Os sapatos do William Bonner

Jornal Nacional Mídia Blog do MesquitaWilliam Bonner, do Jornal Nacional, costuma dizer que todas as noites sua equipe tenta colocar um elefante dentro de uma caixa de sapatos. Sempre conseguem.

Trata-se da configuração do jornal de maior audiência na TV brasileira. Significa que grande quantidade das notícias produzidas é jogada na lata do lixo e outras tantas somente são divulgadas após lapidar edição que envolve a escolha de enquadramentos, incidências e aparas.

Por ficarem de fora, não serão discutidas pelo público: o “lixo”, outros enquadramentos, outras incidências, outras maneiras de ver e de apresentar os temas.

É o que se denomina agendamento (agenda setting), teoria bastante conhecida em todo o mundo por qualquer estudante de comunicação, desde os anos 70, que revela como os meios de comunicação determinam a pauta (agenda) para a opinião pública.

Ou seja, resolvem o que e de que forma – de que ângulo, de que ponto de vista, sob que aspecto ou profundidade – nós, indefesos leitores/ouvintes, devemos discutir a história de cada dia. Pois, para muitos, o que não deu no Jornal Nacional, a caixa de sapatos de Bonner, não aconteceu.

Tem-se no agendamento o instrumento de impor ao leitor/ouvinte uma carga de opiniões político-ideológicas ou culturais que interessam às instâncias de poder vinculadas aos donos do veículo de comunicação. Dito de outra forma, a linha ideológica nasce de modo “espontâneo”, das necessidades dos profissionais da comunicação de manter uma relação de boa convivência e conforto em seus postos de trabalho.

Ou seja, a linha ideológica da notícia nasce não só do perfil intelectual e cultural do jornalista, de suas relações e afinidades ou do seu compromisso social, mas também e sobretudo do tipo de (in)dependência profissional com seu veículo empregador.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

De qualquer forma, para a unanimidade dos estudiosos não há isenção na produção de qualquer matéria jornalística, mesmo a que não é rotulada como opinativa. E assim, o ouvinte/leitor recebe o “benefício” do agenda setting para não precisar pensar.

Já na década de 20, dizia o Estadão: “Um verdadeiro jornal constitui para o público uma verdadeira bênção. Dispensa-o de formar opiniões e formular ideias. Dá-lhes já feitas e polidas, todos os dias, sem disfarces e sem enfeites, lisas, claras e puras” (Editorial do O Estado de São Paulo, de 14/01/1928).

Pode-se inferir então que um mergulho no “lixo” e nas aparas, e um exame por ângulos e critérios ideológicos diversos no noticiário jornalístico, certamente produziriam caixas de sapatos diferentes da de Bonner. Um mergulho e um exame que serão facultados a qualquer ouvinte/leitor quando o veículo de comunicação lhe oferecer os diversos ângulos e a totalidade dos fatos, para que exerça criticamente sua análise e sua escolha. Será, enfim, a oportunidade de poder formar sua opinião, sua versão dos fatos.

Para que isso aconteça, a sociedade precisa se dar conta de que existe um direito que a Constituição lhe garante: o Direito à Informação. Informação em sua integralidade, que permita acesso a uma leitura crítica, personalizada, liberta das amarras opinativas unidirecionais viciadas. Democraticamente aberta a múltiplas interpretações e juízos. Múltiplas caixas de sapatos…

Eleições 2014: Postura imperial de Bonner faz parecer que a Globo não tem mazelas

A postura supostamente independente de Bonner, agressivo com todos os candidatos, faz parecer que as Organizações Globo são exemplo de ética, que nunca apoiaram a ditadura militar, nem tentaram “ganhar” eleições no grito

william bonner dilma jornal nacional
William Bonner está assumindo o papel de garoto-propaganda da criminalização da política (reprodução)

Trata-se de um simulacro de jornalismo, que nem original é. Nos Estados Unidos, muitos âncoras se promoveram com agressividade em suposta defesa do “interesse público”.

Eu friso o “suposta”. Lembro-me de um, da CNN, que fez fama atacando a invasão do país por imigrantes ilegais. Hoje muitos âncoras do jornalismo policial fazem o mesmo estilo, como se representassem a sociedade contra o crime.

William Bonner está assumindo o papel de garoto-propaganda da criminalização da política.

Ao criminalizar a política, fazendo dela algo sujo e com o qual não devemos lidar, ganham as grandes corporações midiáticas.

Quanto mais fracas forem as instituições, mais fortes ficam as empresas jornalísticas para extrair concessões de todo tipo — do Executivo, do Legislativo, do Judiciário.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A postura supostamente independente de Bonner, igualmente agressivo com todos os candidatos, faz parecer que as Organizações Globo pairam sobre a política, que nunca apoiaram a ditadura militar, nem tentaram “ganhar” eleições no grito.

Que os irmãos Marinho não fazem politica diuturnamente, com lobistas em Brasília. Que os irmãos Marinho não tem lado, não fazem escolhas e nem defendem com unhas e dentes, se preciso atropelando as leis, os seus interesses. Como em “multa de 600 milhões de reais” por sonegar impostos na compra dos direitos de televisão das Copas de 2002 e 2006.

VEJA:
A entrevista de Dilma no Jornal Nacional
A entrevista de Aécio Neves no Jornal Nacional
A entrevista de Eduardo Campos no Jornal Nacional

A agressividade de Bonner também ajuda a mascarar onde se dá a verdadeira manipulação da emissora, nos dias de hoje: na pauta e no direcionamento dos recursos de investigação de que a Globo dispõe. Exemplo: hoje mesmo, no Bom Dia Brasil, uma dona-de-casa do interior de São Paulo explicava como está fazendo para economizar água.

A emissora não teve a curiosidade de explicar que a seca que afeta milhões no Estado não é apenas um problema climático, resulta também de falta de investimentos do governo de Geraldo Alckmin, que beneficiou acionistas da Sabesp quando deveria ter investido o dinheiro no aumento da capacidade de captação de água. Uma pauta complicada, não é mesmo?

A não ser que eu esteja enganado, a Globo não deslocou um repórter sequer para visitar o aeroporto de Montezuma, que Aécio Neves mandou reformar quando governador de Minas Gerais perto das terras de sua própria família. Vai ver que faltou dinheiro.

Tanto Alckmin quanto Aécio são tucanos. Na entrevista com Dilma, Bonner listou uma série de escândalos. Não falou, obviamente, de escândalos relacionados à iniciativa privada, nem em outras esferas de governo.

Dilma poderia muito bem tê-lo lembrado disso, deixando claro que a corrupção é uma praga generalizada, inclusive na esfera privada, envolvendo entre outras coisas sonegação gigantesca de impostos. Mas aí já seria coisa para o Leonel Brizola.
Luiz Carlos Azenha, Viomundo

Regina Casé, a Globo e a suposta denúncia da violência policial

A mãe de DG foi ao Esquenta, mas não teve espaço para vocalizar as críticas que vem fazendo às UPPs.

Esquenta!”, DG e a disputa pela representação da nova classe trabalhadora

Vejo o “Esquenta” como um dos retratos do empoderamento conquistado por uma classe subalterna durante os anos Lula, e também de seus limites (que parecem cada vez mais incontornáveis nos moldes da atual governabilidade conservadora).

Esse empoderamento veio, como se sabe, pela conquista de aumento do poder de consumo. Um empoderamento que pode ser frágil e sem dúvida algum contraditório, mas foi empoderamento, porque o acesso a esses bens ampliou as condições materiais de autocomunicação e auto-organização desses setores – veja-se os “rolezinhos”, um dos exemplos mais marcantes desse fenômeno.

Frágil, porque é preciso analisar o peso do endividamento das famílias nessa expansão do consumo, e mais ainda porque basicamente não se tocou nas estruturas que concentram poder – material e ideológico – nas classes e setores dominantes.

Porém, embora não se tenha enfrentado essas estruturas, elas não ficaram imunes à maior inclusão desse setor subalterno no mercado de consumo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não se promoveu a democratização dos meios de radiodifusão nem se mexeu, aparentemente, nos privilégios fiscais de Globo e cia, mas fica cada vez mais difícil para a Globo e cia ignorarem a existência dessa classe em relativa ascensão econômica.

Engana-se redondamente quem pensa que basta, para não perder a hegemonia ideológica e de mercado sobre esse setor, fazer propaganda dirigida para ele (o que tem acontecido bastante, claro).

A Globo sabe que seu grande concorrente, cada vez mais, é a internet, com suas redes de autoprodução e difusão de cultura e entretenimento, inclusive entre esse segmento de trabalhadores pobres.

Prova disso é a reformulação que está fazendo em diversos programas para tentar torná-los mais “interativos” e parecidos com as redes sociais – não assisti ao Fantástico de ontem, mas dizem que foi mais um marco nesse sentido.

Então, preocupada com a hegemonia de audiência e ideológica sobre o setor pobre consumidor, o ‘consumitariado’, a Globo sabe que, cada vez mais, não bastará mostrá-lo como objeto; é preciso, tal como acontece nas redes sociais, promover sua inclusão como sujeitos produtores de cultura e entretenimento, em alguma medida.

O “Esquenta” é a principal resposta da Globo, até aqui, a esse duplo movimento: à ascensão consumidora de uma classe, e às mudanças forçadas pela nova lógica social de produção e comunicação, em escala global (cujas raízes não cabe examinar neste texto), que têm como grande símbolo as redes sociais.

Não é por acaso, então, que Douglas Silva, o DG, um dos jovens negros assassinados numa favela do Rio de Janeiro nessa semana, fosse um dançarino de destaque do Esquenta, e não do Fantástico, Domingão do Faustão, do programa do Luciano Huck, Fátima Bernardes, Ana Maria Braga ou Serginho Groisman.

Obviamente, nesses outros programas também devem trabalhar jovens pobres e negros de favelas do Rio de Janeiro. Porém, muito provavelmente, não na mesma proporção do Esquenta, e o mais importante: não tanto diante das câmeras, e muito menos em posições de destaque e como porta-vozes da estética produzida pelos segmentos da periferia, como no programa de Regina Casé. Estética essa que não é homogênea, claro, e que é seletivamente recortada nas suas representações admitidas e priorizadas no “Esquenta!”.

O Esquenta é, pois, uma pequena abertura conquistada pelas lutas dessa classe em relativa ascensão. Conquistada pelas lutas, sim: as pequenas grandes conquistas do ciclo lulista – não só Bolsa-Família, mas, mais ainda, políticas como o aumento real sustentado do salário-mínimo – foram arrancadas do poder: respostas do Estado para tentar se legitimar diante de anos e anos de mobilização popular por justiça social.

É claro que a resposta lulista foi limitada, deu-se nos marcos de não promover reformas estruturantes; e por isso mesmo, parece delinear-se não só sua precariedade, como seu esgotamento. Porém, isso não muda o fato de que esses parcos avanços foram obtidos pelas lutas, como tentativas dos poderosos de “dar os anéis (ou nem isso) para não perder os dedos”. De modo análogo, o programa “Esquenta”.

Dada a função que cumpre e sua composição social de classe (no palco e na audiência), o Esquenta não tinha como não se dedicar, hoje, à morte de seu dançarino Douglas DG, não tinha como não contextualizá-la como mais um episódio brutal da violência contra a juventude pobre e negra das periferias do Rio de Janeiro e do Brasil…

Devemos comemorar, pois, que se tenha falado nesses assuntos, ainda que de modo passageiro e superficial, no programa de Regina Casé de hoje. Trata-se de um furo do bloqueio midiático sobre a discussão desses temas, conquistado pelas lutas dos movimentos negros, das periferias, de cultura, populares.

Porém, basta olhar com um pouco mais atenção para a edição de hoje do Esquenta para se perceber os limites e o caráter contraditório da “abertura” em que ele consiste.

Praticamente não se falou da violência policial sistemática dirigida contra a população pobre e negra das favelas. Não se tocou no fato de que o Estado é um dos grandes instrumentos desse ciclo de criminalização da pobreza e da juventude negra.

O tom geral foi o de se falar da violência em abstrato, sem denunciar as políticas de segurança pública como parte fundamental desse quadro violento. Contraditoriamente, o discurso genérico “contra a violência” que marcou o programa de hoje pode alimentar justamente a legitimação da resposta policialesca que é parte do problema, e não de sua solução.

A resposta do governo do Rio à morte de DG, que tem indícios sérios de responsabilidade da polícia, é bastante eloquente sobre isso: na repressão ao protesto da população indignada da comunidade do Pavão-Pavãozinho, mais um jovem morto pela ação da PM: Edilson da Silva.

Não é uma coincidência que o Esquenta de hoje não tenha falado sobre Edilson. Não era conveniente para os interesses da Globo lembrar que insistir na resposta policial à violência só vem agravando-a ainda mais (perdi o começo do programa e posso ter tido algum lapso de atenção, mas, caso alguém tenha tocado no tema por lá, foi de modo extremamente passageiro e sem desdobrar a crítica).

Mais conveniente era falar de combater a violência, em abstrato, e até mesmo a impunidade (!), como o fez Jô Soares no programa (e não para falar de impunidade de policiais…).

Ou seja: a solução seria punir ainda mais… Como se os jovens das favelas já não estivessem sendo punidos, muitas vezes com a morte, por sua condição social e identidade racial.

Significativas, também, foram outras falas do Esquenta, como a de Fátima Bernardes. A apresentadora disse que o Estado tem de estar presente na favela também com educação. É claro que já é alguma coisa reconhecer-se a necessidade de superação da desigualdade no acesso à educação, saúde, etc.

Porém, a armadilha desse tipo de discurso é que critica a omissão do Estado, mas silencia diante da outra face complementar dela: o inchaço de seu aparato repressor. Esse é o discurso que se tenta construir, agora, para legitimar a ocupação militarizada das favelas: o problema não estaria exatamente nela, mas na ausência das políticas sociais.

Ou seja, uma vez que se “compense” a violência sistemática, a criminalização da pobreza, com “políticas sociais” (“UPP social”), aí o problema estaria resolvido…

Como se não fosse preciso mudar radicalmente as políticas de segurança pública, como se elas e a omissão do braço social do Estado não fossem parte de uma mesma política.

O fato é que são. O projeto das UPPs mostra muito bem isso, como parte de uma lógica de gestão neoliberal da pobreza. Neoliberal?! Sim. O neoliberalismo produz a “ascensão do Estado penal”, “em resposta à crescente inseguridade social, e não à insegurança criminal”, diz o sociólogo Loïc Wacquant, autor da já clássica obra “Punir os pobres: o governo neoliberal da inseguridade social” (2009).

