FHC: Como o “ele sabia” da Veja varia conforme o “freguês” e o Estadão não lê o Estadão

Mais um que não sabia de nada.
A capa sequer menciona o nome de Fernando Henrique, mesmo que a revista contenha a denúncia não de um “bandido profissional” (copyright Sérgio Moro, sobre Alberto Youssef), mas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do próprio FHC.

valefhc

A capa da Veja aí de cima é, evidente, uma montagem. A reprodução, ao lado, não.

Está na edição da revista de 8 de maio de 2002.

A capa sequer menciona o nome de Fernando Henrique, mesmo que a revista contenha a denúncia não de um “bandido profissional” (copyright Sérgio Moro, sobre Alberto Youssef), mas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do próprio FHC.

E não apenas por ele, mas também por Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação, morto em 2011.

A entrevista de Barros está aqui e aqui, na parte de baixo das páginas, na íntegra.

A memória implacável de meu bom amigo Apio Gomes – e seus arquivos igualmente impiedosos – chegam-me por e-mail sobre esta exploração sobre o fato de ter havido um encontro, no dia 31 de janeiro de 2006,  entre Lula, na Presidência, e Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, em companhia do então presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli e outras pessoas estar sendo tratada como “indício” de envolvimento do ex-presidente com as malfeitorias do ex-diretor.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

É assim: quando se quer, a afirmação “passa batido” e vai para o “pé” da matéria; quando convém, uma mera suposição vira manchete.

O “caso” atual foi  “levantado” pelo Estadão com “base” num relatório de auditoria da Petrobras que simplesmente listou, nada mais,   as viagens de diretores da empresa e outros funcionários no período que antecedeu a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

O que basta para o ex-vetusto jornal paulista dissesse que a ida de Costa a Brasília”indica” que foi tratar  com Lula sobre Pasadena.

Até porque o Estadão sabe que Gabrielli estava no dia apontado como o sendo o da reuniãoe se Lula fosse participar do que não devia não iria fazer isso numa “assembleia”.

O Estadão deixa de lado que tinha acabado de estourar a crise com a Bolívia, por conta das refinarias da Petrobras,  que o presidente da petroleira estatal de petróleo boliviana, Eduardo Vardala, tinha anunciado, dias antes, que “pretendia estatizar” numa entrevista à France Press.

As refinarias, como se sabe, são área da Diretoria de Abastecimento e, portanto, na época, àquele cidadão, o que deveria ser considerado um possível bom motivo para sua presença por lá, numa reunião com o Presidente, não é?

Para saber disso nem é preciso ter uma memória fantástica como a do amigo que me enviou a Veja.

Basta ler no Estadão todas as informações que dei e que o jornal paulista não deu, muito menos a revista  dos Civita.

No Estadão do dia seguinte à tal “reunião reveladora”, 1° de fevereiro, que se não tiverem por lá a gente tem aqui, capturado online e que pode ser vista e lida aqui.

Há motivos para uma reunião que não passam, necessariamente, sobre Pasadena.

Quando imprensa trabalha com vontades e não fatos, deixa de lado até o que ela própria publicou.

Deveriam entronizar o Rubens Ricúpero e seu “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

Privatizações, FHC, Vale e o caixa do tucanato

Ahãn! Nada como a história; essa senhora implacável!

Uma das coisas boas da Internet é a possibilidade de se fazer buscas em portais de órgãos de imprensa.

Uma pesquisa nesses arquivos digitais, colunas e blogs inclusos, permite-nos comparar o ontem com o hoje, e saber quem publica notícia preocupado com a informação, e quem publica conforme a ocasião.

Não tenho nenhuma restrição ao que assumem essa ou aquela posição.

O que me espanta são os sepulcros caiados.

Há tempos que a leitura de jornais e revistas deixou de ser um ato prazeroso, para se transformar em um exercício de desvendar quem está nas entrelinhas.

