Como a ditadura monitorou ativistas pró-anistia na abertura política

Documentos inéditos revelam monitoramento intenso de opositores durante a “abertura democrática”. Historiadores contestam ideia de repressão mais branda no período e apontam tentativa de garantir impunidade de militares.

Quando chegou ao Teatro da Universidade Católica de São Paulo, o Tuca, onde um show seu estava programado, a cantora Joan Baez descobriu que não poderia cantar. Naquela noite de 23 de maio de 1981, a artista americana descobriu que a apresentação havia sido censurada.

A explicação chegou por meio de um ofício assinado por Dráuzio Selmann Dornellas Coelho, chefe do Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP) da Polícia Federal em São Paulo. “A cantora alienígena Joan Baez”, dizia o texto, havia descumprido a exigência de submeter a programação do espetáculo previamente à apreciação do órgão.

Com a proibição, o Brasil se juntou ao seleto grupo de países que proibiram Baez de se apresentar, composto por Argentina e União Soviética. Sentada na primeira fila da plateia, a cantora entoou, à capela, Blowing in the wind, de Bob Dylan, e Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré.

O fardo de comunicar o cancelamento do show ao público de 1.500 pessoas que lotava o Tuca coube ao então deputado estadual Eduardo Suplicy, hoje vereador de São Paulo pelo PT. Ele havia conhecido Baez nos Estados Unidos, onde cursou mestrado e doutorado em Economia na Universidade de Michigan, e tinha ido a shows da cantora no país.

Em São Paulo, ele fora procurado pela equipe da artista para organizar um encontro com Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. À época, Baez presidia a Sociedade Humanitas Internacional, entidade sindical dos EUA. O grupo almoçou em São Bernardo no dia do show proibido.

Abertura democrática sob vigília

O apoio à cantora é um dos fatos descritos em um relatório de 24 páginas sobre as atividades de Suplicy, produzido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) em 1983, período de “abertura democrática” do regime militar. No texto, ele é apontado como “militante de esquerda radical”, em trecho que aborda sua participação num congresso de mulheres no mesmo Tuca.

“Que atividade tão perigosa, posicionar-me a favor da liberdade de Joan Baez”, ironiza Suplicy, questionado hoje sobre o teor do documento. Mas não se tratou de um monitoramento exclusivo ao então jovem deputado. Documentos inéditos localizados no Arquivo Nacional ­revelam um monitoramento intenso de ativistas e organizações que defendiam a bandeira da anistia política nos anos 1970 ­– mesmo após a aprovação da Lei da Anistia, em 1979, que completa 41 anos nesta sexta-feira (28/08).

Os arquivos mostram que a ditadura militar acompanhou de perto congressos, reuniões e até cultos ecumênicos com a participação de ativistas do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA) e do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA). O monitoramento se estendeu aos exilados políticos que organizavam atos em favor da anistia no Brasil em outros países.

Na segunda metade dos anos 1970, havia um tensionamento entre os projetos de abertura política do regime, no poder desde o golpe de 1964. Enquanto os militares pregavam a abertura “lenta, gradual e segura”, o CBA assumiu o protagonismo da luta nacional pela anistia “ampla, geral e irrestrita”.

“A luta pela anistia rompeu com o medo da ditadura”, afirma o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador e ex-presidente do CBA. “As pessoas começaram a ir para as ruas, enfrentar de fato o regime militar. O movimento reuniu diferentes setores democráticos, da Igreja Católica e da sociedade civil num grito de basta contra a tortura, o desaparecimento e o arbítrio”, avalia.

Impunidade dos militares

Apesar da pressão exercida pelos movimentos sociais, o governo conseguiu aprovar a sua versão da Lei da Anistia no Congresso, por quatro votos de diferença. Alvo de questionamentos até os dias de hoje, inclusive em ações no STF, o texto equiparou os atos cometidos por presos políticos com os crimes de Estado perpretados pelos agentes da ditadura.

Dessa forma, a Lei da Anistia libertou os presos políticos, mas garantiu a impunidade sobre as violações de direitos humanos praticadas no período. Diferentemente da luta armada, a mobilização em torno da anistia era pacífica, e justamente por essa razão conseguiu aglutinar diferentes camadas da sociedade civil organizada.

Mesmo assim, um relatório produzido pelo SNI em 26 de setembro de 1979 – menos de um mês após a aprovação da Lei da Anistia – caracteriza os movimentos como defensores de “terroristas” e “subversivos”.

“As referidas ‘bandeiras’, entretanto, se identificam com a doutrina das organizações de frente do Movimento Comunista Internacional (MCI), respectivamente a ‘Anistia Internacional’ e o ‘Tribunal Bertrand Russell'”, diz o texto, que vincula a ONG e a corte de direitos humanos ao “comunismo”.

A abordagem chamou atenção do historiador Lucas Pedretti, enquanto estudava os documentos em sua pesquisa de doutorado. Ex-assessor da Comissão Estadual da Verdade e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj), Pedretti vê um paralelo claro entre a preocupação da ditadura em deslegitimar os movimentos pela anistia e a posição adotada pelos militares após o fim do regime a respeito das políticas de memória e reparação.

“Todas as vezes em que houve qualquer tipo de avanço nas políticas de memória e reparação no Brasil, havia um conteúdo fundamental do qual os militares não abriam mão de jeito nenhum: a garantia da manutenção da lei da anistia como manto de impunidade para os torturadores”, afirma.

Em dezembro de 2014, a família do general Leo Etchegoyen emitiu uma nota contra a inclusão de seu nome na lista de 377 nomes de militares considerados responsáveis por crimes durante a ditadura no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

Entre os signatários da nota, estava o general da ativa Sergio Etchegoyen, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Michel Temer. Em junho deste ano, o TRF-4 negou um pedido da família para que o nome do general fosse retirado da lista.

Período brando?

Autora do livro Os vigilantes da ordem, resultado de seu trabalho de mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), a historiadora Pâmela de Almeida Resende destaca como a vigilância intensa sobre ativistas e organizações em prol da anistia confronta a visão de que os últimos anos da ditadura teriam sido “brandos” no campo da repressão política.

“Houve uma cristalização na opinião pública de uma imagem dos presidentes da abertura como moderados, responsáveis pela distensão do Brasil para o mundo democrático. Esse tipo de visão cai em uma periodização demarcada da violência, restrita aos ‘anos de chumbo'”, avalia a historiadora.

Almeida Resende recorda que, ao longo dos anos 1970, e sobretudo após a posse do presidente Ernesto Geisel em 1975, os números oficiais de mortos caem progressivamente, enquanto aumentam os de desaparecidos.

“É um jeito sofisticado de abordar a repressão, que causa menos impacto do que falar em mortes. A violência acontece de maneira diferente ao longo dos 21 anos de ditadura, mas não deixa de acontecer. Outro presidente apontado como moderado é o Castelo Branco, responsável por atos institucionais que cassaram mandatos e direitos políticos”, lembra.

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O neonazista pedófilo e homofóbico preso enquanto preparava ‘jihad branca’

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Jack Renshaw é suspeito de integrar organização banida

Um júri britânico não conseguiu decidir se Jack Renshaw, neonazista que confessou um plano para matar uma parlamentar no Reino Unido, permaneceu como membro de um grupo terrorista que foi banido do país.Agora que chegou ao fim seu quarto e último julgamento, um processo que durou dois anos, podemos contar sua história completa.

Eles bebiam lá regularmente. Normalmente, aos sábados. Muitas vezes, durante a semana também.

O número de participantes variava – podiam ser apenas dois ou um grupo de dez.

O local era o Friar Penketh em Warrington, um pub concorrido no centro da cidade.

Friar Penketh, em Warrington
Este é o Friar Penketh, um pub movimentado no centro da cidade

Mas o papo do grupo não era sobre futebol ou trabalho -, a conversa girava em torno de temas muito mais sombrios, como o ódio aos judeus e não-brancos, a veneração ao nazismo e Adolf Hitler, e o fascínio deles com o terrorismo.

No sábado de 1º de julho de 2017, vários integrantes e ex-membros da Ação Nacional, organização neonazista banida do Reino Unido sob a lei antiterrorismo, chegaram ao pub no fim da tarde.

Pouco depois, se juntou a eles um homem de aparência jovem, cujos olhos grandes e hostis contrastavam com seu corpo franzino e tímido.

Na mesma hora, o rapaz de 22 anos começou a reclamar sobre uma investigação policial em andamento contra ele por incitar o ódio racial em seus discursos.

Jack Renshaw despertava a simpatia de seus companheiros de bar.

Jack Renshaw
Jack Renshaw em um vídeo do Partido Nacional Britânico

À medida que a noite avançava, ele revelou um plano iminente – se fosse acusado pela polícia, faria uma manifestação política matando a parlamentar Rosie Cooper.

Ele já tinha comprado um gládio – espada curta romana – para levar a cabo o assassinato.

O plano incluía fazer reféns e atrair a detetive que estava investigando seu caso para o local, exigindo falar com ela. Ele então a mataria também.

Na sequência, ele cometeria “suicídio pela polícia” (ato de induzir deliberadamente um policial a atirar em você), ao avançar na direção dos policiais armados usando um colete-bomba falso, conforme contou ao grupo.

O ataque seria um ato da “jihad branca” – termo usado pela Ação Nacional – e ele planejava gravar um vídeo em que apareceria como um mártir explicando seus motivos.

Nenhuma das pessoas ao redor da mesa contestou Renshaw – pelo contrário, duas delas chegaram até a sugerir alvos alternativos, como a então ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, e uma sinagoga.

O que nenhum deles sabia era que um dos integrantes da mesa estava passando informações secretamente para a organização antirracismo Hope not Hate.

Correndo contra o tempo

Robbie Mullen, que no passado era neonazista convicto, estava desapontado e queria abandonar o grupo.

“Eu não queria estar envolvido na morte de ninguém, ou em um grupo que estava envolvido em matar pessoas. Eu só não queria que ninguém fosse morto ou ferido”, diz ele.

Quando Mullen foi embora do pub naquela noite, Renshaw abraçou ele e disse que provavelmente não se veriam novamente.

Assustado com o que estava por acontecer, Mullen entrou em contato imediatamente com a Hope not Hate.

“Jack vai matar uma parlamentar em breve”, contou.

Jack Renshaw

O caso de Renshaw ilustra claramente os perigos da radicalização.

Ele nasceu em Lancashire, na Inglaterra, e começou a se envolver com política na adolescência – primeiro com a Liga de Defesa Inglesa e depois com o Partido Nacional Britânico (BNP), depois de conhecer seu então líder, Nick Griffin, em um evento.

Quando terminou a escola, ele cursou economia e política na Universidade Metropolitana de Manchester, mas foi convidado a se retirar por seu ativismo de extrema-direita.

Jack Renshaw - (captura de tela de vídeo do BNP)
Jack Renshaw chegou a trabalhar no Parlamento Europeu em Bruxelas

Renshaw ficou anos no BNP, aparecendo em cartazes e vídeos do partido, além de dar palestras em conferências. Trabalhou ainda no Parlamento Europeu em Bruxelas.

Ele também se envolveu em campanhas contra o aliciamento sexual de crianças.

Certa vez, perguntado sobre como descreveria sua jornada, Renshaw disse:

“Eu comecei basicamente como um civil nacionalista com, digamos, pensamentos racistas ligeiramente encobertos, e agora sou um nacional-socialista abertamente racista.”

A Ação Nacional se tornaria seu lar político.

O grupo britânico, fundado em 2013, era abertamente racista e neonazista. E foi banido em dezembro de 2016, após uma investigação concluir que estava exaltando ilegalmente o terrorismo.

A Ação Nacional havia usado, inclusive, uma conta oficial no Twitter para comemorar o assassinato da parlamentar Jo Cox, em junho de 2016, por um supremacista branco.

Robbie Mullen, na época funcionário de um armazém em Runcorn, Cheshire, havia se juntado ao grupo após se converter à política extremista.

Ele chegou a pesquisar outras organizações, mas foi seduzido pelas ideias da Ação Nacional, cujos membros se vestiam de preto em manifestações e usavam as redes sociais para promover suas atividades.

Robbie MullenDireito de imagem HOPE NOT HATE
Robbie Mullen, que já foi um neonazista convicto, se desiludiu e deixou a Ação Nacional

Mullen, hoje com 25 anos, disse à BBC que foi atraído inicialmente pela “imagem” do grupo e porque seus membros tinham mais ou menos a sua idade, “enquanto a extrema-direita tradicional era formada por velhos que bebiam em pubs”.

Mullen, assim como Renshaw, que era porta-voz da Ação Nacional, se tornou uma figura proeminente no grupo, ajudando a organizar atividades no noroeste da Inglaterra.

‘Parasitas’

Renshaw parecia se deleitar com a crueldade da ideologia do grupo.

Seus perfis nas redes sociais se converteram em uma corrente vil de ódio e teorias de conspiração maliciosas, com o povo judeu sendo alvo frequente de ataques.

Mas foram dois discursos antissemitas que ele fez em nome da Ação Nacional que o levariam à ruína.

Durante uma manifestação na orla de Blackpool em março de 2016, Renshaw disse que os judeus eram “parasitas” e que a Grã-Bretanha havia escolhido o lado errado na Segunda Guerra Mundial, em vez de lutar ao lado dos nazistas que estavam implementando a “solução final”.

Em um discurso em Yorkshire um mês antes, ele dissera que Adolf Hitler estava “certo em muitos sentidos”, mas errado quando “mostrou misericórdia em relação a pessoas que não mereciam misericórdia”.

Renshaw afirmou que o povo judeu deveria ser “erradicado”.

Jack Renshaw em vídeo de propaganda da Ação Nacional
IA polícia investigou Jack Renshaw por suposto assédio sexual de menores

Ele foi preso na casa da mãe em Blackpool em janeiro de 2017, acusado de incitar ódio racial.

Seus celulares e outros itens pessoais foram apreendidos.

Mas seus discursos não eram os únicos alvos de investigação.

Renshaw, o pedófilo

Renshaw, ativista contra a exploração sexual infantil, era secretamente um pedófilo que aliciava meninos para sexo.

Por quase um ano, ele usou um perfil falso no Facebook para atrair dois garotos que tinham entre 13 e 15 anos na época.

Apesar de não conhecer os adolescentes, ele ofereceu dinheiro a eles em troca de sexo e pediu fotos íntimas. A polícia foi avisada depois que um parente viu as trocas de mensagens no telefone de um dos meninos.

Os detetives identificaram que as mensagens haviam sido enviadas do endereço de Blackpool ocupado por Jack Renshaw.

Quando foi preso pela primeira vez em janeiro, ele foi interrogado apenas sobre os discursos, antes de ser libertado sob fiança – mas as investigações continuaram.

Uma das investigadoras, Victoria Henderson, foi encarregada de manter contato com o suspeito e também participou do inquérito sobre crimes sexuais.

Em maio daquele ano, Renshaw foi preso novamente e interrogado sobre o aliciamento de menores.

Ele deve ter percebido que sua farsa estava chegando ao fim.

Mais tarde, Henderson disse que Renshaw ficou “chocado e chateado” e “visivelmente pálido, chorando muito”.

Ele negou ter assediado os meninos, apesar de as evidências terem sido encontradas em seu próprio celular.

O suspeito, que tinha um histórico de fazer declarações homofóbicas, afirmou a Henderson que ainda era virgem, não acreditava em sexo fora do casamento e que seu gosto por pornografia era “bastante tradicional” e “conservador”.

Embora tenha admitido ter buscado pornografia gay na internet “por curiosidade”, ele negou ser homossexual e disse que as relações entre pessoas do mesmo sexo eram “antinaturais”.

Dois dias após ser libertado sob fiança, Renshaw procurou por Henderson no Facebook.

Ela havia se tornado um alvo.

O que a polícia não sabia é que Renshaw já havia começado a planejar um ataque à parlamentar Rosie Cooper, o que seria um crime político. E agora tinha resolvido assassinar também Henderson, o que seria um ato de vingança pessoal.

No início daquele mês, ele havia pesquisado sobre a parlamentar na internet e feito a seguinte pergunta ao Google: “Quanto tempo leva para morrer após cortar a jugular?”

Rosie Cooper
Rosie Cooper, a parlamentar do distrito de West Lancashire que Renshaw queria matar

Em 7 de junho, ele comprou um gládio na internet – que, segundo a descrição do fabricante, oferecia “48 centímetros de um poder perfurante e cortante sem precedentes” – e pagou para ser entregue no dia seguinte.

Assim que recebeu, compartilhou uma imagem da arma com os membros do grupo usando o Telegram, aplicativo de mensagens criptografado.

Mas os planos de Renshaw foram frustrados por causa de Robbie Mullen.

Robbie Mullen

A essa altura, Mullen estava se comunicando secretamente com a Hope not Hate.

Após estabelecerem contato na primavera de 2017, Mullen contou que os membros da Ação Nacional não se separaram, apesar de o grupo ter sido banido.

Ele informou que eles continuavam a se encontrar, malhavam juntos na academia e se comunicavam via aplicativos de mensagens criptografadas.

As atividades públicas do grupo – como o site e as manifestações – haviam acabado, mas segundo ele, o núcleo permanecia.

O fascínio de longa data da Ação Nacional pelo terrorismo virou, então, parte central do seu propósito, e seus integrantes começaram a planejar uma guerra racial, conforme contou Mullen à BBC.

Depois que Renshaw revelou seus planos violentos no pub em 1º de julho de 2017, Mullen falou com seu contato, Matthew Collins, diretor de pesquisa da Hope not Hate.

Collins, que estava de férias na época, se lembra do momento em que foi informado de que Renshaw “ia matar uma parlamentar de forma iminente, imediatamente”.

Treino de boxe - (vídeo de propaganda política da Ação Nacional)
Jack Renshaw aparecia em diversos vídeos de propaganda política da Ação Nacional

Ele se lembra de ter perguntado a Mullen: “Como imediatamente?” e ele disse: “Vai acontecer em breve”. E essa história horrível e inimaginável se desenrolou.

No dia seguinte, a Hope not Hate enviou uma mensagem para Rosie Cooper alertando a parlamentar sobre o risco que corria.

Ela avisou a polícia e de repente se viu no centro de uma investigação contra o terrorismo – apenas um ano após o assassinato de sua colega Jo Cox.

Enquanto isso acontecia, Renshaw estava sendo interrogado em Lancashire – novamente por Henderson – sobre a suspeita de aliciamento de menores. Em paralelo, foi acusado de incitar o ódio racial nos dois discursos.

Ele foi libertado sob fiança, e naquela noite publicou uma série de mensagens no Facebook que indicavam seu estado de espírito.

Gládio
Os policiais encontraram o gládio no alto de um armário

“Estou passando meu tempo com a família… Tudo vai acabar em breve.”

Em outra postagem, ele escreveu: “Eu vou rir por último, mas pode não ser por muito tempo”.

Os detetives da polícia antiterrorismo tentaram às pressas localizar Renshaw, mas ele não estava no endereço que informou quando foi liberado sob fiança.

Enquanto faziam buscas na casa do tio dele, descobriram o gládio que ele havia comprado escondido no alto de um armário.

Machete
Fotos feitas pela polícia do gládio comprado por Renshaw

Renshaw acabou sendo encontrado e preso sob a acusação de fazer ameaças de morte.

No dia seguinte, ele compareceu perante um tribunal por causa da acusação de incitação ao ódio racial e a promotoria foi contra conceder fiança.

Renshaw estava, então, fora das ruas.

Robbie Mullen, por outro lado, continuou convivendo com o restante do grupo.

Nenhum deles sabia que ele tinha sido o informante que denunciou o plano de ataque.

Havia ainda a preocupação de que o próprio Mullen pudesse ser processado por ter se tornado membro da Ação Nacional.

Robbie Mullen
Robbie Mullen recebeu ameaças de morte e precisou se esconder por um tempo

A imunidade precisava ser concedida a ele, e a polícia tinha de avaliar se as provas que ele havia apresentado poderiam ser usadas em um tribunal.

No outono de 2017, seis pessoas que estavam bebendo no Friar Penketh na noite em que Renshaw revelou seu plano foram presas.

Duas delas, incluindo o líder do grupo, Christopher Lythgoe, foram condenadas por pertencerem à Ação Nacional. Um homem foi absolvido da mesma acusação. Dois júris foram incapazes de decidir se os outros suspeitos – inclusive Renshaw – haviam permanecido no grupo após o mesmo ter sido banido.

Mullen, que havia recusado participar do programa de proteção a testemunhas, recebeu ameaças de morte.

No meio da noite, a Hope not Hate levou ele às pressas até um lugar seguro – e desde então ele foi impedido de voltar para casa ou ao trabalho.

Julgamentos

Renshaw acabou enfrentando quatro julgamentos nos últimos 14 meses.

Em janeiro de 2018, em Preston Crown Court, ele foi condenado por duas acusações de incitação ao ódio racial em discursos – a pena foi de três anos de prisão.

Em junho, no mesmo tribunal, ele foi considerado culpado por quatro acusações de incitar menores à atividade sexual – o que resultou em mais 18 meses de cadeia.

O caso só pode ser relatado agora que seu julgamento final foi concluído.

No banco dos réus em Preston, ele pareceu envergonhado quando os vídeos do interrogatório da polícia com as duas vítimas, conduzido por Henderson, foram exibidos.

Jack Renshaw - (foto da rede social de Renshaw)
Os jurados não conseguiram decidir se Jack Renshaw permaneceu como membro da Ação Nacional

Aliciamento de menores

A um dos meninos, Renshaw havia pedido fotos de conteúdo sexual explícito e tentou seduzi-lo para ter relações sexuais, oferecendo dinheiro, drogas e pizza:

“Uma noite. 10 mil. Eu e você.”

“Eu temi pela minha vida”, disse o jovem a Henderson.

O outro garoto contou que Renshaw o bombardeava com mensagens diárias.

Na época do Natal, ele enviou uma imagem com alguns presentes e disse que o menino poderia tê-los em troca de fotos íntimas.

Renshaw chegou a enviar fotos impróprias dele próprio para o jovem.

Quando o adolescente chamou Renshaw de “pedófilo sujo”, ele respondeu dizendo “tinha ficado excitado”, recordou a vítima.

Durante seu terceiro julgamento – no Tribunal Central Criminal, conhecido como Old Bailey, no verão de 2018 -, Renshaw se mostrou mais aberto e sem vergonha de seus planos.

Na primeira manhã do julgamento, ele repentinamente se declarou culpado de planejar o assassinato da parlamentar Rosie Cooper e de ameaçar matar a detetive Henderson.

Mas negou ser membro do grupo Ação Nacional.

Quando foi chamado para apresentar provas, ele disse que Rosie Cooper foi escolhida como seu alvo porque “era uma parlamentar local” e “a melhor representante do Estado”.

“Eu queria mandar uma mensagem ao Estado”, disse ele ao tribunal.

Ele explicou que o plano era “aparecer em um de seus eventos sociais” e depois “cortar” sua jugular com o gládio.

Renshaw, que nega o Holocausto, afirmou perante a corte que queria que todo o povo judeu morresse e expressou suas crenças neonazistas de forma arrogante, mas na defensiva, afirmando ser imune aos horrores que tais ideias geraram.

A postura arrogante não condizia com sua verdadeira posição: um pedófilo condenado e suposto terrorista que passaria muitos anos na prisão.

Os membros do júri não conseguiram decidir, no entanto, se ele havia continuado como membro da Ação Nacional.

Mullen, que foi testemunha em ambos os casos em Londres, agora deve começar vida nova.

“Eu vivo mês a mês – não penso muito no futuro”, desabafa.

Mas ele sabe que as coisas nunca serão como antes.

Mullen consente em voz baixa quando perguntado se entende que provavelmente salvou vidas, incluindo a de uma parlamentar.

Todavia, ele ainda não tem certeza sobre o que o levou a começar a passar informações secretamente para a Hope not Hate, organização para a qual trabalha agora.

“Me perguntaram isso duas vezes no tribunal. Eu realmente não sei”, diz ele.

Ele afirma, no entanto, que diante de todos os planos violentos que ouviu precisava tomar uma atitude.

“Eu sabia que se pudesse fazer algo para detê-lo, então eu tinha de fazer.”

Celebrar o golpe representa uma derrota para a democracia

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O presidente Jair Bolsonaro determinou nesta segunda-feira que as Forças Armadas façam as “comemorações devidas” ao golpe de 64, que completa 55 anos no próximo dia 01 de abril. Temendo reações negativas em um ambiente político já bastante polarizado, a cúpula militar orientou que as “comemorações devidas” sejam realizadas intramuros, limitadas aos quartéis e batalhões.

A decisão não pegou ninguém de surpresa. Embora nunca tenha feito muito pelos militares em seus quase 30 anos como deputado (a bem da verdade, bastaria dizer: “embora nunca tenho feito muito em seus quase 30 anos como deputado”), Bolsonaro foi bastante hábil em mobilizar e organizar um circuito de afetos baseados principalmente no esquecimento das violências passadas a informar a indiferença cotidiana para com as violências presentes.

Sua ascensão meteórica à Presidência, não casualmente, ganhou impulso depois de seu voto pela abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, quando prestou homenagens ao coronel Brilhante Ustra, responsável por estuprar, torturar e assassinar, nos porões do DOI-CODI em São Paulo, opositores da ditadura. São igualmente conhecidas as menções elogiosas a ditadores de países vizinhos, como o paraguaio Alfredo Stroessner e o chileno Augusto Pinochet. O primeiro, um pedófilo; o segundo, responsável pelo desvio de 13 milhões de dólares, depositados em mais de 100 contas em bancos americanos.

Juntas, as ditaduras da América do Sul mataram aproximadamente 40 mil pessoas, entre outras inúmeras atrocidades, aí inclusas crianças sendo presas, torturadas, obrigadas a assistir o sofrimento de seus pais e mães, ou sequestradas e adotadas por famílias simpáticas aos governos. Mas se nos vizinhos sua memória desperta repúdio, aqui um presidente eleito pelo voto direto, coisa proibida nos anos de chumbo, desqualifica e fragiliza, aberta e propositadamente, o pouco de democracia que conquistamos.

Em seu anúncio, o porta-voz da Presidência afirmou que Bolsonaro “não considera o 31 de março de 1964 golpe militar”, mas uma medida para conter “o perigo que o país estava vivenciando naquele momento”. O argumento não é novo. Consagrou-se em alguns círculos, e não apenas militares, a versão de que o golpe fez-se para evitar outro. Trata-se, obviamente, de uma narrativa que interessa aos responsáveis pelas duas décadas de ditadura, mas que não se sustenta em nenhuma das muitas evidências históricas sobre o período.

Em entrevista concedida ao CPDOC da FGV, o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira fala das muitas “provocações” que antecederam o 1º de abril, essenciais para criar um clima de animosidade e conflito necessário para justificar a tomada de poder pela direita civil e militar. E embora admita a tendência à radicalização de algumas lideranças ligadas a João Goulart, é enfático quanto à inexistência de qualquer condição ou pretensão golpista, dentro e fora do governo. Havia, por certo, um ambiente de conflito, em parte decorrente da Guerra Fria e do fantasma da ameaça soviética, que ajudaram a alimentar a propaganda e a atmosfera golpista.

A realidade, no entanto, era mais complexa. Os principais grupos de esquerda, como o PCB, eram reformistas: falavam e defendiam as reformas agrária e de base; reivindicavam o nacionalismo contra o capital estrangeiro; produziam uma cultura que se pretendia “popular” como um meio de “desalienar” as massas demasiadamente influenciadas pelos padrões culturais tidos por imperialistas, etc… Mas a ameaça de um “golpe comunista” é apenas mais uma mentira dos artífices da ditadura. Repetidas tantas vezes, ainda há quem nela acredite. Mas isso não a torna verdade.

Por outro lado, abundam evidências sobre os desmandos e a violência da ditadura, embora não apenas, principalmente depois de decretado o AI-5, que conferiu ao regime poderes quase ilimitados. Com o Ato Institucional, escancararam-se as portas à censura. Músicas, livros, filmes e peças teatrais foram proibidos às centenas nos dez anos em que vigorou, cuja capilaridade inquisitorial se estendeu também à imprensa.

Mas ainda mais grave que o verniz de legalidade à repressão política, o AI-5 ampliou e legitimou as inúmeras ações ilegais da ditadura. Com o seu endurecimento, disseminaram-se as muitas arbitrariedades governamentais, inclusos intimidações, sequestros, prisões, torturas e o assassinato de inimigos políticos. A repressão feroz que se abateu sobre toda e qualquer forma de oposição, tem sido recentemente relativizada aqui e acolá, inclusive por alguns historiadores.

Mas não há relativização possível quando se trata da garantia dos direitos humanos fundamentais, sucessivamente desrespeitados nos porões e casas da morte onde a ditadura humilhou, torturou e assassinou centenas, nem sempre e não apenas militantes que pegaram em armas contra o governo. A ditadura não perdoou ninguém e tratou a todos, indiscriminadamente, como criminosos e inimigos.

Democracia e esquecimento
Em Como a democracia chega ao fim, o cientista político David Runciman parte da eleição de Donald Trump nos EUA, para analisar o que chama de “versão caricatural do fascismo”. A insatisfação e a desconfiança com a democracia, geradas principalmente pela crise econômica, propiciaram a ascensão de um líder populista, que se apresentou aos eleitores como um outsider antissistêmico. Sem um programa claro, Trump foi eleito oferecendo soluções fáceis para problemas complexos, somando-se a isso a produção e proliferação serial de fake news, o preconceito contra minorias e o anti-intelectualismo.

Há semelhanças com o caso brasileiro, mas as diferenças chamam mais a atenção. Bolsonaro conjuga elementos do fascismo histórico — a irracionalidade, o personalismo, o elogio da força física e da violência, a moralização da política e a demonização de supostos inimigos, por exemplo —, a formas de autoritarismo cultivadas no terreno fértil da história nacional: a escravidão, experiência estruturante do nosso racismo; a violência estatal contra movimentos sociais; a cordialidade, raiz de nossa baixa tolerância à democracia; e o esquecimento da ditadura.

O crescimento da liderança de Bolsonaro, que de uma excrescência política chegou à Presidência da República, se explica em parte por esse movimento de adesão aos afetos autoritários que, no caso brasileiro, bebe na fonte de uma política sistemática de esquecimento que vigora desde a “abertura lenta, gradual e segura” de Ernesto Geisel, na segunda metade dos anos de 1970, e estabeleceu o marco no interior do qual faríamos a passagem para a democracia.

A Lei de Anistia, de 1979, desempenhou nesse processo papel singular. Se na Argentina e no Uruguai, por exemplo, as respectivas legislações que anistiavam os crimes das ditaduras foram derrogadas, no Brasil não: somos o único país que perdoou os ditadores e seus asseclas sem exigir deles o reconhecimento dos seus crimes. Entre outras coisas, esse ordenamento jurídico limita a própria ação do Estado no cumprimento de suas obrigações em casos de violações dos direitos humanos.

Dos quatro deveres que lhe competem — oferta de reparações; investigar, processar e punir os violadores; revelar a verdade às vitimas, seus familiares e à sociedade; e afastar os criminosos de órgãos relacionados ao exercício da lei e outras posições de autoridade —, mal cumprimos o primeiro. Mesmo a Comissão Nacional da Verdade não mudou substancialmente isso, porque o fundamental restou por fazer: nenhum dos governos eleitos a partir de 1989 enfrentou o imenso edifício de olvido sobre o qual se estrutura parte de nossa cultura política contemporânea.

No último livro publicado ainda em vida, A memória, a história, o esquecimento, o filósofo francês Paul Ricoeur contrapõe ao que considera as dimensões positivas do esquecimento, seus efeitos potencialmente danosos como gesto forçado de apagamento da lembrança, o que ele denomina de “memória impedida”. É esse impedimento que fundamenta aquelas políticas que, como a nossa, confundem anistia com amnésia e tomam essa como critério para associar aquela ao perdão.

O equívoco não é apenas semântico — anistia não significa necessariamente perdão nem, tampouco, esquecimento —, mas político. Desde a transição para a Nova República, há uma interdição, um silenciamento a impedir que tratemos a Lei de Anistia e as políticas de esquecimento daí derivadas pelo que elas são: um obstáculo à efetivação de uma cultura democrática sensível, entre outras coisas, aos muitos riscos a que está exposta, e aos restos de uma ditadura que, mesmo institucionalmente, continuam a ameaçá-la.

As democracias modernas, nos ensina David Runciman, morrem por dentro. A eleição de líderes populistas autoritários, argumenta, é o primeiro passo para um caminho de difícil retorno: quando abrimos mão de nossos direitos e liberdades, ou simplesmente votamos insensíveis ao fato de que indivíduos e grupos serão forçosamente privados deles, porque parte de “minorias” ou porque vistos como “inimigos políticos”, estamos legitimando com nossas escolhas o fascismo em uma de suas muitas versões coevas.

Se a elaboração do passado, e particularmente do passado traumático, pressupõe a eliminação das condições que o permitiram, a anistia concedida pela ditadura criou as condições que seguem autorizando a indiferença para com a desigualdade, a violência de gênero, o racismo e, mesmo, a indiferença para com o terrorismo de Estado, ativo principalmente nas periferias e prisões. Passados 55 anos, a eleição de Bolsonaro em 2018 e sua decisão de comemorar o golpe representam simbólica e, espero, provisoriamente, a derrota da democracia e a vitória da memória e do sentimento autoritário.

Clóvis Gruner é historiador e professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

Cesare Battisti,Terrorismo,Justiça,Crimes,Homicídios,Blog do Mesquita

Após confissão de Battisti, deputados cobram retratação da esquerda

Cesare Battisti,Terrorismo,Justiça,Crimes,Homicídios,Blog do MesquitaDeputados apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) destacaram, na manhã desta segunda-feira (25), a confissão do italiano Cesare Battisti nos assassinatos na década de 1970 pelos quais foi condenado.

Capturado na Bolívia em janeiro, um mês após ter a extradição assinada pelo ex-presidente Michel Temer, Battisti cumpre pena de prisão perpétua na Itália.

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Battisti fez confissões em um interrogatório feito na prisão pelo procurador Alberto Nobili, em Milão.

À imprensa italiana, o procurador-geral de Milão, Francesco Greco, afirmou que Battisti “admitiu suas responsabilidades” em quatro homicídios, nos ferimentos causados a outras três pessoas e em roubos cometidos pelo grupo Proletários Armados pelo Comunismo, que ele integrou na juventude.

A notícia repercutiu entre parlamentares. “Alguém na esquerda já pediu desculpas por ter apoiado a permanência desse marginal [Battisti] no Brasil por todo esse tempo?”, questionou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), por meio do Twitter.

Na mesma rede social, o deputado Paulo Martins (PSC-PR) também cobrou posicionamento de oposicionistas. “Battisti confessa assassinatos. A esquerda brasileira passou anos protegendo esse verme e alegando sua inocência. Agora dirão que agiu certo ao assassinar pessoas?”, escreveu.

O próprio presidente Bolsonaro se manifestou, também pelo Twitter. “Battisti, ‘herói’ da esquerda, que vivia colônia de férias no Brasil proporcionada e apoiada pelo governo do PT e suas linhas auxiliares (PSOL, PCdoB, MST), confessou pela 1ª vez participação em 4 assassinatos quando integrou o grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo.

Por anos denunciei a proteção dada ao terrorista, aqui tratado como exilado político. Nas eleições, firmei o compromisso de mandá-lo de volta à Itália para que pagasse por seus crimes. A nova posição do Brasil é um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso de bandidos!”, escreveu Bolsonaro.
Congresso em Foco

Marighella,Cinema,Brasil,Blog do Mesquita

Crítica alemã aponta mitificação em “Marighella”

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Cena de “Marighella”, de Wagner Moura

“Só na América Latina a crença na luta armada parece intocada”, afirma jornal berlinense “Tagesspiegel”. Para o “TAZ”, filme ignora contradições da esquerda e quer criar um monumento para Carlos Marighella.

Der Tagesspiegel – Carlos Marighella, o bom terrorista, 15/02/2019

A luta revolucionária, como conceito, sofreu muito nos últimos anos. Não só por causa do colapso do império soviético, antes disso o comunismo já havia dado cabo de todos os revolucionários. As ilhas da resistência ficaram cada vez menores: Cuba, Vietnã. No fim, alguns países isolados do mundo árabe. […]

Só na América Latina e – depois da eleição do populista de direita Jair Bolsonaro para presidente – em especial no Brasil, a crença na pertinência da luta armada parece intocada. Um nome sempre a simbolizou: Carlos Marighella, precursor intelectual do conceito de guerrilha urbana. […]

O herói de [Wagner] Moura é uma figura trágica. Por mais convincente que ele pareça ser no seu sentimento de injustiça – e a junta militar que tomou o poder em 1964 lhe dá motivos suficientes para isso – nenhum caminho conduz da violência para a benevolência das massas. A não ser que se esteja morto e transformado em lenda. E é exatamente essa mitificação que o filme Marighella pretende. […]

Moura potencializa a imagem de outsider nobre com o fato de seu protagonista ser o único negro do elenco, e isso apesar de Carlos Marighella, com suas raízes indígenas e africanas, não exatamente se diferenciar de seus compatriotas pela cor da pele. Ele era um mestiço, como 38% dos brasileiros. Apresentá-lo como negro – e transformá-lo em alvo com uma frase como “matar um negro significa matar um vermelho” – é sair do conflito político e transformá-lo num conflito racista. E de uma maneira que todos assim o percebem.

RBB – Epopeia cansativa, 16/02/2019

“Não somos terroristas”, grita Marighella aos reféns de um assalto a banco. “Somos revolucionários!” Declarações como essa há um pouco demais no filme. O herói tende a monólogos impulsivos e discussões que, apesar da determinação com que são feitas, soam estranhamente sem vida. Dúvida e ambiguidades não estão previstas em Marighella. Isso vale também, é claro, para o protagonista e seus aliados – e sobretudo para o grande antagonista, o investigador Lúcio.

TAZ – A guerrilha sempre tem razão, 15/02/2019

Wagner Moura quer, inconfundivelmente, criar um monumento para Marighella. E Marighella certamente foi uma personalidade carismática. Só que a carência de domínio e um distanciamento em relação a material histórico e pessoa levaram a uma epopeia. Este filme não conhece contradições, por exemplo não tematiza as teorias imperialistas e capitalistas unidimensionais da esquerda de então. Ele prefere sobretudo desabonar a direita.

O sistema de segurança brasileiro de então, de fato em parte fascista, é extensivamente exibido na figura do agente assassino Lúcio, e a reconstrução de cenas de tortura ultrapassa os limites do cinematicamente suportável. A violência institucional obtusa e de fato existente não precisa ser exibida de forma tão naturalista e duradoura como foi feito neste filme.

A estética “Marighella” de Wagner Moura é assim involuntariamente reveladora. Ela revela sobretudo um corte significativo na mentalidade do populismo de esquerda na América Latina e como este, hoje, ajeita a história a seu gosto.

Penetrante e grotesca é a representação da influência do governo americano nos acontecimentos na América Latina. Até hoje ela serve ao populismo de esquerda local como desculpa para o próprio fracasso.
AS/ots

Nicarágua,Terrorismo,Ditadura,Ortega

Nicarágua usa Leis Antiterror para para suprimir dissidentes

Nicarágua,Terrorismo,Ditadura,OrtegaFoto: Inti Ocon/AFP/Getty Images

QUANDO MARIELA CERRATO viu sua filha e seu genro nas notícias do final de julho, rodeados de policiais mascarados e descritos como terroristas, ela não ficou surpresa. Ela sabia que as autoridades estavam atrás do casal há algum tempo.

O seu negócio havia sido incendiado dias antes e um cartaz de procurados com os rostos deles vinha circulando nas redes sociais. Paramilitares usando toucas ninja haviam ido à casa de Cerrato para exigir que ela revelasse onde a filha e o genro estavam. O que ela não sabia era que o casal vinha se mudando de esconderijo para esconderijo. Na última vez que ela os havia visto, em meados de julho, eles se preparavam para fugir da pequena cidade de Masaya, no oeste da Nicarágua, esperando chegar à Costa Rica.

Agora a filha de Mariela, Maria Peralta, e seu marido, Christian Fajardo, estão em uma cadeia de segurança máxima em Manágua, a capital do país, podendo pegar até 30 anos de prisão. Eles são apenas dois dos mais de 400 ativistas presos e processados como parte do cerco do presidente Daniel Ortega a manifestantes que têm cobrado a sua renúncia.Nicarágua,Terrorismo,Ditadura,Ortega

Foto: Carlos Scopio
Mariela Cerrato, cuja filha e genro foram acusados de terrorismo após participar em protestos contra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Mariela Cerrato, cuja filha e genro foram acusados de terrorismo após participar em protestos contra o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

A Nicarágua mergulhou em violentas revoltas após o início dos protestos em 18 de abril, provocados por uma mudança pouco popular no sistema de seguridade social do país. As manifestações logo se expandiram, tornando-se um movimento nacional liderado por estudantes contra Ortega, a quem os críticos acusam de ter imposto medidas cada vez mais autoritárias durante seus 12 anos no poder. Milhares de pessoas que foram às ruas encontraram policiais e grupos paramilitares fortemente armados, que atiraram contra a multidão, torturaram e estupraram detidos, além de prender líderes arbitrariamente, segundo a ONU. O saldo foi de mais de 300 mortos, mais de 2 mil feridos e outros 2 mil presos.

Embora as ruas agora já não tenham mais barricadas e pareça que a crise acabou, o país continua profundamente turbulento. Mais de 40 mil nicaraguenses estão buscando refúgio na Costa Rica, segundo as autoridades, e cerca de 13,7 mil deles requisitaram asilo formal. O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos diz que mais de 550 cidadãos do país ainda estão presos, e o governo continua a buscar e capturar seus oponentes – entre eles, estudantes, agricultores, e familiares daqueles que foram mortos. No mês passado, a polícia divulgou uma declaração proibindo protestos não autorizados.

Muitos dos que foram presos serão julgados como terroristas, graças a uma lei aprovada em julho pelo Congresso controlado por Ortega, que expandiu a definição de terrorismo para incluir uma série de crimes, como a destruição de propriedade. Quem for condenado poderá pegar de 15 a 20 anos de prisão. De acordo com Roberto Larios, diretor de comunicação dos tribunais, mais de 200 pessoas foram acusadas de terrorismo. Pelo menos 18 delas foram consideradas culpadas até agora. Seus casos marcam a primeira vez que alguém foi condenado por terrorismo na Nicarágua.

O estado diz que a lei foi aprovada para o país ficar de acordo com as recomendações da Financial Action Task Force, a FATF, uma organização internacional dedicada a coibir o financiamento ao terror. Antigos procuradores, advogados, ativistas e manifestantes dizem que, independentemente do objetivo original, a lei agora está sendo usada para criminalizar protestos e serve de pretexto para Ortega silenciar seus críticos.

“A lei é tão aberta que pode ser aplicada a qualquer atividade, até mesmo passar uma bolsa d’água para alguém em uma barricada. (…) O que estamos vendo é uma rebelião civil, uma rebelião social, isso não é terrorismo”, disse Alberto Novoa, um ex-advogado geral da Nicarágua, em uma entrevista a um jornal local.

A NICARÁGUA não está sozinha quando se trata de expandir sua definição de “terrorismo” até o ponto em que ativistas e manifestantes acabam atrás das grades. Ortega é apenas o mais recente em uma longa lista de governantes que aprovaram leis antiterrorismo abrangentes que, segundo ativistas, podem ser utilizadas para violar liberdades civis. Nas últimas décadas, mais de 140 países adotaram medidas antiterrorismo, mas os países cada vez mais têm usado essas leis como “atalhos para atacar protestos democráticos e oposição”, conforme explicou Fionnuala Ní Aoláin, relatora especial da ONU para a proteção e promoção de direitos humanos na prevenção ao terrorismo. Um relatório das Nações Unidas divulgado este ano destacou a tendência de classificar defensores de direitos humanos, ativistas e especialistas como “terroristas” em países como Argélia, Egito e Filipinas, entre outros. O Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais também assinalou que vários países além da Nicarágua utilizaram as medidas antiterrorismo da FATF para justificar a aprovação de leis restritivas nos últimos anos.

“Do Brasil e da Nicarágua à França e ao Reino Unido, ao Quirguistão e à Austrália, estamos vendo repressões que tornam muito fácil rotular manifestantes, jornalistas, ativistas, opositores políticos, e outros que as autoridades querem neutralizar, como ‘terroristas’ e ‘extremistas’”, disse Letta Tayler, uma pesquisadora sênior sobre terrorismo na Human Rights Watch. “Vimos uma perigosa expansão global de leis draconianas antiterrorismo desde os ataques de 11 de setembro de 2001. (…) Como a palavra terrorismo é associada a atrocidades, agora é fácil fazer o público comprar respostas que infringem a lei em nome da segurança.”

“Quando governantes precisam de um inimigo e precisam mobilizar o povo contra aquele inimigo, confundir o povo sobre a verdade, e acabar com o debate, o ‘terrorismo’ agora é uma opção.”
Temores quanto ao Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) estimularam um uma avalanche recente de leis em muitos países, disse Taylor. Mesmo na América Latina, onde a ameaça de um ataque do ISIS é remota, a palavra “terrorista” começou a vazar para o discurso público. Honduras aprovou uma legislação antiterror em setembro, que poderia mandar manifestantes à prisão por 15 a 20 anos. Ao contrário da Nicarágua, Honduras não usou a lei contra aqueles que participaram em protestos durante sua crise eleitoral, mas alguns líderes das manifestações continuam presos.

No Equador, na Colômbia, e no Chile, ativistas indígenas e ambientalistas foram acusados de terrorismo. Em 2016, o Brasil aprovou uma lei antiterrorismo que foi criticada pela ONU e por especialistas por sua definição ampla de terrorismo. A suprema corte de El Salvador classificou membros de gangues como terroristas e modificou a legislação antiterrorismo existente para implicar também qualquer um que colabore com eles, uma ação que alguns dizem estar sendo usada para justificar repressão e pedir auxílio internacional. A Venezuela aprovou uma controversa lei antiterrorismo em 2012, e o presidente Nicolás Maduro declarou que os protestos de 2017 que tomaram conta do país foram promovidos por “grupos terroristas.”

A Guatemala está considerando uma ampla legislação antiterrorismo que restringiria liberdades civis e a liberdade de expressão, de acordo com grupos da sociedade civil. Pela lei, quem bloquear rodovias, danificar propriedade privada, ou usar as redes sociais com “fins políticos ou econômicos”, entre outras ações que podem causar “pânico e medo na população”, podem ser julgados por terrorismo. Quando governantes precisam de um inimigo e precisam mobilizar o povo contra aquele inimigo, confundir o povo sobre a verdade, e acabar com o debate, o ‘terrorismo’ agora é uma opção,” diz Adam Isacson, um sócio sênior do Washington Office para a América Latina.

Nicarágua,Terrorismo,Ditadura,OrtegaUm nicaraguense é preso pela tropa de choque durante protesto contra o governo Ortega, em Manágua, Nicarágua, em 14 de outubro de 2018. Um nicaraguense é preso pela tropa de choque durante protesto contra o governo Ortega, em Manágua, Nicarágua, em 14 de outubro de 2018.
Foto: Inti Ocon/AFP/Getty Images

NÃO HÁ UMA definição legal universal para o terrorismo, mas, na Nicarágua, atos terroristas agora são definidos como aqueles que resultam em morte, ferimentos ou danos à propriedade – pública ou privada – quando o objetivo do ato era “intimidar uma população, alterar a ordem constitucional ou forçar um governo ou uma organização internacional a efetuar uma ação ou evitar fazê-lo”.

Novoa, o ex-advogado geral, está questionando a nova medida antiterror na justiça, argumentando que a lei é inconstitucional e não deveria se aplicar a manifestantes. “Estou questionando a lei porque eu queria ver se um dia eles me dizem que os argumentos legais lógicos são pelo enfraquecimento dos direitos dos cidadãos estabelecidos no pacto social chamado Constituição Nicaraguense”, ele escreveu ao Intercept em um e-mail. “Independência, autonomia e imparcialidade não existem no estado nicaraguense, pois todos os poderes formais são controlados pelo Sr. Ortega e pela Sra. Murillo”, ele disse, referindo-se à esposa de Ortega, que é a vice-presidente. “O sistema judicial é um braço político da repressão usada contra aqueles que pensam diferente de Ortega e Murillo”.

Julio Montenegro, um advogado de direitos humanos que está lidando com os casos de Christian Fajardo e Maria Peralta, disse que alguns dos indivíduos acusados de terrorismo eram apenas parte de uma barricada nas ruas, trouxeram suprimentos, comida e água para outros manifestantes ou ofereceram cuidados médicos para os feridos. A ONU também demonstrou preocupação quanto aos processos, observando em um relatório contundente que “os julgamentos de pessoas relacionadas aos protestos têm sérias falhas e não seguem o processo devido, incluindo a imparcialidade dos tribunais.”

Como fez Maduro na Venezuela, Ortega usou clássicas táticas autocráticas para esmagar a oposição. O governo negou o papel do estado na violência, e Ortega mudou sua versão várias vezes sobre se os paramilitares mascarados vistos nos vídeos trabalhando ao lado da polícia eram ou não seus apoiadores. Ortega pintou uma imagem dos manifestantes como os únicos causadores do caos e retratou as forças do governo como as defensoras pacíficas do país contra terroristas dedicados a desestabilizar a nação.

Enquanto grupos de direitos humanos dizem que o total de mortes chegou a pelo menos 300, com alguns sugerindo até 500, o governo nicaraguense reconhece somente 198 vítimas, incluindo 22 policiais mortos – em um caso, um oficial foi despido e queimado vivo. Em comícios favoráveis ao governo, os apoiadores do presidente cantam que “eles eram terroristas, não estudantes!” O próprio Ortega clamou por justiça em nome daqueles mortos no lado governista, dizendo que o país entrou em “um momento de justiça e reparação para as 198 vítimas do terrorismo golpista”. Até o momento, nenhum paramilitar ou membro da polícia foi julgado por terrorismo ou qualquer outro crime.

Nicarágua,Terrorismo,Ditadura,OrtegaUma foto de Maria Peralta e Christian Fajardo, que seguem na prisão aguardando julgamento. Uma foto de Maria Peralta e Christian Fajardo, que seguem na prisão aguardando julgamento.
Foto: Carlos Scopio

PASSANDO PELOS VÍDEOS de Fajardo comandando centenas de manifestantes em uma marcha contra o governo em Mayasa, sua sogra, Mariela Cerrato, descrevia seu papel como um líder no movimento. Quando os manifestantes tomaram o controle da cidade em junho, Fajardo e Peralta supervisionaram a campanha, explicou Cerrato. “Se não havia água, comida, luzes, etc., Christian era o responsável. (…) Mas ele não estava nas barricadas – ele não tinha tempo. (…) Tomando declarações, cuidando dos doentes (…) eles estavam abastecendo os postos de saúde que estavam aqui em Masaya”, continuou Mariela, apontando para um canto em sua casa repleto de seringas, curativos e muletas.

Masaya, localizada 24 quilômetros a sudeste de Manágua, foi há muito tempo um bastião do apoio a Ortega e aos seus rebeldes de esquerda, os sandinistas, quando eles derrubaram o ditador conservador Anastasio Somoza em 1979. Mas, em 2018, a cidade tornou-se o centro da resistência contra Ortega. Manifestantes tomaram a cidade, mas a polícia, paramilitares, e atiradores de elite do governo conseguiram reconquistar o controle após uma ofensiva particularmente brutal e sangrenta, na qual forças governamentais utilizaram explosivos, atiraram contra manifestantes e prenderam seus líderes.

“O que é terrorismo? Quando há vontade e intenção de causar pânico nos cidadãos,” disse Montenegro, o advogado de Fajardo e Peralta. “Agressões causando pânico não foram levadas a cabo por Christian e Maria, mas por paramilitares ligados à polícia.”

Além de terrorismo e financiamento ao terrorismo, Fajardo e Peralta foram acusados de participação no crime organizado e obstrução de serviços públicos – crimes para os quais o estado ainda não forneceu evidências para o processo, de acordo com Montenegro. Montenegro e Cerrato, que também é uma advogada constitucional, dizem que o governo violou direitos e contornou o processo devido desde a prisão até o julgamento.

“Os paramilitares vêm e eu olho para eles, pergunto o que eles querem. Se eles quiserem me matar, eles podem me matar.”

No primeiro dia da audiência de Fajardo e Peralta em agosto, Cerrato chegou ao tribunal às 6 da manhã. Às 9, ativistas se juntaram a ela, balançando bandeiras com os rostos do casal, enquanto policiais com toucas ninjas e fuzis M16 os observavam. Como a audiência seguiu sendo atrasada ao longo do dia, ela esperou por 10 horas até finalmente entrar no prédio. Naquela altura, os ativistas e as câmeras de TV já tinham ido embora e ela estava acompanhada por um grupo de cerca de 25 mulheres, todas esperando sob a chuva para entregar comida aos seus parentes e amigos presos. Às 8 da noite, ela voltou para contar que nunca a deixaram entrar na audiência.

Na manhã seguinte, Cerrato caminhou pela casa inacabada da filha e do genro, que fica ao lado da sua. As roupas ainda estavam sobre a cama e um gato de cor branca e alaranjada se esticava no meio da cozinha.

O julgamento do casal agora está marcado para meados de novembro. Nesse intervalo, Cerrato começou a trabalhar em nome de Santiago Fajardo, irmão de Christian, que também foi preso e acusado de terrorismo. Seu esforço não ocorre sem seus perigos. Em uma manifestação da qual ela participou em setembro, pedindo a soltura dos manifestantes presos, a polícia usou gás lacrimogêneo e disparou balas de borracha enquanto apoiadores armados de Ortega abriram fogo – uma pessoa foi morta e cinco outras acabaram feridas.

“Eu estou orgulhosa que esses jovens participaram nessa luta”, ela disse. “Eu não tenho medo. Eu deixo a minha porta aberta. Os paramilitares vêm e eu olho para eles, pergunto o que eles querem. Se eles quiserem me matar, eles podem me matar.”

Fatos & Fotos – 28/12/2017

Jingo bell – Caminhando pela cidade.Rua Joaquim Nabuco c Av. Abolição,Blog do Mesquita

A vida como não deveria ser – 25/12/2017
Rua Joaquim Nabuco c/ Av. Abolição, Aldeota,Fortaleza,Ce.

Foto José Mesquita, Galaxy Note V


Da série “E-mails imaginários”
De: papainoel@fimdomundo.pn

Para: temer@corrupto.comTemer,Ira,Blog do Mesquita


Ou faz regime ou se torna amigo do Gilmar

Gilmar,Papai Noel,Blog do Mesquita


Fatos & Fotos – 26/12/2017

Um procurador da república que vem a público ofender o presidente da república – esse merece, aquele não deveria fazê-lo – insinuando, insinuando uma ova, é acusando mesmo, de haver concedido o indulto de natal visando a proteção futura dele mesmo se vier a ser condenado por corrupção, é a estampa cristalina da absoluta e amoral ausência de ética e compostura de alguns membros danosos do Ministério Público. É necessário e urgente que o Conselho Nacional do Ministério Público extirpe essa ervas daninhas.
O sr.Dallagnol definitivamente trocou a judicatura pela ribalta de uma ópera bufa.
Foto:Vladimir Platonow/ Agência Brasil

Jingo Bell.
O Brasil é um país de cabeça pra baixo.
Juízes com apartamentos próprios recebendo auxílio moradia e trabalhadores com salários de fome pagando aluguel.
Baixo, Rony pagando aluguel por um barraco com 10m², sem banheiro, em São Paulo.
Foto Antonio Sacorza


Henrique Fontana e o Maia do PT, esse, ex presidente da Câmara Federal, foram delatados pela Odebrecht, e até pelo operador da Gleisi. Porém a Gaveta do STFdoG, do MPF e da PGR são enormes.
Enquanto isso o Lula tá solto e fazendo campanha. Dilma então, nem citada foi. E brasileiro ainda goza de argentino.

Ouvindo na rádio um moralista a “budejar” contra a República das bundas. Ora bolas! Ou bundas.

Me pergunto, na realidade fora eu um chato mais graduado, ligaria para a rádio e perguntaria ao indignado “bundólogo” como um país que foi abduzido durante décadas pelo “é o tchan” – minha nossa – foi a orgasmos múltiplos com Mamonas Assassinas, e cresceu com a banheira do Gugu, com a pedofilia da Meneghel, argh!, se transformou nessa calvinista sociedade de gente(?) que finge ser moralista para “de um tudo”?
O Tim Tones – fazes falta Chico Anysio. Muita! – radiofônico pensa que engana a quem?Chico Anysio,Tin Tones,Blog do Mesquita

Um espanto!
Odebrecht confirma propinas de R$ 50 milhões a Aécio.
Investigadores da PGR e da Polícia Federal encontraram novos indícios de que o senador Aécio Neves recebeu propina para atuar em nome de empreiteiras na construção da Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia; tema de inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), a acusação contra o tucano foi relatada por ex-executivos da Odebrecht em acordos de colaboração premiada; de acordo com os executivos da Odebrecht, Aécio recebeu R$ 50 milhões, repassados pela Odebrecht (R$ 30 milhões) e pela Andrade Gutierrez (R$ 20 milhões); Odebrecht sustenta a acusação com comprovantes bancários, entregues nos últimos meses, que demonstram depósitos para Aécio por meio de uma conta de offshore em Cingapura.


Jingo BellGilmar Mentes,Garotinho,STF,Blog do Mesquita

 

Lembrei-me do que li, Stendhal, sobre resultados inversos no Congresso de Viena em 1814, quando foi firmada a “Santa Aliança”.

Transpondo para o Bananil…
Ao colocar o Alexandre “Copy Desk” Moraes no STF o MiShell conseguiu o impossível. Enterrou o Meirelles, blindou o Lula e ainda deu todas as armas para “esquerda” – é, vá lá que exista” – voltar ao poder “di cun força”.

A Farsa Jato não entregou nem o Palocci, nem o Paulo Bernardo e nem a GEOBASE do filho do Lula. Tudo teatro. E bufo. Lula será condenado no TRF4, o STFdoG derrubará a inconstitucional prisão na 2ª instância, e por consequência, a inelegibilidade do Lula – aquele que diz se arrepender com a foto com o Maluf.


Moro volta à matriz, e a República de Curitiba cada vez mais longe dos petistas.

Fatos & Fotos – 24/12/2017

Idiotas manipulados no 3º Andar do Planalto

Infelizmente, enquanto tivermos candidatos à presidência cujas únicas competências e ambições é compor alianças com quer que seja para se sentar naquela poltrona do terceiro andar do Palácio do Planalto, só teremos idiotas manipulados por espertalhões na presidência da república. Precisamos de um candidato que tenha aquele mínimo de inteligência para saber que precisa montar um grupo de candidatos ao parlamento competentes e honestos – suficientes para formar maioria – para concorrer junto com ele. 2018 é a eleição ideal para isso, pois serão renovados 2/3 do senado.


Brasil e a Ditadura da TogaComportamento,Blog do Mesquita,COrdeiro,Lobo

O Bananil é um país (sic) que tem um único poder: da Toga.
Eles decidem como querem as leis, a Constituição, e quem deve ser preso ou solto independente de provas materiais. Essa degradação do “Estado Democrático de Direito”, começou com a Inconstitucionalíssima posse do facínora Sarney, transitou na nefasta e seletiva aplicação da absurda da “Teoria do Domínio Fato” no mensalão, e desembocou na Farsa Jato, onde a ausência de “Provas Materiais” é substituída pela inacreditável “Convicção”.
Um país (sic) que vive uma ditadura da “Toga” é muito pior do que qualquer outra ditadura, porque tais estão travestidos de impolutos defensores da sociedade. 


A imbecilidade não é privilégio dos analfabetos funcionais.Henrique Meirelles,Blog do Mesquita

Pretender chegar ao governo do Bananil, afirmando em patética e ilegal campanha antecipada, que “a redução da inflação é reflexo da miséria e não de ação do governo, e ainda afirmar que só se deve gastar menos do que se ganha”, é condescendência além do suportável que se pode conceder a um farsante doutorado. Qualquer comezinho idiota sabe disso.
Henrique “Soros/Bank Boston’s boy” Meirelles é somente mais um néscio chafurdando na pocilga, que faz qualquer coisa pelo poder.

 


PSDB nasceu dentro da briga na quadrilha do PMDB por causa da má divisão de roubo.
Rede nasceu dentro do consórcio Natura/Itau
Novo nasceu, e já morreu, dentro dos banqueiros insatisfeitos.
PT nasceu, via Golbery, para a direita ter um partido de “esquerda” pra chamar de seu.
O mais é figuração. De quinta.

Fatos & Fotos – 23/12/2017

Trapalhão condecora outro TrapalhãoTemer,Renato Aragão,Trapalhão,Blog do Mesquita


Filantropo desconhecido cria fundo de caridade de U$S 86 milhões em Bitcoin 

Fundos de caridade são muito importantes para ajudar a quem precisa. Existem diversos no mundo, de todos os tipos, mas um está despertando a curiosidade de muita gente por ser bastante inusitado: alguém resolveu fundar o Pineapple Fund, um fundo que utiliza bitcoins para realizar doações para fundações de diversas naturezas.

A maioria dos primeiros compradores do Bitcoin realmente não tem muito. Eles venderam para pagar contas e despesas

Trata-se de um investidor em bitcoins que, segundo ele mesmo declarou para a Bitcoin Magazine, acumulou bastante da criptomoeda desde sua criação e está agora disponibilizando nada menos que 5.057 bitcoins para doação, que é equivalente a cerca de US$ 86 milhões, ou R$ 283 milhões.

“Estou muito feliz por ter mantido a maioria dos meus bitcoins até hoje”, disse o filantropo não identificado à Bitcoin Magazine. “A maioria dos primeiros compradores do Bitcoin realmente não tem muito. Eles venderam para pagar contas e despesas”. O slogan estampado na página principal do site oficial do Pineapple Fund diz: “Porque uma vez que você tem dinheiro suficiente, o dinheiro não importa”.

PINEAPPLE

Fazendo o bem para quem precisa

Segundo o site do fundo, das 5.057 bitcoins colocadas à disposição de doações, 343 já foram usadas – cerca de US$ 2 milhões – em oito instituições de caridade. O fundo foi divulgado para o público por meio de uma postagem no Reddit e já agraciou instituições sem fins lucrativos, como a Sens Research Foundation, por exemplo, que trabalha no desenvolvimento de soluções medicinais para o envelhecimento.

Eu prefiro manter minha identidade como um segredo

Sobre revelar sua identidade, o filantropo misterioso disse à Bitcoin Magazine: “Eu prefiro manter minha identidade como um segredo. O projeto Pineapple não é por publicidade. De fato, zero pessoas na minha vida sabem que estou por trás disso. É melhor para as pessoas pensarem que você está bem do que muito rico”.
Rafael Farinaccio


Justiça – Só dói quando eu rioLentidão-da-justiça-por-Nani,Blog do Mesquita


O castigo vem a Cavalo. Marinho. Plim Plim!Globo,Thais Heredia

Essa coisa aí é a – é, vá lá que seja – jornalista Thais Heredia, comentarista da “Grobu Nius”, que teve a coragem de dizer, entre outras sandices ao vivo em comentário na rede esgoto, que “a recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem poder de compra aos brasileiros”. Uau! É do “Cascalho”!
A séria candidata a um ministério do Henrique “Bank Boston’s Boy” Meirelles, acaba de ser demitida. Finalmente a QI de ostra poderá contribuir pra melhorar a economia do país. Né não?


 Arte – Xilogravuras – Edvard Munch

Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Xilogravura,Edvard Munch 2Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Xilogravura,Edvard Munch 3 Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Xilogravura,Edvard Munch 3 Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Xilogravura,Edvard Munch 3


 Como o Brasil mudou minha vidaLea FernoLea fazendo turismo na Chapada da Diamantina, em 2011

“Aprendi muito com os brasileiros”

A história de amor entre a alemã Lea Ferno, de 31 anos, e o Brasil começou há sete anos. Estágios no Rio, em São Paulo e em Brasília mudaram o rumo de sua carreira e vida amorosa, além de lhe ensinarem a ter paciência.

“Se eu não tivesse morado no Brasil, minha vida seria muito mais monótona. Foi lá que descobri o que eu queria fazer da vida. Eu estudava Estudos Latino-Americanos em Colônia e comecei a me interessar pelo Brasil e pelo português. Eu achava o idioma e sua melodia muito bonitos e pensei que tinha que ir para o país para aprendê-lo. Então, consegui dois estágios, um no Rio, por três meses nos estúdios da emissora alemã ZDF, e outro em São Paulo, também por três meses, na fundação alemã Friedrich Ebert.

Essa experiência em São Paulo, em 2010, me marcou para sempre. Eles trabalhavam com projetos sociais. Tinha uma ONG que fazia uma revista escrita por adolescentes e seminários com jovens do Brasil inteiro. Eles eram tão engajados, num país marcado pela pobreza e pela desigualdade. Eu me identifiquei, me deu vontade de ajudar.

Tanto que hoje, sete anos depois, trabalho com algo parecido aqui na Alemanha. Estou na organização Kindernothilfe e dou apoio a projetos sociais com crianças no Brasil. Em novembro, viajo para lá a trabalho. Fico muito feliz em fazer algo que para mim faz sentido e para um país com que me identifico.

Ao mesmo tempo em que quero ajudar, respeito muito o Brasil, não acho que sei mais que as pessoas de lá. Aliás, aprendi muito com os brasileiros. Sempre achei impressionante a paciência. Na fila ou no trânsito, por exemplo. Uma vez o ônibus errou o caminho, e ninguém ficou com raiva. Aprendi que muitas vezes a raiva só atrapalha e que é melhor deixar para lá. Em outros momentos, eu pensava: ‘Gente, agora é hora de reclamar.’ É um país mais caótico, mas sempre se consegue escapar com o jeitinho brasileiro, a flexibilidade.

Eu queria aplicar mais isso. Agora que faz tempo que morei lá, já voltei a ser alemã em muitas coisas. Mas quando tenho que andar de trem e reclamo dos pequenos atrasos, penso nas pessoas que passam horas a caminho do trabalho no Brasil e, muitas vezes, fazem isso sem reclamar. E ainda tenho o jeitinho brasileiro todos os dias em casa: meu namorado, um baiano que conheci em Brasília.

Lea FernoLea em sua primeira para no Brasil, o Rio de Janeiro, em 2010

Como alemã, gosto muito de planejar, e ele – e conheço mais brasileiros assim – não entende muito bem por que aqui a gente tem que marcar as coisas com antecedência. Por que não se pode simplesmente visitar um amigo espontaneamente, dizer: “Vou passar na sua casa.” Eu preciso desse planejamento, gosto dessa Vorfreude (expectativa), e talvez tenha sido justamente o que me fez organizar várias idas ao Brasil.

Desde os primeiros estágios, no Rio e em São Paulo, eu sempre quis voltar para o país. Fui algumas vezes de férias e consegui um estágio em Brasília em 2012, na Unaids. Entre os amigos que fiz lá, estava uma menina que trabalhava como empregada doméstica e estudava à noite. Fiquei impressionada com essa força de vontade dela. Acho que os brasileiros lidam muito bem com as dificuldades, enquanto aqui muitas vezes se reclama por bobagem.

Tenho contato com pessoas que conheci no Brasil até hoje. Encontrei muita gente simples e acolhedora na rua. As pessoas têm tanta energia. Aliás, tem muita energia em tudo. Também adoro a cultura, a música – MPB, samba, Seu Jorge, Vanessa da Mata – e a dança – forró, samba de gafieira. Conheci meu namorado num grupo de dança. E adoro um simples prato de arroz, feijão, salada e carne e as lanchonetes com sucos frescos.

O país tem tantas riquezas diferentes, com sua mistura cultural, sua natureza. O Brasil tem muitas cores fortes, o verde brilhante, muito sol. Eu gostava de pegar na mão a terra vermelha, que não temos aqui. E tem tantos lugares incríveis, como as praias de Ilhéus, os rios e ilhas do Pará. Uma vez escalei a Pedra da Gávea à noite para ver o nascer do sol. Foi lindo.

Pode até ser que se eu tivesse feito um estágio num projeto social na África, por exemplo, e não no Brasil, minha vida fosse diferente agora. Mas não sei, tem muitos países que acho interessantes, mas não como o Brasil. Talvez minha alma seja um pouco brasileira, sempre me senti em casa lá. Do que mais sinto falta são as pessoas, a alegria, a espontaneidade, o calor. Apesar de todos os problemas do país, acho que dá para ter uma vida muito boa no Brasil. Quem sabe ainda vou morar lá algum dia.”

DW


O que pode estar por trás da negociação entre Boeing e Embraer, a 3ª maior exportadora do Brasil

Legacy em frente a hangar da Embraer
Embraer foi privatizada em 1994, no fim do governo Itamar Franco | Foto: Embraer

A Embraer, terceira maior exportadora do Brasil em 2017, está na mira da Boeing, a fabricante de aeronaves americana.

As duas empresas confirmaram nesta quinta-feira, segundo nota divulgada no site da Embraer, que “estão em conversações a respeito de uma potencial combinação, cujas bases ainda estão em discussão”.

“Não há garantias de que essas discussões resultarão em uma transação”, diz o texto assinado em conjunto por Boeing e Embraer, que não deixa claro se está em discussão uma fusão, venda ou parceria para fabricar produtos específicos.

Uma eventual união entre as empresas pode criar uma gigante da aviação mundial, com atuação tanto na aviação regional quanto no segmento de longa distância.

Tal “combinação” entre a brasileira e americana seria uma reação à união das respectivas concorrentes Bombardier e Airbus.

Maior rival da empresa americana, a francesa Airbus passou a atuar no segmento de aeronaves de médio alcance recentemente, ao comprar o programa de jatos regionais da canadense Bombardier.

Ao se associar com a Embraer, a Boeing também poderia entrar no mercado de jatos com capacidade para até 130 passageiros.

3ª maior exportadora

A Embraer é a terceira maior exportadora do Brasil, segundo balanço do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços que contabilizou valores exportados entre janeiro e novembro deste ano. Está atrás apenas da Vale e da Petrobras, nessa ordem. O mesmo aconteceu no ano passado.

Por questões de sigilo comercial, o ministério diz que não divulga o valor exato de exportação das empresas.

A fabricante sediada em São José dos Campos faturou R$ 21,4 bilhões em 2016. Em outubro, anunciou lucro líquido de R$ 351 milhões no primeiro trimestre, revertendo uma perda, no mesmo período do ano passado, que fora de R$ 111,4 milhões.

Homem olha debaixo de avião com lanterna
Além do aval do governo brasileiro, a negociação da aprovação dos conselhos das duas empresas e de órgãos reguladores | Foto: Embraer

No entanto, a própria empresa projetou um cenário pior para 2018.

“A Embraer espera que 2018 seja um ano de transição, uma vez que a empresa terá a entrada em produção seriada do primeiro modelo E2, o E190-E2, que está programado para ter sua primeira entrega em abril de 2018”, disse a companhia em um comunicado sobre seus resultados divulgado em 27 de outubro.

Privatização da Embraer

Avião da Embraer
Fabricante sediada em São José dos Campos faturou R$ 21,4 bilhões em 2016 | Foto: Embraer

A Embraer foi privatizada em 1994, no fim do governo Itamar Franco, por R$ 154,1 milhões à época.

Na ocasião, o acordo previa ao governo brasileiro uma “golden share”, ação que dá o direito a veto a diferentes decisões, entre elas a transferência de controle acionário da companhia.

O presidente Michel Temer foi informado ontem das conversas entre Embraer e Boeing. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ele só não estaria disposto a autorizar um acordo que represente a venda do controle da Embraer.

Além do aval do governo brasileiro, a negociação também precisaria ser aprovada pelos conselhos das duas empresas e pelos órgãos reguladores de Brasil e Estados Unidos.

Quem são os atuais acionistas

A Embraer tem acionistas estrangeiros e nacionais, divididos entre pessoas físicas, jurídicas e institucionais.

Entre os nacionais, estão, por exemplo, o BNDES Participações e a Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, com 5,4% e 4,8% das ações, respectivamente.

Segundo a empresa, além do BNDESpar, são considerados como acionistas relevantes os estrangeiros Brandes Investments Partners (15%), Mondrian Investments Partners (10%) e Blackrock (5%).


Sou mesmo um eterno ignorante.

Pois não é que acreditava que o personagem do romance de Robert Louis Stevenson, Dr.Jekyll, jamais seria realidade?
Ledo “Ivo” Engano do abestado aqui.
O Médico – que se danem os cânones de Hipócrates – Doutor Richam Faissal, e que sugeriu a morte de Marisa Letícia quando ele foi internada no Sírio Libanês, em fevereiro de 2017, com AVC. O esculápio foi para Foz do Iguaçu e continua operando.
Algumas “boutades” do assumido Naziolnaro Dr. Richam “Hyde” Faissal, em grupo do hospital no ZapZap
– “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”
– “Esses fdp vão “embolizar” ainda por cima”.
Assim, continua aumentando de forma exponencial minha paixão aos que acreditam na raça humana.

O que dá pra rir dá pra chorarTemer agüando planta na chuva,Blog do Mesquita