Explorando a Pietà de Michelangelo, uma obra-prima da escultura renascentista

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Durante séculos, o mundo foi cativado pela arte inovadora de Michelangelo. Trabalhando em vários meios, o artista italiano era um verdadeiro homem renascentista, culminando em uma impressionante coleção de obras mundialmente famosas, que inclui o teto da Capela Sistina, uma interpretação icônica de David e a Pietà, uma escultura monumental em mármore da Madonna que está abrigando Cristo.

Criada no final do século XV, a Pietà continua sendo uma das esculturas mais amadas do mundo. Aqui, vamos dar uma olhada nesta peça para entender como sua iconografia, história e características artísticas moldaram um legado tão importante.

O que é uma “Pietà”?

Foto: Museu Metropolitano de Arte Public Domain

Na arte cristã, uma Pietà é qualquer retrato (particularmente, uma representação escultural) da Virgem Maria segurando o corpo de seu filho Jesus. Segundo a Bíblia, Jesus foi crucificado por alegar ser filho de Deus. Embora Maria abraçando seu filho morto não seja mencionada explicitamente no livro sagrado, a cena se tornou um assunto popular entre os artistas há séculos, depois que os escultores alemães introduziram figuras de madeira Vesperbild (um termo que se traduz em “imagem das vésperas”) no norte da Europa. durante a Idade Média.

Em 1400, a tradição chegou à Itália, onde os artistas renascentistas a adaptaram como escultura em mármore – e Michelangelo deixou sua marca com sua versão sem precedentes.

Pietà de Michelangelo

Pieta Vatican
Fotos de arquivo de Drop of Light / Shutterstock

No final do século XV, o jovem artista florentino Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni já era um artista famoso. Ele era particularmente conhecido por sua capacidade de pintar e esculpir figuras bíblicas com características anatômicas realistas, culminando em comissões da elite religiosa de Roma.

No final de 1497, o cardeal Jean de Bilhères-Lagraulas, embaixador francês na Santa Sé, pediu a Michelangelo que construísse preventivamente uma Pietà em larga escala para sua tumba. No ano seguinte, Michelangelo começou a trabalhar na escultura, que ele esculpiu em um único bloco de mármore de Carrara, um material abundante da Toscana. Historicamente usado pelos antigos construtores romanos, esse meio era apreciado por sua qualidade e popular entre os artistas renascentistas.

Quando a obra foi concluída em 1499, recebeu elogios esmagadores, com pintor contemporâneo, arquiteto, escritor, historiador e biógrafo de Michelangelo, Giorgio Vasari, entre seus fãs mais fiéis. “Certamente é um milagre que um bloco de pedra sem forma possa ter sido reduzido a uma perfeição que a natureza dificilmente pode criar na carne”, ele escreveu em The Lives of the Artists.

De fato, a peça foi tão celebrada que, temendo que ele não fosse creditado, Michelangelo – que é conhecido por nunca assinar seu trabalho – inscreveu-a com seu nome. Segundo Vasari, o artista que ouviu os espectadores atribuiu erroneamente a peça a Il Gobbo, um artista milanês. Em resposta, Michelangelo “ficou calado, mas achou estranho que seus trabalhos fossem atribuídos a outro; e uma noite ele se trancou ali e, tendo trazido um pouco de luz e seus cinzéis, gravou seu nome nele.

Uma obra-prima renascentista

O que torna a Pietà de Michelangelo tão especial? Como outras obras do artista, a peça ilustra os ideais da Renascença; em particular, mostra interesse pelo naturalismo.

Durante o Alto Renascimento (1490-1527), os artistas na Itália começaram a rejeitar as formas irrealistas encontradas na arte medieval figurativa em favor de uma abordagem mais naturalista. Na vanguarda dessa tendência, Michelangelo criou esculturas que focavam no equilíbrio, nos detalhes e em uma abordagem realista e idealizada da forma humana.

A Pietà reflete perfeitamente esses ideais renascentistas. Para sugerir equilíbrio, ele transformou a escultura em pirâmide. Popular na pintura e na escultura renascentistas, o uso da composição piramidal – uma técnica artística de colocar uma cena ou assunto dentro de um triângulo imaginário – ajuda o espectador a observar uma obra de arte, orientando-o pela composição. Essa silhueta também sugere estabilidade, o que Michelangelo implicou ainda mais com o uso de cortinas pesadas cobrindo a forma monumental de Maria.

Enquanto, nesse sentido, o grande tamanho da Virgem se presta ao naturalismo da escultura, paradoxalmente também parece irreal, pois ela parece muito maior que o filho adulto. Por que Michelangelo optou por essas proporções? Enquanto a maioria dos historiadores da arte acredita que era uma questão de perspectiva (uma figura massiva espalhada no colo de uma figura menor pareceria desequilibrada), existe outra teoria mais pungente que pode ser rastreada até a tradição Vesperbild.

Enquanto discutia uma estatueta do final do século XIV, o Metropolitan Museum of Art explica que a “pequena escala de Jesus pode refletir os escritos dos místicos alemães, que acreditavam que a Virgem, na agonia de sua dor, imaginava que ela estava segurando Cristo como um bebê. mais uma vez em seus braços.

Legado

Fotos de Stock de Elena Pominova / Shutterstock

Desde a sua inauguração no século XV, a Pietà teve uma vida agitada. Embora, durante séculos, tenha sido alojado na capela funerária da cidade do Vaticano, o cardeal acabou por encontrar um lugar permanente e de destaque na Basílica de São Pedro, onde permanece até hoje.

Embora a peça possua uma história de 520 anos, muitos destaques de seu legado surgiram apenas recentemente. Em meados do século 20, por exemplo, houve muito alarde quando foi exibido na Feira Mundial de Nova York de 1964. Menos de uma década depois, atraiu a atenção quando um homem brandindo um martelo o vandalizou. E, recentemente, no início de 2019, a peça voltou a ser manchete quando os historiadores concluíram que uma pequena estátua de terracota descoberta em Paris provavelmente serviu de estudo.

Mesmo sem esses desenvolvimentos recentes, no entanto, a Pietà, sem dúvida, solidificou seu papel como uma das esculturas mais significativas do mundo.

Papa Francisco considera inaceitável para um cristão apoiar a pena de morte

Discurso à Associação Internacional de Direito Penal / Foto: L’Osservatore Romano

No seu discurso o Santo Padre reafirmou a condenação absoluta da pena de morte, que para um cristão é inadmissível; assim como as chamadas “execuções extrajudiciais”, quer dizer, os homicídios cometidos deliberadamente por alguns estados ou seus agentes e apresentados como consequência indesejada do uso aceitável, necessário e proporcional da força para aplicar a lei.

Francisco assinalou que os argumentos contra a pena de morte são conhecidos. A Igreja –indicou-, mencionou alguns, como a possibilidade de erro judicial e o uso que lhe dão os regimes totalitários como “instrumento de supressão da dissidência política ou de perseguição das minorias religiosas ou culturais”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Do mesmo modo, expressou-se contra a prisão perpétua por ser “uma pena de morte disfarçada”.

O Santo Padre também condenou a tortura e advertiu que a mesma doutrina penal tem uma importante responsabilidade nisto por ter permitido, em certos casos, a legitimação da tortura em determinadas condições, abrindo o caminho para abusos posteriores.

No seu discurso, Francisco também exortou os magistrados a adotarem instrumentos legais e políticos que não caiam na lógica do “bode expiatório”, condenando pessoas acusadas injustamente das desgraças que afetam uma comunidade.

Além disso, abordou a situação dos presidiários sem condenação e dos condenados sem julgamento. Assinalou que a prisão preventiva, quando usada de forma abusiva, constitui outra forma contemporânea de pena ilícita disfarçada.

Também se referiu às condições deploráveis dos penitenciários em boa parte do planeta. Disse que embora algumas vezes isso ocorra devido à carência de infraestruturas, muitas vezes são o resultado do “exercício arbitrário e desumano do poder sobre as pessoas privadas de liberdade”.

Francisco não esqueceu a aplicação de sanções penais às crianças e idosos condenando seu uso em ambos os casos. Além disso, condenou o tráfico de pessoas e a escravidão, “reconhecida como crime contra a humanidade e crime de guerra tanto pelo direito internacional como em tantas legislações nacionais”.

O Papa também se referiu à pobreza absoluta que sofrem um bilhão de pessoas e a corrupção. “A escandalosa concentração da riqueza global é possível por causa da conivência dos responsáveis pela coisa pública com os poderes fortes. A corrupção, é em si mesmo um processo de morte… e um mal maior que o pecado. Um mal que mais que perdoar é preciso curar”, advertiu.

“O cuidado na aplicação da pena deve ser o princípio que rege os sistemas penais… e o respeito da dignidade humana não só deve atuar como limite da arbitrariedade e dos excessos dos agentes do Estado, como também como critério de orientação para perseguir e reprimir as condutas que representam os ataques mais graves à dignidade e integridade da pessoa”, concluiu.

Papa Francisco deve visitar Cuba em Setembro

Autoridades do Vaticano informaram na última sexta-feira que o pontífice estuda visitar Cuba no fim de setembro, antes de sua viagem aos Estados Unidos.

O papa Francisco está considerando a possibilidade de visitar Cuba durante sua próxima viagem aos Estados Unidos prevista para o fim de setembro, informou nesta sexta-feira (17) a assessoria de imprensa do Vaticano.

Em nota, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, explicou que os contatos com as autoridades cubanas para a possível visita do pontífice à ilha “ainda estão em um momento muito inicial para se falar de uma decisão já tomada ou de um projeto operacional”.

O Vaticano divulgou a nota depois de o jornal americano “The Wall Street Journal” ter revelado que o Papa Francisco estava avaliando a possibilidade de visitar Cuba.

O trabalho da diplomacia vaticana foi decisivo no histórico processo de reaproximação entre as autoridades de Cuba e dos EUA.

A visita a Cuba poderia ser a primeira etapa do périplo pelos EUA, onde Francisco se tornará o primeiro papa da história a discursar no Congresso americano.

A possível viagem à ilha seria um dos temas abordados no encontro previsto com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca, no dia 23 de setembro, assim como no discurso que o pontífice fará na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A viagem será encerrada na Filadélfia, onde o papa participará do Encontro Mundial das Famílias, organizado pela Igreja Católica.

Apesar de os contatos com as autoridades cubanas estarem na fase inicial, o Vaticano está se movimentando há muito tempo para viabilizar a visita de Francisco à ilha.

O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, uma espécie de primeiro-ministro do Vaticano, participou da VII Cúpula das Américas, no Panamá, reunião que contou com a presença de Obama e do presidente cubano, Raúl Castro.

Além disso, a imprensa italiana informou que entre 22 e 28 de abril outro colaborador próximo ao papa, o prefeito da Congregação para o Clero, o cardeal Beniamino Stella, viajará a Cuba. Ele foi núncio da ilha entre 1993 e 1999.

Cuba e a Santa Sé também celebram em 2015 os 80 anos do início de suas relações diplomáticas.
O papa Bento VXI viajou a Cuba em março de 2012. Quatorze anos antes, João Paulo II tinha visitado à ilha.
Fonte:MPortal

João XXIII e João Paulo II – Como funciona a máquina de fazer santos da Igreja Católica

Uma vida repleta de virtudes heroicas, exemplos de fé e devoção a Deus. Some-se a isso dois milagres comprovados e estão cumpridos basicamente os requisitos mínimos para se criar um santo da Igreja Católica.

Papa Francisco santifica papas João Paulo 2 e João 23. Foto: AFP
Papa Francisco dá sinais de que retomará ritmo intenso de santificações

O processo, no entanto, depende de uma máquina burocrática complexa em que qualquer desvio de caráter pode custar o título ao candidato – e a certeza de que, invariavelmente, cairá no esquecimento dos fiéis.

Por esse processo, passaram João Paulo 2º, João 23 – com variações em função das épocas e dos casos – e centenas de santos reconhecidos pelo Vaticano até hoje.

Cabe à Congregação para as Causas dos Santos a função de “regular o exercício do culto divino e de estudar as causas dos santos”.

Por meio desse “ministério da santidade”, dirigido pelo cardeal italiano Angelo Amato, que passam as “fichas” dos candidatos à canonização.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]No entanto, a palavra final sempre é do papa, o único com poder para decretar, de fato, a santidade. Nas últimas décadas, esse poder vem sendo exercido cada vez com mais assiduidade.

Durante seu papado, João Paulo 2º nomeou mais de 480 santos, mais do que o restante dos pontífices desde o século 16 juntos.

Apesar de o ritmo ter sido reduzido por Bento 16, que canonizou 44 santos durante seu curto papado, Francisco dá sinais claros de que quer retomá-lo. Em pouco mais de um ano como pontífice, o argentino já realizou mais de dez canonizações.

Em uma delas, Francisco canonizou de uma vez só 800 mártires, os chamados “mártires de Otranto”, que, por razões metodológicas, são contabilizados como uma única canonização.

Segundo especialistas, essa proliferação dos santos se deveu à reforma do processo de canonização nas últimas décadas. O próprio papa João Paulo 2º, tratou de simplificá-lo em 1983.

Enquanto que alguns criticam a multiplicação e o ritmo acelerado das canonizações, considerando que isso diminui o valor da santidade, a Igreja busca estabelecer “exemplos de vida” mais próximos dos cristãos contemporâneos.

Quem pode ser santo?

A santidade, como tantos outros temas relacionados com a religião, é uma questão de fé.

“Qualquer um pode ser canonizado, independentemente de sua origem, condição social ou raça… É preciso apenas que tenha tido uma vida de santidade, que tenha vivido as virtudes cristãs de um modo heroico e que haja ausência de obstáculos insuperáveis”, afirmou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Santiago Blanco, bispo de Cruz del Eje e juiz delegado da Congregação para as Causas dos Santos, na Argentina.

Floribeth Mora na santificação de João Paulo 2. Foto: AP
Missa teve presença de Floribeth Mora, fiel que disse ter sido curada por milagre de João Paulo 2°

No entanto, para que o processo de canonização seja iniciado, o nome do candidato deve ser proposto à diocese, geralmente do lugar onde morreu. Este é considerado o primeiro “filtro” rumo à canonização.

“Todo cristão pode propôr o nome de alguém, mas geralmente os nomes são propostos por dioceses, comunidades religiosas de homens ou mulheres ou grupos de leigos”, disse à BBC Mundo Gerardo Sanchéz, juiz supremo para as Causas dos Santos do arcebispado da Cidade do México.

“Nihil obtat”

“Em primeiro lugar, a história do candidato é analisada, incluindo depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Em seguida, o bispo pergunta as outras dioceses do país se o caso deve ser aberto. E depois disso a petição segue à Roma onde recebe o nihil obstat , uma espécie de certificado de que não há coisas insuperáveis que tornam impossível o início do caso”, acrescentou White.

Após o “nihil obstat”, a primeira das duas fases do processo de canonização, começa a “fase diocesana”, que, uma vez concluída, passa a ser chamada “fase romana”.

Na fase diocesana, o bispo constitui um tribunal ou uma comissão de investigação que estuda em detalhes a história do indivíduo, de sua família e do contexto em que ele viveu. Cabe ao “postulatore della causa” a realização do processo de recolha e pesquisa, como explicou à BBC Brasil o padre Marco Sanavio, diretor de comunicações da diocese de Pádova, na Itália.

Dois milagres

A partir desse momento, para concluir o processo de canonização, a Igreja pede a comprovação de dois milagres atribuídos ao candidato.

No entanto, o papa pode dispensar o candidato desta condição. Isso aconteceu, por exemplo, com João 23, que nomeou São Francisco com apenas um milagre reconhecido.

Segundo White, os “mártires” também estão isentos dessa premissa, uma vez que, segundo a Igreja, eles “morreram como resultado de sua fé”.

A verificação de um milagre é talvez um dos problemas mais complexos e controversos e segue um processo semelhante para as duas fases anteriores da canonização, uma na diocese e uma em Roma.

A fase romana inclui a revisão por um tribunal médico e outros peritos teólogos antes de uma comissão de bispos e cardeais compartilharem sua opinião .

“Se o parecer for favorável, cabe apenas ao Santo Padre assinar o decreto de canonização”, disse White.

O que significa ser santo ?

Enquanto o culto dos beatos é local, o dos santos pode ser exercido em qualquer lugar.

“Teologicamente significa que podemos garantir que não haja risco de erro que a pessoa que está nos céus”, disse à BBC Fermín Labarga, professor de Direito Canônico na Universidade de Navarra.

“Para o Papa canonizar exerce a sua infalibilidade . Certamente isso é um fato da fé”, conclui Labarga.
Pablo Esparza/Enviado especial da BBC Mundo ao Vaticano
Colaborou Luis Barrucho, enviado especial da BBC Brasil ao Vaticano

Entenda acusações contra atuação do papa na ditadura argentina

Bergoglio nega as acusações dizendo que ajudou perseguidos políticos durante a ditadura

As acusações de que Jorge Mario Bergoglio teria sido “omisso” ou até “cúmplice” da repressão da última ditadura argentina (1976 – 1983) estão entre os motivos pelos quais o novo papa não é unanimidade em seu país.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Tais acusações são feitas por alguns jornalistas e integrantes de grupos de defesa dos direitos humanos, como as Mães da Praça de Maio e o Centro de Estudos Legais e Sociais. Mas nenhuma acusação formal foi aberta contra Bergoglio na Justiça argentina e o novo pontífice defende-se das denúncias mencionando casos em que teria ajudado perseguidos políticos.

Bergoglio estava à frente da Ordem Jesuíta quando os militares tomaram o poder na Argentina e seu nome é associado a pelo menos dois episódios obscuros desse período.

Segundo o jornal Pagina 12, há testemunhos de que em 1976 Bergolio teria “retirado a proteção” da Igreja dos sacerdotes jesuítas Orlando Yorio e Francisco Jalics, que faziam trabalho social com comunidades carentes de Buenos Aires, e terminaram sendo sequestrados e torturados.

As acusações são mencionadas no livro Iglesia y Dictadura, de Emílio Mignone, publicado em 1986, e em O Silêncio, de 2005, escrito pelo jornalista investigativo e ex-guerrilheiro argentino Horacio Verbitsky.

Ambos alegam que Bergoglio teria advertido os dois sacerdotes de que eles deveriam abandonar o trabalho social ou renunciar à Companhia de Jesus – o que, segundo o Pagina 12, teria sido interpretado como uma “luz verde” para a repressão.

Em 2010, Bergoglio teve de testemunhar sobre seu papel nessa época e não só negou todas as acusações como disse que teria se reunido com o ditador Jorge Videla e o almirante Emílio Masera para pedir ajuda para salvar a vida dos dois religiosos.

Segundo episódio

O segundo episódio sobre o qual o novo papa foi obrigado a prestar esclarecimento para a Justiça diz respeito ao desaparecimento da bebê Ana de la Cuadra nas mãos dos militares.

Bergoglio foi chamado a testemunhar quando era arcebispo de Buenos Aires, à pedido da Promotoria do país e da organização Avós da Praça de Maio – formada pelas avós de crianças sequestradas pela ditadura -, mas ele pediu para dar sua declaração por escrito.

A promotoria apresentou à Justiça cartas enviadas a Bergoglio pelo avô de Ana, nas quais ele pedia ajuda para encontrar a neta e a filha, Elena – que desapareceu quando estava grávida de 5 meses.

Com base nessas cartas, Estela, irmã de Elena, acusa o novo papa de mentir ao dizer que apenas nos últimos 10 anos começou a tomar conhecimento sobre o sequestro de bebês por militares argentinos e de não fazer tudo o que estava a seu alcance para colaborar com os julgamentos sobre os abusos da ditadura.

Biografia

Para defensores e simpatizantes do novo pontífice – entre eles seu biógrafo autorizado, Sergio Rubin – toda a Igreja Católica falhou ao não confrontar direta e abertamente a ditadura argentina e seria injusto culpar apenas Bergoglio por esse erro.

Na biografia, Rubin menciona relatos do novo papa de que ele teria tentado salvar alguns argentinos perseguidos pelo regime, escondendo fugitivos em propriedades da Igreja e dando seus próprios documentos a um desses perseguidos políticos para ajudá-lo a fugir para o Brasil.

Sob a liderança de Bergoglio, em 2012, os bispos argentinos pediram desculpas por sua incapacidade de proteger os fiéis do país durante o período da ditadura – mas a declaração culpava tanto os militares quanto os seus “inimigos” pelos abusos.

“Bergoglio tem sido muito crítico às violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura, mas também critica as guerrilhas de esquerda”, explicou Rubin à agência de notícias Associated Press.
BBC Brasil

Papa Francisco e populismo na América Latina

Wojtyla varreu pra baixo do tapete o comunismo no leste europeu.