Agora a notícia se resume na busca pelos holofotes, e na busca de como transformar o fato verdadeiro em argumento corporativo, partidário ou ideológico. Entendo que a publicação da informação deve fidelidade somente com a verdade.

A pior corrupção é a das mentes.

É a criminosa desinformação, que vai desde o silêncio conveniente até a distorção da verdade por penas de aluguel, e prática maior da desonestidade intelectual cometida de forma indecente no exercício nocivo de iludir corações e mentes.

PS. A matéria da capa está na edição de 07/05/2002
[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Juízes federais denunciam excesso de rigor do Conselho Nacional de Justiça, e são apoiados por Joaquim Barbosa

Mais uma disputa interna agita o Judiciário.

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) foi ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu  cassar a liminar do Conselho Nacional de Justiça que determinou o afastamento de uma procuradora da Fazenda Nacional do gabinete de um juiz do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

A Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e do Espírito Santo também assina o pedido.

A entidade ajuizou mandado de segurança para que o Supremo suspendesse a liminar do conselheiro José Lúcio Munhoz determinando que a procuradora da Fazenda Patrícia de Seixas Lessa deixasse o gabinete do juiz federal Theophilo Antonio Miguel Filho, convocado ao TRF-2. Ela é assessora judiciária no gabinete do juiz.

Representada pelo escritório Medina Osório Advogados, a Associação dos Juízes Federais afirma que o CNJ não pode interferir na nomeação de assessores judiciários para os gabinetes dos juízes. Alega que a interferência contraria o artigo 99 da Constituição Federal, que dá ao Judiciário e aos tribunais autonomia administrativa e financeira.[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

BENEFICIANDO A VALE…

A iniciativa da OAB/RJ beneficiaria indiretamente famoso processo da Vale, na qual a empresa foi derrotada e teve reconhecida dívida de R$ 35 bilhões com a União, mediante uma atuação muito forte e eficaz da Procuradoria da Fazenda Nacional junto ao TRF2.

Se reconhecido pelo CNJ que a cessão da procuradora foi indevidamente realizada pelo Ministério da Fazenda ao TRF2, a Vale poderia arguir  a nulidade do julgamento numa ação rescisória ou mesmo suscitar essa questão em recurso perante os tribunais superiores como matéria de ordem pública.

No STJ, já são várias as iniciativas de advogados que vem arguindo a suspeição de ministros que têm em seus gabinetes procuradores da fazenda nacional como assessores.

CASSADA A LIMINAR

No Supremo, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a decisão do conselheiro do CNJ, acatando os fundamentos aduzidos pelo advogado da Ajufe, Fábio Medina Osório.

“É um absurdo presumir que um assessor possa manipular um magistrado de Tribunal, tolhendo suas autonomias constitucionais e sua independência.

Procuradores da Fazenda Nacional podem ser cedidos, para exercício de cargos em confiança, nos termos  da Constituição, da Lei Complementar 73/93 e  do Decreto 4.050/01″, justificou Medina Osório, acrescentando que a discussão sobre a cessão da procuradora ao TRF-2 foi interrompida no CNJ por pedido de vista do conselheiro Wellington Cabral.

Antes disso, porém, os conselheiros Guilherme Calmon e Neves Amorim e o próprio Joaquim Barbosa contestaram os argumentos usados por Munhoz para conceder a liminar.

“O tribunal vai ignorar sua liminar. É uma coisa mais do que comum a atuação [dos procuradores] nos tribunais”, disse Barbosa. E na verdade não são apenas procuradores, porque cerca de 50 advogados da União também atuam em tribunais como assessores de gabinetes.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

A mentira da estatização de Guarulhos.

Brasil: da série “me engana que eu gosto”.
Logo vi que havia alguma coisa fora de ordem.

inda iremos, ou não, dependerá da conivência, ou não, da mídia amestrada, ouvir muitas estórias cabeludas sobre a estatização de aeroporto no Brasil.

Como pode um aeroporto como o de Congonhas ser “privatizado” por R$4,7 Milhões, enquanto a Vale do Rio Doce, maior mineradora do mundo o foi por míseros R$3,8 Milhões durante o governo de FHC?
José Mesquita – Editor


A nova estatização de Guarulhos
por Leandro Roque .Editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Jamais, em hipótese alguma, subestime a capacidade do governo de fazer besteira e conseguir piorar o que já era péssimo.

Peguemos o exemplo do que ocorreu ontem durante o leilão de concessão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. O aeroporto foi arrematado por um consórcio formado por duas empresas, INVEPAR e ACSA, que ofereceram o maior lance do leilão, R$ 16,213 bilhões de reais, 26% maior do que o lance proposto pelo segundo colocado.

Mas quem são estas empresas? Sobre a INVEPAR, seu site já deixa explícito logo na página principal:

A INVEPAR foi criada em março de 2000. Hoje, seus acionistas são a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI através do BB Carteira Livre I Fundo de Investimentos em Ações), Fundação Petrobras de Seguridade Social (PETROS), Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF) e Construtora OAS Ltda.

Entendeu? A empresa que irá operar Guarulhos, embora nominalmente privada, é gerida pelos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal. Sabe quais outras empresas são geridas por estes mesmos fundos de pensão? As telefônicas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sobre a OAS, é a mesma empreiteira da linha 4 do metrô de São Paulo (aquela que desabou em janeiro de 2007), da Arena Itaquera (estádio do Corinthians construído com dinheiro público), e do Rodoanel (que também desabou sobre a Rodovia Régis Bittencourt). Ou seja, trata-se de uma empresa umbilicalmente ligada ao governo.

E quanto à ACSA — Airports Company South Africa? Trata-se de uma estatal sul-africana, criado pelo governo daquele país em 1993 e controlada diretamente pelo Ministério dos Transportes da África do Sul.

A distribuição final para o aeroporto de Guarulhos ficou assim: os fundos de pensão, representados pela INVEPAR, detêm 90% do consórcio vencedor, ao passo que a ACSA responde pelos 10% restantes. Ambas as empresas deterão 51% de participação. A INFRAERO permanecerá com os 49% restantes. E o governo federal efetuou a sensacional façanha de entregar o gerenciamento de uma atividade estatal para mais outras duas empresas estatais. Portanto, temos agora três estatais cuidando de Guarulhos. E a mídia está chamando isso de privatização.

(Não é à toa que os sindicatos, que sempre se manifestam contra privatizações, sequer se deram ao trabalho de protestar contra o ocorrido. E por que deveriam? Até eles sabem que o que está havendo não é privatização, mas sim estatização disfarçada.)

Ademais, quais as experiências destas duas empresas no setor aéreo? A INVEPAR não possui nenhuma. Suas áreas são rodovias e metrôs. A INVEPAR gerencia o Metrô Rio, que opera as linhas 1 e 2 do metrô carioca; a Bahia Norte, em parceria com a Odebrecht, que opera as rodovias do sistema BA 093; a Linha Amarela, no Rio de Janeiro; a CLN, que administra a rodovia BA 099, no Norte da Bahia; a Cart, consórcio que opera a rodovia Raposo Tavares; a CRT, da rodovia Rio-Teresópolis; e a CRA, responsável pelo complexo viário de Suape, em Pernambuco.

Já a ACSA de fato lida com aeroportos, mas com nenhum de amplo relevo. A estatal sul-africana administra 10 aeroportos daquele país: dentre os internacionais, OR Tambo International Airport (Johanesburgo), Cape Town International Airport (Cidade do Cabo), King Shaka International Airport (Durban) e Pilanesberg International Airport (Pilanesberg). Já dentre os aeroportos locais, Bloemfontein Airport, East London Airport (Londres Oriental, cidade na parte sul da África do Sul), George Airport, Kimberley Airport, Port Elizabeth Airport e Upington Airport. Além destes, a ACSA também participa, desde 2006, do consórcio que opera o aeroporto internacional de Mumbai (Mial), na Índia.

Por serem empresas com acionistas estatais, não foi surpresa alguma que ambas tenham apresentado o maior lance do leilão, com ágio de 373,5% sobre o valor inicial. O lance se torna ainda menos surpreendente quando se sabe que o BNDES irá financiar 80% dos investimentos. Utilizando dinheiro público a juros subsidiados, realmente não há grandes riscos de se perder dinheiro.

Mas calma, ainda tem mais. Veja o adendo a esta notícia:

BNDES poderá financiar até 80% de aeroportos privatizados

Participação do banco no financiamento de equipamentos nacionais poderá chegar a 90%; itens importados, comuns no setor aeroportuário, não poderão ser custeados pela instituição

Ou seja, em nome desta imbecilidade chamada nacional-desenvolvimentismo, e em decorrência desse câncer chamado parcerias público-privadas, os aeroportos nacionais praticamente não terão equipamentos de ponta, sendo entupidos com lixo nacional apenas para satisfazer ideologias. Como as concessionárias são protegidas pelo governo, não estando sujeitas a concorrência, elas não terão nenhum incentivo para utilizar equipamentos de ponta. Para que gastar mais e ter o trabalho de se modernizar se não há o menor risco de ver sua fatia de mercado encolher?

Há pouco mais de um ano, escrevemos um artigo sobre este assunto e fizemos as seguintes previsões (em negrito):

Mas, afinal, qual o problema com concessões? Para responder a essa pergunta, basta o leitor se colocar no lugar de um empreendedor qualquer (o único pré-requisito é ser minimamente racional). Partindo do pressuposto de que ninguém rasga dinheiro, faça a si próprio a seguinte pergunta: seria vantajoso eu despejar vários milhões de reais em uma obra que daqui a 20 anos será apropriada pelo governo? Faria sentido eu me esforçar, fazer um trabalho realmente bem feito, investir ousadamente e prestar bons serviços aos consumidores, se daqui a 20 anos tudo isso será do governo?

É claro que não — e é justamente por isso que nenhum arranjo sob essas condições jamais seria firmado. Não há empreendedores tão irracionais a esse ponto. Logo, se tal arranjo sair, é certo que haverá um enorme aporte de financiamentos subsidiados via BNDES. Ninguém seria insensato a ponto de usar capital próprio em um empreendimento que futuramente será arrebatado pelo governo, mesmo que tal arrebatamento envolva altas restituições. Portanto, as obras serão patrocinadas por nós, mas os lucros ficarão todos para as empresas aéreas e empreiteiras, que obviamente repassarão uma parte para as campanhas de seus políticos favoritos, como agradecimento pelo privilégio. Somos acionistas sem direito aos dividendos, cabendo a nós apenas o financiamento compulsório.

É possível um arranjo destes gerar serviços genuinamente interessados em bem atender o consumidor? Há algum estímulo ou concorrência?

Temos aí um ótimo exemplo de capitalismo de estado ou corporativismo. E o pior: tal artimanha já está sendo vendida sob o nome de ‘privatização’. Tão logo a insatisfação pública com os (futuros) serviços inevitavelmente negligentes começar a se manifestar, a culpa obviamente recairá sobre a livre iniciativa — muito embora esta esteja totalmente fora do arranjo —, restando ao governo, como sempre, o papel de salvador e agente promotor do “bem comum”.

No mesmo artigo linkado acima, foram feitas sugestões sobre como a desestatização de fato deveria ser feita. Não há nada a acrescentar a tudo o que foi dito ali. No entanto, um detalhe neste leilão chamou a atenção: os consórcios participantes. Ao analisarmos quem de fato se interessou pelos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, e quem de fato venceu os leilões, notamos o pendor do governo para desconsiderar a eficiência e para premiar os conchavos. Por exemplo, dentre os vários consórcios participantes, havia três que realmente entendiam do riscado e que possuíam comprovada competência no setor de administração aeroportuária: Changi, Flughafen Zurich e Fraport.

A Changi é a empresa responsável pela administração do moderníssimo aeroporto de Cingapura; a Flughafen Zurich é a empresa que opera o aeroporto suíço de Zurique; e a Fraport opera o aeroporto de Frankfurt. Por que não foram estas as empresas escolhidas? Alguém duvida de sua competência no setor? Será que estamos em posição de esnobar a infraestrutura dos aeroportos de Cingapura, Zurique e Frankfurt? Por que não simplesmente entregar a administração de nossos aeroportos, principalmente o de Guarulhos (que é o mais movimentado aeroporto da América Latina), a estas empresas, e dar liberdade para que elas façam o serviço?

Porque a função do governo é arrecadar, sempre o máximo possível. O governo não está preocupado primordialmente com a qualidade da gerência, mas sim com o quanto pode arrecadar em seus leilões (dinheiro importantíssimo para financiar seus gastos crescentes). E estas três empresas, por serem sérias e competentes, não podiam se dar ao luxo de fazer ofertas astronômicas em leilões cujo marco regulatório ainda é incerto. Sendo empresas genuinamente privadas, elas não podem se aventurar em terreno desconhecido. Muito menos podem elas competir com estatais, cujo caixa, ao menos em teoria, é farto — afinal, o dinheiro vem dos pagadores de impostos e, ao menos no caso da ACSA, ter lucro não é um imperativo.

Em vez de entregar nosso maior e mais movimentado aeroporto para suíços, alemães e cingapurianos comprovadamente competentes, o governo preferiu “vendê-lo” para fundos de pensão de estatais brasileiras e para uma estatal sul-africana. E com recursos do BNDES, é claro, pois capitalismo e risco não são coisas com as quais estamos acostumados — principalmente fundos de pensão de estatais e empreiteiras que sempre trabalharam em parceria com o governo.

Portanto, ficamos assim: três estatais irão operar o mais movimentado aeroporto da América Latina. Nada menos que 80% do empreendimento será financiado pelo BNDES (leia-se ‘dinheiro tomado dos pagadores de impostos e emprestado a juros muito abaixo dos de mercado para as empresas favoritas do governo’). Para que haja este financiamento, a utilização de equipamentos importados está banida. Suíços, alemães e cingapurianos competentes foram dispensados. E, de alguma forma, isso está sendo vendido como privatização e capitalismo.

FHC: Dilma espanta ‘fantasmas’ da privatização

A privatização dos aeroportos pode não ser o avanço aclamado pelo governo, com não é, também, necessariamente, a estagnação de mais um setor da economia, como argumentam setores sindicais, que ainda dizem que será mais um setor vital brasileiro que vai ficar sob o controle dos capitalistas privados.

O certo mesmo, e aí onde mora o perigo da ineficiência, é que a estatal Infraero participará das principais decisões por ser acionista relevante.
José Mesquita – Editor


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levou à web um comentário sobre a primeira grande privatização da Era petista.

Em tom de desabafo, disse que a concessão de aeroportos à iniciativa privada “desmistifica essa questão”.

Desaparece de cena, segundo ele, a tese segundo a qual é “o demônio que privatiza”.

Ele celebra: “Tudo isso são fantasmas que estão desaparecendo, porque o Brasil está mais maduro.”

Sempre alvejado pelo PT por ter levado ao martelo a mineradora Vale e as companhias telefônicas, FHC comparou: “Quantas críticas eu ouvi de que o BNDES participava das provatizações. E agora? Continua participando. Tem que participar, para financiar.”

Prosseguiu: “Outras críticas, também no meu tempo: Ah, mas tem dinheiro dos fundos pensão [de empresas estatais]. Fundos de pensão são pra isso. São pra investir. E agora que as taxas de juros estão caindo, tem que investir mas. Não há nada de errado nisso.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A manifestação de FHC foi veiculada no site ‘Observador Político’, vinculado ao instituto que leva seu nome.

Foi ecoado também na página que o ex-presidente mantém no Facebook.

De vidraça, FHC converteu-se em estilingue:
“Espero que, agora, os aeroportos comecem a funcionar. E que dê tempo de fazer tudo isso até a Copa.”

Ele realça o papel fiscalizador das agências regulatórias.

“Se as empresas que ganharam [os leilões de Brasília, Cumbica e Viracopos] não forem competentes vai ter problemas, mas tem as agências [para fiscalizar]”.

Tópicos do dia – 07/02/2012

08:34:03
Brasil: da série: “me engana que eu gosto”!
Os aeroportos de Cumbica, Viracopos e JK, foram vendidos por R$ 24,53 Bi.
A Vale do Rio Doce, a maior mineradora do mundo foi “privatizada”, FHC, por R$3,3 Bi, valor inferior ao que foi pago, agora por Viracopos. O mais abestado desses “meninos” monta relógio Mido com luva de boxe, no escuro e embaixo d’água!

09:27:01
Vixe!!! Grana pra prefeito?
Candidato à Prefeitura de Santo André – por falar nessa cidade, como está o inquérito da morte de Celso Daniel? – tem o “sutil” nome de Carlos Grana. Isso mesmo Grana!
Ps. E é apoiado pelo Lula.

09:39:37
Feijoada à moda chinesa.
A boa e sabadina feijoada brasileira – que, aliás, não é invenção, como conta a lenda, de escravos brazucas, e sim, europeia – agora usa feijão preto importado da China. Assim, até a feijoada é “xing-ling”.

09:52:27
Fritura de ministro na manteiga.
Sei não. Tem gente em Brasília que não dá um tostão pela permanência de Guido Mantega.
Com trocadilhos, por favor.

09:54:22
Da série: “Ilações de um abestado”.
Zona do Euro! Nominho mais apropriado sô! Né não?


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Eleições 2010: Plebiscito à vista (e a prazo)

Eleição após eleição e a lenga-lenga é a mesma. As discussões ficam restritas às tabas dos caciques. Os Tupiniquins, não somos chamados para a discussão de quais candidatos queremos na disputa. A bodurna dos donos dos partidos desce na cabeça do povo impingindo os candidatos ungidos pelos donos das siglas.

O Editor


Está claro que o quadro sucessório pré-instalado, em que figuram três candidatos egressos da base governista – Dilma Roussef, Ciro Gomes e Marina Silva -, não agrada o presidente Lula. Pior: ameaça seu projeto de fazer o sucessor.

Se, antes dessa fragmentação, o pré-candidato oposicionista, José Serra, já era o favorito, com ela suas chances aumentam.

A pulverização na seara governista pode até eleger um oposicionista no primeiro turno. Lula, por isso mesmo, quer uma sucessão plebiscitária, como as que o elegeram, em 2002 e 2006.

Quer o confronto entre ele e Fernando Henrique, um estratagema engenhoso, que, em vez de pôr em exame o seu governo, ponha o do antecessor, fora de cena há oito anos e sem a mesma visibilidade midiática de seu oponente.

O marketing do PT está pronto e é triunfalista: o atual governo fez o país crescer, reduziu a pobreza, venceu a crise, descobriu o pré-sal e, de quebra, fez com que o Brasil fosse escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Como toda narrativa romanesca exige um vilão, é aí que entra o governo FHC, a ser apresentado como o das privatizações duvidosas, que reduziram o patrimônio do país e o entregaram ao capital estrangeiro voraz.

Parece discurso da UNE dos anos 60, mas deu certo contra Geraldo Alckmin e será reativado no ano que vem.

As celebrações do governo Lula, todas elas, são colheitas de plantios anteriores, de uma política econômica que o PT combateu por todo o tempo em que esteve na oposição.

As privatizações são expostas como um estigma, mas seus efeitos celebrados triunfalmente: a expansão da telefonia, a estabilidade econômica, a balança comercial, a pujança da Vale do Rio Doce, cujo faturamento e nível de emprego cresceram tanto que o governo quer agora indicar seu presidente.

E por aí afora. Mas, como a maioria não junta uma coisa com a outra, é possível celebrar as conseqüências e, simultaneamente, condenar as causas.

Uma eleição plebiscitária empobrece a campanha. Torna-a mais adjetiva e menos substantiva. Não há idéias, apenas insultos.

Lula, há dias, festejou o fato de a próxima campanha só dispor de candidatos de esquerda. Considerou um avanço, quando, na verdade, é um recuo. Isso porque não expressará a totalidade da sociedade brasileira, que tem considerável viés conservador.

O debate político brasileiro empobreceu a tal ponto que muitos supõem que o que não é esquerda é necessariamente direita, quando entre um extremo e outro há múltiplos entretons, com contribuições importantes a dar ao debate político.

Eleição plebiscitária é duelo de slogans e panfletos, manejados por marqueteiros. É eleição burra.

No momento em que os países mais desenvolvidos constatam a impropriedade e insuficiência dos conceitos de direita e esquerda, a América do Sul os reaviva, de maneira confusa.

O próprio Lula contribui para a confusão. Disse certa vez que “jamais fui de esquerda” e que sempre foi “apenas um torneiro-mecânico”.

Chegou a dizer que quem continua socialista depois dos 50 anos tem problemas mentais, o que deve ter soado estranho aos ouvidos de Oscar Niemeyer e José Saramago, que chegaram a festejar Lula como um triunfo socialista.

Dilma Roussef, a candidata de Lula, já disse que defenderá o nacionalismo e o socialismo. O último personagem a juntar essas duas correntes num só partido, o nacional-socialismo, causou estragos gerais e não foi bem-sucedido.

Há uma confusão conceitual que a campanha plebiscitária tende apenas a aumentar.

Lula disse que, como faltam ainda alguns meses para a campanha (não necessariamente para ele, que já a deflagrou há um ano), há condições de maturá-la e chegar ao ideal (dele) de um candidato único do governo.

O fato de Ciro Gomes ter trocado seu título de eleitor do Ceará para São Paulo indica que está aberto a negociações, para trocar sua candidatura a presidente pela de governador de São Paulo. Se não estivesse aberto, não o faria.

As eleições são o momento alto da democracia, em que a sociedade é chamada a exercer pelo voto sua prerrogativa de julgar os governantes, separando o joio do trigo.

Num país politizado, opta-se pelo trigo; num despolitizado, como o nosso, a vantagem é do joio. Numa eleição plebiscitária, em ambiente despolitizado, o joio vence, não importa o resultado.

Ruy Fabiano é jornalista

blog do Noblat

FHC, Proer e a estatização do prejuízo

Quem deve estar feliz, como pinto no lixo, é o sociólogo da entregação, que acredita ter feito um grande governo.

Estatizando os prejuízos
Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Quem anda feliz é o sociólogo, reivindicando o galardão de precursor da moderna economia mundial, aquela que mandam privatizar os lucros e estatizar os prejuízos. Anos atrás, na iminência da quebra de alguns bancos, por má gestão e incompetência, o então presidente Fernando Henrique Cardoso criou o Proer, sinecura que injetou bilhões no setor especulativo.

Enquanto privatizava a Vale do Rio Doce a preço de banana podre e com recursos do BNDES, sem esquecer as telecomunicações, os portos e a maioria das ações da Petrobras, o governo socorreu a incúria privada com dinheiro público.

Pois não é exatamente o que acontece agora nos Estados Unidos? O pretexto é o mesmo: evitar que sofram milhões de investidores, correntistas ou depositantes. Deixar que o mercado cuide de tudo, só quando as coisas vão dando certo e favorecem uns poucos.