Por que a covid-19 pode se tornar endêmica no Brasil, como dengue e gripe

Com controle precário e vacinação lenta, é possível que país conviva com o coronavírus por muito tempo ainda – Getty Images

Mais de um ano depois de ter começado, a pandemia de covid-19 ainda não dá sinais de que vá acabar em pouco tempo. Menos ainda no Brasil, onde seu controle é precário, com vacinação lenta, queda da adesão às medidas preventivas e omissão de agentes públicos em implementar, estimular, controlar e fiscalizar o cumprimento de normas de distanciamento social. Além disso, para piorar a situação, novas variantes do novo coronavírus vêm surgindo e se espalhando pelo país. Por isso, embora seja difícil prever, muitos especialistas acreditam que ela se estenderá pelo menos até 2022.

Mas não é só isso. Há grandes chance de a doença se tornar endêmica, como a dengue e a gripe (influenza), por exemplo.

Para o médico epidemiologista Guilherme Werneck, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), as condições para o controle da epidemia no Brasil estão muito precárias, por isso ela não deverá acabar logo.

“Faltam vacina, organização e liderança e sobra irresponsabilidade dos agentes públicos”, critica. “Começando pelas ações de contrainformação do governo federal, questionando a efetividade de máscaras, vacinas e do distanciamento social, e estimulando o uso de medicamentos ineficazes para prevenção e tratamento da covid-19. É possível, embora ainda num horizonte distante, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declare o fim da pandemia, mas o Brasil continue tendo que lidar com níveis inaceitáveis de transmissão.”

O médico Plínio Trabasso, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, também prevê que a epidemia de covid-19 no Brasil vai longe, principalmente porque a vacinação não está sendo feita de maneira maciça, ampla e simultânea.

Desse modo, ainda há um grande contingente de pessoas suscetíveis à doença em circulação. “Para um controle mais rápido, é necessário que mais pessoas (idealmente todos os acima de 18 anos) sejam vacinadas logo”, diz. “Isso cria uma barreira imunológica à disseminação do vírus.”

O mosquito Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, zika e chikungunya em regiões urbanas do Brasil – Foto Getty Images

De acordo com Trabasso, além da vacinação, é preciso testagem em massa, para identificar os potenciais transmissores e colocá-los em quarentena, e mais distanciamento social. “São as maneiras mais eficazes de conter a propagação da covid-19”, explica. “Claro que a higiene das mãos e o uso de máscara também são importantes, mas são medidas individuais, enquanto que a imunização e aplicação dos testes são ações de Estado.”

A ausência de uma vigilância epidemiológica efetiva é outro aspecto problemático e preocupante da pandemia no país. “O Brasil tem recursos financeiros e profissionais capacitados para desenvolver um processo eficiente de identificação de casos, por meio de testagem e busca ativa, e quarentena para todos os infectados, com apoio financeiro que garanta que a população não perca renda”, diz a médica sanitarista Maria de Fátima Siliansky de Andreazzi, professora de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ela diz que na Europa, caso alguém seja identificado com covid-19 num avião, por exemplo, vai-se atrás dos que estavam próximos, testam-se e isolam-se todos os passageiros. “No Brasil, no caso de Manaus, com a nova cepa identificada, não se interromperam os voos e mais, o Ministério da Saúde levou doentes infectados para outros Estados”, critica.
De acordo com Fredi Alexander Diaz Quijano, da USP, efeito que vacinas terão na redução da transmissão é incerto, mas evidências indiretas sugerem que não eliminará totalmente covid-19

O problema é que mesmo com a vacinação, o novo coronavírus não deverá desaparecer, ao contrário do que ocorreu o Sars-Cov-1, que causou a epidemia de Sars. “Algumas vacinas estão mostrando uma excelente proteção para prevenir formas graves de covid-19 (a maioria, mais de 90%). No entanto, em algumas pessoas elas não conseguem impedir a infeção e, em muitos casos, a aparição de sintomas”, explica o médico Fredi Alexander Diaz Quijano, do Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

De acordo com ele, o efeito que as vacinas terão na redução da transmissão é incerto, mas evidências indiretas sugerem que não eliminará totalmente a covid-19. Um dos motivos disso é que novas variantes podem eventualmente conseguir escapar das vacinas – e talvez precisemos nos imunizar contra o coronavírus com a mesma frequência com que nos imunizamos contra a gripe, por exemplo.

Por tudo isso, é muito provável que o vírus continue circulando. “Não causará doença grave na grande maioria das pessoas vacinadas, mas existindo grupos suscetíveis que não tenham sido imunizados (por qualquer motivo), ainda haverá risco de surtos de casos graves e mortes.”

Em outras palavras, a covid-19 poderá ser tornar endêmica, como a aids, dengue, gripe, malária e tuberculose, por exemplo. “Endemias correspondem a situações em que a incidência da doença não é tão elevada, mas que dura muito tempo, podendo sofrer variações sazonais, relacionadas às estações do ano, por exemplo”, explica o médico Marcelo de Carvalho Ramos, professor titular de Infectologia da FCM da Unicamp.


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Para entrar na célula, o vírus SARS-CoV-2 se liga a uma molécula presente na superfície da célula (seu receptor)

Mas por que algumas doenças se tornam endêmicas e outras, não?

“Uma enfermidade infecciosa endêmica é aquela que conseguiu um certo equilíbrio na sua taxa de reprodução”, responde Quijano. “Isto é, quando cada pessoa contaminada passa essa condição para (em média) uma outra. É o que se conhece como número reprodutivo efetivo (R), que é a média de novos infectados que alguém com o vírus produz diretamente. Em outras palavras, no caso das endemias o valor de R permanece próximo de 1.”

Quando esse número é superior a 1, então a doença progride rapidamente e causa surtos (ou até grandes epidemias), como é o caso da covid-9, cuja estimativa do R, no início da pandemia, era 3. “Se esse valor é muito superior a 1 (por exemplo, maior que 10) ela se espalha depressa, às vezes tão rápido que se acabam rapidamente as pessoas suscetíveis a ela”, explica. ” Por outra parte, valores de R inferiores a 1 conduzem a que o número de casos progressivamente diminua, levando eventualmente à eliminação da doença numa comunidade.”

Foi o que aconteceu com a Sars: o vírus Sars-Cov-1 não adquiriu essa capacidade de se perpetuar. O novo coronavírus já obteve esse salto evolutivo, no entanto. É por isso, que os especialistas acham que a covid-19 se tornará endêmica.

“O Sars-Cov-2 já se mostrou capaz de sofrer mutações, como demonstram as variante do Reino Unido, da África do Sul e do Amazonas”, diz Trabasso. “Algumas delas, ou outras que surgirão, podem fazer com que haja escape do vírus à imunidade adquirida, seja pelo contato com a variante ‘selvagem’ seja por meio da vacinação.”

Segundo ele, esses mutantes poderão causar microssurtos, até que nova vacina surja e novo contingente populacional desenvolva imunidade suficiente, para criar uma nova barreira imunológica. E assim por diante.

“É o que ocorre com a influenza, por exemplo”, explica Trabasso. “Todos os anos, a população tem que ser vacinada, porque podem ocorrer mutações no vírus e a imunidade adquirida pela infecção ou vacinação de anos anteriores não garante proteção contra a variante presente naquele ano. Assim deve se comportar o novo coronavírus daqui por diante.”

Sem ações de prevenção coletiva, como o uso de máscaras, distanciamento social e higiene pessoal, somente a vacina não será capaz de interromper a transmissão
Werneck acrescenta outros aspectos que podem levar a covid-19 a permanecer ainda por muito tempo entre os humanos. De acordo com ele, circulação do vírus só poderia ser interrompida com níveis altos de imunidade na população.

“Ocorre que nosso conhecimento sobre imunidade ao novo coronavírus é ainda precário, particularmente sobre a duração dela conferida pela infecção ou pela vacina”, explica. “Ao mesmo tempo, o que se sabe sobre a eficácia das vacinas disponíveis, até o momento, é que elas não fornecem proteção efetiva contra a infecção, mas sim para o desenvolvimento de formas clinicas e graves da doença.”

Ou seja, são imunizantes que protegem as pessoas, porque evitam que elas desenvolvam sintomas e formas severas da covid-19, mas não impedem que se infectem e, eventualmente transmitam a infecção.

“Além disso, as vacinas utilizadas no Brasil (até o momento, a de Oxford-AstraZeneca e CoronaVac) têm efetividade da ordem de cerca de 70% mais ou menos, ou seja, têm boa eficácia, mas não nos níveis ideais”, diz Werneck. “Assim, mesmo com cobertura vacinal alta, ainda poderemos ter transmissão.”

Isso significa que, sem ações de prevenção coletiva, como o uso de máscaras, distanciamento social e higiene pessoal, somente a vacina não será capaz de interromper a transmissão. “Junte todos esses problemas num contexto em que faltam vacinas e que uma alta cobertura vacinal da população ainda vai demorar”, acrescenta Werneck.

“Estamos, então, em condições propícias para permitir a circulação do vírus e o aparecimento de novas variantes, tudo contribuindo para a permanência da infecção entre nós de forma endêmica.”

Chile, o campeão de vacinação da América do Sul

Rapidez e eficiência com que o país imuniza sua população têm merecido elogios. Tal sucesso se deve à experiência chilena com campanhas de imunização em massa e à política de aquisição inteligente.

Idosos chilenos aguardam por sua primeira dose anti-coronavírus

Enquanto em diversos países da Europa a imunização em massa contra a covid-19 só se iniciou em ritmo hesitante, no Chile ela transcorre a pleno vapor desde a abertura dos centros de vacinação, em 3 de fevereiro. Dentro de um prazo mínimo, o país conseguiu inocular diariamente 150 mil, 180 mil, até 270 mil cidadãos.

O balanço total, desde que, no fim de dezembro, foram ministradas as primeiras doses a seu pessoal de saúde, é que já receberam pelo menos a primeira dose mais de 1,6 milhão de chilenos, ou mais de 8% da relativamente pequena população de 19 milhões.

Só poucas nações apresentam uma quota de vacinação mais alta, segundo site Our World in Data: Israel (70%), Emirados Árabes Unidos (47%), Reino Unido (20%) e Estados Unidos (14%) – e isso já tendo começado com as injeções várias semanas atrás.

O cientista Max Roser, fundador do Our World in Data, classificou no Twitter o desempenho do Chile como “notável”. Também o presidente Sebastian Piñera mostrou-se visivelmente positivo ao quebrar a marca do 1 milhão, na última terça-feira: “Agradeço aos mais idosos, às comunidades, aos funcionários da saúde, às Forças Armadas, às de segurança, a todos. Vamos vencer esta pandemia.”

Plano nacional de vacinação robusto

O ministro da Saúde, Enrique Paris, declarou ao jornal espanhol El País que o sistema de saúde chileno tem experiência extensa com campanhas de vacinação em grande escala, existindo desde 1978 um plano nacional de imunização “muito robusto”.

“No Chile, ninguém é vacinado sem registrar seu nome, seu documento de identidade e a vacina que recebeu. Assim, conseguimos realizar estatísticas precisas.” Além disso, o país andino relativamente abastado encomendou as doses bem cedo e em grande quantidade.

Outro fator importante desse sucesso é a vacina da Sinovac. Em conjunto com a Universidade Pontifícia Católica do Chile, a fabricante chinesa realizou no país um estudo sobre o imunizante, e em contrapartida, o Chile obteve acesso preferencial a sua Coronavac. Estão combinados 60 milhões de doses num prazo de três anos.

Dos demais fabricantes, o país sul-americano receberá outros 30 milhões de doses. Até o momento, foram autorizadas e estão em uso o produto da Pfizer-BionNTech e a Coronavac – embora esta apenas para indivíduos entre 18 e 59 anos, pois não há estudos de longo prazo para gerações mais velhas.

A esperança da imunidade de rebanho

Em meio ao elogio generalizado à campanha de vacinação, os residentes da Ilha de Páscoa, território do Chile, manifestaram descontentamento pela má comunicação com o continente. “Eles não falam conosco, não planejam conosco”, queixa-se o prefeito Pedro Edmunds Paoa.

Entre outros pontos, ele critica a priorização dos cidadãos entre 85 e 90 anos, que são apenas cinco na comunidade de 5.800 habitantes. Seja como for, a ilha a 3.500 quilômetros de distância da terra firme não acusou um único caso de covid-19 desde a eclosão da pandemia.

A meta declarada de Santiago é vacinar 5 milhões no primeiro trimestre de 2021. Até o fim de junho, deverão ser 15 milhões, ou 80% da população. Caso o Chile consiga manter o ritmo atual, trata-se de uma meta francamente realista, e o país poderá se tornar um dos primeiros a alcançar a imunidade de rebanho contra o vírus Sars-Cov-2.

Uma perspectiva aguardada com ansiedade, pois, com quase 770 mil contagiados e mais de 19 mil mortos, a república andina tem sido duramente atingida pela pandemia.

Fatos & Fotos – 02/03/2021


Depufede Artur Lira, Presidente da Câmara dos Depufedes. Quem olha assim pensa ser um primor de integridade e honradez. Né? Não é não! Olhem a ficha do pareceiro do cancro presidencial:
Crimes contra a honra; Réu de 106Mil de propina na CBTU; Crime contra a Administração Pública; Lavagem de dinheiro; formação de quadrilha; Réu em três ações por corrupção ativa. Um primor de homem público.


Design – Mesa de Trabalho


O “machão”, hahaha, correu com a sela. Ou como se diz no nordeste quando o burro não aguenta levar a carga no lombo; “p**dou na rabichola”.
Temendo rejeição, Bolsonaro desiste de pronunciamento nesta terça
Jair Bolsonaro não chegou a gravar seu pronunciamento em cadeia nacional, que iria ao ar na noite desta terça-feira (2) embora os equipamentos já estivessem posicionados.


Um militar entrou pra política aproveitando a revolta da população com a economia, desemprego, corrupção, crise, para impor suas ideias preconceituosas, homofóbicas e racistas, exaltando o patriotismo, a religião e Deus. Ele se chamava Adolph Hitler. Já pensou que fosse outro né?


Sisley – Landscape – s/d s/t


Isso é inegável! A mansão comprada por Flávio Bolsonaro para cumprir a prisão domiciliar – se é que algum dia haverá – é digna de milicianos corruptos.



View of Roofs




Nova promotora que investiga Flávio Bolsonaro é madrinha de casamento da advogada de… Flávio Bolsonaro



Flavio Bolsonaro é investigado na caso das rachadinhas, todos os indícios apontando pra lavagem de dinheiro pesada com compra de imóveis e loja de chocolate, aí o que o bonito faz? Compra uma mansão de 6 milhões em brasilia. O fera aparentemente além de picareta é burro.


Foto do dia

Tublr



A mansão “Rachadinha” de R$6Milhões que #Flávio “Bost*naro” comprou em Brasília. Terá suite reservada para o #Queiroz?
Fruta que partiu! Perderam qualquer nocção de pudor que porventura chegaram a ter algum dia. Há que tirar esses cancros do poder! Seja como for!


Arquitetura – Escada

Fatos & Fotos – 01/03/2021

Bolsonaro arruma pretextos para desviar a atenção crucial, que é a vacinação e o apoio aos Estados para manter os leitos de UTI. Pazuello mente em rede nacional descaradamente e cai em contradição com o que ele mesmo disse. Isso não é um governo, é uma organização criminosa.


Johannes Vermeer
Dutch Baroque Era Painter, 1632-1675
Vista de Delf – 1659-1660
Oil on canvas, 96.5 × 117.5 cm
Royal Picture Gallery Mauritshuis


No Brasil de governante (e gangue) idiotas, livro é luxo, arma é essencial e a ignorância é obrigatória.


Lembrando que o desaparecimento dos três meninos em Belford Roxo, Rio de Janeiro, completou dois meses sem informações.
Três crianças negras da periferia desaparecidas, sem deixar vestígios, e praticamente não se fala mais nisso.
Se fossem três crianças brancas num bairro nobre, o Brasil estaria parado.


Arquitetura – Portas & Janelas-França


O Brasil é governado por um cemitério humano. E todas as muitas mortes cometidas pela milícia da familícia no Rio de Janeiro não chegam perto do genocídio que está no comandando no Brasil, onde morre uma pessoa por minuto por Covid19 há mais de mês.


Designer – CadeiraRosa Weber manda o Genocida II, a Missão, bancar UTIs no Maranhão, São Paulo e Bahia. Pançuello vai balançar a pança e mugir.


Um ano depois o Brasil continua naufragando. O vírus segue no comando, enquanto o Governo Federal lava as mãos para os estados. Segundo a Folha de São Paulo o governo não executou 80 bilhões, enquanto a pandemia chega a seu pior momento. Desse dinheiro, R$ 24,3 bilhões para vacina, não foi usado. O Cancro Presidencial precisa ser detido.


New York Times diz que Moro corrompeu o sistema judicial e é responsável direto pelo caos que o Brasil vive hoje


Sergio Cerchi – “Don Quijote” s/d s/t


As pessoas estao mergulhadas em pardoxos perigosos…misturam Deus com armas, trabalho com morte, presidente com mitologia. É preocupante demais…


Bolsonaro precisa ser detido. Seu projeto é o caos, um país em choque, o golpe de Estado que o livraria da cadeia. Está vencendo. Estamos apáticos, divididos, acuados, iludidos com uma mágica eleitoral que não está no horizonte. Bolsonaro precisa ser detido. De qualquer maneira.


Mentiroso do “garaio”! O beato sinistro das Alucinações Exteriores, não sabe do que está falando. O satélite é 100% nacional, começou a ser construído em 2008. O Inpe contratou por licitação internacional uma empresa americana para o lançamento, que subcontratou a Índia. Passou longe do Itamaraty, mais longe ainda de Bolsonaro.



Foto do dia – Fotografia de Marc Ferrez


Até tu, paladino da ética? Pastor Silas Salafraia, é indiciado pela Polícia Federal por ter participado de esquema de corrupção ligado a royalties da mineração.


Mikko Tyllinen – “Sunset”,Aquarela,s/d



Índia – Portas & Janelas – Arquitetura

Brasil tem quase 30 fábricas de vacina para gado e só 2 para humanos

Foto: OWEN HUMPHREYS/PA WIRE

Enquanto o setor de vacinas para humanos depende da importação de 90% dos insumos, quase 100% das vacinas para gado sào produzidas inteiramente no Brasil

A pandemia da covid-19 evidenciou uma fragilidade do Brasil: a alta dependência de insumos importados da China para a fabricação de vacinas e o sucateamento de laboratórios e fábricas usados para produzir imunizantes no país.

Enquanto na década de 1980, o Brasil tinha pelo menos cinco institutos capazes de produzir vacinas, atualmente, há apenas dois em operação: Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e o Instituto Butantan.

E das 17 vacinas atualmente distribuídas por esses dois institutos de pesquisa, só quatro são fabricadas totalmente no Brasil e não dependem da importação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), como é chamada a matéria-prima para produzir imunizantes.

Esse sucateamento do setor de vacinas para humanos contrasta com os elevados investimentos na fabricação nacional de imunizantes para animais, principalmente gado.

Enquanto o Brasil importa a grande maioria das vacinas usadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mais de 90% das vacinas para gado são fabricadas no país, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

“O problema do Brasil é que a gente importa tudo. Nos últimos anos, reduzimos em 50% a capacidade de produção nacional de vacinas. Temos só duas fábricas. No setor veterinário, temos inúmeras fábricas”, diz Ana Paula Fernandes, pesquisadora do Centro de Tecnologia em Vacinas e Diagnóstico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De fato, existem cerca de 30 fábricas para vacina veterinária — a maioria no Sudeste do país, segundo o Sindan. Trata-se de um mercado que garantiu faturamento de R$ 6,5 bilhões ao setor farmacêutico veterinário e que ajuda a manter a liderança mundial do Brasil na exportação de gado.

REUTERS/PHIL NOBLE
‘Para mais de 90% das vacinas para gado, o ciclo completo de produção ocorre em território brasileiro’, diz Emílio Saldanha, vice-presidente do Sindan

“Todo o processo de fabricação, da semente de trabalho do vírus vivo ao envase e distribuição, é feito aqui. Para mais de 90% das vacinas voltadas a gado, o ciclo completo de produção ocorre em território brasileiro”, disse à BBC News Brasil o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Saldanha.

Mas quando foi que o setor de vacinas para humanos deixou de ser prioridade, enquanto a vacinação de gado se desenvolvia?

Da autossuficiência à dependência da China
Segundo o fundador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, foi na década de 1980 que o setor de pesquisa e fabricação nacional de vacinas para humanos viveu o auge de investimentos.

“No regime militar, foi implementado o modelo de substituição de importações. Os militares fizeram um esforço para ampliar capacidade produtiva local de insumos farmacêuticos e o pico se deu no final dos anos 1980”, recorda.

Em 1985, o regime militar lançou o Programa de Autossuficiência de Imunobiológicos (Pasni), com a meta de tornar o Brasil autossuficiente na produção de imunizantes. Recursos do Ministério da Saúde foram transferidos em peso para quatro instituições de pesquisa: Bio-Manguinhos, Instituto Butatan, Fundação Ezequiel Dias e Instituto Vital Brasil.

Em poucos anos, o Brasil passou a fabricar uma série de vacinas em território nacional, como a da tríplice viral, febre amarela, tríplice bacteriana, poliomielite, tuberculose (BCG), e hepatite B.

“Tanto para o Butantan quanto para a Fiocruz os investimentos da década de 1980 foram um marco. O Brasil possuía um parque farmoquímico para produção de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo)”, disse à BBC News Brasil Tiago Rocca, gerente de parcerias estratégicas e novos negócios do Butantan.

Mas a maré logo iria mudar para a indústria de pesquisa em vacinas. A partir de março de 1990, a abertura comercial promovida pelo então presidente Fernando Collor permitiu a entrada maciça de produtos importados e muitas indústrias brasileiras não resistiram, inclusive o setor de imunizantes. Nesse meio tempo, China e Índia despontaram como grandes produtores de insumos farmacêuticos.

“O Brasil passou a importar em larga escala IFA, moléculas pequenas e outras matérias-primas usadas para fazer vacina. O problema é que os investimentos não acompanharam a competitividade e abertura. Atualmente, importamos cerca de 90% dos insumos imunobiológicos”, explica Rocca, do Butantan.

Como consequência da abertura econômica, institutos e fábricas foram fechando as portas, restando apenas Fiocruz e Butantan com capacidade para produzir vacinas de tecnologia nacional.

“A abertura da economia no governo Collor foi feita sem cuidado, sem verificar como os diferentes segmentos seriam afetados. Na indústria farmacêutica, o que fizemos foi secar a capacidade de produção nacional e passar a importar tudo através das multinacionais”, acrescenta Vecina Neto, que é professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Regulamentação mais rígida e necessária foi ‘prego no caixão’

Outro momento importante na trajetória da indústria de vacinas foi a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999.

O Brasil passou a adotar um regime mais criterioso para liberação de medicamentos e foram impostas regras para equiparar o Brasil aos padrões internacionais de segurança em qualidade em pesquisa.

Os pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil dizem que essas medidas foram importantes, mas destacam que elas não foram acompanhadas de investimentos para que institutos como Fiocruz e Butatan pudessem atualizar sua infraestrutura e continuar a fabricar vacinas de ponta a ponta no país.

O resultado disso foi que imunizantes que antes eram produzidos no Brasil passaram a ser importados. O Butantan, por exemplo, fabricava a vacina Tríplice Bacteriana Acelular (contra difteria) e a de hepatite B, mas passou a importar esses produtos porque é custoso atualizar as fábricas para que se adequem às exigências regulatórias.

“Nós registramos a patente, detemos a tecnologia, mas precisamos de uma nova fábrica para produzir essas vacinas de acordo com as melhores práticas da Anvisa”, explica Tiago Rocca.

Atualmente, das sete vacinas que o Instituto Butantan fornece só a da gripe é fabricada inteiramente no Brasil, a partir de um acordo de transferência de tecnologia. E das 10 vacinas fornecidas pela Fiocruz, só 4 não dependem da importação de Insumo Farmacêutico Ativo, ou IFA.

Gonzalo Vecina Neto avalia que os governos que se seguiram ao de Collor, inclusive os de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, não tiveram uma visão de longo prazo e também não investiram em pesquisa farmacêutica e de vacinas.

“O boom das commodities estimulou os governos a navegar em águas tranquilas e se fiar na exportação de produtos agrícolas. Por que FHC e Lula não investiram na autossuficiência em vacinas? Falta de visão de longo prazo. Nenhum dos dois tirou o pé do curto prazo, do populismo local, da reeleição no quarto ano.”

“Vale da Morte”

Segundo a microbiologista Ana Paula Fernandes, que é professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o grande gargalo na indústria nacional de vacinas está na ausência de laboratórios tecnológicos e plantas fabris para viabilizar a transformação da pesquisa em produto final.

“Temos capacidade técnica, pesquisadores de ponta, mas existem gargalos que impedem que as descobertas se transformem em vacina. Temos conhecimento técnico para fazer vacinas como a da Pfizer e Moderna contra a covid-19, mas não temos matéria-prima, investimentos e fábricas para produzir”, resume.

Esses gargalos são chamados pelos cientistas de “vale da morte”. Isso porque, entre a descoberta científica e o uso desse achado, existe um abismo atualmente intransponível.

Segundo o professor de imunologia da USP Jorge Kalil, faltam laboratórios e plantas fabris que permitam testar a descoberta das universidades em animais e, depois, em seres humanos.

“O que impede que isso aconteça é falta de investimentos. Nós temos uma ciência de excelência no Brasil, mas precisamos atravessar o vale da morte, que é ir da descoberta científica nos laboratórios acadêmicos para a fase final, da industrialização”, diz Kalil, que também é diretor do Laboratório Incor de Imunologia e ex-presidente do Instituto Butantan.

Interesse econômico alimenta vacinas veterinárias

Já o setor de vacinas veterinárias conseguiu sobreviver à abertura de mercado e escapou às regulações criteriosas da Anvisa.

A liberação de vacinas e medicamentos para uso animal é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, que impõe regras mais flexíveis, diz o ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina Neto.

Além disso, um amplo e lucrativo mercado privado garante a compra das vacinas para gado, suínos e aves, enquanto o maior comprador de vacinas humanas é o governo federal.

Brasil chega a exportar vacinas veterinárias a paises da América do Sul, diz Ministério da Agricultura

O Brasil é o maior exportador de gado do mundo e a quantidade de bois no território brasileiro equivale ao tamanho da população brasileira. A venda em larga escala de vacinas para uso animal garante que seja mais vantajoso fabricar o produto no Brasil a importar de outros países, até porque o custo de fabricação é menor que o de vacinas para humanos, já que as regras são menos rígidas que as impostas pela Anvisa.

Otto Mozzer, dono da Allegro Biotecnologia, destaca ainda que parte da indústria de vacina animal cresceu na garupa do programa do governo federal de erradicação, até 2026, da febre aftosa — doença altamente contagiosa que pode causar a morte do animal e que provocava grandes prejuízos aos produtores.

“O grande parque tecnológico industrial foi na trilha da produção de vacina contra febre aftosa. Todos captaram recursos para fabricação dessa vacina e foram produzidos, nos últimos 20 anos, mais de R$ 6,2 bilhões de doses aqui no Brasil”, disse Mozzer, que é doutor em biotecnologia pela USP.

Para se ter uma ideia, o Brasil tem cerca de 220 milhões de cabeças de gado, segundo o vice-presidente-executivo do Sindan, Emilio Saldanha. Cada um desses animais, precisa tomar duas doses de vacina contra febre aftosa — uma exigência do Ministério da Agricultura para todos os produtores de gado do país.

“Faz 30 anos que somos autossuficientes nas principais vacinas para rebanho brasileiro. Vacinação é sinônimo de competividade”, destaca Saldanha.

E para que investir em vacina brasileira para humanos?
O principal argumento contrário a investir em vacinas nacionais é o de que, atualmente, é mais barato importar produtos da Índia ou China do que construir laboratórios e fábricas para garantir autossuficiência. Atualmente, o déficit na balança comercial brasileira de insumos farmacêuticos é de R$ 2,1 bilhões (dado de 2019), segundo a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi).

Como o Brasil passou por mais de 30 anos de desinvestimentos no setor, seria preciso um investimento pesado do poder público para reverter esse cenário.

Por outro lado, a pandemia do coronavírus mostrou os riscos de depender inteiramente da importação de insumos. A demora na entrega de matéria-prima pela China pode significar meses de atraso no cronograma de vacinação da população contra covid-19.

Além disso, há doenças que existem no Brasil e que não despertam interesse de pesquisa de grandes farmacêuticas estrangeiras, por serem um problema regional.REUTERS/PILAR OLIVARES

Para especialistas, investir em vacinas nacionais é estratégico para proteger população de doenças regionais e reduzir dependência externa, especialmente em momentos de crise, como em pandemias

“Por exemplo, tem um tipo de malária que é comum no Brasil, mas não em outros países. Temos dengue, zika, chikungunya… Fabricar vacinas eficazes contra doenças que predominam aqui é importante para proteger a população”, diz Ana Paula Fernandes, que participa de um projeto nacional de vacina contra covid-19.

O gerente de parcerias do Butantan, Tiago Rocca, também defende investimentos em tecnologia nacional. “Não é só uma questão de lucro, de custo e de venda. É uma questão estratégica não depender quase inteiramente de importações”, diz.

“Hoje, nós temos uma parceria com uma empresa estrangeira para continuar fornecendo a vacina da Hepatite B. Mas é uma questão estratégica ter a produção nacional, porque todos os habitantes do Brasil precisam tomar e precisam de dose de reforço a cada dez anos. É uma doença que está aí.”

Cientistas brasileiros também argumentam que investir na infraestrutura de fabricação nacional de imunizantes é importante para fazer frente ao coronavírus, especialmente diante de evidências de que as vacinas contra a covid-19 terão que ser atualizadas constantemente para responder a variantes do vírus.

Butantan assinou contrato de transferência de tecnologia para produzir no país a CoronaVac. E a Fiocruz negocia contrato similar com a Oxford-AstraZeneca. Os dois institutos investiram na atualização das suas fábricas e laboratórios para viabilizar esses acordos.

Enquanto isso, pesquisadores brasileiros tentam angariar recursos para colocar no mercado vacinas feitas com tecnologia 100% nacional.

O grupo de pesquisa da microbiologista Ana Paula Fernandes, da UFMG, já terminou a fase pré-clínica de estudos para produção de uma vacina brasileira contra covid-19. “Tivemos uma resposta excelente. Usamos camundongos e eles responderam muito bem.”

O professor Jorge Kalil, da USP, tenta desenvolver uma vacina em formato de spray nasal contra covid-19. Ele também já usou o produto em camundongos e tenta transpor o “vale da morte” para conseguir testar o produto em humanos.

“Se a gente consegue dinheiro para a fase mais fundamental da descoberta, é difícil percorrer o caminho que leva ao desenvolvimento do produto industrializado. Estamos agora negociando parcerias com empresas brasileiras.”

Covid-19: por que o objetivo do Reino Unido é agora viver com o vírus – em vez de combatê-lo constantemente

O governo do Reino Unido diz que espera transformar a covid-19 em uma doença administrável, como a gripe.

A vacinação e os novos tratamentos, argumentam os ministros e seus consultores científicos, vão reduzir a taxa de mortalidade e nos permitir conviver com o vírus — em vez de tentar combatê-lo constantemente.

Em entrevista recente ao jornal Daily Telegraph, o secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou esperar que, até o final deste ano, seria possível fazer com que a covid-19 se tornasse “uma doença tratável”. Novos tratamentos sendo desenvolvidos e as vacinas sendo administradas representariam, nas palavras do ministro, “nosso caminho rumo à liberdade”.

Os comentários indicaram que Hancock está descartando a estratégia (veja mais abaixo) conhecida como “covid zero”, cujo objetivo máximo é eliminar o vírus completamente do território britânico.

A ideia foi reforçada pelo parlamentar David Davis, do Partido Conservador (o mesmo do premiê Boris Johnson), que disse à BBC Radio 4 nesta semana: “Chegará um ponto em que haverá uma taxa de mortes por covid-19, mas em um nível normal, e teremos de lidar com isso”.

Erradicar o vírus é quase impossível

Varrer a covid-19 do mapa seria ótimo, é claro, dada a morte e destruição que vem causando. Mas o único problema disso é que a erradicação só foi alcançada antes com um único vírus — o da varíola, em 1980.

Demorou décadas para se chegar a esse ponto, e cientistas e governos só foram capazes de fazer isso por causa de um conjunto bastante singular de circunstâncias. Em primeiro lugar, a vacina era tão estável que não precisava ser refrigerada e, quando foi administrada, ficava imediatamente claro se funcionava ou não — devido ao surgimento de pústulas.

Também era claro quando alguém era infectado — não era necessário fazer teste de laboratório, o que era uma grande vantagem na tentativa de conter os surtos.

A covid-19, como bem sabemos, é completamente diferente.

A estratégia ‘covid zero’

Em contrapartida, o chamado movimento “covid zero” tende a falar sobre eliminação. Isso basicamente significa reduzir os casos para zero (ou perto de zero) em um território e mantê-los nesse patamar.

Um dos mais notórios defensores dessa estratégia é a professora Devi Sridhar, especialista em saúde pública da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Ela acredita que devemos tratar a covid-19 como o sarampo, que foi amplamente eliminado nos países ricos.

Ela argumenta que as restrições contínuas para diminuir o número de casos, combinadas com um sistema de teste e vacinação mais eficaz, podem nos permitir manter o vírus contido, permitindo que o Reino Unido volte a ter uma “vida doméstica um tanto normal” com restaurantes, bares, eventos esportivos e musicais acontecendo.

Mas o preço a pagar, diz ela, seriam as restrições de fronteira limitando as viagens internacionais e “lockdowns curtos e severos” quando os casos inevitavelmente explodissem.

Deepti Gurdasani, epidemiologista clínica da Universidade de Londres, no Reino Unido, é outra defensora dessa estratégia. Ela é um dos mais de 4 mil signatários da petição covid zero, que pede um debate parlamentar sobre a proposta.

“A vida pode voltar ao normal — podemos até abrir corredores de viagens com outros países que sigam esse caminho”, diz ela.

O problema com a abordagem do sarampo

Pode ser uma perspectiva tentadora, mas muitos acreditam que ela está fora de alcance ou que exigiria restrições tão constantes que os custos econômicos e sociais seriam enormes.

“Covid zero não é compatível com os direitos e liberdades individuais que caracterizam as democracias do pós-guerra”, afirma o professor Francois Balloux, diretor do Instituto de Genética da Universidade College London (UCL), no Reino Unido.

Países como Nova Zelândia, Taiwan e Austrália conseguiram isso porque foram capazes de evitar que o vírus se estabelecesse — e todos os sinais são de que, uma vez que sua população seja vacinada, eles começarão a suspender as restrições de fronteira.

Mas nenhum país que viu o vírus se espalhar da maneira como aconteceu no Reino Unido conseguiu reprimi-lo a ponto de eliminá-lo.

As vacinas, em teoria, fornecem uma nova ferramenta para nos ajudar a conseguir isso, como fizeram com o sarampo.

Mas há uma falha significativa nesse argumento, observa a professora Jackie Cassell, especialista em saúde pública da Universidade de Brighton, no Reino Unido.

O sarampo, segundo ela, é um vírus “excepcionalmente estável”. Isso significa que ele não muda de maneira que permita escapar do efeito da vacina. Na verdade, a mesma vacina tem sido usada basicamente desde 1960 — e também fornece imunidade permanente.

Mas está claro que “infelizmente” não é o caso desse coronavírus, acrescenta Cassell.

O desafio é se manter à frente do vírus

As variantes que surgiram na África do Sul e no Brasil permitem, segundo indicam os estudos até agora, que o vírus mude para escapar de parte da imunidade gerada pelas vacinas (o que não significa que elas percam importância).

O vírus que circula no Reino Unido também sofreu uma nova mutação — conhecida como E484 — que permite que isso aconteça.

À medida que mais pessoas são vacinadas, isso só tende a aumentar. Isso porque as mutações que são capazes de contornar a resposta imunológica de alguma forma terão uma vantagem, diz Adam Kucharski, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que realizou pesquisas sobre surtos globais, da zika ao ebola.

“Não podemos fugir disso. Podemos muito bem precisar de atualizações de vacinas.”

O desafio, portanto, é “ficar à frente do vírus”, diz ele.

Mas Kucharski não acredita que seja tão difícil quanto talvez pareça, dada a atenção da imprensa em relação às novas variantes.

Os coronavírus mudam menos que o vírus da gripe, segundo ele, o que significa que as vacinas ainda devem permanecer eficazes em grande medida.

Além disso, o fato de as mutações estarem compartilhando algumas características-chave nos dá uma boa ideia do caminho que estão percorrendo.

“Se poderia esperar que fosse mais fácil de atualizar do que no caso da gripe, em que existem muitas cepas diferentes.”

Ele alerta, no entanto, que deve ser tomado o máximo de cuidado no momento, uma vez que uma população que está desenvolvendo imunidade quando há muita infecção por perto oferece o terreno fértil ideal para as variantes tentarem escapar dessas vacinas.

Ele diz que é muito cedo para dizer se chegaremos ao ponto em que o coronavírus poderá ser tratado como a gripe, já que ainda não vimos totalmente o impacto que as vacinas vão ter.

‘Reduzir o risco’ de covid

Essa cautela é compreensível, já que os cientistas querem primeiro ver as evidências do lançamento do programa de vacinação no mundo real. Um grande estudo da Public Health England, agência governamental de Saúde Pública da Inglaterra, está em andamento para analisar isso — e espera-se que seja publicado antes que as restrições sejam suspensas.

Mas todas as indicações dos testes clínicos e da experiência de Israel, que está liderando a vacinação no mundo, é que elas terão um impacto significativo na redução das infecções — e onde não tiverem, pelo menos ajudarão a prevenir formas graves da doença e as complicações da chamada “covid longa”, assim como mortes.

Para aqueles que permanecerem suscetíveis seja porque se recusam a tomar a vacina ou porque a vacina não funcionou, os avanços nos tratamentos serão vitais.

Isso sugere que podemos chegar ao ponto — nas palavras do principal consultor médico-chefe da Inglaterra, Chris Whitty — em que “reduziremos o risco” da covid.

Isso não significa, porém, que ninguém vai morrer.

Mesmo a gripe continua sendo uma doença capaz de matar em larga escala: em dezembro de 2017, a Organização Mundial da Saúde estimou que até 650 mil pessoas morriam por ano no mundo em decorrência de doenças respiratórias ligadas à influenza sazonal.

“Vivemos ao lado de vírus há milênios”, diz o professor Robert Dingwall, membro do Grupo de Aconselhamento para Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes do governo.

“Faremos o mesmo com a covid.”

“E assim acaba o mundo…”

“… não com uma explosão, mas com um gemido”, concluía T. S. Eliot, em The Hollow Men .

Uma pandemia não é menos destrutiva que uma guerra. Pode, no entanto, ser desqualificada, total ou parcialmente. Sejamos claros: em nenhum momento a COVID-19 assolou o Brasil como agora. Crescem as internações e mortes. Disseminam-se variantes virais, provavelmente mais transmissíveis e talvez causando doença mais grave. Pior: é possível que essas variantes escapem à imunidade conferida pelas vacinas.

Que essa não é uma situação sem esperança demonstram os exemplos da Nova Zelândia, Alemanha e Espanha. E o movimento coerente (ainda que tardio) do município de Araraquara, no interior paulista. Porém vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago. O pacto coletivo de autoengano consistia em negar o que ocorre na Europa. Agora se estende a ignorar o colapso da cidade vizinha.

Como entender que Araraquara e Jaú estejam em lockdown enquanto Bauru, a 55Km da última, faz passeatas pelo direito de aglomeração? Sem dúvida esse é um caso para análise em antropologia e ciências do comportamento. Não que se menosprezem os danos econômicos, sociais e psicológicos do distanciamento. Mas na emergência da saúde pública, o valor intrínseco da vida deve ser reforçado. Não sabemos tudo, mas já acumulamos fortes evidências. As “medidas não farmacêuticas”, incluindo distanciamento social por fechamento de comércio, inibição de aglomerações e uso rigoroso de máscaras são o único (amargo) caminho para interromper a progressão da COVID-19.

Não conseguiremos vacinar a tempo. É possível que o vírus se antecipe à vacina, com suas mutações de escape. A transmissão do coronavírus gera oportunidades para surgimento de variantes. É urgente, pois, interrompê-la. Mas se continuarmos a pensar que Araraquara e Jaú são longínquas ilhas do Pacífico marcharemos rapidamente para o colapso da saúde. Não no Estado de São Paulo, mas no país.

Passamos pela fase da ilusão de “enterros falsos”. Muitos de nós já tiveram vítimas fatais na família. Também já estão soterradas as pílulas milagrosas, cloroquina, ivermectina e nitazoxanida. Os antivirais com resultados promissores são novos, caros, inacessíveis. O prefeito de Araraquara já menciona dificuldade em conseguir oxigênio. O caos está aqui, está em todo lugar.

Pesa sobre nós uma escolha. De um lado temos o darwinismo social, em que aceitaremos a morte de centenas de milhares como uma pequena inconveniência suportada em nome da economia. Do outro, a chance de aprender com as lições positivas e negativas de outros países. Como bom exemplo, temos a Nova Zelândia. No extremo oposto, os Estados Unidos. Ainda há tempo para deixarmos de bater continência a réplicas da Estátua da Liberdade e reconhecermos que Trump levou seu país ao fundo do poço da saúde pública.

Não será o fim do mundo, mas já é uma catástrofe sem precedentes. Silenciosa, exceto pelos ruídos de ambulâncias e ventiladores mecânicos, quando existem. Ou pelos gemidos daqueles a quem falta o ar. Uma agonia tão intensa e destrutiva quanto bombardeios.

Manipular politicamente o boicote às medidas óbvias de contenção da COVID-19 foi a receita para o caos, tanto nos Estados Unidos quanto no Amazonas. Não é muito desejar que aprendamos com nossos erros. “O que a vida quer da gente”, diria Guimarães Rosa, “é coragem”.

Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza , Professor Associado da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Presidente Eleito da Sociedade Paulista de Infectologia, diretor da International Federation of Infection Control (IFIC) .
Luís Fernando Aranha Camargo , Professor Adjunto de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Dimas Tadeu Covas , Professor Titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP). Diretor do Instituto Butantan.
Marcos Boulos , Professor Titular aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
Rodrigo Nogueira Angerami , Médico infectologista, Coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Hospital de Clínicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Coordenador Nacional do Program for Monitoring Emerging Diseases (ProMED) da International Society of Infectious Diseases .
Benedito Antônio Lopes da Fonseca , Professor associado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP)
Eduardo Massad , Professor Titular da Fundação Getúlio Vargas- RJ, Professor Titular Aposentado da Universidade de São Paulo, Professor Honorário da London School of Hygiene and Tropical Medicine.
Francisco Coutinho , Professor Senior do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo (USP)
Gonzalo Vecina , Professor da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP)

Ministério da Saúde ignorou recomendação de trazer seringas por avião e trouxe por navio

Secretaria Executiva da pasta, comandada pelo oficial do Exército Élcio Franco, ignorou o alerta feito por parecer dos técnicos da Pasta e optou pela entrega da seringas por navio, em vez de avião.

O Ministério da Saúde não seguiu as orientações de técnicos da própria Pasta sobre a necessidade do Brasil adquirir seringas com entrega por frete aéreo para assegurar os insumos necessários à vacinação contra a Covid-19. A secretaria executiva do ministério, controlada pelo oficial do Exército Élcio Franco, ignorou o alerta e optou que a entrega fosse feita por via marítima, “mesmo cientes das diferenças quanto ao tempo de entrega”. Nesta quarta-feira (13), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o Brasil não possui seringas suficientes para iniciar a vacinação.

Segundo reportagem do jornal O Globo a previsão é que as primeiras seringas entregues por via marítima, de 1,9 milhão de unidades, chegassem no dia 25 de janeiro. Um segundo lote seria entregue somente em março. Caso o material fosse transportado por via aérea, 20 milhões de seringas teriam sido entregues em dezembro do ano passado. O alerta sobre a diferença nos prazos foi comunicado  pela Organização Panamericana da Saúde (Opas) ao Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério, em setembro de 2020. 

‘”[…] Os fornecedores cotados poderão iniciar as entregas de 20 milhões de unidades em dezembro de 2020, 17.256 milhões de unidades em janeiro de 2021 e 2.744 milhões de unidades em fevereiro de 2021 no valor total de US$ 4.679.406,76 (quatro milhões, seiscentos e setenta e nove mil, quatrocentos e seis dólares e setenta e seis centavos), já inclusos preços de produto, frete, seguro e taxa administrativa da Organização. Isto posto, este Departamento se posiciona favorável à continuidade desta aquisição, considerando o risco de não entrega das seringas pelo mercado nacional até dezembro 2020″’, destaca um trecho do documento, segundo a reportagem.

Amazonas está vivendo as consequências das aglomerações em festas de fim de ano, alerta imunologista

Nos últimos 14 dias, o Amazonas viu alta de 72% nas contaminações e 80% nas mortes causadas pela covid-19 no estado.

De acordo com o ministro, entre as iniciativas estão a reorganização do atendimento nos postos de saúde e hospitais, o recrutamento de profissionais de saúde e a abertura de leitos de UTI. Além dessas medidas, informou que haverá envio de equipamentos, insumos e medicamentos. O evento foi realizado no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques.

“Minha posição aqui é de apoio. Eu sou o apoio, vou apoiá-los com minhas equipes, com tudo que vocês precisarem. E com o conhecimento que adquirimos ao longo do último ano”, disse Pazuello.
O ministro participou da entrega de dez leitos de UTI e 118 leitos clínicos no Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus.

Para o especialista em bioquímica e imunologia, Marco Antonio Stephano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), a ajuda do governo federal ao Amazonas é positiva, mas não deve suprir totalmente as necessidades do estado neste momento.

“Não é suficiente porque os casos estão muito mais altos do que isso. Essa alta é uma consequência das festas. Passamos nove dias do fim das festas de Ano Novo e nós estamos vendo os casos subirem”, afirmou à agência de noticias Sputnik Brasil.

Em todo o Amazonas, os hospitais tanto da rede pública quanto da rede privada encontram-se com mais de 90% dos leitos ocupados, sejam normais ou de UTI.

Para Pazuello, o sistema de saúde amazonense precisa focar em diminuir a entrada de outras doenças nos hospitais. “Precisam ser tomadas medidas para diminuir a entrada nos hospitais de outras doenças, acidentes, assaltos e tiroteios. Nós temos que tentar diminuir a entrada [dessas outras doenças], porque a entrada da covid-19 a gente não domina”, disse o ministro.

Segundo Stephano, a fala do ministro é correta e o estado precisa suspender as cirurgias eletivas.

“Uma vez que as UTIs estão lotadas, você não vai fazer uma cirurgia que pode dar errado e que corre o risco de ter que colocar um paciente em UTI sem ter vaga para ele. Você acaba provocando duas mortes: a da pessoa com covid-19 e a da pessoa que está passando por uma cirurgia eletiva”, explicou.

‘Aplicativo não deve substituir médico’

Durante o evento, o Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCov, ferramenta que vai implantar um novo método científico para detectar casos de covid-19 nos postos de saúde.

