Fatos & Fotos – 12/02/2021

A paixão como ofício
José Mesquita

No espaço finito do espanto
Descoberto no brilho do olhar,
A paixão não exige o absoluto.
Contenta-se com a incredulidade.

Aprisiona o espaço, subverte
o tempo a uma monumentalidade
totêmica. Reinventa a palavra
que afaga e consola cansaços.

Não existirão vastidões
bastantes que impeçam
a travessia dos desejos,

nem tangenciam esquinas
que desviem de sua pele
as veredas da minha paixão.



Bolsonaro diz que também quer acesso a conversas hackeadas da Lava-Jato.
Se ele não faz parte do processo, porque o tribunal liberaria o acesso às mensagens?
O que ele quer provar? Do que ele tem medo? Fiquemos de olho


Estudo revela que Trump foi responsável pelo grande número de mortes pela Covid-19 nos EUA

O estudo publicado pela revista The Lancet, uma das publicações científicas de maior renome no mundo, cita “uma lista assustadora” de políticas que levaram ao aumento astronômico de mortes. Entre estes fatores estão o desmonte da saúde pública, o racismo e a desigualdade social


O Twitter suspendeu ontem a conta “Médicos pela Liberdade” que propagava fake news sobre a Covid-19. A conta já tinha 60 mil seguidores e postava informações falsas sobre medicamentos, isolamento e sobre vacinas.


Ex-Libris


O ex-libris é uma espécie de gravura inserida geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário. Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes. Daí, justamente, a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”. A expressão – às vezes também se usava ex dono ou ex biblioteca – inscrita no corpo da obra seguida do nome do proprietário, indicava a sua proveniência.


Senadora Soraya qualquer coisa, do PSL pede fim de discriminação contra brancos. Uáu! Que coisa, né? Um país onde homens brancos e ricos,coitados, não têm um minuto de sossego.Não é mesmo?


O dia está cinzento, a chuva não para de cair e mesmo assim eu tenho um sorriso para entregar ao mundo. Há muito tempo eu percebi que quem determina a felicidade de um dia são as pessoas. É cada um de nós. E talvez por isso a chuva não esteja me incomodando; talvez por isso eu continue sorrindo e com o coração cheio de alegria. O que de verdade me inquieta é desesperança e a negrura de algumas pessoas. Vamos viver este dia e aproveitar a chuva porque até ela pode representar prazer e bem-estar.
Aquarela de José Mesquita


No dia de hoje, mas em 1809, nascia – para desmontar os futuros criacionista – um dos cientistas mais importantes da história, Charles Darwin. O inglês estudou medicina, artes e religião seguindo os desejos de seu pai, mas só se interessou mesmo por botânica, entomologia – estudo de insetos – e geologia. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição que mudou sua vida. Durante a viagem, ele percebeu semelhanças entre várias espécies em diferentes locais. Darwin passou a estudar a questão e publicou sua obra mais famosa, “A Origem das Espécies”, na qual apresentou sua teoria de seleção natural.


Governo Bolsonaro gasta 13 milhões com publicidade de remédios ineficazes contra a Covid-19,
Maior contrato firmado por agência foi com a TV Record. O governo confirma valores.
O nome dessa excrescência é improbidade administrativa.


Essa vai para a conta do genocida.

Encalhe de cloroquina é superior a 1,8 milhões de comprimidos.
O inferno o aguarda e satanás sem K&Y na ponta do tridente. Mas laboratórios do Exército deixaram faltar outro medicamento, imunossupressor, cuja escassez pode matar transplantados. Estoque de vacina dá para apenas mais uma semana. Idiotia fascista negacionista custa milhares de vidas. Milhares.


O general Pazuello vai ao senado. E mente. Mais uma vez. Disse cinicamente que foram surpreendidos pelo aumento da crise do covid em Manaus. Mentira. Sabiam desde maio que o quadro era muito grave.



Eric Clapton – Over the Rainbow


General Villas Bôas revela que houve em abril de 2018 uma articulação golpista para pressionar o STF a recusar um habeas corpus que poderia ter impedido a prisão do ex-presidente Lula. Bora combinar que nem deve ter sido muita pressão, né?


2022 – De um lado Capitão Cloroquina, paraquedista expulso do exército, do outro Haddad, o professor com 3 faculdades pós graduadas, mestrado em economia, falando 5 idiomas, ex ministro de 2 governos, ex prefeito premiado de São Paulo


Fotografia de Mèlanie Hoepffner


PQP. Com dinheiro público, militares compraram 80 mil cervejas e 700 toneladas de picanha.


Pintura de Liza Hirst – Two and Two


É do “carvalho”! 700 toneladas de picanha e 80 mil garrafas de cerveja em 2020?


Vixi! É pra ter pesadelo.


Moonlight in Vermont (Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

Fatos e Fotos – Dia 07/01/2021

A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara EUA, acaba de declarar em pronunciamento à Nação, que, se a 25a. Emenda não for invocada pelo vice Mike Pence, para afastar Donald Trump por incapacidade, o Congresso fará seu impeachment. A duas semanas fim do governo.
Enquanto isso o bundão do Bundão do Rodrigo Maia não sai de cima dos 60 pedidos de Impeachmente da Peste.


A mesma energia!

Se ganhando, a Peste já faz a maior confusão e arrasta o bloco dos sujos pelo planalto central, imaginem se for derrotado – para alcançar tal desiderato, serei capaz de sair de casa prá ir votar até no Huck – imaginem se for derrotado. 2022 tá “mêrmo ali!”


Acordemos pelo amor dos Deuses. Olhem a turba. Leiam o que está escrito nas camisas – vocês sabem o que siginificam as sigla 6MWE? “6 million weren’t enough”. Referência direta ao campo nazista de Auschwitz de extermínio de judeus na segunda guerra mundial.
2022 tá logo ali!


Se Trump – dificílimo,mas não de todo impopssível – não for preso por ter convocado um golpe, as consequências do que estamos testemunhando acontecer nos Estados Unidos serão terríveis – e para muito, muito além dos Estados Unidos. Para salvar a democracia americana é preciso prender Trump.


Espero que todo o Brasil, quem usa mais de dois neurôneio simultâneamente, tenha visto o que a extrema-direita está fazendo nos EUA, porque o bolsonarismo vai tentar o mesmo aqui. Por isso que é preciso interromper o governo bolsonaro o mais rápido possível antes que ele empodere ainda mais suas milícias. E há lei para isto.


Se os manifestantes hoje em Washington fossem negros, a borracha já teria descido no lombo dos manifestantes.



Foto do dia – Alfred Stieglitz


O ano passado os congressistas dos Estados Unidos não ligaram para o pedido de impeachment do Trump.
Lembem-se disso. Faltam só dois anos.

Autogolpe de Trump fracassou por não ter apoio militar, diz Steven Levitsky, autor de Como as Democracias Morrem

Um acontecimento que não se via nos Estados Unidos desde o século 19.

Um grupo de apoiadores do presidente americano, Donald Trump, invadiu e depredou a sede do Congresso dos EUA, em Washington, após ultrapassarem as barreiras montadas por agentes de segurança, em meio a confrontos isolados.

O ato violento no Capitólio na quarta-feira (6/1) ocorreu logo depois que Trump discursou para uma multidão em frente à Casa Branca, a quase 3 km dali, repetindo acusações sem prova e rejeitadas por diversos juízes do país de que houve fraude na eleição em que perdeu para Joe Biden.

O que se viu no Capitólio foram cenas de caos, com congressistas deitados no chão, sendo evacuados e colocando máscaras antigás.
Para o professor de governabilidade da Universidade Harvard, Steve Levitsky, a invasão do Congresso foi uma resposta a “quatro anos de descrédito e deslegitimação da democracia” por parte do Partido Republicano e de Trump.

A cidade de Washington impôs um toque de recolher nesta quarta-feira a partir das seis da tarde.

Levitsky é coautor do livro Como as Democracias Morrem, de 2018, no qual expõe “os sinais alarmantes que põem em risco a democracia liberal dos EUA”.

Estudioso também dos processos democráticos e presidenciais da América Latina, Levitsky descreveu a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump como uma “tentativa de autogolpe”, em entrevista à BBC News Mundo, serviço da BBC em espanhol.

Para ele, “a grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares” e “um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem poucas chances de sucesso”.

Apoiadores de Trump invadiram o Capitol enquanto as sessões eram realizadas para certificar votos para Joe Biden.

Segundo sua análise, “a democracia sobreviverá a este dia”, mas o que se coloca para o futuro do país é um período de crise bastante incerto.

BBC – Que interpretação o senhor dá para a insurgência de apoiadores de Trump no Capitólio dos Estados Unidos?

Levistky – Pode-se presumir que isso iria acontecer. Donald Trump e muitos, muitos líderes republicanos têm incitado, têm mentido para sua base que os democratas estão arruinando o país e subvertendo a democracia. Eles vêm dizendo isso há cinco anos.

E então, depois de perder a eleição, não só Trump mas também líderes do Partido Republicano estavam lá no Congresso, repetindo a mentira e desacreditando a legitimidade da democracia e das instituições. Depois de anos mobilizando sua base com uma linguagem que incluía termos como socialismo ou traição, pode realmente surpreender que isso esteja acontecendo depois que você perdeu a eleição?

Na história da América Latina, quando os líderes incitam seus seguidores em um ambiente altamente polarizado, as pessoas agem. Palavras têm significado, elas têm poder.

O que me surpreende nisso é como a polícia estava mal preparada.

A Polícia do Capitólio, fortemente armada, deteve alguns manifestantes

BBC – Como o senhor interpreta as reações de alguns membros do Partido Republicano e do próprio presidente Trump, que em um tuíte nesta quarta-feira (6/1) pediu a seus apoiadores que não fossem violentos?

Levistky – O presidente já foi radicalmente violento antes e, se não queria que isso acontecesse, precisava agir mais rápido e se mobilizar para evitar. Ele provavelmente não deveria ter sugerido que marchassem até o Congresso. Trump os enviou para lá, ele os incitou a se mobilizarem para o Congresso. O fato de que os líderes republicanos agora estão rompendo com Trump é hipócrita, depois de o apoiarem por anos, mas é importante e positivo. Parece-me positivo ter visto discursos como o de Mitch McConnell (líder da maioria do Partido Republicano no Senado).

BBC – Estamos diante de uma revolução, de um golpe de Estado, de uma insurreição?

Levitsky – É uma variante do que na América Latina chamaríamos de autogolpe. É um presidente mobilizando seus apoiadores para permanecer no poder ilegalmente. Será um autogolpe fracassado, mas é uma insurreição do poder para tentar subverter os resultados da eleição e permanecer no poder ilegalmente. Eu diria que foi uma tentativa de autogolpe.

BBC – Na América Latina, esse tipo de situações que o senhor descreve são prejudiciais à democracia. O senhor diria que este é um momento perigoso na história americana? Diria que a democracia permanecerá forte, e o presidente eleito Joe Biden será empossado em 20 de janeiro?

Levistky -Tenho esperado com terror por este dia na democracia americana nos últimos quatro anos. Todos os dias durante quatro anos. Nossa democracia está em grave crise e este é o ponto culminante dela. Mas não é que tenha saído do nada. Nossa democracia está em crise há vários anos e acho que vai continuar assim.

Este autogolpe vai fracassar. Aqueles que protestarem em algum momento serão retirados do Capitólio e em algum momento a eleição de Biden também será certificada, e Trump será removido da Presidência. Agora, não está claro como isso vai acontecer. Mas Trump vai fracassar, e a democracia americana sobreviverá aos eventos de hoje.

Mas isso não significa que está tudo bem. São acontecimentos aterrorizantes e prejudiciais como na América Latina. A grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares. Um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem muito poucas chances de sucesso.

BBC – O senhor fala com segurança que a democracia sobreviverá e que esta será uma tentativa fracassada.

Levistky – Hoje. Acredito que, no médio prazo, estamos nos aproximando de um período de crise. Eu digo que esta tentativa de hoje irá falhar, porque a correlação de forças não existe para apoiar Trump. Não tem apoio militar. A democracia sobreviverá quando acordarmos amanhã, mas não posso garantir o que acontecerá daqui a cinco anos. A democracia americana é um desastre.

BBC – O presidente eleito Joe Biden mencionou que a democracia estava “sob um ataque sem precedentes” com os acontecimentos desta quarta-feira. Esta situação é extraordinária no contexto da história americana moderna?

Levistky – É extraordinário e sem precedentes no contexto da história americana moderna. No século 19, o país passou por uma era de violência, especificamente nos anos anteriores à Guerra Civil, e também vivenciou violência, especificamente em nível estadual, durante anos após a Guerra Civil. Portanto, em meados do século 19, os EUA experimentaram crises ainda mais graves do que as que vemos hoje. Mas não sofremos algo assim no século 20.

Isso não tem precedentes na história democrática moderna.

Trump discursou para seus apoiadores em Washington na quarta-feira antes de invadirem o Capitólio

BBC – E quais são os mecanismos dos poderes constituídos para lidar com essa crise? Na Constituição ou nas legislaturas?

Levistky – Formalmente, existem dois mecanismos, mas nenhum deles foi usado até agora. Um é o impeachment ou o impeachment que leva à remoção. Nos EUA, ocorreram julgamentos políticos de presidentes, mas não resultaram em sua destituição do poder. É um processo bastante longo, a menos que o façamos à maneira peruana, de retirar o presidente durante a noite. É improvável que isso aconteça.

E há outro mecanismo, a emenda nº 25 à Constituição, que é mais recente porque foi aprovada em meados do século 20, e também não foi usado até agora.

Nenhum desses mecanismos foi adotado.

A América Latina tem muito mais experiência em provocar a destituição de presidentes que abusam do poder do que os EUA. A grande maioria das democracias presidencialistas está na América, mas nunca usamos o mecanismo americano para remover um presidente nos termos constitucionais.

Acho que a melhor saída seria Trump renunciar, seria que aqueles de seu próprio partido pressionassem Trump a renunciar. Ele não vai, mas deveria.

BBC – Mas ele está dizendo que não vai. Então, se ele nunca o fizer, se ele nunca ceder, o que acontece?

Levitsky – Durante o mês de novembro, esperei que sua filha e seu genro o fizessem entender, e há reportagens que indicam que ele sabe que perdeu e que deve ir embora. Uma característica de Trump é que ele não antecipa as consequências do que diz e faz. Então, eu não acho que ele previu o que acabou acontecendo hoje no Capitólio, embora ele o tenha instigado.

Acho que Trump sabe que tem que sair e acho que o cenário mais provável, apesar deste terrível golpe fracassado, é que os americanos virem a página e deixem Trump passar suas últimas duas semanas no cargo. Tudo é possível neste momento, mas parece improvável que ele tente se recusar a sair em 20 de janeiro.

Não teremos mais uma transição pacífica de poder, mas será, mais ou menos, uma transferência de poder habitual.

BBC – O senhor disse que a invasão do Capitólio é o ponto culminante de cinco anos de um intenso jogo político entre o presidente Trump e o Partido Republicano. O que o senhor acha que acontecerá no contexto de uma nova Presidência democrata de Joe Biden?

Levitsky – Eu acho que é muito incerto. Decerto não há tantas pessoas nas ruas; obviamente estão fazendo muito barulho, mas em comparação com a marcha das mulheres depois que Trump foi eleito, esta é uma festa no jardim. Não é que as massas estejam tomando as ruas, isso não é uma revolução. Esta não é a Argentina em outubro de 1945.

Então, o que eu acho, dependendo do que Trump faz, é que em algum momento ele terá que desistir. E se ele desistir e voltar para a Flórida, acho que isso vai ficar mais fraco. Ainda haverá uma direita radicalizada e mobilizada, mas não acho que Biden esteja enfrentando uma crise de governança.

Na verdade, acho que talvez isso o fortaleça. Porque agora os republicanos estão à beira de uma divisão severa. Portanto, acho que há várias coisas que podem acontecer: Uma, que o Partido Republicano finalmente se reunirá e derrubará Trump, de modo que ele acabe isolado, junto com seus aliados como (Rudy) Giuliani e as pessoas a quem perdoou. E que Mitch McConnell, Marco Rubio e até Ted Cruz acabam abandonando Trump.

Ou a outra coisa que pode acontecer é que o Partido Republicano se divida, quebre, como parecia que ia acontecer nesta quarta-feira. Não estou falando de uma divisão formal, mas de uma composição na qual há uma ala do partido que ainda está fortemente alinhada com Trump e outra ala que está tentando ir além de Trump. E se os republicanos estão divididos, isso vai fortalecer Biden.

América Latina reage à alta da covid-19, mas Brasil segue inerte

Janeiro trouxe uma escalada de novos casos de covid-19 na América Latina.

Ainda não está claro se este é o início de uma segunda onda ou um agravamento da primeira após algumas semanas de trégua. Enquanto a região espera a chegada das primeiras doses da vacina —só Argentina, México, Chile e Costa Rica iniciaram campanhas de imunização—, a solução à disposição continua sendo a quarentena.

Os Governos, no entanto, terão que enfrentar a resistência social a novos confinamentos. Federico Rivas Molina e Sonia Corona contam como Buenos Aires estuda um “toque de recolher sanitário” e a Cidade do México fechou atividades não essenciais diante do aumento do número de leitos de UTI ocupados, mas nada fez o Brasil. Apesar dos números em alta e do atraso na vacinação, a maioria das autoridades brasileiras segue inerte.

Nos Estados Unidos, a jornada desta quarta-feira se adivinha wagneriana. Um grupo de senadores e congressistas republicanos planeja torpedear a certificação do democrata Joe Biden como vencedor das eleições presidenciais, prevista para ocorrer em uma sessão bicameral no Capitólio. A investida não tem perspectiva de se traduzir em nada mais do que uma manifestação da polarização.

Trump manteve o clima de tensão no ar, desta vez mirando seu número dois, o vice-presidente Mike Pence, que deve presidir a cerimônia. O nova-iorquino pediu que Pence use seu posto para impedir a confirmação de Biden, algo que não pode fazer.

Enquanto Trump se dedica a manobras sem efeito, o Estado da Geórgia define a margem de manobra que Biden terá sobre o Senado. O democrata já avançou com a vitória de Raphael Warnock em uma das duas vagas — o pastor evangélico fez história ao se tornar o primeiro senador negro a ser eleito neste Estado sulista. Se o outro candidato democrata vencer, o Senado ficará formado por 50 republicanos e 50 democratas (incluindo dois independentes), mas a próxima vice-presidenta, Kamala Harris, exercerá o voto decisivo nos casos de empate.

Em Brasília, o único tema é a sucessão no comando do Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados. Com o objetivo de conter Jair Bolsonaro, a esquerda se aliou ao candidato do atual presidente, Rodrigo Maia, o deputado Baleia Rossi, um dos articuladores do impeachment de Dilma em 2016, contra o candidato do Planalto, Arhur Lira, explica Afonso Benites. Baleia Rossi formaliza nesta quarta sua candidatura. Para o cientista político Cláudio Couto, o apoio representa a tentativa de manter os Poderes independentes. “É uma aliança visando estabelecer a independência do Legislativo, ainda mais diante dos arroubos autoritários do Bolsonaro. Se ele se comportou até aqui dessa forma tendo o Congresso independente, imagina se não o tivesse”, avalia.

E a Rússia deu adeus a George Blake ao som do hino nacional e com as salvas da guarda nacional de honra. O legendário espião britânico, que trabalhou para a União Soviética na época culminante da Guerra Fria, antes de ser descoberto, condenado e de protagonizar uma fuga cinematográfica em 1966, recebeu na quarta-feira uma despedida notável. De Moscou, María R. Sahuquillo escreve sobre a morte do mítico agente duplo marca o ocaso de uma época de espionagem em que o fator humano era decisivo.

Fatos & Fotos – 30/11/2020

Abandonado pelo deus mercado Paulo Guedes diz que se “sente apedrejado pelas costas.” Que dó! Um homem tão bom…



O ódio, a mentira e a estupidez não podem prevalecer. Máscaras caem com o tempo, você não consegue esconder por muito tempo quem você realmente é! Mostra sua essência!

“As pessoas acham que o mentiroso triunfa sobre suas vítimas. O que aprendi é que uma mentira é um ato de autoabdicação, porque quem mente entrega sua realidade à pessoa para quem a mentira se dirige, tornando-se servo daquele indivíduo, ficando condenado dali em diante a falsear a realidade tal qual ela exige. E, ainda que se consiga atingir o objetivo imediato visado pela mentira, o preço que se paga é a destruição daquilo que se pretendia obter. O homem que mente para o mundo é escravo do mundo dali em diante.”
Ayan Randt


Netanyahu, o líder internacional mais beneficiado por Trump e um gênio político, não apenas reconheceu a vitória de Biden como está em contato direto com o futuro presidente. Já a “praga” que destrói o que resta de “South Banânia” – South Banânia está sob intervenção militar desde 1964( Golbery fundou o PT para legitimar a farsa) – diz ter “fontes” dizendo ter havido fraude. Para a “praga”, o WhatsApp virou fonte melhor do que o Mossad.
Como um ventre pode parir um imbecil desse calibre?


Não seja (muito) idiota. Só o suficiente para acreditar em democracia, eleições e ideologias, já é um claro sinal de deficiência mental. Se seu candidato perdeu a eleição, chamar de burro todos que votaram no outro lado é uma forma de garantir a mesma derrota nas próximas eleições, imbecil!


Essa bosta inútil, acaba de passar um recibo de racista.

Além de fascista escroto é um racista de merda. Tudo porque aqui não passou monsieur Guilhotin.


São Paulo continua uma tragédia anunciada.

A esquerda não aprende a falar “dois pastel e um chops”. Esse povo comum é que decide se acredita ou não no discurso propagado pela Avenida Paulista.


Foto do Dia
Fotografia de Roberto Pazzi


Volto agora ao atelier para continuar flertando com o abismo, e contra o desafio desse moço, que me fita do cavalete como se não houvesse, ainda que réstias, de fúria e desalento em minha paleta de cores.

Enquanto for questão de sobrevivência, comigo mesmo, continuarei fora da caixa. Insone por insone, procurarei um canto entre as telas para me acalentar até o sol escamotear as trevas nas quais o Cramulhão do Planalto nos mergulhou.


No meu entendimento quem procura infindos argumentos e adjetivos para se explicar sobre o próprio voto, não sabe porque votou. E pior, a suruba de religião – qualquer uma – com política é sinal claro de desnutrição intelectual.

Essas pessoas para as quais tudo é justificado, para o bem ou para o mal, por decisões de divindades, precisam entender um pouco de nutrição; capim alimenta, mas não ilumina.
“Esta é a peculiaridade do privilégio e de qualquer posição privilegiada: matar o intelecto e o coração do homem. O homem privilegiado, seja ele privilegiado politicamente ou economicamente, é um homem depravado em intelecto e coração.”


Trump admitie vitória de Biden, mas segue narrativa de fraudes eleitoral

“Ele [Biden] venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump em sua conta no Twitter neste domingo (15).

“Ele venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump, ao apontar arbitrariedades no processo eleitoral, sem apresentar provas.

O republicano Donald Trump pela primeira vez reconheceu a vitória de Joe Biden, mas segue a narrativa de fraudes que, segundo ele, beneficiou o democrata. Apesar da insistência de Trump, o reúblicano não apresenta provas concretas das ações ilícitas no pleito eleitoral.

Segundo Trump, “todas as ‘falhas’ mecânicas que aconteceram na noite da eleição foram na verdade ELES [democratas] sendo pegos tentando roubar votos”.

As decisões internacionais de Trump que Biden deve reverter

O presidente eleito Joe Biden prometeu restaurar o papel de liderança dos Estados Unidos no mundo, revertendo o unilateralismo do governo de Donald Trump e se reorientando para alianças internacionais de longa data.

Biden afirma ainda que seu governo irá promover a diplomacia e liderar pelo “poder do exemplo”, em vez de pelo “exemplo do poder”.

Da saída do acordo climático de Paris até o compromisso nuclear com o Irã, expectativa é de que presidente eleito desfaça muitas das medidas unilaterais adotadas por Donald Trump.

Biden herdou uma situação em que os aliados questionam a credibilidade dos EUA e com as relações entre Washington e outras capitais ao redor do mundo passando por um momento de tensão.

O presidente eleito prometeu reparar o máximo de danos possível em seus primeiros cem dias de mandato, revertendo uma série de ordens executivas assinadas pelo atual governo. Tais ordens derrubaram acordos e alianças internacionais que Trump alegou serem injustos para os EUA por diversas razões. Segundo os críticos, porém, essas medidas foram contraproducentes, com o isolacionismo americano simplesmente permitindo que a China expandisse sua influência na ausência dos EUA.

Estas são algumas das principais medidas da política externa que o presidente eleito prometeu reverter assim que tomar posse:

Acordo nuclear com o Irã

O presidente Trump criticou regularmente o acordo nuclear com o Irã como “um dos piores negócios da história”, retirando os EUA do pacto em 8 de maio de 2018. Trump também restabeleceu as sanções ao Irã e a qualquer um que fizer negócios com a nação persa.

Assinado em 2015 pelo governo de Barack Obama, ao lado de China, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha, além do Irã, o acordo concordou em estabelecer o diálogo e o monitoramento do programa nuclear iraniano em troca de alívio econômico. O governo Trump chamou o acordo de fraco e, em vez disso, optou pela chamada “campanha de pressão máxima”.

Biden acusa a política de Trump de ser ineficaz e de ter servido apenas para o aumento das tensões. Ele prometeu retornar ao acordo, mas disse que só retirará as sanções após a confirmação da estrita adesão do Irã às regras do pacto.

De forma mais geral, Biden também pode buscar distanciar os EUA da Arábia Saudita, adversário regional do Irã e maior aliado árabe de Washington no Oriente Médio. Durante seu mandato, Trump manteve forte proximidade com a monarquia autoritária, cujo reino desempenhou um papel fundamental na aliança anti-iraniana do presidente. Tal distanciamento poderia começar com o fim do apoio dos EUA à guerra da Arábia Saudita no Iêmen.

Acordo Climático de Paris

Biden, eleito em parte com o compromisso de combater as mudanças climáticas, tem afirmado que retornará imediatamente ao Acordo de Paris sobre o Clima. Trump, um negacionista do aquecimento global, retirou os EUA do acordo em 1º de junho de 2017, alegando que o pacto favorecia injustamente a China.

Os EUA são o segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas da China.  Enquanto Trump enquadrou a questão em termos econômicos de soma zero, priorizando os lucros dos combustíveis fósseis em detrimento da proteção ambiental, Biden prometeu investir numa economia de energia limpa para financiar programas ambiciosos de redução de emissões.

Organização Mundial da Saúde (OMS)

O governo Biden se comprometeu a retornar imediatamente à OMS e a liderar os esforços no combate ao coronavírus. Antes de Trump, os EUA tinham grande influência nessa importante autoridade de saúde pública, contribuindo com 15% de seu orçamento. Em 7 de julho de 2020, porém, o presidente americano anunciou que o país iria se retirar da organização – que, entre outras coisas, coordena os testes de vacinas globais – em 6 de julho de 2021.

No início de novembro, os EUA registram o maior número de infecções por coronavírus num único país (quase 10 milhões), bem como recorde de mortes (237 mil), com infecções e mortes globais em mais de 50 milhões e 1,2 milhão, respectivamente.

Nações Unidas

Trump ameaçou deixar as Nações Unidas, embora até agora os EUA só tenham deixado duas instituições integrantes da organização: o Conselho de Direitos Humanos (UNHRC) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em ambos os casos, a justificativa foi um suposto tratamento injusto dado ao aliado Israel.

Em 19 de junho de 2018, a embaixadora da ONU Nikki Haley chamou o UNHRC de “uma organização hipócrita e egoísta que zomba dos direitos humanos”, apontando para o que ela chamou de “preconceito crônico contra Israel” e se opondo à presença de China, Cuba e Venezuela no conselho. Os EUA exigiram reformas do órgão e várias vezes se desentenderam com ele por causa de Israel.

Como motivo para a retirada da Unesco, o governo Trump mencionou divergências na escolha de locais como Patrimônio Cultural da Humanidade. EUA e Israel disseram que vínculos históricos judaicos foram ignorados nas decisões, que ainda tocaram em questões mais profundas de soberania internacional coma declaração da velha cidade de Hebron e do  Túmulo dos Patriarcas como locais palestinos.

Os EUA já haviam deixado a Unesco em 1984, sob o governo de Ronald Reagan, e retornaram novamente em 2002, no governo de George W. Bush. Os pagamentos foram congelados por nove anos sob o governo de Barack Obama, mas os EUA mantiveram sua adesão.

Biden é um forte apoiador de Israel e recebeu bem os acordos recentes entre a nação judaica e os Emirados Árabes Unidos, mas seu governo provavelmente fará pressão para impedir a construção de assentamentos israelenses e anexações, além de ser um defensor mais explícito das necessidades dos palestinos na ONU.

OMC e Otan

Outras questões que Biden abordará incluem a situação das relações comerciais, bem como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Biden buscará superar divergências criadas e expandir a cooperação, mas os objetivos de política externa permanecerão os mesmos.

Resta saber se ele conseguirá recuperar a confiança e ser bem-sucedido na conquista dos objetivos por ele declarados: “Promover a segurança, a prosperidade e os valores dos Estados Unidos, tomando medidas imediatas para restaurar a nossa própria democracia e nossas alianças, proteger nosso futuro econômico e, mais uma vez, colocar os Estados Unidos na dianteira, liderando o mundo no enfrentamento dos desafios globais mais urgentes” – ou se o mundo mudou nos últimos quatro anos.

Eleição americana: Comportamento de Eduardo ratifica o seu despreparo para ser embaixador

Integrantes do Itamaraty avaliam que, se ainda restava dúvidas sobre o despreparo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ocupar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, estas acabaram de vez, durante a eleição presidencial entre Donald Trump e Joe Biden.

A atuação do filho “02” do presidente Bolsonaro, que resolveu questionar a legitimidade da apuração nos EUA, sem provas, reproduzindo o discurso de Trump, foi descrita como uma grande “gafe” para quem já teve (ou tem) a ambição de ocupar um posto diplomático. A avaliação de diplomatas é que Eduardo fere um princípio básico da boa diplomacia, de não interferir na política de outro país.

INTERFERÊNCIA – “Uma das boas práticas diplomáticas, já que ele queria ser embaixador, é não interferir em processos eleitorais de outros países, para manter a capacidade de interlocução com quem quer que seja eleito no fim do processo”, disse um integrante do Itamaraty.

No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que pretendia indicar o filho para o posto de embaixador dos EUA. Eduardo se movimentou e fez um beija-mão no Senado para garantir a aprovação de seu nome. O governo, porém, nunca teve a garantia que teria votos suficientes para aprová-lo. Eduardo acabou anunciando sua desistência da indicação em outubro de 2019.
Bela Megale
O Globo

Eleições 2020 nos EUA: A mídia, a continuidade do golpe e o enterro da democracia

Foto: OAS (Missão de Observação Eleitoral nas Eleições dos Estados Unidos, Washington DC)

“…a guerra híbrida é o novo horizonte de estratégias dos EUA para a troca de regime. Ela preserva os EUA dos riscos políticos e militares associados à intervenção direta e é muito mais econômica”.
(Andrew Korybko)

A semana dominada pela cobertura das eleições norte-americanas – provocando engajamentos e emoções que, desta vez, ultrapassaram o provincianismo habitual do brasileiro, chegando a manifestações bizarras nas ruas e redes sociais – mostrou como a chamada “guerra híbrida”, não linear, orienta as atenções e as opiniões do público, prolongando a mentalidade conservadora, colonizada e a naturalização do golpe político.

Entre as histórias recentes de nossos vizinhos que passaram por dramas semelhantes a nossa, vimos a Bolívia reagindo a um governo golpista com resistência nas ruas e no voto; e o Chile refundando o país após um ano de greves e mobilizações incessantes, recusando o Estado ausente socialmente e servil ao mercado (que vem sendo implantado no Brasil). Mas esses casos receberam apenas uma fração mínima da atenção da mídia nacional. A justificativa não é dada, é naturalizada: parece claro a todos que a eleição no país dominante é mais importante para o nosso cotidiano do que a dos nossos pares. Mesmo que nossos companheiros de escravidão reajam ao verdugo, mostrando caminhos de fuga.

O marketing governamental atrelou o governo Bolsonaro a Trump, um laço que se aperta na defesa do livre mercado e no campo moral e religioso. Uma proximidade que não traz quaisquer vantagens econômicas para o lado brasileiro, mas que reforça a sensação de uma cruzada cristã, branca e retrógrada, que preserva as diferenças socioeconômicas mas rejeita a diversidade cultural. Dado este nó, a mídia convence quem está (ou sente-se) de fora do pacto, defendendo que toda postura que integre as pautas identitárias (mas preserve a primazia do mercado) é a única oposição possível aos governos conservadores. Assim sendo, duas candidaturas similares em sua essência surgem à plateia como inimigos figadais, em um cenário anunciado como a maior democracia do mundo.

O show

Garantido o ingresso, o brasileiro se portou como se espera em um programa de auditório. Muitos assistiram com constrangimento a cidadãos apoiadores de Trump saírem às ruas em algumas capitais. Por outro lado, poucos tiveram a dignidade de se sentirem embaraçados com o entusiasmo da esquerda em relação à candidatura Biden. E raros notaram os esforços heroicos dos jornalistas para explicar um sistema eleitoral mal ajambrado e obtuso, cuja única intenção é a de mitigar o poder do voto e da representatividade. Eles conseguiram dar um tom racional a um sistema que sequer possui uma Justiça Eleitoral ou um mecanismo oficial para contabilização dos votos.

Salas de conferência inundadas, apuração estancada porque os conferentes tinham sono ou porque faltou tinta na impressora, unidades da Federação com diferentes métodos de apuração e de indicação de delegados… Sem falar nos malabarismos comoventes para explicar que um candidato com milhões de votos a mais não é necessariamente eleito. Também foi difícil descrever manifestações violentas de republicanos que pediam o fim da contagem de votos em um Estado e a não interrupção da contagem em outro.

O que o mundo viu está a anos-luz de distância de nossas urnas eletrônicas, ou do pleito boliviano que garantiu o voto em vilarejos isolados nos Andes, ou das eleições venezuelanas, consideradas pela CEELA (Conselho de Especialistas Eleitorais Latino-Americanos), em 2018, como “um dos melhores processos da América Latina”, pelo “modo como todo o processo eleitoral é verificado – antes, durante e depois das eleições –, a rapidez com que são transmitidos os resultados e a aposta na tecnologia, tanto no processo de votação como no de escrutínio”. O mundo viu, em plena sede do Império, um caos sujeito à judicialização, bravatas, regras estabelecidas por algum critério válido em antiquários e um desprezo monumental pela escolha popular.

O silêncio também imperou sobre fatos que não poderiam ser explicados no roteiro do espetáculo apresentado. Por que, segundo pesquisa da Forbes, bilionários americanos preferem Biden? Por que Trump, embora tenha pedido nestes grupos, dobrou seus votos entre negros e latinos? Por que todas as pesquisas (que mostravam uma onda azul) não chegaram nem perto da realidade?

Vale lembrar que a cobertura jornalística é bancada por poucas empresas, aqui e no exterior. Quase todas as agências de notícias internacionais possuem sede nos EUA. E, como lembra Andrew Korybko em “Guerras Híbridas”, nos noticiários de televisão e das agências de notícias há o desprezo ou a criminalização dos movimentos sociais e de resistência política. As conquistas da sociedade civil são negadas, a prevalência do mercado jamais é posta em dúvida. Os conglomerados midiáticos são parceiros da estratégia de despolitização da opinião pública, recortando a realidade, jogando com desinformação, apoiando o lawfare, narrando com normalidade interferências eleitorais externas, criando explicações de governos e selecionando quem serão seus adversários.

Os movimentos populares que garantem o governo venezuelano, que asseguraram a volta do MAS na Bolívia e que estão derrubando o neoliberalismo de guia turístico no Chile permaneceram nas ruas e entenderam o papel das mídias locais. Enquanto isso, boa parte da “resistência” brasileira está comprando fogos para comemorar a vitória de Biden. E acreditando que movimentos como Ele Não ou Black Lives Matter são revolucionários. E erguendo as mãos aos céus pela “salvação da Amazônia”.

Nesta guerra sem conflitos armados, continuaremos sendo derrotados pela mídia.

Trump X Biden. Batalha de bananeiros

O resultado, que está nas mãos de Estados como Geórgia, Nevada e Carolina do Norte, já sofre ataques de Trump, que lançou uma ofensiva judicial para deter o democrata, agitando o fantasma de fraude e deslegitimando o sistema eleitoral norte-americano, como conta a correspondente Amanda Mars. Em editorial, o EL PAÍS alerta: “na apuração nos EUA está em jogo não apenas a afirmação de um projeto político, mas a unidade e estabilidade da sociedade“.

O professor da FGV Oliver Stuenkel, diz sobre os primeiros resultados das eleições nos Estados Unidos. “O trumpismo é um fenômeno que vai se manter, inclusive com reflexos no Brasil”, avalia Stuenkel. Nesta quinta, o entrevistado é o cientista político Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group. A conversa, que será transmitida ao vivo a partir das 15h no site, no Facebook e no canal do YouTube do EL PAÍS, tem como tema principal a influência do desfecho das eleições norte-americanas no cenário político-econômico brasileiro.

Mais distante das eleições dos EUA, de Roma, o jornalista Daniel Verdú conta sobre as novas restrições estabelecidas pelo Governo italiano para conter a segunda onda da pandemia de coronavírus que atinge o país. As medidas foram impostas em função da gravidade da situação em cada região, para preservar ao máximo a economia.

Na Argentina, a economia também é motivo de preocupação para a população, que olha para o futuro com poucas esperanças. Mar Centenera e Federico Rivas Molina explicam, diretamente de Buenos Aires, que o país, que já passava por uma severa recessão econômica, registrou um colapso trimestral recorde em seu PIB, com queda de 19,1%, além do aumento de quase cinco pontos percentuais no número de pobres. “A situação e