O “neoliberalismo realmente existente”, diz Wacquant, consiste não na redução do Estado (conforme sua propaganda ideológica), mas em sua reengenharia, na “construção de um Estado forte capaz de opor-se de modo efetivo à resistência social à mercantilização e de moldar culturalmente subjetividades em conformidade com isso”.

Trata-se, diz ainda o francês radicado nos Estados Unidos, de uma “articulação entre Estado, mercado e cidadania que direciona o primeiro para impor o selo da segunda na terceira”.

O Estado não diminui, mas ganha um novo perfil, ainda mais forte como máquina de estratificação social a serviço da mercantilização. No caso da “ocupação” das favelas, isso fica bastante claro: o projeto das UPPs envolve não apenas o disciplinamento político de uma classe via repressão explícita, mas também uma disputa econômica pelo controle do mercado consumidor e produtivo dos territórios “pacificados”…

A retórica é de que o controle territorial pelo Estado teria por fim “levar serviços básicos” às favelas, mas o que se tem registrado não é isso.

A disputa pelo controle da economia dos territórios das favelas alcança não apenas a concorrência comercial pela prestação de alguns serviços, mas, de modo bastante central, a ofensiva de inclusão daquelas terras no mercado imobiliário dominado pelas grandes empresas “do asfalto”.

Não por acaso, tem se registrado alta brutal de preços dos imóveis de favelas “pacificadas”, o que tem expulsado a pobreza para áreas mais periféricas do Rio e gerado lucros exorbitantes para o capital imobiliário.

Vale lembrar que em janeiro deste ano, o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro foi homenageado pelo Esquenta devido ao seu trabalho com as UPPs.

Foram blocos e mais blocos que falavam dos benefícios das Unidades, contradizendo outros muitos veículos midiáticos populares que trataram do assunto.

UPPs, governos e Rede Globo (e suas concorrentes da grande mídia) estão, como é bastante notório, unidos nesse projeto. Controlar territórios pobres de modo militarizado, não para garantir a segurança daquela população, mas para discipliná-la como público consumidor e assujeitado.

O “Esquenta” de hoje, ao não enfrentar a falência das UPPs ou enfrentar o tema da violência policial, mostrou-se como dimensão contraditória desse projeto. Contraditória porque esse programa, justamente por ser uma tentativa de disputar a representação simbólica da classe subalterna em ascensão (como parte do esforço de domesticá-la), precisa mostrá-la como sujeito, de alguma maneira – mesmo uma versão bastante parcial e disciplinada desse sujeito.

Ao fazer isso, abre um terreno de disputa menos desvantajoso para a autoexpressão desse sujeito e de suas lutas do que a programação “comum” da Rede Globo e das demais grandes emissoras de TV.

Como disse o megainvestidor norte-americano Warren Buffett, lembrado outro dia pelo Vladimir Safatle: “Quem disse que não há luta de classe? Claro que há, e nós estamos vencendo”.

Não sei quem está vencendo, sei que precisamos refinar nossos instrumentos de análise, pois tanto as estratégias de resistência e produção subalterna, como as de tentativa de seu apassivamento, apropriação e direcionamento, têm se sofisticado.

Mais útil do que celebrar as pequenas aberturas como se fossem revolucionárias, ou lamentar de modo impotente o fato de que não o são, é investigar a realidade dialeticamente, para pensar estratégias que alarguem a materialidade dessas frestas e evitem seu disciplinamento.
João Telésforo/Blog VioMundo

Lula não abandonou Rosemary e participa pessoalmente da defesa jurídica da ex-segunda-primeira-dama

Lula Rosemary Noronha Blog do MesquitaConforme prometemos, há novidades sobre o caso de Rosemary Noronha, a namorada de Lula, que comandava o escritório da Presidência da República em São Paulo e com ele visitou 32 países num período de apenas três anos (sempre na ausência da primeira-dama Marisa Léticia, é claro).

Apanhada em flagrante na Operação Porto Seguro, Rosemary foi incriminada pela Polícia Federal, mas a privacidade dela e de Lula foi respeitada, sem haver escuta telefônica, com a investigação limitando-se ao controle dos e-mails da assessora presidencial.

Motivo: Lula não usa computador, só falava com ela por telefone. Sem escuta telefônica, ele quase não aparece na foto.

Para enfraquecer Lula e forçá-lo a desistir da candidatura à Presidência, o Planalto atacou Rosemary Noronha com todas as forças, usando a Controladoria-Geral da União e a Comissão de Ética da Presidência para investigar, em ações paralelas, o que teria sido o “enriquecimento ilícito” da segunda-primeira-dama.

TV GLOBO SE OMITIU

Nessa ofensiva, o Planalto liberou uma série de “denúncias” exclusivas ao influente repórter político Vinicius Sassine, de O Globo, que até meados de 2012 trabalhava no Correio Braziliense.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

A tática do Planalto era dar exclusividade a O Globo, para que a TV Globo e a Rádio CBN também entrassem no assunto, mas não aconteceu nada, por um motivo óbvio.

A TV Globo já está escaldada com esse tipo de notícia, desde que o então presidente FHC teve um caso com a repórter Miriam Dutra, do Jornal Nacional, e a emissora acobertou, enviando a jornalista para a Espanha, onde recebia alto salário sem trabalhar.

Desde essa época, a TV Globo não entra nesse tipo de “cobertura jornalística”, digamos assim, porque tem telhado de vidro…

Quanto ao enriquecimento ilícito de Rosemary, não é de espantar diante dos milionários casos de corrupção que caracterizam a política brasileira.

Nos 20 anos em que manteve o caso amoroso com Lula, ela só conseguiu ter um carro usado e dos dois apartamentos.
E o marido tem uma pequena empresa de construção, que não é lá essas coisas.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Jornalistas e juízes podem ser amigos?

Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, diz que faltou pudor ao colunista Merval Pereira como também aos ministros do STF, Gilmar Mendes e Ayres Britto, que prestigiaram o lançamento do seu livro em Brasília; segundo ele, há uma relação incestuosa entre o Judiciário e a mídia.

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Já falei de Mensalão, o livro de Merval.
Volto ao assunto, depois de ver fotos do lançamento em Brasília. Figuras eméritas da Justiça Nacional correram, sorridentes, a prestigiar a cerimônia…
[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O pudor, se não a lei,  deveria impedir este tipo de cena. Veja as expressões de contentamento e cumplicidade. Que isenção se pode esperar da Justiça brasileira em casos relevantes que porventura envolvam Merval e, mais ainda, a Globo?Mas o pudor se perdeu há muito tempo.

Em outra passagem imoral desse  interesseiro caso de amor entre mídia e justiça, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.

Ali estava já a sentença de Gilmar.

O grande editor Joseph Pulitzer escreveu, numa frase célebre, que “jornalista não tem amigo”. Ele próprio viveu em reclusão para evitar que amizades influenciassem os rumos do jornal que comandou.

Para que você tenha uma ideia da estatura de Pulitzer, foi ele quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete,  bem como a primeira página.

Era um idealista.

“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”, escreveu.

Tinha uma frase que me tem sido particularmente cara na carreira: “Jornalista não tem amigo.”

Como a “Deusa Cega da Justiça”, afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. “O World [seu jornal], por isso, é absolutamente imparcial e independente.”

Merval tem muitos amigos, como se vê na foto deste artigo. Não é bom para o jornalismo que ele faz. E pior ainda é que ele é correspondido no topo da Justiça brasileira.

Juízes, como os jornalistas, não deveriam ter amigos, como pregou Pulitzer. Pelas mesmas razões.

Os nossos têm, e parecem se orgulhar disso, como se vê na foto acima.
Por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

Jornal Nacional é feito para o QI do Homer Simpson

Jornal Nacional Mídia Blog do Mesquita“Perplexidade no ar. Um grupo de professores da USP está reunido em torno da mesa onde o apresentador de tevê William Bonner realiza a reunião de pauta matutina do Jornal Nacional, na quarta-feira, 23 de novembro.

Alguns custam a acreditar no que vêem e ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, é feita superficialmente, quase sem discussão.

Os professores estão lá a convite da Rede Globo para conhecer um pouco do funcionamento do Jornal Nacional e algumas das instalações da empresa no Rio de Janeiro.

São nove, de diferentes faculdades e foram convidados por terem dado palestras num curso de telejornalismo promovido pela emissora juntamente com a Escola de Comunicações e Artes da USP. Chegaram ao Rio no meio da manhã e do Santos Dumont uma van os levou ao Jardim Botânico.

A conversa com o apresentador, que é também editor-chefe do jornal, começa um pouco antes da reunião de pauta, ainda de pé numa ante-sala bem suprida de doces, salgados, sucos e café. E sua primeira informação viria a se tornar referência para todas as conversas seguintes.

Depois de um simpático ‘bom-dia’, Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo.

Na redação, foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão em todo o mundo. Pai da família Simpson, Homer adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e tem o raciocínio lento.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A explicação inicial seria mais do que necessária. Daí para a frente o nome mais citado pelo editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson. ‘Essa o Homer não vai entender’, diz Bonner, com convicção, antes de rifar uma reportagem que, segundo ele, o telespectador brasileiro médio não compreenderia.

Mal-estar entre alguns professores. Dada a linha condutora dos trabalhos – atender ao Homer -, passa-se à reunião para discutir a pauta do dia. Na cabeceira, o editor-chefe; nas laterais, alguns jornalistas responsáveis por determinadas editorias e pela produção do jornal; e na tela instalada numa das paredes, imagens das redações de Nova York, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, com os seus representantes. Outras cidades também suprem o JN de notícias (Pequim, Porto Alegre, Roma), mas elas não entram nessa conversa eletrônica. E, num círculo maior, ainda ao redor da mesa, os professores convidados. É a teleconferência diária, acompanhada de perto pelos visitantes.

