Eleições 2014: Aécio dá uma mordida no recato na grande área

Política Justo Veríssimo Chico Anysio Blog do MesquitaNo futebol, costuma-se distinguir uma ‘falta necessária’ de uma ‘falta desnecessária’. A falta é tida por ‘necessária’, por exemplo, quando o zagueiro perde a bola e deixa o atacante rival na cara do gol. Troca-se o risco do cartão pela esperança de que o cobrador erre o chute ou o goleiro feche a trave.

A falta é ‘desnecessária’ quando se caracteriza pela maldade gratuita.

Nesses casos, ainda que o juiz não flagre, a infração expõe o transgressor ao julgamento instantâneo da arquibancada.

Na Copa do Mundo, nenhuma falta foi tão desnecessária quanto a dentada que o uruguaio Luiz Suárez cravou, traiçoeiramente, no ombro do italiano Chiellini.

O juiz deixou barato. Mas a execração do craque dentuço foi unânime e universal.

Pois bem. Nesta quarta-feira, Aécio Neves deu uma de Suárez. Desferiu uma mordida no recato dentro da grande área da peleja sucessória.

Mostrou os dentes ao comemorar, diante de câmeras e microfones, o drible que dera em Dilma Rousseff, atraindo para sua coligação o governista PTB, partido do presidiário Roberto Jefferson.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu”, disse o presidenciável tucano, preparando a dentada. “Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”, acrescentou, fechando a mandíbula.

Aécio reagia a um comentário de Dilma. Discursando horas antes na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que confirmou a adesão à sua reeleição, a presidente da República criticara os políticos que firmam acordos por “conveniências” e não por “convicções”.

“É muito importante assumir e cumprir compromissos na política, isso é inegociável”, dissera Dilma, abespinhada com o fato de que alinhavara o apoio do PTB num almoço com a cúpula da legenda. Posara para fotos ao lado de personagens duros de roer, como Fernando Collor. E, no fim das contas, não levou o tempo de propaganda eletrônica do agora ex-aliado.

“Lealdade é uma das bases da política feita com grandeza”, queixou-se Dilma perante os convencionais do PSD, legenda nascida de uma costela do DEM. “Não é subordinação cega, é respeito mútuo e zelo pela palavra empenhada. Engana-se quem acha que essa espécie de esperteza funciona. Ela tem vida curta. Na vida política, não podemos prescindir do respeito e da civilidade”

Poucas vezes a questão de meios e fins foi tão presente como nessa fase em que os candidatos ao amor da República trocam caneladas na disputa pelo tempo de publicidade eleitoral no rádio e na tevê.

Dilma falou em “política feita com grandeza”, “convicções”, “respeito” e “civilidade” num dia em que, cedendo à chantagem do PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, passou na lâmina o pescoço do ministro dos Transportes, César Borges. É um “acinte”, atacou Aécio. É “a mercantilização da política.”

De fato, aumentar a vitrine eletrônica devolvendo ao PR o acesso às arcas dos Transportes é um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. Mas como qualificar o conselho de Aécio aos silvérios do governo senão como outro acinte?

Submetido à frase do candidato mais bem-posto da oposição —“Eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”— o eleitor olha ao redor e fica tentado concluir que a eleição virou uma loteria sem prêmio.

Troca-se a ilusão de que é possível começar tudo de novo pela convicção de que o voto é apenas um equívoco incontornável que se renova de quatro em quatro anos. Não chega a ser uma sucessão presidencial. No máximo, muda o chefe dos vampiros. No mínimo, nem isso.
blog Josias de Souza

Ministro Barroso devolve deputados mensaleiros ao jogo

Dificilmente o plenário do STF manterá na íntegra a liminar concedida pelo Ministro Luis Roberto Barroso, anulando a sessão da Câmara Federal que manteve o mandato do Donadon.

Se mantiver, colocará José Genuíno, Valdemar costa Neto e Pedro HenryJoão Paulo Cunha não entra nessa lista, pois foi o único condenado que cumprirá a pena em regime fechado – de volta no jogo.


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Mensalão e a cassação de mandatos

Maia teme conflito entre Legislativo e Judiciário se STF decidir pela perda de mandatos.

O presidente da Câmara dos Deputados, Março Maia (PT-RS), afirmou que a Casa não irá se curvar ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a Corte decida pela cassação imediata dos três deputados condenados no julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão.

São eles: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT)

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Para Março Maia, se os ministros do Supremo decidirem cassar o mandato dos três parlamentares, será criado um conflito entre o Legislativo e o Judiciário.

Não estamos entrando no mérito do julgamento, mas [questionando] a forma como deve ser tratada uma questão tão complexa como as prerrogativas dos Poderes.

Segundo Maia, não há como um tribunal cassar o mandato de alguém que foi legitimamente eleito pelo povo. “Todos os recados já foram mandados [ao STF].

A opinião e a forma com está sendo desenhado o resultado vai colocar em conflito o Parlamente e o Judiciário, e ninguém quer isso, disse Março, defensor da tese de que cabe ao Congresso a responsabilidade pela cassação de mandatos.

Não vamos admitir, e acredito que o Parlamento não irá se curvar a uma decisão como essa do STF.

Nenhum parlamentar pode prescindir de defender a instituição. O que estamos vendo é uma afronta a uma prerrogativa da Constituição.

É isso que sustenta a democracia e a estabilidade democrática brasileira, acrescentou o presidente da Câmara. Maia reafirmou que a Constituição é muito clara quanto à prerrogativa do Legislativo de cassar mandatos de parlamentares.

Sobre a possibilidade de ser criticado pela opinião pública por sua postura ante a questão, o deputado lembrou que, ao longo da história, regimes autoritários sempre contaram com grande apoio popular.

Temos que separar a opinião pública da opinião falada e escrita. Regimes autoritários e totalitários tinham sempre apoio popular e caíram quando perderam esse apoio.

Os regimes totalitários se caracterizaram por romper a Constituição e interpretá-la de acordo com seus interesses.

O que estamos discutindo é que não é razoável mudar uma interpretação da Constituição no meio do jogo.
JusBrasil – Ivan Richard/Agência Brasil – Edição: Nádia Franco

Mensalão e STF – Dia 27

Frases do 27º dia do julgamento
Ação do mensalão é considerada a de maior relevância da história do STF.
Leia o que disseram os ministros do tribunal e os advogados de defesa.

saiba mais

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta segunda-feira (24) o 27º dia de julgamento da ação penal 470, que reúne os 38 réus do caso do mensalão, considerado o de maior relevância dos 183 anos de história do tribunal.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Neste dia, o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo, continua a leitura de seus votos sobre réus ligados ao PP. Veja frases de destaque:

Ricardo Lewandowski, ministro do STF e revisor do processo do mensalão:

“Os argumentos levantados pelo eminente ministro relator [Joaquim Barbosa] levaram-me à conclusão de que réu Valdemar Costa Neto recebeu os referidos valores do corréu Marcos Valério em sua condição de parlamentar”(sobre o então deputado do PR).

“Houve dois conjuntos de fatos [a corrupção passiva e a lavagem de dinheiro]. Um primeiro em que ele [Valdemar Costa Neto] recebeu vantagem indevida em valor elevado por interposta pessoa e houve um segundo recebimento, pela empresa Garanhuns, que caracterizou a lavagem de dinheiro.”

“Realmente o Jacinto Lamas era uma pessoa fundamental nesse esquema, de absoluta confiança de Valdemar Costa Neto, um dos fundadores do PR, e viajava com frequência a Belo Horizonte para receber o ‘cash’, o dinheiro” (ao votar pela condenação do réu, que era tesoureiro do PL).

“Essa Guaranhuns é uma verdadeira lavanderia de dinheiro utilizada para fazer os repasses” (sobre a empresa que teria sido utilizada para ocultar a origem do dinheiro).

“Não parece razoável que essas múltiplas viagens [de Jacinto Lamas] tenham sido realizadas somente para buscar fita de programa de televisão.”

“Entendo que o Ministério Público não logrou provar que o Bispo Rodrigues tinha ciência de que o dinheiro advinha de crimes antecedentes ao delito de lavagem de dinheiro” (ao votar pela absolvição do réu por esse crime; ele era deputado do PL à época; Lewandoski votou pela condenação de Rodrigues por corrupção passiva).

“Não cheguei à certeza moral [sobre a prática do crime de lavagem de dinheiro] para a condenação de Breno Fishberg [sócio da Bônus Banval].”

“Não é crível que Enivaldo Quadrado, profissional experiente com larga experiência no sistema financeiro, não tivesse conhecimento dos crimes antecedentes [à lavagem de dinheiro]” (sobre o sócio da Bônus Banval).
G1 

Corrupção trafega solta no Ministério dos Transportes

Um dos melhores símbolos do estágio de degradação a que chegou o Ministério dos Transportes sob controle do PR e auspícios do lulopetismo é Frederico Augusto de Oliveira Dias.

Pois Fred, ao cumprir expediente no mal-afamado Dnit sem pertencer aos quadros do departamento, é a prova viva de como a repartição pública foi privatizada pelos interesses da baixa política.

O clandestino Frederico, segundo confirmou o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, tratava no Dnit dos interesses do virtual chefe da Pasta, o mensaleiro Valdemar Costa Neto, deputado por São Paulo pelo PR e tido como o grande negocista de toda a rede de corrupção montada no setor desde o início do primeiro governo Lula.

Parece sem fim a sucessão de malfeitos no ministério. Apenas no quesito corrupção com nepotismo, surgiram dois casos: o enriquecimento vertiginoso de Gustavo — filho do ex-ministro Alfredo Nascimento, presidente do PR —, patrocinado pela influência do pai; e contratos de obras públicas repassados à construtora da mulher de José Henrique Sadok de Sá, diretor-executivo do Dnit, afastado quando circulou a denúncia.

Há inúmeras evidências de superfaturamento para financiar o pagamento de propinas por empreiteiros, dinheiro que, no mínimo, abasteceria o caixa dois do PR.

Na outra ponta desta rede de corrupção estão milhares de quilômetros de estradas em condições precárias.

Como informa reportagem do GLOBO: no ano passado, do 1,5 milhão de quilômetros de estradas existentes no país, só 212 mil, ou 13%, estavam pavimentados.

Esta é a face perversa de todo esquema de corrupção na esfera pública: gastam-se bilhões em contratos, e os principais beneficiários não são os usuários das estradas, mas empresas de livre trânsito em Brasília e políticos que vivem de vender “facilidades” para empreiteiros.

Como os do PR flagrados em delito.

Quando estourou o escândalo que arrastou o ministro Alfredo Nascimento, junto com Luiz Pagot, diretor-geral do Dnit, e fez Valdemar Costa Neto mergulhar para fugir do noticiário, Jorge Hage, controlador-geral da União, foi sucinto e certeiro: “O Dnit tem o DNA da corrupção.”

De 2009 para 2010, ano eleitoral, o total de contratos firmados pelo departamento sem licitação aumentou 33%. Apenas no ano passado — não por acaso de eleições —, o Dnit pagou, com dinheiro do contribuinte, R$ 228,2 milhões por obras não licitadas.

Gastos em “gerenciamento ambiental” são astronômicos, também feitos, em certos casos, sem concorrência.

Uma empresa de nome Contractor deverá receber R$ 66,8 milhões para fazer este gerenciamento num trecho de apenas 6,2 quilômetros da BR-101, no contorno rodoviário de Vitória, Espírito Santo.

Uma conta aritmética simples chega ao custo de R$ 10,7 milhões por cada mil metros.

A abertura da caixa-preta do Ministério dos Transportes confirma que o brasileiro está no pior dos mundos: recolhe ao Estado bilhões em impostos, mas quase nada recebe em troca, enquanto parte do dinheiro desaparece nos desvãos da fisiologia que passou a imperar em Brasília a partir de janeiro de 2003.

O Globo

Maluf e Valdemar Costa Neto integram comissão da Reforma Política na câmara Federal

Brasil: da série “só doi quando eu rio!”

O que se esperar de qualquer coisa que tenha o notório Paulo Maluf e o mensaleiro Valdemar Costa Neto no meio?

Quando são criticados e laureados como a instituição menos confiável pela população, suas (deles) ex-celências, exibem a cândida face dos injustiçados
O Editor


Na Câmara, comissão da reforma política inclui ‘réus’

Instalada nesta terça (1º) com a pompa de um plenário vazio, a comissão de reforma política da Câmara já nasceu tropeçando nas circunstâncias.

Além de trabalhar com prazo e metodologia diferentes dos fixados pelo Senado, o grupo da Câmara inclui deputados cujas biografias não ornam com o relevo da missão.

A lista dos 41 membros da comissão está disponível aqui. Integram-na, por exemplo, Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Ambos são réus em processos que correm no STF. Valdemar frequenta os autos do mensalão petista, de 2005. Azeredo é protagonista no caso do mensalão mineiro, de 1998.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Também compõe a comissão incumbida de “reformar” a política o poli-investigado deputado Paulo Maluf (PP-SP).

Livrou-se do enquadramento na Lei da Ficha Limpa na última hora, numa sessão do TSE. É investigado por desvios da época em que foi prefeito de São Paulo.

Outro deputado escalado para “aprimorar” o sistema partidário e eleitoral foi Newton Cardoso (PMDB-MG). Ex-governador de Minas, é famoso pelo patrimônio.

Um dos representantes do PT na comissão será o deputado José Guimarães (CE), irmão de José Genoino, ex-deputado e ex-presidente da legenda.

Guimarães tornou-se celebridade nacional em 2005. Seu então assessor, Adalberto Vieira, foi pilhado embarcando em São Paulo com R$ 100 mil acondicionados na cueca.

O PT também indicou para representá-lo no debate sobre o “aprimoramento” da legislação política o deputado Ricardo Berzoini (SP).

Ex-presidente do PT, Berzoini coordenou a campanha reeleitoral em que Lula prevaleceu sobre Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006.

Foi sob a presidência de Berzoini que a PF flagrou “aloprados” petistas tentando comprar, com R$ 1,7 milhão de origem até hoje desconhecida, um dossiê antitucanos.

Nesta quarta (2), a comissão “reformista” da Câmara realiza sua primeira reunião. Serão eleitos o presidente e o relator.

Escalará a presidência, por acordo interpartidário, o deputado Almeida Lima (PMDB-SE).

Ex-senador, ele integrou o esquadrão parlamentar que ajudou a livrar da cassação, em 2007, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O relator, também escolhido por acordo, será o deputado Henrique Fontana (PT-RS), ex-líder do governo Lula.

A comissão da Câmara foi instalada uma semana depois do grupo análogo do Senado. Uma terá 41 membros. Outro, 15.

Na Câmara, fixou-se prazo de 180 dias para a conclusão do trabalho. No Senado, apenas 45 dias.

Os deputados ouvirão especialistas, em audiências públicas. Os senadores optaram por não consultar pessoas de fora.

Na Câmara, vai-se perseguir o “consenso”. Presidente da comissão do Senado, Francisco Dornelles (PP-RJ) disse que divergências serão dirimidas no voto.

Apartadas em tudo, as duas comissões têm apenas um ponto em comum. Lidam com o mesmo tipo de matéria-prima: o dissenso.

A lógica recomendava que as duas casas do Legislativo trabalhassem juntas. Porém, em matéria de reforma política, o Congresso não é movido pelo nexo.

Nas próximas semanas, o noticiário será tomado por manchetes desconexas. A começar pelas divergências que separam os interesses de PMDB e PT.

Os dois sócios majoritários do consórcio governista divergem em quase tudo. O quadro não é diferente na maioria das outras legendas.

A exemplo do que sucedeu em tentativas anteriores de reformar a política, repete-se agora o risco de gastar em vão saliva, papel-jornal e o dinheiro da platéia, que financia o espetáculo.

blog Josias de Souza

Eleições: quando você vota em um palhaço pode estar ajudando a eleger uma corja

Os palhaços nesse circo eleitoral, minha platéia de Tupiniquins, somos nós. Assistimos e contribuímos com nosso voto, para o tragicômico espetáculo da propaganda eleitoral, que irá ter, provavelmente, um funesto final na pobre e combalida democracia brasileira.
Enquanto alguns palhaços oficiais, com o palhaço Tiririca, disputam uma vaga no picadeiro e se apresentam devidamente paramentados, outros, e são os piores, trajando circunspectos e elegantes tenros e sem a maquiagem dos finórios, são certeza de que por baixo dos panos serão personagens de tenebrosas transações realizadas sob a lona do circo brasilis.
O Editor


Saiba quem você pode acabar elegendo ao votar no palhaço Tiririca

Com uma candidatura ao Legislativo que — entre as bizarras — conseguiu a maior repercussão até agora, é natural que Francisco Everaldo Oliveira Silva, 45, o Tiririca, esteja feliz da vida. Sua campanha atinge com frequência o topo dos “assuntos quentes” no Twitter e seus vídeos passeiam pela casa dos milhões de acessos no YouTube. Mas não é só ele que tem motivos para comemorar esse fenômeno dentro da sua coligação.

A exemplo de Paulo Maluf (PP), Tiririca é o “puxador de votos” de seu partido, o PR. Ambos ganharam espaços de destaque na TV e números de fácil assimilação (1111, para o candidato considerado ‘ficha suja’ pelo TRE-SP, e 2222, para o palhaço). A ideia é que uma votação expressiva ajude seus respectivos partidos a levarem outros correligionários para Brasília.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Na esteira do “pior que tá não fica”, candidato Tiririca foi escalado como “puxador de votos” do Partido da República

Para o analista político Fernando de Barros e Silva, Tiririca funciona como um “biombo”. “Atrás dele, vão os verdadeiros artistas do circo fisiológico”, escreveu em sua coluna na Folha, na última semana.

Isso ocorre por conta do critério da proporcionalidade previsto pela legislação eleitoral. O número de vagas de cada partido é definido pelo quociente eleitoral –a soma de votos dos candidatos e da legenda dividida pelo número de vagas a que cada Estado tem direito. Desta forma, o sistema proporcional cria a possibilidade de parte das vagas no Legislativo serem preenchida por candidatos que receberam volume de votos nominais pífio.

O exemplo mais famoso ocorreu em 2002, quando Enéas Carneiro (1938-2007), do extinto Prona, conseguiu levar consigo cinco candidatos. Entre eles figurava Vanderlei Assis (275 votos nominais), depois condenado pelo TRE por inscrição fraudulenta.

Dependendo do volume de votos de Tiririca no dia 3 de outubro, o pleiteante fantasiado pode ajudar a eleger os seguintes políticos que também disputam uma vaga pelo PR-SP:

Agnaldo Timóteo, 73, cantor. Como vereador por São Paulo, causou polêmica ao tentar emplacar um projeto de lei para mudar o nome do parque Ibirapuera para parque Michael Jackson. No horário eleitoral gratuito deste ano, posta-se como “herdeiro político” do estilista Clodovil Hernandez (1937-2009).

Valdemar Costa Neto, 61, ex-presidente do PL. Renunciou ao cargo de deputado federal em 2005 para escapar da cassação após ser acusado de envolvimento no caso do mensalão, relativo à suposta compra de apoio de partidos pelo PT. Também foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de compra de votos nas eleições de 2006 — e absolvido pelo TSE.

Luciana Costa, 39, deputada federal da última legislatura. Assumiu a vaga deixada por Enéas Carneiro, de quem era suplente e secretária parlamentar. No ano passado, levou à Câmara um projeto de lei para instituir o Dia do Peão de Rodeio, a ser comemorado anualmente em 25 de agosto. No horário eleitoral da TV, tenta colar sua imagem à figura de Enéas, inclusive emulando seu jeito de discursar.

Milton Monti, 49, deputado estadual duas vezes e deputado federal três vezes (inclusive no mandato 2007-2010). Em 2000, apresentou na Câmara projeto de lei para tornar obrigatório no currículo das escolas brasileiras ensino de latim e a OSPB (Organização Social e Política Brasileira), sem sucesso. Trabalha para instituir o Dia Nacional de Atenção à Dislexia. A proposta recebeu parecer favorável na Comissão de Educação e Cultura.

Jurandyr Czaczkes, ou Juca Chaves, 71, humorista, músico e compositor, autor das modinhas “Ana Maria”, “Que Saudades” e “Pequena Marcha para um Grande Amor”. “Não serei um deputado comum, serei também um Menestrel Na Corte [sic], cantarei como sempre fiz, fazendo minhas denúncias em forma de sátiras”, promete, no Twitter. Em 2006, tentou se eleger senador pela Bahia com o PSDC –sem sucesso.

Pastor Paulo Freire, 55, presidente da Assembleia de Deus de Campinas e do Conselho de Doutrina da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. É a primeira vez que se candidata a deputado federal. Neste ano, posicionou-se publicamente contra a adoção por casais gays, direito reconhecido pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Além deles, candidatos de PT, PRB, PC do B e PT do B, todos da coligação “Juntos Por São Paulo”, podem se beneficiar de uma eventual votação expressiva de Tiririca.

As propostas de Tiririca

Em entrevista à Folha publicada na semana passada, Tiririca foi questionado sobre os projetos que pretende levar à Câmara. “De cabeça, assim, não dá pra falar”, justificou. Ele também negou que, caso eleito, vá andar fantasiado por Brasília.

Na TV, o candidato cearense evita fazer promessas complexas. A mais famosa até agora se resume a contar ao eleitorado o que, afinal, faz um deputado federal –mas, só depois de eleito. Para saber o que faz um deputado federal, clique aqui.

Embora diga no horário eleitoral gratuito que, se eleito, pretende ajudar “inclusive” sua família, Tiririca já foi destaque de páginas policiais em um caso violência doméstica. Em 1998, o palhaço foi levado de camburão à 6º Delegacia Seccional de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de agredir a tapas Rogéria Mariano da Silva, sua mulher. Mais tarde, ela retirou a queixa.

Diógenes Muniz/Folha de S.Paulo

Ministério Público não inclui tesoureiro do PT no mensalão

MPF diz que inquérito do mensalão não inclui Vaccari

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto não é mencionado no inquérito do mensalão, informa o Ministério Público Federal.

Em sua edição da semana passada, Veja anotara que o nome de Vaccari fora citado em depoimento do corretor Lúcio Bolonha Funaro.

Segundo a revista, Funaro dissera que Vaccari agenciava negócios nos fundos de pensão de estatais, mediante pagamento de propinas de 6% a 15%.

A Procuradoria da República divulgou, em São Paulo, nota a respeito do tema. Informa que Bolonha (na foto) é réu numa ação penal aberta em 2008.

Bolonha e o sócio dele, José Carlos Batista, respondem por formação quadrilha e outras 33 infrações relacionadas a lavagem de dinheiro.

Donos da corretora Garanhuns, os dois alvejaram a verba de má origem que Marcos Valério repassara ao PL, do deputado cassado Valdemar Costa Neto.

No total, a Garanhuns “lavou” R$ 6,5 milhões que a SMP&B, agência de publicidade de Valério, entregara ao PL.

A autora da ação é a procuradora da República Anamara Osório Silva. O processo corre “normalmente” na 2ª Vara Federal de São Paulo.

Na nota, a Procuradoria informa: “Não há nenhuma menção ao ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, atualmente tesoureiro do PT”.

O nome de Vaccari não aparece “na documentação remetida pela Procuradoria Geral da República a São Paulo, que embasou a denúncia”.

O tesoureiro do PT tampouco é mencionado “na acusação formal remetida à Justiça pelo MPF-SP”.

O PT apressou-se em levar ao seu portal na web um texto à sua página na web. Traz, ao final, manifestação de Francisco Campos, dirigente nacional da legenda:

“Essa é mais uma prova de que Veja mentiu novamente. O objetivo da revista é provocar uma guerra eleitoral visando desgastar o PT e prejudicar a campanha da companheira Dilma à Presidência”.

Sérgio Lima/Folha

Mensalão; vice presidente José de Alencar irá depor no processo

O vice-presidente José Alencar deverá prestar depoimento no processo do mensalão.

Alencar está listado como testemunha de defesa do deputado Valdemar Costa Neto, um dos 39 réus da ação penal. Como vice-presidente, ele tem o direito de manter-se calado, no entanto, ele já informou ao relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), que vai prestar esclarecimentos por escrito. Os outros investigados também poderão fazer perguntas a Alencar. Como a determinação ainda não foi publicada no Diário de Justiça, o prazo ainda não começou a correr. O processo do mensalão foi aberto em 2007 e ainda possui 600 testemunhas de defesa para serem ouvidas.

coluna Claudio Humberto