo, haverá falta de comida, de água. Aumenta a predação de juvenis e de adultos porque falta comida, há briga pelas cavidades”, explica a pesquisadora.

As conclusões vêm da experiência de 2019, quando o fogo destruiu parte do Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, e atingiu ninhos de araras. Propriedade particular, a fazenda desenvolve três atividades: ecoturismo, pesquisa de conservação e pecuária.

Fora da lista brasileira de espécies em extinção desde 2014, mas considerada espécie vulnerável na lista internacional, a arara azul pode voltar para a zona de perigo extremo devido aos incêndios.

“É um risco que não só as araras estão correndo. O impacto dessas queimadas é gigantesco. Já pensou nos insetos, que não conseguem voar grandes extensões e que foram perdidos, mas que têm um papel fundamental nos ecossistemas?”, comenta Guedes.

Pouca proteção

Com suas nascentes principalmente no cerrado, que conta com menos de 50% de sua vegetação nativa, os rios que banham o Pantanal vêm sofrendo cada vez a influência da agropecuária.

“O uso e ocupação do solo tem grande influência. Nos últimos anos, a coisa pode ser agravado pela chegada de muitas fazendas de agricultura”, analisa José Marengo, pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Além do desmatamento no próprio bioma, a destruição da mata na Floresta Amazônia também influencia o regime das águas no Pantanal: parte das chuvas vem da umidade da Floresta Amazônica, por meio dos chamados rios voadores.

Até o fim da temporada da seca, a expectativa é desanimadora. “Estamos contanto com redução de algumas espécies. Muitas delas já são ameaçadas, e o fogo atual pode ter um efeito de piorar o status de conservação”, prevê Danilo Bandini, pesquisador da UFMT.

Região repleta de fazendas de gado, o Pantanal tem apenas 3,5% de seu território protegido por unidades de conservação onde, até o momento, não há registro de focos de calor pelo Inpe.

“Não há como dissociar o que está acontecendo agora com a relação que o homem tem com a natureza. Achar que é normal é um equívoco”, diz Angelo Rabelo, numa referência à pandemia e às queimadas. “Temos que repensar essa relação e cuidar dessas áreas que cumprem um papel determinante para proteger espécies que podem, no futuro, trazer soluções de doenças que ainda nem apareceram”, finaliza.

A biodiversidade floresce nas cidades quando os espaços verdes ficam selvagens

De Dublin a Dessau, as cidades estão deixando espaços verdes, uma vez bem cuidados, para reconstituir flores e gramíneas nativas que atraem mais insetos, pássaros e animais selvagens. Essa mudança de paradigma levará tempo, no entanto.

O que aconteceria se parássemos de tratar espaços verdes nas cidades, se trancássemos o cortador de grama e permitíssemos que grama, ervas, arbustos e flores silvestres nativas fizessem suas próprias coisas?

Como várias novas iniciativas urbanas de “retrocesso” demonstraram, borboletas, insetos, pássaros e animais selvagens logo chegam para participar da festa. E, como a biodiversidade auto-reguladora substitui a monocultura pesada para manutenção, essas áreas selvagens urbanas também se tornam mais resistentes à seca – e sequestram mais CO2. Patógenos e pragas também são reduzidos, o que significa que há muito menos necessidade de produtos químicos e pesticidas.

Rewilding é uma mudança de paradigma de uma tradição secular de gerenciar e controlar espaços verdes, seja na forma de áreas de caça ou espaços públicos estetizados.

Uma idéia relativamente nova, que só entrou no dicionário em 2011, a re-exploração foi descrita recentemente pela escritora e curadora de ecologia Anna Souter como o ato de incentivar “a terra a se tornar voluntariosa”.

Além das idéias tradicionais de conservação gerenciada, “re-silenciar tenta abordar um lugar com imaginação e um senso de curiosidade sobre o que poderia acontecer se os seres humanos parassem de tentar administrar a natureza”, escreveu ela.

Muitos projetos de reconversão se concentram em devolver grandes áreas de terra ao deserto, mas, mais recentemente, as cidades europeias mostraram uma tendência para iniciativas urbanas menores.

Polinizador-amigável

Desde 2015, o Conselho da Cidade de Dublin (DCC) tem permitido que flores silvestres nativas antes consideradas ervas daninhas floresçam e plantem em pastagens de parque, espaços abertos, valas na estrada e até cemitérios. Em vez de serem cortados, o trevo e o dente-de-leão também são deixados para criar habitat e alimento para insetos, abelhas e outros polinizadores.

St Anne’s Park, em Dublin, foi colonizada por diversas flores silvestres

“Um terço das espécies de abelhas nativas estão em risco de extinção aqui na Irlanda, o que destacou como as práticas precisam mudar”, disse a diretora de biodiversidade da DCC, Lorraine Bull. O uso de herbicidas é muito baixo como resultado do programa. Em média, 80% desses espaços verdes urbanos são agora favoráveis ​​aos polinizadores.

Um dos primeiros locais de relançamento urbano foi o High Line, em Nova York, uma ferrovia elevada que já foi abandonada e enlouqueceu ao longo de décadas antes de ser adaptada a um parque público em flor.

Abrindo em etapas desde 2009, os jardins da High Line são apenas “editados” para “imitar a dinâmica de uma paisagem selvagem”. Uma matriz de gramíneas suporta flores silvestres, árvores e arbustos que entram e saem como na natureza. Algumas espécies simplesmente sopraram com o vento.

‘Cidades ousam deserto’

A Rewilding também foi adotada em toda a Alemanha. As cidades de Dessau, Hannover e Frankfurt e Main iniciaram um projeto de cinco anos em 2016, chamado “Städte wagen Wildnis” (Cidades Dare Wilderness), que visa aumentar o habitat de diversas espécies. Em contraste com os parques alemães altamente gerenciados, esses centros urbanos estão deixando espaços alocados em sua maioria sem cultivo. Auto-regulação é o mantra.

Há cinco anos, Dessau, que fica no antigo leste da Alemanha, foi caracterizada por uma população em declínio e uma infinidade de prédios abandonados e terrenos baldios. Para os planejadores urbanos, retroceder fazia muito sentido. Assim, a cidade começou a comprar propriedades e terras não utilizadas suficientes para criar uma zona verde pública em forma de bumerangue de 120 hectares para retornar à natureza. Os terrenos dos conjuntos habitacionais existentes tornaram-se parte do projeto de rewilding. Pretendia-se que o deserto ‘ousado’ não apenas encorajasse a biodiversidade, mas também tornasse a cidade mais atraente e melhoraria a vida dos moradores.

Os planejadores urbanos de Dessau reutilizaram antigas áreas industriais

“Os extensos prados floridos atraem uma variedade incrível de espécies”, disse à DW Christiane Jahn, chefe do departamento de planejamento da cidade, acrescentando que o rico habitat resultante do projeto de quatro anos atrai pássaros canoros, ouriços, borboletas e algumas das 67 abelhas. variedades endêmicas do estado da Saxônia.

Enquanto o perímetro externo da zona de desmatamento será deixado de novo em florestas, os grandes prados internos são administrados – mas apenas em um grau mínimo, com a área cortada apenas uma ou duas vezes por ano.

“Eles são muito robustos e toleram a seca no verão melhor do que os curtos gramados de outros espaços verdes”, diz Jahn dos prados que se mostraram resistentes aos verões extraordinariamente secos de 2018 e 2019.

Operação de limpeza tira 103 toneladas de plástico do mar

A ONG Ocean Voyages Institute bateu o próprio recorde de limpeza em mar aberto em uma expedição que durou 48 dias.

Uma recente operação de limpeza retirou em 48 dias cerca de 103 toneladas de lixo plástico do mar, entre redes e petrechos de pesca e itens plásticos que a humanidade consome no seu dia a dia.

A ação percorreu as costas da Califórnia e do Havaí e foi uma iniciativa do Ocean Voyages Institute que, com a coleta quebrou o próprio recorde de maior limpeza de lixo plástico dos oceanos.

Infelizmente, além do plástico, o navio recolheu muitos animais mortos e esqueletos que estavam envolvidos pelo lixo, em especial por redes de pesca abandonadas em mar aberto.

“Não existe uma solução rápida e simples para a quantidade de lixo nos oceanos. São necessários longos períodos no mar, com uma equipe extremamente competente, para que seja possível realizar ações de limpeza como esta”, explica Locky MacLean, ex-diretor da Sea Shepherd, ONG que atua na proteção da vida marinha.

Foto: Ocean Voyages Institute
Uma grande ilha de lixo se encontra entre o Havaí e a Califórnia, em uma das áreas mais remotas do Oceano Pacífico. Pesquisadores estimam que cerca de 80 mil toneladas de resíduos façam parte desta ilha de lixo, sendo a maior parte proveniente de petrechos de pesca.

As ilhas de lixo se formam graças à ação de correntes oceânicas circulares que concentram o lixo em áreas específicas.

Apesar das ações de limpezas serem parte da solução do problema, é necessário pensar na causa: todos os anos até 12,7 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e a estimativa é que um total de 150 milhões de toneladas do material circulem atualmente pelos mares.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A poluição plástica é composta de micro plásticos a grandes redes de pesca, uma imensidão de produtos que não são biodegradáveis e ameaçam gravemente a vida marinha. Um triste exemplo do mal que estamos fazendo às espécies marinhas foi a baleia encontrada por pesquisadores filipinos com 40kg de plástico no estômago, incluindo.

Além do plástico descartável, Europa está pronta para proibir também as embalagens plásticas

A Comissão Europeia está pronta para proibir as embalagens plásticas e está examinando possíveis regulamentações com o objetivo de reduzir o lixo plástico e a contaminação ambiental causada pelo microplástico.

Isso é o que acaba de ser revelado por Virginijus Sinkevicius, novo comissário para o meio ambiente e oceanos da comissão von der Leyen, em entrevista ao jornal alemão Die Welt.

“Definitivamente, queremos expandir as regras para plásticos descartáveis ​​e atualmente estamos investigando qual direção seria possível. Um passo importante seria, por exemplo, proibir embalagens plásticas ou prescrever o uso de plástico reciclado”, afirmou Sinkevicius.

Segundo a Comissão Europeia, mais de 80% do lixo marinho é composto de plástico que, devido à sua lenta decomposição, se acumula no meio ambiente, ameaçando a vida selvagem. Os animais, além de serem presos e mortos no lixo, ingerem pedaços de plástico que acabam na cadeia alimentar e, consequentemente, em nossos pratos.

Animais marinhos confundem plástico com comida. Mas por que será?
Precisamente para proteger a saúde do meio ambiente, da fauna e, claro, a nossa, a União Europeia decidiu proibir artigos de mesa, cotonetes, balões e outros objetos plásticos descartáveis ​​a partir de 2021, e agora também pode proibir embalagens de plástico, exigindo o uso de soluções mais sustentáveis.

A Comissão Européia também está examinando outros possíveis regulamentos para reduzir a poluição de plásticos, do imposto sobre resíduos de plástico aos regulamentos que podem conter a liberação de microplásticos, forçando as empresas a encontrar alternativas para reduzir drasticamente o potencial de liberação de partículas poluentes dos cosméticos, pneus e outros produtos.

O problema do microplástico

Meio Ambiente,Plásticos,Oceanos,Poluição,Blog do Mesquita 05

Os microplásticos são liberados a partir de inúmeros produtos e, como o plástico, se acumulam nos ecossistemas prejudicando solo e água e expõem a população a riscos à saúde.

Segundo Sinkevičius, até o final deste ano, a UE fornecerá uma lista muito detalhada de todos os produtos que contêm microplásticos ou feitos com microplásticos.

Nos próximos meses, a União Europeia poderá tomar medidas para eliminar o uso de plástico para embalagens e reduzir a contaminação ambiental por microplásticos. Enquanto isso, todos nós já podemos fazer muito para limitar a poluição por plásticos, por exemplo, escolhendo comprar alimentos e produtos de higiene a granel sem embalagem ou com embalagem reduzida, reciclável ou de fácil decomposição.

Baleias vivas geram bilhões de dólares ao país em serviços ecossistêmicos

Por muito tempo, o valor econômico de uma baleia poderia ser medido pelo óleo extraído do animal morto, usado para iluminar as cidades antes do advento da eletricidade.
Observação de baleia em Porto Seguro, Bahia. Foto: Projeto Baleia Jubarte.

O que pouca gente sabe é que as baleias vivas também podem ser medidas em termos de ganhos econômicos. E a cifra não é pequena. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke estimou que as grandes baleias que trafegam pelas águas de jurisdição brasileira são avaliadas em cerca de 82,5 bilhões de dólares. Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke (Carolina do Norte) calcularam, a pedido do Projeto Baleia Jubarte e da organização Great Whale Conservancy (GWC), o valor das baleias vivas para o Brasil levando em conta o turismo de observação que existe em torno desses animais, a captura de carbono e a fertilização marinha.

Esse mesmo grupo de economistas havia calculado, em 2019, o valor global dos serviços ecossistêmicos das baleias vivas em cerca de um trilhão de dólares norte-americanos.

Como foi feito o cálculo?

O Projeto Baleia Jubarte e a organização Great Whale Conservancy (GWC) forneceram estimativas das populações de baleias em águas brasileiras. Os economistas do FMI e da Universidade Duke pegaram essas estimativas e calcularam os valores dos serviços oferecidos pelas baleias em ecoturismo, sequestro de carbono, e estímulo ao crescimento do fitoplâncton, utilizando as ferramentas de Economia Financeira, como a Valoração.

“A principal dificuldade para nós era fazer previsões sobre as populações futuras, no caso de recursos naturais vivos, como as baleias. É especialmente difícil prever com que rapidez uma espécie ou ecossistema ameaçado crescerá. Felizmente, tivemos o apoio de outros cientistas especialistas em biologia das baleias, e uma de nossa equipe é especialista em modelagem matemática”, explica o economista Connel Fullenkamp, professor da Universidade Duke e um dos autores do estudo.

Baleia franca astral. Foto: Wikipédia

“No momento, estamos escrevendo um documento técnico que detalha os cálculos, e o publicaremos quando estiver pronto. Uma breve visão geral é que projetamos os serviços fornecidos pelas baleias no futuro e, usando estimativas dos preços de mercado desses serviços, localizamos o valor presente (o valor hoje) desses serviços”, disse, em entrevista a ((o))eco, por e-mail..

Capturadoras de carbono

As baleias acumulam carbono ao longo da vida. Cada grande baleia sequestra, em média, 33 toneladas de CO2, retirando esse carbono da atmosfera por séculos. Para efeito de comparação, uma árvore absorve, em média, apenas 7 kg de CO2 por ano.

Além do sequestro no próprio corpo, as baleias têm o poder de multiplicar a produção de fitoplâncton, criaturas microscópicas responsáveis pela captura de nada mais, nada menos, que 40% do CO2 produzido no mundo. Isso equivale à quantidade de emissões capturada por 1,70 trilhão de árvores – ou quatro florestas amazônicas. Mais fitoplâncton significa mais captura de carbono.

“A diversidade de baleias que ocorre aqui contribui para a fertilização marinha de maneiras diferentes. Por exemplo, os cachalotes, que vivem na borda da plataforma continental, se alimentam a grandes profundidades e depois defecam nas águas superficiais, promovendo aumento do fitoplâncton que está na base da cadeia alimentar.

Já espécies grande-migratórias, como as baleias-jubarte, se alimentam nas regiões polares no verão e trazem nutrientes para as regiões tropicais no verão. São literalmente centenas de milhares de toneladas de fertilizante natural que, em última análise, torna a pesca possível em nossa costa em volumes muito maiores do que se não houvesse esse serviço prestado pelas baleias”, explica José Truda Palazzo, Jr, ex-chefe da delegação científica do Brasil à Comissão Internacional da Baleia e atual Coordenador de Desenvolvimento do Instituto Baleia Jubarte.

A ciclagem de carbono e a fertilização dos oceanos são dois serviços ecossistêmicos de maior relevância prestada pelos grandes cetáceos, animais que tiveram redução drástica de população em todo mundo por causa da caça. Apesar da proibição na década de 80, e do anúncio recente do fim da captura “científica” de baleias pelo Japão, que restringirá a caça ao seu próprio território marinho, as grandes populações de cetáceos ainda se recuperam de séculos de caça indiscriminada.

Atividade não extrativa em Abrolhos. Foto: Projeto Baleia Jubarte.
Ainda segundo Truda, que também é colunista de ((o))eco, a fertilização dos oceanos promovida pelas grandes baleias beneficia diretamente a pesca. “Esse fenômeno é ainda mais importante em mares tropicais, relativamente pobres de nutrientes, como no Brasil”.

Outro importante serviço fornecido pelas grandes baleias, principalmente as mais exibidas, como a jubarte (Megaptera novaeangliae) e a franca (Eubalaena australis), é o turismo de observação, um dos maiores aliados da conservação destas espécies.

“[O turismo de observação de baleias] é uma atividade muito próspera, principalmente porque agrega a conservação do animal, gera pesquisa científica e aproximação das pessoas com os animais marinhos”, explica Sergio Cipolotti, coordenador operacional do Instituto Baleia Jubarte.

O turismo de observação de cetáceos movimenta, no mundo, cerca de 2 bilhões de dólares anuais. São mais de 130 países que promovem a atividade.

No Bahia, a visitação embarcada para observação ocorre principalmente no inverno, na época de reprodução das jubartes.

“A baleia fomenta o turismo no momento de baixa temporada e atrai pessoas do mundo inteiro. É uma atividade muito emocionante, todos têm um feedback muito positivo e, principalmente, aproxima as pessoas da questão da conservação dos oceanos. É uma forma única de sensibilização para essas questões, com as pessoas em um ambiente natural observando esses animais majestosos”, diz Cipolotti, que é encarregado da área de turismo do Instituto Baleia Jubarte.

Medidas de isolamento aumentam a quantidade de lixo doméstico e hospitalar

Mesmo com a interrupção dos trabalhos em grande parte dos setores, a coleta de resíduos entrou na lista dos serviços considerados “essenciais” e que, portanto, não podem parar, por vários motivos, mas, principalmente, pela importância em relação à proteção do meio ambiente e da saúde humana, mesmo durante processos epidêmicos.

As medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial e, para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), estima que as medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial. Já para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes.

Descarte correto é fundamental.

Crédito: Alamy Stock Photo.

Durante o período de quarentena imposto por autoridades de saúde globais para controle da pandemia do coronavírus (Covid-19), a população deve reforçar os cuidados com o descarte dos resíduos. O isolamento social e a prática do trabalho em casa aumentaram o volume de lixo produzido nas casas.

“Por conta desse caráter de essencialidade, é indispensável assegurar que tais serviços sejam diariamente executados, porque eles contribuem para auxiliar na prevenção da transmissão do coronavírus, bem como de outras doenças e endemias decorrentes de acúmulo e má gestão de resíduos. Se não houver trabalho efetivo nessa área, a imunidade e a saúde das pessoas ficariam comprometidas, o que seria um agravante bem sério diante do quadro atual”, observa Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Em relação aos trabalhadores, a Abrelpe recomendou o afastamento das atividades dos empregados que integram grupos de risco (idosos, portadores de doenças crônicas, grávidas e lactantes, por exemplo), o uso e a higienização constantes dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de orientações frequentes para que os funcionários evitem de tocar olhos, nariz e boca antes de sempre higienizar muito bem as mãos.

No Paraná, a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo estima que a produção do lixo residencial dobrou nas últimas semanas. Segundo o engenheiro e coordenador de Projetos Sustentáveis, Charles Carneiro, os restaurantes e comércio em geral pararam de funcionar, mas as pessoas estão produzindo mais lixo em casa. Parece ser uma transferência simples de local. Porém, a situação é mais complexa.

“O agravante desse cenário é que esses setores compram no atacado e a aquisição da sociedade civil é no varejo. As pessoas em casa geram, portanto, muito mais material de acondicionamento de produtos, assim como sobras e aquilo que não é aproveitável para o consumo, aumentando, com isso, ainda mais o volume de lixo”, explicou o secretário Márcio Nunes.

Edélcio Marques dos Reis, diretor de limpeza pública de Curitiba, afirma que não houve aumento na produção de resíduos na capital paranaense, devido a um equilíbrio que ocorreu com a paralisação da atividade de bares, restaurantes, empresas e a presença menor de moradores da Região Metropolitana circulando na cidade.

“Talvez a resposta esteja aí. As pessoas estão em casa, estão gerando um pouco mais de resíduo, mas, em compensação, milhares de pessoas deixaram de vir diariamente à cidade, que são moradores da Região Metropolitana da cidade. Essas pessoas ficam nos municípios de origem e deixam de gerar lixo na capital”, avalia.

Curitiba gera, em média, 1,6 toneladas de resíduos domésticos por dia, de acordo com a média do ano de 2019. Nos primeiros meses de 2020, essa média se manteve e houve até uma pequena redução em março, para 1.585 quilos por dia.

Quanto aos resíduos recicláveis, a coleta pública cresceu. De 1.600 a 1.700 toneladas por mês e o total passou para o volume de duas mil toneladas. Mas isso não significa que a população esteja separando mais, mas sim, que existem menos coletores informais transitando pelas ruas.

Descarte em larga escala de máscaras de proteção
contamina oceanos

Algumas das muitas máscaras cirúrgicas achadas na praia das Ilhas Soko. Crédito: OceansAsia

Em alguns pontos do mundo, a pandemia pelo Covid-19 gerou contaminações tão inéditas quanto preocupantes. O alerta é de ambientalistas da ONG OceansAsia, que denunciaram o impacto desse novo tipo de lixo nas Ilhas Soko, na costa sudoeste de Hong Kong.

A equipe da OceansAsia realiza vários projetos de pesquisa sobre poluição plástica e, duas vezes por mês, visita as ilhas para realizar análises de microplásticos e do acúmulo de lixo na praia, procurando pistas da origem dos detritos. Também em conjunto com a WWF, a pesquisa monitora a superfície do oceano com drones. No início da epidemia, já foram vistas máscaras no ambiente marinho e, com o agravamento do problema, elas foram vistas ao longo da linha da maré alta e do litoral, à deriva nas correntes, chegando até a costa.

O município está fazendo um tipo de quarentena com o lixo coletado que é enviado às associações de catadores parceiras. Unidades que têm espaço nos barracões recebem o material em um ponto do depósito, onde ele fica por, no mínimo, por 24 horas. Só depois desse tempo é que o material vai para triagem e para venda. Para o diretor de limpeza pública, Edélcio Marques dos Reis esse é o protocolo adequado para que se evite a propagação do coronavírus e se garanta mais segurança para a saúde dessas pessoas que prestam um trabalho fundamental para o meio ambiente.

“Também vivemos um momento de epidemia de dengue. É muito importante para quem está em casa, até para ocupar o tempo, que faça a limpeza do quintal, desentulhe e desapegue das coisas sem uso. Se for material reciclável, as pessoas podem apresentá-los para a coleta seletiva. Se for orgânico, entregar para o caminhão da coleta. Jamais jogue o lixo em terreno baldio, nos cantos das ruas ou na beira dos rios.”

Iniciativas privadas também perceberam alteração na geração de lixo doméstico. A startup Composta+ coleta sobras orgânicas em mais de duzentas casas e em mais de cem empresas para fazer compostagem e fabricação de adubo e fertilizantes orgânicos. Em épocas normais, a empresa coletava uma média de 45 toneladas por mês. Após a quarentena iniciar, a quantidade de lixo orgânico gerada nas casas aumentou 26%.

A humanidade precisa repensar o consumo de plástico e o descarte do lixo. Essa imagem nos faz lembrar a urgência de medidas responsáveis, para que não se tornem tão frequentes como hoje.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A startup viu neste momento uma oportunidade de negócio e, para as pessoas, uma chance de construir hábitos sustentáveis e saudáveis. A empresa até lançou promoções, com uma isenção no 1°mês, para conseguir mais clientes dispostos a separar os resíduos para compostagem. O serviço funciona por assinatura. A empresa leva os baldinhos até os locais e passa uma vez por semana recolhendo os orgânicos gerados. O custo mensal inicial para residência é de R$55 por mês.

“Mesmo com esse momento difícil, queremos compostar o máximo que a gente puder, pois essa é a nossa forma de ajudar a sociedade a enfrentar esse desafio. Queremos levar essa experiência para mais pessoas e famílias, para que possamos gerar esse impacto positivo no mundo – junto com a entrega de mudas e adubo, revivendo momentos como o de cultivo de uma mudinha, até para dar uma desestressada”, diz Igor Gonçalves Oliveira, representante da Composta.

Os microorganismos podem resolver nosso problema de resíduos de plástico?

A reciclagem de plásticos e outros materiais sintéticos costuma ser cara e nem sempre é possível.

Agora, os pesquisadores descobriram uma enzima que decompõe o PET em apenas algumas horas e permite que novas garrafas de plástico sejam produzidas com lucro.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinaram cerca de 100.000 microorganismos diferentes e finalmente encontraram o que procuravam em uma pilha de folhas. A enzima bacteriana mutada, agora presente na revista “Nature”, decompõe o tereftalato de polietileno (PET)  Em suas partes constituintes em um curto espaço de tempo: em apenas 10 horas, a enzima mutada decompôs 1 tonelada (1,1 tonelada de US) de velhas garrafas plásticas em 90% de seus componentes.

Solução para o problema global de resíduos?

Há muita esperança de que os microrganismos sejam capazes de resolver nosso problema de plástico em um futuro próximo. Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito. Em todo o mundo, são produzidas anualmente cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos, das quais cerca de 150 a 200 milhões de toneladas acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente.Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito.

O tereftalato de polietileno (PET) é o plástico de poliéster mais difundido, com quase 70 milhões de toneladas usadas a cada ano. Na sua forma mais pura, o PET é usado na indústria de alimentos, por exemplo, na produção de garrafas, filmes e embalagens de alimentos. O poliéster resistente a rasgões, intempéries e sem rugas também é usado para fabricar fibras têxteis.

No entanto, o PET não pode realmente ser reciclado, apenas reduzido. Durante esse processo termomecânico, o material perde muitas de suas propriedades e pode ser usado apenas para produtos inferiores, como tecidos de lã ou tapetes.

Resultados da pesquisa japonesa

Pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto descobriram em 2016 que certas enzimas podem quebrar os plásticos. Ao examinar as águas residuais, sedimentos e lodo ativo em uma planta de reciclagem de garrafas PET, eles encontraram a bactéria Ideonella sakaisensis 201-F6. Duas enzimas anteriormente desconhecidas da bactéria são responsáveis ​​pelo processo de decomposição natural. A enzima ISF6_4831 converte PET em um produto intermediário, e a outra enzima, ISF6_0224, converte ainda mais esse produto intermediário para que, no final, restem apenas ácido tereftálico e glicol inofensivos.

No entanto, como esse processo de decomposição natural leva mais de um ano, cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA continuaram suas pesquisas e, acidentalmente, criaram a nova enzima mencionada acima, que decompõe o PET muito mais rapidamente. Os resultados foram publicados pela primeira vez em 2018 na revista “Proceedings of the American Academy of Sciences” (PNAS).

Há muito se sabe que certos fungos podem decompor não apenas o PET, mas também o alsopoliuretano. Milhões de toneladas desse plástico também são produzidas anualmente, principalmente como espuma macia usada para itens como isolamento de espuma, esponjas de cozinha e fraldas, ou como espuma rígida em calçados esportivos, por exemplo. Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Quando o poliuretano se degrada, podem ser liberados produtos químicos tóxicos e cancerígenos que matariam a maioria das bactérias. No entanto, a bactéria encontrada em um aterro sanitário e apresentada ao público em março pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig não é afetada.Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Provém da cepa das bactérias Pseudomonas, que são capazes de sobreviver mesmo sob condições adversas, como altas temperaturas e ambientes ácidos.

Embora seja muito mais fácil usar bactérias do que fungos para aplicações industriais, Hermann Heipieper, da equipe de pesquisa Helmholtz, estima que ainda levaria 10 anos para que a bactéria pudesse ser empregada em larga escala. Enquanto isso, é importante diminuir o uso de plásticos difíceis de reciclar e reduzir a quantidade de plásticos no ambiente, diz Heipieper.

Perspectivas lucrativas

A enzima recentemente apresentada pode ser de grande benefício não apenas para o meio ambiente, mas também para a empresa francesa Carbios, que trabalha intensamente há anos na decomposição em larga escala de PET usando enzimas e que também financiou esse desenvolvimento.

Em cinco anos, a Carbios pretende trazer o novo processo de reciclagem para o mercado em escala industrial. Isso pode valer a pena porque o custo da enzima é de apenas 4% do custo do petróleo necessário para produzir uma quantidade comparável de novas garrafas de plástico.

Embora as garrafas de PET ainda precisem ser trituradas e aquecidas, o novo processo é lucrativo, disse Martin Stephan, vice-diretor da Carbios. Para garantir que o desenvolvimento de enzimas possa ganhar rapidamente impulso, a Carbios recebe forte apoio financeiro de grandes empresas como Pepsi e L’Oreal.

Alta concentração microplástica encontrada no fundo do oceano

O que acontece com os microplásticos no oceano?

Os cientistas identificaram os níveis mais altos de microplásticos já registrados no fundo do mar.

A contaminação foi encontrada em sedimentos retirados do fundo do Mediterrâneo, perto da Itália.

A análise, liderada pela Universidade de Manchester, encontrou até 1,9 milhão de peças plásticas por metro quadrado.

Esses itens provavelmente incluíam fibras de roupas e outros tecidos sintéticos e pequenos fragmentos de objetos maiores que haviam se quebrado ao longo do tempo.

As investigações dos pesquisadores os levam a acreditar que os microplásticos (menores que 1 mm) estão sendo concentrados em locais específicos no fundo do oceano por poderosas correntes de fundo.

“Essas correntes constroem o que chamamos de depósitos à deriva; pense nas dunas subaquáticas”, explicou o Dr. Ian Kane, que liderou a equipe internacional.

“Eles podem ter dezenas de quilômetros de comprimento e centenas de metros de altura. Eles estão entre os maiores acúmulos de sedimentos da Terra. Eles são feitos predominantemente de lodo muito fino, por isso é intuitivo esperar que microplásticos sejam encontrados dentro deles”.

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Os indígenas brasileiros premiados na ONU

Miniusina dentro de aldeia da Terra Indígena Wawi transforma a polpa do pequi em óleo; 2018 teve produção recorde e exportações para os Estados Unidos

Um dos líderes da Terra Indígena Wawi, em Mato Grosso, Winti Kisêdjê relata à BBC News Brasil uma conversa recente entre um fazendeiro e um cacique de seu povo.

Grande produtor de soja da região de Querência (MT), o fazendeiro ofereceu à comunidade cursos para que indígenas pudessem trabalhar como operadores de máquinas agrícolas em sua propriedade. “O cacique respondeu que o fazendeiro não precisava mais nos procurar, porque a gente já tem o nosso trabalho”, conta o indígena.

Winti se referia à produção de óleo de pequi, fruto típico do Cerrado com múltiplas aplicações culinárias, cosméticas e medicinais. O projeto dos kisêdjê foi agraciado neste ano com o Prêmio Equatorial, com que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) reconheceu 22 soluções de desenvolvimento sustentável promovidas por comunidades locais e indígenas. Membros do grupo viajarão a Nova York neste mês para receber o prêmio, durante a Assembleia Geral da ONU.

A atividade – uma das duas iniciativas brasileiras premiadas entre 847 candidaturas de 127 países – se soma a uma crescente lista de empreendimentos reconhecidos internacionalmente com que indígenas brasileiros têm conciliado geração de renda e preservação ambiental.

No caso do óleo de pequi, a coisa vai além, pois os frutos são colhidos em terras que estavam degradadas após terem sido ocupadas por pecuaristas no passado. Depois de retomarem o território, nos anos 1990, os kisêdjê espalharam pequizeiros pelas pastagens – que, aos poucos, vão recuperando sua feição original de floresta de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

Winti KisêdjêDireito de imagem LUCAS LANDAU/REDE XINGU +
Winti Kisêdjê (à dir.) e Tawaiku Yudjá em encontro de povos da floresta xinguanos na Terra Indígena Menkragnoti, no sul do Pará

A lista de casos de sucesso inclui a produção de mel e de óleo de babaçu por indígenas da bacia do Xingu e a instalação de miniusinas para beneficiar produtos de ribeirinhos na região da Terra do Meio, no Pará. Entre os clientes dos grupos estão marcas como Pão de Açúcar, Mercur e Wickbold, além de chefs como Alex Atala e Bela Gil.

As iniciativas se destacam num momento em que o governo Jair Bolsonaro defende abrir terras indígenas para a mineração e a agropecuária, argumentando que as atividades ajudariam melhorar as condições de vida dos grupos. O presidente costuma dizer que o “índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica” – afirmação duramente criticada por indígenas presentes no 4º encontro da Rede Xingu+, conferência de povos da floresta acompanhada pela BBC entre 21 e 23 de agosto (leia mais abaixo).

14 etnias unidas no Xingu

Grupos indígenas brasileiros mantêm graus variados de trocas econômicas com a sociedade envolvente. Há situações em que as trocas são mínimas – caso de alguns povos isolados na Amazônia – até grupos com relações comerciais antigas e consolidadas. Em vários pontos do Brasil, comunidades indígenas ajudam a abastecer mercados locais com frutas, peixes e legumes. Na região do Alto Rio Negro (AM), por exemplo, boa parte da farinha de mandioca à venda em cidades é fabricada por comunidades indígenas.

A novidade é o surgimento de iniciativas que buscam agregar mais valor aos produtos, focando, em muitos casos, públicos de grandes cidades do Brasil e do exterior – como o óleo de pequi dos kisêdjê.

A experiência do grupo com o item foi apresentada no encontro, ocorrido na Terra Indígena Menkragnoti, no Pará. A reunião agregou líderes de 14 etnias indígenas e de quatro reservas extrativistas da bacia do Xingu para debater o cenário político brasileiro e alternativas econômicas a atividades que destroem a floresta.

Ao anunciar os vencedores do Prêmio Equatorial, o Pnud disse que os kisêdjê transformaram “o status quo, recuperando suas terras tradicionais e desenvolvendo um modelo empresarial inovador que usa árvores de pequi nativo para restaurar paisagens, fomentar a segurança alimentar e desenvolver produtos para mercados locais e nacionais”.

A outra entidade brasileira premiada foi o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Segundo o Pnud, o grupo “garantiu os direitos de 55 mil indígenas sobre 1,7 milhão de hectares de terras ao promover a resiliência ecológica e social por meio da conservação de variedades de espécies tradicionais”.

PequiDireito de imagem FÁBIO NASCIMENTO/ISA
Pequizeiros cultivados na Terra Indígena Wawi (MT) em área que havia sido degradada por pecuária no passado

Produção recorde

O pequi dos kisêdjê é colhido e processado em uma miniusina, instalada em 2011 na aldeia Ngôjhwêrê. O projeto foi desenvolvido com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.

Em 2018, a produção de óleo chegou a 315 litros – um recorde. Parte foi exportada para os EUA, e o resto foi comercializado em supermercados da rede Pão de Açúcar e no Mercado de Pinheiros, em São Paulo.

Ao apresentar o caso no encontro da Rede Xingu +, Winti Kisêdjê comparou a produção de óleo de pequi a práticas do agronegócio.

Em algumas terras indígenas brasileiras, comunidades têm arrendado áreas para o plantio de grãos em troca de um percentual da produção. A atividade é hoje proibida, embora o governo Jair Bolsonaro e congressistas da bancada ruralista tentem mudar a legislação para permiti-la.

Para Winti, porém, o agronegócio é incompatível com os modos de vida das comunidades. “Não podemos pensar só em economia, temos que pensar na sobrevivência de nossa cultura”, ele afirmou.

Winti lembrou que o plantio de grãos no Brasil envolve o uso intensivo de agrotóxicos, que podem contaminar rios e animais. Por isso, diz ele, indígenas que optem por aderir à atividade talvez tenham de abrir mão de práticas milenares como a caça e a pesca para não correr o risco de se contaminar.

encontro Xingu +
Image caption Conferência que reuniu 14 etnias indígenas e quatro comunidades ribeirinhas na Terra Indígena Menkragnoti (PA)

Mel de índios do Xingu

Não foi a primeira vez que indígenas brasileiros receberam reconhecimento internacional por algumas de suas atividades econômicas.

Em 2017, grupos do Território Indígena do Xingu (MT) ganharam o Prêmio Equatorial do Pnud por seu trabalho na autocertificação de mel orgânico. O projeto envolve cem apicultores de 39 aldeias dos povos kawaiwete, yudja, kisêdjê e ikpeng.

Em 2018, a FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar) deu uma menção honrosa no prêmio “Saberes e Sabores” às mulheres do povo Xikrin da aldeia Pot-Krô, da Terra Indígena Trincheira Bacajá (PA), pela produção de óleo de babaçu.

O óleo, tradicionalmente usado como cosmético nas aldeias, é hoje processado em uma miniusina e comercializado também fora do território.

Outros itens produzidos por indígenas que têm atraído a atenção de grandes marcas no Brasil e no exterior são a pimenta produzida pelo povo baniwa, no Amazonas, e os cogumelos do povo yanomami da região de Awaris, em Roraima. Os chefs Alex Atala e Bela Gil já usaram os produtos em receitas.

Rede de cantinas

Na Terra do Meio, região formada por reservas extrativistas e terras indígenas no médio Xingu, no Pará, comunidades locais encontraram uma solução para a falta de capital de giro, problema que inviabilizava atividades econômicas mais vultosas.

Os grupos formaram coletivos batizados de cantinas para processar e vender produtos da floresta extraídos sem desmatamento.

Hoje há 27 cantinas na região, que contam com oito miniusinas e produzem itens como farinha de babaçu, óleo de copaíba e castanha-do-pará. A clientela da rede conta com multinacionais como Mercur, Firmenich e Wickbold, além de prefeituras da região.

Entre 2009 e 2018, as cantinas comercializaram produtos no valor de R$ 3,75 milhões, dos quais R$ 2,08 milhões em 2018. O capital de giro dos coletivos é de cerca de R$ 500 mil.

Integrante da rede e moradora da Reserva Extrativista do Rio Iriri, a ribeirinha Liliane Ferreira, de 26 anos, criticou Bolsonaro por ele afirmar que povos amazônicos seriam pobres.

“Ele (Bolsonaro) diz que somos pobres porque não conhece a nossa realidade. A gente luta, temos dificuldades e pedras no caminho que temos de empurrar, mas temos nossos produtos da floresta. Não precisamos derrubar árvores para ter nosso sustento”, afirmou Ferreira.

aldeia
Image caption Casa dos homens da aldeia Kubenkokre, na Terra Indígena Menkragnoti, onde povos indígenas e ribeirinhos se reuniram para discutir política e alternativas a atividades destrutivas

Encurtamento de distâncias

Para Pablo Molloy, engenheiro agrônomo formado pela USP que assessora associações indígenas em seus negócios, os principais desafios enfrentados pelas comunidades para que iniciativas econômicas sustentáveis deslanchem são distâncias de três ordens.

A primeira é a distância geográfica entre vários dos territórios desses grupos e os locais onde os bens são comercializados, o que dificulta sua chegada aos mercados e encarece os produtos.

A segunda é a distância técnica – os cuidados necessários para que os produtos mantenham sua qualidade até os pontos de venda, fatores que exigem capacitação profissional e o uso de boas práticas do mercado.

A terceira é a distância de comunicação – a importância de saber contar a história desses produtos por meio de seus rótulos, tornando-os atraentes para consumidores que podem estar a milhares de quilômetros de seu local de origem.

Ele diz que os produtos premiados conseguiram encurtar essas três distâncias. Nesse processo, segundo ele, foi fundamental o fortalecimento das associações indígenas que encabeçam as iniciativas. “Elas têm CNPJ e são capazes de conversar com compradores nas grandes cidades ou no exterior”, afirma.

XinguDireito de imagem PLANET LABS
Imagem de satélite mostra avanço de fazendas de gado e soja nos limites de áreas protegidas da bacia do Xingu, em Mato Grosso

Soja x produtos da floresta

Molloy afirma que dificilmente uma atividade econômica de baixo impacto ambiental conduzida por indígenas ou ribeirinhos poderá competir, em termos de lucro, com atividades mais destrutivas que têm seduzido várias comunidades, como o garimpo, a extração de madeira ou o cultivo de grãos em larga escala.

“Pode ser que o óleo de pequi saia perdendo em relação a uma mala de dinheiro dada por um garimpeiro ou a um contrato de arrendamento de terras”, afirma Molloy. “Por outro lado, quando se colocam os dois negócios em perspectiva temporal, passamos a conversar sobre autonomia e liberdade.”

Segundo Molloy, uma comunidade indígena que passe a produzir soja “será um elo frágil em uma cadeia muito maior, onde sua palavra, sua autonomia e sua liberdade estão encurtadas”.

Já iniciativas sustentáveis que valorizem produtos locais permitiriam ao grupo “ser ator da construção daquele produto, definir seu preços, associar-se a ele para transformá-lo em dinheiro”.

Além disso, ele diz que atividades destrutivas podem se mostrar menos vantajosas ainda que resultem em lucros maiores, caso se considerem todos os seus impactos para a comunidade. Por exemplo, um grupo indígena que deixe de pescar e se banhar num rio contaminado por garimpo terá de gastar mais com comida adquirida na cidade e com outras formas de lazer. “Eles terão de gastar muito mais dinheiro do que gastariam caso suas tradições tivessem sido levadas em consideração”, afirma.

Mercados locais

Apesar dos avanços de várias comunidades em seus empreendimentos sustentáveis, Molloy diz que ainda há espaço para melhorias nesses casos – especialmente na comunicação com moradores de regiões vizinhas.

Um relato presenciado pela BBC no encontro da Rede Xingu+ ilustra esse ponto. Representantes do Território Indígena do Xingu disseram ter dificuldade para vender seu mel em mercados de municípios vizinhos, onde moradores teriam receio quanto à qualidade de produtos fabricados por indígenas – embora o item esteja nas prateleiras de uma das principais redes de supermercados do país, o Pão de Açúcar.

“Seria interessante que os mercados locais também pudessem ter contato com os produtos da floresta, o que passa pela desconstrução de preconceitos”, afirma.
BBC