Sem dar muitos detalhes, o governo federal informou que o aplicativo vai utilizar “um protocolo clínico para fazer um diagnóstico rápido da doença”. Manaus será a primeira cidade brasileira a testar o TrateCov.

Stephano alertou que a novidade pode ser uma importante ferramenta para passar informações corretas aos pacientes, mas que não deve substituir a consulta médica.

“Em função dos sintomas que estão sendo apresentados, você pode ter uma perspectiva se deve procurar um médico ou não, mas um aplicativo não substitui um médico”, comentou.

Para o professor da USP, o TrateCov pode ter efeito de tranquilizar um paciente ao passar as informações corretas sobre a doença.

“O aplicativo, o atendimento e as informações tranquilizam o paciente. Isso vale a pena. Você ter com quem entrar em contato, com quem conversar, alguém que vai te passar a informação correta. Existe muita informação falsa, existe muita fake news”, disse.

‘Manaus deve abrir covas coletivas para as vítimas da covid-19’
Entre abril e junho, o maior cemitério público de Manaus teve caixões enterrados, empilhados e em valas comuns por conta do colapso do sistema funerário causado pelo novo coronavírus. Na época, o número de mortes ficou 108% acima da média histórica.

Manaus registrou 130 enterros apenas no último sábado (9). O recorde foi no dia 26 de abril, quando 140 pessoas foram sepultadas.

O imunologista lembrou que muitas estruturas que foram montadas provisoriamente no Amazonas durante o primeiro pico da covid-19 no estado acabaram sendo desmontadas, mas podem ser instaladas novamente.

“Manaus tem condições de abrir covas coletivas como já abriu no passado — começar a fazer isso tudo novamente. O que vai acontecer são enterros rápidos, sem velório, só com a família”, disse.

O prefeito de Manaus (AM), David Almeida (Avante), decretou na semana passada estado de emergência na cidade por 180 dias para tentar conter o aumento do número de casos de covid-19.

Apesar da recente alta no número de sepultamentos, Marco Antonio Stephano acredita que o sistema funerário do estado não vai entrar em colapso total novamente.

“Colapso total [no sistema funerário] eu não acredito que vá acontecer, porque isso consegue ser revertido de uma forma mais rápida. Mas você vai ter que implantar câmaras frigoríficas para manter esses cadáveres, até que seja feita a liberação do corpo, o diagnóstico correto, e tudo isso”, analisou.

O secretário Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) de Manaus, Sabá Reis, em entrevista ao portal G1, afirmou nessa segunda-feira (11) que a cidade não vai ter enterros em valas comuns e anunciou a construção de mais 22 mil lóculos, estruturas verticais popularmente conhecidas como “gavetas”, nos cemitérios da cidade. (com agência Sputnik Brasil)

Fatos & Fotos – 09/01/2021

Boa noite
O remorso
Jorge Luis Borges

Eu cometi o pior dos pecados
que um homem pode cometer. Eu não fui
feliz. Que o frio do esquecimento
arraste-me para baixo e me perca, implacável.

Meus pais me criaram para o jogo
arriscado e bonito de vida,
para terra, água, ar, fogo.
Eu os decepcionei. Eu não estava feliz. Realizado

não era sua jovem vontade. Minha mente
foi aplicado ao teimoso simétrico
da arte, que tece ninharias.

Eles me deram coragem. Eu não fui corajoso.
Não me abandona. Está sempre ao meu lado
A sombra de ter sido infeliz.


Claude Monet,Œillets et clématites dans un vase de cristal,1882 – 56X35cm


Laboratório brasileiro planeja começar a fabricar vacina russa na próxima semana. Os governos da Bahia, Paraná e Piaui farão parceria com a empresa na realização dos testes clínicos.

A farmacêutica brasileira União Química planeja começar a produzir a vacina russa Sputnik V para covid-19 no Brasil já na próxima semana e produzir até 8 milhões de doses por mês, disse o diretor de negócios internacionais Rogério Rosso nessa sexta-feira.

A empresa privada, com unidade de vacinação em Brasília, se prepara para solicitar autorização de uso emergencial do órgão regulador sanitário Anvisa para a vacina desenvolvida em Moscou.

A União Química solicitou na semana passada a aprovação para realizar os ensaios clínicos Fase III no Brasil, que é necessária para o licenciamento da vacina no país.


A arte de Artur Bispo do Rosário


Cidades com até 20 mil habitantes registram crescimento de 500% no número de mortes por Covid
O percentual de mortes no Brasil como um todo foi menos da metade no segundo semestre.


Pintura de Frank W Benson,1895


Foto do dia – Pierre Pellegrini


Reconheçamos: nem o Trump nem Bolsonaro se elegeram sem que os eleitores soubessem exatamente que tipo de b*sta estavam elegendo. Os dois tenebrosos não enganaram ninguém.


Espero que os eleitores, apoiadores, idólatras e também os insensatos, prestem atenção que tipo de governo estão cevando. Enquanto líderes mundiais se deixam fotografar recebendo a vacina contra a covid, Vácuo Mental decreta que sua(dele) caderneta de vacinação permaneça sob sigilo por 100 anos. A pergunta que não quer calar é: por quê?


Escultura de Mikhail Gubin


Arthur Lira presidente da Câmara dos Depufedes? Caso esse elemento, da gangue do Vácuo Mental, seja eleito Presidente da Câmara dos Deputados, ocupará o terceiro posto na hierarquia da República. No currículo: rachadinha: propina e violência doméstica. Só!


É hora de alugar, não comprar, eletrônicos? O lixo eletrônico é um problema crescente. Mas se os fabricantes mantivessem a propriedade de seus produtos e os alugassem para nós, a reciclagem poderia fazer sentido para os negócios. Em 2020, geramos um recorde de 53,6 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico.


Como está não dá. Ou esse general incompetente pede para passar para a reserva, ou deixa o Ministério da Saúde. Como está, o prestígio das FFAA continuará ladeira abaixo. O certo é que o Exército Brasileiro não pode continuar submetido a vexames e humilhações.


Pintura de Karen L Darling


O Vácuo Mental, Bolsonaro, é tão caótico que prefere agradar a parcela amalucada de seus apoiadores antivacina, do que tentar capitalizar em cima das vacinas que a imensa maioria da população aguarda. Isso tudo com a ideia de defender uma liberdade da qual ele nunca foi partidário.


Escultura de Francisco Rebajes
The Kiss,1940,aço


Motocicleta Steampunk

O movimento steampunk, misto de ficção científica e  arte, foi adotado por artistas no anos 80 e, para alguns, a partir da “atmosfera” do magnífico “ Blade Runner”.

Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, mais sofisticadamente elaborados, na série Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.

Como obra de arte o movimento steampunk faz uma especulação sobre o que aconteceria se a tecnologia da informação tivesse surgido no século XIX e, em vez da eletrônica, usasse o vapor.


Pintura de Odilon Redon