Eleições USA – Em comício, Trump diz que China ‘estupra’ EUA

O magnata acredita que o país precisa ‘dar a volta’ por cima.

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O pré-candidato republicano que lidera a corrida eleitoral nos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Washington não pode “continuar permitindo que a China estupre o nosso país”, pois “é exatamente isso que eles estão fazendo”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em comício realizado em Fort Wayne, em Indiana, onde acontecem as primárias na próxima terça-feira, dia 3, o empresário afirmou que “a China foi responsável pelo maior roubo da história do mundo” e “tem danificado as nossas empresas e os nossos trabalhadores”.

“Nós somos como um porquinho que foi roubado, mas vamos dar a volta por cima. Nós temos as cartas.Temos muito poder na China”, acrescentou o magnata.

Delegados

Na contagem até o momento, o magnata se aproximou do “número mágico” para ter a indicação na Convenção do partido, obtendo 988 delegados.

Ele é seguido por Ted Cruz, com 568, e John Kasich, com 152.

Para concorrer à Casa Branca, o pré-candidato republicano precisa ter 1.237 votos, mas é cada vez mais forte, no entanto, a hipótese de que nenhum deles alcance esse número, o que faria com que a convenção republicana fosse aberta, ou seja, com os delegados escolhendo na hora quem será seu postulante nas eleições presidenciais.

Eleições USA: Trump revela como pretende forçar o México a pagar por muro na fronteira

Pré-candidato republicano diz que pretende cortar fluxo de dinheiro enviado ao México por mexicanos que moram nos EUA.

Trump revela como pretende forçar o México a pagar por muro na fronteira
Medida pode gerar crise com um aliado diplomático crucial para os EUA 

O pré-candidato republicano Donald Trump anunciou que, se for eleito presidente, vai forçar o México a construir um muro na fronteira com os Estados Unidos sob a ameaça de cortar o fluxo de dinheiro que imigrantes mexicanos enviam aos familiares no México.

A medida pode dizimar a economia mexicana e criar uma crise sem precedentes com um aliado diplomático crucial para os EUA.

Em um comunicado de duas páginas enviado ao jornal Washington Post, Trump detalhou, pela primeira vez, seus planos para a criação de uma barreira de 1.600 km na fronteira entre os dois países, uma de suas maiores promessas de campanha ridicularizada por várias lideranças mexicanas antigas e atuais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No comunicado, intitulado “Obrigando o México a pagar pelo muro”, Trump diz que basearia a medida no Ato Patriota, lei estabelecida após o 11 de setembro para reforçar medidas de segurança antiterrorismo.

Desta forma, ele cortaria parte dos fundos enviados ao México via transferência bancária por mexicanos que moram nos Estados Unidos.

O corte seria suspenso caso o governo mexicano pagasse uma cota única de US$ 5 bilhões aos EUA destinados a construir um muro na fronteira entre os dois países.

“É uma decisão fácil para o México”, diz Trump no comunicado, cujo papel continha seu lema de campanha “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente).

No comunicado, Trump diz que após a construção do muro, “as transferências voltarão a ser liberadas para entrar no México ano após ano”.

Segundo o banco central mexicano, quase US$ 25 bilhões foram enviados ao México em 2015 por cidadãos do país que moram no exterior.

Em seu comunicado, Trump diz que “a maior parte desta soma é proveniente de imigrantes ilegais”, embora a quantia represente a verba enviada por mexicanos residentes em vários países do mundo, não apenas nos EUA.

O comunicado de Trump é o mais recente esforço do pré-candidato republicano para detalhar suas propostas no momento em que enfrenta duros obstáculos em sua campanha, incluindo a ameaça de perder as primárias republicanas no estado de Wisconsin para o adversário Ted Cruz nesta terça-feira, 5.

Fontes:
The Washington Post-Trump reveals how he would force Mexico to pay for border wall

Eleições USA: Rubio e Cruz partem para o ataque contra Trump

Republicanos aumentaram o tom em um debate com Donald Trump"Todos sabem que você contratou muitos poloneses para pagar salários menores e fazê-los trabalhar ilegalmente, ao invés de contratar norte-americanos", atacou Rubio

“Todos sabem que você contratou muitos poloneses para pagar salários menores e fazê-los trabalhar ilegalmente, ao invés de contratar norte-americanos”, atacou Rubio

Rubio e Trump protagonizaram uma discussão sobre política imigratória, um dos pontos mais controversos das ideologias do magnata, que defende o fechamento de fronteiras e a expulsão de estrangeiros dos Estados Unidos.

“Todos sabem que você contratou muitos poloneses para pagar salários menores e fazê-los trabalhar ilegalmente, ao invés de contratar norte-americanos”, atacou Rubio.

“Eu empreguei milhares de pessoas”, rebateu Trump.

Já Ted Cruz relembrou que o magnata chegou a apoiar a democrata Hillary Clinton em primárias anteriores.

“Você disse que ela foi a melhor secretária de Estado dos tempos modernos, inclusive doou verba para a Fundação Clinton, que é notoriamente corrupta.

A ex-secretária foi até no seu casamento. Como pode atacá-la agora?”, criticou o pré-candidato.

Tendo conquistado 81 delegados nas prévias republicanas até o momento, Trump está na frente da disputa pela indicação do partido.

Os outros dois têm 17 delegados cada.

No próximo dia 1, os norte-americanos votam na chamada “Super Terça”, quando ocorrem primárias em vários lugares dos Estados Unidos e os pré-candidatos podem conquistar até 600 delegados.
Agência ANSA

10 coisas que você precisa saber sobre as eleições nos EUA

Prévia nos Estado de Iowa marca pontapé inicial da luta pela definição do candidato dos dois grandes partidos americanos.

As prévias se encerram em junho, quando os políticos escolhidos para representar os partidos Democrata e Republicano passam a disputar entre si. A BBC Brasil elaborou uma lista com dez pontos para entender e acompanhar a escolha do sucessor do presidente Barack Obama.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

1. Quem são os principais candidatos

Republicanos

Donald Trump: O megaempresário é hoje o candidato preferido de 41% dos Republicanos, segundo a última pesquisa da CNN. Entre suas principais propostas estão construir um muro na fronteira com o México, barrar temporariamente a entrada de muçulmanos e ampliar as taxas sobre produtos chineses.

Ted Cruz: Filho de um pastor evangélico cubano, o senador pelo Texas conta hoje com 19% das intenções de voto entre os Republicanos. Suas principais bandeiras incluem bombardear as áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico, acabar com os subsídios federais a planos de saúde e reduzir o imposto de renda.

Marco Rubio: Filho de cubanos, o senador pela Flórida tem hoje 8% dos votos entre os eleitores do partido. Ele diz que, se eleito, ampliará os gastos com defesa, reduzirá impostos e flexibilizará as leis trabalhistas. Muitos analistas o consideram o candidato Republicano mais competitivo.

Democratas

Ted Cruz, Marco Rubio e Donald Trump são os principais pré-candidatos do Partido Republicanos

Hillary Clinton: A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama tem hoje 52% das intenções de voto entre os eleitores Democratas. Hillary se apresenta como a sucessora natural de Obama, prometendo aumentar os salários da classe trabalhadora, investir em infraestrutura e combater as mortes por armas de fogo.

Bernie Sanders: O senador por Vermont, que se define como socialista, conta hoje com 38% das preferências dos eleitores do partido. Sanders tem, entre suas principais bandeiras, ampliar o controle sobre os bancos, universalizar o sistema de saúde e reduzir a influência política de lobistas e grandes doadores.

2. Primárias X ‘caucuses’

Estados adotam dois sistemas distintos para escolher seus candidatos nas prévias: as primárias e os “caucuses” (convenções partidárias).

Nas primárias, adotadas por 40 dos 50 Estados, os partidos Democrata e Republicano realizam votações secretas para escolher os candidatos.

Em alguns Estados, as primárias de cada partido se restringem a eleitores cadastrados nessas agremiações; em outros, são abertas a todos os eleitores.

No “caucus”, eleitores se manifestam publicamente sobre suas preferências, levantando as mãos ou se dividindo em grupos. Em geral, só eleitores cadastrados nos partidos podem participar da escolha.

3. Alguns Estados recebem atenção desproporcional

Primeiros Estados a realizar prévias, Iowa e New Hampshire somam apenas 1,6% da população americana, mas é lá que os pré-candidatos passam grande parte do início da corrida eleitoral.

Os resultados nos dois Estados têm muito impacto no resto da campanha, já que podem enterrar candidaturas e dar grande impulso aos vencedores.

Encerrada a fase das primárias, os candidatos vitoriosos passam a enfocar os chamados “Estados-pêndulos”, onde a disputa entre Republicanos e Democratas costuma ser mais equilibrada.

Ao priorizar esses locais, eles tendem a deixar de lado Estados muito identificados com um dos dois partidos. Para um candidato Democrata, por exemplo, fazer campanha em Oklahoma pode não ser tão vantajoso, já que o Estado costuma dar largas vitórias ao partido rival. Alguns dos principais Estados-pêndulo são Flórida, Virgínia, Colorado e Pensilvânia.

4. A importância da ‘Superterça’

As prévias se encerram em junho, mas geralmente o momento mais importante do processo ocorre em fevereiro ou março, quando praticamente metade dos Estados realiza suas consultas num único dia, uma terça-feira.

Ex-secretária de Estado Hillary Clinton e Bernie Sanders disputam preferência dos Democratas

Neste ano, a “Superterça” ocorrerá em 1º de março. Além de ter grande impacto no resultado final das primárias, a maratona de votações é considerada o primeiro grande teste nacional enfrentado pelos pré-candidatos.

5. A eleição é indireta

A eleição presidencial nos EUA é indireta, realizada por 538 delegados eleitorais, distribuídos pelos Estados conforme sua população.

Em 48 dos 50 Estados americanos (as exceções são Maine e Nebraska), o candidato vitorioso recebe todos os votos dos delegados desses Estados. Ganha a votação o candidato que somar ao menos 270 delegados.

6. Nem sempre o vitorioso é o mais votado

Segundo o site FactCheck.org, ao menos quatro vezes os EUA elegeram presidentes que não tiveram a maioria dos votos.

Isso ocorre porque, mesmo ao derrotar o rival por uma margem mínima de votos num Estado, o candidato vitorioso fica com todos os seus delegados eleitorais.

O último caso ocorreu em 2000, na releeição de George W. Bush, que assumiu o posto mesmo tendo recebido 540 mil votos a menos na contagem geral que seu concorrente Democrata, Al Gore.

7. Votar pode ser complexo

O voto é facultativo nos EUA, e eleitores que queiram participar do pleito precisam se registrar (exceto na Dakota do Norte).

Certos Estados permitem que o registro ocorra no dia da eleição, mas outros adotam regras que, segundo analistas, desencorajam a votação e discriminam minorias. Alguns Estados proíbem, por exemplo, que grupos (partidários ou não) promovam campanhas para registrar eleitores, prática especialmente comum em comunidades pobres.

Placa de carro comemorativa celebra primária de Iowa neste 1º de fevereiro
Image copyright ThinkStock

Nos últimos anos, alguns Estados postergaram o início do horário da votação. Segundo ativistas, a decisão cria dificuldades para igrejas frequentadas por negros, que costumam organizar excursões para levar seus fiéis às urnas após o culto matinal.

8. Nem todos os americanos podem votar

Embora sejam cidadãos americanos, os cerca de 4 milhões de habitantes dos territórios de Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Mariana e Samoa Americana não têm o direito de votar para presidente, já que esses territórios não têm delegados no Colégio Eleitoral.

Mas os territórios participam das primárias e ajudam a definir os candidatos que concorrem à Presidência.

9. Há vários candidatos desconhecidos

Os candidatos Democrata e Republicano concentram as atenções na eleição, mas não são os únicos concorrentes. Vários candidatos costumam se lançar por outros partidos ou como candidatos independentes. Às vezes, eles influenciam no resultado final.

Na eleição de 2000, o candidato do Partido Verde, Ralph Nader, recebeu 97 mil votos na Flórida. Como Bush venceu Al Gore naquele Estado por apenas 537 votos de diferença, alguns atribuíram sua vitória à participação de Nader, que teria “roubado” votos do Democrata. Se Bush não tivesse vencido na Flórida, Gore teria conquistado a Presidência.

10. As campanhas são bilionárias

Na eleição de 2012, os chamados “Super PACs” arrecadaram US$ 828 milhões (R$ 3,3 bilhões) para atividades de campanha.

Em tese, PACs (comitês de ação política) são comitês independentes articulados para promover causas, candidatos ou projetos legislativos. Na prática, têm sido usados pelos candidatos para arrecadar quantias ilimitadas de dinheiro, driblando as normas que limitam a US$ 2.700 (R$ 10,7 mil) as doações individuais feitas diretamente às campanhas.

Entre os principais competidores deste ano, apenas o democrata Bernie Sanders e o republicano Donald Trump dizem competir sem o apoio de Super PACs. Enquanto Sanders tem contato com pequenas doações de eleitores, Trump tem recorrido à própria fortuna para financiar suas atividades.
João Fellet – @joaofelletDa BBC Brasil em Washington