História,Pinturas,Blog do Mesquita 00

A pintura de Denis Sarazhin

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Denis Sarazhin nasceu em Nikopol, Ucrânia em 1982. Ele freqüentou a Kharkov Art and Design Academy, graduando-se em 2008. Ele se especializou em pintura e foi aluno de Ganozkiy VL, Chaus VN e Vintayev VN. Sarazhin foi agraciado com o 1º grau Diploma Award for Excellence in Painting pela Ukrainian Art Academy. Desde 2007, ele é membro da seção de Kharkov na associação da Aliança dos Artistas da Ucrânia.Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B
Denis Sarazhin é representado por: – Arcadia Contemporary – Culver City CA, EUA. A maneira como você pinta as mãos me dá a sensação de que há mais na história do que apenas a figura humana? Você poderia dizer mais sobre eles? As mãos são uma parte muito importante do corpo humano. Eles estão participando da expressão de emoções e sentimentos. Essa é uma das formas de comunicação não verbal. Além disso, no sentido anatômico, é um dos elementos mais exigentes em termos de plasticidade, interessantes e expressivos. Então, quando estou representando mãos, defino uma tarefa, não apenas para exibir corretamente e com sinceridade, mas também tento expressar por elas um certo valor emocional e não verbal.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Seu estilo de pintura é único com o virtuosismo da pincelada, como o seu estilo evoluiu para isso? O estilo e a maneira de apresentação de qualquer artista depende de muitos fatores. É como – o ambiente em que ele nasceu e viveu, as pessoas ao seu redor enquanto estudava na escola de arte, o que ele vê em revistas e reproduções, ou em museus e salas de exposições. Por isso, é difícil identificar algo específico e claro. Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Em todo artista, você pode encontrar algo que o inspirará e influenciará. Além disso, com o passar do tempo, os gostos estão mudando, o que eu gosto hoje, amanhã já pode parecer chato e sem graça. É difícil destacar um certo estilo e a época que me influenciou.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Algo que eu gosto no estilo de «Moderno», mas, ao mesmo tempo, há muita coisa que eu não entendo. Quais são suas principais fontes de inspiração ao lado do seu campo de trabalho? Histórias para minhas composições nascem de minhas observações da vida. Eles podem ser vistos por mim em qualquer lugar, em situações e lugares inesperados. Algumas composições são um reflexo e entendimento do que vi ou ouvi. Eu posso dizer que esta é a minha experiência de vida.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Você já teve um ponto baixo ainda, quando queria desistir de tudo? Por mais que eu não queira, às vezes chega a mim. Especialmente quando vejo uma avaliação injusta de algo realmente talentoso e interessante. Sou bastante crítico para o meu trabalho, porque o nível de avaliação é sempre alto, estar satisfeito com bons resultados não é uma necessidade para mim. Mas acredito no poder da arte, isso me dá força e fé de que, se você estuda e trabalha constantemente consigo mesmo, pode conseguir tudo o que deseja. Existe uma fonte online que você achou especialmente útil em sua evolução artística? Antes de tudo, é claro, o Facebook e o Instagram. Esses recursos permitem ver tantos artistas e obras de arte interessantes, por isso é difícil imaginar quanto tempo levaria para explorar todo esse material, viajando ao redor do mundo e olhando para museus e galerias. Além disso, é até possível ter um diálogo virtual com artistas de quem eu gosto e que eu dificilmente teria encontrado sem ele.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

As variações de cores quentes e frias são tão grandes no seu trabalho, como você as administra de maneira tão surpreendente? No que diz respeito aos métodos técnicos, posso dizer que tudo vem com prática e experimentação. Estou constantemente procurando maneiras melhores e técnicas de pintura que maximizem e possam expressar o que eu tinha em mente. Eu posso dizer que a linguagem da arte que eu uso apareceu ao longo do tempo, esses métodos não foram ensinados na academia de arte. Especialmente na Academia de Arte, eu treinei em uma boa escola artística tradicional “soviética”. Devido ao surgimento de novas tendências da “arte contemporânea”, essa escola será esquecida. O que é realmente triste.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Sua série Pantomima mostra uma figura em várias poses no fundo liso que lhes dá uma sensação de espaço sem gravidade, mas há alguma tensão nelas, era essa a sua intenção? Pantomima – o tipo de artes cênicas, em que o principal meio de criar uma imagem artística é o corpo humano e a ação sem palavras como meio de expressão. Essa definição é minha principal idéia para criar uma série de “pantomima”.

Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Nos trabalhos, existe uma relação de forma entre as pessoas e a busca de si mesmas. Mas, ao mesmo tempo, devido à imprecisão e abstração do espaço, os espectadores têm a oportunidade de interpretar livremente o que viram na imagem, inclusive a partir de sua própria visão de mundo e experiência de vida.Denis Sarazhin,Artes Plásticas,Pinturas,Paints,ContemporaryArt,FineArt,B

Enquanto estamos nisso, que valor você dá para nomear obras de arte? Você acha que é uma parte importante da pintura? Eu acho que a maioria dos artistas concorda que esse não é o passo mais fácil do trabalho. Mas, às vezes, quando estou criando títulos para um trabalho, chego à ideia de fazer um novo trabalho. Portanto, pode ser uma ação muito produtiva.

Uma nova guerra imperialista parece cada vez mais perto

A contenda na Ucrânia entre a Rússia e as potências capitalistas ocidentais, USA à frente, parece perto de transbordar para um conflito interimperialista que já há tempos se anuncia. Conflito este que, historicamente, se prenuncia como o desaguadouro natural das insanáveis contradições que apertam o nó no pescoço do grande capital monopolista em profunda crise. No limite do tensionamento, estas contradições atiçam, atiram e compelem os blocos de poder globais ao choque retumbante da guerra.

Tropas Americanas desembarcam na Polônia,Blog do MesquitaTropas ianques desembarcam em base militar polonesa

O USA intenta mover tropas e equipamento militar pesado para a Polônia, Romênia, Letônia, Lituânia, Bulgária e Estônia, justamente os países que o ex-secretário de defesa ianque Donald Rumsfeld chamou uma vez cinicamente de “Nova Europa”, ou seja, nações do Leste Europeu que outrora integraram o “bloco soviético”, e que, agora, Washington vai, pouco a pouco, integrando à Otan justamente para montar um cerco à Rússia, potência militar que representa o obstáculo de porte à estratégia de dominação planetária do USA e de seus monopólios — único caminho vislumbrando pela grande burguesia ianque para tentar mitigar a crise que lhe corrói as estruturas desde a década de 1970.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

São pelo menos cinco mil soldados, peças de artilharia e tanques a serem posicionados de frente para a Rússia e prontos para o combate. No último dia 14 de junho, os ministros da defesa da Lituânia e da Polônia confirmaram publicamente o aval à chegada de tropas do USA, sendo que aquele último esteve pessoalmente em Washington dias antes para discutir o assunto.

Quem hoje ocupa o cargo que já foi de Rumsfeld, Ash Carter, falou, em discurso feito no último 22 de junho em Berlim, que o governo russo está tentando recriar a Guerra Fria, e que o USA e seus sócios (“aliados” é a palavra que se usa) não vão deixar Moscou “nos arrastar de volta ao passado”. Ele estava em Berlim para acompanhar a formação de uma força militar de intervenção rápida da Otan, criada em meio a todo este rufar de tambores. Um dia antes, 21 de junho, o mesmo Carter dissera que o USA está se preparando militarmente para o caso de o rompimento com a Rússia “ir além do rompimento com Putin”. Nos dias subsequentes, o secretário de defesa ianque subiria a bordo de um navio de guerra do USA estacionado em águas territoriais estonianas para “supervisionar” exercícios militares da Otan no mar Báltico, uma ostensiva provocação à Rússia que contou com nada menos que 50 navios de guerra e 5.600 militares de 17 países da Otan.

No mesmo dia em que Ash Carter falava da iminência da guerra em Berlim, a União Europeia anunciava o prolongamento das sanções à Rússia até 2016, enquanto a Rússia se preparava, em “reciprocidade”, a estender até igual data a proibição à compra de alimentos de países da Europa.

