Palhaço,Tristeza,Blog do Mesquita 02

Fatos & Fotos – O dia todo sendo atualizado – 22/01/2020

Bom dia.
“O segredo de uma boa velhice nada mais é do que um pacto honesto com a solidão.” Gabriel García Márquez

Design,Veículos,Hot Roads,Blog do Mesquita PL (1) 

Parte significativa dos brasileliros que está inerte?; domada?; catequizada?; doutrinada?, assiste a edificação de uma doutrina que tem como objetivo, à socapa – “bien compris” – cercear a democracia, destruir a pluralidade, o contraditório, a liberdade de expressão e as garantias individuais.

Os fatos nos são mostrados diariamente!
Censura no cinema, nas artes, exposições, cultura popular, imprensa, livros, educação… Só não admite quem está absolutamente marginalizado a tudo isso ou corrobora, por crença ou omissão, com essa forma de governo.
O pior destes hidrófobos é que eles não ligam para a História. Não aprendem nada.
Ainda bem que há os desvairados que combatem essa horda, e que acreditam que é da natureza das coisas a luz vencer a escuridão.

Da série: “Caminhado pela cidade ou A vida como não deveria ser!”


Blog do Mesquita,Lixo,Meio Ambiente,Saúde Pública,Blog do Mesquita PL


Segue um aperitivo do que será essa senhora no governo.

Regina Duarte diz que liberdade de expressão “tem que ter limites”Blog do Mesquita,Censura,Constituição Federal (3)


“A pior inimiga do meio ambiente é a pobreza”, disse Paulo Guedes em Davos.

Pobreza,Blog do Mesquita

Vocês prestaram à devida atenção nessa estupidez? Não? Pois então lá vai:
Declaração sem fundamento nenhum e sem provas estatistificas que sustente. Esse alucinado acordou pela manhã e resolveu falar como todos do governo falam para suas ovelhas no Brasil. O problema é que quem estava ouvido vive fora da bolha do mundo da fantasia que eles criaram. Sobre questão ambiental já culparam tantas pessoas que se alguém perguntar para eles quem são os verdadeiros culpados, nem eles sabem mais a reposta. Agora essa de culpar os pobres foi a pior de todas, mesmo por que a maioria dos pobres não tem acesso à terra, vivem da subsistência nas milhares de periferias dos povoados da região norte, com a qualidade de vida muitas vezes desumanas.
Ps. Paulo Guedes responde a três processos na justiça comum por fraude no sistema financeiro com títulos de estatais e por enriquecimento ilícito. Como pode este sujeito ser ministro?

O indiciamento do jornalista Glenn Greenwald, pelo MPFDF, além de ser uma ato descaradamente político, desrespeita a autoridade da medida cautelar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 601, do Supremo Tribunal Federal; pisoteia a liberdade de imprensa; a liberdade de expressão; os direitos fundamentais;afronta o art.5º da Constituição Federal, e é uma, mais uma, ameaça à tíbia democracia brasileira.
É claro o objetivo de depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos da mídia nacional e estrangeira. Parece-me haver em alguns porões a tentativa de se estabelecer, em Macondo, uma Patocracia.
O jornalista que não se manifestar contra essa violência do Estado, deve repensar seriamente a sua escolha profissional.Censura,Liberdade,Blog do Mesquita 07


Brasil: da série “divagações sobre a história do Brasil, enquanto estou balançando na rede”
Prudente de Moraes — Prudente José de Morais e Barros (Itu, 4 de outubro de 1841 – Piracicaba, 13 de dezembro de 1902) foi um político brasileiro, primeiro governador do estado de São Paulo (1889-1890), senador e terceiro presidente do Brasil e primeiro político civil a assumir este cargo.
Foi, também, o Primeiro Presidente eleito em eleição direta. Governou de 1894 a 1898.
Depois dele só tivemos presidentes imprudentes e imorais.


Bárbara Sotero – LitografiaBarbara Sotero,Artes Plásticas,Gravura,Lithography,ContemporaryArt,FineArt,Engrave,Blog do Mesquita PL

Estamos em um guerra contra a razão e contra a clareza.
Impressiona esse furor atávico de produzir defesa do que não tem acusação. Espinoza, o Baruch, produziu um excelente ensaio sobre o exercício da ideologia na formatação de argumentos.

Um país é reflexo de seu líder, e vice-versa. Se o líder é culto, todos se cultivam, a cultura é valorizada. Se o líder é genial, o povo se faz mais criativo, pois o exemplo estimula. Se o líder é um tosco, os toscos brotão e reproduzem como ratos no esgoto.

Estamos em um guerra contra a razão e contra a clareza.
Impressiona esse furor atávico de produzir defesa do que não tem acusação. Espinoza, o Baruch, produziu um excelente ensaio sobre o exercício da ideologia na formatação de argumentos.
É triste observar o nepotismo, o populismo, a cretinice, a canalhice, a mediocridade que imperam no país nadarem de braçada à nossa frente.
Um país é reflexo de seu líder, e vice-versa. Se o líder é culto, todos se cultivam, a cultura é valorizada. Se o líder é genial, o povo se faz mais criativo, pois o exemplo estimula. Se o líder é um tosco, os toscos brotão e se reproduzirão como ratos no esgoto.Autorretrato,Pessimista,Blog do Mesquita

Palhaço,Tristeza,Blog do Mesquita 02

Fatos & Fotos – O dia todo sendo atualizado – 20/01/2020

Embalando o meio dia desta segunda-feira com Gal Costa “Força Estranha”, de Caetano Veloso


Embalando esta manhã de segunda-feira com Céu & Herbie Hancock “Tempo De Amor”


“Davos verde debate reforma do capitalismo” Hahahahahaha.
Reforma? Hahahahahahahaha.
Reforma do Capitalismo? Hahahahahahahahah.
Hilários esses filhotes de Hayek.
Só muito marafo para ostentar uma alucinação desta.Rodando o globo terresre,Capitalismo,Economia,Humor,Trabalho,Escravos,Blog do Mesquita


Direto da caixa de produzir idiotas

Ana Maria Braga acaba de proferir uma “pérola” na Globo: “O estreito de Gibraltar liga o Oceano Atlântico ao Pacífico!’Certamente ela dirá que o Canal do Panamá liga o Atlântico ao Mar Mediterrâneo’.”
“K-ralho!” “Imprecionante”. Diria o Sinistro da Deseducação
Nem a Roseana Collor com as Pirâmides do Egito em Paris, consegue competir com essa Ana Ameba Praga.

Internet,Virus,GuerraCibernética,Armas,Espionagem,Tecnologia,Hackers,Blog do Mesquita 01

Rússia anuncia sucesso em teste de internet ‘desplugada’ do resto do mundo

Rússia testou com sucesso a Runet, uma alternativa nacional à internet global, anunciou o governo do país.

Os detalhes divulgados sobre os testes são vagos, mas, de acordo com o Ministério das Comunicações, os usuários não notaram nenhuma alteração. Os resultados serão agora apresentados ao presidente Vladimir Putin.

Os especialistas continuam preocupados com a tendência de alguns países de criarem redes próprias desconectadas da internet global.

“Infelizmente, as medidas tomadas pela Rússia são apenas mais um passo no crescente desmembramento da internet”, disse Alan Woodward, cientista da computação da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

A internet é composta por milhares de redes digitais pelas quais a informação viaja. Essas redes estão conectadas por pontos de roteamento de dados – e eles são, sabidamente, o elo mais fraco desta cadeia.

 

Isso permite criar um sistema de censura em massa semelhante ao que ocorre na China e no Irã, que tentam bloquear qualquer conteúdo considerado proibido.

“Cada vez mais, países autoritários que desejam controlar o que os cidadãos veem estão se espelhando no que Irã e China já fizeram. Isso significa que as pessoas não terão acesso ao diálogo sobre o que está acontecendo em seu próprio país, serão mantidas dentro de uma bolha”, diz Woodward.

O que foi testado?

Pessoa digitando em computadorDireito de imagem GETTY IMAGES
Rússia quer ter sob seu controle os pontos pelos quais passem os dados que entram ou saem do país

A Rússia faz parte de um número crescente de nações insatisfeitas com uma internet construída e controlada pelo Ocidente. O país fala publicamente sobre uma “internet soberana” desde 2011.

No início deste ano, o país estabeleceu as mudanças técnicas necessárias e forneceu recursos para que as empresas as implementassem a fim de que a internet russa seja operada de forma independente.

Os testes previam que os provedores demonstrassem ser capazes de direcionar dados para pontos de roteamento controlados pelo governo e filtrar o tráfego para entre os cidadãos russos e para qualquer computador estrangeiro.

Agências de notícias locais noticiaram declarações do vice-ministro de Comunicações dizendo que os testes da Runet foram executados conforme o planejado.

“Os resultados mostraram que, em geral, tanto as autoridades quanto as operadoras de telecomunicações estão prontas para responder efetivamente a riscos e ameaças emergentes, para garantir o funcionamento estável da internet e da rede de telecomunicações unificada na Federação Russa”, disse Alexey Sokolov.

A agência de notícias estatal Tass informou que os testes avaliaram a vulnerabilidade dos aparelhos ligados à internet e também testaram a capacidade da Runet de combater “influências negativas externas”.

Como funcionará a Runet?

O uso da Runet significará que os dados enviados por cidadãos e organizações russas circularão apenas dentro do país, em vez de serem roteados internacionalmente.

A Rússia também está buscando desenvolver serviços de rede mais personalizados para seus cidadãos. A empresa anunciou planos para criar sua própria Wikipedia e aprovou uma lei que proíbe a venda de celulares que não possuem software russo pré-instalado.

Como a China, a Rússia espera criar serviços que sirvam de alternativas ao Google e Facebook a longo prazo.

“A ideia é que a internet na Rússia se interconecte com o resto do mundo apenas em alguns pontos específicos sobre os quais o governo possa exercer controle”, disse Woodward.

“Isso efetivamente levaria os provedores de serviços de internet e as empresas de telecomunicações a operar dentro de uma intranet gigantesca.”

Boeing,Blog do Mesquita,737 Max

Boeing 737 MAX: A decisão ‘sem precedentes’ da gigante da aviação de parar a produção do modelo problemático

Boeing 737 Max

Direito de imagem GETTY IMAGES
A Boeing deixará de fabricar em janeiro o modelo 737 Max

A americana Boeing decidiu suspender em janeiro a fabricação de seu problemático avião 737 Max.

A produção da aeronave havia sido mantida mesmo durante o período de nove meses em que o modelo foi proibido de voar em razão de dois acidentes fatais em 2018 e 2019.

Mais de 300 pessoas morreram na queda de 737 Max na Indonésia e na Etiópia, em decorrência de problemas de fabricação da aeronave.

A Boeing esperava que os aviões voltassem a voar no fim deste ano, mas autoridades reguladoras dos Estados Unidos deixaram claro que não iriam avalizar tão cedo esse retorno.

A companhia americana, uma das maiores exportadoras do país, afirmou em comunicado que não vai demitir os funcionários ligados à fabricação do 737 Max, mas a paralisação deve afetar sua cadeia produtiva e a economia como um todo.

“A retomada com segurança do 737 Max é nossa principal prioridade”, disse a empresa.

“Nós sabemos que o processo de aprovação do retorno do 737 Max à operação, e a definição dos treinamentos necessários, deve ser algo extraordinariamente preciso e robusto, para assegurar que nossos reguladores, clientes e passageiros confiem nas melhorias do 737 Max.”

Riscos conhecidos

Em uma audiência no Congresso americano na semana passada, foi divulgado que as autoridades reguladoras dos EUA estavam cientes dos riscos de novos acidentes depois que um 737 Max caiu na Indonésia em outubro de 2018.

Uma análise da agência de aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) apontou que poderia haver mais de uma dezena de acidentes ao longo do tempo de vida da aeronave caso não fossem feitas mudanças no equipamento.

Local do acidente com voo da Ethiopian AirlinesDireito de imagem REUTERS
157 pessoas morreram no voo ET 302 da Ethiopian Airlines em 2019

Ainda assim, os 737 Max só foram proibidos de voar depois do segundo acidente, na Etiópia, em março de 2019.

A Boeing está remodelando seu sistema automatizado de controle, apontado como principal causa das quedas.

A fabricante afirmou que tem 400 unidades do 737 Max em suas instalações e focará a entrega deles para seus clientes.

O Boeing 737 MAX 8 foi a aeronave que a empresa vendeu mais rapidamente em sua história.

Ainda que diversas companhias aéreas ao redor do mundo tenham mantido suas encomendadas, as entregas foram suspensas enquanto os engenheiros da Boeing resolvem os problemas técnicos do modelo.

O especialista na indústria turística Henry Harteveldt afirmou que a decisão de suspender a produção não tem precedentes e que terá um impacto enorme na Boeing, em seus fornecedores e nas companhias aéreas.

“Isso vai criar um caos para as companhias áreas, as mais de 600 empresas da cadeia produtiva do 737 Max e para a Boeing como um todo.”

A suspensão do 737 Max já custou à Boeing mais de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões). As ações da empresa caíram mais de 4% em meio a especulações de que a companhia anunciaria a suspensão da produção.

Aviões Boeing 737 MaxDireito de imagem REUTERS
Todas as aeronaves 737 Max estão proibidas de voar

Impacto na cadeia de suprimentos

Estima-se que a suspensão da produção atinja toda a cadeia de suprimentos global do 737 Max.

Richard Aboulafia, analista de aviação do Teal Group, classificou as opções da Boeing para gerenciar o forte impacto em seus fornecedores como “de mal a pior”.

Para ele, a fabricante de aviões poderia permitir que seus fornecedores fossem atingidos ou poderia pagar para que eles estivessem a postos para quando o 737 Max for finalmente liberado para voar.

Alguns fornecedores, como a fabricante de fuselagens Spirit Aerosystems, são altamente dependentes do modelo da Boeing — quase 50% da receita da empresa está ligada a essa operação.

Até o momento, a Spirit Aerosystems disse apenas que está “trabalhando em estreita colaboração” com a Boeing para determinar qual o impacto da suspensão da produção.

É improvável que o movimento da Boeing afete também os passageiros, já que as companhias aéreas alugaram aeronaves adicionais para substituir o 737 Max.

Mas agora é um novo capítulo para as companhias aéreas, que têm a despesa adicional de alugar aviões e gerenciar suas aeronaves “presas em solo”.

As operadoras americanas contam com as maiores frotas do 737 Max, embora o modelo seja usado por companhias aéreas em todo o mundo.

“As companhias aéreas chinesas também seriam bastante afetadas”, estima Shukor Yusof, analista de aviação da Endau Analytics.

Boeing 737 Max-8Direito de imagem AFP
Boeing 737 MAX 8 que caiu entrou na frota da Ethiopian Airlines em 2018

De fato, as três maiores companhias aéreas da China estavam entre as primeiras a pressionar a Boeing por compensação pelos aviões proibidos de voar.

Em julho, a Boeing reservou quase US$ 5 bilhões (quase R$ 20 bilhões) para compensar as companhias aéreas que não receberam suas aeronaves ou não puderam usar as que já possuíam.

No entanto, essa cifra foi baseada na hipótese de que o 737 Max retornaria ao ar até o final de 2019.

Resta saber agora qual será o impacto total da suspensão da fabricação.

Qual foi a falha detectada no 737 Max?

O Boeing 737 MAX é uma versão atualizada do 737 que está em uso comercial desde o ano de 2017.

Uma diferença em relação ao modelo anterior é o software conectado à leitura do “ângulo de ataque”, ligado a um software criado para ajudar os pilotos a manter a aeronave na posição adequada às condições de voo.

O software de controle de voo é um sistema chamado MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra). Foi desenvolvido pela Boeing especificamente para o 737 MAX 8 e o MAX 9.

A Boeing explica que o software “não controla a aeronave em voos normais”, mas “melhora parte de seu comportamento em condições operacionais não normais”.

SoftwareDireito de imagem GETTY IMAGES
Dois pilotos americanos relataram em um documento oficial que tiveram problemas semelhantes aos que voo indonésio teria sofrido

Por causa do posicionamento dos motores nas asas — mais alto e distante da fuselagem — o modelo teria uma tendência a se inclinar para o alto sob determinadas condições, aumentando as chances de uma estolagem (perda de sustentação aerodinâmica) da aeronave.

Quando o MCAS detecta que o avião está subindo em um ângulo vertical demais sem a velocidade necessária — uma cenário propício para uma estolagem — ele move o estabilizador horizontal na cauda para levar o nariz (do avião) para baixo.

Os investigadores do acidente na Indonésia descobriram que o MCAS entrou em modo ativo quando não deveria, que uma falha no sensor de ângulo de ataque ativou o sistema antiestolagem, levando o nariz do avião a se inclinar para o chão.

Além disso, segundo um banco de dados do governo sobre incidentes de aviação (ao qual o The New York Times teve acesso), pelo menos dois pilotos que operaram aviões MAX 8 da Boeing 737 nos Estados Unidos expressaram preocupação em novembro sobre como o nariz da aeronave de repente se inclinou para baixo depois de ativar o piloto automático.

Em ambos os casos, os comandantes disseram que conseguiram recuperar o controle da aeronave depois de desativar o piloto automático. Um dos pilotos diz que a descida começou dois ou três segundos após a ativação do piloto automático.

Depois dos acidentes, a empesa afirmou que estava “trabalhando em estreita colaboração com a FAA no desenvolvimento, planejamento e certificação de melhoria de software e será aplicado na frota de 737 MAX”

China,Economia,China,Blog do Mesquita

Entenda como empresas chinesas de tecnologia se tornaram gigantes globais

China,Economia,China,Blog do Mesquita

Em menos de duas décadas, diversas empresas chinesas de tecnologia chegaram à lista das maiores companhias globais em valor de mercado.

É o caso das chamadas BAT – Baidu, Alibaba e Tencent -, conhecidas popularmente como a versão asiática do trio Google, Amazon e Facebook, embora na prática essas companhias chinesas vendam muitos outros produtos e serviços de tecnologia.

Há ainda outras empresas criadas mais recentemente, como as gigantes eletrônicas Xiaomi e Didi Chuxing, que em menos de uma década partiram para conquistar o mundo e demonstraram a força comercial dos dragões asiáticos.

“Os empreendedores chineses criaram negócios para mercados globais replicando modelos chineses que foram exitosos”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Benjamin Harburg, sócio-diretor da MSA, empresa de capital de risco com sede em Pequim.

Para ele, a expansão global das empresas chinesas está só no começo.

Mas o caminho das empresas chinesas não está livre de empecilhos. No meio da guerra comercial entre os EUA e a China, há alguns dias foi presa no Canadá Meng Wanzhou, filha do fundador do gigante chinesa de telecomunicações Huawei e diretora financeira da companhia, ampliando a tensão política entre Washington e Pequim.

Logo da HuaweiDireito de imagem GETTY IMAGES
Huawei é líder na venda de aparelhos de telecomunicações

A Huawei, com 15% do mercado global, é a segunda maior fabricante de celulares e a maior fornecedora de aparelhos de telecomunicações. Mas sofre proibições em vários países ocidentais, que temem que Pequim obrigue a empresa a revelar segredos industriais e outras informações confidenciais que poderiam colocar em risco a segurança nacional desses países.

“É possível que algumas companhias chinesas possam significar uma ameaça de segurança nacional”, diz Scott Kennedy, diretor do Projeto sobre Negócios e Política Econômica da China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.

“Mas a resposta dominante tem sido identificar e manejar esses riscos, por exemplo, controlando exportações e impondo restrições nos investimentos”, acrescenta.

Essas são algumas das razões que explicam como as empresas tecnológicas chinesas se converteram em gigantes globais, segundo as visões distintas de especialistas consultados pela BBC Mundo.

1- Investir e adquirir empresas no exterior

Em 2015, a China investiu pela primeira vez mais no exterior do que empresas estrangeiras aplicaram no país, feito que refletiu o apetite das companhias chinesas ao redor do mundo e o desejo de Pequim de exibir sua projeção internacional.

Jovem chinês em realidade virtualDireito de imagem GETTY IMAGES
A partir de 2015, os investimentos chineses no exterior se aceleraram

Para o governo chinês, esse ponto de inflexão é resultado de sua estratégia de incentivar aquisições no exterior para estimular o crescimento interno.

A partir dali, com altos e baixos e diferenças setoriais, a tendência não parou. Um exemplo recente são os investimentos da Didi Chuxing na empresa Careem no Oriente Médio e na brasileira 99.

Também houve um crescimento orgânico de empresas tecnológicas como a Xiaomi, que se lançou na Bolsa neste ano e cresceu rapidamente na Índia.

2- Fornecer componentes a multinacionais ocidentais e montar produtos finais

Esse caminho tem sido a rota mais tradicional – originalmente para abastecer a cadeia global de produção com o uso de mão de obra barata, embora, com o tempo, tenha pavimentado o caminho para melhorar a produção local de produtos tecnológicos.

3- Tornar-se na fabricante original de marcas ocidentais

Ser a fabricante original de marcas ocidentais permitiu às empresas chinesas acumular know-how para impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país.

4- Penetrar mercados emergentes

As economias emergentes se transformaram no novo campo de batalhas das empresas tecnológicas chinesas, europeias e americanas.

Cidade chinesaDireito de imagem GETTY IMAGES
Os mercados emergentes são um campo de batalha

Parte das empresas chinesas conseguem entrar com preços mais baixos que suas rivais, pois mantêm custos baixos de produção (entre eles, salários menores e expedientes maiores).

5- Exportar um modelo de negócios testado localmente

Depois ter êxito no mercado local, as empresas chinenas de tecnologia trabalham com negócios flexíveis que são fáceis de adaptar, como, por exemplo, plataformas que integram uma variedade de serviços de comércio eletrônico em um só lugar.

É possível comprar, pagar e enviar mensagens num mesmo aplicativo.

6- Crescer internamente sem competição estrangeira

Várias companhias tecnológicas estrangeiras, como o Facebook ou o Google, têm sido proibidas ou sofrido restrições de operar no mercado chinês, uma decisão do governo que dá uma vantagem inigualável às empresas locais para que cresçam internamente, se capitalizem e saiam para competir no exterior.

Celular com aplicativos chinesesDireito de imagem GETTY IMAGES
Facebook e Google tiveram problemas para operar na China

7- Associar-se com empresas estrangeiras que chegam à China

Muitas empresas ocidentais, especialmente as oriundas dos Estados Unidos, criticam duramente a China por subsidiar suas empresas ou lhes dar facilidades que não se comparam com as restrições que as companhias estrangeiras têm de enfrentar quando tentam entrar no mercado chinês.

Uma delas é a obrigação que o governo da China impõe a empresas estrangeiras de terem que se associar a uma companhia local para operar no território chinês.

Dragão chinêsDireito de imagem GETTY IMAGES
As empresas estrangeiras devem se associar com firmas locais para operar no território chinês.

8- Capacitar em larga escala

Segundo os analistas, é importante levar em conta ainda a massiva chegada de estudantes chineses a universidades europeias e americanas. Esse cenário permitiu à China gerar uma força de trabalho altamente capacitada para desenvolver a tecnologia local e o forte investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

WhatsApp: como mandar mensagem sem precisar adicionar contato a agenda

Mensagem

Aplicativos permitem envio de mensagens a pessoas que não estejam na lista de contatos
Direito de imagem GETTY IMAGES

É comum que, para mandarmos uma mensagem de WhatsApp a alguém fora de nossa lista de contatos, acabemos adicionando essa pessoa em nossa agenda telefônica.

Só que isso retarda o processo, e há ocasiões em que se trata de um mero contato esporádico – que não necessariamente queremos permanentemente em nossa agenda.

É bom saber, então, que há formas de enviar mensagens de WhatsApp sem precisar adicionar o contato. A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, ensina como:

Pelo WhatsApp web

A versão web do WhatsApp (https://web.whatsapp.com/) é usada por quem prefere digitar as mensagens no computador, em vez de no celular. É preciso entrar na página e conectá-la com seu celular usando a leitura de código de barras.

Para mandar mensagens a números que não estão entre os seus contatos, basta digitar este endereço no seu navegador e substituir os X pelo número telefônico com quem você quer se comunicar, incluindo o código do país (sem o símbolo +):

Feito isso, você receberá uma solicitação com o número e a legenda: “enviar mensagem”. Basta clicar para que se abra um novo chat com esse número.

Instalando apps

Via celular, a saída é instalar um aplicativo – que também terá utilidade em outras ocasiões.

Um dos apps disponíveis é WhatsDirect, que permite mandar mensagens a contatos não listados, além de vídeos, fotos e áudio. O app está disponível no Google Play.

Outra opção é o Easy Message, disponível na Apple Store e com funcionalidades semelhantes

Fake News,Redes Sociais,Internet,Blog do Mesquita

Como é o WT:Social, a rede social ‘anti-Facebook’

Como é o WT:Social, a rede social ‘anti-Facebook’ sem anúncios nem fake news criada pelo fundador da Wikipedia

Telefone com a logo do site WikipediaDireito de imagem GETTY IMAGES
O projeto é independente do site Wikipedia

O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, criou uma nova rede social chamada WT: Social, que ele deseja transformar no “anti-Facebook”.

O site da plataforma diz que nunca venderá dados dos seus usuários e que se baseia na “generosidade de doadores individuais”, e não em anúncios para garantir sua existência.

Se você se registrar, você será adicionado a uma lista de espera e solicitarão que você convide outras pessoas ou escolha uma opção de assinatura paga: US$ 13 por mês ou US$ 100 por ano, o que equivale a aproximadamente R$ 55 a R$ 420.

O serviço se define como um site “focado em notícias” e diz que seus membros podem editar manchetes “enganosas”. A ideia, segundo o fundador da plataforma, é combater fake news.

imagem da tela do site WT: SocialDireito de imagemWT: SOCIAL
Image captionA proposta do site é funcionar com pagamento de assinaturas e não com anúncios ou venda de dados

Os usuários verão os artigos que seus contatos compartilham em um formato de “timeline” (ou mural), no qual os mais recentes aparecem primeiro, e não na ordem em que o algoritmo decide com base em seus interesses.

Novo modelo de negócios

A apresentação do site WT: Social diz que a plataforma dará ao usuário a possibilidade de “fazer suas próprias escolhas sobre o conteúdo que é veiculado e editar diretamente títulos enganosos ou sinalizar postagens problemáticas”.

“Vamos promover um ambiente em que aqueles que agem mal serão removidos porque isso é o correto, não porque isso repentinamente afeta nossos resultados.”

Em uma recente entrevista ao Financial Times, Wales definiu como “problemático” o modelo de negócios baseado em publicidade que favorece os gigantes da tecnologia nas redes sociais.

Símbolo do WT Social
A parte crucial do site WT:Social são as notícias, segundo as informações da plataforma

“Acontece que o grande vencedor é o conteúdo de baixa qualidade”, disse ele.

Wales lançou uma plataforma de notícias de colaboração aberta chamada Wikitribune em 2017, destinada a combater notícias falsas e com “histórias cidadãs”.

O objetivo era salvar o jornalismo na era da chamada “pós-verdade”.

No entanto, esse projeto falhou e em 2018 ele teve que deixar de lado sua equipe de jornalistas.

retrato de Jimmy Wales em 2019Direito de imagem MARTIN BUREAU/GETTY IMAGES
Jimmy Wales lançou uma plataforma de notícias de colaboração aberta chamada Wikitribune em 2017, destinada a combater notícias falsas e com ‘histórias cidadãs’

WT: Social é uma plataforma independente da Wikipedia.

A consultora de redes sociais Zoe Cairns disse que acha que a rede terá que aumentar seus usuários rapidamente para provar ser uma alternativa viável aos gigantes da área.

“Isso exigirá que invistam muito dinheiro”, disse ela à BBC. “As pessoas estão acostumadas a redes sociais gratuitas.”

“Acho que as empresas podem pagar por isso, mas as pessoas estão acostumadas a ter as notícias na ponta dos dedos sem pagar um centavo”.

Até agora, o WT: Social tem uma lista de espera para novos usuários devido à capacidade limitada de seu servidor, segundo o site, mas espera expandir essa capacidade e também a rede social em outros idiomas.

Crime Organizado,Brasil,Agricultura,Agro Tóxicos,Blog do Mesquita 01

Com drones e laços com PCC, quadrilhas de ladrões de agrotóxicos aterrorizam fazendeiros

Consumidores receosos com a quantidade de agrotóxicos na comida produzida no Brasil têm outro fator com que se preocupar: a possibilidade de que seus alimentos tenham sido cultivados com agroquímicos roubados.

Roubos de agrotóxicos se tornaram um dos maiores problemas de segurança pública em vários Estados brasileiros, alimentando o caixa de quadrilhas fortemente armadas e criando riscos sanitários à população e ao meio ambiente, pois os produtos ficam sujeitos à adulteração e à burla de normas técnicas.

Policiais investigam indícios de que ex-assaltantes de bancos e grandes facções criminosas — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — estejam migrando para a atividade. As quadrilhas utilizam métodos sofisticados em suas ações: suspeita-se que algumas usem drones para localizar agrotóxicos na fazendas.

Agricultores têm reagido à ofensiva ampliando os gastos com segurança privada e buscando parcerias com forças estaduais. Em Mato Grosso, um sindicato rural passou a oferecer recompensas em dinheiro para quem denunciar criminosos, e, em Goiás, fazendeiros financiaram a criação de uma divisão da Polícia Militar para combater os crimes.

Mercado ilegal de agrotóxicos

O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) estima que 20% dos agrotóxicos vendidos no Brasil tenham origem ilegal. A cifra abarca tanto produtos roubados quanto falsificados ou contrabandeados.

Como o comércio de agrotóxicos movimenta cerca de R$ 44 bilhões ao ano no Brasil, a fatia clandestina desse mercado corresponderia a R$ 8,8 bilhões. Isso é mais do que a metade do valor movimentado anualmente pelo tráfico de drogas no Brasil, conforme uma estimativa da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados.

O alto valor dos produtos e a menor presença policial em áreas rurais explicam o interesse das quadrilhas, diz à BBC News Brasil Flávio Henrique Stringueta, delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil de Mato Grosso. Segundo ele, o roubo e o furto de agrotóxicos são hoje os crimes que mais geram cobranças à polícia de Mato Grosso.

Stringueta diz que o maior roubo de agrotóxicos no Estado envolveu uma carga de R$ 12 milhões, e que os menores costumam movimentar valores em torno de R$ 300 mil. Ele afirma que não há estatísticas sobre os casos, mas “todas as regiões que são agrícolas têm um índice considerável de ocorrências”. O delegado acompanha o tema desde 2011.

Drone sobrevoa fazendaDireito de imagem GETTY IMAGES
Seguranças privados e policiais acreditam que quadrilhas estejam usando drones para localizar depósitos de agrotóxicos em fazendas

Normas técnicas burladas

As quadrilhas costumam vender os agrotóxicos roubados a intermediários, que os repassam a outros fazendeiros. Há casos em que os produtos são adulterados para ampliar os lucros das quadrilhas. Além de pagar preços abaixo do mercado, produtores que adquirem os itens roubados se livram de seguir normas técnicas que regem a venda de agrotóxicos no Brasil.

Quem compra um agroquímico em lojas deve apresentar uma prescrição assinada por um engenheiro agrônomo. Cabe a esse profissional orientar sobre o uso e determinar a quantia máxima a ser vendida, com base no tamanho da plantação.

Especialistas dizem que, quando a compra não segue esse procedimento, há mais chances de que o uso de agrotóxicos viole limites de segurança à saúde humana e ponha em risco os trabalhadores que os aplicam — ameaças que podem se agravar caso o produto tenha sido adulterado.

Membro do Grupo Técnico Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o biólogo Fernando Carneiro compara o comércio de agrotóxicos roubados ao contrabando de cigarros. “Assim como os cigarros, os agrotóxicos já são perigosos quando regularizados. O comércio ilegal amplifica esses riscos”, ele diz à BBC News Brasil.

Ex-servidor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e hoje pesquisador da Fiocruz no Ceará, Carneiro afirma que é “praticamente inexistente” a fiscalização do uso de agrotóxicos nas fazendas, o que facilita o emprego de produtos de origem ilegal.

Para combater a prática, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso sugeriu ao governo estadual a implantação de um sistema que permita rastrear os agrotóxicos da fábrica até o consumidor. A proposta está sendo estudada.

Operação contra roubo de agrotóxicosDireito de imagem DIVULGAÇÃO
Pessoas detidas em operação contra o roubo de agrotóxicos em Tocantins; regiões com forte produção de grãos concentram os casos

Fenômeno nacional

Os roubos de agrotóxicos se concentram nos Estados das regiões Sul, Norte, Sudeste e Centro-Oeste que, como Mato Grosso, têm grande produção de grãos, culturas associadas ao uso intensivo de produtos químicos. Também houve assaltos significativos em regiões produtoras de frutas, como o vale do São Francisco, no Nordeste.

As quadrilhas costumam entrar nas fazendas à noite e manter os funcionários como reféns. Geralmente se deslocam em caminhonetes roubadas e, em alguns casos, portam armas pesadas, como fuzis.

Na última segunda-feira (11/11), a polícia de Mato Grosso prendeu nove pessoas acusadas de integrar uma dessas quadrilhas. Entre os objetos encontrados com o grupo havia balaclavas e uniformes camuflados típicos das Forças Armadas.

Há a suspeita de que algumas quadrilhas estejam usando drones para localizar os depósitos de agrotóxicos. Stringueta diz que, cerca de seis meses atrás, seguranças privados em Primavera do Leste (MT) relataram que “drones desconhecidos” estariam sobrevoando plantações. O município é um dos mais visados pelas quadrilhas. Em Sinop (MT), há fazendeiros que orientaram seguranças a atirar em drones não identificados.

Assaltantes de bancos

Outra região mato-grossense cobiçada é a de Lucas do Rio Verde, onde um homem acusado de integrar uma quadrilha morreu durante uma abordagem policial em outubro. Houve troca de tiros, e um policial ficou ferido.

Stringueta diz que o aumento nos roubos de agrotóxicos em Mato Grosso ocorre enquanto há uma queda expressiva nos assaltos a bancos. “Acreditamos que houve uma migração dos ladrões para esse tipo de crime”, afirma. “O rendimento de um roubo de defensivo (agrotóxico) é muito maior do que de um roubo a banco, e é muito mais difícil pegar o ladrão, porque ele pode agir em qualquer lugar, longe das áreas urbanas”, diz o delegado.

Ele afirma que as quadrilhas costumam agir sob encomenda, priorizando produtos mais caros. Entre os itens mais procurados estão os fungicidas Priori Xtra, da Sygenta, e Fox, da Bayer. Um litro de cada produto vale cerca de R$ 120.

O delegado diz acreditar que o Comando Vermelho, quadrilha fluminense que domina o tráfico de drogas em Mato Grosso, também esteja envolvido com a atividade.

agrotóxico em plantação de sojaDireito de imagem GETTY IMAGES
Aplicação de agrotóxico em lavoura de soja; fungicida cujo litro custa cerca de R$ 120 é um dos mais buscados pelas quadrilhas

Em 2016, a polícia de São Paulo obteve um indício de uma possível associação do PCC com o roubo de agrotóxicos. Naquele ano, uma operação em Ribeirão Preto resultou na prisão de seis pessoas, entre as quais um homem acusado de liderar a facção na região. Segundo a polícia, um dos detidos havia participado de um roubo de agrotóxicos na cidade no ano anterior.

Intercâmbio entre polícias

A participação do PCC no roubo de agrotóxicos foi debatida em uma reunião entre policiais militares de vários Estados na sede da Confederação Nacional da Agropecuária (CNA), em agosto, em Brasília. Carlos Frederico Ribeiro, coordenador do Instituto CNA, diz que, segundo os policiais, a facção estaria expandindo suas operações para zonas rurais para aproveitar a falta de policiamento nessas áreas.

A CNA tem organizado encontros para que as forças estaduais compartilhem estratégias de combate a roubos em fazendas. Uma das experiências consideradas bem-sucedidas é a Patrulha Rural Georreferenciada, unidade da Polícia Militar de Goiás lançada em 2017 com o apoio financeiro de fazendeiros e hoje presente em 80 dos 246 municípios do Estado. Segundo a CNA, os produtores rurais ajudaram a construir delegacias e doaram veículos e equipamentos à divisão.

A unidade mantém um banco de dados das propriedades rurais, com coordenadas em GPS e a relação de bens nas fazendas. Quando há uma emergência, a polícia se desloca ao local em posse dessas informações.

O uso de tecnologias georreferenciadas (baseadas em coordenadas de GPS) é visto como o principal diferencial da unidade. O sistema facilita o deslocamento dos policiais por estradas que, muitas vezes, não têm qualquer sinalização e ficam em áreas remotas, condições que facilitam a fuga das quadrilhas.

Outra iniciativa destacada foi a criação de um disque-denúncia pelo Sindicato Rural de Sorriso (MT). A entidade oferece até R$ 5 mil a quem fornecer informações que levem à recuperação de agrotóxicos roubados.

Crime hediondo

Em outra frente, a bancada ruralista no Congresso quer endurecer as penas para quem roubar agrotóxicos. Em 2015, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) apresentou um projeto de lei que inclui no rol de crimes hediondos o roubo, o furto, a receptação e o contrabando desses produtos. A proposta está em tramitação.

A causa também mobiliza o presidente Jair Bolsonaro. Em 2016, quando era deputado federal, ele elaborou um projeto de lei que tipifica o crime de “furto, roubo, dano e receptação de defensivos agrícolas”, medida que buscaria desencorajar as quadrilhas.

Se aprovada, será a terceira proposta legislativa que Bolsonaro apresentou em seus 28 anos como deputado a sair do papel.

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O que aconteceria no mundo se o GPS parasse de funcionar

Gráfico mostra uma rede de serviços conectadosDireito de imagem GETTY IMAGES

Se sistemas de GPS parassem de funcionar, teríamos que nos localizar sozinhos, mas há outras consequências sobre as quais não pensamos

O que aconteceria se os sistemas de GPS parassem de funcionar?

Para começar, teríamos que usar nossos cérebros para prestar atenção para o mundo ao redor de nós quando fôssemos de A a B. Talvez isso não fosse algo ruim: teríamos menos probabilidade de parar em rios e penhascos por causa da nossa confiança cega nas ferramentas de navegação.

Você provavelmente já ouviu várias histórias sobre pessoas que se perderam justamente por causa do GPS. A minha é de um casal sueco que escreveu errado o nome da ilha italiana de Capri e acabou a quilômetros dali em Carpi, perguntando onde estava o mar.

Mas há exceções.

Aparelhos que usam GPS, sigla para “sistema de posicionamento global”, em inglês, normalmente impedem que a gente se perca. Se falhassem, as avenidas estariam entupidas de motoristas parando para ler placas ou parando para consultar mapas. Se seu transporte envolve trens, não haveria painéis de informação te avisando quando esperar a próxima chegada.

Sem GPS, nossos sistemas de emergência teriam dificuldades: operadores não poderiam localizar as pessoas ligando pelo seu sinal de telefone, ou identificar a ambulância ou carro de polícia mais próximos.
Visão aérea de contêineres no porto de Qingdao, em maio de 2019Direito de imagem GETTY IMAGES
Contêneires são carregados e descarregados automaticamente usando GPS para guiar guindastes

Haveria gargalos em portos: contêineres são carregados e descarregados automaticamente usando GPS para guiar os guindastes.

Prateleiras de supermercado poderiam ficar vazias, com sistemas de logística parados. Fábricas poderiam ficar sem produção porque seus produtos não chegaram a tempo.

Agricultura, construção, pesca, pesquisas — há outras indústrias mencionadas por um relatório do governo do Reino Unido que calcula o custo de uma falha nos sistemas de GPS em cerca de US$ 1 bilhão por dia nos primeiros cinco dias.

Se durasse muito mais, teríamos que começar a nos preocupar com o funcionamento de vários outros sistemas que talvez não tivessem nos ocorrido se pensássemos no GPS só com um serviço de localização.

É isso, mas também é um serviço de tempo.

Imagem do programa 50 Things That Made the Modern Economy
O sistema de navegação GPS combina informações precisas enviadas por 24 satélites

O GPS é um sistema de navegação formado por 24 satélites que carregam relógios sincronizados a partir de uma precisão extrema.

Quando seu smartphone usa GPS para te localizar no mapa, ele está pegando sinais de alguns desses satélites — e está fazendo cálculos baseados no tempo em que o sinal foi enviado e onde o satélite estava.

Se os relógios nesses satélites mudarem por um milésimo de segundo, sua localização pode acabar ficando em um lugar a 200 km ou 300 km de onde você está.

Então se você quiser informação extremamente precisa sobre o tempo, o GPS é o aparelho para isso.

Considere redes telefônicas: suas ligações compartilham espaço com outras por meio de uma técnica chamada multiplexação — os dados são codificados, misturados e decodificados na outra ponta.

Uma falha de um centésimo de segundo pode causar problemas. Pagamentos bancários, mercado de ações, redes elétricas, televisão digital, a “nuvem” — tudo depende de diferentes locais estarem de acordo no tempo.

Se os GPS falhassem, por quanto tempo e quão bem os sistemas de back-up segurariam esses sistemas? A resposta, não muito tranquilizadora, é que ninguém realmente sabe.

Os GPS às vezes são chamados de “utilitário invisível”.

Precificar o GPS é quase impossível. Como o autor Greg Milner escreve no livro Pinpoint: How GPS is Changing Our World (Precisão: Como o GPS está mudando nosso mundo, em tradução livre), temos que nos perguntar: Quanto vale o oxigênio para nosso sistema respiratório?

É uma história incrível para uma invenção que em primeiro lugar ganhou apoio no Exército americano porque poderia auxiliar em bombardeios, embora não tivesse certeza de que precisaria do sistema. Uma resposta típica era: “Eu sei onde estou, por que preciso que um satélite me diga?”

Os ganhadores do prêmio Richard Schwartz, Brad Parkinson, James Spilker Jr e Hugo FruehaufDireito de imagem LAYTON THOMPSON
Os pioneiros do GPS, Richard Schwartz, Brad Parkinson, James Spilker Jr e Hugo Fruehauf receberam o prêmio de Engenharia da Rainha Elizabeth, no Reino Unido

O primeiro satélite de GPS foi lançado em 1978 — mas não foi até a primeira Guerra do Golfo, em 1990, que os céticos mudaram de ideia.

Enquanto a Operação Tempestade de Areia se deparava com uma tempestade literal, com redemoinhos de areia reduzindo a visibilidade para 5 metros, o GPS permitiu com que soldados marcassem o local de minas, encontrassem o caminho de volta para fontes de água e evitassem ficar no caminho de outros soldados.

Salvou vidas, e o Exército tinha tão poucos receptores que soldados pediram para suas famílias nos Estados Unidos gastarem seu próprio dinheiro enviando aparelhos de mil dólares disponíveis comercialmente.

Soldados aliados durante a Guerra do Golfo em sua ofensiva contra o KuwaitDireito de imagem GETTY IMAGES
A tecnologia GPS foi extremamente útil para soldados aliados durante a ofensiva terrestre da Guerra do Golfo contra o Kuwait

Dado a vantagem militar que o GPS dava, por que o Exército dos Estados Unidos estava feliz com todos usando o produto? A verdade é que não tinha muito o que fazer sobre isso.

Eles tentaram fazer com que os satélites enviassem dois sinais — um preciso para seu próprio uso e um degradado para civis — mas empresas encontraram formas inteligentes de conseguir mais foco dos sinais degradados. E o boom econômico estava se tornando mais pleno.

Em 2000, o presidente Bill Clinton admitiu o inevitável e disponibilizou o sinal com boa qualidade para todos.

O pagador de impostos americanos paga bilhões de dólares por ano para manter os GPS funcionando, e isso é muito gentil da parte deles. Mas é razoável que o resto do mundo dependa de sua generosidade?

Na verdade, o GPS não é o único sistema global de navegação por satélite.

Lançamento de satélite de em 25 de agostoDireito de imagem GETTY IMAGES
O serviço Beidou, da China, está expandido rapidamente, com mais de 10 lançamentos de satélite em 2018

Tem um russo, também, chamado Glonass — mas não é tão bom. A China e a União Europeia têm seus projetos bastante avançados, chamados Beidou e Galileo, respectivamente. O Japão e a Índia também estão trabalhando em sistemas.

Esses satélites alternativos podem nos ajudar com problemas específicos ao GPS, mas também podem ser alvos militares sedutores em futuros conflitos. Dá para imaginar uma guerra espacial deixando todo mundo offline. Uma tempestade solar também poderia provocar isso.

Também há alternativas terrestres para a navegação por satélite. A principal se chama eLoran, mas ela não cobre o mundo todo. Alguns países estão investindo mais que outros em seus sistemas nacionais.

Um grande apelo do eLoran é que seus sinais são mais fortes. Quando os sistemas GPS completam seus trajetos de 20 mil quilômetros em direção à Terra, estão extremamente fracos — o que facilita a intromissão nesses sistemas, se isso for feito por alguém que sabe o que está fazendo.

Aeroporto Ben Gurion, em IsraelDireito de imagem GETTY IMAGES
A Rússia nega sugestões de Israel de que esteja por trás da interferência em sinais de GPS no maior aeroporto israelense

As pessoas pagas para pensar sobre essas coisas se preocupam menos com cenários apocalípticos —acordar um dia e encontrar tudo offline— e mais com terroristas em potencial ou nações que podem criar o caos promovendo sinais imprecisos de receptores de GPS em determinada área.

O professor de engenharia Todd Humphreys já mostrou que esse tipo de interferência pode derrubar drones e desviar super-iates. Ele se preocupa que autores de ataques poderiam facilmente “fritar” grades elétricas, acabar com redes de celular ou mercados de ações.

A verdade é que é difícil saber quanto dano a interferência em sinais de GPS pode causar.

Mas é só perguntar para aqueles turistas suecos em Carpi. Saber que você está perdido é uma coisa; ser incorretamente convencido de que você sabe onde está é outro problema.

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WhatsApp e segurança

WhatsApp: a desinstalação do aplicativo de mensagens pode tornar seu telefone mais seguro?

Logotipo do WhatsApp com um gráfico por trás.

Direitos de imagem GETTY IMAGES
Telefones de ativistas, jornalistas e diplomatas foram bancos de ataques cibernéticos recentemente e suas mensagens do WhatsApp vazaram.

O WhatsApp é um dos maiores aplicativos populares de mensagens instantâneas do mundo. Mas é o mais seguro?

No final de outubro, o WhatsApp, cujo dono é o Facebook, entrou com uma ação contra o Israel NSO Group, que fabrica software de vigilância conhecido como Pegasus, alegando que a empresa estava por trás de ataques cibernéticos. Os hackers conseguiram instalar remotamente software de vigilância em telefones e outros dispositivos, aproveitando uma vulnerabilidade significativa no aplicativo de mensagens.

O WhatsApp acusa a empresa de enviar malware para aproximadamente 1.400 telefones celulares, a fim de espionar jornalistas, ativistas de direitos humanos, dissidentes políticos e diplomatas em todo o mundo, embora sejam principalmente da Índia.

Homem encapuzado com um telefone.Direitos de imagem GETTY IMAGES
O software de vigilância é conhecido como Pegasus.

No México, por exemplo, o caso era conhecido porque era usado para espionar figuras públicas como a jornalista Carmen Aristegui.

O jornal The Washington Post disse que o telefone Jamal Khashoggi Arábia jornalista, que foi morto no consulado saudita em Istambul no ano passado, foi “infectado” com um programa da empresa israelense.

O Grupo NSO, entretanto , rejeita as acusações e disse que sua missão é a de uma empresa dedicada a prestar serviços aos governos para combater “contra o terrorismo”.

Em uma apresentação em um tribunal em São Francisco, Estados Unidos, o WhatsApp disse que o NSO Group “desenvolveu seu malware para acessar mensagens e outras comunicações depois que elas foram descriptografadas nos dispositivos de destino”.

Após esse escândalo de segurança cibernética, alguns usuários estão procurando outras opções além do WhatsApp , incluindo aplicativos de mensagens como Signal ou Telegram, que são criptografados com mais segurança.

E muitos outros estão pensando em desinstalar o aplicativo WhatsApp de seus telefones. Mas essa é a solução?

Criptografado, mas vulnerável

WhatsApp em um telefone.Direitos de imagem GETTY IMAGES
O aplicativo WhatsApp entrou com uma ação contra o Israel NSO Group alegando que a empresa estava por trás de ataques cibernéticos que infectaram dispositivos com software malicioso.

Especialistas dizem que o WhatsApp, um aplicativo usado por aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas em 180 países (apenas a Índia é de 400 milhões), está sofrendo a pior parte do ataque cibernético que não é inteiramente culpa deles.

Embora uma vulnerabilidade no recurso de chamada de vídeo do aplicativo permita que o spyware funcione sem a intervenção do usuário , ele eventualmente infectou o telefone devido a falhas nos sistemas operacionais do dispositivo.

“As vulnerabilidades que os spywares sabiam explorar estavam no nível do sistema operacional, seja Android ou Apple”, disse Vinay Kesari, advogado especializado em privacidade de tecnologia.

“Se houver um programa de espionagem no seu telefone, tudo o que for legível ou o que passa pela sua câmera ou microfone estará em risco ” , disse o consultor de tecnologia Prasanto K. Roy.

O WhatsApp é promovido como um aplicativo de comunicação “seguro” porque as mensagens são criptografadas do começo ao fim. Isso significa que eles devem ser exibidos apenas de forma legível no dispositivo do remetente ou do destinatário.

“Nesse caso, não importa se o aplicativo está criptografado ou não, uma vez que o spyware está no seu telefone, os hackers podem ver o que está no seu telefone como você o vê, isso já está descriptografado e de forma legível nesta fase “, descreveu Prasanto K. Roy à BBC.

“Mas o mais importante é que essa violação mostra como os sistemas operacionais são vulneráveis “, acrescentou.

Alterações na aplicação

Uma mulher indiana fala ao telefone.Direitos de imagem GETTY IMAGES
Os usuários mais afetados pela filtragem de mensagens do WhatsApp são da Índia, um dos mercados da Internet que mais crescem no mundo.

Desde que o WhatsApp reconheceu essa violação de segurança e entrou com a ação, grande parte da conversa nas redes se concentrou em mudar para outros aplicativos de mensagens.

Uma das opções mais comentadas é o Signal , conhecido por seu código-fonte aberto, ou seja, é um modelo de desenvolvimento de software baseado em colaboração aberta que todos podem ver.

Mas isso significa que seu telefone estaria melhor protegido contra um ataque? Não necessariamente, dizem os especialistas.

“Com o Signal, há uma camada adicional de transparência porque eles liberam seu código para o público. Portanto, se você é um desenvolvedor de código sofisticado e a empresa diz que corrigiu um erro, pode acessar o código e ver por si mesmo”, disse ele. Kesari

“Mas isso não significa que o aplicativo tenha uma camada adicional de proteção contra esses ataques”.

Prasanto K Roy diz que esse ataque em particular foi além do aplicativo de mensagens.

“Para aqueles cujos telefones estavam comprometidos, todas as informações estavam em risco, não apenas o WhatsApp”, disse Roy.

No momento, não há motivos para acreditar que o WhatsApp seja “menos seguro” do que outros aplicativos, acrescentou.