Coronavírus pode causar tragédia nos campos de refugiados na Grécia

Enquanto médicos alertam para risco de tragédia se vírus se espalhar pelos campos de refugiados, Atenas parece usar situação para impor sua linha política. Há cerca de 100 mil requerentes de refúgio no país, diz governo.

Voluntários da ONG Team Humanity distribuem máscaras no superlotado campo de refugiados de Moria

A situação está de novo calma em Kastanies, um pequeno vilarejo grego perto da fronteira com a Turquia. Antes da epidemia de corona, Kastanies estava no centro dos acontecimentos na Europa.

Depois de a Turquia abrir a fronteira para a União Europeia (UE), no fim de fevereiro, milhares de refugiados se concentraram atrás da cerca na fronteira em Kastanies. Eles queriam ingressar em território europeu.

Agora reina a calma no local. “Eles queimaram as barracas”, diz o subprefeito Stavros Tzamalidis. “Não sabemos por que eles retiraram os imigrantes de uma hora para a outra. Talvez por causa do coronavírus, ou porque [o presidente Recep Tayyip] Erdogan se cansou e queria mudar de situação.”

Kastanies é um local calmo. Visitantes vindos da Turquia atravessam a fronteira por algumas horas para comer e beber bebidas alcoólicas, que ficaram caras do lado turco sob o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Para Tzamalidis, a relação entre os dois países está em crise. “É difícil voltar ao cotidiano depois de acontecimentos tão dramáticos. Mas é claro que os nossos amigos do outro lado continuam sendo nossos amigos. Nosso problema não é com as pessoas.”

Parece haver motivos para os gregos desconfiarem dessa repentina chegada em massa de refugiados na fronteira. A imprensa alemã publicou que o serviço secreto BND acredita que a ação foi organizada pelo governo em Ancara. Os ônibus que levaram os refugiados de volta foram os mesmos que os trouxeram até a cidade de Edirne, no lado turco da fronteira. Um pouco mais ao norte, na fronteira com a Bulgária, nada aconteceu.

Erdogan teria escolhido a Grécia de propósito, por esperar contar com um fortalecimento do fervor nacionalista grego que acirrasse ainda mais uma situação que já é crítica nas ilhas gregas.

O plano era evidenciar o fracasso da política comum para refugiados da União Europeia e assim chantageá-la, com o objetivo de envolver a Otan no conflito sírio, ao lado da Turquia.

A imprensa mundial foi o palco escolhido por Erdogan para a sua manobra. As tensões aumentaram entre os exércitos grego e turco. E aí veio a crise do coronavírus, que passou a dominar todas as atenções, inclusive da imprensa internacional, e a estratégia de Erdogan foi por água abaixo.

O vírus, por assim dizer, acabou com as tensões na fronteira entre a Turquia e a Grécia – ao menos por enquanto.

A Turquia tem, oficialmente, cerca de 4 milhões de refugiados. Extraoficialmente são muito mais.

Na Grécia, segundo números do governo, há cerca de 100 mil requerentes de refúgio, dos quais 41 mil nas ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Ledos e Kos.

Uma delas é Somaya, de 20 anos, natural do Afeganistão. Ele vive no campo de Moria, num alojamento resistente às intempéries. Poucos recebem esse triste luxo.

Campo de refugiados de Moria: muitos dos que vivem no local estão com medo do coronavírus

Ao redor do campo surgiu uma cidade de lona, apelidada de “selva”, onde a grande maioria dos cerca de 21 mil refugiados da ilha de Lesbos mora em barracos de lona e papelão. “Está fazendo muito frio. A vida é dura. E choveu muito”, resume Somaya.

Muitas pessoas estão com medo do coronavírus, diz ela. “Quase não temos água, e os refugiados aqui não sabem o que está acontecendo. Podemos nos infectar? Eu me preocupo.”

Somaya resolveu fazer algo e apoia, como voluntária, a organização humanitária dinamarquesa Team Humanity. Ela ajuda a distribuir comida e roupas. Mas, no momento, o foco está no combate ao novo coronavírus. Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados, além de sabão e folhetos informativos.

Há duas semanas, o governo em Atenas distribuiu um catálogo de 12 pontos sobre o comportamento nos campos de refugiados em tempos de coronavírus. Visitas ou atividades dentro do campo foram suspensas. Os moradores devem se locomover dentro do campo apenas quando realmente necessário. Saídas para compras devem ser feitas apensações por um membro da família, que é levado para os mercados num ônibus da polícia. Um toque de recolher passa a valer depois das 19h.

Novas proibições impedem os refugiados de sacarem dinheiro em caixas automáticos nos vilarejos das proximidades. O governo anunciou que vai instalar caixas automáticos dentro do campo, mas não deixou claro quando.

O quinto ponto do catálogo pede às pessoas para que se atenham às regras de higiene. O médico Apostolos Veizeis, da ONG Médicos sem Fronteiras, pergunta-se como. “Está tudo lotado. A situação é ideal para a propagação da covid-19. O lixo não é mais recolhido há meses. Mais de 1.300 pessoas dividem uma torneira. Muitas pessoas nem mesmo têm acesso à água, energia elétrica e banheiros e fazem suas necessidades ao ar livre.”

Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados de Lesbos, além de sabão.

O governo grego silencia perante as críticas. Questionamentos feitos pela DW sobre como as medidas serão implementadas nos campos, se há planos concretos de evacuação e se as pessoas estão sendo testadas para o novo coronavírus não foram respondidos.

Veizeis diz que as medidas contra o coronavírus nos campos de refugiados são hipocrisia. Elas visam sobretudo a proteção da população local e discriminam os refugiados, que são entregues à própria sorte. Em toda a ilha de Lesbos há apenas cinco leitos de UTI, e em Samos, apenas dois. Três médicos do Ministério da Saúde precisam atender 20 mil pessoas em Moria e quase não dispõem de medicamentos e material.

O médico acredita que o governo grego usa o vírus para impor a própria linha política. “Eles dizem que é hora de ser cuidadoso, e que o mais seguro é manter os refugiados em campos fechados, um conceito que eles já tentavam impor.” Organizações de direitos humanos, a União Europeia e até a população local criticavam duramente o governo em Atenas por causa dos campos de refugiados fechados.

Veizeis faz um alerta. “Se o vírus se espalhar pelos campos de refugiados, estaremos diante de uma tragédia.” Nesta quinta-feira (02/04), o governo em Atenas comunicou que ao menos 21 pessoas foram infectadas no campo de Ritsona, nas proximidades da capital grega. O campo, onde vivem cerca de 2.200 refugiados, foi posto sob quarentena.

Correspondente da Guerra da Rússia lança luz sobre a guerra de drones da Turquia em Idlib

A situação na província rebelde de Idlib, na Síria, se transformou em uma guerra de tiros ativa entre tropas sírias e turcas na semana passada, depois que um ataque do exército sírio contra terroristas de Nusra * matou quase três dezenas de militares turcos misturados entre os jihadistas. A greve levou Ancara a iniciar uma grande operação na região.

Os drones turcos no noroeste da Síria estão mirando em tudo o que se move, se houver suspeita de estar relacionada com o exército sírio, informou Evgeny Poddubny, correspondente do Rossiya 1 baseado em Idlib.

“Assim que os zangões de ataque turcos apareceram no céu de Idlib, a natureza dos combates mudou dramaticamente”, disse o correspondente em uma transmissão ao vivo no domingo.
Segundo Poddubny, todas as perdas sofridas pelo exército sírio nos últimos dias estavam nas mãos dos drones turcos.

A agência de notícias turca Anadolu divulgou um vídeo mostrando os ataques de Ancara às posições do governo sírio em Idlib.

A Turquia não poupou despesas com os ataques, que não são baratos, atingindo colunas de suprimentos, atingindo alvos únicos – carros, picapes, veículos blindados e até motociclistas. Foi o que disseram as tropas sírias na linha de frente ”, disse Poddubny. Enquanto isso, as forças sírias estão fazendo o possível para manter-se firmes, apesar da diferença de 30 anos em tecnologia, que derrubou até seis drones turcos no domingo.
O jornalista enfatizou que, se o espaço aéreo sobre Idlib não for liberado dos drones turcos em breve, o Exército Sírio terá dificuldade em manter os recentes ganhos que obteve contra os terroristas que operam na província.

Os drones turcos usados na Síria incluem a família de drones TAI Anka, que tem uma carga útil de armas de até 200 kg, bem como o Bayraktar TB2, um UAV de longa duração armado com mísseis anti-tanque.

Base da Força Aérea da Síria em Homs
Direito de imagek © SPUTNIK / ILYA PITALEV

A Turquia lançou uma ofensiva chamada “Operação Spring Shield” na quinta-feira, logo após a morte de pelo menos 33 tropas turcas em um ataque do Exército Sírio a posições terroristas. Os militares russos indicaram que essas forças estavam operando entre os terroristas de Nusra na região, contra os quais as forças sírias estão fazendo uma ofensiva.

A Síria iniciou uma operação militar em Idlib no final do ano passado, após repetidos ataques de Nusra e outros terroristas a seus militares. No início de fevereiro, um ataque de artilharia síria matou mais de meia dúzia de tropas turcas. A Rússia tentou mediar a crise, com a expectativa de que os presidentes Putin e Erdogan se encontrem em Moscou em 5 de março para discutir a situação na província.

* Um grupo terrorista baniu a Rússia e muitos outros países.

Arquitetura – Residências – Capadócia

Anatolia – Capadocia

A topografia fantástica é acompanhada pela história humana aqui. Há muito que as pessoas utilizam as pedras macias da região, buscando abrigo no subsolo e deixando o campo repleto de uma fascinante arquitetura de caverna.

Se você está seduzido pela história são estes os panoramas da paisagem lunar que você lembrará.

Os vales acidentados da região, sombreados em uma paleta de laranja e creme escuros, são uma epifania de uma paisagem – o material de devaneios psicodélicos.

Crianças sírias ‘são exploradas em fábricas de grifes europeias na Turquia’, revela investigação da BBC

Refugiados sírios, incluindo crianças, estão sendo explorados em fábricas na Turquia que produzem roupas para marcas conhecidas, revelou uma investigação da BBC.

Etiquetas da Marks and Spencer
Etiquetas da Marks and Spencer foram encontradas em uma fábrica na Turquia

Os refugiados trabalham mais de doze horas por dia e ganham menos que os demais funcionários das fábricas, de acordo com revelações feitas pelo programa Panorama.

Foram encontrados refugiados menores de idade trabalhando em fábricas que produzem roupas vendidas nas lojas da britânica Marks and Spencer e da varejista online Asos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Refugiados adultos também foram encontrados pela produção do Panorama trabalhando ilegalmente na confecção de peças de jeans para a Zara e Mango.

A reportagem conversou com dezenas de trabalhadores sírios empregados de forma ilegal na indústria têxtil.

Todas as marcas negam responsabilidade e afirmam que monitoram cuidadosamente suas cadeias de produção. Elas dizem não ter informação sobre exploração de refugiados ou menores de idade.

Muitas roupas vendidas no Reino Unido são produzidas na Turquia devido à proximidade da Europa. A curta distância permite às marcas atender a pedidos de última hora e efetuar entregas com maior rapidez.

Segundo dados da ONU, há mais de 4,8 milhões de sírios fugindo da guerra e a Turquia acolhe 2,7 milhões deles – é o país que mais os recebe no mundo.

A maioria dos recém chegados não tem permissão de trabalho.

Investigação

Para investigar as denúncias de exploração, a reportagem da BBC utilizou câmeras escondidas.

Meninos sírios em uma fábrica na Turquia
Dezenas de menores de idade foram encontrados pela BBC em fábrica em Istambul

Foram encontrados quatro sírios menores de idade trabalhando em uma oficina têxtil que produz roupas para a loja britânica Marks and Spencer e para a cadeia Asos.

Em entrevista, os refugiados disseram ganhar um pouco mais de uma libra (R$ 3,82) por hora, um valor muito abaixo do salário mínimo na Turquia. Um intermediário realiza os pagamentos na rua, na clandestinidade.

Além disso, um dos refugiados relatou situações de maus tratos nessas fábricas. “As máquinas têm todos os direitos: se uma for quebrada, eles a consertam imediatamente. Se algo acontecer com um sírio, se desfazem dele como um pedaço de pano”, disse.

O mais jovem trabalhador em uma das fábricas visitadas que produz roupas para a Marks and Spencer tinha 15 anos e trabalhava 15 horas por dia engomando roupas que depois seriam enviadas ao Reino Unido.

“Eles falam de seus salários irrisórios e condições terríveis de trabalho. Sabem que estão sendo explorados, mas também sabem que não podem fazer nada a respeito”, disse o repórter do Panorama, Darragh MacIntyre.

‘Inaceitáveis’

Questionada pela BBC, a empresa Marks and Spencer – uma das mais importantes redes de varejo do Reino Unido – disse que não encontrou sequer um refugiado sírio em sua cadeia de produção durante as inspeções.

Etiqueta da Asos em roupa
A marca Asos negou ter responsabilidade pela exploração de refugiados sírios na Turquia

Um porta-voz da companhia afirmou que as revelações do Panorama são “extremamente sérias e inaceitáveis”.

A empresa insiste que emprega legalmente qualquer sírio que trabalhe em suas fábricas.

“Todos os nossos fornecedores estão contratualmente obrigados a seguir nossos princípios globais de abastecimento. Isto inclui o que esperamos e exigimos deles em termos de respeito aos trabalhadores”, disse o porta-voz.

Mas os funcionários sírios que trabalham na oficina que produz roupas para a marca afirmaram que as auditorias realizadas para checar o padrão de produção não funcionam porque os refugiados são escondidos antes da chegada dos investigadores. Somente na fábrica onde trabalham, eles já foram escondidos três vezes das 10h às 18h.

Já a Asos reconheceu que uma oficina visitada pelo Panorama em Istambul produz roupas para sua marca, mas não é “aprovada” pelo grupo. Na oficina – que produz e entrega roupas a uma das principais fabricantes da marca em Istambul, Hazar, através de subcontratos – as imagens mostraram uma criança de 10 anos de idade trabalhando.

Desde então, a companhia inspecionou as oficinas e encontrou 11 adultos e três menores sírios. A Asos disse que os menores encontrados receberam apoio financeiro para ir à escola e os adultos um salário até que encontrem um trabalho legal.

Um porta-voz da companhia disse ao Panorama que iniciou programas de recuperação “apesar de que o que acontecia na fábrica (onde foram encontrados os sírios) não tem nada a ver com a Asos”.

Zara e Mango

Homens produzindo jeans
Refugiados sírios também trabalham na produção de jeans para as lojas Mango e Zara

O programa da BBC também encontrou refugiados sírios que trabalham 12 horas por dia em uma fábrica de calças jeans para Mango e Zara. Os refugiados manuseavam produtos químicos para tingir as calças sem usar máscara.

A companhia Mango disse que a fábrica fazia subcontratos sem seu conhecimento e que em uma inspeção após o programa não encontrou trabalhadores sírios.

Mango disse que seus funcionários estão “em boas condições com exceção de algumas medidas de segurança pessoal”.

A empresa matriz da Zara, Inditex, disse à BBC que suas inspeções nas fábricas são “uma forma muito eficaz de seguir e melhorar as condições laborais” e que já havia sido informada sobre descumprimento de regras da oficina inspecionada pela BBC em junho, mas deu a ela um prazo até dezembro para a melhoria de condições de trabalho.

Exterior de uma fábrica em Estambul
A BBC usou uma câmera escondida para encontrar sírios explorados em fábricas de roupa na Turquia

Esta não é a primeira vez em que a Zara está envolvida em um caso de exploração de funcionários.

No Brasil, a empresa foi implicada em 2011 em um flagrante envolvendo 15 funcionários bolivianos e peruanos trabalhando em condições degradantes em uma oficina terceirizada em São Paulo e firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se comprometendo a empreender medidas para combater o problema.

Contudo, segundo uma auditoria do Ministério do Trabalho em maio de 2015, a Zara Brasil descumpriu o acordo firmado – em fiscalização a fornecedores, foram verificados problemas como excesso de jornada de trabalho, atraso nos pagamentos e exclusão de imigrantes da linha de produção, o que levou o órgão a autuar a empresa com uma multa total de R$ 838 mil.

À época, a empresa negou o descumprimento e recorreu dos autos.

O Ministério Público do Trabalho analisa desde então o relatório dos fiscais – a apresentação dos resultados está prevista para novembro, quando também deve ser atualizado o valor da multa que a companhia pode ter de pagar.

Em nota enviada à redação, a Zara nega que tenha cometido qualquer violação das regras e que tenha em qualquer momento utilizado trabalho infantil na confecção de suas peças. A empresa acrescenta que está em tratativas com o Ministério Público do Trabalho para demonstrar que não descumpriu o TAC assinado em 2011.

Área de fábricas em Istambul
Cerca de 2,7 milhões de sírios chegaram à Turquia ao fugir da guerra

Para Danielle McMullan, do Centro de Direitos Humanos e Negócios de Londres, uma organização que investiga casos de exploração trabalhista em mais de 6 mil companhias no mundo, as marcas não entendem que têm responsabilidades.

“Não é o bastante dizer que não sabem nada a respeito e negar as irregularidades. Eles têm a responsabilidade de supervisionar onde suas roupas são feitas e em quais condições”, afirma McMullan.

Turquia e Alemanha:Por que Erdogan tem tanto apoio na comunidade turca na Alemanha?

Presidente vem de família simples e religiosa, como a geração dos primeiros imigrantes turcos que foram trabalhar na Alemanha. É, além disso, o homem que levou certa segurança ao instável país que eles deixaram.

Manifestação a favor de Erdogan em Colônia

Manifestação a favor de Erdogan em Colônia

“Frequentemente critico Erdogan de forma muito clara, mas não esqueço das melhorias que ele trouxe para a Turquia desde 2002, após a sua eleição como presidente”, diz a cientista política turca Talat Kamran.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Muitos membros da comunidade de origem turca se sentem como Kamran, que nasceu na Turquia em 1959 e cresceu na Alemanha. Para eles, Erdogan é o homem que limitou o poder dos militares na Turquia, que trouxe o crescimento econômico, impulsionou fortemente urbanização e modernização.Por isso, querem que ele continue no poder.

Desde 1996, Kamran dirige o Instituto de Mannheim para Integração e Diálogo Interreligioso, trabalhando para alcançar um melhor entendimento entre muçulmanos e cristãos, entre alemães e turcos. Ele critica a forte personalização atual e pede mais serenidade.

“A visão crítica alemã sobre Erdogan não é errada, mas ela não leva as perspectivas turcas em consideração”, critica, acrescentando que muitos, especialmente os jovens turcos, não só querem fortalecer o presidente enquanto personalidade, mas também dar um exemplo para a democratização.

“É claro que o processo de democratização na Turquia ainda não está concluído, mas as pessoas querem ir mais longe e veem em Erdogan uma figura forte. Porque o povo teme uma guerra civil como no Iraque ou na Síria”, completa.

Pessoas simples do campo

Kamran também lembra da história turca desde o golpe de Estado de 1980. Cada vez mais pessoas das regiões mais pobres da Anatólia se mudam para as cidades grandes e se tornam um contrapeso claro para a elite urbana.

“Muitos turcos alemães têm suas raízes na Anatólia. Eles consideram Erdogan como um deles”, diz Kamran.

Erdogan realmente vem de uma família simples, religiosa, como a geração dos primeiros imigrantes turcos que vieram trabalhar na Alemanha.

Para Bülent Bilgi, secretário-geral da União Democrata Turco-Europeia (UETD), a irritação de muitos turcos com a cobertura da mídia alemã explica porque a agora as segunda e terceira gerações de turcos na Alemanha fazem campanha de apoio a Erdogan. Eles se concentraram mais no golpe e na perspectiva de um Erdogan enfraquecido do que em comemorar a suposta vitória da democracia sobre o golpe.

Ato de apoio ao presidente turcoAto de apoio ao presidente turco: muitos consideram Erdogan como um deles

Orgulho nacional

Generation Erdogan (geração Erdogan, em tradução livre) é o título do livro escrito pela jornalista Cigdem Akyol, segundo o qual Erdogan tem, sobretudo, o apoio dos muçulmanos sunitas, que constituem a maioria conservadora da sociedade.

Quando na mídia alemã as pessoas se perguntam como é possível que alguém possa achar bom quem ameaça adversários e restringe liberdade de imprensa, Cigdem Akyol pede que os alemães deixem de ver o problema só a partir de seu próprio prisma. Depois de quatro golpes militares, a Turquia experimenta uma longa ´.

“As pessoas são gratas a Erdogan por causa disso”, observa a autora. Antes secularistas também olhavam com desdém para mulheres portadoras de véu islâmico que limpavam os banheiros das elites.Sob Erdogan, isso mudou significativamente. Até mesmo a mulher de Erdogan veste véu islâmico.

“Erdogan deu aos turcos novamente orgulho nacional, isso também agrada muitos dos 1,5 milhões de turcos alemães”, explica Akyol.

Perspectiva turca

Ludwig Schulz, especialista em Turquia do Instituto Alemão do Oriente, em Berlim, confirma que muitos turcos alemães veem o fracasso do golpe sobretudo como um sucesso da sociedade turca e da democracia.

Schulz atribui o orgulho nacional e o apoio a Erdogan também ao fato de que muitos cidadãos de origem turca se informam majoritariamente através da mídia turca pró-governo.

Em todas as conversas com especialistas em Turquia, sempre é lembrado que nem todos os turcos alemães são adeptos de Erdogan. Roy Karadag, cientista político da Universidade de Bremen, por exemplo, disse em entrevista ao jornal Die Welt que “entre turcos alemães, existem cada vez mais conflitos sobre quem realmente pode falar, agir e mobilizar em nome deles”.

O UETD quis mostrar, através da grande manifestação realizada em Colônia no fim de semana, que a maioria dos turcos alemães está do lado de Erdogan. As discussões continuam e são agravadas pelo aumento das tensões no relacionamento turco-alemão. O presidente nacional da Comunidade Turca na Alemanha, Gökay Soufuoglu, disse à revista Focus: “Há um racha na comunidade. Amizades são desfeitas, e há problemas mesmo dentro das famílias.”
DW

Israel, Gaza e o Hamas

Esses Judeus Problemáticos

O mundo está indignado com o bloqueio de Gaza por Israel. A Turquia denuncia a sua ilegalidade, a desumanidade, a barbárie, etc. Os suspeitos de praxe que participam da ONU o Terceiro Mundo e a Europa se juntam. A administração Obama treme.

Mas como escreve Leslie Gelb, que é o ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, o bloqueio não é apenas perfeitamente racional, mas é perfeitamente legal.

Gaza está sob o domínio do Hamas que é inimigo autodeclarado de Israel – e esta autodeclaração é acompanhada por mais de 4.000 foguetes disparados contra civis que moram em território israelense.

Muito embora se comprometendo e se empenhando numa incessante beligerância, o Hamas reivindica ser a vítima, mesmo quando Israel impõe um bloqueio para impedir que esse mesmo Hamas se arme ainda com mais foguetes.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Na II Guerra Mundial, com uma legalidade internacional completa, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio para a Alemanha e o Japão. E em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis, os EUA colocaram em prática o bloqueio (“quarentena”) de Cuba.

Navios russos com armas que seriam entregues para Cuba voltaram porque os soviéticos sabiam que a marinha americana os abordaria ou iria afundá-los. No entanto, Israel é acusado de ser um criminoso internacional por fazer exatamente o que John Kennedy fez: por em prática um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil adquira armamentos letais.

Oh, mas os navios que iam para Gaza não estavam numa missão de ajuda humanitária? Não. Caso contrário, teriam aceitado a oferta de Israel para que levassem o que transportavam para um porto israelense para inspeção relativa a materiais militares e o restante transportado por Israel para Gaza – pois todas e a cada semana 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados por Israel para Gaza.

Então porque essa oferta foi recusada? Porque, como a própria organizadora Greta Berlin admitiu o objetivo da flotilha não era o socorro humanitário, mas sim a quebra do bloqueio, ou seja, o término das inspeções por Israel, o que na prática significaria a navegação ilimitada para Gaza e, portanto, o fornecimento ilimitado de armamentos para o Hamas.

Israel já interceptou por duas vezes navios pesadamente carregados de armas iranianas destinadas ao Hezbollah e para Gaza. Que país permitiria isso? Mas ainda mais importante, por que Israel ainda tem que utilizar o bloqueio? Porque, o bloqueio é uma forma de defesa no mesmo momento que o mundo deslegitima o direito de Israel de se defender – de forma antecipada e pró- ativa.

(1) Defesa antecipada: Por ser um pequeno país densamente povoado cercado por países hostis, Israel durante mais da metade de um século adotou este tipo de defesa – lutando as guerras em território inimigo (como no Sinai e Colinas de Golã), e não no seu próprio território. Sempre que possível (o Sinai, como um bom exemplo), Israel trocou territórios por paz. Mas quando as ofertas de paz foram recusadas, Israel manteve espaços como zonas tampão de proteção. Assim, Israel manteve uma pequena faixa do sul do Líbano para a proteção das cidades do norte de Israel.

E sofreu muitas perdas na Faixa de Gaza para que as cidades fronteiriças israelenses não fossem expostas aos ataques terroristas palestinos. E, pelos mesmos motivos que a América trava uma árdua guerra no Afeganistão: Você luta com eles lá, então você não terá que lutar com eles aqui. Mas, sob uma pressão externa esmagadora, Israel está desistindo. Aos israelenses foi dito que as ocupações não eram somente ilegais, mas eram a causa das revoltas anti-Israel e, portanto, a retirada, que seria o motivo, traria a paz.

Terra por paz. Lembram-se? Bem, durante a última década, Israel entregou terras – evacuou o sul do Líbano em 2000 e deixou Gaza em 2005. O que conseguiu ? A intensificação da beligerância, a intensa militarização do lado inimigo, muitos sequestros, ataques que atravessam as fronteiras e, lançados de Gaza, anos de implacáveis ataques de foguetes.

(2) Defesa pró-ativa: Israel, então teve que mudar para uma defesa ativa – ações militares para impedir, desmantelar e derrotar (emprestando a descrição do presidente Obama para a campanha dos EUA contra os Talibãs e a al-Qaeda) contra os mini-estados terroristas e pesadamente armados localizados no sul do Líbano e em Gaza depois que Israel se retirou.

Quais foram os resultados? A guerra do Líbano em 2006 e ataques lançados de Gaza entre 2008 a 2009. E mais uma avalanche de calúnias pela mesma comunidade internacional que havia exigido as retiradas israelenses com o propósito de terras x paz. E o pior, o relatório Goldstone da ONU, que basicamente criminalizou a operação defensiva de Israel na Faixa de Gaza, enquanto encobriu o ‘casus belli’ – os pesados ataques com foguetes pelo Hamas que precederam a operação – e que efetivamente deslegitimou qualquer defesa pró-ativa por parte de Israel contra os seus autodeclarados inimigos que utilizam o terror.

(3). Defesa passiva: Sem a defesa antecipada ou defesa pró-ativa para Israel somente é permitida a forma mais passiva e benigna de todas as defesas – um bloqueio para simplesmente impedir o rearmamento do inimigo. No entanto, nesse exato momento que falamos também está sendo deslegitimado pelas organizações internacionais. Mesmo os Estados Unidos agora está tendendo para que o mesmo seja abolido.

Mas, se nenhum destes pontos são permitidos, o que resta?

Ah, mas esse é o ponto. É o ponto que a flotilha rompe-bloqueio com inocentes úteis e simpatizantes do terror, pela organização testa-de-ferro turca que a financiou, pelo coro automático anti-Israel do Terceiro Mundo nas Nações Unidas e pelos preguiçosos europeus que não mais querem saber do problema judaico.

O que mais resta? Nada. O ponto central desta campanha implacável internacional é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa. Por que, na semana passada, a administração Obama se juntou aos chacais, e inverteu uma prática de quatro décadas seguida pelos EUA, assinando um documento de consenso que coloca o foco em Israel por possuir armas nucleares? – e assim deslegitimar a última linha defesa de Israel: a dissuasão.

É, parece que o mundo está cansado desses judeus incômodos, 6 milhões – esse número mais uma vez – ao lado do Mediterrâneo, a cada convite se recusando ao suicídio nacional. E por isso são incansavelmente demonizados, restritos a guetos e impossibilitados de se defenderem, até mesmo quando os mais empenhados anti-sionistas – o Irã, em particular – abertamente prepara uma solução mais definitiva.

Por: Charles Krauthammer/The Washington Post/O Globo