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Comunidade indígena vítima de aplicação de agrotóxico será indenizada

Macaque in the trees
Comunidade Indígena Tey Jusu (Foto: Arquivo)

A Justiça Federal condenou um proprietário rural, um piloto agrícola e uma empresa a pagarem, solidariamente, R$ 150 mil à Comunidade Indígena Tey Jusu, vítima de aplicação irregular de agrotóxico.
Segundo o Ministério Público Federal, a comunidade –localizada em Caarapó (MS), 270km ao sul da capital, Campo Grande— é a primeira do estado a ser indenizada por danos morais coletivos. Eles foram condenados com base no Inquérito Policial nº 0015/2016, instaurado para apuração do delito previsto na Lei nº 7.802/98: ação ilícita de aspersão de agrotóxicos em descumprimento às exigências estabelecidas na legislação. Não é permitida a aplicação aérea de agrotóxicos em áreas situadas a uma distância mínima de quinhentos metros de povoações.

O fato ocorreu em 2015. A aspersão causou, em crianças e adultos, dores de cabeça e garganta, diarreia e febre.

Os membros da comunidade relataram que o avião sobrevoou os barracos de sete famílias, derramando o agrotóxico diretamente sobre elas. Depois, sobrevoou outros barracos junto a uma plantação de milho.

Os indígenas produziram vídeos que mostram um avião agrícola em operação, utilizado na aplicação de fertilizantes e agrotóxicos, em que era possível ler o prefixo da aeronave. O piloto do avião foi identificado. O MPF constatou que foi aspergido sobre a comunidade o fungicida Nativo, classe III.

A Justiça concordou com o argumento do MPF, de que os barracos de lona dos indígenas estavam localizados a menos de 500 metros de distância do local onde ocorreu a aplicação de produtos agroquímicos.

Muitos estavam a apenas 30 ou 50 metros de distância da lavoura. Segundo o MPF, os responsáveis assumiram o risco ao executar a aplicação de agrotóxicos.

Os réus sustentaram que a culpa pela intoxicação seria das vítimas, ao argumento de que os indígenas teriam se afastado da aldeia localizada a mais de 500 metros da área de aplicação do produto para adentrar a lavoura exatamente no dia e hora da aspersão.

A Justiça considerou que os laudos apresentados pelo MPF comprovam a existência de barracos próximos à plantação e não o mero trânsito.

Por fim, a sentença afirma que a condenação por dano moral coletivo é “resultante de ofensa à coletividade indígena – lesão à honra e à dignidade -, consubstanciada na exposição, de parcela de seu grupo, à substância imprópria à saúde humana. A dignidade humana é por excelência o bem jurídico supremo. E, para sua proteção, impõe-se o dever jurídico de todos e do próprio Estado em respeitar a dignidade do próximo, seja o próximo um negro, um branco, um índio ou pertencente a qualquer outra raça ou etnia”.(Frederico Vasconcelos/FolhaPressSNG)

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Fabricante de agrotóxicos é condenada a pagar mais de R$ 1 bi a jardineiro com câncer

Olha o prejuízo (merecido!) aí, gente! Em uma decisão histórica e inédita nos tribunais americanos, a gigante Monsanto, que fabrica herbicidas, foi condenada a pagar indenização de US$ 289 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) a Dewayne Johnson.Blog do Mesquita,Meio ambiente,Ecologia,Agrotóxico,Veneno,Agricultura,Saúde,Câncer

O motivo? Depois de anos trabalhando como jardineiro em uma escola na Califórnia, utilizando Ranger Pro, um agrotóxico comercializado pela Monsanto, Johnson foi diagnosticado com câncer.

Os advogados do jardineiro entraram com processo contra a fabricante, alegando que ela conhece os malefícios que seus herbicidas causam à saúde, mas não os comunica aos consumidores, favorecendo tristes episódios como o que aconteceu com Johnson.

A Monsanto negou que a substância que fabrica seja cancerígena, mas ninguém caiu no blá blá blá. Depois de um julgamento de oito semanas, os jurados decidiram a favor de Johnson, alegando que a empresa está sim “mal intencionada” e que seus herbicidas contribuíram “substancialmente” para a doença do jardineiro.

