Achar que problemas se resolvem com pena de morte é falácia

Para especialistas, exaltação da morte reflete ideia de que punição reduziria violência. 43% apoiariam a implementação da pena capital no Brasil, segundo pesquisa de 2014.

Desde a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso, condenado à morte por tráfico de drogas e fuzilado pelas autoridades da Indonésia no último sábado (17), surgiram nas redes sociais comunidades comemorando a morte do carioca.

Eventos falsos chegaram a anunciar a transmissão ao vivo dos últimos momentos de Cardoso com a narração de Galvão Bueno.

“Ele merecia isso”, “bem feito!”  foram frases que apareceram nos últimos dias. Talvez cause estranhamento o fato de aplaudir a execução de um compatriota no exterior. A que isso se deve?

“Esses comentários são feitos principalmente por grupos conservadores da classe média brasileira. Eles espelham uma demanda por mais repressão contra grupos que no seu imaginário são as fontes da violência. No caso em questão, os traficantes”, explica Joel Birman, psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo pesquisa Datafolha de setembro de 2014, 43% dos brasileiros apoia a pena de morte, contra 52% que acreditam que não cabe à Justiça matar uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave.

Para Birman, ao defender a pena de morte como uma solução para a criminalidade, as elites brasileiras ignoram o fato de que uma espécie de pena de morte, na prática, já é aplicada. “A classe média não enxerga como funciona o modelo repressivo brasileiro, que concentra os mortos e a violência nas camadas mais pobres.”

Ignácio Cano, professor da UERJ e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência, afirma que o Brasil não está sozinho na crença de que a pena capital é uma solução adequada para punir e para coibir o crime.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Há uma tendência favorável mundial pela aplicação da pena de morte e pelo endurecimento penal: as pessoas acham que o crime se resolve com uma legislação mais dura. Só que não é assim. As polícias brasileiras matam por ano muito mais gente do que muitos países que adotam a pena de morte. E isso não resolveu absolutamente nada.”

Cano acredita que a solução para impunidade no país é o “bom trabalho da polícia, com investigação e apuração”, agindo de acordo com a lei. “Achar que nossos problemas se resolvem com pena de morte e mais repressão é uma falácia.”

Para Antonio Carlos Amador Pereira, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, comemorar a morte de alguém é uma reação emocional, “desprovida de análise”.

“Uma resposta mais afetiva está relacionada à falta de informação. As pessoas alegam se sentir vingadas com a morte do traficante. Mas isso não se sustenta objetivamente. Vingado por quem? Pelo quê? É a lógica primitiva do olho por olho e dente por dente. Se você pegar uma criança pequena, essa é a moral que ela irá utilizar”, diz.

O professor destaca também o anonimato da internet como combustível para este tipo de comentário: “Nas redes sociais as pessoas se sentem protegidas, ninguém se responsabiliza pelo que diz, pelo que escreve.”

Eugênio Bucci, professor de Ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, acredita que “na internet as pessoas falam como se vivêssemos em uma horda selvagem, como se matar uma pessoa resolvesse alguma coisa. Lá as pessoas expressam juízos altamente preconceituosos. A pena de morte não é uma solução para a lentidão do judiciário ou para a impunidade.”

Bucci também afirma que existe uma hipocrisia por parte de setores da sociedade ao comemorar a execução do brasileiro: “Fico impressionado ao ver pessoas que são usuários de droga tendo este tipo de manifestação, pessoas que seriam potenciais clientes do criminoso executado. É muita hipocrisia”.

Camila Assano, coordenadora de politica externa e direitos humanos da ONG Conectas, afirma que os comentários louvando a execução de Marcos explicitam a “banalização da vida” e um senso distorcido de vingança e justiça.

“As pessoas que defendem a pena de morte para acelerar a punição e acabar com a impunidade estão equivocadas: em muitos casos a execução da pena demora muito mais – contanto que seja cumprido o processo legal”, explica.
Fonte El Pais

Tópicos do dia – 03/04/2012

08:02:45
Prossegue a cachoeira de corrupção
Denúncia da PF mostra que Cachoeira tinha negócios com o governo do DF. A denúncia apresentada pela Polícia Federal na Justiça de Goiás, envolvendo Carlinhos Cachoeira, mostra a transcrição de conversas gravadas entre o bicheiro e seus comparsas, como Idalberto Nunes, o Dadá, sobre a regularizacão de terras que teriam sido griladas no DF. A suspeita envolve dois órgãos do governo do DF, a Terracap e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram). Em uma das conversas, aparece o nome de Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT) que tem status de secretário de Estado, como um dos destinatários de um rádio do tipo Nextel, para conversas que supostamente não poderiam ser grampeadas pela PF. Na sexta-feira passada, Monteiro afirmara a este site que seu nome não aparecia, mas apenas “um Cláudio”, que seria outra pessoa, um empresário ligado a Cachoeira. Mas a transcrição menciona Monteiro explicitamente, que estaria a serviço de interesses do grupo do bicheiro. Cláudio Monteiro nega as suspeitas e desafia a PF e o Ministério Público Federal a apresentar “um segundo que seja” de qualquer conversa com Cachoeira.

08:17:31
Demóstenes começa a armar a estratégia para evitar ser cassado. Será que conseguirá?
Como já se esperava, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) começou a lutar para manter o mandato, que vai até 2018, caso não seja cassado. Seu primeiro passo foi entregar a carta de desfiliação ao presidente nacional do DEM, José Agripino (RN).
Com isso, Demóstenes tenta eliminar uma grande fonte de matérias negativas, pois a desfiliação significa que não mais haverá o já anunciado processo de expulsão, que iria render uma sucessão de reportagens e artigos depreciativos, nume verdadeiro festival.

No texto, Demóstenes argumentou que discorda das afirmações de que tenha se desviado do programa partidário da legenda, vejam que cara-de-pau. “Diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas”, disse.
Ao fazer tais afirmações, Demóstenes citou no ofício declarações de Agripino à imprensa de que seria inevitável instauração de processo para expulsão do senador goiano do partido. Mas Agripino nega que tenha havido prejulgamento. Segundo ele, foi dado a Demóstenes prazo de uma semana para defesa.
“Coisa que ele nunca fez”, destacou o presidente da legenda. E nem fará, pode-se acrescentar.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

08:25:35
Thomaz Bastos e honorários de Cachoeira
O bicheiro Carlos Cachoeira estaria pagando ao ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos para defendê-lo: R$ 18 milhões.

09:01:12
Judiciário ficará com aviões que forem apreendidos de traficantes
O Poder Judiciário terá a sua disposição, a partir desta segunda (2) os aviões que forem apreendidos pela polícia em operações contra o tráfico de drogas. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) estava com dificuldades para definir a destinação dos bens apreendido e, agora, terá de agilizar a doação das aeronaves. Os aviões ainda serão periciados pela Polícia Federal e serão usados, de forma compartilhada, pelos Estados, pelo Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal de Justiça, Tribunal do Trabalho e Tribunal Federal. Os órgãos vão dividir o custo da manutenção das aeronaves. “Aumentamos a velocidade do processo e isso é sinônimo de evitar que aviões que custam mais de R$ 1 milhão virem sucata; o que mais temos no Brasil é sucata”, explicou o presidente da comissão executiva do Programa Espaço Livre, juiz Marlos Melek.

09:03:29
Rio adere ao Cidade Livre de Pirataria
“A prefeitura do Rio passa a integrar a partir de amanhã o projeto Cidade Livre de Pirataria, por meio do qual as prefeituras se comprometem com o Ministério da Justiça a adotar medidas locais de prevenção e repressão a esse tipo de crime.”

Agora conte aquela do papagaio fanho!

09:11:52
Demóstenes, blogs e a moral
Pelo que leio em alguns blogs, claramente petistas, a turma do mensalão não quer somente acabar com Demóstenes Torres – que já está politicamente morto, embora insepulto – mas, liquidar com o conceito de moralidade.

09:13:35
Marconi Perillo e Lei da compensação
Temendo o alcance da Operação Monte Carlo, Marconi Perillo (PSDB-GO) procurou petistas com acesso ao Palácio do Planalto para sinalizar que não disputará a reeleição em 2014. O governador busca fôlego para se defender das acusações de envolvimento com Carlinhos Cachoeira.
A PF suspeita que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) atuava para ajudar o empresário na indicação de assessores para o governo de Goiás.
Apesar do gesto, nada indica que o PT se moverá para blindar o tucano no caso. O partido não digeriu o fato de Perillo ter dito, em 2005, que havia alertado o ex-presidente Lula sobre o esquema do mensalão.
Vera Magalhães/Folha de São Paulo

09:19:13
Denúncia atinge tucano que Lula detesta
Considerado pelo ex-presidente Lula seu maior adversário e a quem detesta, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), teve seu nome envolvido pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Segundo a PF, Cachoeira usaria policiais ligados a ele para obter informações sobre investigações e as repassava à chefe de gabinete do governador, Eliane Pinheiro. Em nota, ela confirma que conhece o empresário de jogos, mas garantiu que não recebeu dele informações do gênero, e ainda destaca que a Eliane mencionada pela PF pode ser outra pessoa, uma advogada ligada aos investigados. O governador também divulgou nota afirmando desconhecer ligações de sua chefe de gabinete com Cachoeira. As informações são do jornal O Globo. Depois do senador Demóstenes Torres, Perillo é o segundo político de oposição aos governista petistas alcançado pelas investigações.

Lula sabia, sim – Marconi Perillo era detestado por Lula porque foi ele quem mostrou que o então presidente mentiu, ao afirmar que “não sabia” da coprrupção em seu governo batizada de escândalo do Mensalão. Senador na ocasião, Perillo contou que Lula sabia, sim, porque ele próprio se encarregou de avisá-lo do esquema de corrupção supostamemte chefiado pelo então ministro da Casa Civil José Dirceu, quando o ex-presidente visitava Goiânia e ele o recepcionara, na condição de governador. Perillo inclusive ofereceu a Lula o tstemunho de uma deputada federal goiana que que recebeu proposta de suborno para aderir ao esquema. Apesar disso, o ex-presidente jamais tomou qualquer providência para acabar o esquema que mais tarde disse desconhecer. Ele desenvolveu ódio pelo político tucano e fez de tudo para impedir sua vitória ao governo de Goiás.


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Rio de Janeiro: é terrorismo mesmo

É terrorismo mesmo
Por Carlos Chagas

O que aconteceria caso os narcotraficantes estivessem vendendo livros de Marx e Lênin em vez de cocaína, pregando a ditadura do proletariado em lugar de dominarem comunidades cada vez maiores no Rio de Janeiro, onde pensa o leitor que estariam as Forças Armadas?

Claro que nas ruas, com todo o seu poderio, combatendo e esmagando a subversão.

Qual a diferença, se a antiga capital vive dias de guerrilha urbana explícita, com todo o horror e a bestialidade que mídia apresenta?

Nenhuma, porque metralhar postos policiais em nada difere de explodir quartéis, como queimar ônibus e carros particulares é a mesma coisa do que incendiar viaturas militares.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Com todo o respeito, as Forças Armadas já deveriam estar ocupando bairros e subúrbios do Rio, intimidando com sua presença a ação do terrorismo.

Invadir as bocas de fumo no alto das favelas difere em quê, das operações antes desencadeadas contra “aparelhos” no alto de edifícios?

À maneira dos paquidermes, o poder público arrasta-se no sentido de reconhecer a necessidade imperiosa de mobilizar Exército, Marinha, Fuzileiros e Aeronáutica.

Já era para o presidente Lula ter dado a ordem, com base na Constituição, mesmo sendo o bandido de bermudas e sandálias havaianas fisicamente distinto dos subversivos do passado, de calças jeans, camisas pólo e sapatos sem cadarço.

A pedido das autoridades fluminenses a Marinha saiu na frente, oferecendo viaturas de combate para a Polícia Militar invadir uns tantos morros.

Falta pouco, mas é um parto perigoso, significando perda de tempo por parte do poder público e ocupação de espaços, pela bandidagem.

O terrorismo tem muitas faces, mas Osama Bin Laden e Elias Maluco formam uma só pessoa.

Tribuna da Imprensa