Tasso Jereissati,Temer e inocência?

Senador Tasso Jereissati: “Temer precisa comprovar inocência para ter autoridade”.

Hã?
Inocência? Que desculpa é essa agora? O cara foi gravado cometendo crime! Jamais esperei que um homem tão inteligente – capaz de um diagnóstico tão cirúrgico e pertinente como: “Estamos vivendo um sistema político que apodreceu e morreu. A corrupção que era de batedor de carteira virou de quadrilhas internacionais” – nos considerasse um bando de néscios.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Naturalmente ao nomear o sr. Sérgio Machado como primeiro ministro nos governos de Vsa., e ainda cogitar de fazer o Sr. Machado vosso sucessor, estender tapete vermelho para ascensão ao palcos dos Gomes, Vsa. Exa. não se considera responsável por “esse sistema político apodrecido”?

Uma perguntinha mais metafísica que retórica senhor senador:
Se o sistema político está podre, por que o PSDB continua no governo desse sistema?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

 

A idolatria

Escrevi um texto com uma argumentação reconhecendo alguns pontos do discurso do Senador Tasso Jereissati na tribuna do Senado.

Com o respeito que a liturgia do cargo exige, e com a educação à qual o senador, por que em sua atuação como parlamentar não há deslustre, mas também ponderei os meus pontos de vistas. Todo o texto grafado com respeito e elegância, dirigindo-me ao político, e não ao cidadão, pois o assunto tema era essencialmente político partidário.
Mesmo assim, 48 seguidores?; admiradores?; do insigne senador, que não admitem críticas ao ídolo, nem aceitam o contraditório no embate das idéias, cortaram-me de suas listas de “amigos”.
Lamento, pois pensava que os conhecia, pois parceiros da convivência fraterna, ou respeitosa desde à nossa feliz adolescência, apesar de todos nós atravessarmos as agruras de uma ditadura, que, pelo andar do tempo, não lhes ensinou a combater o bom combate que se deve travar no campo das ideias.
Por outro lado, nesses momentos nos quais a idolatria e a necessidade de cultivos aos bezerros de ouro – ênfase no ouro -, se tornam mais atraentes que o brilho do caráter, as brumas com as quais cada qual envolve e disfarça o verdadeiro “eu” por trás de sorrisos, desvanecem-se quando ante qualquer incômoda lanterna de Diógenes.
Eu escrevo para propagar a reflexão e não para impor concordâncias.
“Divergência de opinião jamais deve ser motivo para hostilidade.” Gandhi

Eleições 2014: Ceará – sobre postes e oportunismos.

Poste Blog do MesquitaDurante a última campanha eleitoral para prefeito de Fortaleza presenciei cenas inusitadas e que agora deixam os atores da pantomima com cara de paisagem. Mas, essa paisagem é de um cinismo sequer passível de valoração.

Vi em cruzamentos da cidade – uma noite ás vésperas da eleição a “entourage” do governador Cid Gomes seguido de assessores, e dos costumeiros puxa sacos furibundos antipetista – aliás ainda estou tentando decidir o que é mais nefasto; um petista fanático ou um anti petista fanático – colando adesivos de propaganda do então candidato a prefeito, em veículos que paravam no sinal.

Um parente meu, e inúmeros conhecidos, de tão antipetista abdicaram de comer picanha e beber vinho tinto somente por que carne e vinho são vermelhos. E sonhavam com uma lei para que obrigasse os veículos dos bombeiros serem pintados de azul.
Agora como ficam tais criaturas que pela mesma fidelidade ao sr, Roberto Cláudio terão que votar no PT e apoiar a reeleição de Dona Dilma?

Ps 1. E ainda terão que trabalhar para colocar de pé um novo poste – o poste à época foi combatido como sendo a encarnação do mal. Agora os postes, antes antagônicos dividirão agora o mesmo palanque oportunista.
Ps 2. Em minhas décadas de vida já presenciei todo tipo de promiscuidade na política. Mas, jamais imaginei que testemunharia assistir o sr. Tasso Jereissati e o sr. Eunício Oliveira compartilharem um mesmo palanque.


[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Tópicos do dia – 21/08/2012

14:42:10
Eleições 2012: Erundina acusa PT de comprar apoio de Paulo Maluff.

Afirma a deputada Luiza Erundina do PSB de S. Paulo, que o partido dos trabalhadores fez a negociata para garantir maior tempo na propaganda eleitoral — que não é gratuita!Nós, os abestados é que pagamos. Em 8 anos, o horário eleitoral custou R$ 4 bilhões à União, e como a União vive de nossos impostos… —   TV. “Houve barganha: o Maluf exigiu a Secretaria de Habitação, que tem obras, no governo do Geraldo Alckmin em troca do apoio à candidatura do José Serra”, disse. “Como o Alckmin se negou a dar a secretaria, ele veio para o Haddad. A presidenta Dilma deu para o Maluf uma secretaria nacional com mais recursos orçamentários. Foi pago para que o Maluf se coligasse com o PT”, acusou.

16:33:26
PSDB terá voto em separado na CPI do Cachoeira.

Certos de que o relator da CPI mista do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), deverá pedir o indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), os tucanos já estão preparando voto em separado, com acusações contra os contratos firmados entre o governo federal e a Delta Construções, ligada ao bicheiro. A ordem do partido aos membros da CPI é centrar fogo na Delta a partir desta semana.

CPI da Delta
O PSDB também concentra esforços no cruzamento de dados a fim de tentar descobrir vínculos da Delta com o governo federal.

Pior que está, fica
O PSDB pediu a convocação de Íris Rezende, mas nem toca em Sérgio Cabral. Sem força na CPI, não quer comprar briga com o PMDB.

Acordão
Em reação, o PMDB ameaça convocar governador Simão Jatene (PA), do PSDB, mas quer mesmo é colocar panos quentes na discussão.
coluna Claudio Humberto

16:56:20
Duas questões aguardam votação no Supremo Tribunal Federal (STF): o direito de greve dos policiais civis e o direito do governo de descontar dias parados do salário dos grevistas, ainda sem data marcada.

O primeiro passo para que os assuntos sejam colocados em votação já foi dado, a chamada repercussão geral.
No procedimento, o relator do caso, ministro Ricardo Lewandowski, manifesta que reconhece a importância do assunto e o coloca na espera para ser julgado.  No caso do direito de greve dos policiais civis, Lewandowski, lembrou que não há regras para a interrupção dos trabalhos da categoria, por isso, a Justiça deve se posicionar sobre o assunto.

“Diante da ausência de norma regulamentadora da matéria, fica demonstrada a relevância política e jurídica do tema”, disse o magistrado, ao decidir colocar o caso em julgamento.
coluna Claudio Humberto

17:50:32
Tasso e Luizianne almoçam juntos no Paço

A prefeita Luizianne Lins almoça nesse momento no Paço Municipal com o ex-senador Tasso Jereissati. A reunião foi acertada quando os dois conversaram ao participar do casamento do filho do dono da Marquise, José Carlos Ponte, em Guaramiranga, dois sábados atrás. Oficialmente, o pretexto é a apresentação, por Tasso, do projeto de expansão do Iguatemi.

O clima entre os dois, que no passado foi de muita turbulência, troca de críticas e confrontos políticos, há algum tempo que parece viver um novo momento. Mais tranquilo. Na segunda quinzena de abril, por exemplo, Tasso e Luizianne sentaram-se lado a lado no Teatro José de Alencar quando do evento organizado pela TV Jangadeiro para marcar sua volta à Rede Bandeirantes de Televisão. Em clima de bons amigos, conversando animadamente.

O almoço de hoje poderia ter acontecido sexta-feira passada, mas terminou adiado por incompatibilidade de agendas. Apesar do esforço, de parte a parte, de dar ao encontro caráter puramente empresarial ou meramente administrativo, é muito difícil que a petista e o tucano não dediquem uma parte do tempo de conversa para o cenário político.

O encontro, impensável quando se projetava a campanha eleitoral de Fortaleza no seu início, já consta entre os fatos mais surpreendentes da política de 2012. Fica a dúvida, que apenas o tempo permitirá uma resposta: será um evento isolado ou haverá desdobramentos?

Vale destacar que desde quando Ciro Gomes deixou o Paço Municipal para assumir o governo do Estado, muito tempo atrás, que Tasso Jereissati lá não pisava. E a responsável pela proeza de levá-lo de volta ao histórico local viria a ser, exatamente, uma das suas adversárias mais implacáveis. Coisas da política.
Guálter George/blog segunda leitura


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Ciro Gomes em busca de um lugar ao sol no ministério de Dilma Rousseff

Línguas mais ferinas costumam dizer que o paulista de Sobral, devido aos rompantes destemperados e ao uso contumaz de hábitos camaleônicos, seria um Itamar Franco que dá errado.

Vai-se confirmando a impressão que o político cearense é um estorvo para qualquer partido político.

O Editor


Saga cearense

A saga de Ciro Gomes continua se revelando uma das mais patéticas da política nacional. De político renovador que acabou com as oligarquias cearenses, tornou-se símbolo de sua própria oligarquia, e acabou dando a volta ao mundo para acabar novamente em Sobral, que já teve seu irmão como prefeito e, tudo indica, terá um representante seu no ministério do primeiro governo Dilma, com o patrocínio político de seu grupo cearense.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

De quase-presidente eleito em 2002, Ciro Gomes está prestes a tornar-se um político sem mandato e sem apoio político de seu próprio partido, o PSB, que entrou em polvorosa quando a presidente eleita o convidou pessoalmente para assumir o ministério da Integração Nacional.

A começar pelo presidente e principal líder do PSB, o governador reeleito em Pernambuco Eduardo Campos, houve reação de todos os lados contra sua indicação.

Campos tinha um candidato pessoal ao ministério e não abriu mão para Ciro.

O PMDB fez questão de revelar seu descontentamento com a volta de Ciro ao primeiro plano do governo do qual se sente sócio.

O vice presidente eleito, Michel Temer, que Ciro chamou de comandante de um agrupamento sem escrúpulos, mandou seu recado: como ministro, Ciro lhe deveria obediência hierárquica, e teria que ter “contenção verbal”.

Ciro ficou conhecido pela virulência de sua fala, o que lhe valeu o apelido de “língua de aluguel” do governo, especialmente quando se referia ao tucano José Serra.

Na eleição presidencial de 2002, houve um momento da campanha em que o então candidato do PPS, Ciro Gomes, apareceu na frente de Lula.

O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, dizia que sua situação era tão confortável que, se Ciro tivesse viajado com a mulher, Patrícia Pillar, e desaparecido da campanha, poderia ter sido eleito.

Em vez disso, prosseguiu na campanha e, entusiasmado pela aprovação popular que colhia naquele momento, deixou-se perder pela boca, o que, aliás, tornou-se seu hábito.

Xingou de burro um eleitor que o questionava num programa de rádio, fez comentários machistas em relação a sua mulher Patrícia Pillar, e se perdeu completamente, não conseguindo nem mesmo ir para o segundo turno.

Nunca ninguém foi tão humilhado publicamente quanto Ciro Gomes na campanha eleitoral deste ano, impedido de apresentar sua candidatura à presidência da República pelo próprio Lula, que o induziu a erro ao sugerir que transferisse seu título eleitoral para São Paulo a fim de disputar o governo daquele estado.

Não conseguiu apoio do PSB, que tinha o empresário Paulo Skaf como candidato, um dos maiores absurdo políticos de nossa história recente, foi bombardeado pelo PT, e acabou não podendo nem mesmo ser candidato a deputado federal.

Vendo o cerco contra sua candidatura à presidência na eleição deste ano se apertar, Ciro voltou a usar sua língua ferina, desta vez contra o próprio governo.

Disse que Lula “viajou na maionese”, estava enganado pensando que era Deus e que tudo podia.

Disse que Serra era mais preparado para exercer a presidência da República do que Dilma.

E caiu em desgraça junto ao PT, ao PMDB e ao próprio PSB, cujo presidente Eduardo Campos conspirou com Lula para inviabilizar a candidatura de Ciro.

A relação conflituosa de Ciro com Lula levou até mesmo a que ele rompesse com seu maior aliado político no Ceará, o senador Tasso Jereissati, que já abandonara o candidato tucano José Serra para apoiá-lo em 2002.

Pois Ciro traiu o acordo branco que tinha com Tasso no Ceará para tentar se aproximar mais de Lula, mas não teve a contrapartida.

O que Lula queria era uma disputa polarizada entre Dilma e Serra, ou entre PT e PSDB, ou, melhor ainda, entre ele e Fernando Henrique.

E Ciro insistia em quebrar essa polarização, alegando que era melhor para os governistas que houvesse mais candidaturas.

Lula mostrou-se certo, do ponto de vista de seu interesse pessoal, na estratégia, tanto que foi a presença de Marina Silva pelo PV que impediu que a disputa se resolvesse já no primeiro turno.

Mas, naquele momento, registrei aqui na coluna que o que menos importava era o que pensa ou diz o deputado Ciro Gomes. “Goste-se ou não da maneira como o deputado federal Ciro Gomes faz política, uma coisa é certa: sua desistência forçada à disputa da Presidência da República é um golpe na democracia”, escrevi então.

Considerava, e ainda considero, que a interferência frontal do presidente Lula para inviabilizar uma candidatura em benefício da que escolhera era uma agressão do ponto de vista democrático à livre escolha do eleitor.

Conchavos de gabinete com o objetivo de transformar em plebiscito uma eleição em dois turnos, concebida justamente para dar ao candidato eleito a garantia de apoio da maioria do eleitorado, reduziram o sentido da eleição.

Ciro foi de diversos partidos, inclusive da Arena no tempo da ditadura, mas teve sucesso político no PSDB, pelo qual chegou a ser ministro da Fazenda na transição do governo Itamar Franco.

Foi chamado às pressas para apagar um incêndio que ameaçava a candidatura presidencial de Fernando Henrique Cardoso.

O então Ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, foi flagrado com o microfone aberto em um programa de televisão dizendo coisas como “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

Ciro Gomes era um jovem político de sucesso que governava o Ceará, e foi uma grande solução política para o momento.

Esse período serviu também para que se tornasse adversário ferrenho tanto do ex-presidente quanto de José Serra, a quem, pela gana que tem, deve atribuir uma atuação decisiva para que não tenha continuado ministro da Fazenda.

Na ocasião, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso ofereceu-lhe o posto de Ministro da Saúde, que Ciro recusou, considerando uma ofensa a oferta.

Anos depois, José Serra, derrotado na disputa para a Prefeitura de São Paulo, ocupou o ministério da Saúde e alavancou sua carreira política, tornando-se candidato a presidente em 2002.

Até hoje medidas adotadas no ministério, como os genéricos, lhe rendem uma visibilidade política importante.

Pois, ironicamente, Ciro hoje tinha como seu sonho de consumo assumir o ministério da Saúde no governo Dilma, o que lhe foi negado liminarmente.

Merval Pereira/ O Globo

Eleições 2010: Polícia Federal isenta o PT da quebra do sigilo de tucanos

Festival de espionagem.
Polícia Federal isenta o PT da quebra do sigilo de tucanos e mostra indícios de que se trata de fogo amigo no PSDB.

“Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério da Saúde e envolve o ministro José Serra
Senador José Sarney, em discurso no plenário em 2002.

COMPANHEIRO

O delegado-deputado não reeleito Marcelo Itagiba é apontado como parceiro de Serra em operações polêmicas desde 2002.

Há quase cinco meses, líderes do PSDB procuram responsabilizar o PT pela quebra ilegal dos sigilos fiscais de Eduardo Jorge Caldas, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Verônica Serra e outros tucanos de vistosa plumagem ligados ao presidenciável José Serra.

Desde junho, pressionam a Polícia Federal e a Corregedoria da Receita para que as investigações sejam conduzidas na direção de um crime político.

Na última semana, os primeiros resultados das apurações da PF se tornaram públicos e o que se constata é que de fato houve um crime com motivação política, mas praticado no contexto de uma disputa interna do PSDB.

Não há nenhum documento ou depoimento colhido durante as investigações que indique a possibilidade de ter ocorrido o uso criminoso do Estado para o favorecimento de alguma candidatura, como acusam os tucanos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

As investigações não permitem afirmar que petistas tenham aliciado funcionários da Receita para a quebra dos sigilos. A principal testemunha é o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que confessou ser o contratante do serviço criminoso.

Ele prestou três depoimentos que totalizam 13 horas de inquirição e afirmou que tanto a encomenda feita ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia como o recebimento dos documentos sigilosos ocorreram em outubro do ano passado, quando, apesar de estar em férias, trabalhava para o jornal “O Estado de Minas”. O jornalista também explicou as razões que o levaram a bisbilhotar os sigilos fiscais dos tucanos.

“Minha investigação não foi feita para a campanha,mas poderia proteger o Aécio se fosse necessário” Segundo Amaury Ribeiro Júnior, através do delegado e ainda deputado
(não foi reeleito) Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), desde 2008 o presidenciável José Serra procurava montar um dossiê contra o então governador de Minas, Aécio Neves.

Muito ligado a Serra, Itagiba, que comandou o serviço de inteligência da Polícia Federal durante o governo de FHC, teria instalado em Belo Horizonte um grupo composto por três ex-agentes da PF e um da Abin para rastrear as ações de Aécio, públicas e privadas. “Minha investigação não foi feita para a campanha, mas poderia proteger Aécio se fosse necessário”, diz o jornalista.

Também tucano e com enormes índices de aprovação, em outubro do ano passado Aécio pleiteava disputar a Presidência da República e representava um obstáculo real no caminho de Serra. O jornalista, que já colecionava algumas informações sobre os bastidores das privatizações ocorridas na gestão de FHC, passou então a investigar as pessoas ligadas a Serra, provavelmente sem o conhecimento de Aécio.

As informações sobre o conteúdo dos sigilos fiscais dos líderes só chegaram ao conhecimento de alguns petistas em abril, levadas pelo próprio jornalista, interessado em fazer parte da pré-campanha de Dilma. O grupo que manteve contato com Ribeiro Júnior, no entanto, não chegou sequer a participar da campanha propriamente dita, pois acabou afastado antes das convenções partidárias.

“Integrantes do PT tiveram conhecimento das informações obtidas pelo jornalista, mas não fizeram nenhum uso delas”, afirmou o delegado Alessandro Moretti. Na Polícia Federal, não há mais dúvidas sobre a motivação e também sobre a autoria do crime e o jornalista deverá ser indiciado nos próximos dias. Segundo o delegado Moretti, resta descobrir apenas se foi mesmo o jornal que pagou os R$ 12 mil que o despachante diz ter recebido do jornalista.

INTERMEDIÁRIO
O despachante Dirceu Garcia diz ter recebido R$ 12 mil para corromper funcionários da Receita

O caso, no entanto, re mete efetivamente ao uso dos organismos estatais, de forma que atenta contra a democracia e o Estado de Direito.

Em 2002, quando também pleiteava disputar a Presidência da República, o ex-ministro da Saúde José Serra enfrentava a oposição de tucanos e de líderes de partidos aliados.

Na ocasião, segundo antigos aliados, ele teria escalado o mesmo delegado-deputado Marcelo Itagiba para comandar um “grupo de inteligência” instalado dentro do ministério, particularmente na Central de Medicamentos (Ceme) e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Esse grupo teria sido responsável por escutas telefônicas irregulares que, depois de repassadas à Polícia Federal, levaram à apreensão de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo na sede da empresa Lunus, de propriedade da então senadora Roseana Sarney, à época no PFL (atual DEM). Roseana era considerada a principal pré-candidata da aliança PSDB-PFL à sucessão de FHC.

O episódio inviabilizou a candidatura da senadora maranhense e facilitou o caminho de Serra. “Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério da Saúde e envolve o ministro José Serra”, disse o senador José Sarney na tribuna do Senado, em 2002.

Além de Roseana, Itagiba também é apontado por agentes da PF como o responsável pela produção de dossiês contra os tucanos Tasso Jereissati e Paulo Renato de Souza, em 2002. Os dois teriam manifestado interesse de disputar a indicação do PSDB à Presidência.

No dossiê contra Jereissati, estaria listada uma suposta relação do senador cearense com alguns doleiros e no caso de Paulo Renato, ex-ministro de Educação no governo FHC, os arapongas teriam relacionado supostos favorecimentos do ministério a editoras de livros didáticos que seriam ligadas ao então ministro.

Mário Simas Filho e Hugo Marques/REVISTA ISTOÉ

Eleições 2010: Lula cortou a cabeça de senadores desafetos

Lula impõe derrota aos algozes e remodela o Senado

Tasso e Virgílio, dois dos ‘pesos pesados’ da oposição que a ‘onda Lula’ engolfou

A infantaria acionada por Lula contra os “algozes” de seu governo surtiu efeitos devastadores no Senado.

Foram à bandeja os escalpos de vários pesos pesados da oposição. Entre os senadores que tiveram a cabeça apartada do pescoço estão:

Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Efraim Morais (DEM-PB), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PSC-PI).

Do grupo de desafetos que Lula jurara de morte eleitoral, salvou-se apenas José Agripino Maia (RN), reeleito no Rio Grande do Norte.

Na hipótese de prevalecer sobre José Serra no segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff terá no “novo” Senado uma maioria larga.

Sob Lula, o governo arrostou dificuldades para aprovar até leis ordinárias. Emendas constitucionais, que exigem 49 votos, só saíam a fórceps.

Há no Senado, 81 cadeiras. Na nova composição, a maioria governista passa dos 50 votos.

Só o PMDB e o PT, sócios majoritários do consórcio que gravita ao redor do comitê de Dilma, somam 35 votos.

Levando-se ao balaio os senadores de legendas menores – PP, PR, PSB, PDT, PRB e PCdoB — chega-se a 53 votos. Adicionando-se o PTB, atinge-se 58.

Expurgando-se três dissidentes do PMDB – os já conhecidos Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) e o eleito Luiz Henrique (SC)-, fica-se com 55.

É um quorum de sonho. Se dispusesse de semelhante maioria em 2007, Lula talvez tivesse impedido o enterro da CPMF.

A presidência do Senado de 2011 continuará nas mãos do PMDB, cuja bancada foi tonificada. Tinha 18 senadores. Agora dispõe de 20.

O PT saltou da quarta para a segunda posição. Sua bancada foi de oito para 15 senadores. Só não chegou a 16 porque Aécio Neves não permitiu.

Além de eleger-se senador por Minas, o tucano Aécio carregou consigo Itamar Franco (PPS). Com isso, deixou pelo caminho Fernando Pimentel (PT).

Entre as novas estrelas do PT no Senado estão: Marta Suplicy (SP), Jorge Viana (AC), Lindberg Farias (RJ), Gleisi Hoffman (PR)…

…Wellington Dias (PI), Walter Pinheiro (BA) e José Pimentel (CE) – um dos responsáveis pela primeira derrota eleitoral da carreira de Tasso Jereissati.

De resto, reelegeram-se os petistas Paulo Paim (RS) e Fátima Cleide (RO), esta última uma estrela apagada.

Na composição atual, PSDB e DEM dividem a segunda colocação, cada um com 14 senadores. No “novo” Senado, a oposição vai definhar.

Os tucanos passarão a compor a terceira bancada –dez senadores. Entre eles Marconi Perillo, que disputa o governo de Goiás. Elegendo-se, ficam nove.

Seriam oito tucanos, não fosse uma surpresa produzida pelas urnas de São Paulo. Elegeu-se ali, à frente de Marta Suplicy, o grão-tucano Aloysio Nunes Ferreira.

O DEM foi, entre todas as legendas, a que mais definhou. De seus 14 senadores, restaram seis. A tribo ‘demo’ compõe agora a quarta bancada.

Um pedaço do infortúnio do DEM em Brasília se deve ao seu sucesso nos Estados. Dois titulares do DEM viraram governadores. Raimundo Colombo prevaleceu em Santa Catarina. Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte.

Ambos dispunham de mais quatro anos de mandato no Senado. A cadeira de Colombo será herdara por Casildo Maldaner (PMDB).

No assento de Rosalba será acomodado Garibaldi Alves (PMDB). Vem a ser o pai de Garibaldi Alves Filho (PMDB), reeleito neste domingo junto com Agripino Maia.

Para enfrentar no Senado um eventual governo Dilma, restaria a tucanos e ‘demos’ tentar uma aliança com outras legendas miúdas.

Porém, ainda que promovam acordos pontuais com PSOL, PMN e PPS, os dois maiores partidos da oposição reunirão em torno de si algo como duas dezenas de votos.

Lula tanto fez que proveu para Dilma o Senado que não teve. Se vencer, José Serra terá de atrair os partidos que hoje dão suporte ao governo petista.

Difícil não é. Partidos como o PMDB e assemelhados têm vocação para o governismo. Apoiam qualquer governo. Desde que recebam cargos e verbas.

Serra teria de se recompor com José Sarney. Velho desafeto do tucano, Sarney fez barba, cabelo e bigode neste domingo.

No governo do Maranhão, manteve-se a filha Roseana. Para o Senado, reelegeram-se os amigos Edison Lobão (MA) e Gilvan Borges (AP). E elegeu-se João Alberto (MA).

De quebra, renovou o mandato Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado de todas as horas. Com esse cacife, Sarney já cogita recandidatar-se à presidência do “novo” Senado.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: PSDB racha caso Serra seja derrotado no primeiro turno

Para os mais atentos, e entendidos, em poleiros tucanos, vai voar pena pra todo lado se dona Dilma derrotar Serra já no primeiro turno. As bicadas, trocadas entre tucanos de alta plumagem fora do alcance da mídia, ganharão as ruas.
O Editor


Se Serra for derrotado no primeiro turno, o PSDB racha ao meio

Mais de uma vez tenho dito aqui, creio até que pioneiramente, que está em gestação um novo partido de centro-direita que deverá reunir os descontentes do PSDB (que são muitos) com os remanescentes do DEM que deverá sair em frangalhos destas eleições e doido para mudar de nome e endereço. O catalisador da nova agremiação será Aécio Neves.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Como também já disse anteriormente, Aécio não vê perspectivas de ser, dentro de quatro anos, o candidato natural do PSDB à presidência da República, sua principal e legítima aspiração.

A eleição de Serra (hipótese que parece descartada) seria um grande empecilho para este projeto do mineiro, porque nada garantiria, nem as promessas do próprio, de que não seria candidato à reeleição em 2014.

Entretanto, a eleição quase certa de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo representa, desde já, uma obstáculo ainda maior ao projeto pessoal do mineiro. É claro que o paulista é candidatíssimo à presidência.

E quando falamos de mineiros e paulistas no âmbito do PSDB, estamos falando de dois bicudos, digo tucanos, que não se beijam. A animosidade entre estas duas linhagens, sempre lembrada por este blog, é crescente e, na semana passada, transformou em bate boca diante do público. Os paulistas acusam abertamente Aécio de fazer corpo mole em relação à candidatura de Serra que vai levar uma surra de criar bicho, nas Minas Gerais.

Mas a discórdia vai mais além deste episódio e é bem mais antiga. Ela remonta a velhas mágoas e queixas de tucanos nordestinos (perguntem ao senador Tasso Jereissati, do Ceará) que sempre foram colocados em segundo plano pela “oligarquia tucana de São Paulo, também conhecida como “os italianos”.

Autoritária, truculenta e centralizadora – parece que estamos falando do Serra -, essa oligarquia, segundo os queixosos, jamais deu muita atenção aos seus correligionários do Nordeste. Muitas vezes, ficava claro que a parceria principal era tecida com os líderes do PFL (DEM) do Marco Maciel e do ACM, rebentos indiscutíveis da Ditadura Fascista. E os tucanos ainda reclamam quando a gente diz que eles são de centro-direita.

Seja como, a derrota de Serra que se desenha catastrófica, aprofundará estes desentendimentos que, provavelmente, evoluirão para o racha. Quando e se isto acontecer,o PSDB correrá o risco de transformar-se num partido quase regional, de São Paulo para baixo, onde os tucanos ainda conseguem ecoar sua ausência de discurso. A provável vitória no Paraná e o desempenho razoável no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, confirmarão este quadro.

Quadro que se completa com a criação no novo partido a que nos referimos acima. Cesar Maia, líder de fato do DEM e que provavelmente se elegerá senador pelo Rio, nunca escondeu seu projeto de criação de um novo partido que substituirá o DEM, atualmente internado na UTI, desde o infarto sofrido com a revelação de que seu único governador, o José Roberto Arruda, é o que é.

Quanto ao Aécio, bom mineiro, não vai sair já do PSDB, mas estimulará no que puder, a criação do novo partido. É sua única alternativa real. E enquanto não se decide, continuará com um pé em cada canoa.

Francisco Barreira/blog Fatos Novos Novas Ideias

Eleições 2010: Comunistas apóiam Tasso Jereissati no Ceará

A política brasileira é formada no caldeirão da incoerência e das conveniências mais espúrias. Em nome do “fazemos qualquer negócio”, as mais inacreditáveis alianças interesseiras são firmadas. Os Tupiniquins, merecemos.
Argh!
O Editor


NO CE, lideranças do PCdoB apóiam Tasso Jereissati

Em política, todo mundo sabe, o ilógico tem razões que a lógica desconhece.

Mas certos gestos, por absurdos, desafiam a capacidade de compreensão do eleitor.

Vem do Ceará a penúltima aparição do fantasma da incoerência.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Duas lideranças regionais do PCdoB declararam apoio à chapa tucana de Tasso Jereissati.

Repetindo: uma dupla de mensageiros da foice e do martelo se associou ao grupo do capitalista que, bem sucedido nos negócios, adota a política como passa tempo.

Haroldo Celso e José Mardônio, eis os nomes dos comunistas que se achegaram a Tasso.

Fazem política na cidade cearense de São Benedito. Haroldo é ex-prefeito. José, ex-vice-prefeito.

Nadam na contramaré do partido. No Ceará, o PCdoB está fechado com o grupo do governador Cid Gomes (PSB).

Além de apoiar Tasso, os comunistas se dizem fechados com o candidato tucano ao governo cearense, Marcos Cals –contra Cid, que disputa a reeleição.

Diante de um fato como esse, o eleitor é como que assaltado pela dúvida: enlouqueci eu ou enloqueceram os políticos?

blog Josias de Souza