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Coronavírus: ‘Fui preso por fingir ter covid-19 no Facebook’

Brandin postou notícia falsa no Facebook como ‘experimento social’ – Direito de imagem GABINETE DO XERIFE DO CONDADO DE TYLER/ GETTY

O americano Michael Lane Brandin sabia que seu post no Facebook causaria rebuliço. O que ele não imaginava era que seria preso, perderia o emprego e enfrentaria um julgamento caro que pode mantê-lo atrás das grades.

Era uma tarde monótona em março e o debate sobre como lidar com o possível surto de covid-19 estava por todos os lados na sua timeline.

Então ele decidiu, em suas palavras, “fazer um experimento social”.

Michael postou que havia sido diagnosticado com o coronavírus e que os médicos haviam dito que o vírus era transmitido pelo ar.

No Facebook, seu relato foi recebido com um misto de empatia e choque.

“O post gerou muitas reações e muitos amigos me mandaram uma mensagem para perguntar se eu estava bem, então eu disse a eles que era tudo mentira”, diz ele.

Mas o que estava acontecendo offline era muito mais sério.

O boato começou a se espalhar velozmente pelo condado de Tyler, no Estado americano do Texas, onde Michael morava.

Isso ocorreu dias antes de qualquer medida de isolamento social ter sido decretada. Pessoas ligando incessantemente ao hospital perguntando se as notícias eram verdadeiras e o que elas poderiam fazer para se proteger do “assassino invisível”.

Mandado de prisão

A polícia entrou em contato com Michael e disse-lhe para alterar seu post para deixar claro que ele estava fazendo um experimento social, o que ele prontamente fez.

No entanto, o boato já havia se tornando uma bola de neve. E o próximo post no Facebook acabou vindo da delegacia de polícia. “Dando prosseguimento a uma queixa oficial do promotor criminal do distrito, o juiz do Condado Jacques Blanchett emitiu um mandado de prisão para Brandin pelo crime de alarme falso, uma contravenção classe A.”

Brandin se entregou. Sua fiança foi estabelecida em US$ 1 mil (cerca de R$ 5,4 mil).

“Eles disseram que eu tinha que passar a noite na prisão, porque tinha que esperar a chegada do juiz no dia seguinte. Estava morrendo de ansiedade”, diz Brandin.

No comunicado enviado ao público, a delegacia de polícia disse que sua ação foi motivada pela “crescente preocupação do coronavírus nos Estados Unidos e pela emissão de declarações de emergência / desastre pelo presidente (Donald) Trump e pelo governador Abbott (Greg Abbott, governador do Texas)”.Direito de imagem MICHAEL LANE BRANDIN

Fiança de Brandin foi estabelecida em US$ 1 mil

Brandin agora está de volta à sua casa esperando uma data para seu julgamento. Apesar da seriedade de sua situação, ele diz que ainda tem sentimentos contraditórios sobre se lamenta ou não ter escrito o post.

“Sou bacharel em comunicação em massa e fiz isso para provar como é fácil alguém postar algo online e causar pânico. Eu queria provar que é importante que as pessoas estejam bem informadas e façam suas próprias pesquisas antes de acreditar em tudo o que leem ou escutam.”

“Mas, por causa de uma postagem no Facebook, perdi meu emprego, meu plano de saúde, e não pude iniciar meu programa de mestrado a tempo devido à falta de dinheiro. Isso criou um fardo financeiro para toda a minha família, porque todos estão tentando me ajudar a pagar minhas contas.”

“Apesar de tudo de ruim que aconteceu, sinto que meu argumento foi provado e isso me faz sentir bem.”

Fake news

Os EUA não são o único lugar onde espalhar informações falsas nas redes sociais sobre o vírus pode levar à prisão.

Prisões por espalhar as chamadas fake news estão sendo noticiadas na Índia, Marrocos, Tailândia, Quênia, Camboja, Somália, Etiópia, Cingapura, Botsuana, Rússia e África do Sul.

Em alguns casos, são rumores espalhados com malícia. Em outros, observadores de direitos humanos disseram à BBC que estão preocupados com o fato de as circunstâncias extraordinárias da pandemia estarem atribuindo às autoridades poderes sem precedentes para reprimir discordâncias ou críticas.

No Quênia, Robert Alai está sob fiança e pode enfrentar uma possível pena de prisão de 10 anos por um tuíte sobre o vírus.Direito de imagem ROBERT ALAI

Alai foi mantido em cela com outros presos, sem distanciamento social

O homem de 41 anos já passou três dias em uma cela apertada, por um post em que alegou ter ouvido falar de um surto no porto local de Mombaça.

De acordo com as autoridades, a medida violou a Lei de Uso Indevido de Computadores e Crimes Cibernéticos de 2018.

Alai foi preso em uma sexta-feira e mantido em uma cela no fim de semana até que um juiz pudesse vê-lo. Ele alega que, durante sua detenção, não foram implementadas medidas de distanciamento social, até que ele próprio chamasse atenção para o assunto.

“Dormi no chão de concreto com muitos outros presos. Não recebi uma máscara ou algo assim. Não posso ser preso por colocar vidas em perigo e depois ser mantido assim durante a pandemia. Reclamei e acabaram me separando do restante dos presos.”Direito de imagem ROBERT ALAI

Alai está sob liberdade condicional

Alai é um conhecido blogueiro de oposição ao governo, com mais de 1 milhão de seguidores no Twitter.

A polícia não respondeu aos questionamentos da BBC, mas publicou detalhes no Twitter de um caso semelhante cinco dias antes de sua prisão.

A Diretoria de Investigações Criminais do Quênia disse que um homem havia sido preso em Mwingi “por publicar informações enganosas e alarmantes sobre o coronavírus… ele será indiciado por publicar informações falsas que resultem em pânico em violação à seção 23 da lei de Uso Indevido do Computador”.

As autoridades quenianas apelaram repetidamente ao público para parar de compartilhar informações falsas e rumores.

No dia anterior à detenção de Alai, o ministro da Saúde do país, Mutahi Kagwe, disse: “Esses rumores devem parar… mas, como sei que apelos vazios não funcionarão, prosseguiremos e prenderemos vários deles para provar nosso argumento”.

Alai está convencido de que as informações recebidas eram verdadeiras e que ele não infringiu a lei, embora a BBC não tenha conseguido verificar independentemente sua alegação.

Alai foi preso várias vezes antes por fazer comentários controversos. Ele alega que a polícia está usando a pandemia para perseguir os críticos do governo.

“Eles prenderam outros blogueiros por coisas semelhantes e parece-me que qualquer tuíte de coronavírus ou qualquer outra informação nas redes sociais agora é considerado um crime grave. Não estou dizendo que eles não devem prender pessoas e acho muito importante a polícia pode fazer seu trabalho, mas acho que eles precisam se concentrar nas pessoas certas”.

Se condenado, Alai pode ter que pagar uma multa de 5 milhões de xelins quenianos (cerca de R$ 250 mil) ou 10 anos de prisão.

Mais prisões

Na Índia, Sikandar Cuttrack também está aguardando julgamento por questionar as autoridades locais no Twitter.

“Apenas tentei informar a polícia e o governo sobre um paciente suspeito de covid-19”, diz ele.

“Fiz vários tuítes sobre isso, mas a polícia me prendeu dizendo que criei pânico. Não acho que cometi um erro. Acredito que a polícia tenha tomado uma ação desnecessária. A situação da pandemia tornou a polícia mais poderosa. “Direito de imagem SIKANDAR CUTTRACK

Sikandar Cuttrack também foi detido por post no Twitter

Cuttrack pode ser sentenciado a até três anos de prisão. Ele é um ativista político e acredita que sua prisão pode estar parcialmente ligada à sua oposição ao governo local.

É uma alegação que a polícia nega. O comissário de polícia de Odisha diz que está trabalhando para impedir a propagação do pânico causado pela desinformação nas redes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que há uma “infodemia” ocorrendo online e que há riscos altos para autoridades de todo o mundo que tentam lidar com notícias falsas de pandemia.

Direito de imagem DR LI WENLIANG
Médico chinês alertou autoridades sobre vírus; ele acabou morrendo da doença

Ameaça às liberdades

Em um relatório no mês passado, a ONG Human Rights Watch reconheceu que a pandemia ultrapassou o limiar de ser “uma grave ameaça à saúde pública e emergência pública”, que pedia uma “restrição a alguns direitos” justificada.

No entanto, a organização disse estar preocupada que polícia e governos usem os poderes emergenciais decorrentes da pandemia para calar a liberdade de expressão.

Segundo a Human Rights Watch, “em vários países, os governos fracassaram em defender o direito à liberdade de expressão, perseguindo jornalistas e profissionais de saúde”.

O relatório inclui exemplos de quando a supressão de informações nas redes sociais prejudicou a luta contra o coronavírus, como no início de janeiro, quando o médico chinês Li Wenliang foi convocado pela polícia por “espalhar boatos” depois que ele alertou sobre o novo vírus em uma sala de bate-papo online.

Ele acabou sendo liberado e morreu de covid-19 semanas depois.

O equilíbrio entre permitir a liberdade de expressão nas mídias sociais e proteger as pessoas do pânico é algo que todo país está enfrentando.

Há poucas dúvidas de que esse período da história será estudado por gerações, à medida que a pandemia se desenrola, tanto online quanto offline.

Cenas de uma pandemia de 1.500 anos atrás que se repetem hoje

Pesquisa da Universidade de Barcelona destaca as surpreendentes semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a praga de Justiniano que assolou o mundo em 541.

Mosaico do século VI do imperador Justiniano e sua corte, na Basílica de San Vital em Ravena.GETTY IMAGES

Uma pandemia que chegou do estrangeiro e que se espalhava rapidamente dos portos onde chegavam os passageiros infectados ― assintomáticos ou não ―, sem nenhum medicamento que pudesse pará-la, todos os habitantes confinados em suas casas para evitar contágios, a paralisação total da economia, o exército vigiando as ruas, médicos infectados trabalhando à exaustão, milhares de mortos diários sem enterrar durante “muitos dias porque os que cavavam já não davam conta…”.

Não é a crônica do coronavírus que afeta o mundo em 2020. É o relato feito por Procópio de Cesareia sobre o surto de peste bubônica que assolou o mundo conhecido entre 541 e 544: da China às costas da Hispânia. O estudo La plaga de Justinià, segons el testimoni de Procopi (A Praga de Justiniano, segundo o Testemunho de Procópio), de Jordina Sales Carbonell, pesquisadora da Universidade de Barcelona, devolveu à atualidade esse relato de 1.500 anos atrás, com moral da história. “Em 1 de abril de 2020, determinadas semelhanças e paralelismos do comportamento humano frente a um vírus e suas consequências nos parecem tão próximas e atuais que, apesar da tragédia que estamos vivendo em primeira pessoa, nunca podemos deixar de nos maravilhar de como a história se repete” escreve a arqueóloga e historiadora do Institut de Recerca en Cultures Medievals (Instituto de Pesquisa em Culturas Medievais).

Em 541, durante o reinado do bizantino Justiniano, explodiu um surto de peste bubônica no império. “O alarme surgiu no Egito, onde a infecção se expandiu de modo rápido e letal”. Procópio falou sobre isso em seu livro História das Guerras, no qual relatou as campanhas militares de Justiniano pela Itália, África do Norte, Hispânia… e como os soldados espalhavam a pandemia pelos diversos portos em que chegavam, fundamentalmente da Europa, África do Norte, o Império Sassânida (Pérsia) e, de lá, à China.

Procópio, como conselheiro do general bizantino Belisário, a quem acompanhou em suas campanhas, se transformou assim em “testemunha privilegiada” de uma pandemia que recebeu o nome de praga de Justiniano: “Foi declarada uma epidemia que quase acabou com todo o gênero humano da qual não há forma possível de dar nenhuma explicação com palavras, sequer de pensá-la, a não ser nos remitir à vontade de Deus”, escreveu o historiador bizantino. “Essa epidemia”, continuou, “não afetou uma parte limitada da Terra, um grupo determinado de homens e se reduziu a uma estação concreta do ano […], e sim se espalhou e se alimentou em todas as vidas humanas, por diferentes que fossem as pessoas das outras, sem excluir naturezas e idade”. Desse modo, a doença não tinha limites, “até aos extremos do mundo, como se tivesse medo de que algum recanto escapasse”.

Um ano após ser detectada, a peste chegou à capital do Império, Bizâncio (atual Istambul), “assolando-a durante quatro meses”. “O confinamento e o isolamento eram totais”, descreve Sales Carbonell, “já que era mais do que obrigatório aos doentes. Mas também se impôs uma espécie de autoconfinamento espontâneo e intuitivamente voluntário para o restante, em boa parte motivado pelas próprias circunstâncias”. De fato, “não era nada fácil ver alguém nos locais públicos, pelo menos em Bizâncio, uma vez que todos os saudáveis ficavam em casa, cuidando dos doentes e chorando os mortos”, de acordo com Procópio. E o faziam “com roupas comuns, como simples particulares”, o que a historiadora da Universidade de Barcelona traduz com certa ironia “como o moletom da época”.

A economia, enquanto isso, desabou: “As atividades cessaram e os artesãos abandonaram todos os empregos e os trabalhos dos quais se ocupavam”. Mas ao contrário de hoje em dia, as autoridades foram incapazes de organizar serviços essenciais. “Parecia muito difícil conseguir pão e qualquer outro alimento, de modo que, para alguns doentes, o desenlace final da vida foi sem dúvida prematuro, pela falta de artigos de primeira necessidade”, escreveu o bizantino em História das Guerras. “Muitos morriam porque não tinham quem cuidasse deles”, já que as pessoas responsáveis pela emergência “caiam esgotadas por não poder descansar e sofrer constantemente. Por isso, todos se compadeciam mais delas do que dos doentes”.

Vigilância nas ruas
Justiniano, pela situação desesperada, distribuiu “pelotões de guardas do palácio” pelas ruas e nomeou seu chefe de gabinete autorizado, que “com o dinheiro do tesouro imperial e até colocando de seu próprio bolso sepultava os corpos dos que não tinham ninguém que os ajudasse”. O próprio imperador se infectou, mas superou a doença e continuou governando durante mais uma década.

Os picos de mortalidade subiram de 5.000 a 10.000 vítimas por dia, e até mais. De tal maneira que, “ainda que em um primeiro momento cada um se ocupava dos mortos de sua casa, o colapso e o caos se tornaram inevitáveis e os cadáveres também eram jogados nas tumbas dos outros, às escondidas e com violência”. Mesmo os ilustres, lembra Procópio, “permaneceram insepultos durante muitos dias”, de modo que “os corpos se amontoaram de qualquer maneira nas torres das muralhas”. Não havia cortejos e rituais funerários para eles.

Quando por fim a pandemia foi superada surgiu, lembra a historiadora, um aspecto positivo: “Os que haviam sido partidários das diversas fações políticas abandonaram as críticas mútuas. Mesmo aqueles que antes realizavam ações baixas e malvadas deixaram, na vida diária, toda a maldade, uma vez que a necessidade imperiosa lhes fazia aprender o que era a honradez”, nas palavras de Procópio, ainda que após algum tempo voltaram aos velhos hábitos. “Esse ponto certo de poesia nos faz vislumbrar o otimismo e a esperança de que talvez nos permitam seguir em frente e não voltar a tropeçar novamente na mesma pedra”, finaliza a especialista com mais expectativa do que certeza.

Um longo bloqueio será catastrófico para os países desenvolvidos

As pessoas caminham ao longo de uma estrada para retornar às suas aldeias. Nova Deli, India. REUTERS / Danish Siddiqui

A recessão global iminente e provavelmente duradoura, causada pelo fechamento de nossas economias, prejudicará todos nós – mas será muito, muito pior para aqueles que já estão à beira da fome.

Um relatório do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PAM), publicado no início desta semana, mostra uma visão deprimente dos efeitos da pandemia de Covid-19. O relatório sugere que o número de pessoas que enfrentam severa escassez de alimentos – à beira da fome – pode dobrar nos próximos 12 meses, de 130 para 265 milhões. O chefe do PAM, David Beasley, descreveu as possíveis fomes como “bíblicas”. Os debates sobre os bloqueios no Ocidente devem ter em mente os pobres do mundo antes de exigir que as restrições permaneçam em vigor.

O economista-chefe do PMA, Dr. Arif Husain, disse à mídia: “O Covid-19 é potencialmente catastrófico para milhões que já estão presos a um fio. É um golpe de martelo para milhões a mais que só podem comer se ganharem um salário. Os bloqueios e a recessão econômica global já dizimaram seus ovos. É preciso apenas mais um choque – como o Covid-19 – para empurrá-los para além do limite. Devemos agir coletivamente agora para mitigar o impacto dessa catástrofe global. ”

Precisamos aceitar algumas das reivindicações do PMA com um pouco de ceticismo. Quem se especializa em uma área específica sempre acreditará que os problemas são os mais importantes (embora a comida seja claramente a necessidade mais básica). E há sempre um grau de especial apelo a esses relatórios institucionais, com autoridades tentando promover os piores cenários, a fim de obter o maior orçamento possível.

No entanto, há claramente um problema muito grande aqui. A própria doença causará uma perda substancial de vidas e poderá adoecer muitas pessoas produtivas, numa época em que os meios de subsistência já estão à beira da faca. No entanto, também precisamos perceber o quão devastadores os bloqueios generalizados também podem ser.

Como a Índia está usando a catástrofe Covid-19 para começar a consertar seu sistema de saúde em ruínas.
Atualmente, pelo menos um terço da população do mundo vive trancado, incluindo 1,3 bilhão de pessoas somente na Índia. Apesar de anos de crescimento econômico impressionante, se possível exagerado, quase um quarto dos indianos ainda vive com menos de US $ 2 por dia. A situação será muito pior nos países que não desfrutaram do rápido desenvolvimento da Índia.

Os governos do mundo em desenvolvimento vêm copiando políticas em países muito mais ricos. Mas eles necessariamente fazem sentido? No Ocidente desenvolvido, a principal preocupação é que um pico acentuado nos casos sobrecarregue os serviços intensivos de saúde, levando a mortes desnecessárias. No entanto, muitos países mais pobres têm muito poucos ventiladores e médicos e enfermeiros experientes em relação às suas populações. Então, quais são os benefícios dos bloqueios que levarão muitos milhões a mais na pobreza abjeta?

Nas megacidades lotadas do mundo em desenvolvimento – como Mumbai, Cairo, Lagos – o distanciamento social é impraticável. A lavagem básica das mãos com sabão está amplamente indisponível. Do ponto de vista da saúde, as políticas fazem pouco sentido. Pior, estima-se que mais de dois bilhões de pessoas trabalhem na economia “informal” – elas estão fora do radar em termos de ação do governo, como cortes de impostos, benefícios sociais e outras intervenções do governo. Como Husain aponta sem rodeios: para muitas pessoas, se não trabalham, não comem.

Não são apenas os bloqueios no mundo em desenvolvimento que são importantes. As economias dos países em desenvolvimento dependem, em parte, do comércio com nações mais ricas. Se isso for interrompido, os níveis de pobreza aumentarão. Por exemplo, a varejista de roupas britânica Primark quase não tem presença on-line. Portanto, o fechamento de suas lojas na Europa deixou dezenas de milhares de europeus desempregados – mas também atingiu os que trabalham para fabricantes de países mais pobres. A empresa prometeu apoiar os fornecedores por enquanto, mas um longo desligamento deixaria um enorme número de trabalhadores mais pobres em todo o mundo sem trabalho.

De maneira mais ampla, uma consultoria britânica, o Center for Economic and Business Research, estimou que as famílias britânicas poderiam enfrentar uma perda de renda média de £ 515 (US $ 635) por mês ao longo deste ano. Uma fatia substancial desses gastos teria sido usada para comprar mercadorias de países em desenvolvimento. Essa perda de gastos sem dúvida exacerbará as recessões nos países mais pobres.

Esse aspecto dos impactos econômicos dos bloqueios por coronavírus parece ter sido amplamente esquecido. É compreensível que, na reação inicial à pandemia, o foco esteja em lidar com a questão em nível doméstico. Mas agora que temos um certo grau de espaço para respirar e as taxas de infecção parecem estar reduzidas, devemos agora considerar todos os impactos da continuação dos bloqueios, não apenas na saúde e na riqueza das pessoas no mundo rico, mas na parte mais pobre do mundo. mundo também.

No entanto, aqueles como eu, que pedem que as restrições sejam afrouxadas mais cedo ou mais tarde, são rotineiramente denunciados como mais interessados ​​em dinheiro do que em salvar vidas. Na vanguarda dessa demanda está o presidente Trump. Ainda nesta semana, o jornal britânico Guardian poderia publicar um artigo intitulado ‘Consoler-in-Chief? Sem empatia, Trump pesa os custos econômicos, não os humanos.

Quaisquer que sejam as motivações de Trump – e ele pode estar mais preocupado com os empregos americanos do que com os de Bangladesh -, o ponto permanece que serão os mais vulneráveis ​​do mundo que sofrerão se as economias forem fechadas por muito mais tempo. Com Trump na Casa Branca e um governo conservador no Reino Unido, muitas vozes de esquerda na mídia anglo-americana parecem ter adotado uma abordagem perversa e politizada para defender os bloqueios, alegando que estão colocando as pessoas antes dos lucros, quando é necessário. na verdade, os pobres que mais sofrem quando a economia pára.

Os governos ocidentais precisam pensar além de suas próprias fronteiras sobre os impactos dessa pandemia. Enquanto ninguém defende um retorno abrupto à normalidade, todos os esforços devem ser feitos para reduzir os impactos do distanciamento social o mais rápido possível e fazer com que todas as economias do mundo voltem a funcionar.

Vacina cubana contra HIV apresenta resultados positivos em testes com seres humanos

Não foram registrados casos de efeitos colaterais ou de toxicidade; há indícios positivos de eficácia, que ainda precisam ser confirmados em um grupo maior de indivíduos.

Uma vacina desenvolvida em Cuba com o objetivo de reduzir a carga viral de portadores do HIV e que se encontra em fase de testes clínicos na ilha caribenha tem demonstrado eficácia, afirmou Yayri Caridad Prieto Correa, uma das responsáveis pelo estudo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A vacina Teravac-VIH tem potencializando a resposta imunológica dos nove pacientes que a tomaram e que estão sendo acompanhados pelos pesquisadores cubanos.

 

A pesquisadora do CIGB (sigla em espanhol para Centro de Engenharia e Biotecnologia) de Havana apresentou os resultados preliminares dos testes com humanos durante o primeiro congresso BioProcess Cuba 2017, realizado em na cidade cubana de Camaguey na última semana.

Segundo Correa, os nove pacientes soropositivos que tomaram a vacina não apresentaram efeitos adversos nem de toxicidade, o que era o principal objetivo desta fase de testes, que certifica a segurança do medicamento.

Assim como nos estudos pré-clínicos em animais, o teste com humanos demonstrou que a vacina potencializa a resposta imunológica do organismo infectado por HIV, vírus causador da Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida).

Vacina cubana está sendo testada em nove pacientes no momento e tem demonstrado eficácia, disse pesquisadora

A pesquisadora, porém, alertou para que não se criem falsas expectativas sobre a vacina, que ainda deve passar por testes com mais pessoas soropositivas para se estabelecer sua eficácia em larga escala, o que deve levar mais alguns anos. A atual fase de testes, por exemplo, foi anunciada em março de 2012.

Correa também ressaltou que a vacina não sana a infecção por HIV, mas diminui a taxa de vírus no sangue, melhorando assim a qualidade de vida das pessoas soropositivas.

Ela afirmou que a busca de vacinas contra o vírus segue sendo uma das prioridades das instituições médicas e científicas cubanas, mas que a prevenção segue sendo o principal método para evitar o contágio.

O objetivo dos especialistas cubanos é substituir a atual terapia contra o HIV, que consiste na combinação de vários inibidores retrovirais que bloqueiam a expansão do vírus.

Embora tal terapia se mostre majoritariamente eficiente, em alguns casos pode causar danos colaterais aos pacientes.

A vacina Teravac-HIV é administrada simultaneamente por via mucosa, por spray e administração intramuscular. Ela foi desenvolvida a partir de uma “proteína recombinante” – através de técnicas de engenharia genética – e busca induzir uma resposta celular contra o vírus.

Segundo os resultados preliminares, a vacina diminuiu a carga viral nos linfócitos T citotóxicos (CD8) dos pacientes.

Segundo o portal Infomed, da rede de saúde de Cuba, o primeiro caso de HIV foi diagnosticado na ilha há 31 anos.

Em 2015, o país se tornou o primeiro no mundo a erradicar a transmissão do HIV de mãe para filho, como afirmou a OMS (Organização Mundial da Saúde). A transmissão sexual é a forma predominante de infecção por HIV em Cuba, responsável por mais de 99% dos casos.

Com dados do OperaMundi

Mais sobre a polemica das vacinas

Nos últimos 2 meses surgiu uma “epidemia” de sarampo na universidade de Harvard, nos EUA.

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Ao todo, 40 estudantes contraíram a doença até agora.

Curioso eh que todos eles são vacinados contra o sarampo; e ainda mais: 99% dos estudantes da universidade são vacinados contra o sarampo.

Ao mesmo tempo, ja foram registrados mais 12 casos no estado de Massachusetts.

A fabricante da vacina, a Merck, afirma que ela tem 95% de eficácia.

No entanto, dois cientistas da Merck, Sthepen Krahling e Joan Wlochowski, afirmam que os dados foram falsificados, e os estudos científicos manipulados.

Mais detalhes:

http://www.naturalnews.com/053829_Harvard_mumps_outbreak_vaccine_myths.html

http://www.naturalblaze.com/2016/04/current-harvard-mumps-outbreak-occurs-in-99-percent-vaccinated.html

http://www.boston.com/news/local-news/2016/04/26/harvard-40-cases-mumps


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Uganda: Por que o berço do zika nunca teve nenhum surto?

Apesar de ter sido isolado pela primeira vez por cientistas no final da década de 40, o zika vírus ─ transmitido pelo mosquito Aedes aegypti ─ nunca se tornou uma epidemia em Uganda, onde foi descoberto no sangue de macacos.

(BBC)Segundo virologista Julius Lutwama, tipo de Aedes encontrado no país prefere animais a humanos; mutação pode estar relacionada a desmatamento

Ali, na floresta de Zika, na região central do país, o vírus adquiriu contornos diferentes do que no Brasil, que vive atualmente um surto da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, já são mais de 70 mil notificações em 19 Estados brasileiros. O vírus também vem sendo associado ao aumento do número de casos de microcefalia ─ uma má-formação cerebral em fetos ─ com 508 casos confirmados e outros 3.935 suspeitos sendo investigados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas, em Uganda, tampouco houve registros de má-formações congênitas.

Além disso, entre 1947 a 2007, quando foi registrado o primeiro surto de zika fora da Ásia e da África (nas Ilhas Yap, na Micronésia), foram apenas 14 casos confirmados no mundo.

O que explica então a ausência de um surto de zika no país africano?

Motivos

Segundo Julius Lutwama, principal virologista do Instituto de Uganda de Pesquisa de Vírus (Urvi, na sigla em inglês), o motivo se deve, em grande parte, ao tipo deAedes aegypti encontrado em Uganda.

“Em Uganda, a subespécie de Aedes aegypti que temos ─ o Aedes aegypti formosus ─ é diferente da daquela encontrada na América do Sul, o Aedes aegypti aegypti. O mosquito daqui pica mais animais do que humanos”, explica ele à BBC Brasil.

“Esse mosquito vive na floresta e costuma se alimentar à noite. Mesmo que um ser humano seja picado e venha a desenvolver a doença, a probabilidade de ela se alastrar é baixa, por causa da ausência do vetor nas áreas urbanas. Ou seja, se não há mosquitos para espalhar o vírus, dificilmente haverá uma epidemia”, acrescenta.

Outro fator, destaca Lutwama, envolve características geográficas e climáticas de Uganda.

Segundo ele, diferentemente de outros locais que enfrentaram surtos de zika, o país manteve suas florestas razoavelmente intactas, preservando o habitat natural do mosquito.

(Getty)Já são mais de 70 notificações de zika no Brasil – Image copyright Getty

“Esse mosquito vive predominantemente nas florestas. Com o desmatamento, acreditamos que ele tenha migrado para as zonas urbanas e evoluído, passando a se alimentar do sangue de seres humanos”, diz ele.

Nesse sentido, a forte predominância de chuvas, típicas do clima de Uganda, também teria contribuído para evitar uma epidemia da doença.

“Aqui em Uganda chove muito e, por isso, a população não costuma armazenar água em casa”, argumenta.

“Mas nos países africanos que desmataram suas florestas, como no oeste da África, por exemplo, o mosquito migrou para as áreas urbanas e acabou encontrando um ambiente perfeito, pois precisa de água parada para se reproduzir”.

Lutwama diz acreditar ainda que a população ugandense teria desenvolvido imunidade à doença, devido a “diferentes flavivírus” (vírus transmitidos por carrapatos e mosquitos) encontrados na região, como dengue, chikungunya e O’nyong’nyong, todos transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

“Como temos outras doenças muito semelhantes ao zika, como dengue, chikungunya e O’nyong’nyong, acredito que possa ter havido algum tipo de imunidade cruzada. Dessa forma, quem já contraiu algum desses vírus, teria menor vulnerabilidade a uma nova infecção”, observa.

E devido ao baixo número de casos da doença em Uganda, acrescenta Lutwama, não foi possível estabelecer nenhuma relação entre o vírus e a microcefalia.

“Diferentemente do Brasil, não temos um número suficiente de casos de zika para comprovar qualquer associação entre o vírus e essa má-formação congênita em fetos”, afirma.

Brasil

BBCJulius Lutwama é principal pesquisador do Instituto de Uganda de Pesquisa de Vírus (Urvi, na sigla em inglês)

Principal pesquisador do Uvri, instituto criado em 1936 com financiamento da Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, Lutwama diz que ele e sua equipe vêm realizando um trabalho de prevenção para evitar que a subespécie latino-americana se espalhe em Uganda.

“Coletamos e monitoramos amostras de sangue de pacientes de todo o país. São medidas preventivas importantes”, assinala ele.

Lutwama cita o caso dos Estados Unidos, onde o Aedes aegypti ─ virtualmente inexistente há alguns anos ─ já é encontrado em regiões com temperaturas mais amenas, como o Estado da Flórida.
Luís Barrucho/BBC

CDC inicia estudo sobre zika vírus e microcefalia no Brasil

Pesquisadores americanos farão um estudo em João Pessoa, na Paraíba, para investigar o possível elo entre zika e microcefalia.

CDC inicia estudo sobre zika vírus e microcefalia no BrasilColeta de dados para pesquisa deve durar de três a quatro semanas (Foto: Pixabay)
Um time de 16 virologistas do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC), do governo americano, iniciou nesta segunda-feira, 22, um projeto de pesquisa promissor no Brasil para investigar o possível elo entre os surtos de zika vírus e microcefalia no país.

O Brasil confirmou mais de 500 casos de microcefalia desde o início do surto de zika vírus, no início do ano, e investiga outros 3.900 casos suspeitos.

Os virologistas americanos começaram a treinar dezenas de pesquisadores brasileiros em João Pessoa, na Paraíba, para coletar dados de centenas de mulheres brasileiras e seus bebês.

Para estudar a possível ligação entre zika e microcefalia, os pesquisadores iniciarão o que é chamado de “estudo controlado”, que envolve comparar casos de pessoas com as doenças e outras saudáveis para identificar as causas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nesta segunda-feira, o CDC formou oito times de pesquisadores brasileiros e americanos, que iniciarão, a partir de terça, uma busca por pelo menos 100 mães que tiveram filhos com microcefalia desde o início da epidemia na região.

Os pesquisadores irão coletar amostras de sangue das mães e de bebês para identificar sinais de infecções pelo zika vírus, examinar sintomas de microcefalia nos bebês e coletar informações detalhadas das mães.

Os pesquisadores também irão investigar outros possíveis fatores que podem ter relação com a doença congênita.

Eles farão as mesmas perguntas a centenas de mães com bebês saudáveis a título de comparação.

A esperança é que o estudo traga evidências mais concretas sobre o elo entre zika e microcefalia ou identifique outros fatores que podem ser responsáveis pelas má-formações nos bebês.

“O que realmente queremos fazer é entender melhor a dimensão, o escopo e as causas da microcefalia”, disse a pesquisadora Erin Staples, líder do estudo.

Ela estima que levará três a quatro semanas para coletar os dados, mas não deu uma previsão de publicação dos resultados.

Fontes: NPR – CDC arrives in Brazil to investigate zika outbreak

Cuba aplica gratuitamente a primeira vacina contra câncer de pulmão

Médicos e cientistas cubanos realizaram testes da vacina em outros países, mas ainda esperam para comercializá-la legalmente.

Cuba aplica gratis la primera vacuna contra el cáncer de pulmón
na Telesur (em espanhol)

El Centro de Inmunología Molecular (CIM) de Cuba, puso a disposición de forma gratuita, la primera vacuna contra el cáncer de pulmón a todos los pacientes de la isla que padezcan esta enfermedad.

De acuerdo a especialistas de la nación caribeña, se trata de un novedoso tratamiento, único en el mundo, que básicamente logra detener el avance de la patología, sin afectar la calidad de vida de las personas.

“Los resultados de la vacuna dan una sobrevida a los pacientes, no se elimina el tumor pero se detiene el crecimiento, permitiendo que los pacientes puedan vivir más y, sobre todo con una buena calidad de vida porque su toxicidad es mínima”, asegura el científico Arlhee Díaz.


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Vacinas, Microcefalia, demografia e teorias conspiratórias

VACINA CONTRA DENGUE. Ouve-se espoucar de fogos na casa de Thomas Malthus na Inglaterra, lá no Sec. XVIII, considerado o teórico do controle demográfico.

Medicina,Bill Gates,Vacinas,Bilderberg,Controle Demográfico,Saúde Pública,Blog do Mesquita,Dengue,Chikugunha,Microcefalia,Thomas Malthus,RubéolaA tradução do que tio Bill escreve acima e abaixo o link para o vídeo onde ele se apresenta confirmando o que escreveu:

O mundo tem 6.8 bilhões de habitantes, e caminha para 9 bilhões.
Se nós conseguirmos fazer um bom trabalho com as novas vacinas, com o sistema de saúde, com o sistema de Saúde reprodutiva, nós talvez poderemos diminuir esse crescimento entre 10% e 15%.
Bill Gates – Microsoft globalista. Membro de grupo Bilderberg.
http://youtu.be/6WQtRI7A064

Retorno;

Aí tem controle demográfico embutido nessa e em outras vacinas, principalmente às ministradas em países do 3º mundo.
Não tenho como provar porque não sou biólogo, mas tem.
Alguém pode informar à esse ignorante maldoso aqui se essa vacina foi testada em algum país do primeiro mundo?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Há dengue, por exemplo, no sul da Inglaterra, na Califórnia, na Florida, no Japão, isso para ficar somente no primeiro mundo. Alguém sabe informar se essa vacina foi testada em pessoas por lá?

Acordem as Alices e os Alices!

O Idiota útil é suficientemente idiota para perceber que é útil e quem o utiliza.
Zika vírus? Mais uma vez o povo é feito de idiota. A má formação cefálica, chamada Microcefalia não tem nada a ver com o mosquito da dengue.

O que realmente aconteceu foi que o governo mandou um lote de vacina vencida para combater a rubéola nas gestantes. Esse lote, foi enviado para a região nordeste. Algumas entidades não governamentais estudaram juntos com experientes médicos da área, e descobriram que os mosquitos não estão ocasionando os casos de microcefalia e sim, uma vacina contra rubéola que as grávidas recebem quando estão gestante.

Pergunto: Porque só aqui no nordeste estão aparecendo esses casos? Outras regiões do país não têm o mosquito da dengue? O governo quer nos fazer de idiota junto com essa mídia escrota.
PS1. O governo abafa que largou em 2014 mosquitos da dengue geneticamente modificados.

Brasil alcança meta da ONU de redução da mortalidade infantil entre 1990 e 2015

País reduziu 73% da mortalidade e é um dos 62 que conseguiram atingir Objetivo do Milênio; em todo o mundo, mortalidade infantil caiu 53% nos últimos 25 anos.

Os dados são do relatório Levels and Trends in Child Mortality 2015 (Níveis e Tendências em Mortalidade Infantil), divulgado nesta terça-feira (09/09) por Unicef, Organização Mundial de Saúde (OMS), Banco Mundial e o Departamento da ONU para Questões Econômicas e Sociais (Undesa).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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No entanto, o relatório destaca também as desigualdades dentro do país, que tem mais de mil municípios (de um total de cerca de 5.500) com menos de 5 mortes a cada 1.000 nascimentos, enquanto em 32 municípios este índice passa de 80. Além disso, crianças indígenas brasileiras têm duas vezes mais probabilidade de morrer antes de completar um ano de idade do que suas compatriotas de outras etnias.

Em todo o mundo, a mortalidade entre crianças com menos de cinco anos de idade caiu pela metade desde 1990. No entanto, a meta global estabelecida pela ONU de chegar ao fim de 2015 com apenas um terço do número de mortes entre crianças registrado em 1990 não será alcançada. A queda nos indicadores nos últimos 25 anos foi de 53%, dos 12,7 milhões de mortes em 1990 para estimadas 5,9 milhões de mortes até o fim desse ano.

Isso significa que 16 mil crianças morrerão em 2015 antes de completar cinco anos de idade, estima o relatório. Entre as mortes, 45% são de bebês com menos de 28 dias de idade. Eles tendem a perecer devido a complicações pós-parto, infecções generalizadas, prematuridade, pneumonia, diarreia e malária. Quase metade dessas mortes são de bebês com quadro de desnutrição.

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Geeta Rao Gupta, vice-diretora-executiva da Unicef, reconhece o “tremendo progresso global” na questão, mas destaca que os avanços seguem lentos. “O número grande demais de crianças que ainda morrem devido a doenças evitáveis antes de completar cinco anos de idade – ou até em seu primeiro mês de vida – deve nos motivar a redobrar nossos esforços”, afirmou Gupta ao jornal britânico The Guardian.

Metade de todas as mortes de crianças até os cinco anos de idade no mundo ocorre na África Subsaariana, onde uma em cada 12 crianças morre antes de completar cinco anos. Um terço do total de mortes acontece no Sudeste Asiático.

“Sabemos como prevenir as mortes desnecessárias de recém-nascidos. A assistência de saúde de qualidade, que consiste em passos simples e acessíveis como garantir o contato corporal imediato, a exclusividade da amamentação e o cuidado extra de bebês pequenos e doentes, pode salvar milhares de vidas todos os dias”, disse Flavia Bustreo, diretora-geral assistente da OMS.

Entre os países que também alcançaram o Objetivo do Milênio da ONU estão Eritreia, Etiópia, Libéria, Madagascar, Malaui, Moçambique, Níger, Ruanda, Uganda e Tanzânia.
Fonte:ÓperaMundi