China: Primavera árabe a caminho?

Não será surpresa se a tal “primavera árabe”, nada sutilmente soprada pelas brisas vorazes do capital incomodado, ultrapassar, em breve, a grande muralha.

Quem se aventurar pelo interior mais longínquo da China, dois mil quilômetros pelo interior do país por exemplo, como fizeram recentemente dois empresários conhecidos meus, irá se deparar com situações inusitadas no “paraíso do proletariado feliz”.

Ondas de greves e, ainda, surdas e esparsas rebeliões populares, estão deixando os dirigentes do PC chinês de olhos arregalados.

De operárias de fábricas têxteis, aos operários de fábricas de produtos eletrônicos, protestos, discretos, é verdade, reverberam contra a poluição piorando a qualidade de vida nas pequenas vilas, além, é claro, como sói acontecer, principalmente em regimes totalitários, denúncias contra a corrupção institucionalizada por parte das “troikas” de governantes comunistas.
José Mesquita – Editor


A CHINA QUE SE CUIDE
Por Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa
Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.
O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação, e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Tem os tibetanos o direito indiscutível de independência.

Só que surge um problema: por que, de repente, eclode não apenas no Tibet, mas no mundo inteiro, intensa campanha de resistência e até de rebelião contra o governo de Pequim?

Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo, ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao Tsetung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.

Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram proveito das mudanças promovidas por Deng Tsiauping.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Afinal, a mão de obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem. Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico e político de nossos antípodas, importa repetir, incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.

Assim… Assim, interessa aos incomodados criar dificuldades e reduzir ao máximo a influência chinesa no mundo. Que melhor oportunidade haveria do que desacreditar a China e seu regime do que quando mais um passo significativo está prestes a ser dado para ampliar sua presença em todos os continentes? Qual? A evidência de que enquanto a Europa e os Estados Unidos enfrentam dificuldades sem conta, os chineses nadam de braçada no rumo da consolidação de sua economia.

Explica-se, por aí, a crise no Tibet. De repente, os vassalos do Dalai-Lama vão para as ruas em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em capitais da Europa e adjacências multidões invadem as embaixadas da China, queimam suas bandeiras e, como por milagre, acenam com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas sabe-se lá por quem.

Corrigindo, sabe-se muito bem: pelos artífices da política de dominação elaborada nas sombras, nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos donos do poder mundial. Os mesmos que fomentam rebeliões onde quer que surjam obstáculos à sua prevalência universal. No caso, não apenas rebeliões armadas, mas movimentos culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres.

Agiram com sucesso para derrubar o Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos para ser relegada ao lixo da História, mas até o Papa João Paulo II integrou-se na conspiração. Tinham feito o mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.

Parece óbvio que não podem virar a China de cabeça para baixo, mas terão sucesso parcial se puderem criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência, fomentando insurreições como a que acontece no Tibet, tudo com o objetivo de travar e até desmoralizar a nova superpotência.

Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Erra quem supuser apenas uma operação rocambolesca da CIA, porque essa trama envolve muito mais agências, empresas, governos, recursos e quadrilhas. Os instrumentos de conflito são outros, neste início do novo século. Nada de bombas atômicas e batalhas de tanques. Minar os adversários por dentro pode ser mais complicado, ainda que mais eficiente. A China que se cuide.

China, Tibet capitalismo e ditadura

Liu Xiaobo ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2010

Impressiona a capacidade do capital em mistificar os fatos e distorcer as verdades conforme as conveniências.
É capaz também de subverter adjetivos.
Assim, toda mídia mundial, passa a chamar de “presidente” o ditador da China.
Ah, é também capaz de produz as mais inesperadas e farsescas ironias.

O Presidente Barack Obama, prêmio Nobel da Paz de 2009, vá-se lá saber por quais razões, recebe na Casa Branca, — apregoada como o grande templo da democracia e das liberdades — o dirigente (sic) chinês Hu Jintao, que mantém em prisão domiciliar incomunicável, na China, o chinês Liu Xiaobo ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2010.

A direita encastelada acima do Rio Grande, desce o malho no “Paredón” Cubano enquanto cultiva um silêncio de pedra sobre os presos da Base de Guantánamo. Por seu lado, a esquerda de “boutique” canta loas a excelência da medicina da ilha dos Castros e, claro, não abre a ‘boquita boquirrota’ para denunciar a existência de fuzilamentos sumários, censura e presos políticos no paraíso do merengue revolucionário. Fica demonstrado que o relativismo moral é ferramenta muito bem manuseada tanto pela dita esquerda como pela direita, sendo uma praga comum a todos os espectros políticos, desde os tempos burlescos de Robespierre, Danton e cia.
Fazemos qualquer negócio! Né não?
O Editor

PS 1. A Revista norte-americana Parede lista todo ano os 10 piores ditadores do planeta. A lista abaixo é o “ranking” de 2009:

  1. Robert Mugabe, Zimbabwe
  2. Omar al-Bashir, Sudan
  3. Kim Jong-Il, Coréia do Norte
  4. Than Shwe, Mianmar
  5. Rei Abdullah, Arábia Saudita
  6. Hu Jintao, China
  7. Sayyid Ali Khamenei, Irã
  8. Isayas Afewerki, Eritréia
  9. Gurbanguly Berdymuhammedov, Turcomenistão
  10. Muammar al-Kadafi, Líbia

PS 2. Vejam que o longevo Fidel Castro nem “dá para o começo” com essa turma, e Cháves e demais bolivarianos sequer merecem aparecer entre os reservas.

PS 3. É provável que levarei um puxão de orelhas seguido de um “é a economia, estúpido!”


Abandonaram o Tibet
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.

O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação, e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Tem os tibetanos o direito indiscutível de independência.

Só que surge um problema: por que, durante a visita desta semana do presidente chinês, Hu Jintau, a Washington, nem o presidente Barack Obama nem qualquer congressista americano cobraram do ilustre convidado contas por estar a China oprimindo o Tibet? Sumiram, faz algum tempo, no mundo inteiro, as campanhas pela resistência contra o governo de Pequim, em termos da infeliz nação tibetana.

Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo, ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao Tsetung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.

Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram proveito das mudanças promovidas por Deng Tsiauping.

Afinal, a mão de obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem. Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico e político de nossos antípodas, importa repetir, incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.

Assim… Assim, não interessa mais aos incomodados criar dificuldades e tentar reduzir a influência chinesa no mundo, porque não conseguirão. Passou para o mundo ocidental a oportunidade de desacreditar a China e seu regime. A última tentativa foi quando mais um passo significativo estava prestes a ser dado pelos chineses para ampliar sua presença em todos os continentes, quando da realização das Olimpíadas.

Explicou-se, naqueles idos, a grita por liberdade ao Tibet. Até os vassalos do Dalai-Lama foram para as ruas, em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em todas as capitais da Europa e adjacências multidões invadiram as embaixadas da China, queimando suas bandeiras e, como por milagre, acenando com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas não se sabendo bem por quem.

Corrigindo, soube-se muito bem: pelos artífices da política agora na baixa, antes elaborada nas sombras, nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos antigos donos do poder mundial. Os mesmos que fomentavam rebeliões onde quer que surgissem obstáculos à sua prevalência universal. Pois já surgiram e parecem intransponíveis através da pujança chinesa. Desapareceram não apenas as rebeliões armadas, mas movimentos culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres, como os de apoio ao Tibet.

No passado, agiram com sucesso para derrubar o Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos para ser relegada ao lixo da História, mas até o falecido Papa João Paulo II integrou-se na conspiração. Tinham feito o mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.

Parece óbvio que não podem mais virar a China de cabeça para baixo, derrotados na tentativa de criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência. Não dá mais para travar e até desmoralizar a nova superpotência. Curva-se o mundo à eficiência e à determinação dos chineses.

Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Não se fala mais no Tibet. O mundo mudou, mesmo. E, como sempre, um pouco para melhor, um pouco para pior…

Olimpíadas – China é campeã na censura

Enquanto a pirotecnia midiática, encantada com a faraônica arquitetura, enganada com a falsa menina cantora e deslumbrada diante da Daslu ditatorial, não consegue olhar além das vitrines, a ditadura do “tio” Mao ganha medalha de lata na arte de censurar.

Contra a censura. Sempre!

China ‘bloqueia’ iTunes por vender música pró-Tibete
Da BBC

Internautas não conseguem download músicas do iTunes
Usuários da iTunes da Apple na China manifestaram preocupação de que seu acesso à loja online tenha sido bloqueado pelo governo chinês depois que um álbum de músicas pró-Tibete mostrado no site se tornou um sucesso.
Internautas dizem que não conseguem download músicas desde segunda-feira, um dia depois que a Fundação Arte pela Paz anunciou o lançamento do álbum. A sucursal da BBC na China confirmou que o site ainda está fora de alcance nesta sexta-feira.

Uma página de crítica do álbum atraiu um intenso debate entre ativistas pró-Tibete e nacionalistas chineses.

Uma porta-voz da Apple disse que a empresa está investigando o problema.

As autoridades em Pequim não comentaram o assunto, mas ativistas alegam que ele está ligado ao recente lançamento de Songs for Tibet (Canções para o Tibete).

Milhões de chineses usam a internet para fins pedagógicos e comerciais, mas em algumas ocasiões o governo tenta bloquear o acesso a sites gerenciados por dissidentes e ativistas pelos direitos humanos e pró-Tibete.

Michael Wohl, produtor executivo da Fundação Arte pela Paz, disse que acredita que o álbum foi a razão para o bloqueio do iTunes, embora não tenha prova disso.

Entre os artistas que contribuíram para o álbum estão Alanis Morissette e Underworld. Ele também inclui um discurso de 15 minutos do Dalai Lama, o líder tibetano no exílio.