Francisco fará o mesmo, varrendo para além da Patagônia, o Peronismo, o Chavismo, o Lulismo e outras pragas populistas que infernizam a América Latina. Sábio Vaticano.


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Papa, Dom Odílio Scherer e a esquerda brasileira

Leio nos jornais que crescem as possibilidades do Arcebispo de São Paulo, Dom Odílio Scherer, vir a ser eleito o próximo Papa, na sucessão a Bento XVI.

Por outras fontes, blogs e redes sociais, percebo uma resistência nada sutil da esquerda brasileira, que considera o prelado um “reacionário”. Quem não gosta do PT deve começar a rezar para que Dom Odílio seja o próximo Papa. Nada trará mais infelicidade às hordas petistas.

Eu já vejo a questão por um ângulo.

Ele, Dom Odílio, deve ter um santo forte. Nada melhor para avalizar conduta que não ter o aval dos esquerdoides de boutique.

Mas, acredito que será um italiano jovem – para aqüentar o tranco de consertar a esbórnia administrativa financeira da empresa Vaticano S/A, e de quebra a questão da pedofilia na Igreja católica.

O eleito deverá conhecer os meandros, escaninhos e reposteiros da Santa Sé, além de ostentar um conservadorismo arraigado para não abrir espaços aos reformistas – casamento gay, aborto, celibato, ordenação de mulheres, pesquisa em células tronco embrionárias, aborto de anencéfalos, os padrecos adeptos da tal teologia da libertação, homossexualidade “e outras cositas mas”.

Ps 1. Seja qual for o eleito espero que não insista que a crise moral que assola o mundo possa ser resolvida com orações.
Ps 2. Não esquecer que o Papa Emérito, renunciou para poder influenciar no conclave, o que não seria possível se estivesse morto.


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Pedofilia, Internet e Igreja Católica

Não adianta calar
Zuenir Ventura/O Globo

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Nos meios religiosos da Europa está se falando de um assunto sobre o qual até há pouco não se falava em público: pedofilia na Igreja Católica. Falar ainda é melhor do que calar, como recomendam bispos da França e do Reino Unido, que acabam de enviar mensagem a Bento XVI pedindo medidas urgentes contra os “atos abomináveis” que causam “vergonha, fúria e pesar”. Não se deve generalizar, eles afirmam, mas também não se pode silenciar.

Nessa linha, também o Papa escreveu carta aos fiéis da Irlanda pedindo desculpas pelos “atos pecaminosos e criminosos” cometidos por padres contra mais de 15 mil crianças e adolescentes irlandeses entre os anos 30 e 90. O problema é que surgiram novas denúncias e elas agora atingem o próprio Papa. Segundo o “New York Times”, Joseph Ratzinger, quando arcebispo de Munique, omitiu-se no caso de um padre que abusou de 200 crianças de uma escola para surdos nos EUA.

Apesar de advertido por um memorando, o então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé não tomou providências, o que levou o sacerdote pecador a cometer novos abusos em outra pastoral. O porta-voz do Vaticano desmentiu o jornal americano, afirmando que Ratzinger desconhecia o fato, assim como o porta-voz da arquidiocese de Munique alegou que cerca de mil memorandos chegam ali anualmente, sendo provável que Ratzinger não tenha lido a denúncia. O diário contra-atacou e a discussão continua.

O que há de positivo nessa polêmica é que a cortina de sigilo que protegia a impunidade foi rompida, deixando entrar um pouco de luz numa zona de sombra da Igreja em várias partes do mundo. E, no Brasil, como está sendo tratada a questão? Relatórios atribuídos ao Vaticano revelam que cerca de 10% dos nossos padres estariam envolvidos em casos de má conduta sexual, o que só nos últimos três anos teria levado mais de 200 sacerdotes a recorrer a clínicas psicológicas da instituição. O fenômeno, porém, não se restringe ao ambiente religioso.

O Brasil é o país com maior incidência de crimes de pedofilia na internet, e o terceiro entre os que registram o maior índice de abusos sexuais de crianças e adolescentes. O senador Magno Malta, que preside a CPI Contra a Pedofilia, informa com base em pesquisas que, de cada dez casos, seis acontecem na própria família. E mais: “Enquanto o mercado do narcotráfico movimenta no mundo cerca de R$52 bilhões, o de crimes de pedofilia gira em torno de R$105 bilhões.”

Não adianta calar.