E o pesadelo da Monsanto não acaba na indenização de R$ 1,1 bilhão que terá que pagar, não… Desde a condenação, as ações da Bayer, que é dona da Monsanto, já caíram 9% na bolsa e prometem despencar cada vez mais. Isso porque há cerca de outros 5 mil casos similares ao de Johnson em andamento nos tribunais dos EUA, que ganharam mais força agora que a primeira vítima venceu a um processo do tipo. Abriu-se precedente e a gente acha é pouco!

Foto: Reprodução/AP

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Cadê os insetos que estavam aqui?

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As borboletas se juntam para procurar água e sal. Foto: Roberto De Nigris/Flickr.

Uma publicação de alguns dias informa, didaticamente, o que pode estar acontecendo no mundo dos insetos. E o que explica, além de ser plausível, é tão impressionante quanto assustador. Em essência, o artigo descreve que em menos de um século a biomassa, ou seja, o peso total dos insetos, foi drasticamente reduzido no nível regional, nacional e possivelmente mundial.

Todos já conhecem o caso das abelhas e suas consequências. Mas o desaparecimento maciço de insetos “benéficos”, “nocivos” ou “inócuos”**, todos juntos, é o anúncio de um desastre ecológico e, portanto, humano, de tal magnitude que nenhum economista ou sociólogo poderia ousar calcular ou prever.

Em resumo, o jornalista reviu informações científicas e entrevistou especialistas que argumentam que as populações de insetos estão diminuindo de forma alarmante em todos os lugares onde o fenômeno foi estudado. A evidência mais impressionante veio de uma sociedade de entomologistas de Krefeld (Alemanha) cujos membros, intrigados com o que parecia ser uma tendência para a redução de insetos voadores, decidiram abordar diretamente a questão graças a registros de coleções massivas muito antigas, incluindo centenários. Verificaram, em resumo, que na atualidade coletam quantidades de insetos medidas em peso, várias vezes inferiores, ao que décadas antes foi coletado, exatamente nos mesmos lugares e com as mesmas técnicas.

Outros estudos chegaram às mesmas conclusões. No artigo, o autor explica a razão pela qual este fenômeno passou tão despercebido e analisa suas implicações para a humanidade. A conclusão é que, se este processo também ocorre em outras regiões do planeta, o que parece ser o caso, todos os processos biogeoquímicos que sustentam a vida na Terra seriam afetados e, muito possivelmente, o fato teria um impacto direto e negativo sobre o futuro da humanidade. Uma ameaça que estimam ser tão grave quanto a da mudança climática, à qual pode estar associada.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 2Os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Acima, o mais conhecido desses devoradores de colheita, o gafanhoto. Foto: Wikipédia.

A primeira reação a esta nota pode ser algo como… Que boa notícia! É bem sabido que os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Os insetos consomem talvez a metade da produção agrícola mundial, tanto no campo como após a colheita. Isso obriga a se usar enormes volumes de inseticidas, o que gera a cada ano perdas e gastos de muitos bilhões de dólares.

Também é bem conhecida a enorme importância de insetos como transmissores ou vetores de doenças graves, como febre amarela, malária, doença de Chagas, doença do sono ou, para ser mais atual, dengue, Chikungunya e Zika. Milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças transmitidas direta ou indiretamente por insetos e bilhões de dólares são usados ​​para preveni-las, combatê-las ou curar os enfermos. Ou seja, se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?

Acontece que, independentemente dos impactos acima citados como “prejudiciais”, uma parte considerável dos hexápodes são “benéficos”, ou seja, são úteis para a humanidade de muitas maneiras que, quase sempre, são desconhecidas ou desconsideradas. O primeiro papel benéfico de insetos para com os humanos é impedir a proliferação de insetos e outros animais “nocivos” que comem as plantas e produtos que o ser humano quer e também, em grande medida, os insetos que são vetores de doenças.

Ou seja, sem o exército silencioso, extremamente especializado e sumamente eficiente de insetos predadores e parasitas, os “prejudiciais” proliferam tanto e tão rapidamente que a humanidade estaria entre a morte por fome e a morte por envenenamento devido ao uso excessivo de pesticidas… o que , a propósito, já está acontecendo. E, é preciso salientar que, além de seus inimigos naturais, as “pragas” são controladas por outras “pragas”, que tiram seus alimentos e limitam o seu espaço vital. Dito de outro modo, os competidores ou concorrentes das “pragas”, embora possam ser “pragas” também, podem se tornar aliados dos humanos, ou seja, “benéficos”… Isto mesmo, a ecologia é muito complicada e é dominada pela relatividade.

“Se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?”.

Outra função dos insetos que é mal compreendida é a dos “inócuos”, que, às vezes, são chamados de “inofensivos”, assim denominados apenas porque muitos não sabem para o que servem. Este enorme grupo de insetos inclui os atores iniciais e fundamentais da decomposição da matéria orgânica, que é indispensável para completar os ciclos biogeoquímicos. Sem a contribuição dos insetos, o processo seria extraordinariamente lento. Tanto que faltariam nutrientes críticos para os próximos elos nas cadeias tróficas. É difícil saber exatamente o que iria acontecer, mas provavelmente a velocidade da vida sem insetos seria muito reduzida e aconteceria em “câmera lenta”, com implicações para a produtividade dos ecossistemas, incluindo a perda de fertilidade do solo e menor crescimento de plantas. Por outro lado, os insetos são fatores-chave da seleção natural e, portanto, da evolução. Sem eles, a vida na terra não se pareceria com o que é hoje.

Mais conhecido, aliás, é o papel benéfico dos insetos na polinização. Mas esta fama existe especialmente em termos de abelhas domesticadas, que são uma pequena fração do grande número de espécies de insetos polinizadores. Deve ser lembrado que qualquer planta que tenha flores precisa ser polinizada, porque sem ela não há reprodução, nem fruto e nem sementes e, finalmente, não haveria novas plantas. E este é o trabalho de uma infinidade de insetos especialmente voadores, que, de acordo com o artigo que é comentado, são os que mais diminuíram. Em suma, um mundo sem insetos seria um mundo meio morto.

É curioso recordar que, sendo os insetos animais exagerados, tanto em diversidade como em biomassa ‒ seu peso poderia superar o de todos os vertebrados juntos ‒ houve alguém que considerou viável que se convertam em uma futura fonte de alimentos de boa qualidade para a humanidade. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e vários especialistas especularam seriamente sobre a possibilidade. A recente revelação de que os insetos estão desaparecendo do nosso mundo ataca diretamente a especulação que, apesar de sua racionalidade, não encorajou ninguém a mudar o cardápio diário.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 3Larvas de Rynchophorus sp., muito aprciadas na Amazônia. Foto: Divulgação.

Além disso, devido à sua diversidade monumental ‒ estima-se que existam de 10 a 30 milhões de espécies, das que só se registrou um milhão ‒ e, especialmente, o pouco conhecimento e quase nenhuma simpatia que por eles têm a maioria dos humanos, os insetos não foram objeto de estudos detalhados no que diz respeito aos riscos de extinção. Nas famosas listas vermelhas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) se mencionam poucas dúzias de insetos ameaçados e, apenas em poucos países, talvez algumas centenas.

Nada sequer aproximado às listas infelizmente intermináveis ​​de mamíferos, aves, répteis e anfíbios ameaçados. No entanto, como mencionado, existem apenas milhares de vertebrados no mundo versus milhões de espécies de insetos que, devido a seu pequeno tamanho e grande especiação, estão frequentemente restringidos a habitats e ecossistemas muito localizados. Ou seja, boa parte das espécies de insetos já deve ter-se extinguido antes de ser classificada, levando-se em conta a velocidade da destruição do mundo natural.

Não se sabe qual é a causa do fenômeno observado ou, de fato, sua magnitude. Obviamente, especula-se que é uma consequência da poluição ambiental geral e da destruição dos ecossistemas naturais, bem como da extrema simplificação daqueles que são antrópicos. Em estudos europeus enfatiza-se que, em quase todos os casos, os locais de coleta de dados estão inevitavelmente próximos aos campos de cultivo onde os pesticidas são usados. Mas a culpa não deve ser apenas dos pesticidas e sim também de milhares de poluentes químicos de todos os tipos produzidos pela atividade humana. O problema também está correlacionado à mudança climática, já que os insetos têm mais dificuldade em se adaptar do que os vertebrados. Muito provavelmente todas as causas estão associadas.

O que é importante notar é que, em qualquer caso, o desaparecimento de insetos não será abrupto ou facilmente percebido pelas pessoas comuns. É até provável que as pragas sejam maiores, mais frequentes e agressivas e mudem, antes que a falta global de insetos afete toda a vida na Terra. Em conclusão, o artigo não dá conclusões nem pode dá-las. É apenas um bom indicador de outra ameaça provável para o futuro humano.

*O autor é doutor em entomologia. No começo da década de 1970 foi presidente da Sociedade Entomológica do Peru.

**Os insetos não são benéficos, nocivos (daninhos ou prejudiciais) ou inócuos (inofensivos). Esses qualificadores apenas representam o ponto de vista humano. Na realidade, insetos, como todos os animais e plantas, sempre desempenham um papel importante no ecossistema. As “pragas” se formam porque os seres humanos fazem algumas plantas proliferarem anormalmente e, na natureza, essa expansão anormal deve ser controlada. Não há insetos bons e ruins. E, tampouco existem insetos inócuos… todos tem uma função na natureza.

Agricultura e pesticidas

As agriculturas do mundo e o negócio das sementes, fertilizantes e pesticidas.

O percurso histórico de agravamento das desigualdades produtivas e da fome, no século XX, é coincidente com o da história das principais multinacionais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Atualmente os discursos políticos e técnicos dominantes nas sociedades ocidentais condicionam brutalmente a opinião de qualquer cidadão sobre o que é hoje a agricultura no mundo. Propagam-se as ideias sobre os avanços tecnológicos da ciência e a sua facilidade de acesso: a mecanização, a comunicação, os processos de automatização, as ferramentas biotecnológicas, a obtenção de novas variedades, etc.

A sociedade absorve a ideia de que a população mundial é suportada por uma espécie de agricultura industrializada. Esta ideia é falsa, mas é sobre ela que se desenham e promovem políticas que são aplicadas local e globalmente. A agricultura é muito diversa e bastante desigual. Esta situação é fácil de constatar, não apenas comparando países “desenvolvidos” com países pobres mas também dentro de cada país.

Pensar e desenhar políticas agrícolas significa intervir sobre a vida de todos nós, mas em especial sobre a vida de uma grande fatia da população mundial que depende diretamente da agricultura enquanto atividade económica e de subsistência, cerca de 27% (FAO, 2010). Os dados da FAO relativos à população agrícola do ano 2010 mostram um globo onde a agricultura e a produção de alimentos andam a velocidades muito diferentes: 49% da população africana; 56% da África Central; 39% da Ásia; 47% da Ásia do sul; 16% da América Latina; 1,7% da América do Norte; 5,9% da Europa; 2% da Europa Central; 4,4% em Espanha; 10,3% em Portugal.

Segundo Mazoyer e Roudart (2001), 80% dos agricultores em África e 40 a 60% na América Latina e Ásia apenas dispõem de utensílios manuais e, entre estes, só 15 a 30% têm tração animal. Referem os mesmos autores que a diferença de produtividade do trabalho entre a agricultura manual menos produtiva do mundo e a agricultura motorizada e mecanizada mais produtiva, no espaço de um século (o séc. XX), passou de 1:10 para 1:500. No caso dos cereais, afirmam que um trabalhador isolado, na melhor situação, consegue produzir 2.000 toneladas, enquanto que, na pior situação, uma família produz apenas 1 tonelada, no espaço de um ano. Estas duas realidades encontram-se hoje, frequentemente, separadas não por um oceano mas por um muro ou vedação.

É sobre esta realidade desigual que se desenham acordos e políticas internacionais que interferem diretamente nas atividades agrícolas, mas é também neste quadro que atuam as diversas empresas multinacionais produtoras e distribuidoras de fatores de produção. Não por mero acaso, o percurso histórico de agravamento das desigualdades produtivas e da fome, no século XX, é coincidente com o da história das principais multinacionais que ainda hoje atuam no mercado mundial.

Foi no decorrer dos anos 60 e 70 que todo o processo se acelerou, com o surgimento crescente de variedades híbridas, adubos e pesticidas, possibilitando o melhoramento da relação semente-fertilizante e consequentemente o grande aumento das produções. Este processo ficou historicamente conhecido por revolução verde. Nos países e regiões mais pobres, onde eram maiores os riscos de fome consequentes do aumento da população e da fraca capacidade produtiva dos sistemas agrários, as consequências foram desastrosas.

A maioria dos novos saberes e tecnologias não chegaram aos agricultores locais e as poucas que chegaram retiraram-lhes a autonomia, criando dependências entre agricultores e empresas fornecedoras de fatores. Na história destas empresas abundam as situações fraudulentas que provocaram a destruição de recursos endógenos e criaram dependências dos seus negócios.

Surgiram diferenciais de produtividade brutais com a entrada em funcionamento de unidades produtivas modernas, os preços dos alimentos caíram, muitos agricultores abandonaram a atividade, destruíram-se redes de distribuição locais e surgiram novas dependências alimentares que espalharam a fome e o desespero. Iniciou-se uma mudança de paradigma, passou a haver produção de alimentos suficiente para alimentar a população mas a fome agravou-se devido à impossibilidade de acesso aos alimentos.

Todas as atuais principais empresas de produção e distribuição de sementes, adubos e pesticidas têm um histórico de atividade que iniciou antes ou durante a revolução verde e quase todas já tiveram reestruturações decorrentes da fusão com outras empresas. Há quase um século que atuam numa área de atividade onde o negócio é garantido e ainda não parou de crescer. Se analisarmos as suas histórias, facilmente constatamos que os seus negócios cresceram sem regras nem princípios, ao lado dos interesses financeiros e políticos das maiores potencias mundiais.

Alguns fatos históricos sobre as principais empresas multinacionais que operam no mercado se sementes, pesticidas e adubos:

Monsanto:

Surge em 1901 com a produção de sacarina. Produz vários equipamentos para a 2ª guerra mundial; em 1945 entra no negócio dos pesticidas; em 1960 é uma das principais produtoras de agente laranja, herbicida com efeito desfolhante aplicado na guerra do Vietname e que provocou sequelas brutais nos soldados e na população local; em 1964 lança o primeiro herbicida seletivo pré-emergência para a cultura do milho.

Syngenta:

Surge apenas em 1999, mas resultou de uma fusão empresarial onde se destacava a Geigy, que se fundou em 1935 e produzia inseticidas; em 1974 entrou no negócio das sementes.

Bayer:

Surge em 1863 como produtora de corantes e mais tarde dedica-se à indústria farmacêutica. Prestou serviços à Alemanha de produção de equipamentos necessários às duas guerras mundiais; Em 1956, Fritz ter Meer, depois de sete anos de prisão consequentes de colaboração em ensaios em seres humanos e tráfego de escravos provenientes de um campo de concentração em Aushwitz, foi nomeado presidente do conselho de supervisão da Bayer.

DuPont:

Iniciou em 1802 com a produção de pólvora; Produziu equipamentos para as duas guerras mundiais; Em 1943 participa no Manhattan Project e no desenvolvimento de uma bomba nuclear; Entre 1997 e 1999 comprou absorveu a empresa Pioneer, uma das maiores empresas que atuava no mercado mundial de sementes (desde 1926), altura em que lançou o primeiro milho híbrido comercializado. Em 1960 lança o inseticida Lanate.

Limagrain:

Surge em 1942 com a produção e venda de sementes.

BASF:

Fundada em 1865 iniciou atividade com a produção de corantes. Em 1913 sintetizaram amónio pela primeira vez. Produziram diversos equipamentos para as duas guerras mundiais. Em 1949 lançam um novo negócio com o herbicida U46.

DOW:

Foi criada em 1897 com um negócio de venda de descolorantes e sais. Forneceu materiais diversos para as duas guerras mundiais; nas primeiras duas décadas do século XX assumiu-se como um dos maiores produtores de pesticidas; entre 1951 e 1975 desenvolveu armas nucleares; entre 1965 e 1969 forneceu napalm e agente laranja para a guerra do Vietname.

Potash Corp

O histórico da empresa remonta a 1975, quando o Governo de Saskatchewan, Canadá, decidiu nacionalizar e agrupar o negócio de um conjunto de empresas estratégicas que operavam pelo menos desde 1950 na extração e venda de potássio e derivados. Em 1989 o grupo foi privatizado.

Mosaic Company

Foi lançada em 2004, nos Estados Unidos, e resultou da fusão de duas empresas, a Cargill e a IMC-Global que tinha histórico de atividade desde 1909.

Yara

Fundada em 1905, 10 anos depois, durante a primeira guerra mundial, fornecia nitratos de cálcio e de amónio à Alemanha e aos Aliados.

OCP Group

Formado em 1920, em Marrocos, na extração e comercialização de fósforo e derivados.

Autor: Ricardo Vicente – engenheiro agrônomo.

Meio Ambiente: mais de 500 toneladas de chumbo são jogadas do ar todos os anos!

A prova de que estamos sendo pulverizados com veneno: mais de 500 toneladas de chumbo são jogadas do ar todos os anos!

Você mora ou já pensou em morar perto de algum aeroporto?

Infelizmente, estamos aqui para dizer que essa não é uma boa ideia.

Primeiro pelo barulho perturbador, causado pelo aviões.

Não ignore essa informação, pois a poluição sonora pode elevar a pressão sanguínea, causar insônia e muito estresse.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No entanto, há outro problema que muita gente desconhece: o combustível das aeronaves  com motor a pistão, ou seja, aquelas de pequeno porte que possuem hélices..

Para quem não sabe, a gasolina desses aviões é extremamente tóxica, pois contém chumbo.

Um estudo realizado por Marie Lynn Miranda, da Universidade de Duke, descobriu que os níveis desse metal no sangue das crianças que vivem a 500 metros de aeroportos eram maiores do que as que viviam na mesma região, porém distantes das áreas de pouso.

Talvez você esteja se perguntando se isso é muito sério.

Vamos explicar: quanto mais chumbo em crianças entre 1 e 5 anos de idade, maiores os transtornos comportamentais e de aprendizado.

The New England Journal Of Medicine publicou uma matéria sobre os níveis de QI.

Acredite: a cada dez microgramas por decilitro de chumbo no sangue de crianças, os níveis de QI  caem 4,6 pontos.

Infelizmente, não só as crianças são vítimas  do combustível cheio de chumbo que vaza dos aviões.

Ele contamina o meio ambiente, atingindo rios, plantas e animais.

E seres humanos adultos também podem sofrer com:

– Irritação na pele, nos olhos e nas vias respiratórias

– Edema pulmonar

– Hipotireoidismo

– Acúmulo de metal no leite materno

– Aborto espontâneo

Se o contato for mais direto, com a inalação da gasolina, você pode ter:

– Náuseas

– Dor na cabeça

– Perda da consciência

– Tontura

Qualquer pessoa pode se contaminar com o chumbo através das vias respiratórias, da pele e da digestão.

O problema é que o metal pesado se apresenta como partículas capazes de serem transportadas a longas distâncias pelo vento.

E o pior é que, só nos Estados Unidos, de acordo com dados da revista General Aviation News, anualmente mais de 500 toneladas de chumbo são despejados nos ares pelos aviões.

Há algumas alternativas para evitar a contaminação pelo chumbo, como a substituição da gasolina de avião por etanol hidratado.

Além deste, também há os biocombustíveis, como óleos vegetais, feitos com pinhão manso, babaçu, falso linho e algas.

Em tempo: no Brasil e na maioria dos países, o chumbo somente é utilizado na gasolina de aviação.