Todos recebem, por escrito, uma breve descrição dos temas oferecidos pelas ‘praças’ (cidades onde se produzem reportagens para o jornal) que são analisados pelo editor-chefe. Esse resumo é transmitido logo cedo para o Rio e depois, na reunião, cada editor tenta explicar e defender as ofertas, mas eles não vão muito além do que está no papel. Ninguém contraria o chefe.

A primeira reportagem oferecida pela ‘praça’ de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da ‘oferta’ jornalística informa que a empresa venezuelana, ‘que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível’ para serem ‘vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano’. Uma notícia de impacto social e político.

O editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia imprópria para o jornal. E segue em frente.

Na seqüência, entre uma imitação do presidente Lula e da fala de um argentino, passa a defender com grande empolgação uma matéria oferecida pela ‘praça’ de Belo Horizonte. Em Contagem, um juiz estava determinando a soltura de presos por falta de condições carcerárias. A argumentação do editor-chefe é sobre o perigo de criminosos voltarem às ruas. ‘Esse juiz é um louco’, chega a dizer, indignado. Nenhuma palavra sobre os motivos que levaram o magistrado a tomar essa medida e, muito menos, sobre a situação dos presídios no Brasil. A defesa da matéria é em cima do medo, sentimento que se espalha pelo País e rende preciosos pontos de audiência.

Sobre a greve dos peritos do INSS, que completava um mês – matéria oferecida por São Paulo -, o comentário gira em torno dos prejuízos causados ao órgão. ‘Quantos segurados já poderiam ter voltado ao trabalho e, sem perícia, continuam onerando o INSS’, ouve-se. E sobre os grevistas? Nada.

De Brasília é oferecida uma reportagem sobre ‘a importância do superávit fiscal para reduzir a dívida pública’. Um dos visitantes, o professor Gilson Schwartz, observou como a argumentação da proponente obedecia aos cânones econômicos ortodoxos e ressaltou a falta de visões alternativas no noticiário global.

Encerrada a reunião segue-se um tour pelas áreas técnica e jornalística, com a inevitável parada em torno da bancada onde o editor-chefe senta-se diariamente ao lado da esposa para falar ao Brasil. A visita inclui a passagem diante da tela do computador em que os índices de audiência chegam em tempo real. Líder eterna, a Globo pela manhã é assediada pelo Chaves mexicano, transmitido pelo SBT. Pelo menos é o que dizem os números do Ibope.

E no almoço, antes da sobremesa, chega o espelho do Jornal Nacional daquela noite (no jargão, espelho é a previsão das reportagens a serem transmitidas, relacionadas pela ordem de entrada e com a respectiva duração). Nenhuma grande novidade. A matéria dos presos libertados pelo juiz de Contagem abriria o jornal. E o óleo barato do Chávez venezuelano foi para o limbo.

Diante de saborosas tortas e antes de seguirem para o Projac – o centro de produções de novelas, seriados e programas de auditório da Globo em Jacarepaguá – os professores continuam ouvindo inúmeras referências ao Homer. A mesa é comprida e em torno dela notam-se alguns olhares constrangidos. * Sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP”
Laurindo Lalo Leal Filho/Observatório da Imprensa

Tópicos do dia – 16/07/2012

11:26:31
CPI do Cachoeira: Por que a Globo retaliou Fernando Collor via Rosane Collor

12:11:47
Eleições 2012.

“Preparem-se. Podem armazenar otimismo para vencerem a carga de pessimismo.
Oposição ou governo não têm projetos, são apenas golpistas da esperança.”
Hélio Fernandes

15:05:09
Rosane, ex-Collor, a literata do agreste: me engana que eu gosto.

Resumo patético da opereta bufa:
Também mamei nas tetas da República. Agora, 20 anos depois, não podendo sobreviver com pensão ‘merreca’ de R$18.000, vou entregar as maracutaias daquilo. Mesmo que ele fique roxo.
Ps. É provável, até mais que provável, que o livro da nova concorrente de Sarney e Paulo Coelho faça “plim,plim.

18:06:23
Demóstenes Torres, o falso paladino da moral, vai continuar recebendo R$40Mil/mês do do nosso sofrido dinheirinho.

