The Guardian anuncia 250 demissões para ser rentável em três anos

Katharine VinerEmpresa enfrenta com urgência “uma mudança radical” e espera que as saídas sejam voluntárias

Katharine Viner. Gorka Lejarcegi

O jornal britânico The Guardiananunciou planos de cortar 250 postos de trabalho para equilibrar contas que resultaram no último ano em perdas de 58,6 milhões de libras (307 milhões de reais).

No total, a equipe do diário no Reino Unido se reduzirá em 18%, o equivalente a 310 empregos, já que outros 60 postos permanecerão sem reposição porque não será renovado o contrato dos atuais ocupantes.

A empresa acredita, segundo informação publicada em sua edição online, que todos os cortes serão alcançados com saídas voluntárias.

Os planos da editora de The Guardian e The Observer, a edição dominical do jornal, incluem a reestruturação das partes menos rentáveis do negócio para tentar sair dos números vermelhos em três anos. Entre outras medidas, a empresa abandona o projeto de transformar um galpão ferroviário em um espaço para eventos.

O Guardian Media Group conta com uma equipe de 1.960 pessoas. Um total de 750 pertence à área editorial, da qual serão cortados 100 funcionários. Os outros 150 postos serão eliminados em outras áreas do negócio.

Os 210 trabalhadores fora do Reino Unido não estão incluídos nas previsões de redução do quadro. Os custos trabalhistas do grupo representam a metade do total.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em um correio eletrônico à equipe, a diretora de The Guardian, Katherine Viner, e o diretor-executivo, David Pemsel, afirmam que “o volátil ambiente dos meios” desencadeou “uma necessidade urgente de atuação radical”. “Nosso plano de ação tem um objetivo: garantir a integridade jornalística e a independência financeira de The Guardian para a perpetuidade”, acrescentam.

Em janeiro, The Guardian apresentou um plano de três anos com o objetivo de conseguir o saneamento das contas para o exercício 2018-2019. As medidas incluem reduzir em 20% os custos, o que equivale a 262 milhões de reais, potencializar novas fontes de receita e um novo modelo de assinatura.

A ediçãoonline de The Guardian é aberta e gratuita, e conta com 7,35 milhões de usuários únicos por dia. É o segundo jornal diário britânico com mais tráfego, depois doMail Online.

The Guardian está com perdas há mais de uma década, mas a empresa se encontra entre as editoras mais seguras financeiramente no país. O Guardian Media Group possui importante receita procedente do Auto Trader, negócio de anúncios classificados da indústria automobilística. A propriedade do grupo está em mãos do Scott Trust, cujo compromisso é garantir a independência financeira e editorial de The Guardian.

O ano de 2015 foi devastador para o setor dos meios de comunicação. Segundo explica o próprio jornal, “grandes empresas, como Google e Facebook, monopolizaram o mercado de publicidade” e “o crescimento das empresas de telefonia móvel torna mais difícil obter ganhos econômicos”.

As receitas com publicidade impressa no Reino Unido caíram 25%. O jornal The Independent deixará de ser publicado em papel na semana que vem e outros grupos jornalísticos também fizeram cortes em sua equipe.

Os lucros dos jornais líderes do mercado, The Daily Telegraph, The Sun e The Daily Mail, caíram 40% na última década. E o Financial Times, por sua vez, foi vendido no final do ano passado para o grupo japonês Nikkei.

Há apenas duas semanas, porém, foi colocado no mercado um novo jornal impresso no Reino Unido. Trata-se de The New Day, propriedade do Trinity Mirror, o maior grupo editorial britânico.

É o primeiro diário impresso lançado no país em 30 anos, tem 40 páginas, sai a um preço inicial de 25 pences (1,3 real) e não possui edição online.
ElPaís

Jornalismo e Internet – A extinção do jornalista profissional

Jornais,Internet, Blog do Mesquita“Os ascensoristas foram substituídos por botões automáticos. Operários, nas fábricas, foram substituídos por robôs. Os caixas bancários foram substituídos por caixas eletrônicos. A empresa digital Amazon acabou com as livrarias e as lojas de música.

O próximo será o jornalismo porque existem no mundo três bilhões de pessoas com smartphones que são ‘plataformas extraordinariamente poderosas para o jornalismo’. Neles, as pessoas podem escrever textos, bater fotos, gravar vídeos e, em seguida, transportá-los gratuitamente para a internet.”

A opinião é de Michael Rosenblum, fundador da Current TV. Seu argumento é simples: não há qualquer obstáculo para ser um jornalista. Qualquer um pode sê-lo. A diferença é que, hoje, o conteúdo produzido por qualquer pessoa encontra público diretamente nas redes sociais. Desta forma, o jornalista profissional se torna obsoleto.

“Todos gostamos da ideia de um carro sem motorista. Exceto que ela acaba com caminhoneiros, taxistas, motoristas de ônibus etc. A maior empresa de taxis do mundo, a Uber, não possui um único taxi. A maior empresa de hotéis do mundo, o Airbnb, não possui um único quarto de hotel. Num futuro não tão distante, a maior e mais poderosa empresa de mídia do mundo não dará emprego a um único jornalista”, sentencia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Economia perigosa

O professor de jornalismo Roy Greenslade, que possui uma coluna no site do jornal britânico The Guardian, avalia o discurso de Rosenblum. “É claro que estamos caminhando na direção indicada por Rosenblum”, diz. “Entretanto, a pergunta que ele não faz é se isso será benéfico para o jornalismo e, por extensão, para o público.”

Greenslade pondera que, cada vez mais, os grandes jornais tradicionais demitem jornalistas de suas equipes. Muitas redações estão repletas de estagiários ou freelancers. Muitos deles trabalham quase de graça, por longos períodos.

Por outro lado, o conteúdo produzido por usuários, anunciado como uma espécie de virtude jornalística, é aceito como material jornalístico simplesmente porque é gratuito, não por ter um valor concreto. “A suposta virtude de um jornalismo do povo, feito pelo povo e para o povo não passa de uma maneira dos donos de jornais maximizarem seus lucros”, ressalta Greenslade. As empresas jornalísticas utilizam a tecnologia como uma maneira de reduzir os custos trabalhistas, e não como uma forma de democratizar e, portanto, melhorar seu conteúdo editorial.

Greenslade aponta para a diminuição do pagamento para freelancers na última década e para o enxugamento das redações, o que faz com que “meia dúzia de homens e mulheres com talento jornalístico concreto” produzam jornais com o mínimo de conteúdo possível.

Nada a comemorar

“Encher páginas com pseudojornalismo é, e sempre foi, fácil”, diz. “Isso pode ser feito, mas, além do lucro, o que se ganha com isso? O que o público ganha com isso? Um ex-aluno meu disse-me, no outro dia, que trabalha para um grupo em que um cidadão é o editor de 17 jornais locais semanais. Pode ser feito. Está sendo feito. Mas qual é o valor disso?”

O professor afirma que este “não é o jornalismo cooperativo que buscávamos, o jornalismo-cidadão que tanto nos entusiasmou desde o surgimento da internet”. Ele tem a aparência de jornalismo, mas é uma falsa atividade.

Não é que Michael Rosenblum esteja errado, mas não há nada a comemorar, afirma. “O jornalismo não é o equivalente a pagar uma corrida de taxi, ou repetir como um robô a tarefa de uma linha de montagem, ou alugar uma casa para as férias. É uma atividade criativa que protege a democracia ao questionar os que estão no poder.”

E, para que esta atividade possa ser feita de maneira correta, é preciso jornalistas apropriadamente remunerados por utilizarem seu talento em nome das sociedades em que funcionam. “Se o emprego do jornalista profissional realmente morreu, então morremos todos nós, pois isso significa que a própria democracia vem sendo ameaçada de extinção”.
Tradução: Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Com informações de Roy Greenslade [“Democracy will die if professional journalists go to the wall”, The Guardian, 7/4/15] e Michael Rosenblum [“The Job of Journalist Is Finished”, Huffington Post, 29/3/15]

Aliança de empresas de comunicação com o Facebook gera ansiedade e esperança

A aliança de nove meios de comunicação com o Facebook para publicar conteúdo diretamente na rede social está gerando ansiedade e esperança no setor, que procura ampliar sua audiência, mas teme perder protagonismo com a distribuição de notícias fora de suas plataformas.

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O acordo, que deve ser estendido para mais empresas em breve, permitirá que os artigos sejam baixados em uma velocidade dez vezes mais rápida nos telefones celulares do que agora.

O “Instant Articles” é uma função pensada para dispositivos móveis: os artigos que a imprensa distribuir diretamente pela rede social estarão visíveis no “Feed de Notícias” do aplicativo do Facebook – inicialmente só para iPhones. Nos desktops segue funcionando o sistema de links que leva às páginas dos meios de comunicação.

O vice-presidente de Plataformas de Parcerias e Operações do Facebook, Justin Osofsky, explicou à Agência Efe que a leitura de notícias na rede social é “a pior experiência que existe” no “Feed de Notícias” e o motivo dessa movimentação editorial.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“À medida que mais gente acessa dispositivos móveis, observamos que a experiência de abrir uma notícia precisa de muitas melhorias. Ela é concretamente lenta, leva mais de oito segundos para ser carregada”, acrescentou principal responsável pelo “Instant Articles”, Michael Reckhow.

Os meios de comunicação terão a opção de incluir publicidade em seus artigos e manter suas receitas, mas também podem preferir que o Facebook comercialize os anúncios, retendo com 30% da renda obtida com a venda, explicou Reckhow.

A rede social também permitirá que as empresas tenham acesso aos dados sobre as pessoas que leem notícias usando as atuais ferramentas do Facebook, facilitando o acompanhamento dos interesses dos usuários.

A iniciativa é, na opinião do “The New York Times”, o último exercício de equilíbrio existencial da imprensa, que busca atingir os 1,4 bilhão de usuários ativos do Facebook no mundo, mas também teme que a aliança atrapalhe seus negócios.

No entanto, Vivian Schiller, ex-executiva do próprio “The New York Times”, da “NBC” e do Twitter, acredita que os meios de comunicação não têm alternativa. “A audiência está lá (no Facebook). (Ele) É grande demais para ser ignorado”, afirmou em declarações ao “The New York Times”.

James Bennett, diretor da revista “The Atlantic”, outro dos nove veículos participantes da iniciativa, reconheceu hoje que a publicação de notícias através do “Instant Articles” significa “perder o controle sobre o sistema de distribuição”.

No entanto, ele assinalou que, ao mesmo tempo, os meios de comunicação estão tentando levar suas histórias ao maior número de pessoas possível, algo facilitado pelo Facebook.

Para o diretor-executivo do “The New York Times”, Mark Thompson, o acordo oferece a oportunidade de explorar a possibilidade de atrair mais tráfego para o site do jornal através do Facebook. “Essa é uma oportunidade de ampliar e explorar se o Facebook pode se transformar em uma parte até maior do tráfego do Times”, disse Thompson em artigo publicado no site do jornal.

Também fazem parte do grupo que usará a ferramenta pela primeira vez o “Buzzfeed”, a “National Geographic” e os europeus “The Guardian”, “BBC”, “Spiegel” e “Bild”. Nas próximas semanas, indicou Osofsky, outros veículos de comunicação começarão a utilizar o “Instant Articles”.

“O objetivo é ter a ferramenta pronta para que qualquer meio possa utilizá-la. Estamos fazendo isso para que seja incluído facilmente nos fluxos de trabalho e nos sistemas de conteúdo já existentes”, indicou o vice-presidente. O Facebook trabalhou junto com as empresas para desenhar a ferramenta de publicação: as notícias distribuídas pela rede social terão um formato otimizado e serão personalizáveis.

As informações, que serão abertas após um toque, poderão incluir fotos, vídeos, áudios, infográficos e outros elementos, como tweets, vídeos do YouTube ou fotos do Instagram. E poderão ser compartilhadas e comentadas de forma independente.

Osofsky esclareceu que as notícias postadas no Facebook não serão exclusivas, podendo também ser encontradas nos sites dos meios de comunicação em seu aspecto tradicional. O Facebook defende que a iniciativa oferecerá às empresas uma oportunidade “monetizar seus conteúdos”.
Fonte:EFE/Info

Internet: senhas já não são mais suficientes

Segurança Privacidade Digital Internet Blog do MesquitaSegurança: verificação em dois passos ganha força na internet

Não há motivo para desespero, mas a afirmação confirma uma tendência que se consolida através dos principais serviços oferecidos na internet.

A verificação em dois passos, uma tecnologia que já existe há algum tempo, vem sendo adotada pelo usuário convencional nas redes sociais e serviços de armazenamento em nuvem para aprimorar a segurança dos seus dados.

O princípio desta camada extra de segurança esta relacionado à idéia de que sistemas de autenticação funcionam com a confirmação não só de algo que você sabe (no caso a senha), mas também algo que você tem.

“Com a dupla autenticação, além da senha tradicional, o usuário precisa dar um outro código que ele recebe em um dispositivo que ele cadastrou.

E isso minimiza a possibilidade de ter uma conta hackeada ou invadida”, explica José Milagre, especialista em segurança da informação.

Existem basicamente duas maneiras de a verificação em dois passos ser feita.

A primeira é através do cadastramento do telefone celular; depois de fazer o login usando sua senha habitual, o sistema exigirá um código que vai ser enviado para o seu aparelho através de mensagem SMS ou, às vezes, até chamada de voz.

Alguns serviços online também oferecem a opção de registrar e cadastrar o computador e o navegador que você estiver usando.

Assim, apenas as máquinas cadastradas poderão acessar as contas protegidas.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Grandes provedores de serviços incluíram o segundo passo de verificação em seus sistemas; é o caso de Google, Apple, Microsoft, Twitter e Facebook.

A configuração de segurança para incluir a verificação em dois passos é bastante fácil de ser feita e aplicada instantaneamente.

Talvez a única desvantagem do recurso é que se você, por acaso, não estiver com o seu celular por perto ou tentar acessar um desses serviços de uma máquina não cadastrada, vai ser impossível fazer o login no sistema desejado.

“Há uma necessidade de maturidade para usar esses serviços, porque a partir do momento em que você autentica com duplo fator, você precisará estar com aquele dispositivo sempre em mãos, permitindo o login no serviço que você cadastrou. Se você não está com o dispositivo, ou ele está fora de área ou desligado, isso pode representar um obstáculo”, diz Milagre.

Essa história não acaba por aqui; em um futuro próximo, seguindo o conceito de que uma segurança eficaz depende de algo que você sabe, algo que você tem, mas também algo que você é!…

“Aquilo que o usuário sabe (a senha), aquilo que ele tem (um celular) e aquilo que ele é (biometria), a partir de leitura de íris e digitais, já estão em alguns computadores domésticos. Não vai demorar muito para que esses fatores passem a integrar as principais redes sociais”, conta Milagre.

Esta é uma dica importante para quem quiser se proteger do famoso “phishing” ou de ter seu perfil ou informações pessoais roubadas na internet. Segurança, a gente sempre diz, nunca é demais. Ainda que nada seja 100% seguro contra as mentes maliciosas e criminosas que existem na web, quanto mais a gente puder dificultar a vida desse pessoal, melhor. Faça você a sua parte…
Fonte:OlharDigital

Somos todos Edward Snowden!

Segurança Privacidade Digital Internet Blog do MesquitaCabelo curto, aparado, óculos retangulares, bigode e barbicha por fazer, o homem sentado diante dos repórteres no aeroporto de Moscou, na sexta-feira, 13 de julho passado, parecia um cidadão normal.

Por: Daniel Aarão Reis ¹

Mas sua fala, se não removeu montanhas, mexeu com elas, suscitando um terremoto. Com voz pausada, narrou em que consistia o cotidiano do seu trabalho: “Eu, sentado na mesa, poderia grampear qualquer pessoa, desde você que está me ouvindo até um juiz federal e mesmo o presidente da república, precisando apenas de um e-mail pessoal.”

E completou: “Não quero viver num mundo onde tudo o que eu fizer e disser esteja registrado. Não é a vida que eu quero viver e isto é algo que não estou disposto a aguentar”.

Cerca de um mês antes, o jornal inglês “The Guardian” publicou reportagem de Glenn Greenwald sobre as revelações de Edward Snowden a respeito das políticas de espionagem do governo estadunidense.

A grandeza dos dados desafia a imaginação. Acionando os programas Prisma e XKeyscore, a Agência Nacional de Segurança/NSA dos Estados Unidos armazena, diariamente, 1 a 2 bilhões de registros — e-mails, conversas on-line e todo tipo de comunicação.

Apenas em março de 2013, a Agência coletou 97 bilhões de peças de informação de computadores de todo o mundo, contando com a colaboração das companhias provedoras: Google, Apple, Facebook, Yahoo etc. Thomas Drake, ex-empregado da Agência, confirma: trata-se de um sistema vasto e institucionalizado, trabalhando em escala industrial. Nenhuma comunicação dos e para os EUA escapa do olho da NSA.

Ouviu-se então um coro mundial, reatualizando o lendário conto infantil: “O rei está nu!”

O rei, Barak Obama, bem que tentou tapar as vergonhas, explicando o inexplicável e defendendo o indefensável. Insiste em dois pontos: o sistema é imprescindível — para combater o terrorismo internacional — e é legal, pois aprovado pelo Congresso dos EUA.

Não convenceu.

A espionagem, de fato, estende a teia muito para além dos “suspeitos de terrorismo”, abrangendo chefes de estado de “países amigos”, sem falar nas atividades e conversas que, não tendo nada a ver com o terrorismo, caem, mesmo assim, na rede espiã, servindo para instruir representantes e agentes do governo estadunidense em suas manobras.

E não só: a vida privada dos espionados está nas mãos da NSA, que usará as informações de acordo com os seus critérios — e interesses. Neste amplo leque, quem não estará agora preocupado em tapar as próprias vergonhas que poderão ser, a qualquer momento, expostas pelo governo do rei nu?

Quanto à legalidade, há controvérsias, pois a legislação atual dos EUA, condicionada pelo que Jurgen Habermas chamou de “envenenamento da cultura política”, desrespeita direitos e garantias constitucionais, ameaçando a liberdade de imprensa e o jornalismo investigativo.

Uma coisa é certa: se a nudez do rei é engraçada, porque fragiliza e ridiculariza Sua Majestade, a nudez de cada um e de todos, à mercê do Estado, é inquietante porque enfraquece a democracia.

Como disse John Cassidy, o Estado não pode ter segredos para a cidadania, mas a cidadania deve ter os segredos respeitados. Jill Lepore lembrou Jeremy Bentham: “O segredo é um instrumento de conspiração e não deveria ser um sistema normal de governo. Sem publicidade, nenhum bem é permanente; sob a publicidade, nenhum mal continua.” Ou seja, a publicidade no Estado é uma virtude; o mistério, um vício. O inverso ocorre em relação à cidadania, cujos segredos devem ser defendidos, pois esta é uma condição do regime democrático.

Em vez de se vestir com uma autocrítica, porém, o rei nu saiu à caça de Edward Snowden. Mas este escapou para a Rússia, onde lhe foi concedido asilo por um ano. Um paradoxo, pois a Rússia não é, como se sabe, um país onde a liberdade de informação é respeitada. Mas seria farisaísmo culpar Snowden, pois ele está impedido de sair de lá pelo próprio governo dos EUA, que o acusa de “impatriota” e de “ traição”.

O rei quer prender e julgar o súdito “inconfidente”. E garante, pela voz do procurador-geral, que não vai torturá-lo ou matá-lo. Ora, quando alguma autoridade formula este tipo de “garantia” é um mau sinal — sinal de que não é possível confiar.

Snowden não é um inconfidente nem um delator. Também não é um herói, pois, como Brecht fez Galileo dizer na famosa peça, infeliz é a terra que precisa de heróis.

Edward Snowden virou um cidadão do mundo. Sua pátria, agora, são os seus sapatos. Mas não perdeu as convicções. Nem a honra. E por isso merece respeito.

Em 1968, na França, um líder estudantil, Daniel Cohn-Bendit, judeu e alemão, foi perseguido pelas autoridades, sob o argumento de que não era francês. Os estudantes reagiram: “Somos todos judeus e alemães.” Os cidadãos de todo o mundo, hoje, devem proteger Edward Snowden com um coro análogo: “Somos todos Edward Snowden”!

¹ Daniel Aarão Reis é professor de História Contemporânea da UFF.
Email:daniel.aaraoreis@gmail.com

Twitter. Pra que serve?

Para que serve o Twitter ?
Com a palavra o editor chefe do The Guardian

Durante palestra no Royal Symposium o editor-chefe do The Guardian, Alan Rusbridger, elencou 15 razões que explicam a importância do Twitter para o jornalismo, a saber:

1. É uma forma incrível de distribuição – Não se distraia com a limitação dos 140 caracteres, os melhores tweets oferecem links para o conteúdo. O Twitter é uma ferramenta de distribuição instantânea, um meio onde podemos divulgar a informação de forma rápida.

2. É onde as coisas acontecem primeiro – As chances dos leitores saberem de uma notícia primeiro no Twitter é grande, isso porque o compartilhamento, a filtragem ocorre de forma colaborativo e por milhares de pessoas.

3. É um motor de busca, rival do Google – Em alguns aspectos é melhor utilizar o Twitter para descobrir as coisas do que o Google, isso porque o Google é baseado em algoritimos e o Twitter nas pessoas.

4. O Twitter agrega – Rusbridger brinca e diz que o Twitter não é apenas busca (conforme item acima) ele pode ser também o seu feed de notícias personalizadas. “Você pode sentar e deixar que outras pessoas, que você admira ou respeita, encontre conteúdo relevante para você”, pontua.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

5. É uma grande ferramenta de comunicação – A sabedoria da multidão pode ajudar os jornalistas no processo de elaboração de suas materias. “Eles sabem mais do que nós”, diz.

6. É uma forma fantástica de marketing – Se as pessoas gostarem do que leem, veem ou sentem irão repassar a informação para suas redes. Rusbridger não cita o termo “viralização” mas destaca esse aspecto, focando no poder do Retweet e ampliação do alcance de determinada informação.

7. É uma série de conversas – O Twitter possibilita uma reação imediata aos seus comentários. O mais importante não é a transmissão, e sim, a comunicação.

8. Diversidade – O Twitter dá “voz” a qualquer pessoa, enquanto a mídia tradicional a poucas.

9. Muda o tom da escrita – A plataforma fortalece o tom pessoal das conversas, mais humor, mistura-se o comentário analítico com o fato.

10. Igualdade – O Twitter tem a capacidade de reunir em torno de pessoas “desconhecidas” uma legião de seguidores. Um nome reconhecido pode atrair, inicialmente, muitos seguidores. Porém, uma pessoa “desconhecida”, a depender da qualidade e tema dos seus tweets pode atrair “iguais”.

11. A valoração de notícias é diferente – As escolhas dos jornalistas nem sempre refletem o interesse do público, e este, a depender da sua movimentação no Twitter pode pautar o mainstream midiático ou demandar dos jornalistas mais dedicação a determinado assunto.

12. Alarga a atenção – O Twitter não é apenas um fluxo efêmero de informação. Ao usuário escolher uma determinada hashtag, por exemplo, indica aos jornais a escassez de informação que possuem sobre determinado tema.

13. Cria comunidades – Ou melhor, comunidades se constituem em torno de questões específicas. Podem ser comunidades fortes e/ou fracas, temporárias ou duradora.

14. Muda a noção de autoridade – Os usuários “aceitam” informações não apenas das autoridades – nós, os jornalistas – mas, sobretudo, daqueles que elas julgam confiavéis e importantes para elas.

15. É um agente de mudança – O Twitter é uma síntese de como a mídia colaborativa mudou as rotinas das empresas e a relação com o público. “Fechar os olhos para essa ‘mídia livre’ é um erro muito grave”, finaliza.

Gigante da América do Sul está acordando, diz jornal The Guardian

Matéria do jornal inglês The Guardian, reproduzida pelo portal G1, o Brasil, com e sem “z”, analisa que a terra dos Tupiniquins pode está caminhado para o mundo dos desenvolvidos e que deverá ter muita influência na política mundial.

Fotos flagrantes do Brasil por Douglas Engle/Ap

Foto: Dougles Engle/AP

‘The Guardian’ diz que Brasil finalmente está caminhando para o futuro. O jornal britânico The Guardian dedica uma página inteira ao “país do futuro”, o Brasil, explicando por que muitos acreditam que finalmente “o gigante adormecido da América do Sul” está acordando.

O diário diz que muitos empresários e políticos brasileiros estão convencidos de que o Brasil está caminhando para um lugar de destaque no cenário internacional graças aos avanços na situação econômica do país.

“Graças em grande parte ao ‘boom’ mundial das commodities, esta região de plantação de soja (o Mato Grosso) se transformou na vanguarda da marcha do Brasil rumo ao palco mundial”, começa dizendo a matéria, assinada pelo repórter Tom Phillips. Ele lembra que apesar de o Brasil ter sido conhecido como o país do futuro há muito tempo, uma série de crises econômicas e políticas, além de 21 anos de ditadura militar, evitaram com que o país chegasse lá.

Momento favorável
“Agora as coisas parecem estar mudando. A moeda brasileira atingiu a maior alta dos últimos nove anos em relação ao dólar, a inflação está sob controle e milhões de brasileiros estão sendo empurrados em direção a uma nova classe média”, afirma Phillips. Ele também lembra que na semana passada, a agência Standard & Poor’s revisou para cima o rating concedido ao Brasil, melhorando a classificação geral para grau de investimento. 

“De laranjas e minério de ferro a biocombustíveis, as exportações do Brasil estão estourando, criando uma nova geração de magnatas. O clube de milionários do Brasil aumentou de 130 mil em 2006 para 190 mil no ano passado – uma das taxas mais rápidas do mundo, de acordo com um estudo do Boston Consulting Group“, afirma a matéria. 

O texto do The Guardian também lembra das recentes descobertas de grandes reservas de petróleo pela Petrobras, que deram o apelido de “xeique Lula” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva “e indicam a possibilidade de o Brasil se tornar um grande produtor de petróleo em breve”. 

O repórter encerra a matéria ressaltando que analistas acreditam que uma queda nos preços dos commodities pode acabar com o ritmo acelerado de crescimento do Brasil e outros questionam se os sistemas de infra-estrutura e educação são fortes o suficiente para manter o bom momento econômico. 

“Tudo isso não significa que você tem crescimento econômico garantido. O Brasil ainda tem problemas estruturais sérios. Existem algumas armadilhas sérias que comprometem este crescimento: educação, ter uma mão-de-obra qualificada, saúde”, ressaltou a economista da Fundação Getúlio Vargas, Lia Valls, citada na matéria.