A Rússia reagiu ao anúncio de movimento de tropas e equipamento militar pesado da Otan no Leste Europeu dizendo que este é “o mais agressivo passo do Pentágono e da Otan desde a Guerra Fria”, que vai mover tropas e aparato bélico para reforçar sua fronteira ocidental e que pretende fechar o ano de 2015 com seu arsenal reforçado por 40 novos mísseis balísticos intercontinentais e com sua estrutura de defesa incrementada por um novo radar de detecção de alvos aéreos.

Antes disso, em discurso proferido em meados de junho durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, Putin afirmou que a saída do USA do Tratado de Mísseis Antibalísticos entre os dois países (abandonado por Washington há quase 15 anos, em 2001, quando a nova estratégia de dominação global pelo imperialismo foi posta em marcha, na sequência dos “atentados” do 11 de setembro), empurra a Rússia para uma “nova rodada de corrida armamentista”.

O USA abandonou este tratado porque ele impunha aos seus signatários a contenção do uso de sistemas BMD, sigla em inglês para Defesa de Mísseis Balísticos. São precisamente os sistemas BMD que compõem grande parte da chamada “Abordagem Adaptativa” para a Europa, cuja segunda fase será concluída ainda em 2015 com a instalação de um sistema desse tipo na Romênia.

Por Hugo R.C. Souza – via a nova democracia/Tribuna da Imprensa

Ecologia: ucraniano constroi carro de madeira

O automóvel de madeira do construtor ucraniano
Design,Veículos,Ecologia,Meio ambiente,Automóvel de madeira,UcraniaClique na imagem para ampliar

O inventivo, e habilidoso, construtor, substituiu as partes metálicas por painéis de madeira.
O automóvel é um misto de conversível e de sedan coberto.

Design,Veículos,Ecologia,Meio ambiente,Automóvel de madeira,UcraniaClique na imagem para ampliar


[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Mauro Santayana: Capitalismo ameaçado passeia com o fascismo

O republicano John McCain com Oleh Tyahnybok (direita), líder do partido de extrema-direita Svoboda (ex-Partido Nacional Socialista da Ucrânia); em primeiro plano o tridente, outro símbolo dos extremistas

O ninho da serpente

Há um velho ditado que reza que, toda vez que o capitalismo se vê ameaçado, ele sai para passear com o fascismo.

Como um skinhead e seus pit-bulls, que pode ser por eles atacado, depois de tentar prendê-los à força no canil, ao voltar para casa, bêbado drogado, a Europa mostra que não aprendeu nada com as notícias dos jornais, nem com as lições do passado.

Dirigentes europeus — e norte-americanos — tiram fotos, sorridentes, ao lado dos líderes do Partido Svoboda ucraniano, que podem ser vistos, em outras fotos, recentes, discursando em tribunas nazistas e saudando com a palma da mão levantada.

A cruz celta, símbolo da supremacia branca, as suásticas, os três dedos que lembram o tridente tradicional usado pelos neofascistas ucranianos, os raios assassinos das SS nazistas, destacam-se nas bandeiras e braçadeiras portadas pela multidão, na qual desfilam, triunfantes, membros das 22 organizações neonazistas que existem no país, que, segundo analistas locais, são muito mais radicais que o “Svoboda”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

As notícias que vem de Kiev dão conta de que há indícios de que os atiradores que mataram manifestantes durante os protestos, antes do golpe, teriam sido contratados pelos próprios neonazistas para fazê-lo. Sinagogas têm sido incendiadas nos úlimos meses, professores e estudantes de Yeshivas – assim como estrangeiros e homossexuais — têm sido insultados e espancados pelas ruas.

Na Ucrânia atual o anti-semitismo é tão forte, que nos últimos 20 anos, depois da derrocada da União Soviética – que sempre protegeu os judeus como etnia – 80% dos 500.000 hebreus que viviam no país o abandonaram, desde 1989, em um êxodo sem precedentes no pós-guerra.

Hoje, em uma população mais de 44 milhões de habitantes, há menos de 70.000 judeus ucranianos.

Se a situação é ameaçadora para a população judaica, é ainda pior para os cerca de 120.000 a 400.000 ciganos que vivem na Ucrânia, uma minoria que não conta com recursos para deixar o país, nem com um destino, como Israel, que os possa receber. 

Com a desmobilização da polícia e do exército, e sua substituição por brigadas paramilitares compostas de vândalos e arruaceiros, os neonazistas têm circulado livremente pelos bairros ciganos da periferia de Kiev e de cidades do interior do país, insultando e agredindo impunemente, qualquer homem, mulher, criança, idoso, que encontrem pela frente.

Não é preciso lembrar que os roms, assim como os judeus, foram torturados e  mortos – seis milhões de judeus e um milhão de ciganos, pelo menos – nos campos de concentração e de extermínio nazistas, a maioria deles pelas  mãos de voluntários ucranianos, que serviam de “guarda” auxiliar para os alemães, em lugares como Treblinka, Auschwitz e Sobibor.

Os nazistas ucranianos não apenas forneceram  assassinos e torturadores para o holocausto — e a eliminação de prisioneiros políticos e de homossexuais — mas também lutaram ao lado dos alemães, por meio da sua famigerada Legião Ucraniana de Autodefesa e da Divisão SS  Galitzia, contra os russos, na Segunda Guerra Mundial.

Longe de renegar esse passado, do qual toma parte o extermínio da própria população ucraniana – em Baby Yar, uma ravina perto de Kiev, foram massacrados, com a ajuda de soldados e policiais ucranianos, 150.000 mil civis, entre  ciganos, comunistas, e judeus ucranianos, 33.700  deles apenas nos dias 29 e 30 de setembro de 1941 – a direita ucraniana o venera e honra.

No dia primeiro de agosto de 2013, com a presença de um padre ortodoxo, dezenas de pessoas vestindo uniformes da Waffen SS, em meio a uma profusão de bandeiras ucranianas e de suásticas, se encontraram na cidade de Chervone, na Ucrânia, para honrar o “sacrifício” dos “heróis” ucranianos da Divisão SS Galitzia.

Os nazistas ucranianos não foram os únicos a combater, ao lado de Hitler, contra a União Soviética e a colaborar no extermínio de judeus e ciganos e da sua própria população.

O massacre de Odessa, também na Ucrânia, de outubro de 1941, no qual morreram 50.000 judeus, foi cometido, sob “organização” alemã, por tropas do exército romeno, um dos diversos países  que participaram, como aliados do nazismo, da invasão da URSS na Segunda Guerra Mundial.

Entre elas, estavam, além da Itália, da Espanha e da Romênia, Bulgária, Hungria e Eslováquia, países não por acaso colocados — para que isso não viesse a acontecer de novo — sob a esfera de influência soviética, após o fim do conflito.

Engrossada pela deterioração do estado de bem-estar social, a crise econômica, o desemprego e a pressão migratória — criada em boa parte pela própria Europa com o incentivo ao terrível pesadelo da “Primavera Árabe” — a baba do racismo, do ódio contra os ciganos e os árabes, do  antissemitismo e do anticomunismo mais arcaico e bestial, espalha-se como peste seguindo o curso de grandes rios como o Dnieper e o Danúbio, criando uma sopa densa e corrosiva, apropriada para alimentar as ovas — nunca totalmente inertes — da serpente nazista.

Fruto de uma nação multiétnica, que estabelece seu passado e seu futuro na diversidade universal de sua gente, nenhum brasileiro pode ficar ao lado dos golpistas neofascistas ucranianos. 


Não é possível fazê-lo, não apenas pelo senso comum de não apoiar uma gente que odeia e despreza tudo o que somos. 


Mas, também, porque não podemos desonrar o sangue e a memória daqueles cujos ossos descansaram no solo sagrado de Pistóia.

De quem, em lugares como Monte Castelo e Fornovo di Taro – onde derrotamos, em um único dia, a 148 Divisão Wermacht e a Divisão Bersaglieri Itália, obtendo a rendição incondicional de dois generais e de milhares de prisioneiros – combateu,  com a FEB, o bom combate.

Dos soldados e aviadores que, com a força e a determinação de 25.700 corações brasileiros, ajudaram a derrotar, naquele momento, a serpente hitleriana.

No afã de prejudicar e sitiar a Rússia, criando problemas à sua volta, em países que já a atacaram no passado, o que a UE não entendeu, ainda, é que o que está em jogo na Ucrânia não é o apenas o futuro do maior país europeu em extensão territorial, nem mesmo o de Putin, mas o da própria Europa.

Até agora, o neonazismo se ressentia de um território grande e simbólico o suficiente, do ponto de vista de uma forte ligação com o anticomunismo e com o nacional-socialismo, no passado, para servir de estuário para o ressentimento e as frustrações de um continente decadente e nostálgico das glórias perdidas, que nunca se sentiu realmente distante, ou decididamente oposto, ao fascismo.

Faltava um lugar, um santuário, onde se pudesse perseguir o mais fraco, o diferente, impunemente. Um front ideológico e militar para onde pudessem convergir – como voluntários ou simpatizantes — militantes da supremacia branca de todo o mundo.

Um laboratório para a criação de um novo estado, com leis, estrutura e ideologia semelhantes às que imperavam na Alemanha há 70 anos.

Se, como tudo indica, os neonazistas se encastelarem no poder em Kiev, por meio de eleições fraudadas, ou da consolidação de um golpe de estado desfechado contra um governante eleito, o ninho da serpente poderá renascer, agora, no conflagrado território ucraniano.
Carta Maior/Mauro Santayana

Clarice Lispector – Escritora – Biografia

Retrato de Clarice Lispector

Clarice Lispector (ucraniano: Кларісе Ліспектор)
* Tchetchelnik, Ucrânia – 10 de Dezembro de 1920 d.C
+ Rio de Janeiro,RJ – 9 de Dezembro de 1977 d.C

De família judaica, emigrou com a família para o Brasil quando tinha um pouco mais de um ano de idade. Começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife. Clarice falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno familiar, o iídiche. 

Obra literária

Em 1944 publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. 

A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando a difícil realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo solto elíptico, e fragmentário, que críticos reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, se bem que ainda mais revolucionário. 

Em verdade, a obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice). 

Seu romance mais famoso talvez seja A hora da estrela, o último publicado antes de sua morte. Este livro narra a vida de Macabéa, uma nordestina criada no estado de Alagoas que migra para o Rio de Janeiro, e vai morar em uma pensão, tendo sua vida descrita por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M. Faleceu de câncer (cancro) em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro. 

Livros de sua autoria
Perto do coração selvagem (1944)
O lustre (1946)
A cidade sitiada (1949)
Alguns contos (1952)
Laços de família (1960)
A maçã no escuro (1961)
A legião estrangeira (1964)
A paixão segundo G.H. (1964)
O mistério do coelho pensante (1967)
A mulher que matou os peixes (1968)
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969)
Felicidade clandestina (1971)
A imitação da rosa (1973)
Água viva (1973)
A vida íntima de Laura (1974)
A via crucis do corpo (1974)
Onde estivestes de noite (1974)
Visão do esplendor (1975)
A hora da estrela (1977)

Póstumos
Para não esquecer (1978)
Quase de verdade (1978)
Um sopro de vida (pulsações) (1978)
A bela e a fera (1979)
A descoberta do mundo (1984)
Como nasceram as estrelas (1987)
Cartas perto do coração (2001) (cartas trocadas com Fernando Sabino)
Correspondências (2002)
Correio Feminino (2006)
Entrevistas (2007) 

Curiosidades

Clarice traduziu para o português, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora estadounidense Anne Rice. 

A primeira edição de Onde estivestes de noite foi recolhida porque foi colocado, erroneamente, um ponto de interrogação no título. 

Em artigo publicado no jornal The New York Times, no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice.