Filipe Martins e a rede de mentiras agonizam: um tuiteiro nocauteou a grana de sites de fake news

Uma reportagem do El País revelou como um perfil no Twitter virou a grande pedra no sapato da extrema direita americana. Com o nome de Sleeping Giants, o perfil criado em 2016 expôs ao escracho público as marcas que anunciavam em sites de fake news.

Filipi Martins e Steve Bannon – Reprodução: Twitter/Filipe G. Martins

O perfil informava ao público os nomes das empresas e compartilhava as capturas de tela dos anúncios nas suas redes oficiais. A tática foi um sucesso, e as empresas se viram obrigadas a anunciar publicamente o bloqueio dos anúncios.

O Breitbart News é um site de extrema direita famoso por inventar histórias contra adversários de Trump. Durante a eleição presidencial, o site publicou a história de que a então candidata Hillary Clinton comandava uma rede de pedofilia e promovia orgias sexuais com crianças no porão de uma pizzaria. Após a ação do Sleeping Giants, o site viu ir embora mais de 4,5 mil anunciantes — um golpe que significou uma perda de mais de 8 milhões de euros. Steve Bannon, o guru da extrema direita internacional, era o proprietário do site e, à época, chamou o Sleeping Giants de “a pior coisa que há”. Como se sabe, Bannon é o homem por trás da engenharia de desinformação dos extremistas de direita no mundo inteiro. As mentiras que ajudaram a eleger Trump foram uma inspiração para o surgimento das mamadeiras de piroca que ajudaram a eleger Bolsonaro.

Um estudante que desenvolve pesquisas sobre fake news leu essa reportagem do El País e decidiu criar a versão brasileira do Sleeping Giants. Em apenas quatro dias, o perfil ultrapassou a marca de 200 mil seguidores e virou um movimento coletivo contra a propagação de mentiras. Para se ter uma ideia do sucesso brasileiro, o perfil americano juntou 270 mil seguidores em quatro anos. As marcas passaram a ser cobradas e quase todas empresas anunciaram o fim dos anúncios em sites que disseminam mentiras. O sucesso da tática enfureceu as hostes bolsonaristas, que imediatamente partiram para o contra-ataque.

Um dos que lideraram a manada foi Filipe Martins, esse projeto sorocabano de Steve Bannon. Ele é o bolsonarista mais próximo do americano e foi o responsável por aplicar o seu know-how de mentiras no Brasil. O jovem de 31 anos é, junto de Carlos Bolsonaro, um dos arquitetos por trás do “gabinete do ódio”, conhecido oficialmente como Assessoria Especial da Presidência. Nomeado por indicação de Olavo de Carvalho, Martins também é o responsável por fazer o meio de campo entre o governo e as milícias virtuais bolsonaristas: youtubers, blogueiros e sites de notícias falsas. É ele quem organiza o ódio bolsonarista e municia a militância com conteúdo.

O assessor especial provocou o criador do Sleeping Giants americano, Matt Rivitz, que causou aquele prejuízo milionário ao seu guru americano. É que no fantástico mundo olavista de Martins parece óbvio que há “forças globalistas” por trás da versão brasileira. O aprendiz de Steve Bannon chamou de “censura” e “prática totalitária” uma ação feita por livre iniciativa das pessoas que protestaram e das empresas privadas que optaram por retirar os anúncios. Onde está a turma do ultraliberalismo sem freio nessas horas? Cadê seu deus livre mercado agora?

O Sleeping Giants brasileiro começou focando nos anunciantes do site Jornal da Cidade Online, que já foi alvo de processos por publicação de mentiras e está sendo investigado pela CPMI das Fake News. O relatório da comissão afirma que há “indícios da prática de condutas ilegais de José Pinheiro Tolentino Filho por meio de seu projeto de comunicação Jornal da Cidade Online”. O site já teve que pagar 150 mil em indenização para o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, pela publicação de uma mentira sobre ele. Não é uma coincidência o fato dessa mentira ter sido publicada justamente na época em que Santa Cruz protagonizou um bate-boca público com Bolsonaro.

Assim como a maioria de sites e blogs ligados ao bolsonarismo, o Jornal da Cidade Online consegue faturar com anúncios através do Adsense, um serviço da Google que os distribui automaticamente para sites assinantes. Nesse formato, as empresas não escolhem para quais sites irão seus anúncios. É o algoritmo do Google que os distribui nos sites. Ao serem expostas como patrocinadoras de sites que publicam mentiras, as grandes marcas imediatamente se posicionaram.

Sleeping Giants Brasil
Oii @DellnoBrasil, tudo bem? Realmente seus notebooks são incríveis, só não acho legal divulga-los em site famoso por espalhar Fake News e atacar constantemente a democracia. Pls considere bloquear✊🏽#SleepingGiantsBrasil@DellnoBrasil
Assim que recebemos essa informação, solicitamos a retirada dos anúncios automáticos. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas.

Oii @ClaroBrasil, tudo bem? Realmente é muito mega hein mas não acho legal encontrar esse anúncio em uma postagem que chama o @felipeneto de “imbecil,lixo, ícone da canalhice e verme”. Por isso pedimos: PLS BLOQUEIE!✊🏽 #SleepingGiantsBrasil

@ClaroBrasil
Olá! Nós não compactuamos com a disseminação de notícias falsas, temos o compromisso ético com a transparência da informação. Por isso, todos os nossos anúncios automáticos estão passando por monitoramento, em conjunto com as plataformas parceiras, que distribuem tais conteúdos.

Oii @iFood, tudo bem? Realmente o app quebra um galho na hora de pedir um @McDonalds_BR quando bate aquela fominha, mas acreditamos que eles não gostariam de saber que seu lanche está ajudando a financiar um site divulgador de Fake News! ✊🏽 #SleepingGiantsBrasil

@McDonalds_BR
Nosso time já retirou do ar nossa mídia vinculada a esse site e a qualquer outro que compactue com notícias falsas. Obrigado!

@fastshop @fastshop_sac vocês também tem anuncio lá, vamos tomar providências?

@fastshop
Informamos que não temos vínculos com nenhum portal jornalístico. Estamos analisando os anúncios com nosso nome e removendo das plataformas que anunciam de forma automática através de sites de busca. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas. Agradecemos por nos avisar.

Philips BrasilSegundo levantamento do UOL, o Jornal da Cidade Online contava com 903 anunciantes. Durante pouco mais de um ano, todas essas empresas fizeram juntas 1.987 anúncios diferentes no site. O maior anunciante foi o Banco do Brasil que, ao ser confrontado no Twitter, também informou que retiraria os anúncios:

Oii @BancodoBrasil, tudo bem? Realmente é bom ter a facilidade de usar um app em tempo de pandemia, mas não precisava anuncia-lo em um site conhecido por espalhar Fake News e que é contra o isolamento social. Pls considere bloquear!✊🏽#SleepingGiantsBrasil

@BancodoBrasil
Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado.
Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews.

Foi aí que o gabinete do ódio pegou fogo. Filipe Martins e Carlos Bolsonaro acionaram a rede virtual bolsonarista, que reagiu em peso junto com políticos e outros expoentes da extrema direita. A deputada bolsonarista Carla Zambelli, doPSL paulista, e o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, também foram escalados para repudiar o episódio. Wajngarten, que cuida das verbas publicitárias do governo, disse que o governo irá “contornar a situação”e garantir a “defesa da liberdade de expressão”. Afirmou ainda ter certeza que o Jornal Cidade Online “faz um trabalho seríssimo”.

Para os padrões de seriedade de Wjangarten, que é investigado pelos crimes de corrupção, peculato e advocacia administrativa, a análise faz sentido. O Jornal da Cidade Online é um veículo tão sério que alguns de seus repórteres e colunistas não existem. O site publicava textos assinados por repórteres com identidades falsas para poder atacar ministros do STF e adversários políticos de Bolsonaro. O site também está sendo processado por atacar desembargadores do Rio de Janeiro e o ministro Gilmar Mendes com ofensas e mentiras usando esses perfis falsos.

Leandro Ruschel
@leandroruschel
Caro @jairbolsonaro e @secomvc , há um banco estatal discriminando site jornalístico, com inclinação conservadora, seguindo mera denúncia sem provas de perfil anônimo, aparentemente ligado à esquerda. É preciso rever essa decisão. https://twitter.com/BancodoBrasil/status/1263126286484082691 … Banco do Brasil
@BancodoBrasil
Respondendo a @slpng_giants_pt
Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado.
Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews.

Logo após o resmungo de Carluxo no Twitter, o Banco do Brasil, cujo gerente executivo de Marketing e Comunicação é filho do vice-presidente da República, voltou atrás da decisão e manteve os anúncios no site de fake news. Ou seja, um vereador carioca, lotado não oficialmente no gabinete do ódio, interferiu na política de anúncios de uma estatal. O filho do presidente da República conseguiu manter as verbas públicas que irrigam um site que defende o bolsonarismo espalhando fake news. É o dinheiro do povo brasileiro sendo usado para financiar a rede de mentiras que sustenta o governo.

Parece que finalmente estamos tomando um bom caminho para combater a máquina de propaganda fascistoide do bolsonarismo. A tática de constranger marcas que apoiam iniciativas se mostrou importante e eficaz, mas o Google, que gerencia a maior partes dos anúncios na internet, também deve ser cobrado. É ela quem controla o algoritmo que ajuda a financiar esses sites. Em novembro do ano passado, o Intercept revelou como o Google ofereceu treinamentos grátis para ensinar blogueiros bolsonaristas e antipetistas a faturarem com Adsense. Muitos desses blogueiros eram notórios criadores de fake news. Não adianta a empresa lavar as mãos.

O criador do Sleeping Giants brasileiro pretende se manter no anonimato porque viu o criador da tática sofrendo sérias ameaças de morte nos EUA. Mexer com a extrema direita é sempre perigoso. E, quando seu núcleo central mantém ligações políticas e financeiras com as milícias, todo cuidado é pouco.

EUA estão usando Taiwan como ponto de pressão na luta tecnológica com a China

Uma loja da Huawei em Pequim. O governo Trump está trabalhando em várias frentes para isolar a gigante da tecnologia chinesa.
Foto Carlos Garcia Rawlins / Reuters

O governo Trump está desafiando o acesso chinês à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a ilha que reivindica como seu território.
Durante anos, o governo Trump brigou com a China por ameaças tarifárias, tecnologia e termos de seu acordo comercial. Mas em um par de ações na semana passada, o governo aumentou essas tensões econômicas de uma maneira que quase chega a tocar uma linha vermelha para Pequim: seu relacionamento contencioso com Taiwan.

Uma das principais fabricantes de chips de computador do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, ou T.S.M.C., disse na quinta-feira que construiria uma fábrica no Arizona, uma medida anunciada por autoridades americanas como um primeiro passo para mudar uma cadeia de suprimentos vital para os Estados Unidos.

No dia seguinte, o Departamento de Comércio anunciou uma mudança de regra que poderia impedir os negócios que a gigante chinesa de tecnologia Huawei faz com a T.S.M.C. e outros fabricantes globais de chips.

O governo tem trabalhado em várias frentes para isolar a Huawei, uma das principais marcas mundiais de smartphones e a maior produtora mundial de equipamentos que alimentam redes móveis. Mas, simultaneamente, minando a Huawei e trazendo o T.S.M.C. mais perto da órbita americana está um golpe de política industrial que seria impensável há apenas alguns anos, um que levanta a perspectiva de um conflito mais sério entre a China e os Estados Unidos.

Nunca antes o governo Trump desafiou com tanta força o acesso das empresas chinesas à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a democracia autônoma das ilhas, que alega ser parte de seu território.

A China considera inegociável sua reivindicação a Taiwan e atacou empresas e políticos por não reconhecê-la, mesmo que inadvertidamente.

O governo parece ter a intenção de “atingir metas econômicas e politicamente sensíveis a Pequim”, disse Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell.

O Ministério do Comércio da China condenou a última ação de Washington contra a Huawei, dizendo que faria o necessário para proteger os interesses das empresas chinesas.
Sede da Huawei em Shenzhen, China. A empresa disse que seus negócios “inevitavelmente” seriam afetados por uma mudança de regra do Departamento de Comércio anunciada na semana.
Foto Noel Celis / Agence France-Presse – Getty Images

Desde que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou a mudança de regra, analistas e executivos do setor destacaram o que eles disseram ser uma solução significativa.

de usar a tecnologia americana para produzir ou projetar chips que são enviados, diretamente ou por meio de um intermediário, para a própria Huawei. Mas não parece impedi-los de produzir chips que seriam enviados aos clientes ou parceiros da Huawei, como fabricantes contratados que montam telefones e outros dispositivos em nome da Huawei.

A regra ainda pode atrapalhar os negócios da Huawei, no entanto, forçando a empresa ou seus fornecedores a reorganizar suas operações. E o Departamento de Comércio poderá revisar sua regra nos próximos meses para diminuir as brechas.

“O futuro de pelo menos uma parte importante dos negócios da Huawei está agora firmemente nas mãos do Departamento de Comércio”, disse Paul Triolo, analista de política de tecnologia do Eurasia Group.

Nesta semana, a Huawei se recusou a responder às perguntas dos repórteres sobre a regra alterada, embora tenha reconhecido que seus negócios seriam “inevitavelmente” afetados.

A empresa parece estar se preparando para a possibilidade de ser excluída dos principais fornecedores. No final de 2019, a Huawei havia armazenado US $ 23,5 bilhões em produtos acabados, componentes e matérias-primas, de acordo com seu relatório anual, um aumento de quase três quartos em relação ao ano anterior.

Embora os efeitos práticos da nova regra permaneçam obscuros, a mensagem política enviada pelos anúncios da semana passada foi inequívoca: o governo Trump está ansioso para frustrar os esforços da China para dominar tecnologias críticas e está se voltando para Taiwan como um novo ponto de alavancagem.

Filosofia,Literatura,Blog do Mesquita 03

Quando a economia se torna o berro agonizante dos eugenistas

Em entrevista, a filósofa estadunidense Judith Butler afirma que vivemos um tempo de cuidado ao outro, ideal para elaborarmos redes de apoio, e que o afeto é um dos desafios do século XXI

Em seu livro “Corpos em Aliança e a Política das Ruas” de 2015, a filósofa estadunidense Judith Butler afirma que as discussões acerca da expressão “nós, o povo” deveriam compreender a complexidade cultural e ideológica do tecido social que compõe uma nação.

Na publicação ela faz apontamentos em relação à questão da precariedade populacional – quando corpos em situações interseccionais entre gênero, raça e classe vivenciam o aumento da sensação de serem descartáveis. Butler debate que a divisão dessa sensação de precariedade não é distribuída de maneira igualitária dentro de nossas sociedades. Alguns corpos nitidamente parecem valer mais do que outros aos olhos da ótica neoliberal.

Voltando-se para manifestações públicas, o livro defende a aglomeração de corpos nas ruas como um grito democrático onde “nós, o povo” ganhamos forma para a reivindicação política através de práticas não-violentas, porém performativas.

Em fevereiro deste ano, em meio à crise pandêmica, Butler lançou sua última produção teórica, “A Força da Não-Violência”, na qual imagina um novo método para o convívio social, que chama de “igualdade radical”, onde nenhuma vida possa valer mais do que outra.

Butler é uma filósofa pós-estruturalista, uma das principais teóricas da questão contemporânea do feminismo, teoria queer, filosofia política e ética. Ela é professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia em Berkeley. Desde 2006, Butler também é professora de Filosofia no European Graduate School (EGS), na Suíça.

Judith Butler – Arte de Luciana Siebert

Seu livro mais recente, A Força da Não-Violência (2020), traz o conceito de interdependência como a base da igualdade social e política. Ou seja, temos obrigações com o outro independente da forma como esse outro se apresente. O livro evoca fantasmas culturais, tradições que justificariam existir uma hierarquia de práticas violentas exercidas contra vidas marginais. Você já escrevia sobre vidas marginalizadas em “Corpos em Aliança e a Política das Ruas” (2015), no qual manifestações públicas asseguravam a importância de que corpos se reunissem nas ruas para protestar em favor de seus direitos, colocando o discurso político em ação. Agora, quando todos esses corpos são forçados a ficarem em casa, seria o momento ideal para repensarmos práticas não-violentas de comunicação nas plataformas digitais?

Judith Butler Poderíamos analisar práticas como o doxxing (pesquisar e transmitir dados privados sobre um indivíduo ou organização) e o trolling (atrapalhar o discurso racional para desestabilizar o raciocínio lógico, muitas vezes através de cyberbullying), afetam, especialmente, as mulheres e outras minorias nesse momento. Porém, me pergunto se não seria mais importante considerarmos como as políticas sociais são armadas e aplicadas de maneira a se configurar como a morte das populações marginalizadas, especialmente, das comunidades indígenas e das populações carcerárias, também daqueles que, como resultado de políticas públicas racistas, nunca tiveram um tratamento de saúde adequado. Afinal, a taxa de mortes nos Estados Unidos neste momento está diretamente correlacionada à pobreza e privação de direitos das populações negras. Quando nos referimos àqueles com “complicações prévias de saúde” estamos geralmente nos referindo àqueles que nunca tiveram a assistência e diagnóstico que precisaram e certamente mereciam. E esse é apenas um dos efeitos mórbidos do capitalismo de mercado. Nós deveríamos usar esse momento para pensar em práticas universais de sistemas de saúde e sua relação com um socialismo global que esclareça o jeito como somos todos interdependentes.

Pensando sobre manifestações públicas e vidas precárias, esses novos tempos nos mostraram que para alguns corpos é permitido o home-office e a quarentena, enquanto outros corpos precisam continuar a trabalhar para que todos possam tomar seus cafés recém passados e comerem bagels. Outros corpos foram desligados de suas empresas imediatamente para que a economia não quebre – qualquer coisa menos a economia. Voltemos então a uma pergunta que parece importante ao longo do seu trabalho: quando atingimos esses momentos de pico, quais humanos contam como humanos?

JB: Temos que deixar bem claro que todos os humanos possuem igual valor. E ainda assim a maioria de nossas ideias sobre o que é ser humano implica em estruturas radicalmente desiguais porque algumas pessoas tornam-se mais “humanas” ou “valiosas” aos olhos do mercado e do Estado. Nós ainda não sabemos como seria o humano se nos imaginássemos todos possuindo o mesmo valor. Essa seria uma nova imagem de humano, uma nova ideia e horizonte. Quando ouvimos falar sobre a “saúde” da economia sendo mais importante do que a “saúde” dos trabalhadores, dos idosos e dos mais pobres, somos convidados a desvalorizar o humano para que a economia reine acima dele. Agora se “saúde econômica” significa expor o trabalhador à doença e à morte, então nos voltamos à produtividade e ao lucro, não à “economia”. A brutalidade do capitalismo se apresenta às claras, sem nenhum pudor: o empregado deve ir trabalhar para conseguir viver, porém o local de trabalho é onde sua vida é colocada em risco. Marx já dizia isso na metade do século XIX e assustadoramente esse pensamento ainda se aplica à nossa realidade.

Em fevereiro, você disse ao jornal New Yorker que “a maior parte das pessoas educadas dentro das tradições do individualismo liberal realmente se percebem como criaturas radicalmente separadas uns dos outros”. Aqui estamos, três meses depois, completamente às cegas sobre esse novo momento ou novo mundo que as pessoas parecem idealizar. Não podemos negar que há um burburinho otimista sobre igualdade de classe, a queda do neoliberalismo ou até uma nova consciência para as massas – isso está por toda a mídia. Esse choque será suficiente para ultrapassar as barreiras de nosso individualismo? Ele é um sentimento verdadeiro ou apenas um sintoma de nossa dormência coletiva?

JB: Talvez ainda não tenhamos nos decidido entre ficar chocados pela compreensão de que existe uma interdependência global como um fato inerente à nossa existência no planeta ou se seremos puxados de volta ao relato de nossas fronteiras e identidades, lógicas de mercado e individualismo. O que parece claro é que essa dúvida faz parte do nosso desafio contemporâneo. Depende de conseguirmos nos enxergar como criaturas porosas, aquelas em constante troca com os ambientes pelos quais transitam, coabitando com todas as outras formas de vida. E mesmo assim as fantasias da autossuficiência ainda são os resquícios de nossa cultura masculina, e as fantasias de autossuficiência nacional são formas fracas (porém atraentes) de ideologia. Faria toda a diferença nos entendermos como seres interpelados (chamados à ação) por um vírus para conseguirmos nos tornar uma comunidade global, não uma que é apenas efeito da globalização. Agora temos a chance de criarmos novas formas de solidariedade baseadas na ideia de que nossa vida é uma corrente de relações interdependentes. Ambos, indivíduo e nação, terão que ser repensados através dessa nova ótica.

Esse momento também parece ser propício para discutirmos um conceito mais amplo de interseccionalidade. O que ele nos diz a respeito das lacunas entre classe, raça e gênero?

JB: A interseccionalidade (categoria teórica que focaliza múltiplos sistemas de opressão a um mesmo sujeito, em particular, articulando raça, gênero e classe) permite que enxerguemos quem é desproporcionalmente afetado pelo vírus, aqueles desproporcionalmente desprotegidos e expostos. Isso porque aqueles cuja morte é mais provável tendem a ser pobres, indígenas, pessoas de raças marginalizadas, aqueles que não possuem o privilégio de ter seguro de saúde. Mulheres que antes já eram impedidas de desempenhar certas funções, que aceitam o trabalho doméstico sem salário, que sofrem abuso em suas casas – todas essas comunidades estão em grande perigo. Deste modo, o que a interseccionalidade nos permite ver é que uma ameaça de doença e morte aumenta em populações que acumulam categorias de discriminação, aqueles corpos que não podem escolher a qual minoria pertencem por estarem com mesma intensidade na intersecção de várias minorias.

Na atual situação, a maneira como pessoas se encontram é dentro de suas casas por meio do uso de tecnologias de comunicação Como a articulação individual e coletiva para a disputa política e identitária se comporta nesse cenário?Pawel Kuczynski,Privacidade,Facebook,Redes sociais,Tecnologia,Internet

JB: As pessoas estão mais interessadas do que nunca naquilo que está sendo escrito e postado, então estamos conectados como escritores e leitores no momento, e o trabalho artístico que antes era reservado aos espaços culturais de repente torna-se acessível a diversos públicos. Talvez esse seja um momento de reflexão. Todo movimento social precisa de tempo para pensar onde esteve e para onde deveria caminhar. Esse é também um tempo de cuidado, o cuidado do indivíduo para outro indivíduo, mas também de elaborarmos redes de cuidado que envolvam pessoas ajudando aqueles que precisam de auxílio médico, comida, abrigo, representação legal. Nenhuma dessas necessidades foi coletivamente satisfeita, e todos esses desafios ainda são necessários nas condições contemporâneas. Percebo que as pessoas ainda se reúnem em grandes grupos pela internet, e que ainda continuamos formando grupos de ajuda ao próximo, planejando greves coletivas de aluguel, greves de mensalidades de universidades que realmente resultam em ações efetivas. Manifestações sempre dependeram de conexões que se formavam fora das ruas. Ou melhor, manifestações acontecem quando pessoas incorporam suas reivindicações. Não podemos simplesmente desarticular o corpo e a rede.

Nesse momento, o neofascismo que elegeu Trump e Bolsonaro protesta pelo fim do isolamento social, mesmo sabendo da experiência de países como os Estados Unidos, que nos mostra quão letal pode ser a pandemia. Como podemos negar que existe uma vontade de exterminar corpos marginais usando o vírus como gatilho?

JB: Pensando como ambos, Trump e Bolsonaro, são favoráveis à abertura da economia mesmo que isso signifique o aumento de mortes de populações vulneráveis, entendemos que esses líderes políticos percebem que essas “comunidades vulneráveis” são mais propensas a sofrerem as consequências do colapso da saúde, e não veem problema algum nisso. Eles não imaginam que seus operários mais jovens e produtivos morrerão. Mas muitos deles podem contrair o vírus e se tornarem focos de transmissão quando voltam para suas casas. Pode ser que eles não compreendam a seriedade da situação, mas também pode ser o caso de estarem dispostos a deixarem corpos morrerem em favor da economia. Bolsonaro parece acreditar no darwinismo social onde apenas os mais fortes sobreviverão, e que apenas os fortes merecem sobreviver. Ele até se imagina imune ao vírus – sua última forma de fantasia narcisista. O narcisismo de Trump difere do de Bolsonaro, pois seu único feito é contabilizar votos em sua mente. E ele não vencerá a próxima eleição se a economia estiver fraca. “É a economia!” se torna agora o grito agonizante dos novos eugenistas.

Como a posição da extrema direita de pedir o retorno ao trabalho, negligenciando a participação do estado durante a crise, pode ser ligada à ideia de uma identidade, ou até mesmo de uma divisão entre masculinidade e feminilidade? É possível pensar que o neoliberalismo ainda desdobra-se em relações de gênero estruturais?

Tecnologia,Economia,Trabalho,Emprego,Blog do Mesquita 01

JB: Não me vejo como uma teórica do neoliberalismo e tenho consciência da complexidade desse debate. Eu diria que neste momento há uma estrutura econômica em que números crescentes de pessoas estão em condições limítrofes de vida, expostos à morte, acumulando precariedades. Também há poucas restrições às corporações bilionárias que acumulam riquezas, superando o poder econômico da maior parte dos países. Nós deixamos que essa desigualdade econômica ganhasse forma e agora estamos vendo através de gráficos o quão facilmente a vida dos mais vulneráveis é abandonada e destruída. Minha aposta é de que as versões inalteráveis de masculinidade e feminilidade serão reencenadas dentro de novas formas no liberalismo, mas que o neoliberalismo não é capaz de produzir novas formas de gênero radicalmente diferentes. Ao pedir que pessoas fiquem em casa, os governantes presumem que as casas possuem uma estrutura de cuidado, que a divisão de gênero do trabalho funciona, que mulheres – mesmo quando ainda empregadas e trabalhando de casa – também assumirão os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos. Algumas casas não são constituídas por famílias tradicionais, algumas pessoas vivem sozinhas, outras em abrigos com desconhecidos. E mulheres são profundamente atingidas pela violência de gênero quando ficam impedidas de procurar ajuda externa. Então devemos ter em mente que o gênero está sendo redefinido pelo confinamento, para então fazermos o possível para manter vivas as correntes de afeto, comunidades, alianças queer e solidariedade online até podermos, mais uma vez, demonstrar nossos números nas ruas.

Trump afirma que Brasil tem ‘surto’ de coronavírus e repete que poderá banir voos do país

Trump volta a ameaçar banir voos dos Estados Unidos para o Brasil

O líder mundial mais admirado por Jair Bolsonaro, o presidente americano Donald Trump, disse nessa terça-feira, dia 28, que o “Brasil tem praticamente um surto” de coronavírus e comentou que segue atentamente as informações que chegam do país.

O comentário de Trump foi feito durante uma coletiva de imprensa, no Salão Oval da Casa Branca, em conjunto com o governador da Flórida Ron De Santis, que expressava preocupação com a potencial chegada de brasileiros contaminados a Miami.

“O Brasil tem praticamente um surto, como vocês sabem (…) se você olhar os gráficos você vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil. Estamos olhando para isso bem de perto”, disse Trump.

O posicionamento do aliado prioritário de Bolsonaro contraria as declarações que o próprio presidente brasileiro tem feito em relação à situação da epidemia no Brasil.

Bolsonaro já chegou a minimizar a doença e não concorda com as medidas de distanciamento social, adotadas no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos, para reduzir o contágio pelo vírus.

Sua postura levou à demissão do então ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, que advogava pela quarentena, há duas semanas. O país tem mais de 71 mil casos da doenças e já passa das 5 mil mortes.

Embora não tenha poder para interferir nas políticas locais de combate à epidemia, o presidente tem pressionado os governadores pelo fim das quarentenas e uma reabertura da economia nos Estados.

Banimento de voos do Brasil

Trump questionou De Santis se ele não cogitava banir voos do Brasil para a Flórida. O governo federal americano tem estudado uma medida como essa há mais ou menos um mês e o próprio presidente já havia mencionado essa possibilidade no começo de abril.

Trump afirma que sua gestão terá uma definição sobre essa possibilidade em breve. O Departamento de Estado afirma que nenhuma medida será anunciada por enquanto.

“É uma coisa muito impactante de ser feita. Fizemos isso com a China, fizemos com a Europa. Mas é algo impactante, especialmente para a Flórida que tem tantos negócios com a América do Sul”, reconheceu o americano.Direito de imagemREUTERS

Taxa de mortalidade de covid-19 no Amazonas está acima da média nacional

O Brasil é o principal parceiro comercial do Estado americano. Na Flórida também vivem quase 400 mil brasileiros, um terço da comunidade de migrantes do Brasil no país. No início de março, Bolsonaro esteve em Miami para uma visita de estímulo a parcerias comerciais.

Na ocasião, chegou a receber a chave da cidade das mãos do prefeito Francis Suarez, que testou positivo para covid-19 poucos dias após o retorno da comitiva ao Brasil.

Mais de 10 integrantes da equipe da viagem presidencial, incluindo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, também contraíram a doença.

Teste rápido para brasileiros antes do embarque

O governador da Flórida descartou o banimento de voos do Brasil por enquanto, mas afirmou cogitar tornar obrigatória a testagem rápida dos passageiros para covid-19 pelas companhias aéreas, antes do embarque.

“Eu estou preocupado com isso [voos do Brasil] o tempo todo. Eu acho que o Brasil é um dos lugares com mais interação com Miami e você vai provavelmente ver a epidemia crescer lá conforme a estação do ano mudar [para o inverno]”, afirmou.

Segundo De Santis, o risco é que brasileiros voltem a trazer a doença para a Flórida em um momento em que o Estado luta para debelar a epidemia.

Ele, no entanto, reconheceu que o surto na Flórida está mais relacionado à chegada de pessoas contaminadas de Nova York ao Estado do que a voos internacionais.

Na prática, a maior parte dos voos entre Brasil e Estados Unidos foi cancelada e o fluxo aéreo entre os dois países caiu em mais de 80% desde março.

Covid-19 e a política anti-capitalista

“Se a China não puder repetir o papel que desempenhou em 2007-8, então o ônus de sair da atual crise econômica se deslocará para os Estados Unidos e aqui está a grande ironia: as únicas políticas que funcionarão, tanto econômica como politicamente, são muito mais socialistas do que qualquer coisa que possa propor Bernie Sanders”, escreve David Harvey, geógrafo e teórico social britânico, em artigo publicado por Observatorio de la crisis, 22-03-2020. A tradução é do Cepat.

David Harvey* –  UHU Adital

Quando busco interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tendo a localizar o que está acontecendo no contexto de duas maneiras um tanto diferentes (e cruzadas) que almejam explicar como o capitalismo funciona.

O primeiro nível é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital como fluxos de valor monetário em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como os chama Marx) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Esse modelo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim se complica bastante na medida em que se elabora, através de, por exemplo, as lentes das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e uma rede em constante mudança das divisões do trabalho e das relações sociais.

No entanto, também acredito que esse modelo deve se inscrever em um contexto mais amplo de reprodução social (nos lares e comunidades), em uma relação metabólica permanente e em constante evolução com a natureza (incluindo a “segunda natureza” da urbanização e o ambiente construído) e todos os tipos de formações culturais, científicas (baseadas no conhecimento), religiosas e sociais contingentes que as populações humanas geralmente criam através do espaço e do tempo.

Esses últimos “momentos” incorporam a expressão ativa dos desejos, necessidades e anseios humanos, a ânsia de conhecimento e significado e a busca evolutiva da satisfação em um contexto de mudanças nos arranjos institucionais, disputas políticas, confrontos ideológicos, perdas, derrotas, frustrações e alienações, tudo em um mundo de acentuada diversidade geográfica, cultural, social e política.

Essa segunda maneira constitui, por assim dizer, minha compreensão prática do capitalismo global como uma formação social distinta, enquanto a primeira trata das contradições dentro do motor econômico que conduz essa formação social por certos caminhos de sua evolução histórica e geográfica.

Quando em 26 de janeiro de 2020 li pela primeira vez sobre um coronavírus – que estava ganhando terreno na China – pensei imediatamente nas repercussões para a dinâmica mundial da acumulação de capital – David Harvey

Quando em 26 de janeiro de 2020 li pela primeira vez sobre um coronavírus – que estava ganhando terreno na China -, pensei imediatamente nas repercussões para a dinâmica mundial da acumulação de capital. Sabia por meus estudos do modelo econômico que os bloqueios (fechamentos) e interrupções na continuidade do fluxo de capital provocariam desvalorizações e que, se as desvalorizações fossem generalizadas e profundas, isso indicaria o início de uma crise.

Também sabia muito bem que a China é a segunda economia maior do mundo e que foi a potência que resgatou o capitalismo mundial, após o período 2007-2008. Portanto, qualquer golpe na economia chinesa estava destinado a ter graves consequências para uma economia global que, de qualquer forma, já estava em uma situação lamentável.

O modo existente de acumulação de capital está com muitos problemas. Estavam sendo produzidos movimentos de protesto em quase em todos os lugares (de Santiago a Beirute), muitos dos quais focados em um modelo econômico dominante que não funciona para a maioria da população.

Este modelo neoliberal se baseia cada vez mais em capital fictício e em uma grande expansão da oferta monetária e na criação massiva de dívida. Esse modelo já estava enfrentando uma insuficiente “demanda efetiva” para “realizar” os valores que o capital é capaz de produzir.

Então, como poderia o sistema econômico dominante, com sua legitimidade decadente e sua delicada saúde, absorver e sobreviver ao inevitável impacto de uma pandemia da magnitude que enfrentamos?

A resposta depende em grande parte do tempo que dura a perturbação, pois, como apontou Marx, a desvalorização não se produz porque os produtos básicos não podem ser vendidos, mas porque não podem ser vendidos a tempo.

Durante muito tempo, havia rejeitado a ideia de que a “natureza” estava fora e separada da cultura, da economia e da vida cotidiana. Adotei um ponto de vista mais dialético da relação metabólica com a natureza. O capital modifica as condições ambientais de sua própria reprodução, mas o faz em um contexto de consequências não intencionais (como a mudança climática) e no contexto de forças evolutivas autônomas e independentes que estão reconfigurando constantemente as condições ambientais.

Os vírus sofrem mutação o tempo todo para estar seguros. Mas as circunstâncias em que uma mutação se torna um ameaça para a vida dependem das ações humanas – David Harvey

Deste ponto de vista, não existe um verdadeiro desastre “natural”. Os vírus sofrem mutação o tempo todo para estar seguros. Mas as circunstâncias em que uma mutação se torna um ameaça para a vida dependem das ações humanas.

Existem dois aspectos relevantes nisso. Primeiro, as condições ambientais favoráveis aumentam a probabilidade de mutações poderosas. Por exemplo, é plausível esperar que o fornecimento de alimentos intensivos (e indiscriminados) nos subtópicos úmidos possa contribuir para isso. Tais sistemas existem em muitos lugares, incluindo a China ao sul do Yangtzé e todo o Sudeste Asiático.

Em segundo lugar, as condições que favorecem a rápida transmissão variam consideravelmente. As populações humanas de alta densidade parecem ser alvos fáceis para os hóspedes. É sabido que as epidemias de sarampo, por exemplo, só florescem em grandes centros populacionais urbanos, mas morrem rapidamente em regiões pouco populosas. A forma com que os seres humanos interagem entre si, se movem, se disciplinam ou esquecem de lavar as mãos afeta a maneira como são transmitidas as doenças.

Nos últimos anos, a SARS, a gripe aviária e a gripe suína parecem ter saído do Sudeste Asiático. A China também sofreu muito com a peste suína no ano passado, forçando um massivo abate de porcos e um consequente aumento dos preços da carne suína. Não estou dizendo tudo isso para acusar a China.

Existem muitos outros lugares onde os riscos ambientais de mutação e disseminação viral são altos. A gripe espanhola de 1918 pode ter saído do Kansas. O HIV pode ter eclodido na África, o ebola começou no Nilo Ocidental e a dengue parece ter florescido na América Latina. Mas os impactos econômicos e demográficos da propagação de vírus dependem das fendas e vulnerabilidades pré-existentes no sistema econômico hegemônico.

Não me surpreendeu muito que a COVID-19 tenha sido encontrada inicialmente em Wuhan (embora ainda não se saiba se ela se originou lá). Claramente, os efeitos locais podem se tornar importantes. Mas como esse é um grande centro de produção, seu impacto pode ter repercussões econômicas globais.

A grande questão é como ocorre o contágio e sua difusão, e quanto tempo durará (até que possa ser encontrada uma vacina). A experiência anterior demostrou que um dos inconvenientes da crescente globalização é a impossibilidade de impedir uma rápida difusão internacional de novas doenças. Vivemos em um mundo altamente conectado, onde quase todo mundo viaja. As redes humanas de difusão potencial são vastas e abertas. O perigo (econômico e demográfico) é que a interrupção dure um ano ou mais.

Embora tenha havido um declínio imediato nos mercados acionários mundiais quando foram divulgadas as notícias, foi surpreendentemente seguido pela alta dos mercados. As notícias pareciam indicar que os negócios eram normais em todos os lugares, exceto na China.

A crença parecia ser que iríamos experimentar uma repetição da SARS, que foi rapidamente contida e teve um baixo impacto global, apesar de sua alta taxa de mortalidade.

Depois descobrimos que a SARS criou um pânico desnecessário nos mercados financeiros. Então, quando apareceu a COVID-19, a reação foi apresentá-la como uma repetição da SARS e, portanto, agora a preocupação era injustificada.

O fato de a epidemia ter causado estragos na China com rapidez e crueldade moveu o resto do mundo a tratar erroneamente o problema como algo que ocorria “lá” e, portanto, fora da vista e da mente nossa, ocidentais – David Harvey

O fato de a epidemia ter causado estragos na China com rapidez e crueldade moveu o resto do mundo a tratar erroneamente o problema como algo que ocorria “lá” e, portanto, fora da vista e da mente nossa, ocidentais (acompanhados de sinais de xenofobia contra os chineses).

O vírus que teoricamente teria interrompido o crescimento histórico da China foi recebido com alegria em certos círculos do governo Trump.

No entanto, dentro de poucos dias, houve uma interrupção nas cadeias de suprimentos mundiais, muitas das quais passam por Wuhan. Essas notícias foram ignoradas e tratadas como problemas para certas linhas de produtos e algumas empresas (como a Apple). As desvalorizações eram locais e particulares e não sistêmicas.

Também se minimizou a queda na demanda dos consumidores, embora algumas empresas, como McDonald‘s e Starbucks, que tinham operações dentro do mercado interno chinês tiveram de fechar suas portas. A coincidência do Ano Novo chinês com o surto do vírus mascarou os impactos ao longo de todo o mês de janeiro. E a autocomplacência do ocidente se demonstrou escandalosamente fora de lugar.

As primeiras notícias da propagação internacional do vírus foram ocasionais e episódicas, com um grave surto na Coréia do Sul e em alguns outros pontos quentes como o Irã. Foi o surto italiano que provocou a primeira reação violenta. A queda do mercado de ações em meados de fevereiro oscilou um pouco, mas em meados de março havia levado a uma desvalorização líquida de quase 30% nos mercados de ações em todo o mundo.

A escalada exponencial das infecções provocou uma série de respostas muitas vezes inconsistentes e às vezes de pânico. O presidente Trump realizou uma imitação do Rei Canuto diante de uma potencial maré de doenças e mortes.

Algumas das respostas foram estranhas. O fato de o ‘Federal Reserve’ ter baixado as taxas de juros diante de um vírus parecia insólito, mesmo quando se reconhecia que a medida tinha por objetivo aliviar o impacto nos mercados, em vez de retardar o progresso do vírus.

Quarenta anos de neoliberalismo em toda Américas do Norte e do Sul e na Europa deixaram a população totalmente exposta e mal preparada para enfrentar uma crise de saúde pública – David Harvey

As autoridades públicas e os sistemas de saúde foram surpreendidos em quase todos os lugares pela escassez de mão de obra. Quarenta anos de neoliberalismo em toda Américas do Norte e do Sul e na Europa deixaram a população totalmente exposta e mal preparada para enfrentar uma crise de saúde pública, apesar das epidemias anteriores – causadas pela SARS e o ebola – terem proporcionado abundantes advertências e lições sobre o que deveríamos fazer.

Em muitas partes do mundo supostamente “civilizado”, os governos locais e as autoridades estaduais – que invariavelmente constituem a primeira linha de defesa nas emergências de saúde pública – se viram privados de recursos, graças a uma política de austeridade destinada a financiar cortes impostos e subsídios às empresas e aos ricos.

As grandes empresas farmacêuticas têm pouco ou nenhum interesse em pesquisas não remuneradas sobre doenças infecciosas (como o coronavírus, conhecidas desde os anos 1960). A “Grande Indústria Farmacêutica” raramente investe em prevenção. Tem pouco interesse em investir diante de uma crise de saúde pública. Dedica-se apenas a projetar curas. Quanto mais doentes estamos, mais ganham. A prevenção não é uma fonte de renda para seus acionistas.

O modelo de negócios aplicado à saúde pública eliminou a capacidade necessária para enfrentar uma emergência. A prevenção não era sequer um campo de trabalho suficientemente atraente para justificar associações público-privadas.

O presidente Trump cortou o orçamento do Centro de Controle de Doenças e dissolveu o grupo de trabalho sobre pandemia do Conselho de Segurança Nacional, no mesmo espírito em que cortou todo o financiamento para pesquisas, incluindo as relacionadas à mudança climática.

Se eu quisesse ser antropomórfico e metafórico, concluiria que a COVID-19 é a vingança da natureza por mais de quarenta anos de maus-tratos brutais e abusivos ao meio ambiente, pelas mãos de um extrativismo neoliberal violento – David Harvey

Se eu quisesse ser antropomórfico e metafórico, concluiria que a COVID-19 é a vingança da natureza por mais de quarenta anos de maus-tratos brutais e abusivos ao meio ambiente, pelas mãos de um extrativismo neoliberal violento e não regulamentado.

Talvez seja sintomático que os países menos neoliberais, China e Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura, até agora superaram a pandemia de melhor forma que a Itália.

Há muitas provas de que a China administrou mal, inicialmente, a última epidemia da SARS. Mas desta vez, com a COVID-19, o presidente Xi se apressou em ordenar total transparência, tanto na apresentação de relatórios, quanto nas provas.

Mesmo assim, a China perdeu um tempo valioso (foram apenas alguns dias, mas importantes). No entanto, o que tem sido notável é que a China conseguiu confinar a epidemia à província de Hubei, com Wuhan no centro. A epidemia não se espalhou para Pequim, nem para o Oeste, nem mais ao Sul.

As medidas tomadas para confinar o vírus geograficamente foram draconianas. Seria difícil reproduzir em outros lugares por razões políticas, econômicas e culturais. China e Cingapura desdobraram seus poderes de vigilância social. Ao que parece, foram extremamente eficazes, embora se essas medidas tivessem sido implementadas apenas alguns dias antes, muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

Esta é uma informação importante: em qualquer processo de crescimento exponencial, há um ponto de inflexão além do qual a massa ascendente se descontrola totalmente (observe, aqui, a importância da massa em relação à taxa). O fato de Trump ter perdido tempo por tantas semanas pode resultar custoso em muitas vidas humanas.

Os efeitos econômicos estão agora fora de controle, sobretudo fora da China. As perturbações ocorridas nas cadeias de valor das empresas e em certos setores resultaram mais sistêmicas e substanciais do que se pensava originalmente.

O efeito a longo prazo pode ser encurtar e diversificar as cadeias de suprimentos e, ao mesmo tempo, avançar para formas de produção que exijam menos mão de obra (com grandes repercussões no emprego) e uma maior dependência dos sistemas de produção com inteligência artificial.

A interrupção das cadeias produtivas leva à dispensa e demissão de muitos trabalhadores, o que diminuirá a demanda final, enquanto a demanda por matérias-primas está diminuindo o consumo produtivo. Esses impactos pelo lado da demanda produzirão por si mesmos uma recessão.

Mas a maior vulnerabilidade do sistema está enraizada em outros lugares. Os modos de consumismo que explodiram após 2007-8 se romperam com consequências devastadoras. Esses modos se baseiam em reduzir o tempo de rotação do consumo o mais próximo de zero.

A avalanche de investimentos nessas formas de consumismo teve tudo a ver com a máxima absorção dos volumes de capital, mediante o aumento exponencial das formas de consumismo, que têm, por sua vez, o menor tempo de rotatividade possível.

Nesse sentido, o turismo internacional é emblemático. As visitas internacionais aumentaram de 800 milhões para 1,4 bilhão, entre 2010 e 2018. Essa forma de consumismo instantâneo exigiu investimentos massivos em infraestrutura em aeroportos e companhias aéreas, hotéis e restaurantes, parques temáticos e eventos culturais, etc.

Esta praça de acumulação de capital está agora morta. As companhias aéreas estão perto da falência, os hotéis estão vazios e o desemprego em massa nas indústrias de hospitalidade é iminente. Comer fora não é uma boa ideia. Os restaurantes e bares foram fechados em muitos lugares. Até comida para viagem parece arriscada.

O vasto exército de trabalhadores na economia do trabalho autônomo e do trabalho precário está sendo destruído sem nenhum meio visível de apoio governamental. Eventos como festivais culturais, torneios de futebol e basquete, concertos, convenções empresariais e profissionais e até reuniões políticas e eleições são canceladas. Essas formas de consumismo vivencial “baseadas em eventos” são praticamente suprimidas. As receitas dos governos locais foram reduzidas. As universidades e escolas estão fechando.

Grande parte do modelo de vanguarda do consumismo capitalista contemporâneo é inoperante nas condições atuais. O impulso para o que André Gorz descreve como “consumismo compensatório” foi esmagado – David Harvey

Grande parte do modelo de vanguarda do consumismo capitalista contemporâneo é inoperante nas condições atuais. O impulso para o que André Gorz descreve como “consumismo compensatório” foi esmagado (um recurso que supunha que os trabalhadores alienados poderiam recuperar seu espírito por meio de um pacote de férias em uma praia tropical).

Mas as economias capitalistas contemporâneas estão impulsionadas em 70 ou até 80% pelo consumismo. Nos últimos quarenta anos, os sentidos básicos do consumidor se tornaram a chave para a mobilização da demanda efetiva e o capital se tornou cada vez mais dependente dessas demandas, artificiais em muitos casos.

Essa fonte de energia econômica não havia estado sujeita a flutuações repentinas, como a erupção vulcânica da Islândia que bloqueou voos transatlânticos durante algumas semanas. Mas a COVID–19 não é uma flutuação repentina. É um choque verdadeiramente poderoso no coração do consumismo que domina nos países mais prósperos.

A forma em espiral de acumulação de capital sem fim está colapsando para dentro, de uma parte do mundo a outra. A única coisa que pode salvá-la é um consumismo massivo financiado pelo governo, evocado do nada – David Harvey

A forma em espiral de acumulação de capital sem fim está colapsando para dentro, de uma parte do mundo a outra. A única coisa que pode salvá-la é um consumismo massivo financiado pelo governo, evocado do nada. Isso exigirá socializar toda a economia dos Estados Unidos, por exemplo, sem chamá-la de socialismo, é claro.

As linhas de frente

Existe uma conveniente mitologia de que “as doenças infecciosas não reconhecem barreiras e fronteiras de classe”. Como muitos desses ditados, há uma certa verdade nisso. Nas epidemias de cólera do século XIX, a horizontalidade da doença entre as classes sociais foi dramática o suficiente para dar lugar ao nascimento de um movimento pela saúde pública (que mais tarde se profissionalizou) e que persiste até hoje.

Não está claro se esse movimento pretendia proteger a todos ou apenas as classes altas. Mas hoje as diferenças de classe e os efeitos sociais são uma história muito diferente.

Agora, o impacto econômico e social se insere através das discriminações “habituais” que está instalada em toda parte. Para começar, a força de trabalho que trata de um crescente número de doentes é tipicamente sexista e racializada na maior parte do mundo ocidental. Essas trabalhadoras e trabalhadores são facilmente apreciados, por exemplo, nos serviços mais desprezados, em aeroportos e outros setores logísticos.

Essa “nova classe trabalhadora” está na vanguarda e carrega o fardo de ser a força de trabalho que mais corre o risco de contrair o vírus devido à natureza de seus empregos. Se tiverem a sorte de não contrair a doença, provavelmente serão demitidos mais tarde devido à crise econômica que a pandemia trará.

Há também a questão de quem pode trabalhar em casa e quem não pode. Isso agudiza a divisão social. Nem todos podem se dar ao luxo de se isolar ou se colocar em quarentena (com ou sem remuneração) em caso de contato ou infecção.

Nos terremotos na Nicarágua (1973) e no México D.F. (1995), aprendi em campo que os terremotos foram, na realidade, “um terremoto para os trabalhadores e os pobres”.

A pandemia da COVID-19 exibe todas as características de uma pandemia de classe, gênero e raça – David Harvey

Portanto, a pandemia da COVID–19 exibe todas as características de uma pandemia de classe, gênero e raça. Embora os esforços de mitigação estejam convenientemente ocultos na retórica de que “todos estamos juntos nesta guerra”, as práticas, em particular por parte dos governos nacionais, sugerem motivações mais sombrias.

A classe trabalhadora contemporânea dos Estados Unidos (composta predominantemente por afro-americanos, latinos e mulheres assalariadas) enfrenta uma escolha horrível: a contaminação por cuidar dos doentes e manter meios de subsistência (entregadores de supermercado, por exemplo) ou o desemprego sem benefícios e assistência médica adequada.

Os funcionários assalariados (como eu) trabalham em casa e recebem seus salários como antes, enquanto os diretores gerais se movimentam em jatos particulares e helicópteros.

As forças de trabalho na maior parte do mundo têm sido socializadas durante muito tempo para se comportarem como bons sujeitos neoliberais (ou seja, culpar a si mesmas ou a Deus se algo der errado, mas nunca ousar sugerir que o capitalismo pode ser o problema).

Contudo, mesmo bons sujeitos neoliberais podem ver hoje que há algo muito errado na forma como a pandemia está sendo respondida.

A grande questão é: quanto tempo isso vai durar? Pode levar mais de um ano, e quanto mais o tempo passa, mais desvalorização haverá, mesmo para a força de trabalho. É quase certo que os níveis de desemprego subirão para níveis comparáveis aos dos anos 1930, na ausência de intervenções estatais massivas que teriam que ir contra a lógica neoliberal.

O consumismo contemporâneo é indubitavelmente excessivo, Marx o descreveu como “consumo excessivo e insano, monstruoso e bizarro” – David Harvey

As ramificações imediatas para a economia, assim como para a vida social diária, são múltiplas e complexas. Mas nem todas são ruins. O consumismo contemporâneo é indubitavelmente excessivo, Marx o descreveu como “consumo excessivo e insano, monstruoso e bizarro”.

A imprudência do consumo excessivo desempenhou um papel importante na degradação do meio ambiente. O cancelamento de voos de companhias aéreas e a redução radical de transporte – e de movimento – tiveram consequências positivas em relação às emissões de gases do efeito estufa.

A qualidade do ar em Wuhan melhorou muito, como em muitas cidades dos Estados Unidos. Os locais de turismo ecológico terão um tempo para se recuperar do pisoteio dos viajantes. Os cisnes retornaram aos canais de Veneza. À medida que diminui o gosto pelo excesso de consumo imprudente e sem sentido, poderá haver alguns benefícios a longo prazo. (Menos mortes no Monte Everest pode ser algo bom).

E embora ninguém diga isso em voz alta, o viés demográfico do vírus poderá acabar afetando as pirâmides etárias, com efeitos a longo prazo na Seguridade Social e no futuro da “indústria do cuidado”.

A vida cotidiana vai desacelerar e para algumas pessoas isso será uma bênção. As regras sugeridas de distanciamento social poderão, se a emergência for prolongada o suficiente, levar a mudanças culturais. A única forma de consumismo que quase certamente se beneficiará é a que chamo de economia “Netflix”, que atende os “consumidores compulsivos”.

No plano econômico, as respostas foram condicionadas pela forma como foi produzida a saída da crise de 2007-8. Isso levou a uma política monetária ultraflexível, ao resgate de bancos e a um aumento dramático no consumo produtivo por meio de uma expansão massiva no investimento em infraestruturas (inclusive na China).

Isso não pode ser repetido na escala necessária. Os planos de resgate estabelecidos em 2008 focavam nos bancos, mas também envolviam a nacionalização de fato da General Motors. Talvez seja significativo que, frente ao descontentamento dos trabalhadores e o colapso da demanda, as três grandes montadoras automobilísticas de Detroit estejam fechando, pelo menos temporariamente.

Se a China não puder repetir o papel que desempenhou em 2007-8, então o ônus de sair da atual crise econômica se deslocará para os Estados Unidos e aqui está a grande ironia: as únicas políticas que funcionarão, tanto econômica como politicamente, são muito mais socialistas do que qualquer coisa que possa propor Bernie Sanders. Os programas de resgate terão que começar sob a égide de Donald Trump, presumivelmente sob a máscara de “Making America Great Again” (Tornando a América Grande Novamente).

Todos os republicanos que se opuseram visceralmente ao resgate de 2008 terão que comer o corvo ou desafiar Donald Trump. Esse personagem poderia chegar a cancelar as eleições “pela emergência” e impor uma presidência autoritária do Império para salvar o capital e o mundo dos “distúrbios e da revolução”.

David Harvey (Gillingham, Kent, 7 de dezembro de 1935) é um teórico da Geografia britânico formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana. Em 2007 foi classificado como o décimo oitavo teórico vivo mais citado nas ciências humanas

Coronavírus: EUA acusados de “pirataria” por ocultar “confisco”

O presidente Trump invocou uma lei da época da Guerra da Coréia para exigir que as empresas americanas forneçam mais máscaras.

Os EUA foram acusados de redirecionar 200.000 máscaras ligadas à Alemanha para seu próprio uso, em um ato condenado como “pirataria moderna”. O governo local de Berlim disse que o envio de máscaras fabricadas nos EUA foi “confiscado” em Bangcoc.

As máscaras FFP2, que foram encomendadas pela força policial de Berlim, não chegaram ao seu destino, afirmou o documento.

Andreas Geisel, ministro do Interior de Berlim, disse que as máscaras foram presumivelmente desviadas para os EUA.

A empresa norte-americana que fabrica as máscaras, a 3M, foi proibida de exportar seus produtos médicos para outros países sob uma lei da era da Guerra da Coréia, invocada pelo presidente Donald Trump.

Na sexta-feira, Trump disse que estava usando a Lei de Produção de Defesa para exigir que as empresas americanas forneçam mais suprimentos médicos para atender à demanda doméstica.

“Precisamos desses itens imediatamente para uso doméstico. Temos que tê-los”, disse Trump no informe diário da Força-Tarefa sobre Coronavírus na Casa Branca.O presidente Trump disse que os suprimentos médicos que são desviados do exterior são necessários com urgência nos EUA.

Ele disse que as autoridades dos EUA tomaram a custódia de quase 200.000 respiradores N95, 130.000 máscaras cirúrgicas e 600.000 luvas. Ele não disse onde foram levadas para as mãos dos EUA.

Geisel disse que o desvio de máscaras de Berlim representou um “ato de pirataria moderna”, instando o governo Trump a aderir às regras comerciais internacionais.

“Não é assim que você lida com parceiros transatlânticos”, afirmou o ministro. “Mesmo em tempos de crise global, não deve haver métodos do oeste selvagem”.

Uma ‘caça ao tesouro’ para máscaras
Os comentários de Geisel ecoam os sentimentos de outras autoridades européias, que se queixaram das práticas de compra e desvio dos EUA.

Na França, por exemplo, os líderes regionais dizem que estão lutando para garantir suprimentos médicos, já que os compradores americanos os superam.

O presidente da região da Ilha de França, Valérie Pécresse, comparou a disputa por máscaras com uma “caça ao tesouro”.

A 3M foi condenada a parar de exportar máscaras de respiração N95 fabricadas nos EUA

“Encontrei um estoque de máscaras disponíveis e os americanos – não estou falando do governo americano – mas os americanos nos superam”, disse Pécresse. “Eles ofereceram três vezes o preço e propuseram pagar adiantado”.

À medida que a pandemia de coronavírus piora, a demanda por suprimentos médicos cruciais, como máscaras e respiradores, aumentou em todo o mundo.

No início desta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que estava pensando em mudar sua orientação sobre se as pessoas deveriam usar máscaras em público.

Atualmente, a OMS recomenda que as máscaras não fornecem proteção suficiente contra infecções para justificar o uso em massa. Mas alguns países adotaram uma visão diferente, incluindo os EUA.

Na sexta-feira, Trump anunciou que os Centros de Controle de Doenças (CDC) agora recomendam que os americanos usem coberturas faciais não médicas para ajudar a impedir a propagação do vírus.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pediu aos moradores que cubram o rosto quando estiverem fora de casa

Os EUA registraram 273.880 casos registrados de Covid-19, o número mais alto do mundo por uma grande margem.

O Covid-19, a doença causada pelo coronavírus, afetou mais de um milhão de pessoas e matou quase 60.000 em todo o mundo, mostram os últimos números.

‘Implicações humanitárias significativas’
Em um desenvolvimento separado, a 3M disse que o governo Trump pediu para parar de exportar máscaras de respiração N95 fabricadas nos EUA para o Canadá e a América Latina.

Coronavírus: como a covid-19 acirrou guerra política entre EUA e China

O novo coronavírus virou o último campo de batalha entre os Estados Unidos e a China.

A crise de saúde mundial por causa da covid-19, doença causada pelo vírus, colocou em evidência a tensa rivalidade entre as duas superpotências mundiais e deixou definitivamente para trás a aparente lua de mel depois de sua reaproximação comercial.

Desta vez, o conflito se deu em meio à circulação de teorias de conspiração sem provas e declarações polêmicas, como a recente do presidente americano, Donald Trump, classificando o corona como “vírus chinês”. Um morde e assopra que, segundo advertem os especialistas, é perigoso para todos.

‘Transparente’

Na semana passada, um post em redes sociais chinesas e estrangeiras chamou a atenção.

“Pode ter sido o Exército dos EUA que levou a epidemia a Wuhan“, disse Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em 12 de março.

Ele estava se referindo ao novo coronavírus detectado na cidade chinesa de Wuhan em dezembro passado que se espalhou pelo mundo, causando uma pandemia de consequências ainda desconhecidas.

Os primeiros casos de covid-19 foram registrados na China – Imagem Getty

Ao comentário, o representante do Ministério das Relações Exteriores da China anexou um vídeo do diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), Robert R. Redfield, reconhecendo no Congresso que algumas das mortes por influenza no país podem ter sido causados ​​pelo novo coronavírus, sem especificar datas.

“Quando o paciente zero foi registrado nos Estados Unidos? Quantas pessoas estão infectadas? Quais são os nomes dos hospitais? Pode ter sido o Exército dos EUA que trouxe a epidemia para Wuhan. Seja transparente! Torne a data pública! Os Estados Unidos nos devem uma explicação”, escreveu Zhao no Twitter.

O comentário, conforme noticiado por veículos de imprensa como o jornal de Hong Kong The South China Morning Post (SCMP), parece se referir aos Jogos Militares Mundiais, realizados em Wuhan em outubro, com a participação de mais de 100 países pouco antes da cidade se tornar ponto zero da pandemia.

O vírus é assim, segundo essa ilustração criada pelo Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças dos EUA – Getty Images

O Pentágono confirmou casos de coronavírus entre os militares na Coreia do Sul e Itália, e está se preparando para mais casos, mas nenhuma doença foi relatada entre os membros que compareceram ao evento mencionado, de acordo com o jornal The New York Times.

Os comentários do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China levaram ao Departamento de Estado dos EUA a chamar o embaixador chinês em Washington para consultas (medida que sinaliza uma reprimenda diplomática).

Apesar das queixas, o ministério apoiou as declarações de Zhao.

“Nos últimos dias, vimos inúmeras discussões sobre a origem do [vírus causador da doença] covid-19. Fazemos forte oposição a comentários infundados e irresponsáveis ​​de autoridades americanas e membros do Congresso sobre esse assunto para difamar e atacar para a China”, disse outro porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, em entrevista a jornalistas.

Geng criticou a postura americana – Getty Images

Embora a China não tenha questionado inicialmente a origem do surto no país, referências posteriores de sua comunidade científica mostraram outra visão.

Em janeiro, Gao Fu, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, disse que sabia que “a fonte do vírus eram os animais selvagens vendidos no mercado de animais vivos” em Wuhan.

No entanto, no final de fevereiro, o cientista Zhong Nanshan disse a jornalistas que “a epidemia apareceu pela primeira vez na China, mas não necessariamente se originou” no país, segundo a agência de notícias francesa AFP.

As insinuações geraram reações e críticas nos Estados Unidos.

“É simplesmente vergonhoso que o governo chinês não esteja disposto a assumir a responsabilidade pelo coronavírus”, diz Elizabeth Economy, diretora de estudos asiáticos do Centro dos EUA para o Conselho de Relações Internacionais.

“As pessoas não culpam o governo chinês pelo fato de o coronavírus ter aparecido na China, eles culpam o governo por encobrir a epidemia e agora estar tentando disfarçar a responsabilidade pela forma como lidou com ela desde o início”, diz ela à BBC.

Em fevereiro, os líderes chineses enfrentaram uma onda de críticas sem precedentes por causa da maneira como lidaram com a crise, especialmente quando o caso do médico Li Wenliang, 33 anos, veio a público.

O médico Li publicou uma foto sua em sua cama hospital nas redes sociais no dia 31 de janeiro. No dia seguinte, foi diagnosticado com a covid-19

Li, um dos profissionais da linha de frente da epidemia, tentou alertar seus colegas sobre a existência desse novo vírus, mas foi silenciado pela polícia, que o acusou de espalhar informações falsas.

O jovem médico acabou morrendo em decorrência da doença, o que despertou uma onda gigantesca de indignação nas redes sociais chinesas.

Outra ‘teoria’

Outros especialistas consultados pela BBC também consideram que os comentários do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China culpando os militares americanas são uma resposta clara a outras teorias da conspiração promovidas nos Estados Unidos.

É o caso do senador americano do Partido Republicano Tom Cotton, que em fevereiro insistiu em vários canais que o vírus poderia ter se originado em um laboratório de biossegurança em Wuhan, hipótese amplamente contestada por cientistas.

É consenso na comunidade científica que o vírus atravessou a barreira das espécies, de animal para humano, em um dos mercados de Wuhan.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) observou que, embora o caminho exato que o vírus tomou para entrar nos seres humanos ainda não esteja claro, o SARS-CoV-2 “não era conhecido antes do surto que começou em Wuhan, na China, em dezembro de 2019”.

‘O vírus chinês’

Além das teorias da conspiração, várias declarações controversas foram dadas recentemente.

A última veio do próprio presidente Donald Trump, que em um tuíte referiu-se ao patógeno como o “vírus chinês”.

No entanto, o SARS-CoV-2 foi citado por vários membros do governo dos EUA como o coronavírus “chinês” ou o “vírus de Wuhan”, conforme declarações do secretário de Estado, Mike Pompeo.

No caso de Trump, o governo chinês foi rápido em reagir aos seus comentários mais recentes, pedindo que ele recuasse e reprimisse suas “acusações infundadas contra a China”

Trump se referiu ao novo coronavírus como “vírus chinês”, pouco depois dos comentários de autoridades do país asiático – Getty Images

A imprensa oficial do país asiático, que atualmente destaca o sucesso da China na luta contra a covid-19 e a ajuda que Pequim oferece e está oferecendo a outras nações afetadas, foi além e classificou as declarações do presidente como “racistas e xenófobas”.

Para os observadores de políticas chinesas, “este jogo geopolítico de atribuição de culpas é uma corrida ao abismo”, segundo Bonnie Glaser, diretora do projeto Poder Chinês do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais .

“Ambos os países estão jogando para seu benefício, em vez de unir forças para derrotar um inimigo comum que não reconhece fronteiras políticas ou geográficas”, disse Yonden Lhatoo, editor-chefe do SCMP, jornal de Hong Kong.

Para Glaser, além disso, é uma disputa perigosa, pois torna ainda mais difícil para os dois países gerenciarem adequadamente os problemas de seus relacionamentos, como as diferenças comerciais, que terão consequências inevitáveis ​​para o resto do mundo.

“[Uma intensa competição estratégica entre os dois] aumentará a pressão sobre outros países para escolher entre os Estados Unidos e a China. A atitude atual tornará um incidente militar mais difícil de manejar”, disse ele.

Longe de se acalmar, o governo chinês lançou outra “bomba” na terça-feira (17/3): a expulsão da China de jornalistas americanos de três principais jornais do país (The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal), tanto no continente quanto em áreas com maiores liberdades, como Hong Kong, onde organizações que não podem atuar no continente chinês (como ONGs em defesa dos direitos humanos) geralmente têm sua base.

Os jornalistas americanos dos três veículos afetados não poderão trabalhar nem no continente nem em Hong Kong ou em Macau, regiões com mais liberdades – Getty Images

A medida — incomum em termos de escala — responde, segundo Pequim, às limitações impostas por Washington ao número de cidadãos chineses que podem trabalhar para a mídia estatal chinesa nos Estados Unidos.

Uma decisão que a Casa Branca anunciou depois que  expulsou três repórteres do Wall Street Journal.

Outro morde e assopra que já afeta todas as áreas.Crise diplomática entre Brasil e China – Getty Images

O alinhamento ideológico do governo de Jair Bolsonaro com o governo de Donald Trump acabou por arrastar o Brasil para o conflito diplomático.

Um tuíte em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente brasileiro, criticou a China por sua postura diante da eclosão do novo coronavírus renovou as tensões entre o governo Bolsonaro e os chineses.

A atitude de Eduardo também reverberou na política brasileira: de um lado, políticos aliados do presidente e ativistas de direita saíram em defesa do deputado, e alguns copiaram Trump ao empregar a expressão “vírus chinês” para se referir ao novo coronavírus.

Do outro, vários partidos e políticos críticos do governo lamentaram a atitude de Eduardo e exaltaram a importância da China para o Brasil.

Eduardo BolsonaroDireito de imagemERIK S. LESSER/EPA
Polêmica começou quando filho do presidente comparou a postura da China à atitude da antiga União Soviética após o acidente na usina de Chernobyl

O embate se iniciou na quarta-feira (18/03), quando o deputado comparou a postura da China diante do novo coronavírus com a atitude da antiga União Soviética após o acidente na usina de Chernobyl.

“Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução”, escreveu Eduardo no Twitter ao compartilhar uma sequências de mensagens publicadas pelo editor de um portal conservador que culpava o Partido Comunista Chinês pela pandemia.

A mensagem do deputado foi rebatida pelo embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

“As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês. Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”, escreveu Yang.

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RJ) também se pronunciou sobre a polêmica.

“O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo”, disse Mourão, em entrevista à Folha de São Paulo.

De todo modo, ao criticar a China pelo novo coronavírus, Eduardo Bolsonaro agitou as redes pró-governo num momento em que o presidente é alvo de protestos e panelaços contra sua postura diante da pandemia.

Ambiente,Saúde,Medicina,Brasil,Blog do Mesquita 01

Proibição de viagens na Europa por Trump é confundida com raiva

Grã-Bretanha e Irlanda não foram incluídas na proibição.

Lideres da União Européia condenaram a proibição. A Itália está trancada e o NBA suspendeu sua temporada.

A Europa luta para entender a proibição de viagens nos EUA, à medida que mais países adicionam restrições.

Nos dois lados do Atlântico, na quinta-feira, as consequências da decisão do presidente Trump de proibir a maioria das viagens da Europa começaram a ser sentidas econômica, política e socialmente.

A Comissão Européia, órgão governante da União Européia, emitiu uma declaração contundente condenando a ação.

“O coronavírus é uma crise global, não se limita a qualquer continente e requer cooperação e não ação unilateral”, afirmou. “A União Europeia desaprova o fato de que a decisão dos EUA de impor uma proibição de viagem foi tomada unilateralmente e sem consulta.”

As restrições se aplicam apenas aos 26 países da zona de viagens livres de Shengen do bloco e não parecem estar vinculadas à gravidade dos surtos em países individuais. .

Dezenas de milhares de americanos na Europa se esforçaram para descobrir o que precisavam fazer antes que a proibição de viagem de 30 dias entre em vigor na sexta-feira, muitos pouco claros sobre o escopo da proibição e temiam que seus vôos para casa fossem cancelados. E companhias aéreas, hotéis e dezenas de outras indústrias – muitas das quais já sofreram com as restrições impostas para retardar a propagação do vírus – preparadas para quedas ainda mais acentuadas.

Em todo o continente, as notícias foram recebidas com confusão, raiva e ceticismo, mesmo quando muitas nações européias passaram a restringir suas próprias restrições ao movimento de pessoas dentro e fora de suas fronteiras.

Um terminal quase vazio no Aeroporto Internacional de Los Angeles na quarta-feira (…) Lucy Nicholson / Reuters

A Itália, que já estava confinada, fechou as portas ainda mais e na quinta-feira de manhã, já que praticamente os únicos locais públicos ainda abertos a seus 60 milhões de cidadãos eram supermercados e instalações médicas.

Na União Européia – onde a livre circulação de pessoas entre os estados membros é considerada uma das principais conquistas da ordem pós-Segunda Guerra Mundial – a República Tcheca se juntou na quinta-feira a outras nações ao anunciar novos postos de controle fronteiriços.

Fora da Europa, a luta contra o vírus também ganhou intensidade, com a Índia se juntando à crescente lista de países que impõe limites drásticos de viagem.

Se o vírus parecia uma ameaça distante para muitos americanos, as notícias de que o ator Tom Hanks e sua esposa haviam testado positivo pareciam abalar essa noção. E a batida constante de más notícias de Wall Street apenas aumentou a ansiedade.

Um após o outro, os países anunciaram na quarta-feira planos para gastar dezenas de bilhões para combater o vírus e as conseqüências econômicas que está causando. Mas as medidas pouco ajudaram a aliviar as preocupações dos investidores, com os mercados asiático e europeu sendo negociados acentuadamente mais baixos na quinta-feira.

O Congresso deve votar um pacote abrangente de ajuda para pessoas afetadas financeiramente pelo coronavírus.

Atrasos nos testes nos Estados Unidos tornaram difícil obter uma noção completa da escala do surto ali. Porém, os estados estão cada vez mais tomando conta das suas próprias mãos, declarando estados de emergência, cancelando as aulas de escolas e universidades, limitando o tamanho das reuniões e ordenando o isolamento de milhares de pessoas com potencial exposição ao vírus.

Embora a Organização Mundial da Saúde tenha declarado a propagação global do vírus uma pandemia, seus líderes instaram os países a não desistir da contenção. Eles alertaram que a disseminação descontrolada do vírus poderia sobrecarregar os sistemas de saúde, mesmo nas sociedades mais ricas, apresentando escolhas desconfortáveis ​​sobre quem tratar primeiro.

Esses perigos estavam sendo levados para casa pela crise em curso na Itália, que registrou mais de 12.000 casos e 827 mortes.

Giorgio Gori, prefeito de Bergamo, uma cidade da Lombardia, escreveu no Twitter que as unidades de terapia intensiva ficaram tão sobrecarregadas que “os pacientes que não podem ser tratados são deixados para morrer”. Ele acrescentou em uma entrevista que os médicos estavam sendo forçados a amortizar aqueles com “menores chances de sobrevivência”.

O presidente Trump diz que é necessário restringir as viagens da Europa.
O presidente, sentado atrás da mesa resoluta com os braços cruzados, finalmente pareceu reconhecer a gravidade do vírus, chamando-o de “infecção horrível” e dizendo que os americanos deveriam reduzir as viagens desnecessárias.

O presidente Trump disse na noite de quarta-feira que estava suspendendo a maioria das viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias, começando na sexta-feira, para conter a propagação do coronavírus. As restrições não se aplicam à Grã-Bretanha, disse ele.

Trump impôs uma proibição de 30 dias a estrangeiros que, nas duas semanas anteriores, estiveram nos 26 países que compõem o espaço Schengen da União Europeia. Os limites, que entrarão em vigor na sexta-feira à meia-noite, isentarão cidadãos americanos e residentes legais permanentes e suas famílias, embora possam ser canalizados para determinados aeroportos para uma triagem aprimorada.

Mais tarde na quarta-feira, o Departamento de Estado emitiu um comunicado dizendo aos americanos para “reconsiderarem as viagens” para todos os países por causa dos efeitos globais do coronavírus. É o segundo conselho mais forte do departamento, por trás de “não viaje”.

Falando do Oval Office, Trump também disse que as empresas de seguros de saúde concordaram em estender a cobertura para cobrir os tratamentos contra o coronavírus e renunciar a pagamentos relacionados.

O presidente disse que em breve anunciará uma ação de emergência para fornecer ajuda financeira aos trabalhadores que adoecem ou precisam ficar em quarentena. Ele disse que pedirá ao Congresso que tome medidas legislativas para estender esse alívio, mas não detalhou o que seria. Ele disse que instruiria o Departamento do Tesouro a “adiar pagamentos de impostos sem juros ou multas para certos indivíduos e empresas impactadas negativamente”.

Isso sinalizou uma quebra da atitude de negócios como de costume que ele tentava projetar na terça-feira, quando instou os americanos a “manter a calma” e disse que o vírus logo desapareceria. Mas Trump continuou a antecipar um fim rápido do surto, mesmo quando especialistas médicos alertaram que a pandemia pioraria.

“Isso não é uma crise financeira”, disse ele. “Este é apenas um momento temporário que venceremos como nação e mundo.”

Esta é uma pandemia global, diz a OMS

Líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) declararam pandemia de surto de coronavírus na quarta-feira. … Fabrice Coffrini / Agence France-Presse – Getty Images

A disseminação do coronavírus em mais de 100 países agora se qualifica como uma pandemia global, disseram autoridades da Organização Mundial da Saúde na quarta-feira, confirmando o que muitos epidemiologistas vêm dizendo há semanas.

Até agora, o OMS evitaram usar o termo, por medo de que as pessoas pensassem que o surto era imparável e os países desistissem de tentar contê-lo.

“Pandemia não é uma palavra para ser usada de maneira leve ou descuidada”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, em entrevista coletiva em Genebra.

“Não podemos dizer isso em voz alta ou clara o suficiente ou com frequência suficiente”, acrescentou. “Todos os países ainda podem mudar o curso dessa pandemia.”

Há evidências em seis continentes de transmissão sustentada do vírus, que já infectou mais de 120.000 pessoas e matou mais de 4.300. A designação da pandemia é amplamente simbólica, mas as autoridades de saúde pública sabem que o público ouvirá na palavra elementos de perigo e risco.

Política,Blog do Mesquita 00

Entrevista – Bernie Sanders, Senador e candidato à Presidência dos Estados Unidos

A mídia “alternativa” tem medo, resiste a apoiar Sanders.

A despeito disso, e contra tudo e contra todas as probalidades, a campanha é um sucesso.

Democratas são uma espécie de “republicanos esclarecidos”, mas são também corporativos, são elite capitalista dos Estados Unidos.
Excelente momento para Sanders; porém, mesmo que ganhe, ainda terá a enfrentar o establishment político, além do econômico; sem contar a mídia corporativista! Será que os americanos acordam?

1. Uso da força


Os presidentes de ambas as partes adotaram uma visão abrangente de seus poderes como comandante em chefe, destacando tropas e ordenando ataques aéreos sem aprovação explícita do congresso e, às vezes, sem uma ameaça iminente. Os candidatos democratas frequentemente criticam tais ações, mas foram menos claros nas circunstâncias em que considerariam justificável a força militar.

Além de responder a um ataque aos Estados Unidos ou a um aliado do tratado, quais são as condições sob as quais você consideraria o uso da força militar americana?
A primeira prioridade de Bernie é proteger o povo americano. A força militar às vezes é necessária, mas sempre – sempre – como último recurso. E ameaças ofensivas da força muitas vezes podem indicar fraquezas e forças, diminuindo a dissuasão, a credibilidade e a segurança dos EUA no processo. Quando Bernie for presidente, garantiremos que os Estados Unidos busquem a diplomacia sobre o militarismo para obter resoluções pacíficas e negociadas para conflitos em todo o mundo. Se for necessária força militar, Bernie garantirá que ele atue com a devida autorização do congresso e somente quando determinar que os benefícios da ação militar superam os riscos e custos.

Você consideraria a força militar para uma intervenção humanitária?
Sim.

Você consideraria a força militar a antecipação de um teste nuclear ou míssil iraniano ou norte-coreano?
Sim.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Existe alguma situação em que você possa se ver usando tropas americanas ou ações secretas em um esforço de mudança de regime? Se sim, em que circunstâncias você estaria disposto a fazer isso?
Não.

É apropriado que os Estados Unidos ofereçam apoio não militar aos esforços de mudança de regime, como fez o governo Trump na Venezuela?
Não.

2. Irã

Em 2015, o governo Obama assinou um acordo com o Irã que suspendeu as sanções em troca de limites significativos ao programa nuclear iraniano. Muitos republicanos se opuseram ferozmente ao acordo, dizendo que não era suficientemente difícil e, em 2018, o presidente Trump o abandonou e restabeleceu as sanções. Mas o Irã manteve o fim do acordo até o mês passado, quando Trump ordenou a morte de um general iraniano, Qassim Suleimani. O assassinato do general Suleimani levou os Estados Unidos à beira da guerra com o Irã, que retaliou atacando duas bases militares que as forças americanas estavam usando no Iraque.

O que você faria com o acordo nuclear iraniano agora abandonado, como negociado em 2015?
Eu entraria novamente no acordo sem novas condições, desde que o Irã também cumprisse seus compromissos. Eu prosseguiria em negociações mais amplas para resolver questões de mísseis balísticos, apoio a grupos terroristas e direitos humanos.

Você acredita que o presidente Trump agiu dentro de sua autoridade legal ao dar a ordem para matar Qassim Suleimani? O assassinato era justificável? Foi sábio?
Não. Os EUA não estão em guerra com o Irã e o Congresso não autorizou nenhuma ação militar contra o Irã. Claramente, há evidências de que Suleimani esteve envolvido em atos de terror. Ele também apoiou ataques às tropas americanas no Iraque. Mas a pergunta certa não é “esse cara era mau”, mas sim “assassiná-lo torna os americanos mais seguros?” A resposta é claramente não. Nossas forças estão em alerta mais alto por causa disso. Enviamos ainda mais tropas para a região para lidar com a ameaça aumentada. E o Parlamento iraquiano votou em expulsar nossas tropas, depois que gastamos trilhões de dólares e perdemos 4.500 soldados corajosos lá.

Em relação a uma possível ação militar futura contra o Irã, existe algum tipo de resposta que está fora de questão para você?
Eu trabalharia com nossos aliados europeus para diminuir as tensões com o Irã e me envolveria em uma diplomacia agressiva que salvaguardaria a segurança dos EUA e de nossos parceiros, evitando uma guerra desastrosa com o Irã.

3. Coreia do Norte

O desmantelamento do programa nuclear da Coréia do Norte tem sido uma prioridade americana, e o Presidente Trump tentou fazê-lo por meios incomuns: diplomacia direta com o líder do Norte, Kim Jong-un. Tudo começou em Cingapura em 2018, mas começou a desmoronar em fevereiro passado, quando Trump e Kim saíram de uma reunião de cúpula no Vietnã de mãos vazias. Enquanto isso, as sanções permanecem, o arsenal de armas e mísseis do Norte tem se expandido constantemente, e Kim ameaçou recentemente retomar os testes com mísseis.

Você continuaria a diplomacia pessoal que o presidente Trump começou com Kim Jong-un?
Sim.

Você reforçaria as sanções até a Coréia do Norte desistir de todos os seus programas nucleares e de mísseis?
Não.

Você gradualmente levantaria as sanções em troca de um congelamento no desenvolvimento de material físsil, como o presidente Clinton tentou?
Sim.

Você insistiria em desarmamento substancial antes de liberar qualquer sanção?
Não.

Você concordaria em começar a retirar tropas americanas da península coreana?
Não, não imediatamente. Trabalharíamos em estreita colaboração com nossos parceiros sul-coreanos para avançar em direção à paz na península coreana, que é a única maneira de finalmente lidarmos com a questão nuclear norte-coreana.

Descreva sua estratégia para a Coréia do Norte.
Cada passo que tomamos para reduzir a força nuclear da Coréia do Norte, abri-la para inspeções, terminar a Guerra da Coréia de 70 anos e incentivar relações pacíficas entre as Coréias e os Estados Unidos aumenta as chances de desnuclearização completa da península. A paz e o desarmamento nuclear devem prosseguir em paralelo, em estreita consulta com nosso aliado sul-coreano. Trabalharei para negociar um processo passo a passo para reverter o programa nuclear da Coréia do Norte, construir um novo regime de paz e segurança na península e trabalhar para a eventual eliminação de todas as armas nucleares norte-coreanas.

4. Afeganistão

A guerra no Afeganistão, iniciada após os ataques de 11 de setembro, é a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, e os documentos divulgados em dezembro revelaram que três administrações presidenciais sucessivas enganaram o povo americano sobre o progresso – ou a falta dele – em andamento. . Que os Estados Unidos devam se retirar tornou-se um raro ponto de acordo entre o presidente Trump e os democratas. Mas ainda existem divergências significativas sobre quando e em que condições essa retirada deve ocorrer.

As tropas americanas estariam no Afeganistão no final do seu primeiro mandato? Nesse caso, você limitaria a missão dessas tropas ao combate ao terrorismo e à coleta de informações?
Não.

A presença americana no Afeganistão dependeria de outras nações contribuindo com tropas no terreno?
Não.

Quanto tempo você vê tropas americanas sendo exigidas, em qualquer número, no Afeganistão?
Como presidente, eu retiraria as forças militares dos EUA do Afeganistão o mais rápido possível. Eu também pretendo tirar as forças americanas do Afeganistão até o final de meu primeiro mandato. Nossos militares estão no Afeganistão há quase 18 anos. Em breve, teremos tropas no Afeganistão que nem nasceram em 11 de setembro de 2001. É hora de encerrar nossa intervenção e trazer nossas tropas para casa, de maneira planejada e coordenada, combinada com uma séria estratégia diplomática e política que ajudará a entregar ajuda humanitária necessária. A retirada de tropas não significa retirar todo o envolvimento, e meu governo permaneceria politicamente engajado nesses países e faria o possível para ajudá-los a desenvolver sua economia e fortalecer um governo que é responsável pelo seu povo.

5. Israel

Em Israel, uma solução de dois estados – há muito vista como o único fim viável do conflito entre israelenses e palestinos – parece mais distante do que nunca depois que o presidente Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotaram um plano que parecia inclinar o resultado a favor de Israel. A decisão de Trump em 2018 de transferir a Embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém foi profundamente polarizadora. Assim é o B.D.S. Movimento (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que se tornou cada vez mais proeminente e que a Câmara condenou em uma resolução bipartidária no ano passado.

Os Estados Unidos devem manter seu atual nível de ajuda militar a Israel? Caso contrário, como deve mudar o nível da ajuda?
Sim, mas essa ajuda pode estar condicionada a Israel tomar medidas para acabar com a ocupação e avançar para um acordo de paz. Bernie acredita que a ajuda dos EUA deve estar condicionada a uma série de preocupações com direitos humanos. Os contribuintes americanos não devem apoiar políticas que comprometam nossos valores e interesses, em Israel ou em qualquer outro lugar.

Você apoia o B.D.S. movimento? Caso contrário, o presidente e / ou o Congresso devem agir para impedir isso?
Não. Embora eu não seja um defensor da B.D.S. movimento, eu acredito que os americanos têm o direito constitucional de participar de protestos não-violentos.

A Embaixada dos Estados Unidos em Israel deve ser transferida de Jerusalém para Tel Aviv?
Não como um primeiro passo. Mas estaria em discussão se Israel continuar a tomar medidas, como expansão de assentamentos, expulsões e demolições de casas, que minam as chances de um acordo de paz.

Todos os refugiados palestinos e seus descendentes devem ter o direito de retornar a Israel?
O direito dos refugiados de voltarem para suas casas após a cessação das hostilidades é um direito internacionalmente reconhecido, mas essa questão será negociada entre israelenses e palestinos como parte de um acordo de paz.

Você apóia o estabelecimento de um estado palestino que inclua terras na Cisjordânia demarcadas pelas fronteiras anteriores a 1967, exceto em assentamentos israelenses de longa data?
Sim, se a questão do acordo for negociada entre israelenses e palestinos.

Se você respondeu sim à última pergunta, o que você fará para conseguir isso onde as administrações anteriores falharam? Se você respondeu não, que solução você vê para o conflito israelense-palestino?
Quando se trata do processo de paz entre israelenses e palestinos, é necessária uma liderança credível dos Estados Unidos. Sou um forte defensor do direito de Israel de existir na independência, paz e segurança. Mas também acredito que os Estados Unidos precisam adotar uma abordagem imparcial em relação a esse conflito de longa data, que resulta no fim da ocupação israelense e permite que o povo palestino tenha independência e autodeterminação em um estado soberano, independente e economicamente viável. por conta própria. Em minha opinião, esse resultado final seria do melhor interesse de Israel, do povo palestino, dos Estados Unidos e de toda a região.

6. RussiaInternet,Virus,GuerraCibernética,Armas,Espionagem,Tecnologia,Hackers,Blog do Mesquita 01

A Rússia tem sido uma força profundamente desestabilizadora no cenário mundial há vários anos, inclusive através da anexação da Crimeia da Ucrânia em 2014 e sua intromissão nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. Depois de anexar a Crimeia, foi suspenso do bloco dos oito países industrializados do Grupo dos Oito (agora, na ausência da Rússia, o Grupo dos Sete). Mas o presidente Trump se esforçou para readmitir a Rússia no G-7 e realizou várias reuniões com o presidente Vladimir Putin, cujo conteúdo não foi divulgado.

Se a Rússia continuar em seu curso atual na Ucrânia e em outros ex-estados soviéticos, os Estados Unidos devem considerá-lo um adversário ou mesmo um inimigo?
Sim.

A Rússia deve ser obrigada a devolver a Criméia à Ucrânia antes que ela seja permitida de volta ao G-7?
Sim.

7. ChinaGuerras,Tecnologia,Primeira Guerra,Mundial,Armas 3

O governo chinês tem perseguido sistematicamente as minorias muçulmanas: separando famílias, submetendo uigures e cazaques a trabalhos forçados e operando campos de internação. Também está envolvido em uma crise política em Hong Kong, uma região administrativa especial da China. Ao mesmo tempo, o presidente Trump adotou uma linha dura no comércio com a China, impondo tarifas economicamente prejudiciais. No mês passado, Estados Unidos e China assinaram um acordo comercial inicial.

O respeito pela independência política de Hong Kong, nos termos do acordo de entrega com a Grã-Bretanha, deve ser um pré-requisito para as relações normais e o comércio com a China?
Sim.

As relações e o comércio normais deveriam depender do fechamento da China de seus campos de internação para uigures e outros grupos minoritários muçulmanos?
Sim.

8. OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar entre 29 países da América do Norte e da Europa, tem sido a peça central da política externa dos Estados Unidos há décadas. Mas o presidente Trump muitas vezes criticou a aliança, argumentando que os Estados Unidos dão demais e recebem muito pouco dela. Durante sua campanha de 2016, ele se recusou a se comprometer com o compromisso central da OTAN – defender outros membros se eles forem atacados – se os membros em questão não tivessem cumprido seus compromissos de gastos, e assessores dizem que, em 2018, ele sugeriu repetidamente a retirada. No ano passado, a OTAN concordou em reduzir a contribuição dos Estados Unidos e aumentar a da Alemanha.

Os países da OTAN deveriam pagar mais pela defesa do que seu compromisso atual de pelo menos 2% do PIB.
Não.

Os países que não cumprirem seu compromisso de financiamento da OTAN ainda receberão uma garantia da ajuda dos Estados Unidos se forem atacados?
Sim.

9. Política de Segurança Cibernética

O armamento cibernético surgiu como a principal maneira pela qual as nações competem entre si e se enfraquecem em conflitos de curta guerra. No entanto, existem poucas regras internacionais que governam as batalhas diárias – ou impedem a escalada. À medida que uma guerra sombria surge no ciberespaço, o presidente Trump deu muito mais poderes ao Comando Cibernético dos Estados Unidos e à Agência de Segurança Nacional.

Uma ordem presidencial deve ser obrigar um ataque cibernético contra outro país, assim como é necessário para lançar um ataque nuclear?
Sim.

A nova estratégia do Comando Cibernético dos Estados Unidos é “envolvimento persistente”, o que significa que os EUA se aprofundam em redes de computadores estrangeiras para se envolver constantemente com adversários e dissuadir greves nos Estados Unidos. Você continuaria com esta política?
Eu realizaria uma revisão abrangente da estratégia cibernética dos EUA e trabalharia para reunir países em torno de convenções internacionais para controlar o uso dessas armas perigosas.

Você respondeu à última pergunta, você insistiria que outras nações que buscam “engajamento persistente” não poderiam estar dentro das redes de energia americanas e outras infraestruturas críticas?
Não seria aplicável nesses casos.

10. Estratégia de Segurança NacionalBlog do Mesquita,guerra,Economia,Emprego,Adam Smith

Na era pós-Guerra Fria – e especialmente após os ataques de 11 de setembro – o ponto focal da política externa americana mudou-se para o contraterrorismo, o Oriente Médio e o Afeganistão. O presidente Trump, pelo menos no papel, defendeu a mudança da política externa americana de volta para enfrentar as “potências revisionistas” da Rússia e da China.

A estratégia de segurança nacional do presidente Trump exige que o foco da política externa americana se afaste do Oriente Médio e do Afeganistão e volte ao que se refere às superpotências “revisionistas”, Rússia e China. Você concorda? Por que ou por que não?
Apesar de sua estratégia declarada, o governo Trump nunca seguiu uma estratégia coerente de segurança nacional. De fato, Trump aumentou as tensões no Oriente Médio e nos colocou à beira da guerra com o Irã, recusou-se a responsabilizar a Rússia por sua interferência em nossas eleições e violações de direitos humanos, não fez nada para resolver nosso acordo comercial injusto com a China que só beneficia empresas ricas e ignorou o internamento em massa de uigures na China e sua repressão brutal a manifestantes em Hong Kong. Claramente, Trump não é um presidente do qual devemos tomar notas.

Como a nação mais rica e poderosa do mundo, precisamos ajudar a liderar a luta para defender e expandir uma ordem internacional baseada em regras na qual a lei, e não a força, faz o que é certo. Quando for presidente, alavancaremos nossa posição como potência mundial para combater a ascensão do eixo autoritário internacional e trabalharemos para construir uma coalizão que se mobilize por trás de uma visão de prosperidade, segurança e dignidade compartilhadas para todas as pessoas.

11. Prioridade Diplomática

O próximo presidente será confrontado com uma série de desafios de política externa, desde o programa nuclear da Coréia do Norte até os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas. Não será possível abordar todos eles de uma vez. Isso torna essencial entender não apenas as políticas dos candidatos, mas também suas prioridades.

Qual seria a sua principal prioridade para o seu secretário de Estado?
Acredito há muito tempo que os EUA devem liderar o mundo na melhoria da cooperação internacional para enfrentar desafios compartilhados. É por isso que, juntamente com meu secretário de Estado, implementarei uma política externa focada na democracia, direitos humanos, justiça ambiental e justiça econômica. Liderar um esforço internacional contra a ameaça urgente das mudanças climáticas será uma prioridade.

Quando for presidente, reverteremos o ataque de Trump à diplomacia. Por exemplo, enquanto a China expande sua presença diplomática em todo o mundo, os EUA estão encolhendo. Mais de 25% das posições-chave do Departamento de Estado permanecem vagas. Tornaremos o recrutamento para o Departamento de Estado e a reconstrução de nosso corpo diplomático profissional uma prioridade. Investir mais em diplomacia, desenvolvimento e prevenção de conflitos a montante pode impedir a necessidade de intervenção militar a jusante. Agora, a falta de diplomacia e a ajuda externa resultarão em maiores necessidades de defesa militar.
Com dados do New York Times

Coronavirus: Trump elogia a China pelas medidas tomadas

Depois de falar por telefone com o líder da China, Xi Jinping, o presidente Trump disse no Twitter que “ele será bem-sucedido”.
A China anuncia uma investigação após a morte de um médico de Wuhan, que em dezembro de 2019 havia primeiro informado o suto do coronavirus.

Aumento acentuado no número de casos de coronavírus em navios de cruzeiro no Japão.

Equipamentos de proteção são usados perto do navio de cruzeiro Diamond Princess em Yokohama, Japão, na última sexta-feira.

Autoridades japonesas disseram na sexta-feira que 61 pessoas haviam testado positivo para o coronavírus em um navio de cruzeiro em quarentena em Yokohama, um aumento acentuado em relação aos 20 casos confirmados na quinta-feira.

As autoridades examinaram 273 passageiros que, segundo eles, estavam potencialmente expostos ao vírus. Os 41 novos pacientes deveriam ser retirados do navio para tratamento médico.

Mais de 2.000 passageiros do navio Diamond Princess ficaram presos em suas cabines durante dias como parte de uma quarentena de duas semanas. As refeições foram irregulares e somente na quinta-feira foram finalmente permitidos a pequenos grupos sair e respirar um pouco de ar fresco.

“Eu continuo ouvindo tosses dolorosas de um estrangeiro em uma sala próxima”, escreveu um passageiro no Twitter na quinta-feira, observando com preocupação que os membros da tripulação estavam entregando refeições de sala em sala. “Eu posso ser infectado hoje ou amanhã.”

Outros passageiros que passaram o tempo nas redes sociais relataram sinais mais esperançosos. Observou-se que os suprimentos estavam sendo transferidos para o porto e que as ambulâncias estavam em posição. Outro disse que equipes de entretenimento estavam visitando quartos de hóspedes para animar as pessoas e que papel higiênico havia sido distribuído.

O presidente Trump falou na quinta-feira na Casa Branca – Foto: Doug Mills / The New York Times.

O presidente Trump elogiou a resposta da China ao surto de vírus na sexta-feira depois de falar por telefone com seu líder, Xi Jinping, que ele disse estar liderando “o que será uma operação de muito sucesso”.

“Ele é forte, afiado e poderosamente focado em liderar o contra-ataque ao Coronavírus”, disse Trump em um par de posts no Twitter na sexta-feira. “Ele sente que eles estão indo muito bem, até construindo hospitais em questão de dias. Nada é fácil, mas ele será bem-sucedido, especialmente quando o tempo começar a esquentar e o vírus, esperançosamente, ficar mais fraco e depois desaparecer. ”

Trump frequentemente elogia Xi e fala calorosamente de seu relacionamento, mesmo durante uma guerra comercial feroz contra a China.

Dos 41 novos casos, 21 eram japoneses, afirmou o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão. Nenhum desses 41 passageiros estava em estado grave na manhã de sexta-feira.

Separadamente, um navio de cruzeiro com 3.600 pessoas a bordo permanece preso em Hong Kong. Yu Li, mãe de dois bebês no cruzeiro World Dream, disse que a parte mais difícil foi a falta de clareza das autoridades locais sobre onde os passageiros seriam colocados em quarentena.

“A maioria dos passageiros está disposta a ficar isolada, com ou sem sintomas”, disse ela em entrevista. “Espero que o governo possa nos dar uma resposta o mais rápido possível e nos dizer se ocorrerá em casa, no cruzeiro ou em centros de quarentena designados”.

Mapa dmostrando a expasão doda epidemia do coronavírus
O vírus adoeceu mais de 31.500 pessoas na China e em 24 outros países.


Outros passageiros que passaram o tempo nas redes sociais relataram sinais mais esperançosos. Observou-se que os suprimentos estavam sendo transferidos para o porto e que as ambulâncias estavam em posição.

Um outro disse que equipes de entretenimento estavam visitando quartos de hóspedes para animar as pessoas e que papel higiênico havia sido distribuído.

Famílias com crianças pequenas estão em sua maioria lotadas em seus quartos e assistindo a filmes distribuídos pela companhia de cruzeiros para ajudar a aliviar o tédio, disse Li. Os passageiros mais velhos, disse ela, estavam menos dispostos a ficar confinados em seus quartos, escolhendo jogar mahjong em espaços comuns.

As preocupações se estenderam a outras empresas de cruzeiros, incluindo a Royal Caribbean, que afirmou estar trabalhando com os Centros de Controle de Doenças, a Organização Mundial da Saúde e as autoridades locais de saúde para proteger os passageiros.

“Como as companhias aéreas, estamos participando de níveis elevados de triagem de convidados para verificar a propagação do coronavírus”, afirmou em comunicado. “Estamos monitorando de perto os desenvolvimentos em relação ao coronavírus e temos protocolos médicos rigorosos em vigor a bordo de nossos navios”.

Dos 41 novos casos, 21 eram japoneses, afirmou o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão. Nenhum desses 41 passageiros estava em estado grave na manhã de sexta-feira.

O número de mortos e o número de infecções continuaram a subir na China, segundo dados oficiais divulgados no início da sexta-feira.

Os novos números elevaram o número total de mortes na China para pelo menos 636. E o número total de casos confirmados subiu para 31.161.

Sessenta e nove das mortes recentemente relatadas ocorreram na província de Hubei, o coração do surto, disseram as autoridades, mas também houve quatro mortes fora da província: uma nas províncias de Jilin, Henan, Guangdong e Hainan.

Muitos médicos acreditam que as mortes e infecções na China são subestimadas, porque hospitais e laboratórios estão sob severa pressão para testar o vírus.


Li Wenliang, o médico de Wuhan que foi silenciado após alertar os colegas sobre o coronavírus no final de dezembro. Na sexta-feira, o Dr. Li morreu do vírus, que ele pegou de um paciente.

Li Wenliang no Hospital Central de Wuhan no mês passado.
Crédito … Li Wenliang, via Agence France-Presse – Getty Images


Os trabalhadores de hospitais de Hong Kong terminaram a greve.

Dos 7.000 funcionários do hospital que votaram na sexta-feira, cerca de 4.000 votaram contra a extensão da paralisação … Crédito: Philip Fong / Agence France-Presse – Getty Images

Líderes sindicais representando funcionários de hospitais que realizam uma paralisação de cinco dias anunciada na sexta-feira no final do protesto, depois que a maioria dos membros votou para voltar ao trabalho.

O voto dos membros do sindicato, a Aliança dos Funcionários da Autoridade Hospitalar, veio horas antes de uma nova regra que sujeitaria todas as pessoas que entravam na cidade através da China continental a uma quarentena obrigatória de 14 dias. A regra estava programada para entrar em vigor à meia-noite. O governo anunciou as restrições no início da semana, depois que os trabalhadores do hospital começaram sua ação industrial.

Milhares de trabalhadores do sindicato – formados durante o movimento de protesto contra o governo em Hong Kong – participaram da greve para exigir que o governo fechasse todos os postos de controle fronteiriços do continente para combater o surto de coronavírus.

“Sem o trabalho, o apoio e a perseverança de todos, nosso ato de resistência não teria acontecido”, disse Winnie Yu, a presidente do sindicato, em lágrimas, aos trabalhadores médicos que se reuniram na sede da Autoridade Hospitalar.

Censura: Os pedidos de liberdade de expressão aparecem nas mídias sociais chinesas – por um tempo.

Para muitos usuários de mídia social chineses que lamentaram Li Wenliang na sexta-feira, a tragédia foi uma lição sobre a importância da liberdade de expressão – uma que o governo não entendeu.

Pequim aumentou sua censura por relatos de investigações que expuseram erros cometidos por autoridades que subestimaram e minimizaram a ameaça do coronavírus. Os principais líderes da China intensificaram os esforços para fazer com que a cobertura jornalística se concentrasse mais em desenvolvimentos positivos na batalha contra a epidemia.

A hashtag #wewantfreedomofspeech #, criada no serviço semelhante ao Twitter Weibo às 2 da manhã de sexta-feira, tinha mais de dois milhões de visualizações e mais de 5.500 postagens às 7 da manhã, em meio ao clamor online pela morte de Li. Ele foi excluído pelos censores, juntamente com tópicos relacionados, como aqueles dizendo que o governo de Wuhan devia ao Dr. Li um pedido de desculpas.

“Eu amo meu país profundamente”, dizia um post sobre esse tópico. “Mas não gosto do sistema atual e do estilo de governo do meu país. Cobriu meus olhos, meus ouvidos e minha boca.


Aviões fretados dos Estados Unidos estão evacuando os americanos que estão em Wuhan. Pousam no Canadá e na Califórnia.

Por outro lado as companhias aéreas dos USA suspederam os voos entre os Estados Unidos e a China continental: Delta Air Lines, American Airlines e United Airlines suspenderam seus serviços na semana passada.

Uma aeronave fretada pelo Departamento de Estado para evacuar funcionários do governo e outros americanos de Wuhan, China, na Base da Reserva Aérea de março, no condado de Riverside, Califórnia, na semana passada. Crédito: Mike Blake / Reuters

Dois vôos que evacuaram americanos de Wuhan, China, o centro do surto de coronavírus, aterrissaram na sexta-feira na Base da Força Aérea Travis, no norte da Califórnia, e em Vancouver, na Colúmbia Britânica. Os vôos, fretados pelo Departamento de Estado, levavam aproximadamente 300 passageiros. Sua chegada eleva o número total de vôos de evacuação para cinco.

A OMS – Organização Mundia de Saúde – diz que o suprimento global de máscaras e outros equipamentos está acabando.

A Organização Mundial da Saúde disse na sexta-feira que havia uma escassez crônica mundial de vestidos, máscaras, luvas e outros equipamentos para proteger contra a propagação do coronavírus.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da organização, disse que conversaria com os fornecedores “para identificar os gargalos e encontrar soluções”, além de pressionar pela “justiça na distribuição de equipamentos”.

Em Angers, França, uma empresa pertencente à empresa de suprimentos médicos Kolmi Hopen faz 170 milhões de máscaras faciais médicas por ano.

À medida que os pedidos chegam a um ritmo impressionante, Kolmi Hopen está contratando mais trabalhadores para acompanhar a demanda.

“Estamos fazendo máscaras o mais rápido possível”, disse Guillaume Laverdure, diretor de operações da empresa-mãe de Kolmi Hopen, a Medicom, sediada no Canadá.

“Mas a demanda ainda está aumentando”, acrescentou.

O aumento da demanda por equipamentos de proteção individual, como máscaras faciais, elevou os preços e os estoques esgotados necessários por médicos e enfermeiros nas linhas de frente da epidemia de coronavírus, disse na sexta-feira o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde. .


Australianops residentes em Wuhan serão evacuados e colocados em quarentena em uma vila mineira vazia no Território do Norte da Austrália, disse o primeiro-ministro Scott Morrison na sexta-feira.

Descarregando alimentos e suprimentos frescos de um avião militar australiano na sexta-feira na Ilha Christmas, onde estão abrigados refugiados de Wuhan. Crédito: Richard Wainwright / EPA, via Shutterstock.

Cerca de 270 australianos que foram evacuados de Wuhan na segunda-feira estão atualmente alojados em um antigo centro de imigração na Ilha Christmas, a 2.000 milhas a oeste do continente australiano.

Mas como esse centro tem pouca capacidade, o governo está agora preparando a vila de Manigurr-ma, perto da cidade de Darwin, no norte, para abrigar o novo grupo de evacuados. A vila era usada anteriormente pela Inpex, uma empresa de petróleo e gás, para abrigar trabalhadores da construção civil, e possui uma academia, uma sala de jantar e uma piscina.