Nada vai acontecer a Demóstenes, que continuará ganhando quase R$ 40 mil mensais.
Não tem maior importância a decisão da Corregedoria-geral do Ministério Público do Estado de Goiás, que instaurou um procedimento disciplinar contra o procurador de Justiça Demóstenes Torres.
Em nota, a corregedoria afirma que o objetivo é “apurar eventual infringência de dever funcional”, com base nas informações divulgadas a partir da Operação Monte Carlo. Diz ainda que a apuração tem caráter sigiloso, e o órgão já solicitou documentos ao Senado Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Na quarta-feira, logo após a cassação de Demóstenes por quebra de decoro parlamentar no Senado, a corregedoria do MP-GO havia informado que aguardava o retorno do procurador às suas funções para “adotar as providências pertinentes para instauração de procedimento disciplinar para apuração de eventual falta funcional”.
A sala destinada a ele na 27ª Procuradoria de Justiça está pronta, com dois auxiliares à disposição. Mas nenhum processo foi distribuído para a procuradoria da qual Demóstenes é titular. O senador cassado retornou ao MP goiano na quinta-feira (12), mas pediu licença do cargo por cinco dias.

Mas nada vai acontecer a ele. Continuará atuando como procurador, ganhando R$ 24 mil por mês, além da aposentadoria precoce como senador, por ter cumprido mais de oito anos de mandato. Somando as duas fontes de renda, Demóstenes chega a quase R$ 40 mil. Nada mal.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa


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Chico Anysio e a TV Globo

Bozó - Personagem "Global" do imortal Chico Anysio

Fim da vida de Chico Anysio foi triste, ele morreu amargurado com os diretores da TV Globo

A gente ainda estava sob o impacto da morte de Chico Anysio, quando Millôr Fernandes também decidiu nos deixar, espalhando uma tristeza e um desânimo insuportáveis, em função da importância que eles tinham para praticamente todos nós.

Sobre Chico Anysio, nos últimos dias lemos muita coisa a respeito de sua vitoriosa carreira, sua genialidade exacerbada, seu extraordinário empenho para arranjar trabalho e sustentar outros comediantes e roteiristas, sua preocupação em ajudar os menos favorecidos, com um tipo de humor em que os ricos eram quase sempre ridicularizados, e por aí em diante.

Aqui no Blog chegaram a sair até comentários terríveis sobre ele, coisas que nem vale à pena mencionar.

É claro que Chico cometeu erros, ele era humano como todos nós, apenas isso, mas suas qualidades suplantavam folgadamente os defeitos, é preciso reconhecer e proclamar que ele não era apenas um artista genial, mas também um grande caráter.

O que não se falou com a clareza necessária é que Chico Anysio morreu muito amargurado. Teve um final de vida triste e infeliz. Estava absolutamente decepcionado com os dirigentes da TV Globo, que lhe pagavam um salário astronômico apenas para mantê-lo no elenco, sem aprovar nenhum programa sugerido por ele e impedindo-o de trabalhar em outra emissora, exatamente como ocorreu com outra artista extraordinária, Dercy Gonçalves, e muitos outros atores, diretores e roteiristas que fazem a diferença e podem roubar audiência da Globo, que os profissionais de TV chamam de “nave mãe”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O calvário de Chico Anysio na TV Globo começou quando o então diretor de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, decidiu acabar com o quadro que o comediante mantinha desde a estréia do Fantástico. Quando o programa foi ao ar pela primeira vez, em 5 de agosto de 1973, tinha como subtítulo “Um programa de Chico Anysio e Marília Pera”.

Evandro não sabia disso nem se interessava por isso. Seu maior defeito era a vaidade, e orgulhava-se de se portar de forma autoritária. A desculpa de Evandro para afastar o genial comediante, depois de mais de 30 anos de sucesso absoluto no programa do domingo, foi de uma frieza invulgar: “Isso não é humor para o Fantástico” – disse secamente, e essa justificativa atingiu Chico Anysio como uma chicotada.

Foi a partir daí que a TV Globo começou então a ter dois tipos de programas humorísticos – o velho humor de Chico Anysio e seus geniais contemporâneos, totalmente desprestigiados, e o novo humor dos comediantes da TV Pirata, Casseta e Planeta etc., todos considerados geniais.

Como se vê, foi uma discriminação absolutamente estúpida e negativa. Aliás, não é por coincidência que desde então a TV Globo vem perdendo audiência. Para ser mais preciso, já perdeu cerca de 35% da audiência “share” (percentual de aparelhos ligados) nos últimos 20 anos.

E não foi por falta de aviso. Desde essa época, Chico Anysio vivia insistindo que só existem dois tipos de humorismo – o que tem graça e o que não tem graça. E é verdade. Não existe novo humorismo e velho humorismo, e pensar o contrário é uma idiotice que chega a ser realmente inacreditável, especialmente no caso de um profissional experiente e capaz como Evandro Carlos de Andrade.

O mais incrível é que ninguém ouviu os sábios conselhos de Chico Anysio. Ele não foi levado em consideração nem pela TV Globo nem pelas emissoras concorrentes, que até hoje continuam a insistir em imitar a Vênus Platinada em tudo, até mesmo nos erros, que não poucos.

