Maior jornal do mundo desmascara Trump e Bolsonaro

Foto: AFP

Uma reportagem do jornal The New York Times publicada hoje traça as semelhanças entre o presidente Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump na condução da crise causada pelo novo coronavírus, destacando que ambos têm um “desprezo compartilhado pelo vírus” e construíram “uma campanha ideológica que minou a capacidade da América Latina de responder à covid-19”.

A América Latina tem um terço das mortes no mundo e sofreu mais com a covid-19 do que qualquer outra região no planeta. Os EUA são o país mais afetado em número de mortes, com 225.739, seguidos pelo Brasil, com 157.397, até agora.

O “NYT” destaca que sistemas de saúde pouco estruturados e cidades superlotadas tornaram a América Latina mais vulnerável à pandemia, mas “ao expulsar médicos, bloquear a assistência e promover falsas curas, Trump e Bolsonaro pioraram a situação, desmantelando as defesas”.

A reportagem afirma que os dois líderes são nacionalistas que desafiam a ciência e colocaram o crescimento econômico e as políticas de curto prazo à frente das advertências de saúde pública. Também lembra que ambos fizeram com que 10 mil médicos e enfermeiras cubanos de áreas pobres de nações como Brasil, Equador, Bolívia e El Salvador fossem mandados de volta para Cuba. Muitos partiram sem serem substituídos meses antes da chegada da pandemia, o que fragilizou a já deficiente estrutura de saúde.

“Em seguida, os dois líderes atacaram a agência internacional mais capaz de combater o vírus – a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – citando seu envolvimento com o programa médico cubano. Com a ajuda de Bolsonaro, Trump quase levou a agência à falência ao reter o financiamento prometido no auge do surto”, afirma trecho da matéria.

O texto ainda lembra que Trump e Bolsonaro tentaram fazer da hidroxicloroquina a peça central da resposta à pandemia, apesar do consenso médico de que o remédio é ineficaz e pode até ser perigoso. A agência americana Food and Drug Administration desencorajou, em abril, o uso da hidroxicloroquina para tratar a covid-19. “Um mês depois, Trump anunciou que os EUA enviariam ao Brasil dois milhões de doses”.

“Em seu zelo para se livrar dos médicos cubanos, o governo Trump puniu todos os países do hemisfério e, sem dúvida, isso significou mais casos de covid e mais mortes”, disse Mark L. Schneider, ex-chefe de estratégia planejamento para a Organização Pan-Americana da Saúde, que foi funcionário do Departamento de Estado no governo Clinton.

“Ninguém da Organização Pan-Americana da Saúde estava aqui e sentimos sua ausência”, lamentou Washington Alemán, especialista sênior em doenças infecciosas e ex-vice-ministro da saúde do Equador, que diagnosticou o primeiro caso confirmado de covid no país. “O suporte não foi como nos anos anteriores”.

“Misturar o verdadeiro e o falso é típico das ditaduras”

Nas páginas do The New York Times, Roger Cohen (Londres, 1955), é um dos colunistas mais influentes dos Estados Unidos. Em suas memórias, The Girl from Human Street (A garota de Human street), conta a história de sua família, que começa na Lituânia. Todos os que não fugiram foram assassinados pelos nazistas. Sua história passa pela África do Sul e pelo Reino Unido e é marcada pela tolerância e pela ideia de que somente a generosidade de outros países que abriram suas fronteiras permitiu sua existência. Uma frase do historiador britânico Simon Schama, que citou em uma de suas últimas colunas, resume seu pensamento sobre a presidência de Donald Trump: “A indiferença para com a verdade e a mentira é uma das condições prévias do fascismo. Quando a verdade morre, também cai a liberdade”. Cohen visitou Madri recentemente, convidado pela Fundação Rafael del Pino, onde deu uma conferência.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Pergunta. Seus familiares conseguiram sobreviver porque puderam se tornar refugiados. O que o senhor sente diante da política de imigração de Donald Trump?

Resposta. Venho de uma família que teve de emigrar a cada geração, da Lituânia, da África do Sul… Estou indignado, é desnecessário. Não há nenhuma evidência de que algum cidadão dos países vetados tenha cometido um ato terrorista com perda de vidas nos EUA nos últimos anos. Durante toda a campanha, vimos que Donald Trump, com Steve Bannon por trás, é antimuçulmano. Vimos isso com essa medida, estimulada por preconceitos. A forma como foi adotada provocou caos e justa indignação não só entre aqueles que não puderam entrar nos EUA, apesar de terem visto, mas em todo o mundo. É injustificável.

P. Podemos entender a história do século XX, e inclusive a do século XIX, sem a imigração em massa de milhões de pessoas em todo o mundo?

R. Os Estados Unidos são uma ideia, e uma parte importante dessa ideia é que é um país de imigrantes. Trump é um retrógrado. Todo movimento populista precisa de um mito do passado (“que a América volte a ser grande de novo”), e um inimigo, que para Trump são os mexicanos e os muçulmanos. Ele está tomando um caminho muito perigoso, o do medo. Dito isso, ele ganhou e foi capaz de intuir algo está acontecendo, captar o medo, a ansiedade em relação à precariedade econômica, o ressentimento, o sentimento de que as elites agiram com total impunidade no crash de 2008. E, como no caso do Brexit, baseou-se em mentiras, não há outra palavra para isso. Existe uma percepção de que a democracia não protege todos…

P. O senhor fez uma reportagem sobre os campos em que estão confinados os refugiados que tentam chegar à Austrália, lugares terríveis. Acredita que na crítica às medidas de Trump há alguma hipocrisia, muitos países fazem o mesmo sem o dizer?

R. Estamos diante de um problema real: vivemos o momento com mais refugiados desde 1945 e a capacidade das democracias ocidentais para absorver centenas de milhares de pessoas é limitada. A Alemanha não foi hipócrita, acolheu quase um milhão de refugiados. É necessário que as pessoas sejam tratadas com justiça e humanidade, de acordo com a Convenção sobre os Refugiados. No caso da Austrália, não é assim em absoluto. Há mais de três anos, milhares de pessoas, seres humanos, estão apodrecendo em duas ilhas remotas. Muitas delas estão doentes, outras estão traumatizadas, é algo terrível. Nos EUA, o fato de que o presidente use esse tipo de preconceito contra os muçulmanos, uma população total de 1,1 bilhão de pessoas no mundo, pode ter consequências muito graves.

P. Qual é a diferença entre a pós-verdade e as mentiras que dizem muitos presidentes e políticos de todo o mundo como, por exemplo, as mentiras de George W. Bush que deram a base para a invasão do Iraque?

R. Existe uma diferença. Trump diz coisas, como o ataque fictício na Suécia, que por um lado são ridículas, mas por outro são perigosas. A palavra do presidente dos EUA é algo que durante 75 anos ajudou a manter a segurança global, era crível, mas não é mais. É verdade que a invasão do Iraque foi baseada em mentiras. Mas agora o presidente norte-americano acusa o The New York Times e o The Washington Post, dois pilares da República, de divulgar notícias falsas, estamos entrando num mundo onde dois mais dois são cinco. Misturar o verdadeiro e o falso é um problema muito sério porque é uma característica fundamental das ditaduras. No final, a única verdade é a voz do líder, que é o que Trump se considera. Devemos ter muito cuidado com os paralelismos históricos, mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar o que aconteceu nos anos trinta. Temos Steve Bannon, o homem da sombra, dizendo que “a imprensa deveria fechar a boca”. Acho que os meios de comunicação têm de fazer seu trabalho: responsabilizar o poder e testemunhar os acontecimentos. Isso é mais sério, porque há um ataque premeditado e total contra a verdade. Está sendo criado um ambiente em que a verdade e a mentira são intercambiáveis.

“Existe um problema muito grande nos EUA, é um país dividido e os seguidores de Trump não se importam com o que o ‘The New York Times’ diz”

P. Em seu livro, o senhor escreve: “As verdades são muitas e em todas as guerras se luta pela memória”. Podemos chegar a esse estado? Mesmo que não haja guerra, o senhor acredita que estamos, na Europa e nos EUA, diante de partes em conflito com memórias diferentes?

R. Cobri guerras no Líbano, na Bósnia e cada lado tem sua verdade e sua memória, que é sempre fluida e manipulável pelos líderes nacionalistas. François Mitterrand costumava dizer que “o nacionalismo é a guerra”. O nacionalismo levado a certo ponto representa sempre a guerra e esse é o triunfo da UE. Uma das coisas que mais me alarmam nos dias de hoje é como a grande criação política da segunda metade do século XX, a UE, é atacada pelo presidente Trump, foi corroída pelo Brexit e está sofrendo uma extraordinária amnésia sobre suas realizações.

P. A imprensa pode ser suficiente para conter Trump?

R. Não é apenas a imprensa, também temos os tribunais. É extraordinário ver como a Constituição dos Estados Unidos, tantas décadas depois, continua a fornecer instrumentos para responsabilizar as autoridades. Há um grande problema nos EUA: é um país dividido e os seguidores de Trump não se importam com o que o The New York Times diz. Como superar essa ruptura? É uma pergunta muito importante.

P. Os populismos sempre oferecem soluções simples para problemas complexos, seja Trump, Marine Le Pen na França ou Geert Wilders na Holanda. Dizem que é suficiente tomar medidas contra os estrangeiros para que tudo se resolva. Como podemos lidar com isso?

R. A realidade irá colocá-los em seu lugar, veremos se Trump tem um coelho na cartola, se pode recuperar os postos de trabalho nas fábricas na era da robótica. A classe média norte-americana comprovará os resultados. Não vamos mudar a natureza humana, o fato de que as pessoas se sintam atraídas por um personagem autoritário como Trump, que usa o medo, que é cheio de ira, que promete soluções milagrosas. Também temos de reconhecer que fez algo extraordinário, incrível.

Aliança de empresas de comunicação com o Facebook gera ansiedade e esperança

A aliança de nove meios de comunicação com o Facebook para publicar conteúdo diretamente na rede social está gerando ansiedade e esperança no setor, que procura ampliar sua audiência, mas teme perder protagonismo com a distribuição de notícias fora de suas plataformas.

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O acordo, que deve ser estendido para mais empresas em breve, permitirá que os artigos sejam baixados em uma velocidade dez vezes mais rápida nos telefones celulares do que agora.

O “Instant Articles” é uma função pensada para dispositivos móveis: os artigos que a imprensa distribuir diretamente pela rede social estarão visíveis no “Feed de Notícias” do aplicativo do Facebook – inicialmente só para iPhones. Nos desktops segue funcionando o sistema de links que leva às páginas dos meios de comunicação.

O vice-presidente de Plataformas de Parcerias e Operações do Facebook, Justin Osofsky, explicou à Agência Efe que a leitura de notícias na rede social é “a pior experiência que existe” no “Feed de Notícias” e o motivo dessa movimentação editorial.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“À medida que mais gente acessa dispositivos móveis, observamos que a experiência de abrir uma notícia precisa de muitas melhorias. Ela é concretamente lenta, leva mais de oito segundos para ser carregada”, acrescentou principal responsável pelo “Instant Articles”, Michael Reckhow.

Os meios de comunicação terão a opção de incluir publicidade em seus artigos e manter suas receitas, mas também podem preferir que o Facebook comercialize os anúncios, retendo com 30% da renda obtida com a venda, explicou Reckhow.

A rede social também permitirá que as empresas tenham acesso aos dados sobre as pessoas que leem notícias usando as atuais ferramentas do Facebook, facilitando o acompanhamento dos interesses dos usuários.

A iniciativa é, na opinião do “The New York Times”, o último exercício de equilíbrio existencial da imprensa, que busca atingir os 1,4 bilhão de usuários ativos do Facebook no mundo, mas também teme que a aliança atrapalhe seus negócios.

No entanto, Vivian Schiller, ex-executiva do próprio “The New York Times”, da “NBC” e do Twitter, acredita que os meios de comunicação não têm alternativa. “A audiência está lá (no Facebook). (Ele) É grande demais para ser ignorado”, afirmou em declarações ao “The New York Times”.

James Bennett, diretor da revista “The Atlantic”, outro dos nove veículos participantes da iniciativa, reconheceu hoje que a publicação de notícias através do “Instant Articles” significa “perder o controle sobre o sistema de distribuição”.

No entanto, ele assinalou que, ao mesmo tempo, os meios de comunicação estão tentando levar suas histórias ao maior número de pessoas possível, algo facilitado pelo Facebook.

Para o diretor-executivo do “The New York Times”, Mark Thompson, o acordo oferece a oportunidade de explorar a possibilidade de atrair mais tráfego para o site do jornal através do Facebook. “Essa é uma oportunidade de ampliar e explorar se o Facebook pode se transformar em uma parte até maior do tráfego do Times”, disse Thompson em artigo publicado no site do jornal.

Também fazem parte do grupo que usará a ferramenta pela primeira vez o “Buzzfeed”, a “National Geographic” e os europeus “The Guardian”, “BBC”, “Spiegel” e “Bild”. Nas próximas semanas, indicou Osofsky, outros veículos de comunicação começarão a utilizar o “Instant Articles”.

“O objetivo é ter a ferramenta pronta para que qualquer meio possa utilizá-la. Estamos fazendo isso para que seja incluído facilmente nos fluxos de trabalho e nos sistemas de conteúdo já existentes”, indicou o vice-presidente. O Facebook trabalhou junto com as empresas para desenhar a ferramenta de publicação: as notícias distribuídas pela rede social terão um formato otimizado e serão personalizáveis.

As informações, que serão abertas após um toque, poderão incluir fotos, vídeos, áudios, infográficos e outros elementos, como tweets, vídeos do YouTube ou fotos do Instagram. E poderão ser compartilhadas e comentadas de forma independente.

Osofsky esclareceu que as notícias postadas no Facebook não serão exclusivas, podendo também ser encontradas nos sites dos meios de comunicação em seu aspecto tradicional. O Facebook defende que a iniciativa oferecerá às empresas uma oportunidade “monetizar seus conteúdos”.
Fonte:EFE/Info

New York Times: No Brasil babás chegam à classe média

Babás brasileiras vivem um momento de ascensão, em que estão quebrando o estereótipo de trabalhadoras que cobram pouco e se dedicam muito, segundo reportagem do “The New York Times”.

O jornal aponta que conforme aumentam as expectativas de melhora na qualidade de vida dessas profissionais, mais ela buscam trabalhar para as classes sociais mais abastadas e se tornam menos acessíveis para as famílias de classe média.

De acordo com o “Times”, a mudança tem causado um problema em uma sociedade em que cada vez mais mulheres ingressam no mercado de trabalho sem que haja um sistema de creches elaborado, como ocorrem em nações industrializadas.

O jornal aponta ainda que os rendimentos dos trabalhadores domésticos no Brasil (babás e empregadas domésticas) subiram 34% entre 2003 e 2009, mais do que o dobro do aumento médio de todos os profissionais no país.

Ao mesmo tempo, as horas de trabalho caíram 5%, para 36,2 horas semanais.

O “Times” relata que está terminando o tempo em que babás aceitavam trabalhar por um salário baixo com apenas dois dias de folga a cada 15 dias.

Folha de S.Paulo

A revolução das babás brasileiras

Com salários de até R$ 5 mil, reflexo da ascensão social da classe média, elas viraram notícia no diário americano ‘The New York Times’.

Uma reportagem publicada ontem pelo diário americano The New York Times relata o que chama de “revolução das babás” no Brasil, com o aumento dos salários e da mobilidade social na profissão.

Intitulada “Babás ascendentes chegam à classe média brasileira”, a reportagem diz que essa revolução “está destruindo o estereótipo colonial da ajuda doméstica barata, mas dedicada, na América Latina”.

Para o jornal, a situação vem criando tensões sociais num país em que mais mulheres vêm entrando no mercado de trabalho sem ter o acesso aos desenvolvidos sistemas de creches que existem em algumas nações industrializadas.

“Estão se apagando rapidamente os dias em que babás vestidas de branco trabalhavam por um salário humilhante, com apenas dois dias de folga a cada 15 dias.

Babás mais qualificadas estão se recusando a trabalhar nos fins de semana e exigindo salários que são de duas a quatro vezes maiores do que ganhavam há apenas cinco anos”, diz o texto.

Apartamento
A reportagem cita o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo quem os salários médios das babás subiram 34% em termos reais entre 2003 e 2009 – mais que o dobro da média geral dos trabalhadores brasileiros -, enquanto a carga de trabalho caiu 5%, para 36,2 horas por semana.

Segundo o economista da FGV, a situação reflete a ascensão da classe média brasileira, que cresceu de 37% da população, em 2003, para 55% em 2010.

A reportagem cita exemplos como o da babá Andreia Soares, de 39 anos, que com um salário de cerca de R$ 5 mil mensais trabalhando para uma família de classe alta de São Paulo conseguiu ganhar dinheiro suficiente na profissão para comprar um apartamento de dois quartos, uma casa para a mãe e um terreno para o irmão e já planeja a compra de um carro que custa mais de R$ 60 mil.

Apesar do progresso, o jornal observa que alguns economistas estão céticos sobre quanto tempo mais a revolução pode durar.

Neri lembra que os brasileiros ainda têm um nível educacional baixo, e Rodrigo Constantino, economista da consultoria Graphus Capital, disse que a falta de investimentos em educação no Brasil deve impedir que muitos trabalhadores domésticos encontrem outros trabalhos mais bem remunerados.

Ele adverte ainda que os incessantes pedidos de aumentos salariais podem alimentar a inflação.

BBC Brasil/O Estado de S.Paulo


Fotografias – Flagrantes – Insensatez

Iraque, 2005

Samar Hassan,  5 anos em estado de choque, após assistir a morte dos pais, e dois irmãos, metralhados por tropas dos USA, ao não pararem o carro em barreira de revista.

A foto foi divulgada, à época pelo New York Times
Foto: Chris Hondros – Getty Images

Tenho ao longo desses 6 anos do blog recebido perguntas sobre o porquê dos títulos de algumas seções.

A marcha da insensatez é um deles.

Explico: coloco nesses ‘posts’ fotos que demonstrem a insensatez do ser humano nas mais diferentes situações, povos e países.

A minha referência para alertar sobre a estupidez das ações humanas, é o livro “A Marcha da Insensatez – De Troia ao Vietnã” — José Olympio Editora —, da historiadora norte americana, já falecida, Barbara Tuchman. Aliás, um livro essencial em qualquer biblioteca,

Se ainda viva fosse a excepcional historiadora, talvez o subtítulo do livro fosse “De Troia à Palestina”.

“Pesquisando com rigor vasto espectro de documentos históricos, a autora traça e registra nesse livro, um dos mais estranhos paradoxos da condição humana: a sistemática procura pelos governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses.”

Considerada a mais bem sucedida historiadora dos Estados Unidos, Barbara Tuchman, ganhadora do Prêmio Pulitzer, é autora de clássicos como: The Guns of August, The Proud Tower, Stilwell and the American Experience in China, A Distant Mirror e Pratcting History.


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The New York Times e Paris Match: dois casos de manipulação fotográfica

Pois é…. Acontece mesmo nas melhores família! Desta vez foram o The New York Times e a conceituada revista francesa Paris Match que caíram vítimas de manipulação fotográfica.

No caso do The New York Times, as interferências indevidas ocorreram em um ensaio sobre ruínas de obras iniciadas e abandonadas nos Estados Unidos. As fotos foram produzidas por um free-lancer e continham indícios de manipulação para fins estéticos, inclusive com clonagem de algumas áreas, em um dos casos.

O The New York Times retirou o ensaio e colocou uma nota explicativa no lugar. A manipulação foi detectada por um leitor.

Fotografia Manipulada Paris Match NY Times

No caso da Paris Match, a coisa foi mais bizarra. Uma dupla de estudantes forjou um ensaio fotográfico sobre as condições de vida dos estudantes em uma universidade francesa, mostrando habitações abjetas, estudantes dormindo durante as aulas e falando de prostituição para pagar os estudos (« Pour pouvoir étudier le jour, je me sers de mon cul la nuit… » Emma, 23 ans, Master de Philosophie).

Ganharam um concurso estudantil instituído pela revista.

Na hora da entrega do prêmio anunciaram a farsa, que teria como objetivo desmoralizar “o discurso midiático que tem por ingredientes a complacência e o voyeurismo na representação da desgraça humana”. Se tivessem ficado calados, eles tiriam embolsado os cinco mil euros do prêmio.

A reportagem falsa continua no site da Paris Match.

Os dois casos de manipulação estão no blog de José Afonso Jr, o AF de AutoFoco, hoje certamente um dos melhores blogs de fotografia na Web.

Marcos Palacios – blog do GJol

Irã: crise decreta o fim do jornalista herói

A crise iraniana é mais um sintoma do lento desaparecimento da figura do correspondente de guerra , especialmente daquele personagem glamourizado pela cinema e pela literatura, que desafiava a morte para cobrir conflitos e batalhas como testemunha ocular.

A crise iraniana está sendo coberta por repórteres que não podem sair dos hotéis de Teerã e que são obrigados a recolher material para suas reportagens recorrendo fontes indiretas e com escassa possibilidade de verificação, como mensagens transmitidas por correio eletrônico, weblogs , YouTube e o badalado Twitter, o microblog que virou uma febre mundial.

Os limites impostos pelo governo iraniano para a locomoção da imprensa estrangeira em Teerã são apenas a menor parte do problema, conforme reconhece Brian Murphy, da agência Associated Press. A esmagadora maioria das publicações internacionais substituiu seus correspondentes por freelancers (fotógrafos, cinegrafistas e repórteres) iranianos mesmo antes da proibição.

Se as dificuldades para a cobertura da crise fossem causadas apenas pelas limitações aos deslocamentos de repórteres estrangeiros, o uso de freelancers resolveria o problema porque, sendo iranianos, eles conseguem enganar mais facilmente as autoridades. O problema é que chegar até a notícia está sendo muito difícil inclusive para os locais, devido ao caráter descentralizado das manifestações e à guerra de rumores e conflitos espalhados por meios eletrônicos e pelo velho boca a boca.

A imprensa ocidental transformou o Twitter na grande vedete da crise iraniana atribuindo ao sistema de micro-mensagens transmitidas por internet e telefone celular o caráter de arma virtual contra a ortodoxia religiosa dos mulás iranianos. Algumas revistas semanais já batizaram a crise de Revolução Twitter.

Mas segundo Noham Cohen, do The New York Times, a situação é um pouco diferente e nada parecida com imagem uma tecno-revolução em marcha, transmitida pela TV norte-americana. O Twitter está sendo usado fundamentalmente para transmitir para o exterior imagens e informações produzidas por grupos de oposição aos ayatolás.

Internamente, são raríssimos os iranianos que usam os microblogs para se comunicar e menos ainda os que os empregam para fins políticos. A mobilização oposicionista contra o resultado das eleições presidenciais do dia 12 de junho, está sendo feita basicamente pelo sistema boca a boca, por blogs na internet e por torpedos enviados por telefone celular. Estas são, ainda segundo Cohen, as grandes armas da oposição liderada pelo candidato derrotado Mir-Hossein Mousavi, que denuncia fraude na votação vencida por Mahmoud Ahmadinejad, candidato à reeleição.

O essencial é que a imprensa estrangeira está sendo obrigada a informar com base em fontes que não tiveram acesso direto aos acontecimentos e por ferramentas como o

Twitter que podem ter acelerado a transmissão de fotos para o exterior, mas também causaram uma enorme confusão informativa interna por conta de uma onda de boatos espalhados por agentes do governo e ativistas pouco preocupados com a precisão das informações.

Esta também não é uma característica exclusiva da cobertura jornalística da crise iraniana. O mesmo fenômeno de “terceirização” noticiosa vem se agravando desde a guerra do Vietnã. O conflito no sudeste asiático foi a última grande oportunidade em que os correspondentes de guerra puderam deslocar-se livremente pelos fronts de combate recolhendo historias e imagens, sem intermediários.

O glamour dos correspondentes de guerra começou a se evaporar nas invasões norte-americanas no Iraque quando os repórteres perderam completamente a liberdade de movimento no front de guerra. Eles só podiam informar sobre o que os militares permitiam. A segunda invasão foi ainda pior porque a imprensa teve que vestir uniformes e incorporar-se às unidades em combate como se fossem soldados.

Em abril do ano 2000, o veterano correspondente de guerra Phillip Knightley[1] já havia decretado o fim dos correspondentes de guerra num artigo intitulado No More Heroes (Não há mais heróis). No texto ele previa que os jornalistas não teriam mais liberdade nas coberturas em combates porque a guerra tecnológica e a concentração de todas as informações nas mãos de militares impossibilitavam qualquer visão independente ou a verificação de versões conflitantes.

Os norte-americanos foram os que mais aprimoraram as técnicas de controle da imprensa em cenários de guerra, mas hoje os mesmos procedimentos se tornaram padrão em todos os exércitos do mundo. Os correspondentes acabaram tendo que se conformar com a posição de mensageiros da versão oficial dos fatos.

A tecnologia aumentou exponencialmente o volume e a velocidade de transmissão de notícias sobre guerras e conflitos mas sacrificou um personagem que já tinha um lugar cativo no imaginário popular. No caso do Irã, parece mais fácil acompanhar a crise de um computador em Nova Iorque do que nas ruas de Teerã.

[1] Phillip Knightley, inglês, é o autor do best seller The First Casuality (A primeira vítima) considerado um clássico do jornalismo em conflitos bélicos.

por Carlos Castilho – Observatório da Imprensa

Jornalismo online e finanças

Projeto inovador testa fórmula para a sustentabilidade financeira no jornalismo online

Uma despretensiosa experiência de financiamento de páginas noticiosas na Web começa a atrair a atenção tanto dos weblogs individuais como dos grandes jornais que publicam notícias na internet.

Trata-se do projeto Kachingle, cuja meta é criar uma ponte entre a cultura da gratuidade, predominante entre os internautas, e a sobrevivência financeira, tanto de páginas individuais como de sites de empresas jornalisticas de grande porte.

A busca da sustenatibilidade financeira desafia as cabeças pensantes da internet porque, até agora, quase todas as experiências de pagamento de notícias online não deram certo e tiveram que ser abandonadas.

O Kachingle (uma palavra que não está nos dicionários) cria um sistema onde o usuário abre uma conta em dinheiro e vai distribuindo pagamentos pelos sites que visita conforme suas preferências e necessidades. Os pagamentos são feitos quando o usuário clica no ícone do projeto na página visitada. O valor é imediatamente abatido da conta.

A primeira vista o sistema parece ingênuo e até utópico. Mas sua criadora, Cynthia Typaldos, uma experiente desenvolvedora de softwares e iniciativas comunitárias na Web, conseguiu atrair a atenção de quase todos os executivos de comunicação numa apresentação que ela fez do projeto na Public Media Conference, agora em fevereiro, em Atlanta, na Georgia (EUA).

O lançamento do Kachingle acontece num momento em que a discussão sobre a sustentabilidade de projetos jornalísticos na Web norte-americana tornou-se o tema de quase todos os weblogs e páginas voltadas para a cobertura da crise na imprensa dos Estados Unidos.

O modelo desenvolvido por Cynthia Typaldos baseia-se na combinação de um software relativamente simples com tendências comportamentais dos consumidores de notícias na Web. Esta é a grande incógnita do projeto, porque seu sucesso vai depender basicamente da capacidade de captar atitudes dos internautas e adequar-se a elas.

A esmagadora maioria dos usuários da Web em todo mundo segue a cultura da gratuidade, principalmente em matéria de notícias. É uma conseqüência da avalancha informativa que criou uma sobre-oferta de informações, o que reduziu o seu preço a quase zero, seguindo as leis clássicas da oferta e da procura.

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Amazônia, para Mangabeira Unger, não é assunto só para ambientalistas

Em entrevista, parte reproduzida abaixo, Mangabeira Unger, Ministro de Assuntos Estratégicos – o popular Sealopra – expõe interessantes reflexões no que representa a amazônia para o Brasil. Já tendo batido de frente com a conservacionista eco-radical ex- Ministra Marina Silva, o ex-guru de Ciro Gomes, coloca a discussão no plano racional.

De Evandro Éboli e Bernardo Mello FrancoO Globo

Em sintonia com o pensamento militar, o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, criticou a política indigenista do governo, que distribui terra mas nega aos indígenas oportunidades econômicas. “Por isso, estão se afundando na depressão, no alcoolismo e no suicídio”, disse durante entrevista em seu gabinete no Comando do Exército, em Brasília.

Qual a opinião do senhor sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol?

MANGABEIRA UNGER: A orientação do presidente é aguardar a decisão do STF. Mas direi duas coisas: o Estado de Roraima tem o direito de gozar de todas as condições de uma vida vigorosa e independente dentro da federação. Outra coisa: temos a obrigação de repensar as diretrizes de nossa política indigenista. O Brasil reserva 13% de seu território e mais de 20% da Amazônia aos indígenas. Uma generosidade louvável. Mas, paradoxalmente, nega aos índios instrumentos e oportunidades da atividade econômica. Muitas vezes, por isso, estão afundando na depressão, no suicídio, no alcoolismo e na desagregação moral e social. Temos a obrigação de consertar isso. Temos um compromisso sagrado com os índios, que são pessoas, e todas as pessoas são espíritos que desejam transcender.

Qual seria o melhor órgão de repressão a desmatadores? O ministro Carlos Minc propôs a criação de uma Guarda Nacional Ambiental…

MANGABEIRA: Quero resguardar a minha opinião. Nada de julgamentos apressados. Estamos numa tarefa de imensa seriedade, e o objetivo não é produzir efeitos midiáticos, é resolver problemas graves do país. Também tem que ficar claro que não queremos militarizar a Amazônia. É um equívoco pensar na Amazônia só como assunto de meio ambiente ou do Ministério do Meio Ambiente. Quase todos os ministérios estão envolvidos com a Amazônia. A Amazônia não é só assunto de ambientalistas. Os amazônios ficam indignados com isso.

De Maiá Menezes:

O recado foi direto: uma semana após o jornal “The New York Times” questionar a capacidade do Brasil de gerir a Floresta Amazônica, e no dia seguinte à revelação de que um empresário sueco teria avaliado a Amazônia em US$ 50 bilhões, o presidente Luiz Inácio da Silva fez uma defesa veemente da soberania brasileira. Em discurso para economistas, políticos e empresários, no auditório do BNDES, no Rio, Lula foi enfático:

– O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e que o dono da Amazônia é o povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros, são os pescadores e também nós, que somos brasileiros e temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas, mas também temos consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia – disse Lula, na abertura do XX Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).