Aécio Neves: de Tancredo Neves à Lava Jato, e descendo pelor ralo

Um dia antes de o Senado aprovar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu na tribuna do plenário para atacar sua principal adversária na campanha presidencial de 2014.

“Se apoderaram do Estado Nacional com a sensação da impunidade, de estarem acima da lei. Pois bem, o tempo passou e a resposta está aí”, disse no dia 30 de agosto, num discurso que durou 11 minutos.

Aécio Neves
Após delação da JBS, Aécio foi afastado do cargo de senador por determinação do STF – Direito de imagem AGÊNCIA BRASIL

De herdeiro de Tancredo e quase presidente a denunciado na Lava Jato: a história de Aécio.Menos de um ano depois, as palavras proferidas pelo tucano parecem ter se voltado contra ele próprio.Aécio Neves se vê hoje afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), teve prisão pedida pela Procuradoria-Geral da República e, nesta sexta-feira, foi denunciado por Rodrigo Janot sob a suspeita de corrupção passiva e obstrução de justiça.
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Naquele que é o ponto baixo de sua vida pública até agora, é suspeito de tentar frear a operação Lava Jato, que veio à público em março de 2014 e, desde então, já transformou mais de uma centena de políticos em alvos de investigação.

Em depoimento de sua delação premiada homologada pelo STF, Joesley Batista, dono da JBS, disse que pagou R$ 2 milhões em propina ao senador tucano no começo deste ano. O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, preso no último dia 18.

A operação também deteve Andrea Neves, irmã do senador – ela também é suspeita de ter participado da negociação do que a PGR afirma ser propina.

A entrega do dinheiro foi registrada em vídeo pela Polícia Federal, que rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que parte do montante foi depositado na conta de uma empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Aécio nega as acusações e afirma jamais ter recebido propina. Diz que pediu um empréstimo, ser vítima de calúnia e lamenta ter visto a irmã detida “sem que nada justificasse tamanha arbitrariedade”.

O nome do senador já havia sido citado em delações de empreiteiras, entre elas a Odebrecht, o que lhe fez virar alvo de inquéritos. Mas foram as acusações da JBS que o deixam agora sob o risco de virar réu – o que ocorrerá caso o ministro Marco Aurélio Mello, relator de seu caso no STF, aceite a denúncia apresentada por Janot.

Essa decisão não tem data para ocorrer.

Andrea Neves
Irmã do senador, Andrea Neves é suspeita de ter participado de negociação de propina – Direito de imagem EPA

Herança e futebol

Desde que a denúncia da JBS veio à público, Aécio tem sido chamado nos bastidores de “cadáver político”.

Aliados mais próximos, entre eles tucanos mineiros, classificam sob a condição de anonimato como “graves demais” as suspeitas que pesam contra o amigo e companheiro de partido.

Ainda assim, em Brasília poucos verbalizam a necessidade de uma punição para o senador. Apenas a Rede e PSOL defendem abertamente a cassação do mandato dele.

Ninguém arrisca dizer, contudo, se esse é o fim de uma carreira herdada do pai Aécio Cunha, que foi deputado federal e estadual, e dos dois avôs, Tancredo Neves, ex-governador de Minas e eleito presidente do Brasil (morreu antes da posse), e Tristão da Cunha, que passou pelo Congresso e participou do governo de Juscelino Kubitschek nos anos 1950.

Com tantos homens públicos na família, ele e as duas irmãs respiram política desde cedo. Tinham o costume de brincar com santinhos dos parentes confeccionados para eleições quando criança.

Aécio da Cunha Neves nasceu em 10 de março de 1960, em Belo Horizonte. Viveu na capital mineira até os 12 anos, quando a família se mudou para o Rio de Janeiro.

O jornalista Maurício Cannone foi colega de sala do tucano na oitava série, em meados dos anos 1970, num colégio que não existe mais no Leblon, bairro nobre da zona sul da cidades.

“Não era dos mais brilhantes, mas não era mau aluno. Se dava bem com todo mundo”, recorda Cannone, que costumava trombar com Aécio no Maracanã.

Aécio NevesAécio viveu em Minas até os 12 anos, quando família se mudou para o Rio – Direito de imagem REPRODUÇÃO FLICKR

Cannone conta que o senador, torcedor declarado do Cruzeiro e do Botafogo, sempre foi fã de futebol. “O pai dele era diretor do Cruzeiro em Belo Horizonte, e me lembro dele contando que foi ao enterro do Roberto Batata, o ponta direita”, diz o jornalista.

Aécio não era bom de bola, mas, quando jogava futebol, usava uma camisa do zagueiro cruzeirense Darci Menezes. Naquela época, Política não era assunto recorrente.

“Era 1975, ditadura militar. Política não era estimulada. Eu nem sabia que ele era neto de Tancredo Neves”, lembra Cannone.

Aécio, o hoje jornalista e muitos outros alunos do Magdalena Campos foram continuar os estudos em outros colégios. Os dois nunca mais estiveram na mesma sala, e acabaram perdendo o contato.

“Uma vez encontrei ele na rua, olhei e ele não me reconheceu. Deixei pra lá”, conta.

De ajudante do avô a deputado federal

Aécio foi estudar economia na PUC-Rio, mas nunca foi militante estudantil. Além de futebol, gostava mesmo era de surfar, de corridas de motocross e de viajar. Morava num apartamento na badalada avenida Vieira Souto, na zona sul, e a praia de Ipanema era como a extensão de sua casa. Desde então, ganhou a fama de “bon vivant”, namorador e amante da noite carioca.

O jornalista mineiro Lucas Figueiredo conta em seu blog que, enquanto Aécio ainda pegava ondas e não demonstrava muito interesse pela política, a irmã dele, pouco mais de um ano mais velha, vivia o oposto.