Se alguma emissora tivesse raciocinado sobre a procedência das sugestões de Chico Anysio, passando a investir pesado na vertente do humor, sem dúvida os índices de audiência da TV Globo teriam caído ainda mais, não há a menor dúvida. Mas ninguém se interessou em ouvir quem mais entendia do assunto.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa 

Big Brother Brasil: Boni pai contra Boni filho

Continua o blá, blá, blá contra, e sobre, um dos piores lixos exibidos pela televisão. A porcaria serve de munição para os “moralistas” clamarem por censura. Sou contra! Contra qualquer tipo de censura. Mesmo que seja para banir esse tipo de indigência mental.
Já a turma de stalinistas do PT se aproveita da porqueira pra voltar com o papo cínico do tal “controle social da mídia”. Argh!

Os melhores censores são a educação e o controle remoto.

Os iludidos tupiniquins não percebem que a celeuma foi criada para levantar, sem trocadilhos, por favor, o exaurido programa? Se o pornográfico voyerismo está no ar, é por que tem audiência.
Televisão é empreendimento capitalista e tem que dar lucro. Nenhum barão das comunicações está interessado em educação.
Deu lucro? Permanece no ar. Simples assim.

José Mesquita – Editor


Veja, com entrevista de Boni (pai), abala Boninho e BBB na Globo
O título, creio, é uma síntese do episódio impactante, na forma e no conteúdo, envolvendo o capítulo de domingo passado na edição do Big Brother Brasil levado ao ar no canal pago da Globo e que invadiu as telas da Internet e as primeiras páginas dos jornais de segunda-feira 17 de Janeiro.

Reportagem de Alessandra Medina, Marcelo Marthe e Leslie Leitão, revista Veja que circulou sábado, 22, e se encontra nas bancas, expõe claramente o avesso e os bastidores da sequência entre Daniel e Monique, e inclui uma entrevista com José Bonifácio Sobrinho, ex-diretor geral da Rede Globo, sobre o programa dirigido por seu filho.

“Aquilo, disse Boni, é TV de baixa qualidade”. Acho lógico prever o reflexo da matéria. Abalo atingindo o BBB e, principalmente, seu diretor. Difícil resistir aos fatos.Os repórteres de Veja penetraram nos bastidores do programa, ou foram levados a eles por guias qualificados da própria emissora. Relatam eles que, no momento em que os responsáveis pelo monitoramento do programa identificaram movimentos do casal sob o edredon felino, e felliniano, avisaram Boninho. O diálogo é transcrito entre aspas. Deixa seguir adiante, determinou o diretor, para ver o que vai dar. E assim, claro, foi feito. Nem poderia ser o contrário, por parte de subordinados que, evidentemente, não seriam loucos ao ponto de não respeitar a ordem de cima.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Na Rede Globo não tem conversa não. Se cumprem as ordens.Vejam só, por exemplo, que há alguns anos aconteceu com o repórter e apresentador esportivo Fernando Vanuchi. Num instante inusitado, entrou em cena comendo um biscoito. Demitido imediatamente, junto com o responsável pela edição que estava indo ao ar.

Logo, o diretor do Big Brother sabia muito bem o que se passava. Tanto ele quanto o apresentador Pedro Bial, também focalizado pelos repórteres da Veja. No outro lado das câmeras indiscretas, um espectador como outro qualquer, Boni, pai, condenava o que estava assistindo.

Dias depois afirmaria à Veja que não tem cabimento oferecer-se bebidas alcoólicas à vontade num recinto como o do BBB. Além do mais, para 16 participantes, oferecia-se somente 9 camas. Uma indução nítida para ser transportada a fronteira para o sexo.

O que você faria numa situação como a de domingo? – perguntaram os entrevistadores.Bonifácio Sobrinho respondeu: Cortava o álcool de todo mundo. Por motivos muito mais inocentes, já tirei do ar a Dercy Gonçalves, o Homem do Sapato Branco e até o Chacrinha, acentuou, lembrando seu tempo de diretor geral da Vênus Platinada.

A respeito da concepção do BBB, foi taxativo: Nunca investiria em um programa que escolhe pessoas esquisitas a dedo só para embriagá-las e depois vê-las em situações constrangedoras. Não falo por moralismo. O que me incomoda é televisão de baixa qualidade, de baixo nível – acrescentou.

O ex-diretor da Globo colocou, a meu ver, a questão essencial. O Big Brother, aliás modelo importado, no fundo é uma ratoeira. Oferece prêmio elevado em dinheiro e pode se tornar um rumo para o sucesso, como aconteceu em alguns casos. Na ratoeira, título aliás de uma peça de teatro, as pessoas tentam devorar-se umas às outras para chegarem ao final, ao prêmio, a um novo horizonte em suas vidas.Os esteriótipos se repetem.

Mas sempre haverá muitos homens e muitas mulheres motivados e impulsionados na busca do êxito, da notoriedade. Sem dúvida. É natural. O que não se pode considerar natural é a forma de se incentivar os personagens que surgem das sombras para se tornarem protagonistas insensatos de cenas que visam a audiência e maior faturamento publicitário.Faturamento do qual eles não participam.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa