Facebook e censura

Facebook é acusado de falta de transparência ao reduzir alcance de páginas de ‘má qualidade’ 

Pessoa digita em computador
Facebook reduz alcance de sites com pouca qualidade
Desde o começo do ano, o Facebook vem diminuindo o alcance de páginas e de publicações brasileiras que considera abrigar “conteúdos de má qualidade”.

Neste domingo (12), Cláudia Gurfinkel, líder de parcerias com veículos de mídia do Facebook para a América Latina, afirmou que sites com “quantidade enorme de anúncios dentro da página e pouco texto” e postagens “caça-cliques” têm seu alcance reduzido intencionalmente na plataforma.

Ela era uma das palestrantes na mesa “Plataformas, jornalismo e política” no festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, que aconteceu no Rio de Janeiro.

O Facebook não divulga que páginas nem que postagens tiveram seu alcance restringido – ou seja, páginas ou postagens que passaram, por meio de algoritmos, a aparecer menos no mural de notícias de cada usuário. Também não informa que páginas tiveram seu conteúdo limitado ou tampouco lhes dá direito de resposta.

Gurfinkel disse à BBC Brasil que os critérios para a redução de alcance de páginas, porém, “estão publicados e divulgados” nas plataformas de divulgação do Facebook.

A reportagem apurou que veículos de imprensa brasileiros já tiveram seu alcance diminuído na plataforma porque publicaram notícias com manchetes consideradas “caça-clique” pelo Facebook.

“Se um veículo de credibilidade estiver adotando esse tipo de prática simplesmente para conseguir clique, ele também pode sofrer algum tipo de punição”, afirmou Gurfinkel.

Celular com atalho para app do FacebookDireito de imagemREUTERS
Empresa foi criticada por disseminação de “fake news durante as eleições nos EUA

Segundo ela, parte dos indícios são identificados por meio de “machine learning” – ação do sistema que se aprimora automaticamente a partir da identificação de um padrão de comportamento, quando há várias repetições de um mesmo tipo de postagem – e outros são identificados por meio da análise de pessoas contratadas para isso.

O Facebook também diminui o alcance de páginas que pedem curtidas por meio de posts “enganosos” – ou seja, que prometem coisas em troca de curtidas -, sites de pornografia e endereços que levam para sites “diferentes daquilo que estava sendo prometido”.

As ações não endereçam especificamente “fake news” (notícias falsas), mas sim todas as páginas do Facebook com “conteúdos de má qualidade”, segundo Gurfinkel. “Priorizamos conteúdo de boa qualidade dentro da plataforma. Queremos que a comunidade seja uma comunidade bem informada.”

A empresa foi criticada pela quantidade de notícias falsas disseminadas por meio da rede durante as eleições dos Estados Unidos no ano passado.

Na época, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, escreveu que era “improvável” que a plataforma tivesse influenciado as eleições americanas. Depois, a empresa passou a adotar uma série de medidas para coibir notícias falsas – em maio, anunciou que manchetes “caça-cliques” seriam exibidas “com menos frequência” e que isso começaria a ser testado em outros idiomas, “incluindo o português”.

“Manchetes com retenção de informações são aquelas que intencionalmente deixam de fora detalhes cruciais, ou enganam as pessoas, forçando-as a clicar para descobrir a resposta (…) Já manchetes que exageram são aquelas que usam linguagem sensacionalista nos detalhes de uma história e tendem a fazer a história parecer algo maior do que realmente é”, diz o comunicado.

O Facebook elenca no texto dois exemplos do que considera manchetes que seriam “caça-cliques”: “Quando ela olhou debaixo de seu sofá e viu ISSO…” e “UAU! O chá de gengibre é o segredo da juventude eterna. Você TEM que ver isso!”.

Esses títulos, segundo a empresa, deveriam ter seu alcance reduzido porque retêm ou exageram informação.

Mark ZuckerbergGETTY IMAGES
Mark Zuckerberg afirmou ser “improvável” que o Facebook tenha influenciado eleições americanas

Alcance controlado

Na palestra deste domingo (12), Gurfinkel respondia a uma pergunta feita por Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP (Universidade de São Paulo), que percebeu que houve diminuição no alcance de uma página política no Facebook.

Ele é coordenador de um estudo produzido pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP (GPoPAI-USP).

O grupo monitorou a evolução de mais de 200 milhões de compartilhamentos de 20 sites de abril a outubro de 2017. Só as matérias políticas foram consideradas.

A página Folha Política, que tem 1,7 milhões de seguidores no Facebook, teve uma queda vertiginosa nos compartilhamentos de suas postagens na plataforma. Em maio, os itens da página tiveram 3,3 milhões de compartilhamentos. Em outubro, esse número caiu para 37 mil. O número de publicações diminuiu de 808 a 477.

A página, de direita, publica links para sites como “Política na Rede”, que não explicita seu dono nem quem são os autores dos textos curtos, publicados sem fontes jornalísticas. A BBC Brasil procurou o administrador da página na tarde desta segunda, sem sucesso.

Para Ortellado, a redução de alcance promovida pelo Facebook é tanta “que equivale a censura”. “A gente pode concordar ou não que não era um site bom. Mas será que a gente quer que uma empresa defina o que deve chegar até nós?”, questiona. “Uma empresa privada está decidindo o que a gente lê e o que a gente não lê.”

O monopólio, por parte do Facebook, do poder de decidir que conteúdo chega ao mural de notícias dos usuários é criticado por pessoas como o historiador britânico Niall Ferguson. Para ele, cujas ideias são alinhadas à direita, os usuários não deveriam deixar a cargo da empresa a autoridade de retirar discursos de ódio da plataforma, por exemplo.

“Pessoalmente, defendo a liberdade de expressão sob o risco de me sentir ofendido pelo que os outros dizem, (mas) decidindo eu mesmo o que bloquear em vez de deixar isso para o ‘Cidadão Zuck'”, afirma, em referência a Mark Zuckerberg.

Gurfinkel diz que “não é que essas páginas sejam eliminadas ou que desapareçam, mas passam a ter distribuição um pouco mais limitada dentro da plataforma”.

Segundo o estudo, vários sites da “grande imprensa”, que servem como parâmetro para a investigação, também tiveram uma redução expressiva de compartilhamentos no período, de até 50%.

A investigação considera o número de compartilhamentos medidos em cada período de um mês, e não o total de compartilhamentos das reportagens, que podem seguir sendo compartilhadas meses depois.

Fake news

Nos Estados Unidos, o Facebook fez parcerias com empresas de checagem de notícias para identificar o que consideram ser notícias falsas. Ainda não existe essa parceria no Brasil – de acordo com Gurfinkel, isso deve ser trazido ao país “muito em breve”.

Nesta segunda (13), o jornal The Guardian publicou uma reportagem em que jornalistas que atuaram no projeto americano falaram anonimamente sobre o trabalho, que acreditam ter falhado. Eles reclamam da falta de estatísticas para avaliar os resultados de seu empenho para impedir a disseminação de notícias falsas.

No Brasil, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se prepara para divulgar até dezembro um conjunto de novas regras de comportamento online para partidos e candidatos nas redes sociais durante as eleições – um dos desafios é determinar critérios objetivos para a determinação de que uma notícia ou história seja falsa.

 

iPad 4 chega de mansinho

iPad de 4ª geração chega junto com iPhone 5, mas sem alarde

A quarta geração do iPad chegou oficialmente ao Brasil na madrugada desta sexta-feira sem alarde, festa de lançamento ou filas nas lojas.

O aparelho chegou oficialmente junto com o iPhone 5, que começou a ser vendido à meia-noite de hoje em todo o País, mas sem as filas nas lojas que marcaram a chegada do smartphone da Apple ou versões anteriores do produto.

A nova versão do iPad é vendida na loja online da Apple e de outros varejistas a partir de R$ 1.749 no modelo mais básico, com armazenamento de 16 GB e conexão Wi-Fi.

O modelo mais caro, que reúne conectividade Wi-Fi e 4G e armazenamento de 64 GB, chega por R$ 2.499. Todos os modelos são vendidos nas cores preta e branca.

O iPad 4 conta com o novo processador A6X, FaceTime HD 720p e possibilidade de se conectar à internet através de Wi-Fi e 4G LTE. Na quarta-feira, a loja online da Saraiva já havia vazado o lançamento do aparelho no País.

A oferta, divulgada durante a noite, foi tirada do ar no dia seguinte.

 

O aparelho chegou oficialmente junto com o iPhone 5
O aparelho chegou oficialmente junto com o iPhone 5

A quarta geração do iPad foi anunciada em outubro, em um evento da Apple que marcou também a chegada de uma versão menor do aparelho, o iPad mini.

A Anatel homologou o iPad mini e a quarta geração do iPad 4 no Brasil no fim de novembro, liberando a venda desses equipamentos da Apple no País.

O iPad mini, no entanto, ainda não tem previsão de chegada ao país. 


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Lixo Eletrônico e responsabilidade social

A rápida evolução tecnológica faz com que seja exponencial o aumento do descarte de produtos eletrônicos. Sabidamente os componentes de computadores, televisores, celulares e demais equipamentos eletroeletrônicos, carregam nas entranhas metais com alto teor de contaminação. Desde chumbo e mercúrio, passando por plásticos e compostos químicos com altos teores de toxidade. Esses equipamentos, descartados em lixões, oferecem risco para a saúde humana e para o meio ambiente.

No Brasil algumas iniciativas tentam resolver o problema. A mais exitosa é a da Universidade de São Paulo (USP), através do Centro de Computação Eletrônica. A unidade inaugurou, recentemente, um Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir) na Cidade Universitária. Para isso, um galpão de 400 m² foi adaptado para carga e descarga, depósito para categorização, triagem, destinação e adequação do material.
O Editor


A verdadeira revolução social em curso aumenta a responsabilidade com o lixo eletrônico

O fantasma do sucesso

*ANGELA CARDOSO, CRISTINA MARTINS SILVA e ALEX LUIZ PEREIRA – O GLOBO

O Brasil está passando por uma verdadeira revolução social. As perspectivas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) na faixa de 7% neste ano se refletem numa população com melhores condições de vida e maiores chances de consumo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Um dos grandes destaques desse processo é o acesso das classes mais baixas a equipamentos eletroeletrônicos.

Com crédito farto e dinheiro no bolso, as famílias da classe C estão indo às compras. Computadores, celulares e televisores de plasma e LCD estão entre os sonhos de consumo que começam a ser realizados por uma parcela da população que, até bem pouco tempo atrás, estava alijada do consumo desses bens.

No que se refere aos computadores, em particular, os números por trás dessa realidade são grandiosos.

Estimativas da consultoria IDC indicam que, em 2009, foram vendidas cerca de 11 milhões de unidades, incluindo desde desktops até os modernos netbooks.

Para este ano, a previsão é que sejam mais 12,8 milhões colocados no mercado, ou um crescimento de quase 16%. Com isso, a evolução da presença do computador nas residências deve acelerar.

Hoje, ainda há muito espaço para crescimento nesse quesito, como mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): em 2008, apenas 31,2% dos domicílios brasileiros possuíam computadores. Apesar de baixa, é uma fatia muito superior aos 26,5% registrados no ano anterior.

Essa evolução indica uma importante melhoria da qualidade de vida da população de uma maneira geral.

Além disso, abre espaço para uma evolução educacional tanto no que se refere ao aprendizado do uso do equipamento (fundamental para o mercado de trabalho) como para o acesso ao conhecimento via a internet.

Mas, apesar de todo esse otimismo, esse crescimento do acesso aos equipamentos de informática também tem um lado extremamente preocupante, que praticamente não tem recebido atenção: milhões de computadores vendidos ao ano também representarão, dentro de quatro a seis anos, os mesmos milhões de equipamentos jogados no lixo.

Os computadores são lixo eletrônico de altíssima periculosidade. Na maioria dos casos, os equipamentos contêm metais pesados que, se descartados de maneira inadequada, contaminam o meio ambiente de forma muito grave. Também contêm, particularmente nas placas do sistema, metais preciosos como ouro e prata. Por último, os demais materiais — como plástico e outros metais — podem voltar à cadeia produtiva, na forma de matéria-prima.

Atualmente, não há uma infraestrutura preparada para gerenciar adequadamente esse lixo. São comuns inclusive casos de empresas ou usuários domésticos que, por ingenuidade ou falta de responsabilidade, simplesmente destinam computadores quebrados ao lixo comum, fadados a apodrecer nos aterros sanitários.

A ausência de fiscalização no processo de coleta de lixo e entrega nos aterros completa o processo.

Alguma esperança para melhorar o quadro foi dada no início deste mês, quando o Congresso Nacional aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O conjunto de normas para regulamentar a gestão do lixo sólido produzido no país prevê que as embalagens e os resíduos de agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas (de todos os tipos) e eletroeletrônicos sejam recolhidos pelos fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores .

Sozinha, porém, a nova política não anula os efeitos nocivos que o consumo exagerado pode causar ao meio ambiente. Para reverter esse quadro, é urgente cobrar que, simultaneamente ao otimismo envolvido na expansão das vendas, haja o cumprimento, por parte de toda a cadeia envolvida — incluindo distribuidores e fabricantes — das determinações legais em favor do descarte adequado dos equipamentos.

E, claro, que os volumes entregues nos aterros sejam fiscalizados, garantindo que pelo menos essa contaminação ambiental deixe de acontecer.

ANGELA CARDOSO, CRISTINA MARTINS SILVA e ALEX LUIZ PEREIRA são administradores de empresas.