Andrea militava pela esquerda e havia, por exemplo, ajudado a fundar o PT no Rio.

Mas foi Aécio, e não Andrea, quem Tancredo Neves escolheu para acompanhá-lo a partir de 1981. Ele foi chamado a conhecer sua terra natal como secretário particular do avô em Belo Horizonte. Transferiu-se para a PUC-Minas e, enquanto estudava economia, ajudava o então senador e, depois, governador.

Tancredo Neves
Tancredo escolheu Aécio para acompanhá-lo como secretário particular
Direito de imagem REPRODUÇÃO INSTAGRAM

Antes disso, quando tinha 19 anos, Aécio havia sido nomeado para trabalhar como secretário parlamentar no gabinete do pai na Câmara dos Deputados, em Brasília. Mas cuidava da agenda do pai do Rio mesmo, fato que causaria polêmica mais de 30 anos depois, na eleição de 2014 – ele negou qualquer irregularidade, dizendo que à época funcionários comissionados não eram obrigados a trabalhar na capital federal.

O jovem participou das campanhas vitoriosas de Tancredo a governador de Minas e a presidente do Brasil. De ajudante do avô, tornou-se militante das Diretas Já (1983-1984). Assumia a política como missão.

Com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985, acabou nomeado por José Sarney, que na condição de vice assumiu o comando do país, como diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal. Ficou no cargo um ano e saiu para disputar pela primeira vez uma eleição.

Em 1986, foi eleito deputado federal pelo PMDB. Depois migrou para um novo partido: o PSDB.

‘Pacote ético’

Aécio se elegeu deputado por quatro mandatos consecutivos e conquistou projeção nacional. Tornou-se líder do PSDB e, em 2001, conseguiu vencer a disputa pela Presidência da Câmara desafiando o PFL (atual DEM) – à época principal aliado do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

À frente da Casa, emplacou o que chamou de “pacote ético”, com medidas como a criação do Conselho de Ética da Câmara – agora, diante das acusações que pesam contra ele, pode ser alvo do órgão homólogo no Senado.

Mas depois de 16 anos no Legislativo, ainda faltava no currículo um cargo no Executivo.

Em 1992, já filiado ao PSDB, Aécio havia disputado sem sucesso a Prefeitura de Belo Horizonte – terminou em terceiro lugar. Dez anos depois, porém, liquidou a disputa ainda no primeiro turno e foi eleito para um cargo ainda maior: o de governador de Minas Gerais. Contou com o apoio do então governador mineiro Itamar Franco, apesar das divergências do ex-presidente com FHC e o PSDB.

“Naquela eleição, ele já inventou o ‘Lulécio’. Apesar de o PSDB ter José Serra como candidato, em Minas ele não atacou Lula”, conta o deputado estadual de Minas, Rogério Correia (PT), um dos maiores opositores que Aécio encontrou no Estado.

Aécio Neves em 2014Tucano se elegeu deputado por quatro mandatos antes de ir para o Senado
– Direito de imagem AGÊNCIA BRASIL

Correia conta que já fazia oposição ao PSDB desde o início dos anos 1990. Durante o governo Aécio (2003-2010), fez denúncias contra Aécio e seu grupo. “Mas essa da JBS eu não sabia”, diz.

O deputado trouxe a público, por exemplo, denúncias de corrupção como o mensalão do PSDB, que teria usado agências de publicidade ligadas ao empresário Marcos Valério, que anos depois seria o operador do mensalão do PT, para superfaturar contratos e desviar recursos públicos em meados dos anos 1990 durante gestão do governador tucano Eduardo Azeredo.

Outro exemplo foi a chamada Lista de Furnas, que teria usado verba da estatal para pagar propina a tucanos, e repasses de publicidade a emissoras de rádio sob o comando da família Neves – o que Aécio sempre negou.

A maioria das denúncias, lembra o próprio Correia, não foi adiante. Acabaram arquivadas pelo Ministério Público. Ele diz ter “comido o pão que o diabo amassou” – acabou sendo alvo de uma investigação que ainda está sob análise da Promotoria mineira.

Tancredo e Aécio Neves
Aécio ajudou nas campanhas vitoriosas de Tancredo e tomou a política como missão – Direito de imagem MAURO HOMEM/REPRODUÇÃO FLICKR

“Dentro da Assembleia tinha o rolo compressor do Aécio. Era muito difícil fazer oposição”, recorda Correia, para quem as vozes de oposição eram poucas e foram sendo sufocadas, em especial porque, no início, até mesmo o PT nacional tinha simpatia por Aécio.

O deputado diz ainda que, já no começo do primeiro mandato, o governador deu início a um processo de “blindagem” na mídia local e, em certa medida, junto ao Ministério Público estadual que, teria poupado Aécio de questionamentos mais duros, críticas e, principalmente, escândalos.

O tucano sempre negou ter tido a vida facilitada pela imprensa ou por autoridades.

‘Goebbels das Alterosas’

Segundo Correia, quem cuidava da imagem de Aécio na mídia era a irmã Andrea Neves.

“Nessa área de comunicação, ela mandava e desmandava. Apelidamos ela de Goebbels das Alterosas, comandava com punhos de aço”, diz o deputado, referindo-se a Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista entre 1933 e 1945.

Um dos primeiros a abordar a relação dos Neves com a imprensa foi Marcelo Baêta, à época um estudante de jornalismo da UFMG. Como trabalho de conclusão de curso, em 2006, ele fez um documentário chamado Liberdade, Essa Palavra para o qual gravou jornalistas narrando como teriam sido perseguidos ou demitidos por terem criticado a gestão do então governador.

“Logo depois de publicar o vídeo, no fim de agosto, o governo lançou o vídeo resposta, no início de setembro. Um vídeo um tanto quanto chulo e agressivo”, recorda o jornalista.

No material oficial, alguns dos entrevistados de Baêta mudaram a versão dada anteriormente.

“Creio que criou um certo ceticismo em relação ao meu vídeo, ou pelo menos confusão nas pessoas a respeito de qual era a real posição desses entrevistados. Ao que tudo indica, eles sofreram uma pressão forte e truculenta, ao estilo Andrea Neves, que agora está presa, mas na época era muito poderosa. Ao que parece, eles ficaram com medo e cederam.”

Para o jornalista, na mídia mineira “estava tudo dominado” e, na nacional, “o cenário era amplamente favorável” a Aécio, dada a pouca quantidade de notícias criticando ou questionando a gestão do tucano.

Aécio NevesSenador chegou a ser desacreditado na eleição presidencial, mas foi ao 2º turno
Direito de imagem AGÊNCIA BRASIL

CPIs e bafômetro

Em 2010, Aécio deixou o governo mineiro com a popularidade nas alturas para concorrer a uma cadeira no Senado. Dois anos antes, havia conseguido a façanha de costurar um acordo com o PT para eleger o empresário Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte.

Levava no currículo como principal obra a construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo de Minas, vitrine agora sob suspeita com as delações da Odebrecht – os executivos da construtora afirmaram que a licitação foi fraudada, a obra superfaturada e que houve pagamento de propina.

Na disputa de 2010, Aécio foi eleito senador sem dificuldades, assim como fez seu sucessor em Minas, o aliado e ex-vice Antonio Augusto Anastasia (PSDB-MG), hoje também senador.

Foi Anastasia quem relatou o impeachment de Dilma no Senado.

No Senado, Aécio se colocou como principal nome da oposição e tentava se cacifar para disputar a eleição presidencial. Mas nunca foi titular ou suplente de nenhuma das 13 CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) instauradas desde 2011, segundo informações disponibilizadas no site do Senado.

Dizia-se que ele atuava mais nos bastidores. Desde 2011, apresentou 39 projetos de lei e oito propostas de emenda à Constituição.

Fora da vida pública, acabou sendo alvo de notícias negativas. Em 2011, foi parado numa blitz da Lei Seca no Rio. Estava com a carteira de habilitação vencida e não soprou o bafômetro. Foi ainda filmado cambaleante, pedindo uma bebida num bar na mesma cidade.

Em 2014, nas vésperas da campanha, foi questionado diretamente se já havia sido usuário de cocaína. “Jamais, claro que não”, disse ao jornalista Fernando Barros e Silva, no programa Roda Viva, da TV Cultura, antes de atribuir o boato ao “submundo” da internet.

“Sou um homem do meu tempo. Nunca vesti o figurino de um político tradicional. Nunca deixei de ter minhas relações pessoais. (…) Não conseguem dizer que sou desonesto efetivamente. Não conseguem dizer que sou incompetente. De alguma forma, os ataques têm que vir. Se o ataque que tem é esse do submundo…”, emendou.

Alçado a candidato tucano à Presidência da República, viu o escrutínio aumentar – inclusive sobre sua gestão em Minas, encerrada anos antes.

Em julho de 2014, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem afirmando que Aécio, quando governador, havia autorizado a construção de um aeroporto numa área que era de um tio em Cláudio (MG). Ele sempre negou qualquer irregularidade – disse que seu tio foi prejudicado com a desapropriação. No ano passado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) concedeu homologação do aeródromo, que agora é público.

Aécio Neves em 2014
Nas eleições de 2014, Aécio foi para o segundo turno com Dilma, perdendo por 3 milhões de votos – Direito de imagem AGÊNCIA BRASIL

Nem bem, nem mal

Ao longo da vida, Aécio incorporou à sua imagem de homem público o gosto por festas com celebridades e empresários como Luciano Huck e Alexandre Accioly, além de passeios de moto e a cavalo.

O namoro de cinco anos com a modelo Letícia Werner virou o casamento e, às vésperas das eleições presidenciais de 2014, o casal anunciou que estava grávido de gêmeos. O pai da jovem Gabriela, de um relacionamento anterior, viu, aos 54 anos, nascer Julia e Bernardo.

Na disputa presidencial, chegou a ser desacreditado. Mas, quando amargava um terceiro lugar, conseguiu ultrapassar Marina Silva na reta final e ir para o segundo turno com Dilma Rousseff. Perdeu por pouco mais de 3 milhões de votos, numa das mais acirradas disputas desde a redemocratização.

Sua influência em Minas, porém, saiu arranhada. Em sua base eleitoral, foi derrotado por Dilma e não conseguiu levar ao segundo turno seu candidato a governador, o tucano Pimenta da Veiga. O PT ganhou a disputa ainda no primeiro turno com Fernando Pimentel.

Após a derrota nas ruas, partiu para o ataque. Presidido por ele, o PSDB foi ao Tribunal Superior Eleitoral tentar cassar a chapa Dilma-Temer, processo cujo julgamento está previsto para ser retomado na próxima terça-feira.

“Vamos fiscalizar, vamos acompanhar, vamos cobrar, vamos denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no governo brasileiro”, disse em primeiro discurso pós-eleitoral no Senado.

Na votação que sepultou o governo Dilma no Senado, sublinhou as denúncias de corrupção que pesam contra o PT, provavelmente sem imaginar que, meses depois, ele próprio estaria afastado do cargo, acusado de irregularidades.

Nem mesmo amigos mais próximos têm saído em defesa do senador. Mas também não o atacam. “Em respeito, não falo nem bem nem mal”, diz um tucano mineiro, que conhece Aécio de longa data e pediu para não ter seu nome citado.

Contudo, não está abandonado. Parece estar ganhando tempo – tem recebido visitas em casa de políticos aliados e, até agora, apenas Rede e PSOL indicaram senadores para analisar o caso do tucano no Conselho de Ética do Senado.

Não disfarça, porém, o abatimento, principalmente por causa da irmã, cuja prisão, segundo a defesa, foi injusta e desnecessária.

Desde o dia em que subiu à tribuna para defender o impeachment de Dilma e atacar os que se beneficiam da sensação de impunidade, Aécio parece ter se transformado em um exemplo que comprova uma frase por vezes atribuída ao seu avô Tancredo e, outras vezes, ao ex-governador de Minas Magalhães Pinto:

“Política é como nuvem. Você olha e está de um jeito; você olha de novo e ela já mudou.”
Fernanda Odilla/BBC

Yoani Sánchez, PT, PSDB e o fundo do poço

Política PT PSDB farinha do mesmo saco Blog do MesquitaSaco! Nada mais insuportável que esse ‘enrolation’ PT X PSDB. A falácia impera. Os dois bandos ontem, anteciparam o 1º de Abril.

Em São Paulo o mesmo blá, blá, blá do surdo e cego do agreste – não sabe de nada, não viu nada – comandou a reunião da nau dos insensatos, com a claque ‘luxuosa’ (sic) dos condenados do mensalão, Dirceu, Genoíno e um João qualquer, que desfilaram seus (deles) cinismos na ponte de comando da combalida nau petista capitaneada pelo farsante Lulalá.

Em Brasília, da tribuna do Senado, o insosso e cansativo “nhen, nhen, nhen” de Aecinho Ipanema – aquele que quando governador de MG, mandou afixar uma placa de bronze no portão do cemitério de S. João Del Rei para anunciar que um neto, ele, havia ido visitar o túmulo do avô, Tancredo – perorou toda a sua (dele) incompetência ao indexar somente mixurucas 13 fracassos do PT. Até meu neto, 11 anos, é capaz de enumerar, no mínimo, outra meia centena de lodaçais onde as viúvas de Stalin estão atoladas.

Quando os dois principais ‘partidecos’ que militam na politicalha Tupiniquim fazem de uma blogueira Cubana – aqui não faço juízo de valor sobre a persona e seus escritos, nem aplico conotação menor ou pejorativa ao termo ‘blogueira’ – simultaneamente ídolo e demônio de suas lideranças e militâncias, é sinal que o fundo do poço de há muito já foi ultrapassado.
Dilma, Lula, FHC, Aécio, Alckmin, Serra, um Zé qualquer lá de Pernambuco… Que país! Que República!


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Um luxo o país ter sido presidido por FHC e Lula

Certa vez Caetano Veloso disse que ter tido Fernando Henrique Cardoso e depois Lula como presidentes era “um luxo” para o Brasil.

Ontem, na posse da Comissão da Verdade, que não por acaso também marcou a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, tivemos, graças à presidente Dilma, uma demonstração de que estamos avançando, apesar das lutas políticas e dos eventuais desvios, na construção de uma democracia estável e madura.

Para dar o caráter de ato de Estado, e não de um governo isolado, a presidente convidou os ex-presidentes dos últimos 28 anos, o mais longo período consecutivo de democracia que já experimentamos como nação, e se referiu aos dois falecidos, Tancredo Neves e Itamar Franco, reconhecendo o papel que cada um desempenhou nessa nossa caminhada de construção da democracia.

Em seu discurso, a presidente disse que se orgulhava de estar à frente do governo quando essas duas ações entram em vigor, permitindo que o Estado brasileiro se abra, mais amplamente, ao exame, à fiscalização e ao escrutínio da sociedade.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Mesmo que se saiba que muitas repartições públicas não estão ainda preparadas para dar acesso às informações tão amplo quanto o previsto na lei, e que muitos serão os obstáculos para sua plena realização, a Lei de Acesso à Informação é considerada uma das mais avançadas do mundo e permite ao cidadão o acesso a informações públicas não sigilosas, sem nem mesmo a necessidade de justificar a solicitação.

Essa “transparência obrigatória” funcionará, disse Dilma, como “o inibidor eficiente de todos os maus usos do dinheiro público, e também, de todas as violações dos direitos humanos”.

É o país consolidando seu pertencimento à moderna democracia digital, que permite que a sociedade acompanhe passo a passo a atuação dos funcionários públicos e, por conseguinte, dos governos como um todo.

Esta semana, por um desses acasos que o destino às vezes arma, Lula e Fernando Henrique Cardoso, dois desses ex-presidentes que mais incisivamente ajudaram a moldar a sociedade que está se organizando em torno de valores democráticos, estiveram em destaque no noticiário justamente pelo reconhecimento internacional de suas atuações à frente do governo brasileiro.
Merval Pereira/O Globo

Dilma Rousseff, imprensa parcial e IBOPE

A oposição, mais especificamente o PSDB, trafega no sentido oposto do pragmatismo de Tancredo Neves, sendo o qual, não se faz política com o fígado.

Enquanto o DEM, com todas as ressalvas que se possa fazer ao fisiologismo milenar, expulsou o Arruda após o escândalo do mensalão de Brasília, a turma de Álvaro Dias e companhia, não apura as peraltices de seus emplumados, preferindo desqualificar quem faz denúncia sobre alguma sujeira no esnobe poleiro.

Aí, Dona Dilma e o PT deitam e rolam no colo do povo. Quem está comendo, comprando eletrodoméstico, casa própria e automóvel, está se lixando pras mãos bobas dos Lupis e ‘Lupus’ ministeriais.
A inacreditável ascensão de Dona Dilma, apesar do cai-cai de ministros, deve ser creditado à imprensa venal, que tomou sem nenhum disfarce o PSDB com afilhado e como vestal da moralidade política.

A notória ausência de imparcialidade nas Vejas da vida, e nos jornalões paulistas, com circunscrito e reduzido número de leitores — em relação ao poderia viral das redes sociais — não se mostra capaz de virar o jogo, por mais que force no bombardeio diário com o único alvo sendo o governo petista.
O Editor


Dizem que o brasileiro não tem memória. Bobagem. O que o brasileiro não tem mesmo é muita curiosidade. Se havia alguma dúvida, o último Ibope eliminou.

O primeiro time de ministros nomeado por Dilma Rousseff revelou-se um fia$co. Caíram sete, seis deles envoltos em suspeitas de corrupção.

A grossa maioria dos auxiliares micados veio da gestão Lula. Dilma conhecia-os todos. Ainda assim, nomeou-os. Livrou-se deles por pressão, não por precaução.

A despeito de tudo, Dilma chega ao último Ibope do seu primeiro ano com o governo mais bem avaliado (56%) que os de Lula (41%) e FHC (43%) na mesma fase.

Considerando-se o desempenho pessoal, a popularidade de Dilma alça à casa dos 72%. De novo, ela aparece mais bem posta que os antecessores.

Ao final de 2003, Lula era bem visto por 66% dos brasileiros. FHC amelhou 57% de aprovação no final de 1995, seu primeiro ano na Presidência.

Só a falta de curiosidade do brasileiro explica que o Ibope de Dilma tenha crescido nos últimos três meses.

Desde setembro, o índice de aprovação do governo subiu cinco pontos. Foi de 51% para os atuais 56%. E a taxa pessoal de Dilma oscilou de 71% para 72%.

Se fosse minimamente curiosa, a platéia perguntaria aos seus botões: que diabo de gerente era Dilma que não enxergou a podridão infiltrada na gestão Lula?

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Ou ainda: onde Dilma estava com a cabeça quando admitiu o monturo de malfeitores no seu time de ministros?

Mas o brasileiro está noutra. Um pedaço da sociedade (28%) nem se lembra do noticiário sobre corrupção que eletrificaram a Esplanada.

A roubalheira só interessa a jornalistas e à oposição, eis a evidência que salta da pesquisa. A imprensa, por dever de ofício, continuará imprensando.

E quanto à oposição? Bem, a sondagem informa os antagonistas de Dilma desperdiçam seu tempo. Adicionar raiva à receita nunca foi tão fácil. E nunca tão inútil.

O discurso entra por um ouvido e sai pelo outro. O pedaço das galerias que se interessa ouve um tucano criticando Dilma pela aliança com ladravazes.

Depois, olha para o retrovisor e enxerga os operadores da Era FHC em conciliábulos com a mesma turma de salteadores.

Na sequência, o sujeito repara ao redor. A maioria vê o crediário em dia, o Bolsa Família entrando na conta e a geladeira abastecida. A moralidade vira resto.

Suponha que a crise mastigue parte da sensação de prosperidade nos três anos que restam a Dilma.

Nessa hipótese, na hora em que faltar dinheiro e a conta de luz começar a atrasar, o brasileiro buscará alguém que lhe ofereça esperança, não raiva.

Quer dizer: se tudo der mais ou menos certo para Dilma, a reeleição está no embornal. Se tudo der errado, o eleitorado talvez enxergue em Lula uma re-opção.

À oposição já não basta se opor. Se quiser virar alternativa, terá de reler a história com alguma dose de inteligência.

No Brasil, dois políticos chegaram à Presidência cavalgando a raiva: Janio Quadros e Fernando Collor. Ambos resultaram em desastres.

Lula só triunfou depois de se livrar do discurso envenenado que lhe rendera três derrotas.

Antes, o país encantara-se, em 19884, com Tancredo Neves.
Embora eleito por via indireta, o velho lobo foi chorado nas ruas porque via-se nele a esperança.
blog Josias de Souza

Tópicos do dia – 16/12/2011

08:29:15
ABI e o ano Marighella
A Associação Brasileira de Imprensa vai propor que 2012 seja o Ano Marighella.
Ano Marighella? Jura?
Né gozação não? Ou falta do que fazer?

08:50:05
Alemanha controla a Europa. De novo!
Ah!, a história. Aquilo que Hitler não consegui, Ângela Merkell tirou de letra!
Saiu o marco, entrou o euro. Goela abaixo dos países europeus. Sem um tiro, SS ou Wehrmacht.
Os catatônico países do Velho Continente estão novamente de quatro ante às determinações e aos recursos do governo de Berlim.
Alemães mais satisfeitos do que quando as divisões panzer do Marechal Guderian invadiam as capitais do velho mundo durante a 2ª guerra mundial.
O velho Karl, O Marx, acertou novamente: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

09:34:49
Deputado Jair Bolsonaro argumenta contra a ‘Lei da Palmada’:
“Agressão já tem lei, não precisa de mais uma. Que moral o Estado tem para se meter na minha família?”
Nós os Tupiniquins poderemos dar palmadas nos políticos peraltas?

09:55:37
Educação; A grana é quem desempata!
A Câmara aprovou ontem projeto do senador Marcelo Crivella (PRB) que estabelece, em caso de empate nos vestibulares para universidades federais, que a vaga será do candidato com renda familiar mais baixa.
Sem a corrupção endêmica, patrocinada por suas ex-celências, haveria dinheiro para garantir vagas aos dois.

16:48:04
Ministros e polícia.
De Ruy Barbosa a Roberto Campos; de Oswaldo Aranha a Tancredo Neves; de Darcy Ribeiro a Mário Henrique Simonsen, entre outros, cargo de ministro sempre foi sinônimo de probidade e competência.
Na era petista virou caso de polícia.


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Cadê o liberal que estava aqui?

Liberais em falta
por:Sandro Vaia ¹
blog do Noblat

Houve um tempo, mais precisamente durante o vintênio militar, que ser de direita no Brasil não era apenas de bom tom, como era praticamente obrigatório, sob pena de ser mal visto, na mais benigna das hipóteses, ou de ser preso e torturado, na mais policialesca e brutal das hipóteses.

O partido do governo, a Arena, que juntava direitistas natos e convictos, oligarcas do atraso, coronéis dos grotões e oportunistas de toda espécie (partidos que apóiam o governo no Brasil costumam atrair mais arrivistas do que os postes de luz atraem mariposas) chegou a ser proclamado “o maior partido do Ocidente” pelo seu então presidente,o inesquecível Francelino Pereira.

As inacreditáveis alquimias políticas do Brasil foram transformando a face da Arena.

Depois do final da ditadura tentou se tornar mais palatável com o nome de PDS-Partido Democrático Social.

Uma costela dele,cansada do desgaste de ter que administrar os detritos políticos da ditadura, separou-se do corpo e mudou para PFL – Partido da Frente Liberal – que nasceu para apoiar o candidato da oposição Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mais tarde, entrou no condomínio de poder com o PSDB no governo Fernando Henrique, até vir a se transformar em Democratas, apelido DEM, uma espécie de partido liberal ma non troppo, que perdeu seu passado e em compensação também não achou seu futuro e está à beira de um ataque de nervos em busca de sua própria identidade.

Num dia desta semana ,o DEM ,depois de uma desastrada performance sob a presidência do jovem Rodrigo Maia, amanheceu sob nova direção.

Seu novo-velho presidente, José Agripino, fez questão de dizer, como é de praxe nos momentos atuais, que o DEM “não é um partido de direita”.

Mas o que é, então, o DEM nessa geléia partidária brasileira ?

Desde o final da ditadura e depois do tumultuado período de Collor,o Breve, a narrativa política brasileira tornou hegemônico o discurso esquerdista,e mais precisamente os ideais de uma certa e vaga social democracia, defendida em variados matizes por PT,PSDB e vários outros partidos-satélites.na contramão dos ventos históricos que varreram o mundo depois da derrocada do Muro de Berlim.

Ok, ser de direita é de mau gosto, deselegante até, quase uma ofensa nos círculos contemporâneos do bem pensar.

Disgusting.

Mas então quem é que vai representar as pessoas que continuam achando que a melhor forma de liberdade e de avanço social é representada por uma economia de mercado, aberta, livre e competitiva?

Quem é que vai se opor ao avanço do Estado não só sobre o bolso do contribuinte, mas também na demarcação dos territórios onde o indivíduo exerce seu livre arbítrio?

No mercado de idéias políticas do país há alguns milhões de desamparados à espera de alguém que tenha a coragem de assumir a representação de um pensamento político liberal e democrático.

O DEM não parece muito disposto a vestir a camisa liberal e assumir a defesa desses sem-partido.

Na verdade, como em suas origens arenistas, parece ter mais apetite por projetos de poder do que por um projeto de País.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Eleições 2010: as oposições e os adjetivos inúteis

O articulista do texto abaixo, a par o refinamento vernacular e educação dialética ambivalentemente exposta, ao criticar, e condenar com justa razão, os impropérios com os quais o chefe dos Tupiniquins vocifera contra a oposição, esquece (?) de também descer o malho nos iracundos Arthur Virgílio e ACM Neto, que da tribuna do congresso ameaçaram aplicar surra física no presidente da república.

E quando o ‘ariano’ Jorge Bornhausen, ex PFL e atual DEM, disse com todas as letras, referindo-se ao PT que: “Felizmente nos veremos livres dessa ‘raça’ por pelo menos 30 anos” estava correto?

Essa oposição “generosa” da qual se jactam tucanos de alta plumagem foi somente para “marcar território” para Aécio Neves.

Convém lembrar que enquanto o governo Lula lutava em todos as áreas para conseguir trazer as olimpíadas e a copa do mundo para o Brasil, a ‘generosa’ oposição sempre se manifestou contra.

Basta consultar os anais do congresso.
O Editor


Uma das peculiaridades do Brasil, além da inevitável jaboticaba, é que aqui nem o governo e nem a oposição sabem exatamente o que significa ser oposição, e qual o seu verdadeiro papel institucional num regime democrático.

A “soi disant” oposição, formada basicamente pelo PSDB,o DEM e o PPS, passou quatro e depois mais quatro anos brincando de esconde-esconde com as suas próprias convicções, se é que tinha algumas, e até mesmo com as suas próprias realizações,como se se envergonhasse de ter eliminado a inflação, de ter privatizado velhos e ineficientes elefantes brancos, de ter saneado o sistema bancário, de ter estabelecido regras civilizadas de responsabilidade fiscal – enfim, de ter plantado as sementes de uma estabilidade econômica sólida e sustentável e com ela os fundamentos para a modernização do País.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Deixando-se acuar covardemente pela avassaladora popularidade do presidente da República, a oposição, nas duas tentativas que fez de substitui-lo no governo, se acomodou à agenda que interessava a ele e ao seu partido, de tal forma que, em 2006, seu candidato, Geraldo Alckmin, não se constrangeu em usar um macacão cheio de logotipos de estatais para mostrar que não pretendia privatizá-las, e na tentativa deste ano, José Serra chegou a ensaiar um anódino pós-lulismo, colocando a imagem do presidente em seu horário eleitoral.

Além disso, encaixou o golpe da propaganda governista que transformou as concessões de exploração de petróleo em privatizações, e acabou tentando devolver ao governo a acusação de “privatizador”, transformando esquizofrenicamente uma virtude em pecado.

Essa é a parte que cabe à oposição.

No que diz respeito ao governo, o presidente Lula não se cansou de maltratar a oposição durante a campanha eleitoral, chegando quase a lhe negar a legitimidade, ao chamá-la de “turma do contra”, ao pedir a “extirpação” de um dos partidos que a compõem, e a chamar o futuro governador eleito de São Paulo de “aquele sujeito”,entre outras delicadezas.

No dia em que a presidente eleita,ao lado dele, deu a sua primeira entrevista coletiva – por sinal tranqüila, ponderada e civilizada, muito longe dos arranques quase apopléticos da campanha eleitoral- Lula não perdeu a chance de reiterar a sua estranha forma de encarar o papel da oposição numa democracia.

Ele pediu para ela um tratamento melhor daquele que deram a ele durante os oitos anos de seu governo.Pela estranha noção de democracia do presidente, considerando aquilo que de fato aconteceu durante os oito anos,só a unanimidade lhe serve.

“Contra mim,não tem problema, podem continuar raivosos, do jeito que sempre foram.Mas a partir de 1º de janeiro, que eles olhassem um pouco mais para o Brasil, que eles torcessem para que o Brasil desse certo”.

Além de ser uma acusação sobre cuja gravidade o presidente parece não ter refletido- dizer que a oposição torce para o Brasil dar errado é uma figura de retórica irresponsável e desmedida, como foram muitas das falas do presidente ao longo dos oito anos – é muito irônico que venham da boca do patrono de um partido que votou contra rigorosamente todas as propostas que colocaram o País nos trilhos, desde o Plano Real até o Proer, sem falar da recusa em votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral na eleição que marcou o fim da ditadura, e em homologar a Constituição de 1988.

O Brasil tem muito a aprender para chegar à plenitude da democracia, até que um presidente deixe de chamar a oposição de “raivosa” e que um dos mais destacados líderes dessa oposição, o vitorioso senador eleito Aécio Neves, deixe de prometer uma “oposição responsável e generosa”.

Uma democracia de verdade não precisa ser condicionada por adjetivos inúteis.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Os filhos e os filhos dos presidentes do Brasil

Na história recente da pobre e depauperada taba dos Tupiniquins, somente os inefáveis Fernando Henrique Cardoso e Lula, não deixaram de oferecer as tetas do nepotismo aos seus (deles) filhotes. Deveriam ter seguido a exemplar conduta de seriedade no trato da coisa pública, dado pelos Generais Presidentes do período do governo militar.

De Castelo Branco a João Figueiredo, passando por Costa e Silva, Médici e Geisel, os exemplos dados pelos generais são dignificantes.
O Editor


Getúlio Vargas tinha filhos quando tomou o poder, em 1930. Cresceram com ele, mesmo na ditadura de 37, mas em momento algum valeram-se dos privilégios do pai. Alzira tornou-se sua secretária particular, acompanhou a trajetória do “patrão”, como o chamava.

Getulinho morreu de poliomielite e o pai não pode comparecer ao funeral: viajou em segredo para Natal dizendo que o futuro o compreenderia. Era 1942 e foi encontrar-se com o presidente Franklin Roosevelt, que voltava do Norte da África, quando acertaram o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lutero, médico ortopedista de renome, alistou-se na Força Aérea Brasileira e foi lutar na Itália.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No governo constitucional iniciado em 1951, teve o apoio de todos, sem que nenhum se valesse de sua liderança para fazer negócios. Maneco cuidava da fazenda, no Rio Grande do Sul, sem apelar para créditos do Banco do Brasil, enquanto Alzira, casada com Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio, só atravessava a baía da Guanabara em momentos de crise.

Café Filho tinha um filho adolescente. Quando afastado da presidência, retirou o menino do Colégio São José, dos melhores do Rio, por impossibilidade de continuar pagando as mensalidades. Sabendo disso, os Irmãos Maristas passaram a não cobrar, até a formatura.

Juscelino Kubitschek buscava manter as meninas Marcia e Maristela sob controle, mas certo dia, irritado porque elas exigiam freqüentar bailes, mostrou-lhes a faixa presidencial dizendo: “com esse “trem” aqui eu controlo o Brasil, mas vocês são incontroláveis”.

Jânio Quadros deixava a “Tutu” por conta de dona Eloá, mas rompeu com a filha, recém-casada, porque o jovem marido aceitara o lugar de relações públicas na Volkswagen.

João Goulart era capaz de interromper reuniões ministeriais no palácio Laranjeiras quando o pequeno João Vicente exigia que fossem para o sítio da família, em Jacarepaguá. Denise, menor ainda, gostava quando o pai levava a família para acampar e pescar em Mato Grosso, ele mesmo cuidando das refeições.

Castello Branco, ao assumir o governo, nem por isso chamou para sua assessoria o filho mais velho, comandante da Marinha de Guerra. A filha substituía a falecida mulher, dona Argentina, nos banquetes e recepções.

Costa e Silva adorava os netos, mas o filho, major Álcio, continuava em suas funções no Exército, sem ser privilegiado com comissões e promoções.

Garrastazu Médici trouxe os dois filhos, engenheiros, de Porto Alegre para o Rio, um para secretário particular, Sérgio, outro assessor especial, Roberto. Terminado o governo, ambos retornaram à capital gaúcha, como professores universitários.

Ernesto Geisel era tão rigoroso com a filha única, Amália Lucy, a ponto de exigir que não faltasse a nenhuma refeição em família.

João Figueiredo não gostou quando viu a empresa de publicidade de seus dois filhos crescer no ranking pela abundância de novos clientes, mas alertou para a queda no faturamento assim que deixasse de ser presidente, coisa que aconteceu.

Tancredo Neves não nomeou o Tancredinho para nada, limitando-se a aproveitar o neto, Aécio, como seu secretário particular, sem poupar-lhe reprimendas geradas pelo açodamento da juventude.

José Sarney estimulou Zequinha e Roseana a entrarem para a política, reservando ao terceiro filho o comando dos negócios da família.

Fernando Collor manteve os dois filhos do primeiro casamento afastados do Brasil, estudando na Suíça.

Itamar Franco, divorciado, era cheio de cuidados para com as duas filhas já casadas, que em momento algum valeram-se da influência do pai para alavancar carreira e negócios dos maridos.

Fernando Henrique não conseguiu evitar que o filho Paulo Henrique fosse seduzido por empresários ávidos de participar das privatizações, abrigando-o em suas diretorias. Desiludiu-se ao nomear um genro para a Agência Nacional de Petróleo e assistir o fim do casamento com uma de suas filhas.

Da penca de filhos do Lula, melhor será aguardar para ver como retornarão com ele ao apartamento em São Bernardo, “menor do que uma só sala deste palácio”, como tem repetido. Estas curtas notas servem para lembrar que filhos, é bom tê-los, para presidentes da República. Mas imprescindível, vigiá-los.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010: Dilma ultrapassa Serra em Minas Gerais em pesquisa do Ibope

Eis o resultado da ação dúbia de Aécio Neves. Sorrisos artificiais em palanques e entrevista, e, como dizia seu avô Tancredo, vingança “e um prato que se come frio e pelas beiradas”. Pra completar, o garotão ipanemense, é sobrinho e da mesma estirpe de vira cascas que o tio Francisco Dornelles.
O Editor


“Ibope: Dilma abre 12 pontos sobre Serra em Minas”

A candidata petista Dilma Rousseff abriu 12 pontos porcentuais de vantagem sobre o tucano José Serra em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País e Estado considerado por analistas políticos como o principal campo de batalha da campanha presidencial.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Dilma tem 44% das intenções de voto entre os mineiros, contra 32% para Serra.

Em números absolutos, a diferença entre os dois está em cerca de 1,2 milhão de votos, levando-se em conta o tamanho do eleitorado e as taxas históricas de abstenção.

A pesquisa mostra que o apoio do ex-governador Aécio Neves e do candidato à reeleição Antonio Anastasia (ambos do PSDB) ao presidenciável tucano não mobilizou o eleitorado do partido na mesma direção.

Entre os entrevistados que declaram voto em Anastasia para o governo, há mais eleitores inclinados a eleger Dilma (48%) que Serra (37%).

Esse voto que combina PT e PSDB nos diferentes cargos foi apelidado de “Anastadilma”.

Na última semana, o Ibope fez pesquisas em Estados do Sudeste, do Norte e do Nordeste – não houve levantamentos no Sul, onde Serra é o favorito.

O desempenho em Minas, combinado com a liderança no Rio de Janeiro, onde vence por 46% a 27%, fez com que Dilma empatasse no Sudeste, contrabalançando nesses dois Estados a vantagem do tucano em São Paulo.

Segundo o Ibope, ele lidera por 44% a 33% entre os paulistas.

O empate no Sudeste, que vinha se mostrando um reduto serrista, empurrou Dilma para a liderança na pesquisa nacional do Ibope, divulgada na sexta-feira.

Ela tem 39% das intenções de voto em todo o País, cinco pontos porcentuais a mais que o adversário do PSDB.

Agência Estado

Eleições 2010: Serra presidente. E se o vice tiver que assumir?

Nenhuma possibilidade deve deixar de ser analisada, quando se sabe que imponderável é uma possibilidade real nos acontecimentos da política e da vida.


Considerações sobre o inusitado

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Não há um tratado sobre a guerra, dos milenares aos atuais, que deixe de considerar o inusitado como rotina em todas as batalhas. Traduzindo: mesmo examinadas as diversas hipóteses sobre o comportamento do inimigo, ele sempre fará o que não foi previsto.

O preâmbulo se faz a respeito do risco que as oposições assumiram ao formalizar a candidatura de Índio da Costa como companheiro de chapa de José Serra.

Sustentam os generais do PSDB e do DEM estar tudo planejado, amarrado e garantido, ou seja, o jovem e até pouco desconhecido deputado não será deixado sozinho nem por um minuto. Vão monitorá-lo e instruí-lo em cada passo da campanha e, depois, se José Serra vier a ser eleito.

Com todo cuidado, porém, há que perguntar: e o inusitado? No caso, se alguma coisa acontecer ao presidente, e tem acontecido a muitos, como ficaria o país governado por Índio da Costa? Não teria sentido contestar-lhe o mandato, viraríamos uma banana-republic. Mas entregar-lhe as grandes decisões nacionais sem experiência?

Quando Deodoro da Fonseca renunciou, havia Floriano Peixoto. Com a doença de Prudente de Morais, a interinidade de Manoel Vitorino não gerou solução de continuidade na administração pública, apesar de haver trazido mudança de equipe. Afonso Pena, prematuramente desaparecido, foi substituído por Nilo Peçanha. Mais tarde, com Rodrigues Alves impossibilitado de assumir num segundo mandato, Delfim Moreira entrou para presidir novas eleições, mesmo tutelado por Afrânio de Melo Franco.

Num salto até os tempos moderno, Café Filho e depois Carlos Luz e Nereu Ramos ocuparam a vaga de Getúlio Vargas. Truculência aconteceu contra João Goulart, vice-presidente de Jânio Quadros, que renunciou: foi deposto, assim como pouco depois Pedro Aleixo viu-se impedido de assumir após a doença de Costa e Silva. Para fechar o círculo, mais dois inusitados: Tancredo Neves caiu doente horas antes de empossar-se, entrando José Sarney, e Itamar Franco foi para o governo com o impeachment de Fernando Collor.

Durante uma suposta administração José Serra, se acontecer o imponderável que ninguém deseja, mas freqüenta a História com assiduidade, como será o Brasil de Índio da Costa?

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa